"NÃO SOU FEMINISTA, SOU ANTROPOLOGICAMENTE LÚCIDA" Ana Hatherly

sexta-feira, março 18, 2016

voltar a mãe II

(continuação)

"O CORPO DA MULHER PERTENCE A TODOS MENOS À MULHER!




Toda a cultura patriarcal é baseada no mito do Pai e busca de todas as maneiras manter a mulher cativa do mito...mas como pode um homem amante pai ou marido ou mesmo o filho amado colmatar essa mesma ferida que ele acaba por agravar e muitas vezes causar outra maior - abandono, rejeição, traição - usando e abusando da mulher?

O pai não pode  colmatar essa dor na mulher...

Porque o pai é um estranho, tanto pode ser aquele como outro, e até desconhecido - é da Mãe que se nasce e dentro da qual nos formamos e recebemos todas as influência celulares e psíquicas, ainda que dele pai recebamos parte da nossa formação genética e parte do ADN - mas é só a cultura e a história que fez do homem e do pai não um amante nem um protector - ainda que assim o ditasse ou preconizasse -  na verdade ele não passa de um predador; porque o que ele pai foi para a mulher, na realidade, tirando casos singulares ou particulares, foi sempre um ditador da ordem vigente e quem controlava e comandava a conduta da filha e da mulher sujeita aos seus critérios e caprichos ... ele educava e comprava e vendia a filha de acordo com a mais valia que ela representa na família e fez isso durante séculos...e seculos - hoje pode ser um pouco diferente - e sabemos bem na pele como o pai e o homem tratam a hoje filha e a mulher na nossa cultura ...sabemos bem como qualquer imbecil...do mais ignorante ao mais culto trata a mulher quando se sente rejeitado ou se julga traído...ou simplesmente é contrariado...

Sobre as causas dessa divisão e domínio patriarcal, há toda uma bibliografia de pesquisa histórica e antropológica das origens, feita por mulheres, e não só, do que foi a sisão da mulher em duas, que corresponde a uma espécie de mutilação interior - se assim posso dizer - assim como da supressão do Princípio Feminino como contrapartida do Princípio Masculino, da história da humanidade e que começa com o domínio absoluto do patriarcalismo.

Há cerca de cinco mil anos, pela força da espada e da violência, a partir das invasões bárbaras, todo e qualquer valor sagrado alusivo à Deusa Mãe e seu culto ou crença posterior que fosse ainda pertença do mesmo culto pagão da Natureza, era suprimido e as sacerdotisas perseguidas e mortas como o foram e continuaram a ser depois do cristianismo, sobretudo e mais recentemente pela Inquisição.

Aqui podemos fazer um parêntesis e olhar para o Islão e ver como os homens sem Mãe e sem qualquer respeito pela mulher a matam se matam uns aos outros e destroem o mundo em nome do seu profeta pedófilo e psicótico, como todos os supostos deuses. O Islão é de forma clara e gritante o lugar do mundo onde há maior ódio à Mulher e nem os filhos nem os maridos ou os pais reconhecem qualquer valor a Mulher e a Mãe; eles abusam das meninas e matam e violam por razões de "honra" as mulheres. Nesta caso vemos claramente o efeito devastador da religião muçulmana - sem ser necessário ser fundamentalistas nem do Daeshe, ou o proclamado estado islâmico - , sabemos como  os seus lideres e governantes  pensam,  e que embora considerando as mulheres mamíferos dizem-nas ainda sem alma (tal como no catolicismos há alguns séculos atrás); todos eles desde o homem comum ao letrado, comparam as mulheres a cães que também desprezam matam e odeiam porque o profeta assim deliberou...Portanto numa parte do mundo as mulheres não valem nada e para nada são consideradas. Não são ouvidas sequer sobre a vida dos filhos e não tem vontade própria. São propriedade exclusiva dos homens e dos seus Estados. A sua vida amorosa  não existe para elas cujo corpo e sexo não lhes pertence e são usadas e deitadas fora conforme eles assim decidam. Eles casam com meninas ainda crianças tal como o profeta terá feito e consta no Corão...enquanto que no ocidente as mulheres no Sistema patriarcal, seja ele religioso ou politico, a mulher é relativamente considerada mas é apenas baseada a sua vida  na sua anulação pela dádiva ao serviço do homem...e o casamento é (era)  implicitamente também baseado na renuncia da mulher a si mesma e de todas as maneiras. Poderá hoje parecer que é diferente, mas a violência doméstica e o feminicídio desenvolve-se de forma aterradora no ocidente e na Europa em especial.

Evidentemente que eu não digo que não hajam pais e maridos e irmãos e filhos que possam ser humanos e compassivos e amem a mulher...Há homens bons, mas a ordem patriarcal é a mesma e seja que homem for acaba por olhar a mulher como propriedade sua, como parte do seu poder e a ele sujeita e nunca a liberta nem por amor, mas antes a mata!

 

rlp

2 comentários:

Anónimo disse...

Muitas vezes fico feliz em ver que de certa forma evoluímos. Mas minha felicidade logo em seguida esbarra na cruel realidade de que essa evolução não é mais do que uma falsa evolução, pois tristemente constato que toda opressão existente sobre as mulheres continua presente, ela só foi mascarada, colorida e se apresenta de diferentes formas. Ao tirarmos o véu observamos a sua verdadeira face.
Desconstruir todos esses falsos "valores" que recebemos desde criança, aliás, muito antes, quando ainda estávamos sengo gerados é tarefa nada fácil. Observo isso no meu próprio trabalho de desconstrução.
Essas não são palavras pessimistas, muito pelo contrário, são lúcidas, só dessa forma vamos resgatar nosso poder que por tanto tempo permaneceu oprimido e subjugado.

Me desculpe, posso ter escrito algo que talvez não faça sentido, mas ainda estou engatinhando em busca de respostas.

Obrigada

rosaleonor disse...

Concordo inteiramente consigo...e agradeço o seu comentário. E nõa só agradeço como me faz todo o sentido. Nõa deixe de o fazer sempre que sentir.
Um abraço
rlp