terça-feira, março 14, 2017

SENTIR MULHER


A GRANDE DIFERENÇA:
Matrismo sim, e não feminismo...


"Acho que não vale a pena a mulher libertar-se para imitar os padrões patristas que nos têm regido até hoje. Ou valerá a pena, no aspecto da realização pessoal, mas não é isso que vem modificar o mundo, que vem dar um novo rumo às sociedades, que vem revitalizar a vida. Ora bem, a mulher deve seguir as suas próprias tendências culturais, que estão intimamente ligadas ao paradigma da Grande Mãe, que é a grande reserva, a eterna reserva da Natureza, precisamente para os impor ao mundo ou pelo menos para os introduzir no ritmo das sociedades como uma saída indispensável para os graves problemas que temos e que foram criados pelas racionalidades masculinas. E no paradigma da Grande Mãe que vejo a fonte cultural da mulher; por isso lhe chamo matrismo e não feminismo."

Natália Correia, in 'Entrevista (1983)'

O FRACASSO DO FEMINISMO

Este excerto de uma entrevista da Natália Correia é de uma importância desmedida porque nos remete para a questão essencial da Mulher de hoje e aponta para a grande solução - resposta ao que o Feminismo tem feito e as feministas lutado, em nome de uma igualdade de direitos e liberdade sexual, fazendo com que a mulher se tornasse mais um homem do que mulher e perdesse toda a ligação à  sua Matriz que é a Mãe ou a Grande Deusa e a Natureza. Essa matriz que devia ser a fonte cultural da mulher e não o homem e os seu deus pai.
Ela aponta para um aspecto essencial que passou desapercebido as feministas em geral que é a Mulher ser DIFERENTE  e bem diferente do homem, e isso nem sequer foi equacionado em termos psicológicos ou biológicos, muito vagamente aliás em termos de a mulher ter 3 dias de descanso por terem o período e também na gravidez - mas que logo a seguir e sem sentido, só porque se trata de "igualdades" os homens também tiveram esses direitos tal como hoje querem ser mães, mas já lá vamos a essa aberração. E digo que o feminismo foi um fracasso em termos ontológicos - deixando de parte todas as supostas vantagens materiais que hoje a mulher pode ter e antes não tinha -   porque negou a vida do espírito e a alma feminina  não só pela masculinização da mulher, ao adoptar o ego masculino como referência para si, mas  também pela negação-omissão desse plano da sua existência essencial que a liga ao Útero, à maternidade, ao Dom de dar a vida. Desligou-a da Natureza primordial a que ela está instintiva e  intrinsecamente ligada pelos seus processos biológicos e que o reducionismo de uma ciência também ela baseada no estudo do Homem, o materialismo dialético e as ideologias marxistas em geral, o capitalismo e o consumismo, contribuíram de forma insidiosa para a alienação da mulher de si mesma como ENTE e em termos do sentido do sagrado da Vida e de si mesma enquanto Mulher Inteira. Passo a explicar: O feminismo não viu o drama da mulher como ser bipartido...isto é, o feminismo ignorou a grande cisão secular e os seus efeitos dentro e fora da mulher - a divisão da mulher em duas espécies de mulher - antes a esposa e a prostituta - e aceitou apenas que a mulher que era a esposa e estava circunscrita ao lar  passasse  a trabalhar fora, mas continuou a aceitar a prostituta, a mulher da rua, a mulher de parcos recursos que não se casou ... ou a mulher que sendo uma mulher só, solteira ou viúva, e por isso "SEM ABRIGO" que a sociedade não considera nas suas leis a não ser no aspecto laboral e sexual - como objecto de prazer do homem.
 Desta forma eu considero que foi um fracasso das feministas...e porque o que agrava tudo isto é que o feminismo não só foi totalmente desvirtuado e aproveitado pelo Sistema em seu próprio beneficio como o  tornou comparável ao machismo...e quer os machistas quer  os homossexuais hoje defendem uma igualdade  para todos...incluindo travestis e transexuais...
Tudo isto deixando a Verdadeira Mulher para trás e em negação da Mulher Anima da Mulher Essência, para a mulher comum ser hoje apenas uma referência travestida de mulher, sem alma nem dignidade. Isto é duro de se escrever, mas o que eu verifico hoje em dia é que essa ignorância da divisão da mulher em si, uma divisão secular que marca a mulher desde menina pela educação pa traircal - a já proclamada imagem de "nem santa nem puta", a verdade é que todas as mulheres masculinizadas se tornaram a imagem da puta ou seja o travesti que o homem criou da mulher para si, reduzindo-a  uma imagem de marca e de consumo, no cinema, da moda e na arte...da cultura falocrática e ao serviço do homem...e em que vemos a mulher denigrida e reduzida a mais vulgar imagem de degradação - nas revistas e na pornografia etc.
Portanto, as mulheres esqueceram as suas próprias "tendências culturais" no caso penso que seja a sua relação com o instintivo e a Terra Mãe para ser quase uma mulher de plástico, uma mulher cheia de silicone e de botox, com um corpo padronizado  ou até mesmo substituída por bonecas de borracha, insufladas  ...Isto diz-nos muito de como a mulher foi esvaziada de sentido e das próprias entranhas e de um SENTIR MULHER, que o homem já a substitui e recorre  a uma boneca ...Portanto o afastamento da mulher da sua essência feminina ou da verdadeira natureza da mulher seja da sua sensualidade ou da sua própria sexualidade vivendo o sexo em função d prazer do homem que já não é reconhecida nem achada neste Paradigma, em que cada vez mais homossexualidade domina a cultura e a sociedade mundana...
Ora o que aconteceu foi que ao invés de evoluirmos no sentido da integração dos polos opostos - feminino masculino, principio do universo (Yin-Yang) no sentido da evolução humana do casal, tendo em conta as diferenças naturais entre os dois e a complementaridade de polos opostos se integrarem, o que hoje existe é uma deformação geral do que é não só a mulher em si mas também do que é o homem em si. Falta a visão da Mulher alquimica, da Mulher eterna.
"A visão da mulher tem um papel importante na Obra de Alquimia.
A mulher que se vê - companheira, amante, ou deusa iniciadora - é a projecção de um oposto a integrar nessa união superior a que se aspira.
É a força transformadora, ela mesma transformada - em mineral, vegetal, animal, ou ainda num dos elementos, ou um astro, ou logo em divindade "(...) Y.K.Centeno

E a grande tragédia disto tudo é que ao deixar de haver essa Mulher anima deixou de haver Homem animus,  para se  criar uma coisa hibrida dos seres humanos e que já não são nem homens nem mulheres, remetendo-nos para um grave problema de identidade que estamos a viver em que a desordem e o desequilíbrio das partes constitutivas de cada ser são anuladas e ninguém já saber quem é quem. 
Para finalizar queria apenas sublinhar  que a prostituição do corpo da mulher se alargou ao seu útero e já não apenas ao sexo...A mulher que era a esposa e mãe do homem, ao tornar-se "barriga de aluguer" prostitui o que de mais sagrado há na mulher, a maternidade, e deixará assim paulatinamente de ter qualquer papel neste Sistema Patriarcal. E é aqui que atingimos a derrocada final deste Paradigma falocrático e do Império do ego masculino, pelo domínio e imperativo do Pai, agora comprador directo do filho ao alugar-comprar o útero da mulher e prescindindo da função mulher-mãe que já não quer como "companheira"-  porque rico, futebolista ou gay...mostra claramente a sua misoginia ou ódio à mulher; E agora temos não só os machistas da velha guarda, a extrema esquerda e a extrema direita, a querer destruir a mulher e a mãe como os homossexuais e o lobby gay...Um mundo só de homens onde a mulher não passa de um verbo de encher reduzida a nada ou a um travesti decorativo - um corpo objecto...
O que os homens sempre sonharam, um mundo sem mulheres, como diria a personagem Jazão da peça Medeia de Eurípedes

"Ah, se houvesse outra forma de gerar os filhos, sem a mulher, que feliz seria esta vida"
- Assim, perdendo a Mãe perde-se em definitivo a Matriz da Deusa e da natureza para seguirmos para um mundo cada dia mais robotizado e pervertido ONDE MULHER NÃO ENTRA.

rosa leonor pedro



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