"NÃO SOU FEMINISTA, SOU ANTROPOLOGICAMENTE LÚCIDA" Ana Hatherly

quarta-feira, junho 01, 2016

UM RETRATO DO PATRIARCADO E A SUA FILOSOFIA

A HISTÓRIA DO HOMEM


O PENSAMENTO PATRIARCAL
E A SUA LOGICA, A DO ESTRUPO

"Uma nação que já não estupra está em plena decadência; é pelo número de estupros que revela seus instintos, seu porvir. Investigue a partir de que guerra deixou de praticar, em grande escala, esse tipo de crime: encontrará o primeiro símbolo de seu declínio; a partir de que momento o amor tornou-se para ela um cerimonial e a cama, uma condição do espasmo, e identificará o começo de suas deficiências e o fim de sua herança bárbara.

História universal: história do Mal. Suprimir os desastres do devir humano é o mesmo que conceber a natureza sem estações. Se você não contribuiu para uma catástrofe, desaparecerá sem deixar vestígio. Interessamos aos outros pela desgraça que semeamos à nossa volta. 'Nunca fiz ninguém sofrer!' - exclamação para sempre estranha a uma criatura de carne e osso. Quando nos entusiasmamos por um personagem do presente ou do passado, fazemos inconscientemente a pergunta: 'Para quantos seres foi causa de infortúnio?' Quem sabe se cada um de nós não aspira ao privilégio de matar todos os nossos semelhantes? Mas este privilégio é concedido a um pequeno grupo de pessoas e nunca por inteiro: só esta restrição explica por que a Terra ainda está povoada. Assassinos indiretos, constituímos uma massa inerte, uma multidão de objetos frente aos verdadeiros sujeitos do Tempo, frente aos grandes criminosos que tiveram êxito.
Mas consolemo-nos: nossos descendentes próximos ou longínquos nos vingarão. Pois não é difícil imaginar o momento em que os homens se degolarão uns aos outros por nojo de si mesmos, em que o Tédio vencerá a resistência de seus preconceitos e de suas reticências, em que sairão à rua para saciar sua sede de sangue e em que o sonho destruidor prolongado através de tantas gerações chegará a ser patrimônio comum..."

Breviário de Decomposição - O Tédio dos Conquistadores
Emil Cioran

E COMO ACONTECEU ESTA CIVILIZAÇÃO?
(...)
"No núcleo do sistema dos invasores encontram-se a atribuição de mais valor ao poder de tirar a vida, em vez de a dar.
Este era o poder simbolizado pela Espada “masculina” que, como atestam antigas gravações Kurgan em cavernas, era literalmente adorada por estes invasores indo-europeus. Pois a sua sociedade dominadora, regida por deuses - e os homens - guerreiros, este era o poder supremo.
...
Com o surgir destes invasores no horizonte pré-histórico - e não, como se diz por vezes, com a descoberta gradual, por parte dos homens, de que eles representavam também um papel na procriação - a Deusa, e as mulheres, foram reduzidas a consortes e concubinas dos homens. Gradualmente a dominância masculina, a guerra e a escravatura de mulheres e de homens mais delicados e “afeminados” tornou-se norma."

Riana Eisler
O CÁLICE E A ESPADA

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