quarta-feira, junho 29, 2016

A LITERATURA DE CORDEL


A GRANDE ALIENAÇÃO DAS MULHERES

Há mulheres a quem "A “liberdade” de perseguir o poder para não terem de saber do medo torna-as cúmplices com o desprezo que os homens costumam ter pelo sexo feminino."

É por isso que em todo o lado "Pode dizer-se e escrever-se sobre as mulheres as asneiras mais infames, sem que isso provoque a menor indignação."

Pode-se mesmo escrever as coisas mais infames em nome do erotismo e das "mulheres", pode-se escrever de forma absolutamente depravada e misógina, mas mesmo assim elas seguem-nos como cãezinhos fiéis ao dono e nem sequer se apercebem de como são ridicularizadas e aviltadas, não se apercebem de como os valores da vida e de si mesmas como seres humanos são pervertidos, não veem como se perpetua uma ideia de romance de cordel nojento e o amor aparece como uma intriga superficial como coisa pegajosa e destrutiva, absurda, e de forma alienatória, estupidificante do ser humano...
Elas estão tão habituadas a serem maltratadas e reduzidas a lixo que é tomam como um elogio a ofensa ordinária...
Há mulheres que seguem religiosamente estes escritores popes semi-pornográfico com "paixão"...onde são  reduzidas a meros instrumentos de prazer aleatório, tratadas como peças de carne, coisificadas, escravas de paixões e o certo é que eles vivem à conta da sua estupidez e vazio, como vivem a sua conta os estilistas e as industrias de cosméticos...
Há uma espécie de escritores-travestis da escrita...eles colocam o seu desejo de serem mulheres nas personagem femininas que inventam e que degradam com as suas ideias pervertidas do "amor" e sexo;  eles transformam as mulheres nesses estereótipos variados quase sempre de mulheres ridículas e histéricas, todas tratadas como putas, no fundo, que é a única mulher que os travestis gostam de imitar...

Eis um exemplo da porcaria que as mulheres leem...

"Comecei a amar-te no dia em que te abandonei.

Foram as palavras dele quando, dez anos depois, a encontrou por mero acaso no café. Ela sorriu, disse-lhe “olá, amo-te” mas os lábios só disseram “olá, está tudo bem?”. Ficaram horas a conversar, até que ele, nestas coisas era sempre ele a perder a vergonha por mais vergonha que tivesse naquilo que tinha feito (como é que fui deixar-te? como fui tão imbecil ao ponto de não perceber que estava em ti tudo o que queria?), lhe disse com toda a naturalidade do mundo que queria levá-la para a cama. Ela primeiro pensou em esbofeteá-lo e depois amá-lo a tarde toda e a noite toda, de seguida pensou em fugir dali e depois amá-lo a tarde toda e a noite toda, e finalmente resolveu não dizer nada e, lentamente, a esconder as lágrimas por dentro dos olhos, abandonou-o da mesma maneira que ele a abandonara uma década antes. Não era uma vingança nem sequer um castigo – apenas percebeu que estava tão perdida dentro do que sentia que tinha de ir para longe dali para ir para dentro de si. Pensou que provavelmente foi isso o que lhe aconteceu naquele dia longínquo em que a deixara, sozinha e esparramada de dor, no chão, para nunca mais voltar.

De tudo o que amo és tu o que mais me apaixona.

Foram as palavras dela, poucos minutos depois, quando ele, teimoso, a seguiu até ao fundo da rua em hora de ponta. Estavam frente a frente, toda a gente a passar sem perceber que ali se decidia o futuro do mundo. Ele disse: “casei-me com outra para te poder amar em paz”. Ela disse: “casei-me com outro para que houvesse um ruído que te calasse em mim”. Na verdade nem um nem outro disseram nada disso porque nem um nem outro eram poetas. Mas o que as palavras de um (“amo-te como um louco”) e as palavras de outro (“amo-te como uma louca”) disseram foi isso mesmo. A rua parou, então, diante do abraço deles."

Pedro Chagas Freitas

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