terça-feira, junho 21, 2016

A luta entre homem e mulher...a mãe e o filho...



“Quando se ousa afirmar que todas as relações entre homem e mulher, sejam eles quais forem (conjugais, filiais ou outras) são necessariamente relações incestuosas entre mãe e filho, estamos a provocar as críticas mais ásperas, e fazer-se passar por obcecado. No entanto...

O homem é com efeito um ser incompleto, e ele apercebe-se disso. O seu medo e a sua atracção pela gruta obscura (o vazio de onde vem), o seu medo e a sua vertigem diante da morte(o vazio para onde ele irá), tornam-no um ser frágil que procura a qualquer preço uma segurança. Essa segurança é a mãe, tanto para o homem como para a mulher. (...)

O homem está pois biologicamente sujeito à mulher quer ele queira quer não. E toda a mulher é uma mãe, real ou potencial. Ele é o contido (contenu) enquanto que a mulher é quem contém (contenant): isso constitui um estado de inferioridade muito claro para o homem, que passa por isso o seu tempo a negar esta realidade para se provar a si próprio que é superior. É o que explica a acção masculina, o facto de que os homens sejam dotados para a acção, para a violência, para o combate. Esta acção é o único meio que lhes resta para tentarem se afirmar.
E se o homem é o contido, portanto um ser inferior, ele arroga-se ao direito de ser superior mostrando a todo o preço que a sua força activa é a única capaz de proteger a espécie. Ele soube mesmo convencer a mulher desta superioridade, simbolizada pelo reconhecimento do pénis do rapazinho ao nascer, pela sua mãe, ou por qualquer outra mulher que ajude no parto. O famoso grito: “é um rapaz!”, repetido por gerações, diz bastante do seu significado.

No entanto, a que contém (ou abarca), a mãe, digamos a mulher, é ela própria a realização do Paraíso. Ela o concretiza, esse Paraíso, sob os dois aspectos de uma só realidade: ela “contem” (engloba) a sua criança e o seu amante.”


in "La Femme Celte” de Jean Markale


NOTA PESSOAL ( À MARGEM...)

Podemos então ir um pouco mais longe a risco de provocações maiores, mas eu diria que por todas estas razões e outras, o homem não querendo aceitar essa “inferioridade”, não se querendo render à evidência nem se submeter ao poder da mulher-mãe, ele passa contestá-la e a desprezar a mulher em geral, ou vangloriando-se da sua "virilidade" querendo provar a sua força colecionando amantes e dizendo-se o seu possuidor, ou violando-as e matando-as, acto extremo, ou ainda fazendo a guerra ao seu vizinho para alastrar assim a sua impotência de macho que se vinga pela sua incapacidade de aceitar e amar a Mãe e a Mulher que o "contem". Cometendo ainda a grande aberração de violar ou agredir as crianças indefesas no seio da própria família, incluindo filhas e filhos  ou das suas instituições que as "guardam", como é o caso da pedofilia e da Igreja...
A grande causadora desta “vingança” ancestral foi sem duvida a “madre igreja” que denegriu a mulher como culpada da queda  e reprimiu a sua sexualidade, com padres vestidos de mulher a representar a vontade castradora do pai do céu, exclusivamente! Infelizmente todos os autocratas, ditadores e representantes da violência ou da repressão da vida instintiva-natural, seja ela instituída como “defesa” de território ou da “religião e moral” ou puramente marginal são iguais na falta de amor e de respeito pela vida e pela natureza representada antes pela Grande Deusa e encarnada na Mulher. A destruição do planeta terra é o ódio à Mãe...e a prova da “força” do Homem sobre a natureza!

rlp

1 comentário:

rosaleonor disse...

Tem toda a razão - este desequilíbrio afecta tanto os homens como as mulheres...ambos acabam por obedecer a estereótipos e se prejudicam mutuamente.

Obrigada por comentar.

rl