sábado, maio 27, 2017

O ESPAÇO TEMPO DO HOMEM

“Quando mulheres adormecidas despertam, montanhas se movem!”
(provérbio chinês)

A PERGUNTA DE UMA MULHER 

- "O que faz uma mulher consciente de si ? Qual sua atitude perante a vida /mundo/cultura/território / espaço tempo do Homem e com o qual co habita?"


Antes de tudo a mulher tem de despertar para si. A Mulher tem de ser uma ser autónomo. Com voz e linguagem própria. Porque sem que a mulher seja consciente de si como MULHER e a partir de dentro como Ente - sem se identificar mais com o seu papel social e familiar que prolonga na politica e no trabalho - isto é: em que não existe como Ente, como ser independente ou individuo e é apenas a esposa-mãe ou a funcionária ou então a executiva...e até pode ser a deputada e a ministra - dentro do Sistema e sabendo nós que a vida que ela ocupa no "mundo/cultura/território/espaço-tempo que coabita " é o do HOMEM - a pergunta devia ser:

"Como é que a mulher pode mudar ou vai mudar esse Espaço que é dominado há séculos pelo Homem? Com que armas, com que meios?"

...e ai vemos as mulheres quase todas, desde as feministas e as marxistas ou as Femen e as "vadias" (em marcha)  a lutarem cada uma à sua maneira, e a fazerem-no dentro Sistema que as anula e as abate...Fazem-no dentro de um mundo que é do Homem e onde ela nem é nomeada na gramática - afastada do léxico - onde não tem nome senão o do marido tal como os filhos e não tem lugar na sociedade a não ser como mulher ou filha de...mesmo que seja escritora ou cientista médica...

Há quem ache que  já não é nada assim...mas o que aconteceu é que tudo isto foi escamoteado e finge-se apenas que já não é assim; Finge-se que a mulher é livre...que é emancipada, mas a verdade é que esse modelo de mulher manteve-se ao longo destas décadas de dita "emancipação" tal como  foi  sempre para lá desse verniz cultural e ideológico deste ultimo meio século  e continuará a ser assim até que a mulher ACORDE E SE TORNE NUM ENTE autónomo e que justifique a sua existência sem  ser apenas como mãe  ou  amante ou filha de etc.
Mas não vou eu escamotear a pergunta que certamente quer dizer o que deve fazer a mulher consciente nesse espaço tempo do Homem?

Eu já disse: a não ser que a mulher acorde e ganhe uma consciência de si como ente e se valorize por ser apenas Mulher ela não vai conseguir chegar a lado nenhum: a mulher  pode gastar toda a sua energia na luta pela justiça e na luta pela igualdade social com o homem  mas ela nunca acontecerá de facto dentro do Sistema - o Sistema (seja capitalista, monárquico ou democrático) vive da dependência e anulação da mulher que o serve e é serva do homem e dos filhos e da família. Podem embelezar isso de muita coisa nobre e bela e até de amor e tudo o que quiserem - mas não fogem a esta realidade...a mulher serve o Sistema  anulando-se na sua identidade.

O Sistema vive de base da Família e da propriedade privada - a mulher é pois propriedade privada do homem pelo casamento quer ela queira ou não...e assim é tratada pelo Sistema. Querer mudar o sistema em seu beneficio é o mesmo que o destruir e isso ele nunca irá consentir, como não está a consentir ...Basta ver o que está acontecer no mundo inteiro contra a mulher, não é só o mundo islâmico...nem os fundamentalistas que são um perigo para mulher no mundo.
Basta olhar como a América elege hoje um Presidente machista misógino e racista, casado com uma barbie, como no Brasil uma mulher foi destituída e um Macho conservador e a sua mulher do lar e recatada, tal como em toda a Europa os direitos das mulheres estão a recuar e a mulher é violentada e abusada dentro das grandes cidades do mundo dito civilizado por bárbaros...
Na verdade o Sistema não pode perder o seu poder falocrático, em vigor desde há séculos, e todo ele é baseado no modelo da Família Patriarcal em que o Homem é a cabeça do casal e a mulheres e os filhos devem sujeitar-se a eles de todas as formas; Portanto as mulheres pensaram que tinham chegado a algum lado - como emancipação, igualdade ou direitos iguais - basta olhar este retrocesso cultural em marcha para ver que o que conseguiram foi mais aparente e muito apenas teoricamente, tirando algumas conquistas no campo académico e profissional. 
Assim a minha conclusão é: se querem continuar a seguir as teorias (ideologias machistas e idealizações ou religiões misóginas) e a perder energia contra o Sistema, façam-no; Mas  se querem ser conscientes de si como MULHERES tornem-se Mulheres de poder em si mesmas e imediatamente não haverá nenhum poder sobre si que não o da sua vontade.
E digo: mulheres se querem ser livres, realmente livres, vivam o vosso prazer sem depender do homem...não casem, não tenham filhos, e mesmo que tenham de conviver com o Sistema a nível exterior - porque estão dentro dele - presas a uma família e a um emprego, não lhes deem a vossa energia de luta nem a vossa força apoiando as suas causas fraudulentas...
Sim, deixem de lhes dar poder a eles alimentando a sua arrogância, ou a sua carência ...ou então se é essa a vossa escolha, sejam pois as escravas do lar ou as criadas para todo o serviço como o foram as vossas mães e avós...repitam o filme... 

rlp

A IMPORTÂNCIA DE RESTAURAR A NOSSA INTUIÇÃO

" O rompimento do vínculo entre a mulher e a sua intuição selvagem é muitas vezes encarado erroneamente como se a própria intuição é que estivesse destruída. Não é o que ocorre. Não foi a intuição que se partiu, mas, sim a bênção matrilinear da intuição, a transmissão da confiança intuitiva de todas as mulheres de uma linhagem, que já se foram, para aquela mulher especifica - é esse longo rio de antepassadas que foi represado. A com...preensão da mulher da sua sabedoria intuitiva pode ser fraca em consequencia do rompimento, mas com exercício ela poderá se restaurar e se manifestar em sua plenitude. As bonecas servem de talismãs. Os talismãs são lembretes do que é sentido, mas não visto, do que existe, mas não é de evidência imediata. O numen talismânico da boneca é o que nos recorda, o que nos diz, o que vê adiante de nós. Essa função intuitiva pertence a todas as mulheres. É uma receptividade maçica e fundamental. Não uma receptividade do tipo alardeado no passado da psicologia tradicional, que é como um recipiente passivo, mas sim, uma receptividade como a da posse de acesso imediato a uma sabedoria profunda que atinge as mulheres até aos próprios ossos."

Clarissa Pinkola Estes , em Mulheres que correm com os lobos.

O AMOR MITO



A UMA AMIGA FALAVA DE AMOR...

Ah o Amor...esse mito...o amor, esse sonho, o amor esse grito...milhares de anos, o Cupido...anjo maldito e cego, mas o amor que todas queremos e sonhamos não é mais do que o MIto vivo - um arquétipo...
Saber o que é amor não há como...como se alguém em milhares de anos soubesse o que é o amor ou como se o amor também afinal não fosse o ódio...simples como isto...amor é ódio e guerra e morte e vida e dor...a vida ela em si mesma todas esta amálgama, ignorância - ele é tudo desde o nascer e crescer e morrer...tudo o que se passa na nossa vida nesse intervalo...
Todo o sentimento é uma reacção, uma falta, um desejo de preenchimento, uma projecção ...tudo o que nos toca e faz reagir é amor...mas as mulheres sonham e pensam apenas nesse amor paixão que as possui e cega e que as cativa ou mata quem o sente...o amor é um espelho, o outro que se revela ou nós mesmas que nos vemos num espelho-miragem, será ele o nosso Ka ou duplo ,dizem os egípcios...o Narciso e Eco diziam os gregos... Eros e Afrodite diz a psicologia moderna...a ferida do amor é sempre uma ferida sempre que o tentamos ver a luz do dia...e nunca o vimos senão pela fresta...

Não, não há amor bom e amor mau...nem amor verdade e amor mentira - o amor sente-o ou adivinha-o cada um/a à sua medida, à medida das suas emoções e das suas ilusões e frustrações ...à medida do seu anseio e da sua ferida...à medida da sua idade e à medida das suas crenças...
Não há nem nunca houve um amor perfeito definido e estrito, infinito ou universal...embora se diga que sim e se cante e se poetize a dor do amor que se confundo com o amor-deus-ausência...canta-se o amor na ausência e na saudade nunca a Presença inefável...porque ele nunca se deixa ver...
Não, nunca ninguém soube o que era o AMOR...a não ser a sua idealização e a cultura...a religião...
Mas há quem brade aos céus em seu nome...e queira morrer por ele...mas é ele morte deus anjo ou diabo? Não, nada sabemos ao certo, ele é tudo e ele é nada...mas aponta o homem o dedo a mulher diz que ela é a culpada da queda, por causa da Maça do Conhecimento - e tudo o que o fez sofrer a ele, como se ele só importasse e a mulher fosse sempre a sacrificada em nome do amor. O amor que acaba ou não por surgir iluminando ou se revelando fugaz das mais diferentes maneiras ao homem e o salva, mas é a mulher em nome do amor desejo e paixão que arde sempre acusada de tudo deste os primórdios...ela é a má da fita, a feiticeira a maga e a bruxa, a maléfica e a puta sem coração que come todos os homens e é suja...e o homem é sempre fiel e um aspirante a santo, nobre e justo, casto...A pobre vitima coitada é seduzida e castrada pela deusa maga que o enfeitiça e faz perder a cabeça e o resto quando é o caso...Mas e a mulher? A mulher vazia e sem entranhas, a mulher que não é mulher nem de si sabe ela quer ser possuída e reduzida ao nada porque sim, porque ama...
Mas digam-me: Que espera a mulher do amor? Digam-me lá se puderem...
Ah sei tanto desse amor agora aos 70 anos como quando tinha 20 e acreditava nele...se bem que nunca tenha sido assim tão romântica...mas ansiava...encontrá-lo...e nunca encontrei porque o AMOR que eu sonhava teria de ser único e eterno... e ele nunca foi...sempre me fugiu de entre os dedos...


TALVEZ O SOPRO DO ANJO...


Relendo grandes autores...penso sempre...se ao menos tivesse a inspiração do poeta...ou o dom do escritor de génio...Mas não. Tudo o que escrevo não passa de panfletos rudimentares sem consequência, e embora às vezes me exceda e tenha rasgos estonteantes e pareça tocar um cume qualquer, depressa verifico o meu engano...e presumo que esse voo não passe do sopro de algum anjo que se compadece da minha pretensão literária e de grandeza humana..

Ah! falta-me esse golpe de asa...falta-me raiva e vontade de me vingar desta raça humana que às vezes amo tanto e outras desprezo...
Sim, subir mais alto como a pomba branca...em vez de cair no charco dos enganos, nesta miséria franciscana, presa à mediocridade dos dias e à sobrevivência terrena...

Rosa Leonor Pedro

quinta-feira, maio 25, 2017

A DECADÊNCIA GENÉTICA DO PATRIARCADO



ONDE ACABAM
AS MAIS BELAS MULHERES DO MUNDO...?

'As mais jovens belas mulheres do mundo escondem-se nos mais belos hotéis do mundo, com os homens mais ricos do mundo (mas onde se escondem os belos jovens? Eles não têm suficiente "carisma"?). Mas essas jovens mulheres de efêmeros privilégios nunca terão filhos na sua maioria, e eventualmente acabarão por fazer botoxes, liftées, silicone, retalhadas logo que a sua beleza diminua com a inevitabilidade do tempo. Onde estarão em velhas? Vão-se esconder num cemitério de elefantes para morrer no esquecimento? - decadência genética do patriarcado liberal."


Frédéric Mariez no Marriott Cannes

A VIDA NA TERRA


NATUREZA E ESPIRITUALIDADE
A Terra é um ser vivo, dado que todos os seres dela emanam.


"Como a Vida é consciência, obedeceu o planeta, no seu progresso evolutivo, à emergência de níveis sequenciais de consciência, desde a simples, correspondendo ao reino mineral, à sensitiva, presente no reino vegetal, à emocional, emergente no reino animal, e à mental, que floresce com a autoconsciência, característica do reino humano, o qual se direciona gradualmente para a emergência do plano espiritual, última etapa da evolução da consciência nesta dimensão do universo em que nos situamos.
Esta espiral obedece a um esquema em que se passa para uma etapa de grau superior, integrando e transcendendo a anterior, tudo se transformando, nada se perdendo.
Esta inter-relação nada mais é do que o Todo em que tudo se integra, nada estando separado, senão para os nossos olhos, emersos na superficialidade e por isso incapazes de verem o fundo onde reside o Real.
Vivendo nós adormecidos na inconsciência dessa essência profunda, concebemos a vida como um conjunto de elementos dissociados entre si, separando o dentro do fora, o eu dos outros, a pessoa da natureza, a matéria do espírito.
Importa, nesta ótica, preencher o vazio que nos habita com a aquisição daquilo por que ansiamos, lutando e destruindo, se necessário, desde que consigamos buscar fora de nós aquilo que desejamos e rejeitando aquilo que nos incomoda.
Tudo isto implica desarmonia e destruição, porque contrário às leis da vida, que obedecem à lógica da interação, que é Unidade ou Amor.

Consideremos, no entanto, que o processo de evolução da consciência se faz paulatinamente, obedecendo a uma escala de necessidades, que começa pelas que concernem ao aspeto material e biológico, em vista da sobrevivência do corpo físico, substrato básico de realidades imateriais mais subtis e de maior nível de consciência, que gradualmente virão a ser descobertas e consciencializadas.
Nesta primeira fase, o ser humano, inconsciente de si ao nível mais profundo do ser que é, visa apenas a aquisição de bens materiais e busca de prazer, que rotula de felicidade.

Se, nos primórdios da evolução do Homem, essa busca fazia todo o sentido, já que se procurava apenas sobreviver perante a adversidade das forças da natureza e dos riscos daí advindos, presentemente é apenas o vazio interior, por desconhecimento de si próprio, que justifica o anseio exagerado de ter e possuir.

O poder interior que nos determina, não descoberto por falta de auto-conhecimento, é substituído pelo poder sobre o exterior, nele incluídos todos os seres, manifestando desta forma a insegurança inevitável de quem não se define de forma própria, ponto de partida para se estabelecerem pontes de ligação com tudo quanto se manifesta.

Parece, pois, que quanto mais o Homem se prende à dimensão material ou exterior da Terra, num anseio de ter, menos capacidade tem de a amar, tendo presente que o apego é contrário à noção de Ser, isto é, ao Amor.

Nesta ótica, considera o ser humano, como desenvolvimento e progresso de uma qualquer sociedade a riqueza económica que advém da produção e aquisição de bens materiais, que julga serem as prevalecentes e quase únicas necessidades humanas, ignorando que a verdadeiro desenvolvimento - não descurando o necessário suporte básico material indispensável à sobrevivência -, assenta na abertura a níveis superiores de consciência, que realizem o ser nas suas várias dimensões ontológicas, considerando a dimensão do Ter como pressuposto elementar para a condição de Ser.
Parece, pois, ser nossa missão converter o plano do Universo em que nos situamos, caracterizado pela ênfase no Ter para a dimensão do Ser. É esta a busca que nos compete fazer, como mediadores que somos entre a Terra e o Céu, dado sermos, de entre todos os seres da natureza, os que se encontram no patamar cimeiro da espiral de consciência.

Teremos, pois, de espiritualizar as nossas vidas, para que isso seja irradiado em redor, iluminando a natureza e tudo quanto dela emerge e assim descobrindo a Vida e a sua sabedoria.

Dotados de autoconsciência, tal tarefa terá de começar por um trabalho sobre nós, de forma a encontrarmos a Luz que nos habita, iluminando as trevas da ignorância, geradora do mal.
Ao aprofundarmos a consciência de quem somos, descobrir-nos-emos como expressões da VIDA UNITÁRIA QUE TUDO É e assim como nos amaremos, por sermos Vida, igualmente o faremos em relação a tudo quanto o É também.

Importa, pois, assumirmos a responsabilidade do estado em que se encontra o mundo, dado que a realidade mais ampla e a mais pequena são uma só. A natureza também nos habita, fazendo nós dela parte e apenas a ignorância justifica a ideia de separação entre a mesma e o ser humano.
Teremos, assim, de descobrir a Vida, que integra todos os planos do Ser, a que teremos de aceder, se queremos ser completos e realizados.
Não ficamos, pois no primeiro degrau da escada infinita que nos compete subir, já que a humanidade se encontra predominantemente no patamar inferior, no plano material e fisiológico.

Quando subimos um pouco, percebemos que o que antes víamos era apenas uma parcela ínfima daquilo que é a Realidade a encontrar, e o nosso olhar pasmou com a paisagem mais ampla que agora se manifestava. Confrontámo-nos, assim, com a ignorância que anteriormente tínhamos, julgando que o mundo era o pequeno quintal onde nos situávamos.
Integrando esta etapa na escalada a percorrer, como suporte da ascensão, paralelamente teremos de a transcender para aceder aos patamares seguintes.
Caso permaneçamos na destruição ambiental, originaremos a prazo a morte do planeta e de sucessivas reencarnações, para que no final da viagem se transforme num sol, que alumiará e dará vida a outros planetas, em resultado da iluminação de todos os seres que nele habitam.

Estará, então, completa a missão que nos foi cometida de espiritualizar a Terra, mediante a nossa própria espiritualização, como intermediários que somos entre o Céu e a Terra.
A Terra é, pois, o nosso berço, onde nascemos para crescer e evoluir e assim, atingir os diferentes planos que, no final da viagem se abrirão para a Luz que é a realização almejada desde sempre. "

(Margarida Branco)

"Atentado contra show em Manchester"


O MUNDO DOS EXTREMOS...

Continuo a pensar e impressionada com a performance dessa mulher-menina cantora...e a forma nefasta como isso se pode repercutir nas mentes das jovens e nas meninas - de todo o mundo - algumas de 7 ou 8 anos - que adoram a cantora...Sim, se fosse só uma cantora com uma voz fantástica...mas ela é já a coqueluche das industrias da musica que são de quase pornografia e transformam estas meninas-mulheres em vedetas sexy explorando o seu corpo...
Penso em como podem os pais oferecer bilhetes para um espectaculo de erotismo de massas para jovens e meninas (crianças) como se fosse uma prenda? E como podem as mães e pais acompanhar meninas de 8 anos a este tipo de iniciação macabra - vão dizer que sou velha e estou fora de moda, que sou conservadora...e sei que se publicasse isto no meu mural do facebook matavam-me - mas PENSEM...que mundo é este em que vivemos que expomos e vendemos mulheres- meninas (sim, já tem 23 anos...) a esta profanação do corpo da mulher que é o espectáculo da musica nestas ultimas décadas sem pensar nas consequências ou seja nos extremos, nos opostos...mas sobretudo na alienação de todas estas jovens mulheres que se pensam "mulheres" através deste modelo...?

Não é só a Voz...
Não é só a Musica...

Há muito mais por detrás disto tudo, estas performances eróticas,  a vulgarizar e a prostituir de forma subliminar a imagem da mulher no palco cujo corpo-sexo é uma oferta obvia ou disfarçada aos pedófilos, aos tarados e às Mafias que abundam em todo o mundo. Mas ninguém quer ver isto. Os pais ignorantes e estupidificados com os Midia e a fama vendem as filhas aos olhares do predador...e as entidades competentes (?) estão-se nas tintas para o mundo do espectáculo, do cinema e da pornografia que já está por conta das grandes Mafias, as Industrias da musica.
A Mulher e neste caso as meninas...são só carne para canhão...e a multidão cega e histérica, jovens e adultos, vão atrás de tudo isto com o sonho de serem famosos ou as filhas porque o Mundo se transformou num palco onde tudo se vende por nada, por uma imagem, um segundo, aparecer na TV...Penso no degradante e miserável espectáculo da TVI ou da SIC como cenas de autentico Bordel?
E penso como os escritores, os artistas e os intelectuais discutem todos politica e finanças e o resto é só mercadoria incluindo eles e todas pessoas e sobretudo as mais valias - sempre a mulher como principal artigo de luxo...


AS VITIMAS do "Atentado contra show em Manchester"

Vendo um vídeo desta cantora ainda menina, imagem que se explora e não é acaso,  nas poses e nas palavras da canção e na forma com esta sociedade trata a mulher e a expõe e ela própria aqui se submete a esta encenação e comercialização de si - diria que a sofisticada performance destas jovens não está muito longe da pornografia embora dentro dos limites do que se chama erotismo...mas penso como é que um jovem muçulmano "educado" nos extremismos, desajustado socialmente e cheio de ódio às mulheres e ao ocidente não se ...oferece para "mártir" ao Daesh e rebentar-se como um bomba à entrada de um espectáculo que é a antítese do seu mundo? 
Alguém pensa no que está por detrás destas acções desumanas e bárbaras destes indivíduos ressabiados em confronto com um mundo que eles negam e que os nega a eles?
É que de repente...o mundo e os seus dois lados, os seus dois extremos se tocam da forma mais brutal e criminosa...e os dois extremos são igualmente CRIMINOSOS. E é isso mesmo que eu quero dizer - que o TERRORISMO é também uma resposta global ao laxismo e à falta de valores do mundo e a Barbárie é a resposta brutal à hipocrisia mundial dos que fazem a guerra e a esta falsa civilização, a este mundo ocidental totalmente degenerado e tudo isto não é mais do que as Leis do Universo a mostrar o erro humano per se, o ponto de rutura da própria Humanidade.
Sim, eu sinto a maior repulsa por este mundo podre e mentiroso e até mesmo  um certo "ódio" aos muçulmanos em geral pelo que eles fazem as suas mulheres, e odeio todos os fundamentalismos, mas não consigo deixar de ver  como a própria vida nos mostra que nenhum dos lados está certo e que ambos estes fundamentalismos estão errados, e que a Mulher é mais uma vez a sacrificada no meio da bestialidade humana.

rlp

quarta-feira, maio 24, 2017

LUTO PELO MUNDO



SENHORA DO LUTO INFINITO...


Ó carinhosa do Além, senhora do luto infinito,
Mágoa externa na Terra, choro silencioso do Mundo.
Mãe suave e antiga das emoções sem gesto, ...
Irmã mais velha, virgem e triste, das ideias sem nexo,
Noiva esperando sempre os nossos propósitos incompletos,
A direcção constantemente abandonada do nosso destino,
A nossa incerteza pagã sem alegria,
A nossa fraqueza cristã sem fé,
O nosso budismo inerte, sem amor pelas coisas nem êxtases,
A nossa febre, a nossa palidez, a nossa impaciência de fracos,
A nossa vida, o mãe, a nossa perdida vida
...


(EXCERTO DE POEMA DE FERNANDO PESSOA)

O SEGREDO



Da Serpente à Imaculada

«Para tentar apreender o segredo da pátria portuguesa mesmo num só fragmento, será permitido começar por vê-la como telúrica, infernal e oracular, salvífica e ainda limítrofe: como terra de fronteira».
(...)
Mas, se é esta metade telúrica - e ela ainda, descendo às suas entranhas mais fundas, ctónicas - a que dominará o complexo mítico e existencial português, este surgirá desde logo, integrando uma bipolaridade, como união da Terra e do Céu. Hierogam...ia que por ela singularizará a nossa cosmogonia.
Como terra infernal, ela será votada a partir de seus primórdios, ao culto dos mortos e da fecundidade e ao poder oracular e salvífico, o que lhe é concedido pelas águas, as que em si detêm o conhecimento do futuro e as que também regeneram e purificam. "
(...)
Dalilia Pereira da Costa

terça-feira, maio 23, 2017

POETISA



..."Sim chamar-lhe-ei poetisa. A homenagem que destingue o génio poético feminino com o prémio de lhe masculinizar o estro ultraja uma poesia que quer feminilizar o mundo com magia e claridade lunar."  -  Natália Correia 
......
vem, lira divina,
e me responde;
encontra, tu mesma,
tua própria voz
e
de [vossa casa] dourada,
vinde a mim, ó Musas


Safo

sexta-feira, maio 19, 2017

SOU O ABISMO



“Sou o abismo perdido entre o não-ser e a escuridão. Sou o desejo e alma, correndo nua na meia-noite esquecida, procurando aquilo que não é, mas pode vir a ser; o verdadeiro anseio, a paixão.”


Clarice Lispector

quinta-feira, maio 18, 2017

AS COISAS SECRETAS DA ALMA



As Coisas Secretas da Alma

Em todas as almas há coisas secretas cujo segredo é guardado até à morte delas. E são guardadas, mesmo nos momentos mais sinceros, quando nos abismos nos expomos, todos doloridos, num lance de angústia, em face dos amigos mais queridos - porque as palavras que as poderiam traduzir seriam ridículas, mesquinhas, incompreensíveis ao mais perspicaz. Estas coisas são materialmente impossíveis de serem ditas. A própria Natureza as encerrou - não permitindo que a garganta humana pudesse arranjar sons para as exprimir - apenas sons para as caricaturar. E como essas ideias-entranha são as coisas que mais estimamos, falta-nos sempre a coragem de as caricaturar. Daqui os «isolados» que todos nós, os homens, somos.

Duas almas que se compreendam inteiramente, que se conheçam, que saibam mutuamente tudo quanto nelas vive - não existem. Nem poderiam existir. No dia em que se compreendessem totalmente - ó ideal dos amorosos! - eu tenho a certeza que se fundiriam numa só. E os corpos morreriam.


Mário de Sá-Carneiro, in 'Cartas a Fernando Pessoa'

UM DIA HAVERIA

Canto ao novo dia


Um dia haveria
em que acordaria
neste vazio
de Ti
na ausência
de saudade
ou sombra
de uma vã
esperança
Um dia haveria
em que nasceria
num novo dia
abençoada
pela chuva
pelo vento
e iluminada
pelo sol
Um dia haveria
em que acordaria
nesta certeza
de Mim

Rosália de Castro

sábado, maio 13, 2017

O SACERDÓCIO É DAS MULHERES, NÃO DOS PADRES...




O SACERDÓCIO ERA DAS MULHERES...

- “Esta partilha de um sacerdócio, que seria exclusivo, ou preponderantemente exercido por mulheres no culto da Grande -Deusa entre os povos pré-indo-europeus, depois partilhada com os homens e nos povos semitas ou indo-europeus, surge aqui expressado entre nós também, tanto na função sagrada da poesia, como na do culto. “
Precisamos voltar a esse espaço sagrado nas nossas vidas e dar corpo à Deusa para que Ela possa manifestar mais uma vez a Sua vontade na Terra. Lembrar, como nos áureos tempos, que as mulheres evocavam a palavra sagrada e a proferiam sem medo, com orgulho e humildade pelo amor da humanidade
Precisamos lembrar que: “Esta função sagrada feminina numa comunidade de povos atlânticos, europeus, através dos milénios e que através de todas as etnias e estimativas diferentes, continuaria a ser primacial.”
 Como se constata em  “Documentos antigos de origem eclesiástica, provam-nos que havia na Romania uma poesia popular detestada pela Igreja, carmina amatória, (…) cujo principal agente era a mulher. Tal poesia chegava a invadir a própria Igreja e escandalizar a seriedade do culto (…) essa arte feminina deveria ter florescido intensamente na Galiza (…) Temos notícia de que as mulheres desempenhavam papel importante nas grandes cerimónias religiosas de Santiago de Compostela.” (F.C.)*
(textos em itálico, de dalila Pereria da costa)

NOSSA SENHHORA DE FÁTIMA




As aparições da Nossa Senhora de Fátima, como tantas outras em todo o mundo, correspondem sem dúvida, de uma forma ou de outra, a uma manifestação da Grande Deusa e dão expressão visível e simbólica à força crescente do Feminino Sagrado e ao arquétipo da Deusa Mãe que foi há milénios relegado da história dos homens para segundo plano e está adormecido ao nível do inconsciente colectivo, dentro de todos os seres humanos.

Ela surgiu de novo no princípio do séc. XX e agora no princípio do sec. XXI como resposta energética aos apelos de milhões de pessoas que a evocam e rezam e no seio das populações assoladas pelas guerras, pela fome e pela miséria. Esse apelo vem principalmente da parte das mulheres, as mães, sempre as mais castigadas pela violência dos homens. Elas respondem por sua vez, a olhos vistos, ao apelo da Deusa Mãe pela necessidade inerente e premente de restabelecer o Princípio Feminino na terra, e seguem fiéis, dentro e fora de si, os passos da Grande Deusa com fervor, mesmo que ainda não se deem conta disso.

Surgem na voz amordaçada das antigas sacerdotisas que agora eclode na manifestação do Feminino Sagrado e em cada mulher, como expressão própria da mulher desde que ela é Mulher e desde que foi condenada ao silêncio e ao descrédito pela Igreja .
No entanto, essa força inata, essa Voz do Útero, residente em cada mulher, surge como imperativo na mulher que está a acordar para si e que se manifesta cada dia mais, apesar de continuar a viver dividida e inconsciente do seu poder interior, ela surge, mesmo que oculta e recalcada dentro de cada uma delas, surge na mulher comum, na mulher casada e na prostituta, na mulher ignorante e pobre que de joelhos pede à Senhora dos Céus que a ajude e salve da maldade dos homens…
Essa voz porém continua a ser usurpada pelos padres da Igreja de Roma e mais uma vez vai ser explorada pelo Papa – na sua vinda a Portugal e a Fátima – de forma abusiva e com a cobertura mediática para todo o mundo, e a Senhora, a Grande Mãe de todos os cultos e ritos, será de novo usada quer pelos bispos, padres e políticos que se servem do Nome da Deusa sempre em detrimento da mulher verdadeira e da criança que continuam a perseguir a ofender e a humilhar.


“Houve um declínio e uma queda da Deusa por razões muito importantes."*
 
Mas agora é o tempo da Deusa voltar...
Que venha A Antiga e Deusa Soberana, que se manifeste, sim!


Que o mundo inteiro Lhe seja consagrado, mas que sejam as mulheres as suas representantes e sacerdotisas em festa livre e pagã, vestidas de branco e enfeitadas de flores e risos de esperança, cheias de compaixão e amor no coração porque a Deusa sempre foi a festa e vida e não apenas a morte como os padres pregam...

rosa leonor pedro - escrito em 2009

ENCONTREI ESTE TEXTO MEU SOBRE FÁTIMA em vários blogues brasileiros, copiado e plagiado, sem qualquer referência a sua autoria e claro sem estar assinado...pena que em nome da Mãe e da Deusa não se honre quem a honra a Ela...


FÁTIMA ALTAR DO MUNDO...

A MINHA ORAÇÃO À MÃE...

MULHERES: “Sintam no âmago das suas identidades, a nutrição, a dádiva e o mistério da Mãe. Haverá um retorno e um despertar da Deusa Mãe.”*

Nós mulheres conscientes, estamos todas muito abaladas com estes tempos que correm e estou em crer que é mais do que os Astros e que a nossa vida pessoal a mexer connosco e para além da Lua Cheia...é a consciência verdadeira que buscamos da Deusa em nós e os passos que damos que de si acarretam uma responsabilidade acrescida e um compromisso de VERDADE interior com a Mãe e a Deusa e eu sei que ela conta connosco para a clarificação da Sua Manifestação e embora ela seja piedosa temos de a viver de uma forma que já não é a religiosa ou seguir uma via devocional de amor a Mãe...Não, nós temos de A encarnar na Terra  e isso é que é o mais difícil.

Fácil é continuar a manter a Virgem no altar e a deixar a Mulher cair na desgraça e no infortúnio...Ver todas essas milhares de mulheres anónimas que vão de joelhos a Fátima e sofrem as mais duras e penosas cargas na sua existência e acarretam com as mais duras penas na sua pele, mulheres que são vitimas dos mais e mais dolorosos conflitos de mães e filhas.  Mulheres sobrecarregadas de trabalho e sacrifícios, e quantas ainda em plena escravidão. São milhões em todo o mundo. Pensem nas milhares de mulheres exploradas sexualmente, pensem nas meninas violadas e mortas, pensem nas mães sem nada para dar aos filhos na miséria, nem água nem pão, enquanto o Ocidente vive no conforto e na ilusão do consumo, alienados e vendidos ao dinheiro.
E nós, as ditas mulheres conscientes, vamos continuar  a olhar em vez de fazer a diferença? Não é lutando na politica, dentro do Sistema que nos esmaga e reduz a objectos de consumo e propriedade privada,  já não é  reivindicando direitos e igualdades...que vamos chegar a algum lado de diferente...mas vejam só, o mais difícil, o mais sagrado e o mais digno é termos de A encarnar em vida e ser A Sua expressão na Terra. Cada mulher...não as santas, não as freiras, nem as puras nem as devotadas...mas cada mulher ser respeitada como a Deusa, cada Mãe ser amada como a Mãe de deus...

SERÁ CADA MULHER CONSCIENTE DE SI

Dirão os homens que somos  malditas e prostitutas, inferiores, dirão os padres que somos blasfemas e pecadoras, mas nós sabemos quem somos e que temos de ser ELA...e o preço apagar é se calhar a nossa vida de mentira e de superfície, o nosso falso conforto, as nossas presunções, as nossas idealizações...porque os tempos são inclementes e o que vem por ai nem sonhamos. A Besta humana desvela-se, mostra o seu verdadeiro rosto mas o Rosto da Mãe também se vai revelar e somos nós que temos de os travar...
Ontem só de raspão vi em Fátima aqueles homens vestidos de mulher, aqueles padres vestidos com os paramentos das sacerdotisas e senti arrepios, senti náuseas, senti nojo desses malditos usurpadores...e não me peçam para ser mansa...e amar a todos igualmente...
Não esqueçamos que:
“O padre que oficia nos seus trajes de cerimónia, todos de origem feminina, e o travesti, castrado ou não, obedecem a um mesmo desejo. Destapar uma ponta do véu, descobrir o famoso véu de Ísis.” (Jean Markale)
E sim a "Deusa é muito generosa. Ela permaneceu por detrás da cena nessa batalha do patriarcado, porque sabe que é a força criativa em todas as coisas e que todas as coisas precisarão finalmente de reencontrá-la" - e nós estamos no centro e no amaga dessa batalha invisível contra o demónio que eles inventaram e nos trataram de culpar da sua traição à Deusa e à Mãe, à Origem da Vida e a Terra e a toda a Natureza...
Contudo eu não ignoro como as mulheres estão longe desta consciência e de como a Deusa se tornou inatingível e lá no alto...mas o que eu digo é que a terra é sagrada e a Mulher que a Representa também porque ela encarna o poder da Deusa - espelhar isso, manifestar isso é fundamental para que o mundo mude...
Hoje sinto estamos doentes de tristeza...de dores...o nosso estomago se revolve...e nem fazendo das tripas coração conseguimos aguentar esta mentira diante dos nossos olhos...
Eu só penso: quando, quando serão as mulheres a cantar e desfilar diante do Altar da Mãe?

rosa leonor pedro

*barbara marciniake




quinta-feira, maio 11, 2017

O VAZIO DA MULHER


É O VAZIO DA MÃE...

...e o vazio da mulher mostra-se na sua falta de interesse em si, revela-se em todo o lado em que as mulheres nunca se manifestam em seu intimo ou estão presentes nas causas de outras mulheres, mas sempre  fugindo  delas próprias e rejeitando as outras mulheres  - um texto claríssimo - mas nem isto, tão obvio, elas querem ver.
rlp

"A falta de reconhecimento dos nossos desejos é uma falta de reconhecimento da nossa existência, posto que 242 que é o nosso impulso vital não encontra resposta. E isto produz-se depois do nosso nascimento no qual sofremos muito e nos sentimos morrer. Todo ele produz um ...sentimento de que a nossa existência está seriamente ameaçada. A Falta Básica, no âmbito mais profundo da nossa psique, guarda essa angústia existencial, a angústia do questionamento da existência.

O vazio da mãe, como vemos neste livro, é o vazio que fica na mulher que foi excluída, proibida, enviada para os infernos; um vazio cheio de medos e de angústia, porque a mulher desnaturada não é capaz de reconhecer e de saciar os desejos do seu bebe e de lhe impulsionar a sua vitalidade.
A reivindicação da condição da mulher é a reivindicação de um outro mundo. Por isso a mãe, a maternidade, a mutterlich e a Muttertum são incompatíveis com a família e com o trabalho assalariado; nós, as mulheres, somos, na verdade incompatíveis com ela, com o Estado e com o Capital. Somos o real-impossível.
Quando formos capazes de ver o que foi destruído dentro de nós mesmas, a nossa sexualidade que perdemos, e por outro lado o vazio, essa falta interior, o sofrimento que a nossa anulação desencadeia, seremos a maior força revolucionária jamais vista ou imaginada, impulsionadas por um caudal infinito de energia libidinal liberta.

(in REFLEXIONES SOBRE LA VIOLENCIA INTERIORIZADA EN LAS MUJERES)

Casilda Rodrigáñez Bustos
  

AS FILHAS NÃO AMADAS

E DE LUTO PELA MÃE QUE MERECIAM

“Será que vou parar de sentir que fui enganada por algo essencial?”

A estrada de recuperação de uma infância sem o amor da mãe, apoio e sintonia é longa e complicada.
Um dos aspectos da cura que raramente é tocado é o luto da mãe que precisávamos, que buscávamos, e sim – merecida. A palavra MERECIDA é a chave fundamental para o entendimento porque o motivo permanece esquivo para muitas mulheres (e homens): El@s, simplesmente não se vêm como merecedors@, porque interiorizaram o que as mães lhes disseram e fizeram como autocritica, concluindo erroneamente que têm uma falta, uma inutilidade ou simplesmente não podem ser amad@s.
Como filha não amada, aproximando-me da minha sétima década de vida, o papel que o luto desempenha na luta pela cura atingiu-me mais uma vez a semana passada, marcado pelo 16º aniversário da morte da minha mãe. Desde que escrevo com frequência sobre crianças não amadas, algumas pessoas acreditam erroneamente que penso constantemente na minha mãe. Nada poderia estar mais longe da verdade.
Após anos de ir e vir eu limpei a minha mãe da minha vida, 13 anos antes de ela morrer. A minha decisão foi tomada com quase 39 anos, quando motivada pela descoberta de que carregava uma filha, a minha primeira e única criança. Fui finalmente capaz de fazer pela minha filha ainda não nascida, aquilo que não tinha conseguido fazer por mim: livrar-me do veneno da minha mãe. Na expectativa de me tornar mãe, iniciei o processo de luto da mãe que eu merecia, não tendo nada a ver com a mulher que me deu á luz.
Quando eu aprendi que a minha mãe me estava a falhar há 16 anos atrás, eu deixei de a ir ver, com todas as pessoas da minha vida a dizerem-me que deveria ir para o “encerramento” - incluindo o meu terapeuta. Mas eu era sábia o suficiente para perceber que eles não caminharam o meu caminho sendo as suas perspectivas baseadas em romances e filmes de Hollywood. Momentos floridos em que as mães amam sempre. Na vida real, eu fazia a pergunta á qual sempre quis uma resposta: Porque não me amas? E ela se recusaria a responder, como sempre, mas desta vez o seu silêncio se estenderia pela eternidade. Também não assisti ao seu funeral. Mas sofri – Não por ela, mas por mim e pelas minhas necessidades não satisfeitas. E a mãe que eu merecia.

PORQUE É IMPORTANTE CHORAR A MÃE QUE PRECISAVAMOS – E PORQUE PODE SER TÃO DIFICIL

“Quando comecei finalmente a vê-la pelo que ela era e como ela nunca seria a mãe que eu precisava ou queria, comecei a defender-me e a estabelecer limites, e a sua raiva e insultos pioraram. Finalmente disse-lhe que não tolerava mais o seu comportamento e terminei todo o contacto. AGORA estou realmente de luto. Eu, finalmente vi a verdade e dói como o inferno. Encontro-me na idade em que alguns dos meus amigos começam a “perder” as suas mães para a velhice e suas histórias dos tempos das suas mães são dolorosas para mim…Acho que só agora iniciei o processo de luto e ainda continuou nele” – Annie.
Chorar a mãe que precisávamos é impedido por ambos os sentimentos, o de indigno de amor e, o mais importante, o que chamo de núcleo de conflito. Este conflito é entre a tomada de consciência da filha de como a mãe a feriu na sua infância e ainda assim ela sente a necessidade contínua de amor e suporte materno, mesmo na idade adulta. Este fosso despoleta a necessidade de se salvar e proteger contra a contínua esperança de que de alguma forma ela descubra o que poderia fazer para que a mãe a ame.
Este conflito pode prolongar-se por décadas, com a filha recuando e talvez sem contacto por um período de tempo, sendo puxada novamente para o turbilhão pela sua necessidade combinada pelas suas necessidades, esperanças e negação. Ela pode passar por cima da dor e arranjar desculpas para o comportamento da mãe, porque os seus olhos encontram-se no premio: O Amor da sua mãe. Ela coloca-se numa roda gigante sempre a girar incapaz de a desmontar.
Aquelas que cedem na batalha – evitando o contacto ou limitando a comunicação com as suas mães e/ou outros familiares – experimentam uma grande perda juntamente com um grande alivio. Para a filha curar a sua perda – a morte da esperança de que este relacionamento essencial pode ser salvo, necessita de ser chorado junto com a mãe que ela merecia.
A profundidade do núcleo de conflito pode ser vislumbrada na angústia daquelas filhas que permanecem na relação precisamente porque temem que se sentirão piores quando a mãe morrer. As palavras de Meg:
“Se eu a retirar da minha vida e ela morrer, sinto medo e vou-me sentir ainda pior, com mais dor do que aquela que sinto agora. E se ela mudasse e voltasse a si, eu ia sentir a falta dela? Então seria minha culpa. Como ela sempre disse que era.”

OS ESTÁGIOS DE LUTO QUE ECOAM NA RECUPERAÇÃO DA FILHA DESDE A INFÂNCIA

No livro “On Grief and Grieving”, Elizabeth Kübler-Ross and David Kessler, mencionam os cinco estágios de perda pelo qual Kübler-Ross é famosa – negação, raiva, negociação, depressão e aceitação – não foram criados para “tornar emoções confusas em embalagens perfeitas.” Em vez disso, enfatizam que todos experimentam o sofrimento de maneira única e individual. Nem toda gente passará por todos os estágios nem pela sequência esperada. Dito isto, os estágios são esclarecedores, especialmente quando vistos no contexto do percurso de uma filha não amada fora da infância, deixando claro porque o luto é parte essencial da cura.

NEGAÇÃO: Como os autores dizem: “ É a maneira da natureza deixar entrar o máximo com o qual conseguirmos lidar.” Com a experiencia da grande perda, a negação ajuda a amortecer o golpe imediato, permitindo á pessoa absorver a realidade. Isto é verdade para a morte mas também se aplica ao reconhecimento da filha da sua ferida. É por isso que pode levar anos ou décadas para a filha ver o comportamento da sua mãe com clareza. De forma contra-intuitiva algumas mulheres só vêem isso em retrospectiva depois da morte das suas mães.

RAIVA: Na esteira da morte, a raiva é a mais acessível das emoções, dirigida a alvos tão diversos como o falecido por abandonar o ente querido, Deus ou as forças do universo, a injustiça da vida, os médicos e o sistema de saúde, e Mais. Kübler-Ross e Kessler enfatizam que, por detrás da raiva, estão outras emoções mais complexas, especialmente a dor crua da perda, e que o poder da raiva da pessoa em luto pode ser, por vezes, esmagadora.
As filhas não amadas, também, passam pelo estágio ou estágios de raiva á medida que trabalham as suas emoções para a recuperação. A sua raiva pode ser dirigida directamente para as suas mães ou para outros membros da família que se mantiveram como suporte e falharam para as proteger e também dirigida para si próprias pelo não reconhecimento do tratamento toxico.
A raiva no Eu, “self”, infelizmente pode bloquear a habilidade de sentir auto compaixão; mais uma vez é o acto de lamentar/fazer o luto da mãe que se merecia que permite a auto compaixão por forma a criar raiz e florir.

NEGOCIAÇÃO: Esta fase tem normalmente a ver com a morte iminente – a negociação com Deus ou promessas de mudança, pensando “se apenas” tivéssemos feito X ou Y, teríamos sido poupadas á dor da perda. Com a morte esta fase é para ser passada através da aceitação da realidade. O caminho das filhas não amadas é marcado por anos de negociações, suplicas faladas ou não faladas na crença de que se alguma condição for atendida a sua mãe a amará e a apoiará. Ela poderá embarcar num percurso de agradar e apaziguar a mãe ou fazer mudanças no seu comportamento procurando em vão a solução que lhe trará o desejo final: O Amor da sua mãe. Assim como no processo de dor, é somente quando a filha deixa de negociar que ela pode começar a aceitar a realidade de que ela é impotente para arrancar o que ela precisa de sua mãe.

DEPRESSÃO: No contexto de uma grande perda, Kübler-Ross e Kessler apontam que estamos muitas vezes impacientes com a tristeza profunda ou a depressão que a acompanha. A sociedade quer pessoas que saiam da tristeza rapidamente e insistem em que se a tristeza persistir é porque necessita de tratamento. Em vez disso, eles escrevem que na dor “a depressão é a maneira pela qual a natureza nos mantém protegidos, fechando o sistema nervoso, para que possamos nos adaptar a sentimentos com os quais não conseguimos lidar”. Eles vêem isto como um passo necessário no processo de cura.
O terreno para a filha não amada é igualmente complicado. É normal sentir tristeza e depressão, pela forma como a mãe a tratou. Esta tristeza é muitas vezes expressada por sentimentos profundos de isolamento – acreditando que ela é a única filha não amada do mundo – e vergonha. A vergonha emerge do mito da mãe (que todas as mães são amorosas/que amam) e da sua preocupação de que a culpa é sua pela forma como a mãe a trata.
Da mesma forma de que as pessoas bem-intencionadas incitam para sair deste estágio de dor, também amigos e conhecidos, pessoas em quem a filha confia podem inadvertidamente marginalizar com comentários "Não poderia ter sido tão mau porque você acabou tão bem! "E outros comentários deste género.

ACEITAÇÃO: Kübler-Ross e Kessler, dizem que o mais importante é a aceitação da realidade embora não seja sinonimo de que está tudo bem com a realidade, mas é um ponto-chave. Trata-se de reconhecer a perda, identificar a permanência e até mesmo os seus aspectos infinitamente dolorosos, as mudanças permanentes a realizar na sua vida e em si e aprender a viver com tudo isso a partir desse dia.
Na perspectiva Kübler-Ross e Kessler a aceitação permite “remover a energia da perda e começar a investir na vida”.
A aceitação permite que o enlutado forje novos relacionamentos e conexões como parte da sua recuperação.
Tudo isto se aplica também às filhas não amadas, embora a aceitação permaneça, para muitas, fora do alcance. É por isto que chorar a mãe que se merecia é crucial.

A HISTÓRIA DE UMA FILHA

Uma das minhas leitoras usou o quadro de Kübler-Ross para descrever seu próprio luto como um trabalho em andamento. A sua mãe ainda está viva, portanto esta história ainda está a decorrer. Acho que seu relato na primeira pessoa, citado na íntegra, mas anonimamente, será de grande ajuda para muitas filhas que ainda se debatem.
Negação: “Eu não queria acreditar que uma mãe escolheria fazer isto á sua própria filha. Como poderia ela não me amar?
Raiva: “Eu fiquei com raiva durante muito tempo. Raiva pela sua atitude, pelo que nós poderíamos ter tido. Mas raiva acima de tudo por ela ter feito a escolha de preferir estar CERTA do que ter um relacionamento comigo. Ela poderia ter escolhido largar o seu ego narcisista. Isto foi o que mais me deixou chateada.”
Negociação: “Eu acho que não tive esta fase. Existiram sentimentos de “se apenas”, mas não se pode negociar com uma pessoa como ela. Simplesmente não funciona.”
Depressão: “Esta fase durou décadas. Quando a pessoa ainda está viva, penso que existirá sempre uma profunda esperança de reconciliação. Talvez ela venha por ai. Talvez no seu leito de morte ela tenha alguma epifania e perceba o que fez. Num último momento de clareza e confissão. Não sustenhas a respiração. Tem sido difícil ver os meus amigos e as suas mães terem boas relações. E tu pensas: “Porque não tenho isto? Também o mereço, porra!”
Aceitação: “Não sei se passarei plenamente por este estágio até que ela se vá embora. Uma das formas com que melhor lidei com ele foi ser a melhor mãe possível para os meus filhos. Eles conhecem a história da família. Eles entendem porque eu fiz o que eu fiz.”

O QUE SIGNIFICA CHORAR A MÃE QUE VOCE MERECIA?

Exactamente o que lhe parece – lamentar a ausência de uma mãe que a ouviria, que se orgulharia de si, que precisaria de si para a compreender da mesma maneira que você a compreendia. Uma mulher disposta a assumir os seus próprios erros e não a culpabilizá-la por eles, e - sim – alguém com quem rir e chorar.
Olho para o relacionamento com a minha filha e às vezes consigo ver como o meu Eu jovem a teria invejado.
Ainda me é difícil olhar para o passado e ver a inúmeras oportunidades que a minha mãe desperdiçou.

 Peg Streep - escritora

O INFERNO?



FÁTIMA O ALTAR DO MUNDO - OU O INFERNO?

O FORNO DAS VELAS NÃO É LUGAR DE ORAÇÃO

"O local onde se derretem velas no Santuário de Fátima é no mínimo perturbador e assustador, além de poluidor do ambiente, e mais ainda censurável pelo número de vezes que as mesmas (velas) são vendidas pelo processo de reciclagem a que são sumetidas e até poderiam ser oferecidas.

O mais impressionante de tudo isso, é o facto das pessoas que vão a Fátima com intenção de acender uma vela por algo ou alguém que levam no coração, acabem por atirá-las para dentro de um forno em labaredas como se representasse o 'inferno' e não um altar onde propriamente deveriam ficar...

No dia em que acompanhei minha mãe a Fátima onde pretendia acender uma vela e fazer sua oração, vi aquele 'crematório' medonho com filas de gente atirando enormes paus de cera lá para dentro (alimentando o 'monstro') e confesso que senti enorme mal-estar e rejeição por aquele lugar com cheiro a cera derretida no ar e saí dali com minha mãe pela mão, considerando o local tenebroso e direi mesmo vergonhoso para as pessoas que ali vão.
É a minha opinião!"
RP

sexta-feira, maio 05, 2017

A ALMA É LUZ



Maria Filomena Molder


Telhados de Vidro n.º 20, Lisboa, Averno, Setembro de 2015


"No fundo, talvez ele [Emerson] esteja muito perto de Pickpocket de Bresson: ter viajado tanto para chegar àquela que esteve sempre ao seu lado, chegar ao mais próximo de si, obedecer às intimações da proximidade. É que a exigência de viver no presente - e, portanto, acima do tempo ou no seu coração mais secreto - é a condição do esclarecimento de que a alma não é viajante: “onde ela se encontra, encontra-se o dia” (p. 37).


A alma é luz:
cada ser basta-se a si próprio se responder às “exortações para ficar em casa, para entrar em comunhão com esse oceano interior”. Não ter contratos mas proximidades, agora citando a passagem completa: “Que cada um saiba que, doravante, não obedeço a nenhuma lei senão a eterna. Não quero outras obrigações senão as da proximidade” (p. 44).


A lei eterna é a de considerar e aceitar tornar-se aquilo que se é, sem uma noção teórica disso que se é […].�Aquele que viaja para se divertir, ou para obter uma coisa que não traz consigo, viaja para se afastar de si próprio e envelhece mesmo sendo jovem: eis o estilhaçamento da temporalidade própria de cada um: aquele que vai ter com as ruínas ancestrais, sem ter mais nada para dar a não ser o vazio da sua curiosidade, acrescenta ruínas às ruínas.”

Filomena Molder

quinta-feira, maio 04, 2017

UMA EXPERIÊNCIA IMENSA DE VIDA

Recebe-nos no gabinete que ocupa na Fundação Saramago. E, mal abre a porta, a luz: Pilar é alta, bonita, exuberante, jovem. Uma jovem de 67 anos — idade que, dirá, não encontra em nenhuma parte do seu corpo. Rapidamente somos puxados para dentro do seu turbilhão, esse que a levou a criar esta casa há uma década, a casar com “um dos cidadãos mais completos do século XX”, 30 anos mais velho do que ela, a abdicar de uma carreira de jornalista, a mudar de pele, de país, a não parar de trabalhar, mesmo que o cansaço por vezes se imponha. E quem é esta mulher? Alguém que não quer morrer numa “decadência ostensiva”. Que não corresponde, nunca correspondeu, a estereótipos ou normas sociais. Que acorda todos os dias para viver “da e com a memória”, consciente de ter sido protagonista de uma experiência que muitas mulheres gostariam de ter tido. Uma “maldição” que ainda hoje, sete anos passados sobre a morte de José Saramago, a afasta de refazer a vida, porque, simplesmente, não lhe apareceu à frente outro igual a ele.
Legado. Foi num almoço em Lanzarote que surgiu a ideia de criar uma fundação. Saramago acabou por anuir e disse a Pilar que, se ela lhe sobrevivesse, queria que avançasse com o projetoSabendo que não gosta que lhe 
chamem a viúva de Saramago, quem é Pilar del Río hoje, aos 67 anos?
Não gosto que me chamem ‘viúva de’ porque ninguém me chamou ‘mulher de’ enquanto Saramago foi vivo. Isto por duas razões: porque tinham de enfrentar Saramago e tinham de me enfrentar a mim. Cada um de nós é o produto de si próprio. Não somos nem do pai nem do filho. Somos o que queremos ser. Nunca fui a mulher de Saramago nem serei a viúva dele, por respeito a Saramago e a mim própria.
E então quem é essa Pilar?
Uma mulher que não corresponde a estereótipos como o bom comportamento ou às normas sociais que se esperam de alguém que já tem uma idade. Talvez porque essa mulher ainda não consiga encontrar os 67 anos em nenhuma parte do seu corpo. Claro que me olho ao espelho, mas acho que o que está mal é um problema do espelho. Sou uma pessoa que todos os dias, ao acordar, pensa no que quer fazer da sua vida. Não tenho ainda um caminho definido. Ou seja, não estou reformada de nada. Faço a minha vida como quando tinha 20 ou 30 anos. Vou trabalhar. Não quer dizer que não tenha problemas. Tenho-os, de saúde...
Não sente que abdicou de uma carreira?
Sinto que tive um impasse. Isso também me dizia o meu marido, que eu tinha abdicado de uma carreira para estar com ele, para participar e estar no seu projeto, e, de facto, fui parte ativa nesse projeto. Mas ele também dizia, nos últimos anos da sua vida e pensando nestas coisas da internet (fiz-lhe um site), que eu tinha voltado à minha antiga profissão, a de jornalista. A contar, a dizer, a compor... Se calhar, estou de volta ao projeto inicial da minha vida.
Essa mulher que está no seu projeto original persegue um caminho, quer alguma coisa. O que é?
Tendo conseguido que esta fundação funcione e que tenha gente entre os 30 e os 40 anos, essa mulher não quer morrer numa decadência ostensiva.
Porque é que se tornou jornalista?
Porque gostava de contar coisas que antes gostava de ouvir. Acima de tudo, sou uma ‘ouvidora’, oiço, oiço todo o tipo de gente em todo o tipo de circunstâncias. Tudo me maravilha. Nasci para me maravilhar com uma bola que rebola, com uma estrada que está a ser arranjada... Gosto de contar essas coisas. Tive um programa de rádio há muito tempo, já depois de ter conhecido o José, chamado “Blimunda Não Se Rende”. Nele contava as maravilhas que Blimunda, que era pobre e sozinha, ia encontrando no mundo.
É mais fácil viver quando se acredita no mundo e se está maravilhado 
com ele?
Eu não acredito absolutamente nada num mundo que está a ser governado por gente em que não acredito nem quero acreditar. O que não me maravilha são todas as insolências e as perversões que os poderes económicos praticam no mundo e as guerras que criam. Maravilha-me que haja refúgios e momentos de harmonia e de poesia. Fomos feitos para sermos seres passivos e sofredores, estamos preparados para ser a massa no que respeita aos conceitos de política e ao domínio do social e fiéis no que concerne à religião. Maravilha-me que de repente haja gente que é ela própria e que é feliz.
A religião fez parte da sua vida...
Nunca vi Deus. O que me atraía na religião era uma forma bonita de relação com os seres humanos, que acontecia através da caridade cristã, entendendo a caridade como amor. Mas isso foi antes de descobrir que acima da caridade estava a solidariedade. Esse momento teve a ver com a minha chegada à faculdade, com a possibilidade de partilhar, com as melhores pessoas, as ideias de liberdade, contra a tirania e a ditadura, ideias que vieram também com a leitura. Hoje descubro que a caridade, no seu sentido etimológico de amor e de partilha, também me interessa muito.
Quando é que percebeu que Espanha vivia numa ditadura?
Desde sempre. Em criança sabia que vivíamos num país criado por obra e graça de Deus. Sabia que Deus tinha criado Franco para fazer o país preferido dele.
Aprendeu-o na escola?
Não foi preciso, já o tinha aprendido em casa: Deus criou Franco e Espanha! Claro que, ao crescermos, nos apercebemos de que o mundo é maior do que Espanha. Damo-nos conta disso por uma notícia num jornal, um livro que lemos... Com 14 ou 15 anos descobres que há países onde se vota e aos 18 já sabes que em Paris está a acontecer muita coisa. Tudo começa a encaixar-se, a fazer sentido. E, com a mesma naturalidade que se aceitou fazer a primeira comunhão, aceita-se deixar de ir à missa. Lembro-me perfeitamente da última vez que me fui confessar: o padre perguntou-me se já tinha acabado, e eu respondi-lhe que sim, mas que havia coisas que não lhe ia dizer. Não ia confessar o amor nem que estava com o homem que escolhi, o meu primeiro marido.
No entanto, casou com ele pela Igreja e batizou o seu filho...
Fi-lo para não dar um desgosto à minha mãe, que vivia uma guerra civil e não tinha de suportar as iras do meu pai. Porém, a palavra ‘família’ provoca-me fastio, repugna-me. Faz parte do ADN que te dão a conhecer: Estado, Família e Religião; Deus, Pátria e Família, se quiserem. Vi tudo isso em casa. Fi-lo para não aumentar o conflito entre a minha mãe e o meu pai. Para mim, era igual, queria lá saber da religião. Casei-me pela Igreja porque a religião não me dizia nada. Era como pôr um vestido comprido para ir a uma festa social ou usar uma joia, tanto me fazia. Deus não significa nada para mim. Se há um Deus, ele vai perceber que tudo o que inventaram à sua volta é uma merda. Quero que haja um Deus para lhe pedir contas sobre o que fez aos seres humanos, às mulheres.
De onde vêm as suas convicções?
De um mundo cheio de pobres diabos. Vivo com seres humanos que tentam levantar a cabeça e não conseguem, porque lha cortam.
Disse que em sua casa havia 
um conflito e que rejeita a ideia 
de família. Porquê?
Rejeito-a porque tenho os olhos abertos para o que acontece no mundo, as hipocrisias e mentiras que se fazem e dizem por aí. Descobri isso ao ver “O Último Tango em Paris”, de Bernardo Bertolucci, em especial o momento em que ele se vira para ela e lhe diz: “Mete o dedo no cu. A que cheira?” Era uma boa família! Quer isto dizer que as primeiras mentiras que o ser humano diz — porque se chegou tarde a casa, porque se precisa de qualquer coisa, porque se tem medo — são à família, em família. Na minha casa, o conflito traduzia uma sociedade patriarcal a viver numa ditadura política e religiosa. Havia o nacional-catolicismo. Eu não sabia quem era mais importante, se Deus, se Franco. Tinha dias. Qualquer coisa que saísse do âmbito do nacional-catolicismo era um problema, e se fosses respondona como eu eram problemas acrescidos. A última vez que o meu pai me deu uma bofetada já eu tinha 23 anos.
O que fez?
Fui-me embora, estava de férias e fui ter com o meu namorado. Até a minha mãe me apoiou. Bateu-me porque eu estava a defender uma irmã adolescente que tinha chegado a casa 10 minutos atrasada.
Percebe-se que a relação com o seu pai era complicada...
Não era complicada, porque nem sequer tive uma relação com o meu pai. Não se têm relações com os pais. Os pais existem para mandar em nós.

Trabalhar. É o que Pilar faz todos os dias, desde que assumiu a presidência da Fundação Saramago, a completar uma década. Na foto lê a passagem de “Jangada de Pedra” em que Saramago descreve o primeiro encontro entre os dois
O que faziam os seus pais?

O meu pai era um tipo singular. Foi frade dominicano e depois aviador e agente de seguros. A minha mãe, submissa, tinha de ‘se defender’ de 15 filhos e do marido. Era uma mulher extraordinária.
E como é ser a mais velha 
de 15 irmãos?
Não sei, acho que gostava de ter sido a mais nova de todos. A verdade é que partilhei a responsabilidade com a minha mãe na hora de tomar decisões, assim como as tarefas diárias, que iam de pôr toda a gente na escola a dar de comer e vestir... Foi um excesso de responsabilidade, do qual beneficio hoje em dia.
Tentou ser diferente como mãe?
Fui uma má mãe, porque sempre pensei que seria a vida a educar o meu filho e não eu. Nunca pensei no que queria ser como mãe, tinha outras coisas que fazer.
Que relação mantém com o seu filho, hoje já com 40 anos?
Trato-o como uma pessoa que é independente e que está a trabalhar. E está a trabalhar sobre Saramago.
O que é que faz?
É uma história linda. O meu filho estava a viver na Argentina, pois detestava a ideia de estar num país onde tivesse de se relacionar com o José ou comigo. Mas quando o José adoeceu a sério, perguntou-me se eu queria que me viesse ajudar. E veio da Argentina para Lanzarote com um amigo e fez com que a minha casa nunca fosse uma enfermaria. Ficaram até ao dia em que o José morreu. Neste momento está em Lanzarote a fazer visitas guiadas à casa todos os dias.
Houve um antes e um depois 
de Saramago?
Claro. Eu trabalhava como jornalista, tinha um programa e vivia num país. O facto de estar com José Saramago fez-me deixar um posto de trabalho estupendo e vir para um país onde não faço parte da memória de ninguém, nem então nem agora. Antes estava com o José, agora estou com a memória do José.
E quem é a Pilar depois do José?
Uma mulher muito mais velha, com uma experiência maravilhosa que muitas das mulheres que conheço, e mesmo algumas que não conheço, gostariam de ter tido. Sou uma privilegiada, vivi uma história absolutamente singular que partilho de manhã à noite todos os dias na fundação, na casa de Lanzarote, na Azinhaga. Vá para onde for, partilho essa história, porque é demasiado grande para a guardar só para mim: é a história de um dos cidadãos mais completos do século XX, uma pessoa que nasceu para ser massacrada e não o foi, que se levantou do chão, que se fez a si próprio, que não precisou de ser ‘filho de’, que nem sequer tinha o apelido do pai. Uma figura que os burgueses de mente curta ainda não conseguem compreender. Aqueles que não entendem a literatura de Saramago ou o próprio Saramago têm de ir a um especialista, pois são egoístas ou doentios ou têm uma conceção da vida demasiado elitista. Mesmo os que não concordam com Saramago não podem negar que ele os arrasa. Saramago é a-rra-sa-dor, um tipo que em menos de 30 anos construiu uma obra como esta. Alguém que escreveu “O Evangelho segundo Jesus Cristo”.
Fala de uma elite que ainda não compreendeu Saramago. Alguma vez se zangou com Portugal?
Não. Para mim, não existem países. Tenho semelhantes. O que é que herdei do franquismo? A repulsão pela bandeira.
Então reformulemos: alguma vez se zangou com os semelhantes 
de Saramago?
Zanguei-me com os espíritos pequenos, ou melhor, com o comportamento de alguns indivíduos, sobre os quais só me ocorre dizer “coitados”. Esses que escrevem uma coluna em Portugal e teorizam e dogmatizam, mas não chegam nem à raia de Badajoz. Passando Badajoz, não são ninguém. Não suporto quando começam com a conversa de que Saramago saneou não sei quantas pessoas. Não, desculpem, o diretor literário não faz saneamentos, foi a administração, há provas. E escrevem isso em jornais que mal pagam aos seus colaboradores, que mal pagam aos seus redatores e que põem na rua jornalistas. Mas esses não são saneados. Têm ódio à revolução, no fundo querem ser aristocratas. Mas não são!
Como é que um encontro pode 
mudar uma vida?
Não tive consciência de que a terra tremeu. José Saramago sim, e descreve-o na “Jangada de Pedra”. Eu não. Senti tudo isso com uma enorme naturalidade. Saí do encontro com ele e disse: “Vai acontecer qualquer coisa!” Cheguei a Espanha, e a primeira coisa que fiz foi telefonar à pessoa com quem namorava na altura para lhe dizer que não íamos continuar. Passou junho, julho, agosto. Em setembro recebi uma carta: “Se as circunstâncias da vida mo permitirem, gostaria de te ir ver.” Já me tinha dado recomendações de leitura, a nossa correspondência nesse sentido era quase ditatorial. Eu tinha de ler “Uma Família Inglesa”, de Júlio Dinis, o “Amor de Perdição”, de Camilo Castelo Branco, a Agustina Bessa-Luís, a Lídia Jorge...
Soube logo que ia dedicar-se a este homem?
Dedico-me à vida, aos meus irmãos, e se na vida está o meu marido dedico-me a ele; se está a fundação, dedico-me a ela. Ou seja, sou uma mulher dedicada. Mas, sim, dediquei-me a ele de corpo e alma, sabendo que era uma pessoa inesgotável. Começava uma conversa que nunca dava por terminada, porque tinha sempre pontos de vista diferentes, tal como a sua literatura. Era uma pessoa com uma formação infinitamente superior à minha. Foi uma maldição.
Maldição?
Sim, depois de o ter conhecido já não consegui gostar de mais ninguém.
Nunca pensou em refazer a sua vida?
Com quem? Deem-me outro. Só teria reconstruído a minha vida se tivesse aparecido alguém assim por quem me apaixonasse. Acho que os homens se impressionam com isso, que não querem ser comparados.
Como era ser 28 anos mais nova e 
saber que sobreviveria a esse amor?
Tínhamos isso muito claro e preparámos tudo. Uma vez, Madalena Perdigão disse-me, pouco tempo depois de a conhecer, que tinha uma relação com um homem mais velho e que isso a fazia sofrer muito, pois a sociedade não a entendia. A sociedade só percebe o lugar-comum. Acontece que ela morreu dois anos depois e o marido viveu quase até aos 100. O José e eu sabíamos que era uma lei da vida. E numa conversa ao almoço em Lanzarote, com dois amigos espanhóis, surgiu a ideia de fazer uma fundação para tomar conta do seu legado humanista — não de uma herança ou de uma biblioteca. Saramago primeiro não achou grande ideia, mas a conversa continuou e, no final, disse-me que, se eu lhe sobrevivesse, queria que me ocupasse da fundação
Uma vez disse que ele queria que 
“o continuasse”. Como se continua José Saramago?

É terrível. Pelo menos, Saramago tinha uma companhia, eu não.
Sente-se sozinha?
Não. O problema é quando viajo. Nos últimos dois anos tem sido mais difícil viajar sozinha, com uma mala, de aeroporto em aeroporto, para compromissos relacionados com Saramago. No penúltimo país que visitei tive uma quebra, pensei que ia morrer, tive de tomar um tranquilizante. Sou a escrava, a protagonista e a que apanha os copos. Ou seja, há de chegar o dia em que não conseguirei fazer mais. O José não tinha de fazer a mala, não ia sozinho. Falava e era Deus. Eu não sou Deus e tenho de falar como Deus. Sou recebida por chefes de Estado, estou presente em conferências, em todo o tipo de situações. A vida é complicada.
O que significa para si a Fundação Saramago?
É a residência do pensamento do José. As editoras só publicam livros para ganhar dinheiro. É um negócio. Mas quem trabalha o pensamento de José Saramago? Já não há editoras que publiquem ensaios. Então somos nós que o fazemos. Exemplo disto é a “Proposta de Declaração Universal dos Deveres Humanos” — que tem a ver com a nossa obrigação de retribuir à sociedade e vai ser apresentada à ONU — ou a difusão do teatro. Houve teatro de Saramago em Portugal, em Espanha, em Itália, óperas... Alguém se deu conta? E quem leva isto para a frente? Os herdeiros? Eles têm a sua própria vida e não lhes pode cair o legado em cima. É a fundação que se ocupa de tudo.
Com uma vida como essa, porque aceitou ser administradora da TVI?
Uns amigos ligaram-me e pediram-me para aceitar o cargo. Eu estava numa apresentação de Vargas Llosa e não podia atender o telefone e acabei por responder por mensagem. A proposta em si era tão surpreendente que não sabia o que dizer ou fazer. No entanto, pensei: se não for eu, vai ser outro. E porque não estar lá uma pessoa tão vincadamente de esquerda? Eu sou uma pessoa de esquerda e muito antissistema.
E o que faz como administradora não executiva?
Só participei em reuniões, espero agora poder participar em algo mais. Mas o que faço é basicamente aprovar as contas e um pouco da linha editorial. Não posso chegar ao Conselho de Administração de uma empresa a opinar, cheguei a ouvir. Agora espero mais.
Sentia saudades de estar num meio de comunicação social?
Há 20 anos teria respondido que sim. Queria ser diretora do “El País”. Estava muito irritada, e ainda estou, pelo facto de quase não haver mulheres nesses cargos. O meu jornal ideal seria aquele que me deixasse ser mulher e dar a minha opinião, sem prestar tanta atenção à lógica do mercado, mas sim à dos leitores.
Não é ingénuo pensar que isso 
é possível?
O que nos ensinaram já não faz parte daquilo a que se chama ‘fazer jornais’. Já não contamos o lado obscuro das coisas. Pelo contrário, somos os que beneficiamos os interesses do poder. Estamos ali para esconder as falhas do sistema capitalista e não para trabalhar para uma sociedade que se quer socialista na sua essência.
Acredita no jornalismo independente?
Acredito muito nas pessoas, mas cada vez que um jornal tratou de levantar a cabeça e fazer frente ao poder económico foi abafado. Um jornal progressista, independente, tem de fazer imediatamente concessões. E tudo acaba por não passar de um jogo de concessões.
Voltando atrás, quem é hoje a sua família?
Em Portugal não faço parte da memória de ninguém. Estou muito só, mesmo que esteja rodeada de gente fantástica aqui na fundação. A minha família é a memória. Irrita-me dizê-lo, mas vivo da e com a memória — embora seja uma memória que projeta, uma memória para o futuro. Tenho amigos adoráveis, um grupo de amigas em Sevilha... E tenho a tribo — é assim que chamamos a nós mesmos em família. Eu saberia dizer o que estão agora a comer os 15 membros da tribo, ou seja, os meus irmãos. Sei que nunca mais me vou encontrar com o José, que ele nunca me vai poder dizer se estou a fazer bem ou mal.
Porque é que insiste em dizer 
que não faz parte da memória 
de ninguém?
Porque não faço. Cheguei com 40 anos e não tenho a chave, o código, para as pessoas daqui.
Não se está a subestimar?
Não, sou realista. E a realidade é a minha idade. As pessoas andam para trás, recuperam momentos do passado, e eu não estou lá. Cheguei tarde, já bem crescida, como o apêndice de um homem. E durante os 25 anos que vivi com ele não tinha existência real, era uma sombra. E agora tenho uma existência real relativa.
Relativa como?
Não sei se as pessoas se dirigem a mim como a um ser humano que querem agarrar ou beijar ou como a uma mulher que tomou decisões que Saramago nunca tomaria. Em Granada e em Sevilha existo como pessoa e companheira de trabalho. Em Portugal não existo sem Saramago.
Gostava de mudar isso?
Teria de ter vontade de o fazer, e se calhar já não tenho. Mas é curiosa a quantidade de viúvos que Saramago tem. Um dia, aqui no meu gabinete, contaram-me como foi o casamento de Saramago. Foi comigo que ele se casou! Não se lembram? Não me veem?
Mas há muita gente que a conhece...
Não sei se me estão a ver a mim ou à sombra de Saramago, mas houve um tempo em que tive a ilusão que me estavam a ver a mim. Agora desconfio sempre. Já não sei quem me olha, porque me olha, que olhar é esse.
No fundo, fala da sua individualidade. Como a manteve sendo tradutora de Saramago e o seu braço-direito?
Mantive-a sempre, mas ninguém o sabia. Isso fazia parte da nossa intimidade, onde cada um era livre. Não estávamos comprometidos nem com partidos políticos, nem com Estados, nem com nacionalizações, nem com o casal que formávamos... Éramos um projeto, trabalhávamos juntos. Quando decidíamos o que íamos fazer, não o fazíamos em função de Saramago, mas do projeto e da agenda, do livro que se estava a escrever ou a traduzir. Trabalhávamos para um projeto no qual participavam outras pessoas, a que chamávamos ‘saramaguitos’.
Como foi traduzir Saramago?
Foi uma ousadia própria da juventude. Eu lia os originais das traduções que mandavam a Saramago e muitas vezes não estava de acordo. Mas ele tinha um tradutor muito bom, que era professor catedrático da Universidade de Barcelona, e quem era eu para opinar... O tradutor veio à apresentação espanhola de “Ensaio sobre a Cegueira”, de óculos escuros e de bengala: “Venho à apresentação deste livro consciente de que será o último que traduzirei, porque estou a ficar cego.” Não ficou cego, exagerou um pouco. Mas eu já lhe tinha dito que a partir dali traduziria eu! Fi-lo porque era ousada, senão nunca teria traduzido Saramago.
Que relação tem com a família do seu marido?
A neta trabalha aqui na fundação e a filha, que vive no Funchal, também faz parte da organização. Mas como está longe relacionamo-nos menos. É uma relação sem problemas, cordial.
Já disse que não gosta de bandeiras. Porque é que escolheu ter a nacionalidade portuguesa?
Para pagar impostos em Portugal. Não vou pagar por José Saramago fora de Portugal. E a verdade é que o Governo se portou muito bem, pois fiz um pedido normal e responderam-me logo. Ao cabo de dois meses já tinha a nacionalidade e já podia apresentar a declaração de impostos aqui. Pago muito mais aqui do que pagaria em Lanzarote, mas agora tenho legitimidade para criticar o Governo e o Estado ao qual pago os meus impostos. Fico colérica de cada vez que gastam mal o dinheiro.
Como é que essa formalização da relação com Portugal se conjuga com o ideal de uma Ibéria sem fronteiras?
Sabe, no outro dia deram-me o Prémio Luso-Espanhol de Cultura, por eu servir de ponte de comunicação entre Espanha, Portugal e América Latina, segundo o júri. Fiquei muito feliz. Como na “Jangada de Pedra”, creio que é para lá que caminhamos, para a América Latina. E servir de agente de comunicação entre culturas parece-me muito importante. Sugeri que mo entregassem em finais de maio, na Feira do Livro de Madrid, cujo país-tema será Portugal. Não sou mulher de salões nobres.

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