"NÃO SOU FEMINISTA, SOU ANTROPOLOGICAMENTE LÚCIDA" Ana Hatherly

terça-feira, agosto 02, 2016

O PODER DA DEUSA



"O poder da Deusa, que se manifesta por meio das mulheres, é uma matriz emocional que convida a uma fusão ou simbiose inconsciente e transmite uma sensação de “chegada a casa”. J.S.B.


Nem sempre acontece isso, como bem gostaríamos ou desejamos, que essa matriz emocional nos convidasse a uma fusão ou simbiose  sempre que as mulheres se reúnem,  ter essa sensação de voltar  "a casa" sempre que nos juntamos; Embora a probabilidade disso acontecer seja grande se não houver bloqueio das energias matriciais...o que acontece porém na maioria das vezes  é que se ao nível consciente as  mulheres estiverem bloqueadas e portanto não estiverem em sintonia com essa matriz que é a Matriz comum a todas as mulheres na essência a nível inconsciente, nada acontece...
Ora aqui chegadas, infelizmente ainda não a casa...temos de rever de forma clara o objectiva que há algo de fundamental por fazer com as mulheres, algo por realizar de muito importante, pois sabemos que a Mulher ainda não é capaz de sentir essa simbiose nem fazer essa fusão espontânea com as outras mulheres porque não está ligada à sua própria essência e portanto está longe dessa matriz do feminino e  mais ainda do sagrado.

 Destaco aqui este aspecto porque, mais uma vez, fui surpreendida com a inversão desse Poder da Deusa...e em vez de sentir essa sintonia, essa empatia, essa cumplicidade, essa compreensão natural entre seres iguais, com uma ou várias mulheres que me lêem, senti mais uma vez, neste caso directamente na pele, a mágoa pela agressão gratuita ou a revanche antiga pela diferença e a não aceitação da diferença de um discurso ou de ideias,  ou mesmo de experiências que nos marcam e diferenciam umas das outras - o que eu senti foi essa  total falta de simbiose entre as mulheres que é gerada pela competição e luta entre os estereótipos,  as idades, entre a filha e a mãe entre a mãe e a anciã...

E ver este antagonismo à flor da pele a manifestar-se entre as mais diferentes mulheres, sempre umas contra as outras, só me fortalece na ideia de que as mulheres continuam inimigas umas das outras  apesar de se juntarem e apregoaram união, mas sem mexer no aspecto fulcral da sua ferida...E é por isso  que destilam esse  veneno que cimenta a discórdia, a agressão e a divergência acérrima que as leva a acusar-se umas às outras  e a agredir "amigas"... e os espelhos  que as mulheres são umas para as outras acabam em estilhaços de acusações e briga, ferindo-se algumas mortalmente (na amizade digo)...

E este facto vivido, mais uma vez, prova-me que todas as teorias da Deusa e do Feminino sagrado ou profano, todas as ideias e lutas feministas, se não houver um verdadeiro trabalho ao nível da psique, ao nível psicológico e anímico, tudo não passa de boas intenções e ideias de superfície. Todos os grupos e círculos de mulheres que não se fundamentam nessas linhas de consciência e trabalho em profundidade consigo mesmas,  na união interior das duas mulheres cindidas dentro de si...levam inexoravelmente ao fim e à cisão dos grupos e ao antagonismo entre as mulheres...e as melhores amigas de hoje serão as maiores inimigas de amanhã...como acontece em todo os lugares e comunidades, no trabalho  e na sociedade em geral.
Portanto e mais do que nunca a grande e premente necessidade de todas as mulheres é de realizar um trabalho pessoal e interior em profundidade. Tudo ou quase tudo foi feito no exterior, mas não são as lutas sociais por direitos  e igualdades, nem as lutas económicas de classe, nem os rituais da Deusa, nem as ideias brilhantes, nem as mais belas filosofias que nos salvam, mas sim a consciência do SER EM Si, neste caso uma consciência integral do ser mulher.

Em resumo, tudo isto na verdade me mostra que enquanto a mulher não se enxergar a si mesma nessa divisão ancestral, ela vê na "outra" mulher a inimiga ou a sua Sombra que repele, o que serve como o pomo da discórdia para continuar a acusar a outra mulher do mal que sente ou da divergência e que a leva a querer ter sempre razão...mas a verdade é que essa mulher não fez trabalho nenhum em si - pode até ser uma grande activista e uma grande estudiosa dos assuntos da mulher e da Deusa, medica, historiadora ou engenheira...mas sem esse trabalho interior não vai a lado nenhum digo e afirmo -  mas apenas pretende afirmar-se pela mente e pela lógica...
Para mim não há nada pior do que uma mulher virar-se contra a mãe ou a irmã, não há nada mais grave do que uma mãe acusar uma filha, porque esse é o princípio que separou a mulher da outra mulher e as dividiu em duas, e ainda as  fragmentou em múltiplas personas (e estereótipos) e a faz sentir-se continuamente perdida e contra as outras mulheres. Nada mais nefasto e venenoso do que o ódio de outra mulher. Uma mulher  através do ódio pode fulminar outra tanto e tão drasticamente como pelo Amor da Deusa Mãe e esse pOder simbiótico de curar e salvar-se a si mesma e digo até  a Humanidade inteira. Mas enquanto a mulher lutar contra uma parte de si e contra a outra mulher não haverá Paz dentro de si nem no mundo.

rlp
2011 - republicando

1 comentário:

Ana Nazaré disse...

A DEUSA É A VERDADE...PRA VE-LA , A MULHER TEM QUE SER CORAJOSA, ATENTA....QUANTO MAIS PURO O CORAÇÃO ; MAIS A DEUSA C REVELA....