"NÃO SOU FEMINISTA, SOU ANTROPOLOGICAMENTE LÚCIDA" Ana Hatherly

segunda-feira, julho 04, 2016

QUE LIBERDADE DE ESCOLHA?

SÃO AS MULHERES LIVRES?

COMO AS MULHERES MODERNAS DEFENDEM "A PUTA" - embora tendo consciência da sua dicotomia, expressa entre a ideia da mulher séria (e honesta, de um só homem) por um lado e do outro a rameira (a puta que vai com todos), elas optam por se afirmar rameiras. Cada vez mais elas escolhem a via dos homens, em ser iguais e terem tantos homens como eles podem ter mulheres - elas defendem o mesmo direito, a mesma liberdade de usar o corpo e servirem-se do sexo, como se a Mulher fosse apenas um corpo e um buraco...é aqui minhas amigas que entra a consciência imperiosa da Mulher integrada, nem santa nem puta, nem rameira ou meretriz, mas apenas MULHER INTEIRA, consciente de si e da sua totalidade e não manipulável por esta mentalidade falocrática e patriarcal.

Esta "liberdade" e a "igualdade" sexual (falocrática) que defendem leva-as a essa loucura e promiscuidade, sem perceber que nunca ficam a ganhar e são sempre exploradas pelas Mafias e pelos Mídea, pela publicidade, o cinema e a televisão, pela pornografia, e usadas e deitadas fora. Mas infelizmente parece que é esse o mundo que escolhem?
Partindo até de um pondo de vista razoável e em defesa da sua liberdade legitima, sem duvida, a menina que escreve o texto abaixo, não percebe, como quase todas as mulheres "modernas" não percebem, que acabam em nome dessa liberdade por fazer exactamente o que os homens querem  que elas façam: que fiquem exposta para serem consumidas e que sejam rameiras de facto, que tomem a iniciativa e que se  ofereçam de graça.
Esta ingénua igualdade que estas jovens mulheres defendem de a mulher ser igual ao homem na cama e nos seus apetites sexuais, em nome da liberdades do seu corpo - andar nuas ou fazer topless nas ruas? - é o que os homens fizeram sempre na publicidade e na pornografia, vendendo-a...
Afinal elas outorgam-se o direito de como eles de fazer o mesmo o que equivale também  a "comer" tantos homens como eles "comem" mulheres. Isto é, sem sombra de preconceito,  de uma falta de consciência de si enorme e falta de respeito pelo seu corpo sagrado de mulher, e mostra efectivamente como estas mulheres estão tão longe da sua verdadeira essência.
Elas nem se apercebem na sua estupidez cultural que cada  vez mais as mulheres estão ao serviço dos homens já não em nome do seu dever de esposa e mãe, mas em nome da sua liberdade sexual - eles agora já não precisam de trabalhar para sustentar as mulheres no lar,  porque elas trabalham mais do que eles, como não precisam de casar para ter uma mulher em casa, como nem precisam ir às putas ou aos bares e boîtes porque são elas que estão todas para ai viradas - é em nome da "igualdade de géneros"  - porque as mulheres "livres e emancipadas" - que vão com todos (?) os que lhes apetecer e  dizem por prazer, só não percebem que é ainda o prazer deles...
As mulheres são as rameiras livres que já não se fazem pagar?
rlp


MULHERENGOS E RAMEIRAS

"É puta. É rameira. É bêbada. É tonta. É burra. É oferecida. Mulher de extremos é sempre qualquer coisa má. Porque homem que dorme com muitas mulheres, é mulherengo. Mas mulher que se deite com uma parafernália de gajos, é uma vaca. Não é uma homerenga. Não. Não é uma Don Juan. É uma prostituta. Não é uma conquistadora. É uma oferecida. Porque a ela lhe está vedada a liberdade do seu corpo aos olhos do mundo. Porque o “demais” está inscrito na social genética moralista. Como se houvesse um limite. Dez no currículo ainda vá. Quinze é muito. Demasiado. Quinze? Uma cabra. Vai com todos. Porque para ela, a mulher, há um limite intransponível de recato e decência. Como se fossem valores intrínsecos à sua condição de mulher decente. Porque mulher com decote é aquela que está a “querer levar com ele”. Mas o peito musculado do homem, numa bacoca t-shirt colante, é de quem se cuida. De quem tem vaidade no que trata. Mulher de saia curta é vagabunda. Quer que olhem. Quer que falem. Quer que cobicem. Quer mais qualquer coisa. Está pedi-las. E as calças justas com que ele sai à noite é de quem revela os glúteos firmes. Homem de calça justa é macho. É de homem que sabe o que vale e o mostra com orgulho.
Mulher que chega a casa e prepara um jantar ao ritmo de um copo de vinho, é fraca. Precisa daquilo para relaxar. Porque a cerveja que ele tira do frigorífico para ver o futebol é um adereço, com certeza. Como um brinco que ela coloca quando sai à noite. Mulher que bebe duas caipirinhas numa hora, é coitada. Quase adita. Sem rei nem roque. Vai acabar a vomitar-se porque não aguenta. Homem que engole um whiskey ou dois depois do jantar é maduro. Conforta a digestão nesse ritual boémio. Mulher é bêbada. Homem é ébrio.
Nesta dicotomia do género, amorfa, ofensiva e humilhante, gera-se o contágio do mito. O mandamento milenar do que deve ser, baseado na convicção de que somos diferentes. Demasiado diferentes e com papéis sociais demasiado definidos para que haja o desvio. Mulher não bebe muito. Não se mostra muito. Não pina muito. E enquanto não destacarmos estes rótulos, ficaremos empedernidos no tempo, no vácuo da moral e dos costumes. Somos diferentes. Mas somos iguais nas escolhas. O meu corpo. O meu direito. O meu gosto. O meu prazer. O meu desejo. As minhas escolhas… e, sobre essas, que ninguém opine. Escolherei, sempre, ser uma meretriz oferecida e bêbada mas livre. "

rita marrafa de carvalho
in maria capazes

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