sábado, janeiro 28, 2017

A MULHER E AS LEIS



A MORTE DA MÃE

"Eram então necessárias novas leis para impedir o que se poderia chamar uma demasiada integração dos machos. Porque estes, assim agarrados a suas mães, suas irmãs, fragmentavam o grupo. Por outro lado, concentrada a vida nesses ternos e prazenteiros subgrupos, o trabalho produtivo das mulheres, numa humanidade de crescente consciência, torna-se invisível, diluído em mitos: a produção daquelas parecia continua e sem direito a descanso. A deusa inicial criadora talvez fosse omnipotente, mas as mulheres não."

In A Morte da Mãe, de Maria Isabel Barreno


MULHERES DE VERDADE 

“ENQUANTO UMA MULHER FOR ESCRAVA
O HOMEM NÃO TERÁ LIBERDADE" - Maria Lamas
...
"Partindo daquela confiança mútua que deveria ser sempre natural entre os seres humanos sujeitos aos mesmos males e às mesmas lutas, e mais justificada ainda entre nós mulheres, que através de séculos e civilizações vimos suportando injustiças de toda a ordem, demo-nos as mãos, e seremos fortes. Da nossa força, consciente, generosa e nobre, muito bem poderá vir ao Mundo.
A Mulher é a Mãe, e a Mãe influirá sempre na formação do carácter dos filhos..."

In Biografia (1945) DE MARIA LAMAS

Pode espantar muitas mulheres de hoje a ideia de "Enquanto uma mulher for escrava"...e duvidar-se que hajam nos nossos dias mulheres escravas, MAS o que vamos chamar a uma mulher explorada sexualmente, ou que seja apenas física ou psicologicamente, não diríamos também que não haverá um homem digno da sua humanidade enquanto isso acontecer? Independentemente de todos os problemas de ordem económica e social que foram debatidos ao longo do século vinte, como forma de emancipação feminina, quase todos eles continuam a ser sensivelmente os mesmos, embora com uma patine de evolução e mudança, mais (retórica) teórica do que real, e só nas cidades, ou centros urbanos ela existe, porque de resto quer no País quer no Globo inteiro as mulheres continuam a sofrer todo o tipo de afrontas e violências sem que o Mundo e os Estados se preocupem muito com isso.

Contudo o problema efectivo e interior da mulher no nosso século que começo, porque nunca foi tocado, é sem dúvida a questão fulcral da sua identidade profunda...Ou seja, a questão da sua divisão ou fragmentação interior que correspondem a dicotomia da "santa e da puta"....
Passados mais de 50 anos sobre esta perspicaz observação “...se ele (livro) abalar a indiferença ou antes a ironia com que os portugueses usam encarar os problemas femininos...” vemos que nada mudou quanto a essa ironia...podemos vê-la e senti-la em tudo o que os críticos e comentadores, jornalistas e políticos escrevem ou dizem ainda a propósito desses mesmos problemas da mulher e pior, vemos a mulher a nega-lo como a dá-los por resolvidos...na teoria, como é o caso das feministas em geral.
Vemos ainda não só as escritoras em geral ou políticas a serem satiricamente alvejadas pela ironia afinadíssima dos muito democratas e progressistas homens da nossa praça pública...e agora os muito importantes e cotados jornalistas em ascensão meteórica na Blogosfera...


DE QUE MULHER É ESSA QUE EU FALO?

Eu falo da mulher Inteira aquela que sabe tocar o seu âmago. Que sabe tocar essa Essência que é o seu centro. O seu Coração. O seu Útero. Neles está a chave do seu poder interno. A mulher não tem de aprender nem forçar-se a ser aquilo que o homem fez dela: "objecto de prazer "ou instrumento de "procriação", agora "barriga de aluguer",  como a mulher moderna aceita e faz nem tem de ser  executiva e lutar com os homens por um lugar de chefia, nem forçar-se a ser o que os homens e a sociedade querem ainda que ela seja, tendo controlo legal  do seu corpo e do seu sexo e do seu útero. Essa mulher de que falo  se as suas raízes  estiverem ligadas ao seu Útero e a Gaia, Ela nunca mais será serva, nem escrava sexual, nem poderá ser soldado, polícia ou ir à Guerra…ou deixar os seus filhos passar fome… porque a Mulher é a Terra…e ela é abundante, dá como a Natureza dá. Por isso  é dela e só dela que pode e nasce o amor e a paz e a dádiva, na primeira grande dádiva que a vida e o ser humano que dela nasce.'

rosa leonor pedro

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