"NÃO SOU FEMINISTA, SOU ANTROPOLOGICAMENTE LÚCIDA" Ana Hatherly

sábado, maio 27, 2017

O AMOR MITO



A UMA AMIGA FALAVA DE AMOR...

Ah o Amor...esse mito...o amor, esse sonho, o amor esse grito...milhares de anos, o Cupido...anjo maldito e cego, mas o amor que todas queremos e sonhamos não é mais do que o MIto vivo - um arquétipo...
Saber o que é amor não há como...como se alguém em milhares de anos soubesse o que é o amor ou como se o amor também afinal não fosse o ódio...simples como isto...amor é ódio e guerra e morte e vida e dor...a vida ela em si mesma todas esta amálgama, ignorância - ele é tudo desde o nascer e crescer e morrer...tudo o que se passa na nossa vida nesse intervalo...
Todo o sentimento é uma reacção, uma falta, um desejo de preenchimento, uma projecção ...tudo o que nos toca e faz reagir é amor...mas as mulheres sonham e pensam apenas nesse amor paixão que as possui e cega e que as cativa ou mata quem o sente...o amor é um espelho, o outro que se revela ou nós mesmas que nos vemos num espelho-miragem, será ele o nosso Ka ou duplo ,dizem os egípcios...o Narciso e Eco diziam os gregos... Eros e Afrodite diz a psicologia moderna...a ferida do amor é sempre uma ferida sempre que o tentamos ver a luz do dia...e nunca o vimos senão pela fresta...

Não, não há amor bom e amor mau...nem amor verdade e amor mentira - o amor sente-o ou adivinha-o cada um/a à sua medida, à medida das suas emoções e das suas ilusões e frustrações ...à medida do seu anseio e da sua ferida...à medida da sua idade e à medida das suas crenças...
Não há nem nunca houve um amor perfeito definido e estrito, infinito ou universal...embora se diga que sim e se cante e se poetize a dor do amor que se confundo com o amor-deus-ausência...canta-se o amor na ausência e na saudade nunca a Presença inefável...porque ele nunca se deixa ver...
Não, nunca ninguém soube o que era o AMOR...a não ser a sua idealização e a cultura...a religião...
Mas há quem brade aos céus em seu nome...e queira morrer por ele...mas é ele morte deus anjo ou diabo? Não, nada sabemos ao certo, ele é tudo e ele é nada...mas aponta o homem o dedo a mulher diz que ela é a culpada da queda, por causa da Maça do Conhecimento - e tudo o que o fez sofrer a ele, como se ele só importasse e a mulher fosse sempre a sacrificada em nome do amor. O amor que acaba ou não por surgir iluminando ou se revelando fugaz das mais diferentes maneiras ao homem e o salva, mas é a mulher em nome do amor desejo e paixão que arde sempre acusada de tudo deste os primórdios...ela é a má da fita, a feiticeira a maga e a bruxa, a maléfica e a puta sem coração que come todos os homens e é suja...e o homem é sempre fiel e um aspirante a santo, nobre e justo, casto...A pobre vitima coitada é seduzida e castrada pela deusa maga que o enfeitiça e faz perder a cabeça e o resto quando é o caso...Mas e a mulher? A mulher vazia e sem entranhas, a mulher que não é mulher nem de si sabe ela quer ser possuída e reduzida ao nada porque sim, porque ama...
Mas digam-me: Que espera a mulher do amor? Digam-me lá se puderem...
Ah sei tanto desse amor agora aos 70 anos como quando tinha 20 e acreditava nele...se bem que nunca tenha sido assim tão romântica...mas ansiava...encontrá-lo...e nunca encontrei porque o AMOR que eu sonhava teria de ser único e eterno... e ele nunca foi...sempre me fugiu de entre os dedos...


TALVEZ O SOPRO DO ANJO...


Relendo grandes autores...penso sempre...se ao menos tivesse a inspiração do poeta...ou o dom do escritor de génio...Mas não. Tudo o que escrevo não passa de panfletos rudimentares sem consequência, e embora às vezes me exceda e tenha rasgos estonteantes e pareça tocar um cume qualquer, depressa verifico o meu engano...e presumo que esse voo não passe do sopro de algum anjo que se compadece da minha pretensão literária e de grandeza humana..

Ah! falta-me esse golpe de asa...falta-me raiva e vontade de me vingar desta raça humana que às vezes amo tanto e outras desprezo...
Sim, subir mais alto como a pomba branca...em vez de cair no charco dos enganos, nesta miséria franciscana, presa à mediocridade dos dias e à sobrevivência terrena...

Rosa Leonor Pedro

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