segunda-feira, outubro 24, 2016

AQUELA QUE ABRAÇA

O ARQUÉTIPO DA DEUSA VIRGEM ´
e AS EVAS frustradas... 

"Ela é a virgem eterna, o que não quer dizer intocada, mas sim a que não vive sob o domínio do homem ." (Agustina Bessa-Luis)



As mulheres acham que não devem elogiar nem gostar das outras mulheres. Isso vem da paranoia generalizada e do medo que  a mulher tem de ser ela mesma pela ideia que lhes foi inculcada pelo patrismo e o falocratismo de que só o homem e o falo lhes dá sentido na vida e as preenche. Essas mulheres machistas e masculinas, filhas do Pai - podem até andar em círculos do "feminino sagrado" e acharem que seguem a Deusa -,  odeiam as mulheres e são incapazes de empatia com as outras mulheres, e vivem numa norma em que tudo é sexualizado e padronizado por baixos instintos...E na verdade enquanto elas não se descobrirem a si mesmas dentro delas e o prazer do seu corpo e a verdadeira dimensão do feminino ontológico e nõa se identificarem naturalmente  com outras mulheres e apenas com os homens...elas não estão a fazer o Caminho da Deusa, mas de outra coisa qualquer camuflada. Porque a Deusa representa a essência feminina por excelência, representa a sensualidade feminina como representa a doçura e o apaziguamento porque esse é  o dom inato da mulher que a torna capaz de se sentir plena em si mesma e não apenas quando o homem a preenche...

Esta alienação secular da mulher em servir o prazer do homem e viver exclusivamente em função dele acontece porque a mulher perdeu completamente a ligação à Terra à Deusa e à Mãe, deixou de ser Mulher para ser uma serva e uma costela de Adão apenas. Elas são as Evas que só se sentem bem na mira do homem ou debaixo da sua tutela. Nem as mulheres emancipadas conseguiram essa liberdade porque elas continuam prisioneira do homem e do Sistema secular que as anula nessa essência mulher e que só lhes dá a liberdade de servir sendo meros opjectos de produção, de  procriação e uso sexual...
E as mulheres Virgens - aquelas que não precisam da tutela do macho para serem -  são  alvos a abater e por isso a curto prazo são perseguidas e expostas  ou expulsas do seu seio. Não é difícil assistir por parte dessas mulheres Eva pelas suas inseguranças e medos de si mesmas, à tentativa de destruição das mulheres que representem Lilith e que apareçam no seu  caminho, atentado contra o seu carácter e denigrindo-as e caluniando-as de perversas e putas ou lésbicas...elas estão bem amestradas pelo Pai e pelo Mestres...vivem debaixo da sua tutela e são na realidade suas servas e não mulheres autênticas de modo que as mulheres livres - as Verdadeiras Virgens  - são para elas uma ameaça quer  nestes falsos caminhos e rituais da Deusa quer a nível religioso ou politico e social.

Há muitas Deusas que representam o arquétipo da mulher Virgem ou livre e ela é tudo menos submissa ou dependente do homem. E a mulher  ou neste caso a Deusa que eu encontrei mais perto da ideia de mulher integral, da mulher que eu falo, e com quem mais me identifico, é NUKET que significa,  AQUELA QUE ABRAÇA.
É muito belo quando as mulheres  que começam a valorizar outras mulheres e a reconhecer nelas as suas qualidades, porque as têm e não porque as invejam!

rosa leonor pedro


SER UMA EM SI MESMA

"A Deusa Anuket está associada à Lua Crescente e a característica da Deusa desta fase é ser virgem. Mas virgem, no sentido de ser essencialmente uma-em-si-mesma. Isto explica o porquê de ser considerada uma Deusa andrógina. Ela não é, portanto, a contraparte feminina de um deus masculino. Ao contrário, ela tem um papel próprio. Ela é a mais Antiga e Eterna, a Mãe do deus Ra e Mãe de todas as coisas.
Da mesma forma, a mulher contemporânea que incorpora o arquétipo de Anuket é "virgem" em sua conotação psicológica. Uma mulher que é dependente do que outras pessoas pensam, que a faz dizer e fazer coisas que realmente não aprova, não é virgem no sentido do termo. A mulher virgem é livre para ser como deseja. Ela é o que é. Mas romper leis convencionais, não pode levá-la ao egocentrismo, pois deste modo a cura se tornaria pior que a doença.
Mas, como pode então a mulher libertar-se de sua orientação egocêntrica? Quando buscar objetivos não-pessoais e relacionar-se corretamente com sua Deusa Interior, terá como resultado a liberação do egotismo e do egoísmo. Ela deixará então de ser vista como uma egoísta, para consolidar uma personalidade de significação mais profunda. Para tanto, deve ser conhecedora dos ensinamentos antigos da Deusa. É entendendo a concepção primitiva das deidades lunares, que eram tanto provedoras da fertilidade, como destruidoras da vida, que poderemos incorporar os princípios femininos das Deusas, nos tornando então, "virgens", uma-em-si-mesmas. "

Rosane Volpatto



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