segunda-feira, maio 16, 2016

A HISTÓRIA DA MULHER



CABE ÀS MULHERES MUDAREM A SUA HISTÓRIA


Sem dúvida que as mulheres estão mais do que nunca a tempo de mudar a sua história. A sua história pessoal e colectiva e ainda a história do Mundo. Antes de tudo e do mais cabe a Mulher recuperar a “CONSCIÊNCIA DO VERDADEIRO FEMININO” perdida algures no tempo e não à política ou à polícia, ao juiz ou ao Estado que de si como Sistema mantém uma estrutura de dominação e portanto é uma contradição esperar ou querer que um Governo - sej...a de esquerda ou de direita - restitua à mulher aquilo que lhe é negado como valor intrínseco, e mesmo que as suas leis de repressão e domínio se alterem no papel, continua na mentalidade popular como registo colectivo a sua submissão e subalternidade e é esse registo que actua à superfície. Só a própria mulher e ao nível da sua consciência ontológica poderá resgatar essa dimensão do seu ser, ou a sua liberdade de SER, como um valor inalienável em si mesma e que corresponde ao despertar para a sua totalidade - não aceitar ser mais dividida em duas (a santa e a puta) - e que lhe permitirá lutar ou sair do ciclo de violência de que é alvo há milhares de anos e que nenhuma mudança social e política teve em conta. Quase sempre a violência doméstica e a agressão social à mulher passa por suspeita da sua “traição” quando ela é sempre e meramente o “bode expiatório” da inferioridade do homem, da sua impotência ou e da sua miséria social.
Desde que a mulher começou a sua luta por um lugar na sociedade e pelo respeito do homem, nunca lhe foi concedido esse direito a partir de uma compreensão efectiva da sua condição real, mas de uma condição “inferior” sofrida na pele pela sisão milenar de um velho cisma que originalmente dividiu o mundo. Desse modo a mulher sempre permaneceu dividida em dois “géneros” - independentemente de ser pobre ou rica, inculta ou instruída - e essa divisão foi aceite como sendo a sua condição natural e esse é que o grande drama da mulher e do homem no mundo.


rosa Leonor pedro
(in Mulheres & Deusas escrito em 2004)

Sem comentários: