"NÃO SOU FEMINISTA, SOU ANTROPOLOGICAMENTE LÚCIDA" Ana Hatherly

sexta-feira, abril 29, 2016

NÃO TE ESCREVAS


Não te escrevas
entre os mundos ,

...
ergue-te contra
a variedade de sentidos ,

Confia no rastro das lágrimas
e aprende a viver 

  


Paul Celan , in a Morte E Uma Flor




“Embora muitas pessoas pensem que o amor as libertará da solidão, a verdade é que é a capacidade de estar só que permite a disponibilidade para o amor. Quando deixarmos de acreditar que o outro nos vai salvar, quando deixamos de esperar que ele ponha fim às nossas angústias, podem surgir novos laços.”*

Pela capacidade de estar só acede-se a uma solidão, que confirma que é possível tomar conta de nós mesmos e de regularmos o nosso amor – próprio. Cria-se então, no interior de nós, um espaço disponível para o outro, e para uma forma mais autêntica de amar, porque este passa a ser escolhido numa noção de continuidade de quem somos e do que nos convém.
Perder a noção do nosso eu, ou o escondermos na ânsia do amor a todo o custo, arriscamo-nos a uma total dependência e confusão entre nós e o outro. É a passividade no jogo da relação. E revelá-lo tarde demais, seria desastroso.


Publicada por cristina simões


INCALCULÁVEL IMPERFEIÇÃO

* Marie – France Hirigoyen As novas solidões, na era da comunicação estamos todos mais sós Caledoscópio

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