segunda-feira, março 13, 2017

A MULHER COMO MEDIADORA



DE VOLTA A CASA...

Existe no âmago de todas as mulheres o que Toni Wolffe, uma analista junguiana que viveu na primeira metade do século XX, chamou de "mulher mediadora". A mulher mediadora se posiciona entre o mundo da realidade consensual e o do inconsciente místico, fazendo mediação entre eles. Ela é o transmissor e o receptor entre dois ou mais valores ou idéias. Ela é a que dá à luz novas idéias, transmuta velhas idéias por idéias inovadoras, faz a comunicaçã...o entre o mundo do racional e o do imaginário.
Ela "ouve" coisas, sabe "coisas" e "pressente" o que virá a seguir. Esse ponto a meio caminho entre os mundos da razão e da imaginação, entre o raciocínio e o sentimento, entre a matéria e o espírito — entre todos os opostos e todas as nuanças de significado que se possam imaginar — é o lugar da mulher mediadora.
(...)
Ela é capaz de viver em todos os mundos, no mundo superficial da matéria e no mundo distante, ou mundo oculto, que é o seu lar espiritual, mas ela não consegue ficar muito tempo na terra. Ela e o pescador, a psique egóica, geram um filho que também consegue viver nos dois mundos, mas que não consegue ficar muito tempo no lar da alma.
(...)
A Mulher Selvagem é uma combinação de bom senso e senso da alma. A mulher medial é o duplo de si mesma e tem também essa dupla capacidade. Como a criança na história, a mulher medial pertence a este mundo, mas tem condição de viajar até os recessos mais profundos da psique com facilidade. Algumas mulheres nascem com esse dom. Outras mulheres adquirem essa capacidade. Não importa a forma pela qual se chegue a ela. Um dos efeitos da regularidade na volta ao lar está no fato de a mulher medial da psique sair fortalecida toda vez que a mulher vai e volta.


CLARISSE PINKOLE ESTEES
MULHERES QUE CORREM COM OS LOBOS

Sem comentários: