sexta-feira, setembro 30, 2016

A ilusão atual da libertação da Mulher

A ilusão atual da libertação da Mulher
Uma jovem escreveu...


“Pela minha pesquisa e por tudo o que tenho aprendido neste caminho de descoberta a que me propus, que começou mais intensamente e de forma mais coesa há quase um ano atrás, quando iniciei este curso, os símbolos chave da Deusa relacionados com o conhecimento são as Maçãs (Macieiras) e a Serpente. Curiosamente, o pecado original sempre foi representado com esses elementos. Claramente, de forma propositada. Por um lado, denegrir tudo o que para a Deusa era Sagrado e ao mesmo tempo, despojar a mulher da sua dignidade, apresentando-a como a raiz de todo o mal, a meretriz, aquela que por artes “mágicas” leva o “pobre” homem a fazer o que não quer. Moral da história: o pobre homem, inocente e puro, que por artimanhas de uma mulher que vendeu a alma ao diabo (serpente), foi expulso do paraíso.

Quanto à questão, e acaba por de alguma forma se entrelaçar com o que escrevi acima, com a “teoria do pecado original” a mulher passa a ser um ser servil, porque, despojada da sua dignidade, não é mais que um objeto nas mãos dos homens. Nada do que poderá vir dela é bom ou pode ser aproveitado, portanto, desprezam-se as suas ideias, negligencia-se a sua educação, “fecham-se as mulheres numa “redoma” de vidro para as proteger”. Na verdade, não se dá oportunidade de evoluir ou aprender e assim se trava e se “domestica” a mulher durante séculos e milénios. Ela existe para produzir herdeiros, dar prazer aos homens e servi-los nas lides domésticas, eventualmente, eles levam-nas a comprar vestidos, compram-lhe adornos bonitos (mais ou menos caros) e elas sentem-se felizes e agradecidas. Nunca exprimem as suas ideias nas reuniões de amigos, porque já sabem de antemão que são ideias ridículas e todos vão rir dela e pior o marido vai ficar furioso.

Eu pensei que as mulheres da minha geração já eram mais livres, mas estava totalmente enganada. Mulheres até com bastante formação académica, na verdade não passam de cordeirinhos ao lado dos maridos ou até se sentem envergonhadas de mostrar a sua inteligência porque não querem que o marido faça má figura. Mulheres a quem foram dadas todas as ferramentas para se libertarem, mas que escolheram viver cativas por medo de não haver um lugar para elas nesta sociedade, ou pior, por “amor” a um homem que as reduz..."


Mónica Moon
in A DEUSA NO CORAÇÃO DA MULHER de Luiza Frazão

"os prazeres secretos da menopausa"



O FOGO QUE LIMPA,  O FOGO DA RAIVA

Normalmente a transição da metade da vida é acompanhada por emoções tempestuosas. Uma das emoções que muitas vezes estimula este renascimento pessoal é a raiva.
A raiva é sinal de que temos estado a suportar coisas que não nos servem, e não estamos dispostas a segui-las e a  sofrer. A raiva das mulheres maduras é tema de muitas piadas. Mas asseguro-te que esta raiva é como o combustível de um jato: é a energia necessária para propulsionar-te na tua nova vida.
Um dos motivos de que despertem a raiva é que sentimos uma necessidade quase voraz de dizer o que temos para dizer e ser ouvidas, às vezes pela primeira vez em décadas. Muitas afogamos nossa verdadeira voz em algum momento da adolescência, quando estávamos mais interessadas em encaixar, encontrar o nosso lugar e seguir as regras. Agora que redefinimos quem somos já não podemos calar aquilo que nos incomoda ou amachuca, e com bons motivos para isso. Embora talvez costumemos considerar como negativa a raiva, na transição da metade da vida ela pode ser considerada como uma medida da potência da nossa força vital. Na verdade, se os sintomas da menopausa são as dores de parto que experimentamos ao dar a luz aos nossos "eus" verdadeiros, quer dizer que a nossa raiva é o grito dos nossos eus recém-nascidos que acabámos de dar à luz.

Christiane Northrup
"os prazeres secretos da menopausa"

quinta-feira, setembro 29, 2016

A sombra da lua fui concebida rapaz e rapariga

 


A sombra da lua fui concebida rapaz e rapariga
mas quando nasci foi sacrificado Adão,
foi imolado aos vendedores da noite.
Minha mãe baptizou-me nas águas do mistério
para encher o vazio da minha outra essência, ...
colocou-me à beira de todos os abismos
e entregou-me ao estrondo das perguntas.
Dedicou-me à Eva das vertigens
e amassou-me em luz e trevas
para que me tornasse mulher centro e mulher lança
trespassada e gloriosa
anjo dos prazeres sem nome.

Estrangeira cresci e ninguém me colheu o trigo.
Desenhei a minha vida numa folha branca,
maçã que nenhuma árvore gerou,
mas depois rompi-a e saí dela
em parte vestida de vermelho, em parte branco.
Não habitei no tempo
nem estive fora dele
porque amadureci nas duas florestas.
Lembrei-me antes de nascer
que sou uma multidão de corpos
que dormi longamente
que longamente vivi
e quando me tornei fruto
conheci o que me esperava.
Pedi aos feiticeiros que cuidassem de mim
e levaram-me com eles.
Era
o meu riso
terno
a minha nudez
azul
e o meu pecado
tímido.
Voava numa pena de pássaro
e fazia-me travesseiro na hora do delírio.
Eles cobriram-me o corpo de amuletos
e untaram-me o coração com o mel da loucura.
Guardaram os meus tesouros e os ladrões dos meus tesouros
trouxeram-me silêncios e histórias
e prepararam-me para viver sem raízes.
E fui-me embora a partir da?.
Nas nuvens de cada noite reincarno
e viajo.
Só eu me despeço de mim
só eu me abro a porta.
O desejo é o meu caminho e a tempestade a bússola.
Em amor, em nenhum porto lanço ferro.
Abandono à noite a maior parte de mim mesma
e reencontro-me apaixonadamente.
Misturo fluxo e refluxo
vaga e areia da margem
abstinência da lua e os seus vícios
amor
e morte do amor.
De dia
o meu riso pertence aos outros
e é meu o meu jantar secreto.
Conhecem-me os que entendem o meu ritmo,
seguem-me
mas não me alcançam nunca.

Joumana Hadddad
(Tradução: Pedro Tamen- Laureano Silveira)

terça-feira, setembro 27, 2016

IMAGINE UMA MULHER


IMAGINE UMA MULHER
...
Imagina uma mulher que acredita que é certo e bom ser mulher.
Uma mulher que honra a sua experiência e conta as suas histórias.
Que se recusa a carregar os pecados dos outros no seu corpo e vida.
Imagina uma mulher que confia nela própria e se respeita.
Uma mulher que escuta as suas necessidades e desejos.
Que vai ao seu encontro com ternura e graça.
Imagina uma mulher que reconhece a influência do passado no presente.
Uma mulher que caminhou através do seu passado.
E que o curou no presente.
Imagina uma mulher autora da sua própria vida.
Uma mulher que age, toma iniciativa e se move pelos seus próprios meios.
Que se recusa a render, senão ao seu verdadeiro ser e à sua voz mais sábia.
Imagina uma mulher que nomeia os seus próprios deuses.
Uma mulher que imagina o divino à sua imagem e semelhança.
Que desenha uma espiritualidade pessoal para reger a sua vida diária.
Imagina uma mulher apaixonada pelo seu próprio corpo.
Uma mulher que acredita que o seu corpo lhe basta, assim como está.
Que celebra os seus ritmos e ciclos como um recurso admirável.
Imagina uma mulher que honra o corpo da Deusa no seu corpo em mudança.
Uma mulher que celebra a acumulação dos seus anos e da sua sabedoria.
Que se recusa a usar a sua energia vital a disfarçar as mudanças no seu corpo e na sua vida.
Imagina uma mulher que valoriza as mulheres na sua vida.
Uma mulher que se senta em círculos de mulheres.
E que é recordada da verdade sobre si própria quando dela se esquece.
Imagina uma mulher poderosa e segura de si mesma
Uma mulher corajosa qeu assumiu o seu lugar, por direito ao lado dos homens
Uma mulher sábia cujas crenças s refletem nas suas relações.
Imagina-te a ti como esta Mulher.

Imagine a Woman  DE © Patricia Lynn Reilly, 1995
Partilhado do Jardim das Hespérides - VIA Luiza Frazão

TRANSAMERICA



"A atriz Felicity Huffman em cena no filme Transamérica (2005), em que interpreta Bree, uma transexual que conhece seu filho após a transição. O filme lhe rendeu um Globo de Ouro e uma indicação ao Oscar." 

O HOMEM QUE QUE QUERIA SER MULHER

Ontem por acaso vi um filme quase inteiro; não sei o nome nem quem são os actores...apenas deixei rolar porque percebi que se tratava de um filme deveras curioso e o tema era a transexualidade ...

Um homem que queria ser mulher..

Olhando para o ou a interprete do papel creio que era uma mulher...uma actriz especial, não muito fatal, nem muito feminina como convinha ao papel...
(agora confirmei que era mesmo uma atriz...)

Ora essa mulher que era homem estava a tomar hormonas e a seguir os procedimentos para fazer a intervenção cirúrgica e com aconselhamento psicológico. A intriga é que entretanto surgiu-lhe um filho do nada...e a psicóloga não a deixou avançar com o processo sem que primeiro ela enfrentasse a realidade de ter um filho de 17 anos que ela desconhecia...e teve de ir ao seu encontro e aí começam as peripécias e a história se desenrola de forma divertida e dramática ao mesmo tempo. O mais curioso de tudo para mim foi ver a Mulher dentro do homem - aquela mulher que ele queria ser e que já tinha forma dentro dele, mas só quando vi a mãe e a família do mesmo...percebi o tipo de mulher que ele queria ser...não era uma mulher interior nem obviamente uterina ou fatal, era uma mulher de comportamento social convencional, com classe...com os rosas e os verdes claros e os azuis céu e as flores no sofá da casa...Ele mesmo disse ao filho sem dizer que era o pai ...que não era um travesti mas uma transsexual quando o miúdo, que em criança fora abusado pelo padrasto e a mãe se suicidar e foi preso porque fumava droga e era prostituto de homens... percebeu que ele/ela tinha pénis...e ficou furioso e a chamou de mentirosa. Enfim uma história terrível e muito louca...com sentimento profundos e emoções desreguladas. Tudo oriundo de uma América suburbana e medíocre, classe media baixa com piscina e onde tudo é de plástico...as pessoas, as casas e os credos menos as armas...
Mas o que me interessa aqui é a personagem principal...

O homem que queria ser mulher...

Eu gostei - não sei porquê - daquela mulher recatada e do lar? Comedida e preconceituosa...educada, sofrida e honesta, cheia de pruridos e delicada?

Mas pensei todo o tempo - que Mulher criaram os homens na sua cabeça que eles próprios se querem mutilar para ser mulher e quão longe estão da verdadeira mulher - só podem. Porque a mulher é visceral ou não é...a Mulher NASCE NÃO SE FAZ E ELA tem Útero e Ovários e Seios, nisso está a sua força e a sua audácia, a sua coragem e liberdade, e a  SUA FECUNDIDADE, como mãe mas também como amante e é isso à partida que faz a sua diferença do macho...mas porque essa mulher foi morta há muito pela religião e os credos e a industria cinematográfica americana, baseada neste mundo repressivo e nojento,  com uma cultura de plástico e de mentira e que vive na superfície das ilusões e enganos, do comércio e da troca miserável de prazeres efémeros e de um sexo de vergonha e aviltamento, de prostituição e  do abuso da posse da mulher, sempre aviltada e empenhados na  destruição da Mulher verdadeira, vemos estas cenas como sendo parte de um mundo verdadeiro quando isto é só folclore americano - o país mais execrável e repelente do mundo - um pais de gente fundamentalista e primária que vive da guerra e de ódios raciais ...superficial e malévolo - como uma potencia mundial que explora e mata populações inimigas...etc. DETESTO os americanos...e passo a expressão demasiado intensa...sim, mas se há povo que eu deteste mais são eles e a seguir as suas vitimas directas, os muçulmanos...

Ora a cena mais forte e dramática do filme é quando o rapaz quer seduzir a mulher-travesti  e ainda não sabe que é o próprio pai...mas porque se sente atraído por ele/ela e diz, querer dar-lhe o que sabe melhor fazer...dar prazer a homens...e esta miscelânea brutal...resulta numa cena violenta porque ele/ela diz-lhe então que é o pai dele...o pai que o garoto deposita as ultimas esperanças e  que  anda à procura e imagina o herói que o vai salvar...e de repente vê o pai ...um travesti...o pai é aquela mulher "religiosa" e pudica (como ela se apresentou para o tirar da prisão) e que ele acaba por gostar...
E o filme acaba com a mulher já depois da operação, a terminar um curso superior para dar aulas...e o garoto - já a fazer filmes pornográficos - vai bater-lhe à porta e enfim a escolher implicitamente em vez do pai herói uma mãe fake...uma senhora de cor-de-rosa choque muito educada e que o vai por na ordem com aquela ternura e classe que ele/ela mesma  quando era rapaz deve ter sonhado ter uma mãe assim...

Mas voltando ao homem que queria ser mulher

Aquela não é a verdadeira IDENTIDADE DA MULHER...só porque inverteu o pénis para dentro e simulou uma vagina...e tem uns pequenos seios a aflorar o peito...
Não. A mulher é muito mais do que um corpo e do que um sexo...é antes de mais uma Alma...A verdadeira mulher nasce e não pode ser formatada pela cultura e remodelada pela ciência pervertida, que vendeu a alma ao diabo que mata em vez de curar...e que promove estes seres abortados e transgénicos, criados em laboratório...ou disseminado nas mentes humanas com propósitos de destruição da raça...?
O SER HUMANO PODE SER O QUE QUISER NA SUA PELE
SEM MUDAR DE SEXO NEM SE MUTILAR...
Não, não acredito na felicidade destes seres mutilados, todos eles grotescos e infelizes que na hora da mudança acabam por se virar para os seres do mesmo sexo...sejam homens ou mulheres. Tudo isto é  a fabricação de uma mundo monstruoso e sem alma...e essa é que é questão...Vivemos num mundo de seres sem alma e sem essência. Um mundo em que são raros os verdadeiros homens e as verdadeiras mulheres e em que já ninguém sabe quem é quem, porque tudo se pauta por baixo,  pelas partes inferiores do corpo, pela gentilidade...

PS
Sim este filme  Transamérica  cujo titulo desconhecia no inicio do que escrevi, diz tudo no titulo. Uma AMÉRICA plástica e bélica, em que a alienação humana é quase total - claro que me vão apedrejar ...sei que há autores e seres humanos fantásticos em todo o lado, mas como País...este é o País mais abjecto que eu conheço. Promove a violência, as diferenças, a prostituição, a guerra e tudo o que de pior a raça humana possui...e em filmes é sem duvida o baluarte da Humanidade putrefacta e decadente.

rlp

segunda-feira, setembro 26, 2016

CHAMO MULHER - QUE MULHER?

AS MULHERES COMO MERCADORIA...


"As mulheres não são apenas consumidoras na economia de mercado; elas são consumidas como mercadoria. É disso que fala o poema de Oles, e isso é o que Tax chamou de “esquizofrenia feminina”. Tax constrói um monólogo interior para a dona-de-casa-mercadoria:

“Não sou nada quando estou sozinha comigo mesma. Em mim mesma, não sou nada. Só sei que existo se sou desejada por alguém que é real, meu marido, e pelos meus filhos”.
...
[Meredith Tax, “Woman and Her Mind: The Story of Everyday Life”,
Boston: Bread and Roses Publication, 1970.]


O QUE FALTA À MULHER?


"Chamo mulher àquela parte oculta que não é entendida pela razão masculina. Ser esposa, mãe já não satisfaz a uma mulher nos dias actuais, e ainda que tenha um emprego bem renumerado há um vácuo a pairar no coração das mulheres. Há qualquer coisa que falta e a verdade é que nenhum homem/sociedade pode dar isso e muito menos a maioria das mulheres, porque submetidas à ordem estabelecida." (autora?)

Essa mulher oculta é a parte da mulher que fica de fora -... o seu lado instintivo e mediúnico, o seu lado sexual e sensual - regra geral e corresponde à amante, enquanto a parte clara corresponde à esposa ou à mãe...é a mulher visível e aceite pelo patriarcado, e assim se mantem a mulher dividida em duas espécies de acordo com a o que a sociedade/homem estabeleceu, na imagem da santa e da puta...
Nenhuma mulher escapou a esta dicotomia depois deste registo social após ter sido condenada a propriedade do homem pelo casamento-instituição e adquirida como um bem de uso exclusivo e através de um dote, de riqueza ou de uma beleza excepcional e do outro lado, a rapariga pobre e sem recursos ou feia - obrigada a servir em casas senhorias ou ricas, engravidando pelos filhos do dono da casa ou do patrão, expulsas e obrigadas depois a prostituírem-se para sobreviver...
Esta é a histórias de muitas mulheres da geração das nossas mães, tias e avós - não precisamos de olhar muito para trás. Todas nós mesmo as mais novas têm o registo disso e são vitimas desta divisão, mesmo aquelas que pensam que não...


ÀS MULHERES CRENTES NO SISTEMA


Outra coisa que me surpreende é a ingenuidade das mulheres ao acreditar que o Sistema e o Mundo patriarcal as possa defender em algum momento e dar-lhe a DIGNIDADE QUE NUNCA LHES DEU.
O Sistema nunca respeitou a Mulher nem a Mãe nem a Filha que a vendeu e fez dela propriedade sua, mera mercadoria e em nome de bens e interesses de família e dos seus interesses sexuais ou políticos sempre usaram a mulher a seu belo prazer etc...e nós rimo-os dos ...indianos por trocarem as filhas por vacas - mas no Ocidente chamam-nos vacas e tratam-nos como tal...basta sair da "rédea curta" seja a nível psicológico seja social a que vos têm agrilhoadas.
Mulheres que lutam em nome dos direitos das mulheres, igualdades, justiça, liberdades, dizem "o corpo é meu" BLÁ BLÁ BLÁ , o que é que esperam para enxergar o que se passa há séculos e ver que afinal nada mudou e tudo o que o Sistema faz é atirar-vos pó para os olhos além das lavagens cerebrais nas suas universidades?
Quem sabe...eles até gostaria que usassem burka...e deixam agora os muçulmanos tomar a dianteira?
 

rosa leonor pedro

"As mudanças na vida das mulheres"

"As mudanças na vida das mulheres"
Livro de Anna freixas

"O corpo é algo muito importante na vida de todas as pessoas, mas na nossa cultura para as mulheres torna-se um elemento-chave de identidade e de importância social e pessoal. O corpo é um ponto de referência constante para avaliar como nos sentimos em relação à aparência e como nos gera sentimentos de adequação ou inadequação. Precisamos de alterar os significados culturais sobre o corpo das mulheres idosas; enquanto não o fizermos e o ícone permaneça na juventude e na magreza, não parece fácil que nós as mulheres consigamos reconciliar-nos com os nossos corpos em mudança e  envelhecer, quando a sua  apreciação e aceitação está altamente influenciada por esse imaginário. Precisamos conhecer a experiência corporal das mulheres, como fazem para negociar activamente o significado da idade e o passar do tempo nos seus corpos e em suas vidas. Precisamos transformar os discursos atuais sobre o corpo e colocar-nos no centro do mundo.  Incluindo as rugas.
(...)

Os nossos corpos mudam com a idade. Claro que sim. Esta é a primeira ideia que temos de assimilar. Mudam, vão adquirindo formas, texturas e posturas que nos são as de antes. Nem melhores, nem piores, apenas diferentes, próprias de um corpo maduro. Não quero dizer com isso que não aconteça nada. Claro que acontece, mas trata-se de saber fazer as adaptações necessárias para que esses longos anos que nos restam a partir da meia-idade não se tornem um calvário físico e psicológico, numa tortura emocional no sentido em  que nos amarguem os anos conquistados . Há perdas, certo, mas não se trata de algo terrível, mas é só o curso da vida. Somos apenas diferentes."

Anna freixas

Arte: Aleah chapin (2ª imagem)

domingo, setembro 25, 2016

A MULHER ALQUIMICA



 "A DOR PSIQUICA É UMA AUTORIDADE ESPIRITUAL"*

Esta definição da dor tocou-me um dia de forma muito especial e rendo os crédito ao seu autor.
No entanto, tendo sido ela afirmação de um homem, para mim,  o que ela representa mais como autoridade, é  a dor da aprendizagem sem rosto como diz Jung,  e não no sentido em que afinal  nós humanos só damos vulgarmente valor à dor física ou nos cingimos à dor emocional; para mim  é a mulher, a anima  quem representa melhor e de forma expressiva e viva e em toda a sua intensidade essa dor; só a mulher sabe dessa outra dor psíquica de uma dimensão quase inalcançável, porque impercetível aos nossos sentidos, e não fosse tão funda e persistente, nem sequer a perceberíamos com dor ou sentir sem nome e que só a reconhecemos através dessa intensidade latente, indefinida,  como se fosse uma dor de nada...uma dor subtil mas tão  persistente que se torna pano de fundo da alma ou da consciência individual e nos traz também a noção de que ela possa ser afinal  a origem de toda a tristeza e a saudade de algo...
Algo como o nosso Fado, o nosso destino marcado, talvez em ultima instância saudade de alguém, sendo porém que para mim  a mulher é a grande encarnação viva dessa dor  porque é a Mulher que se sabe, a mulher que dá corpo à encarnação de toda a mística e magia do Universo, a que detém esse saber e essa memória. O homem  tem-lhe acesso através da sua anima...do seu feminino reencontrado através do par alquímico e da mulher iniciada, creio...
 Por isso eu falo dessa Mulher das profundezas, a mulher alquímica,  a Mulher Mágica, a mulher magnética, a mulher rara, porque é ela enquanto Mãe da humanidade que transmite e vive essa dor cósmica e universal seja na memória de um continente  perdido, de um mundo inimaginável,  ou de um paraíso prometido talvez, ou ainda  de um amor banido, de uma morte, essa dor da separação original, da fonte e de que nós temos todas esse registo e conforme evoluímos em sensibilidade e à medida que  aprofundamos a nossa alma, mais perto estamos dessa autoridade que é a dor da Mulher intemporal, a Mulher eterna; sim essa a dor psíquica é a ferida maior da alma, que é nascer para este mundo, esquecer quem somos e sem poder ser a totalidade?

Por isso eu "odeio" as retóricas, as feministas e as revolucionárias e as teóricas new age e  todas estas mulheres armadas em deusas, perdidas em causas de nada e sem profundidade nenhuma, completamente desnaturadas e superficiais...desculpem-me a intensidade da expressão...

rosa leonor pedro
*A. L. A. 

sábado, setembro 24, 2016

E SE FOSSEM MULHERES?



A ORDEM PATRIARCAL...

"Se Deus no "seu" céu é um pai governando o seu povo, então é da "natureza" das coisas e de acordo com o plano divino e a ordem do universo que a sociedade é dominada pelos homens. Neste contexto, a mistificação dos papéis ocorre: o marido dominando a esposa representa o próprio Deus. As imagens e os valores duma determinada sociedade foram projetados no reino dos dogmas e "Artigos de Fé", e estes, por sua vez justificam as estruturas sociais que lhes de...ram origem e que sustentam a sua plausibilidade."

Beyond God the Father (Para lá de Deus Pai)
Mary Daly, teóloga feminista


O SEXO D@ DEUS/A

"O homem aprecia a grande vantagem de ter um deus a endossar o código estabelecido por si próprio, e uma vez que exerce uma autoridade soberana sobre as mulheres, é grande sorte a sua ter sido investido dessa autoridade pelo próprio Ser Supremo. Para os judeus, muçulmanos e cristãos, entre outros, o homem é Mestre por direito divino, o temor de Deus vai portanto reprimir qualquer impulso de revolta nos seres oprimidos."
...
Simone de Beauvoir
O Segundo Sexo

sexta-feira, setembro 23, 2016

A VIDA MODERNA



A CONTEMPLAÇÃO DA ARTE...

“A vida moderna é um mar de imagens. Nossos olhos são inundados por figuras reluzentes e blocos de texto explodindo sobre nós por todos os lados. O cérebro, superestimulado, deve se adaptar rapidamente para conseguir processar esse rodopiante bombardeio de dados desconexos. A cultura no mundo desenvolvido é hoje definida, em ampla medida, pela onipresente mídia de massa e pelos aparelhos eletrônicos servilmente monitorados por seus proprietários. A intensa expansão da comunicação global instantânea pode ter concedido espaço a um grande número de vozes individuais, mas, paradoxalmente, esta mesma individualidade se vê na ameaça de sucumbir.
Como sobreviver nesta era da vertigem? Precisamos reaprender a ver. Em meio à tamanha e neurótica poluição visual, é essencial encontrar o foco, a base da estabilidade, da identidade e da direção na vida. As crianças, sobretudo, merecem ser salvas deste turbilhão de imagens tremeluzentes que as vicia em distrações sedutoras e fazem a realidade social, com seus deveres e preocupações éticas, parecer estúpida e fútil. A única maneira de ensinar o foco é oferecer aos olhos oportunidades de percepção estável – e o melhor caminho para isso é a contemplação da arte."

Camille paglia




A MULHER QUE SABE


É MAIS PROFUNDO O CORAÇÃO DAS MULHERES
QUE O MAIS VASTO MAR DO MUNDO" - Provérbio bretão da Ilha de Batz

Sim, precisamos de ir muito mais fundo em nós do que imaginamos possível, muito mais fundo dentro, ir até ao mais fundo abismo de ser...A mulher tem uma profundidade ou um coração, como  diz o provérbio, mais fundo do que o mais vasto mar do mundo...e é nesse mar que temos de mergulhar. Toda a mulher contem essa imensidão em si quando se abre ao seu ser e alcança essa dimensão do Feminino Sagrado, e sagrado porque ela é geradora de vida e de amor, ela é a mediadora das forças cósmico-telúricas e ela encarna a Deusa na Terra.
Espanta-me por isso e dói-me ver a superficialidade das mulheres em geral em termos do seu próprio ser e sentir e viver à superfície satisfeitas com conquistas e sucessos mundanos e materiais e mesmo ver no seio daquelas que se dedicam agora às coisas da espiritualidade ou mesmo da Deusa, que se ligam e dizem do Útero e do ventre e do sangue e que se fiquem apenas por ai...no corpo...na superfície, sem ir ao fundo desse mar imenso e revolto que é a alma autêntica de uma MULHER que se preze, a Mulher eterna, a Mãe e a Deusa.

Sim, a Deusa é a alma da mulher, não os seus caminhos...
Vejo as mulheres perdidas da sua mística e interioridade, longe da sua intensidade de mulheres em todos os campos da sua actividade, sejam eles materialistas sejam espiritualistas, mas não vejo essas mulheres tremendas e imensas, apaixonadas e delirantes, capazes de morrer por amor e de se dar inteiramente por causas  maiores. Vejo-as apenas muitas a papaguearem coisas que aprendem de cor ou o seguir de ritos e ideias que acham ser sagradas, quando SAGRADA É A ALMA da mulher e o mundo que ela ilumina pela sua força interior, coragem e bondade inata de que está ainda tão longe. Tão longe minha Mãe está a mulher de si mesma e perdida em tanta superficialidade, tantos ismos e tantos idealismos, em nome de não sei o quê nesta troca insana de valores e egos e vaidades que nos traem e nos corrompem a alma e nos reduzem a nada...ou simplesmente nos afastam uma vez mais da Essência Mulher...
Sim, às vezes isto dói-me no corpo e na alma e sonho com mulheres vindas do fundo desse Mar imenso que é o amor da Mulher que é MULHER e dele como Vénus há-de renascer.
rlp




segunda-feira, setembro 19, 2016

POR YEMANJÁ



PARA MULHERES TOSCAS E FEIAS...
Texto de Flor Del Sur


"Hoje eu quero falar para as mulheres sujas. Para as mulheres desgrenhadas, sem modos, sem eira nem beira. Sem berço , sem origem nobre. Para as mulheres quaisquer. Aquelas que não bailam feito ninfas na floresta encantada. Aquelas cuja pele não tem a cor aveludada de pêssego maduro. Antes , se estendem feito terra arada, com veios rústicos , pedras, gravetos. Hoje quero falar para as mulheres pagãs, ainda que possam ser religiosas, são sempre vistas como erradas , hereges, ...mundanas, inadequadas ao meio. Eu quero falar para as mulheres sujas e loucas, com hálito forte de fumo, terra e gritos sufocados. Para as mulheres sem olhos brilhantes e bem delineados, sem bocas carnudas carmim, antes tem a pele dos lábios ressecada e ferida por beijos cínicos , sem amor. Sem amor. Que amor ? Para estas mulheres cujo amor romântico foi uma ilusão tola, tosca, sem vida . Antes seu amor foi o prazer das crias bem alimentadas, uma muda de chá que vingou. Um passeio à beira do mar, com roupa e tudo. Com respeito e anseio... Por Yemanjá. Quero falar para as mulheres com vincos profundos no corpo e na alma. Com marcas estranhas e cicatrizes ... Cicatrizes - muitas invisiveis a olho nu, e reluzentes no silêncio e no escuro do coração . Quero falar para as mulheres sem graça , sem pernas roliças, sem seios redondos . Quero falar para as mulheres sujas, medonhas, banidas da sociedade pura e bem comportada. Quero falar para as mulheres cravejadas de histórias e memórias de uma realidade cruel. Escrevo agora para as mulheres que apesar de tudo, de terem sobre o corpo as marcas das opressões , de sonhos inconfessáveis , de segredos pesados de lágrimas ... Para elas eu quero dizer, que se existe um amor que valha a pena viver, é um amor que possamos aprender a sentir por si mesma , com tudo que se tem. Tudo . E inclui até mesmo o nada que sobra ao fim do dia. Esse é um amor sagrado e digno. Então aprendemos que sim, somos todas Deusas. E podemos erguer um altar ás Deusas Mundanas. E honrar nossa presença na Terra. Recuperar a fagulha divina da terra, que tinge nossos pés descalços e profanos, e dotados de uma indescritível sacralidade. Intento o amor para dentro, num olhar direto e fiel a si mesma. Eis uma história de amor bonita para se escrever no diário da existência ."

sábado, setembro 17, 2016

MULHERES...



RESPEITEM-SE MAIS A SI DO QUE AOS OUTROS...ou o que eles dizem...


"Não pense que a pessoa tem tanta força assim a ponto de levar qualquer espécie de vida e continuar a mesma. Nem sei como lhe explicar minha alma. Mas o que eu queria dizer é que a gente é muito preciosa, e que é somente até um certo ponto que a gente pode desistir de si própria e se dar aos outros e às circunstâncias.
Pretendia apenas lhe contar o meu novo carácter, ou falta de carácter. Os últimos quatro anos ...me transformaram muito. Do momento em que me resignei, perdi toda a vivacidade e todo interesse pelas coisas. Você já viu como um touro castrado se transforma num boi? Assim fiquei eu… em que pese a dura comparação…
Para me adaptar ao que era inadaptável, para vencer minhas repulsas e meus sonhos, tive que cortar meus grilhões – cortei em mim a forma que poderia fazer mal aos outros e a mim. E com isso cortei também minha força. Espero que você nunca me veja assim resignada, porque é quase repugnante.

Uma amiga, um dia desses, encheu-se de coragem, como ela disse, e me perguntou: você era muito diferente, não era? Ela disse que me achava ardente e vibrante, e que quando me encontrou agora se disse: ou essa calma excessiva é uma atitude ou então ela mudou tanto que parece quase irreconhecível. Uma outra pessoa disse que eu me movo com lassidão de mulher de cinquenta anos.
O que pode acontecer com uma pessoa que fez pacto de boa vontade com todos e que se esqueceu de que o seu nó vital deve ser respeitado? Ouça: respeite a você mais do que aos outros, respeite suas exigências, respeite mesmo o que é ruim em você – respeite sobretudo o que você imagina que é ruim em você – pelo amor de Deus, não queira fazer de você uma pessoa perfeita – não copie uma pessoa ideal, copie você mesma – é esse o único meio de viver."


Clarice Lispector, in “Carta a Tânia [irmã de Clarice] (1947)”.

QUADRO de Lena Gal

OS PREDADORES...



MULHERES ATENÇÃO:


Clarissa Pinkola estes também nos fala sobre os predadores:

"Na vida diária, também existem muitos ladrões de luz e assassinos da consciência. Em geral, o predador se apodera do suco criativo da mulher por simples prazer ou para seu próprio uso, deixando-a mais pálida do que a cera e sem saber o que aconteceu enquanto ele está cada vez mais alegre e saudável. A pessoa predadora quer que a mulher não preste atenção aos seus instintos por medo que se dê conta ...de que aplicaram um sifão à sua mente, sua imaginação, seu coração, a sua sexualidade ou o que seja.
O esquema da entrega da vida do próprio núcleo começa às vezes na infância, favorecida pelas pessoas que cuidam da criança e pretendem que as suas qualidades e seu charme encham seu próprio vazio e mitigar a fome que sentem. O fato de que a criança seja educada desta maneira confere um enorme poder ao predador natural e a expõe que mais tarde se transforme em barragem de outros. Até que seus instintos tornam-se a colocar em sua respectiva ordem, a mulher que foi educada desta maneira é extremamente vulnerável à possibilidade de ser vítima das tácitas e devastadoras necessidades psíquicas dos outros. Em Geral, uma mulher com os instintos bem desenvolvidos sabe que o predador a espreita quando se vê presa em um relacionamento ou uma situação que apequena sua vida em vez de engrandece-la."

Clarissa Pinkola estés
"Mulheres que correm com os lobos"

EM CHEIO



Lua Cheia do eixo Virgem/Peixes (24º 19´) e Eclipse lunar penumbral
Lua Peixes / Sol Virgem​
Elementos: Água / Terra

Proposta: Trazer o coração à mente e levar a mente ao coração.

A Energia de Virgem é aquela parte em nós que aspira à Síntese e à perfeição, através da consciência da purificação, auto aperfeiçoamento, necessidade de realizar e concretizar para melhor servir, ou sentir-se útil; Contudo, muitas vezes, perde-se em análise, detalhes, perfeccionismo, exigência, julgamento, crítica, organização e excesso de rigidez.
A Energia de Peixes é aquela​ outra parte em nós, que aspira à Unidade e expressa-se através da Compaixão e Amor Incondicional; Porém, requer lucidez e ancoragem, para não se perder no mar emocional das ilusões, expectativas, sentimentos difusos, confusão, irrealismo e fuga.
À medida que o ser humano avança em consciência, vai-se rendendo à vida da alma. Na rendição da sua natureza inferior, ele vai-se desapegando da sujeição da matéria e integrando: serenidade, firmeza, pureza, equilíbrio, humildade, ternura, compaixão universal.
Por um lado o Sol a trazer lucidez, para entendermos que não basta sonhar, mas é preciso concretizar os nossos sonhos; Que não chega sentir amor, senão conseguirmos expressá-lo; Que não podemos passar a vida a fugir daquilo que não queremos ver; Que é importante criarmos um método de trabalho e haver regras de conduta para atingirmos os nossos objectivos no quotidiano; Que é tempo de enfrentar os desafios, pois é através da acção, que realizamos e construímos as nossas vidas, que nos auto aperfeiçoamos, superando dualidades e harmonizando opostos, até alcançarmos a Unidade.
Por outro lado, a Lua a dizer que quando nos rendemos à nossa interioridade e nos deixamos guiar pelo coração, o Amor nutre a vida e a Paz é um estado de ser. Não é preciso ver para crer; Basta sentir com o coração, para saber a verdade; Que não precisamos de controlar nada, se formos capazes de confiar, pois não basta criticar, é preciso Ser.
Nesta Lua Cheia ocorre um eclipse lunar penumbral com duração de 3h59m. A lua entra na penumbra às 17.53 e sai da penumbra às 21.56. No entanto, por se tratar dum eclipse penumbral, a sombra permite a sua visibilidade.
“Um eclipse é um evento astronômico, que ocorre, quando um objecto no céu se move para a sombra do outro. O termo é mais frequentemente usado para descrever tanto um eclipse solar, ou seja, quando a sombra da Lua é projectada sobre a Terra, ou um eclipse lunar, quando a Lua está dentro da sombra da Terra.
Os Eclipses estão simbolicamente associados à ideia de ocultamento, esquecimento. Ocorre uma espécie de desligamento da memória como se apagasse tudo o que ocorreu antes. Sem se dar conta, ou sendo empurradas por um acontecimento, as pessoas mudam o comportamento e atitudes e em consequência a vida vai mudando.”


Por isso desde a antiguidade, os eclipses sempre tiveram tanta importância como acontecimentos cósmicos, pois eles funcionam como catalisadores.
A Lua conjunta a Kiron retrógrado, oposta ao Sol, Mercúrio retrógrado e Júpiter em Balança remete-nos para um mergulho no nosso interior, a cura das nossas feridas mais profundas, uma reavaliação das nossas vidas, sobretudo na sua vertente emocional, para que as águas possam ser redimidas através da consciencia. A energia do eclipse lunar potencia as características das energias em causa, iluminando os opostos que devem-se complementar.
Eu Sou Júlia

quarta-feira, setembro 14, 2016

"Foi como Mãe que a mulher se tornou ameaçadora...



AS MÃES...


"Foi como Mãe que a mulher se tornou ameaçadora; é na maternidade que ela deve ser transfigurada, domesticada. " - Simone de Beauvoir, O Segundo Sexo.


“O ferimento mais profundo que é infligido a uma mãe na nossa sociedade não é só a sua opressão, mas a sua adaptação ao mito masculino da respetiva superioridade e a aceitação da própria insignificância. Nos casos em que o movimento feminino contemporâneo interpreta a igualdade de direitos como o direito de serem tão ruins como os piores dos homens, ele perpetua o domínio masculino sob novas formas. Pior ainda: estas mulheres, como negam a força dos aspetos criativos do seu amor, continuaram a educar mulheres e homens que, por seu lado, recusarão a sua própria força real e se decidirão por empregar o seu poder sem escrúpulos. É isto que Édipo representa: a ferida inicial que se transforma numa ânsia de dominar." - Arno Gruen in A traição do eu

Este  excerto de uma lucidez lazer fez-me pensar nas mulheres...que dizem como forma de desculpar os homens - é absolutamente banal e corrente esta afirmação por parte de mulheres comuns e até "instruídas" e escritoras etc....- que continuam a querer justificar os homens (e filhos) que tratam mal as mulheres, dizendo que são as mulheres mães que os educam...que é por causa das mães que eles são assim. Como se as mães, feridas de morte na sua essência, feridas na sua dignidade, pudessem educar... como se mães à partida tivessem ou pudessem ter alguma responsabilidade na sua inconsciência de si como ser humano de segunda classe...sim, como poderiam elas educar os filhos e filhas com este estigma, com este ferimento profundo no seu corpo físico e emocional... esta cisão da sua psique e condenadas em família e em sociedade à sua insignificância...como mulheres!
rlp

terça-feira, setembro 13, 2016

LEMBRAR NATÁLIA CORREIA

A ESCRITORA FARIA HOJE 13 DE SETEMBRO 93 ANOS


A Missão da Mulher


Acho que a missão da mulher é assombrar, espantar. Se a mulher não espanta... De resto, não é só a mulher, todos os seres humanos têm que deslumbrar os seus semelhantes para serem um acontecimento. Temos que ser um acontecimento uns para os outros. Então a pessoa tem que fazer o possível para deslumbrar o seu semelhante, para que a vida seja um motivo de deslumbramento. Se chama a isso sedução, cumpri aquilo que me era forçoso fazer.

Natália Correia, in Entrevista '(1983)' 

UMA MULHER LUCIDA



SUPRIMIDA A MULHER HÁ MUITO,
SUPRIMA-SE AGORA O HOMEM...
(...)

"Nós chegamos a esta coisa terrível, o chamado equilíbrio nuclear, que é o jogo de escondidas de duas disponibilidades criminosas para suprimir a humanidade. A humanidade está hoje pronta (parece que está sempre pronta!) para pôr luto por si própria. Isto não é uma forma humana de viver. Esta tragédia tem que ser a sua «húbris», que é, digamos, a arrogância que desencadeia a catástrofe punitiva. E o que me perturba muito, o que me assusta, é que países que subscrevem, que proclamam os direitos humanos, possam entrar num jogo fatal destes, um jogo que se destina a suprimir o homem."*


"A Missão de Continuar a Vida

Ninguém se pode possuir inteiramente, porque se ignora, porque somos um mistério. Para nós mesmos. Podemos sim, ser mais conscientes de uma determinada missão que temos no mundo. Todos nós somos uma missão. Somos a missão de continuar a vida, aperfeiçoando-a, festejando-a e não destruindo-a como se está a fazer hoje. Eu não tenho certezas, mas tenho convicções e uma das minhas convicções mais firmes é que nascemos ...para a liberdade. E, no entanto, veja o paradoxo: essa liberdade, esse caminho para a liberdade está a ser cada vez mais obscurecido por aquilo que observamos no nosso mundo de hoje. Nós chegamos a esta coisa terrível, o chamado equilíbrio nuclear, que é o jogo de escondidas de duas disponibilidades criminosas para suprimir a humanidade. A humanidade está hoje pronta (parece que está sempre pronta!) para pôr luto por si própria. Isto não é uma forma humana de viver. Esta tragédia tem que ser a sua «húbris», que é, digamos, a arrogância que desencadeia a catástrofe punitiva. E o que me perturba muito, o que me assusta, é que países que subscrevem, que proclamam os direitos humanos, possam entrar num jogo fatal destes, um jogo que se destina a suprimir o homem."*


* Natália Correia, in 'Entrevista (1983)'

sábado, setembro 10, 2016

COM MALDOSA INSISTÊNCIA



Com maldosa insistência
Longamente se disse:
A mulher só pensa em vestir-se
(ou despir-se).
É um erro....
O que ela realmente quer é
Embalar
Embalar no corpo a alma.

A mulher não é
A campeã das gatas:
(não pode encolher as unhas)
Mas o seu arco-íris da invenção
Exige mais do que
Um tapete de peluche
Para o ron-ron.
Nada há mais exigente do que
A pertinência da análise
(a segunda facada, dizem,
dói sempre mais do que a primeira)
E se passar da sombra para a luz é difícil,
o contrário ainda é pior.

(Ana Hatherly)