segunda-feira, fevereiro 27, 2017

Aquela bruxa!



"Muitas das deusas -anciãs foram rebaixadas, quando o seu povo foi vencido ou convertido, para velhas, madrastas malvadas, bruxas habitantes das florestas e outras vilãs de contos de fadas e lendas. Assim encontramos muitas dessas anciãs que surgem como figuras maldosas ou ameaçadoras para aqueles que não se sentem à vontade com as mulheres de poder.”


- Não é por acaso que sempre que uma mulher impõe a sua vontade ou é assertiva ou segura de si é logo apelidada de megera ou bruxa...Ainda hoje até as mulheres mais esclarecidas recusam o termo "Bruxa" e preferem dizem se chamar feiticeiras...ou magas...mas eu continuo a defender a palavra e a tentar resgatá-la desse passado tenebroso. 
Na nossa sociedade e nos nossos dias ainda é comum e por dá cá aquela palha sempre que uma mulher se impõe é mal vista e considerada logo como uma aventureira com todos os sinônimos que isso acarreta... sobretudo se é mais nova e piora bastante se for bonita...
Toda esta mentalidade, EMBORA DESSIMULADA E QUASE INCONSCIENTE perdura ainda e a perseguição á mulher e à bruxa continua  desde  o retrocesso histórico e cultural de há cerca de cinco mil anos em que a mulher foi relegada para planos de sujeição e exploração dos homens em quase todo o mundo. 

No Oriente é absolutamente clara essa "perseguição" às mulheres pela imposição da Burka e ainda com a condenação à morte das mulheres que "desonram" os homens (a família patriarcal) mal ousem sair da sua tutela. No Ocidente isso foi aparentemente mudando ao longo do ultimo século, mas no essencial no que concerne as mentalidades continuam atávicas e os direitos reais não são os apregoados;  tudo ou quase tudo continua na mesma e  não mudou quase nada embora as mulheres tenham ou pensem que têm a liberdade de serem livres...elas são apenas o que os homens querem  que elas sejam: afinal de contas e só isso e elas julgam que é o desejo delas... o de serem libertinas ou meros objectos sexuais, prostitutas umas, amantes outras e enquanto que a maioria seriam ainda  as mulheres sérias e fiéis aos maridos. No entanto n
este momento, depois de tantas supostas conquistas e a dita emancipação da mulher na Europa, estamos de novo perante um retrocesso semelhante ao do passado e a mulher está em risco de perder todos os benefícios porventura adquiridos...Como nunca,  há uma violência continua (doméstica e não só)  e a violação é uma constante contra a mulher e o feminicídio uma praga na América latina enquanto na India  as meninas continuam a ser abortadas e mortas quando nascem...

Entretanto cresce da parte do patriarcado e do Sistema uma luta surda e subtil contra o poder inato da mulher. Esse poder que sempre os ameaçou e de tanto têm medo. Mal esta começa  a tornar-se consciente do seu valor intrínseco e instintivo e a acordar para a sua Mulher  ancestral ela é  logo vitima de uma luta que nunca cessou contra as mulheres que sempre estiveram na vanguarda. O Sistema teme a Mulher e a Deusa por se trata-se de um poder de amor e compaixão, tolerância e abnegação e não de domínio sobre os outros e nisso reside a grande diferença entre o princípio feminino e o princípio masculino.
Há registos e não são só lendas desse poder equalitário entre mulheres e homens e dos benefícios de ser a mulher a governar, cujas razões nos aparecem a seguir muito bem expressas:



"Há duas variações da imagem da anciã: a rainha e a sacerdotisa. Em algumas culturas estes papéis combinavam-se de modo que as rainhas conduziam o seu tanto na religião como na política. A imagem da mulher como poderosa chefe de estado, e a correspondente imagem da mesma em ligação directa com o divino, têm em comum o aspecto de serviço à comunidade. Pois a Anciã não busca o poder para si mesma, mas pelo que pode fazer pelo seu povo. Analogamente, não procura a ligação com o divino apenas para desfrutar do êxtase que esta lhe proporciona; antes por meio desta ligação , poder ajudar o seu povo. Assim a anciã é uma forma da deusa particularmente nobre e altruísta. Representa os ideais de cooperação e harmonia social, assim como a força e a sabedoria que permitem atingir essa harmonia.” *

Rosa leonor pedro
*in o "Caminho da Deusa" de Patricia Monaghan

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