terça-feira, setembro 06, 2016

INEXPLICAVELMENTE




PARA AQUELA QUE MORREU NEXPLICAVELMENTE
PORQUE ERA AMADA

Chegaste e eras o ar. Agora sei
Que era já o ar o rosto que tiveste,
Pois no oráculo do vento decifrei
Que não és rosa nem ave nem cipreste.

Talvez que a tua aragem no meu braço
Seja o amor que agora eu mereça.
Mas se adormeço é sempre em teu regaço
Que os anjos me coroam a cabeça.

Talvez seja eu a morta. E tu ao lado
Não tenhas mão para me abrir a porta
Nem haja porta se te sinto ao lado.

Talvez não sejas tu nem eu nem nada
Enrolada no rasto desta estrela
Que me arrastou na sua queda errada.
(…)

Natália Correia

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