domingo, março 26, 2017

ADORAR MARIA...


"Quando o feminino divino, a deusa, deixa de ser reverenciado, estruturas sociais e psíquicas tornam-se super mecanizadas, super politizadas e super militarizadas. O pensamento, o julgamento e a racionalidade tornam-se os fatores dominantes. Necessidades de relacionamento, afeto, carinho e respeito pela natureza permanecem negligenciadas. Não há equilíbrio nem harmonia, seja dentro de si mesmo, seja no mundo externo. Com o desprezo pela imagem arquetípica tão relacionada no amor apaixonado, ocorre na mente divisão de valores, unilateralidade. Como resultado, ficamos tristemente mutilados em nossa busca da integridade e da saúde. "*


"Os homens, na verdade, decidem se suas divindades supremas devem ser femininas ou masculinas; o lugar da mulher na sociedade é sempre aquele que lhe foi designado pelo homem; ela jamais, em tempo algum, impôs sua própria lei". Frazer 

FALTA AO MUNDO O AMOR MÁGICO

As mulheres de hoje são apenas um pálido reflexo das mulheres de outrora…As mulheres matriarcas e as sacerdotisas do amor desapareceram da face da Terra e ninguém sabe hoje o que é o Amor Mágico. Porque as mulheres deixaram de ser mágicas…deixaram de  ter magia e poder.
Elas estão cada vez mais longe das Musas inspiradoras, das Sacerdotisas da Deusa, longe das Feiticeiras, das Mulheres de alma, das mulheres plenas e fecundas, das mulheres autênticas, das mulheres selvagens... que exprimiam a sua sensualidade sem medo nem artifícios...
Por tudo isso não há, na sociedade actual e neste mundo globalizado, feito de plástico e falso, lugar para o verdadeiro amor e ele é cada vez mais raro, tal como a mulher original....
Tudo o que neste mundo devassado pelo consumo e o comércio se vive é conectado sexualmente, com a mais baixa sexualidade, o instinto primário, em que se confunde genitalidade com sensualidade, mas mesmo a sexualidade mais séria, a dos manuais médicos?...ou a do kamasutra e do tantra, está cada vez mais longe da sua essência e o que temos é pornografia, sado-masoquismo, vampirismo, em vez de erotismo.
Não damos espaço ao  amor verdadeiro e apenas nunca é só sexual...que é sempre outra coisa mais além, uma corrente de vida, um fluxo de energia, uma ressonância do ser que abrange outro ser à partida; não, não vimos que o amor vem da alma, e que pode e deve expressar-se sexualmente se houver reciprocidade, integridade e respeito humano, seja em que situação for, e tal como dizia Fernando Pessoa, “no amor o sexo é um acidente”, não é factor determinante, nem um fim em si.
Mas as mulheres de hoje e que se pretendem modernas e emancipadas vivem o sexo mesmo sem amor…sem mistério sem emoção sem nada...quase sempre…por desprezo de si, alienadas da alma e do espirito, por isso tanta violência, tanta assassínio em nome ..do amor...
Hoje em dia já não há sentimentos, nem emoções, nem respeito - ninguém deixa sequer o Amor acontecer, nem no namoro...a sedução, o conhecer o outro/a...antecipam-se as experiências sexuais, pela mecânica do acto, só pelo “prazer” do sexo bruto pelo dinheiro…

in mulheres e deusas - 2012
rlp

COMO TUDO COMEÇOU...

"Os homens fazem os deuses: as mulheres os veneram"
Simone de Beauvoir, in The Second Sex, p. 87

"Com o surgimento da política, do militarismo e do comércio gerou estratificação social. A mulher tornou-se subordinada porque seus papéis deixaram de ser importantes para os novos valores. À medida que se desenvolviam estradas de comércio e que tribos guerreiras conquistavam partes de outras civilizações, as culturas de diferentes povos começaram a se mesclar. As divindades de uma cultura incorporavam-se às da outra. O número de deuses e deusas a serem cultuados alcançava proporções impossíveis, e novo problema se apresentava: e se algum fosse esquecido? E um Deus Supremo, portanto, veio a ser reconhecido.

Do ponto de vista da sociedade patriarcal dominante, Ele era um ser masculino. O homem criou Deus à sua imagem. O homem estabeleceu novas doutrinas religiosas e novos cânones, de acordo com suas crenças na supremacia masculina. Com o passar do tempo, os templos do amor deram lugar à casa do Senhor, deslocando radicalmente os papéis da mulher nos ritos religiosos. No culto à deusa, como vimos anteriormente, o sexo era trazido de maneira aberta e reverencial ao altar da divindade. A seu templo homens e mulheres vinham para encontrar vida, e tudo oque lhes era oferecido era prazer sensual e deleite. Mas com a mudança nos valores culturais, e com a institucionalização do monoteísmo e do patriarcado, o indivíduo passou a vir à casa do Senhor para preparar-se para a morte, com a promessa da felicidade eterna mediante o simples cumprimento das leis. Sob a nova tradição, a mulher tornou-se Eva, a encarnação da sedução sensual, a razão da ruína do homem; ela
fora tentada por forças demoníacas e, por sua vez, tentou o homem. Sua simples existência era advertência para os desejos físicos, aos quais era necessário resistir mediante o medo da punição eterna. A prostituição profana continuava a florescer, e a natureza sexual da mulher era associada a ela ou por ela julgada. Tendo deixado de ser vista como dádiva do divino, a sensualidade da mulher passo a ser rebaixada e explorada. As mesmas qualidades pelas quais a mulher fora outrora considerada sagrada, agora vieram a ser a razão pela qual era degradada. Em nome do Senhor o homem começou a destruir todos os vestígios da deusa e de sua defesa da felicidade sexual. O amor passou a ser dissociado do corpo para que os seres humanos pudessem alcançar união puramente espiritual com Deus. Os primeiros Padres da Igreja cristã, a fim de não comprometerem a segurança de uma religião masculina e monoteísta, reprimiam fortemente qualquer associação coma deusa em doutrinas da Igreja. A Trindade era a do patriarcado; Maria pode ser cultuada, mas não adorada, para evitar que ela se torne canal pelo qual a veneração da deusa seja restabelecida. Epifânio ordenou: "Deixe que o Pai, o Filho e o Espírito Santo sejam adorados, mas não deixe que ninguém adore Maria".

Deixou de haver uma imagem do feminino divino. O feminino deixou de ser visto como fonte de prazer físico e êxtase espiritual- um sentimento global de harmonia interior. São Paulo falou em muitas ocasiões dos demônios do sexo e da posição subordinada da mulher. Ele exortava seus ouvintes: "É bom para todo homem não tocar as mulheres. Todavia, para evitar fornicação, que todo homem tenha sua própria mulher".
O celibato era o estado ideal, mas o casamento era permitido por ser a carne muito fraca. "Mas se eles não têm continência, deixe que se casem, pois é melhor casar do que arder."•

•O casamento acarretava também injunções; sua finalidade não era o prazer sexual, mas a criação de novas almas para adorar a Deus. Homem e mulher não deveriam cruzar a fronteira do amor e do relacionamento físico para satisfazer seu bem-estar espiritual. A adesão à lei canônica significava que o relacionamento sexual só deveria servir ao propósito da procriação.
O maior dos méritos, então, era negar a natureza humana e abster-se de tudo oque fosse fonte de prazer. Uma vez que a mais acalentada das felicidades era o relacionamento sexual, homens ascéticos renunciavam completamente a ele e reprimiam o desejo através do jejum, da autopunição e de todos os tipos de privação pessoal. São Francisco de Assis ordenou que um companheiro seu oarrastasse pelas ruas a fim demortificar seu corpo. Outros ainda inventavam todos os dispositivos imagináveis para se afligirem comdor física e agonia, em suas tentativas de dominar ocorpo e atingir oestado de espiritualidade pura. Se tais medidas não alcançassem êxito no sentido de matar todo o desejo, então às vezes recorria-se à castração. "*

**Nancy Qualls-Corbett

A mulher dos homens...


AS MULHERES DOS HOMENS...

O patriarcado afastou a mulher de toda a interioridade, de toda a afectividade que não fosse relacionada com o homem e o filho. O pai e o ...filho! A relação com as outras mulheres seria sempre um perigo para esse império do domínio do homem sobre a mulher. Assim, além da divisão da mulher em duas – a eterna divisão da santa e da prostituta que continua a pairar sobre a cabeça de todas as mulheres, mesmo dizendo que não – criou-se a divisão entre a Mãe e a filha. A filha raramente tem mãe…ou sente na mãe esse afecto, esse amor, essa união, essa cumplicidade de mulheres, porque é na educação das meninas que as mulheres se tornam rivais e antagónicas e começa quase sempre com as mães (luta pela atenção do pai) …aí começa a raiva, a inveja, a luta psicológica por vencer a “outra” entre mulheres…por isso qualquer entendimento amoroso entre mulheres pode ser pejorativamente classificado de “homossexual” ou de anormal…Mesmo entre irmãs a guerra é instalada ou pelo amor do pai ou mais tarde na luta por namorados, assim desde pequeninas…onde elas podem ver a negação da mulher no olhar do pai…o desprezo do pai pela mãe ou até a violência doméstica e por isso ela faz tudo para lhe agradar e ser diferente da mãe. Ela sente-se culpada pois da mãe herdou a ideia/sentimento (ou complexo) de que tudo o que é da mulher em si, é sujo, é inferior, é insignificante e o seu amor-próprio é ridículo. Com as mães as meninas aprendem a ter nojo do sangue e da menstruação, do seu corpo e do seu sexo claro…porque isso é o que quase sempre as mães passam para elas…Medo e nojo. Medo e raiva. Medo e frustração. E assim elas estão cada vez mais longe de si como mulheres e tornam-se “as meninas do papa” ou as eternas meninas, submetidas e feitas para agradar aos homens. São as Atenas, saidas da cabeça do Pai (Zeus, senhor do Olimpo onde as mulheres são engolidas como Métis)...as mulheres que negam a sua feminilidade essencial e se tornam ou mulheres fatais, lolitas ou executivas ou dominadoras ou bem sucedidas na vida...
Quanto às mães, é evidente que sempre houve e há grandes excepções…Há e houve grandes mulheres e Mães que conseguiram, apesar do peso da sua vida e das suas lutas, passar coragem e amor para as filhas, dar-lhes dignidade…ninguém põe em dúvida isso, mas a nós interessa-nos apontar os casos comuns e os mais dolorosos…
Assim, não é de estranhar que muitas mulheres sintam esse nojo ou repulsa pelas outras mulheres, mas esse é o nojo e a repulsa que tem de si mesmas pelo facto de serem mulheres e é em geral inconsciente. Passa por instintivo, mas é apenas uma defesa...
Como nunca foram amadas pelas mães, elas não suportam esse sentimento vindo de outra mulher e isso reflecte-se no espelho de outra mulher que lhe seja próxima, na amizade, por exemplo...e comummente ficam angustiadas pelo carinho dessa amiga, se ele for manifesto, independentemente de ser ou não um interesse sexual, mas é quase sempre interpretado como aberrante, a ternura entre mulheres. Repare como a amizade das mulheres em geral (e como se vê nos filmes) é tão exterior, tão fútil, tão brejeira, tão apenas a falar dos homens e nas experiências sexuais com eles e na competição e jogos em que apenas os homens são o foco e a intriga e a competição…Que outros assuntos tratam as mulheres senão de homens e maneiras de os seduzir, ou ter filhos, etc? Casas e decorações, cosméticos, roupas, modas?
Não, elas não sabem de si mesmas, nem de si como Mulheres verdadeiras porque as mulheres se perderam delas mesmas e da sua alma…As mulheres perderam a sua essência e não são cúmplices entre si nem da natureza Terra Mãe…

rosaleonorpedro in Mulheres e Deusas

(REPUBLICANDO)


EM CONSEQUÊNCIA DISTO "A BARBÁRIE MACHISTA mantem todas as mulheres, sacrificando algumas, sob a força implacável e cega da violência em estado bruto. Sob a influência do medo. Medo de morrer. Diz-se muitas vezes que as mulheres aceitam a sua condição, embora nada as obrigue a fazê-lo. NADA? "*

*Isabelle alonso
in todos os homens são iguais...mesmo as mulheres

sábado, março 25, 2017

O RETORNO DA DEUSA


O retorno da Deusa no dia da Anunciação

Festa da anunciação, 25 de março, dia em que o arcanjo Gabriel desceu ao mundo dos Homens  para "fecundar", por via do Verbo, Maria com a semente de Deus, que nasceria dentro de nove meses, precisamente a 25 de dezembro - outra data especial no calendário de Outros Tempos. O deste dia é um marco primordial para as convicções cristãs, que para prevalecer por entre um arraigado culto banido, mascarou-se com o significado da maternidade divina, poucos dias depois do equinócio da primavera.

Hoje, celebra-se, com menos pompa e circunstância, o Retorno da Deusa, montada no seu felino ou nos alvos gansos, a soprar do seu corno a abundância pelos solos que começam a regenerar-se do frio. Ela traz também no seu ventre o filho que tornará a primavera na estação germinativa.  

Se é tempo de celebrar o mistério da Encarnação, que conferiu à Virgem o estatuto de "Mãe de Deus", também é o de saudar a portadora da energia crescente da luz e da vida. O seu espírito, outrora percionado por belas e cristalinas epifanias de Virgens envoltas por um véu de luz, e dotadas de poderes mágicos de cura, são reminiscências de Deusas como Birgit, Holda e Cíbele, Portadoras de Luminescência. 

Os romanos escolheram este mês para as  festividades de Hilarias, em honra de Cíbele, com ponto alto a 25 de março. A Deusa frígia que acolheram pela vitória concedida pela Mãe dos Deuses, a Magna Mater, na batalhas Púnicas. A grande deusa da fertilidade das Montanhas da velha Anatólia, progenitora e consorte de Átis, cultuada nas civilizações clássicas. A Ela, os romanos ergueram um templo no monte Palatino (de Palas, deusa original desse lugar) e promoviam o taurobolo (sacríficio do touro- ritual comum nas celebrações a Mitra, a 25 de dezembro). Março está carregado de simbolismo feminino, que atinge o seu apogeu em maio, agora  pela devoção popular ao culto mariano, sempre, embora não explicitamente, em estreita relação entre a fertilidade ecológica e a gestação de Maria. Os santuários da Virgem foram erguidos em locais de grande beleza natural, altaneiros -próximos do cerúleo, ou junto a nascentes de água com propriedades medicinais, ou em lendas de fecundidade da terra, salvando-a de pragas.

Sentem-se nestas antigas devoções, que se transferiam com outro tipo de carga emocional para a Virgem Maria, o respeito pelo cariz protetor, auxiliar e promotor das divindades femininas: pela consciência e respeito pelos ciclos naturais, pela fonte de vida. A Deusa é apenas o paroxismo da relevância da Mulher nos contextos mundanos e igualmente determinante para o desenvolvimento humano. A Astrologia Tradicional dá-nos nota dessa relevância de uma mãe próxima, zeladora, pedagoga e mistagoga, ao priveligiar a Casa X, o Meio Céu, o zénite numa carta astrológica, como domínio materno. Neste lugar de culimanação dos astros, não vislumbramos somente o poder temporal, as figuras de autoridade e as ações com impacto social, que tipo de projetos ou objetivos que um indivíduo seguirá ao longo da sua existência, ou mesmo a sua vocação e carreira: a Casa X é a dignidade Mãe. É sobre a mãe que recai a responsabilidade maior de orientar os filhos, de lhe prestar uma educação positiva, de lhe oferecer amplas oportunidades de crescimento físico, cognitivo e sócio-emocional. 
Os processos proximais, postulados na Psicologia de Desenvolvimento, afiançam esta certeza de senso-comum dos povos antigos e dos sábios da Antiguidade. A qualidade da responsavidade da mãe aos comportamentos oferece à criança um campo profícuo na capacidade de regulação dos mecanismos que lhe garantirão, mais tarde, a sobrevivência. A falta de uma resposta ou a negligência expõe a criança a níveis de stress que lhe causarão danos prejudiciais na arquitetura do Sistema Nervoso. A interação da criança com a mãe é determinante para o seu futuro como adulto: a resiliência, autoestima, confiança e vontade na escolha de uma vocação ou caminho a seguir ao longo do seu desenvolvimento até à velhice. A Mãe é, pois, a nossa maior autoridade na transmissão de valores, por isso merece estar no ponto soberano da roda zodiacal - como as Deusas, nos lugares altos da nossa natureza interna.

CRISTINA AGUIAR - autora do livro AS Máscaras da Grande Deusa


A MORTE DA MÃE





"E perante a dor das filhas a Mãe dissera:
- Não há paraísos perdidos, nem quedas, nem pecados:
todas as coisas se resumem nas duas faces do mesmo princípio."

In "A Morte da Mãe" de Maria Isabel Barreno



MAIS PATRISTAS QUE O PATER



"As mulheres têm o hábito ancestral de ficar em segundo lugar.
(...)
Talvez por essa razão, "a igualdade é um principio mal compreendido. As mulheres tentam desesperadamente entrar no Sistema, sem modifica-lo. Gastam as suas forças para fazer o mesmo que os homens, mas continuando a fazer o mesmo que a suas mães. Isto é impossível. Conservar as estruturas que excluem as mulheres é uma denegação de justiça. O dia de trabalho duplo, ou até triplo, não é nenhum mito, e todo o sistema social continua a ser adaptado pelos homens para os homens. Enquanto as mulheres não consideram como legitima a adaptação do mundo as suas próprias exigências, continuando a perder o seu tempo e a sua liberdade no stresse quotidiano inenarrável, que representa bem a sua vida actual."*

Eu acho muito curioso e sintomático - para não dizer uma desgraça - como as mulheres em geral, nomeadamente as políticas e intelectuais portuguesas, não tem a menor noção de como a ideia de "igualdade" não corresponde a nada do que se pretendia e que a razão disso tem toda a ver com o machismo das mulheres, pela a adopção da cultura e do ego masculino - tirando uma ou outra excepção -, ou mesmo as vanguardistas da cultura patriarcal, na verdade as activistas feministas e as intelectuais  são quase todas Atenas saídas da cabeça do Pai, já para não falar das mulheres do entretenimento televisivo, cuja cultura é nula,  e que têm um desprezo impercetível pelas outras mulheres, todas elas de uma maneira ou outra são Marionetas do Sistema e dos homens...e não se apercebem sequer como se reduzem a esse segundo lugar...subalterno e muitas vezes até ignominioso.

Eu vejo  mesmo muitas  mulheres que buscam uma verdadeira identidade e sairam dos padrões das feministas que continuam a ser patristas (às vezes mais patristas que o pater), como diria a Natália Correia, uma das poucas e raras escritoras portuguesas que teve consciência de si como mulher e do Paradigma da Deusa e que no seu discurso fazia toda a diferença, raramente  estas mulheres têm plena consciência do seu feminino integrado.  Elas continuam a ser cúmplices do sistema embora se digam participantes de uma nova consciência do mundo enquanto MULHERES, tentando serem fiéis ao Princípio Feminino e a uma Ecologia da Natureza e da Terra,  procurando agir no sentido de o modificar para dar um novo rumo às sociedades e as revitalizar,  e no entanto  em vez disso dedicam-se à politica do vício e do tráfico de influências, a política do medo, aos partidos corruptos, ao esquemas viciados ou escrevem memórias de mulheres frustradas, filhas do papá...obcecadas com os traumas e o sexo, as histéricas dos estudos de Freud e Lacan...e com os quais elas tanto se identificam...

 rosaleonorpedro

"O que sabemos é que, nestes últimos três mil anos, a civilização ocidental e suas precursoras, assim como a maioria das outras grandes culturas, basearam-se em sistemas filosóficos, sociais e políticos 'em que os homens
– pela força, pressão direta, ou através do ritual, da tradição, lei e linguagem, costumes, etiqueta, educação e divisão do trabalho – determinam que papel as mulheres devem ou não desempenhar, e no qual a fêmea está em toda parte submetida ao macho'." (p. 27)


"A noção do homem como dominador da natureza e da mulher e a crença no papel superior da mente racional foram apoiadas e encorajadas pela tradição judaico-cristã, que adere à imagem de um deus masculino, personificação da razão suprema e fonte do poder último, que governa o mundo a partir do alto e lhe impõe sua lei divina." (p. 38)

"Fritjof Capra explica muito bem a queda desse paradigma. Depois de passarmos pela era e queda dos combustíveis fosseis, com a troca de nossa matriz energética arcaica e cara pelo Sol, dai sim a civilização terá amadurecimento e clareza possíveis para essa quebra de paradigma, que pelo jeito esta ai a mais 10.000. Dentro de um milénio se a civilização não acabar (muito por culpa do patriarcado) teremos a chance de vermos um mundo de paz através do matriarcado."** C.L.


*Isabelle Alonso  in todos os homens são iguais ...mesmo as mulheres
**Fritjof Capra, O ponto de mutação. A Ciência, a Sociedade e a Cultura emergente, São Paulo, 26ª Reimpr., Editora Cultrix, 2006, 447 p.

quinta-feira, março 23, 2017

AGUSTINA BESSA-LUIS

"A Babel retirou os livros da escritora e diz à SÁBADO que não pode continuar a pagar tanto a uma escritora que vende tão pouco."

UMA GRANDE ESCRITORA PORTUGUESA
É RETIRADA DA BABEL. Dizem os responsáveis que não tem dinheiro para lhe pagar 1.500 euros mensais...


LEMBREMOS A ESCRITA FABULOSA DE AGUSTINA, A UM TEMPO REGIONALISTA E UNIVERSAL


"Falava muito, sempre de coisas da sua juventude, e não compreendia que o marido tivesse morrido (...) Nestes momentos, Germa cravava nas duas os olhos atemorizados e duvidosos; era como se o espaço extensíssimo duma época que não vivera se lhe colocasse diante sem que ela deixasse de sentir-se expulsa, mais do que distante, desse tempo morto, porém inesgotável. Nas ceias de Natal, quando todos ficavam reunidos na lareira (...) Germa ia deitar-se no quarto, onde Maria dormia já. Aquele sono agitado, que era como uma vivência entrecortada do passado, em que a avó se debatia, se erguia e pronunciava frases que eram o eco doutras
recebido o calor duma réplica, fazia-lhe medo (...) aqueles lábios murchos, aquele cérebro cansado, tinham para si o sortilégio dos velhos móveis, nos quais se auscultavam segredos, e se rondam, e se contemplam, como na obcecação dum mistério que resta insolúvel e acaso se pode encontrar. Apavora-se junto daquele ente encarquilhado e já tão débil.
(...)
Como esses faquires que se sepultam vivos numa cova profunda, ordenando um hiato de vida no seu organismo, assim a cor e o estuante processo da sua infância, com as suas emoções e personagens, jaziam soterrados dentro de si, não mortos, mas suspensos, não destituídos, mas conservados até nas particularidades que só o tempo e a experiência fariam compreender e notar.
(...)
Ficou na sua memória, como alguma coisa de dantesco, porém sem esse estertorar espasmódico das cenas infernais, mas antes extraordinariamente discreto, reservado, abafado como um atroador clamor que choca com uma superfície intransponível e ali se prende e ameaça e ruge, mais terrível do que se explodisse na ampliação dos ares, o dia em que a louca desapareceu e não pôde ser encontrada.
(...)
Germa sentiu uma saudade imensa da casa da Vessada, de todas as coisas recolhidas lá sem concurso do espírito, e cujo encanto, originalidade, perfume e graça se lhe revelavam agora, como aconteceria com uma matéria fóssil, morta, carvões sepultados na terra e que um dia surgem transmudados em condensações de raridade e beleza.
(...)
E as matanças, o cheiro de chamusco entrando pelas janelas, aquele agoniento odor de casco queimado na manhã límpida (...) o cheiro quente das vísceras empestava a casa, penetrava-a toda, estava na própria roupa, na pele, nos cabelos, no carcomido das caldeiras de cobre onde, na banha doirada, boiavam os rojões floreados de formas hepáticas ou cogumelos cinzentos (...) sobre a aldeia inteira parecia pairar o cheiro de entranhas quentes, ainda vivas, arrancadas a facão; vinha no vento, subia no fumo este fartum espesso, nauseante.
(...)
Este traço de seu caráter transmitiu-se a quase todos os filhos, e podia definir-se pelo ‘estilo hamletiano’, o choco de indecisão, a cobardia da violência, que se resgatam de súbito com um acto que transcende toda a razão.
(...)
Naquela casa, donde o homem ficava ausente largos dias e onde o pulso dele parecia indeciso e sem vontade, sentia-se sobrecarregada com um grande fardo que talvez a sua vida inteira fosse impotente para carregar.
(...)
Mais uma vez as mulheres ficaram sós. Acabara-se o turbilhão de visitas, convites, almoços (...) Abel tudo pagava, pois era perdulário mais do que generoso, mas daquela sua temporada na casa da Vessada ficou uma recordação pesabunda, de escravidão, que nenhuma fartura e nenhum oiro poderiam resgatar. O regresso à frugalidade foi uma libertação."


AGUSTINA BESSA-LUÌS, in "A Sibila", 1954

terça-feira, março 21, 2017

A MULHER ESVAZIADA...


UM MANIFESTO ARRASADOR...


"A individualidade feminina, da qual o homem é intensamente consciente, mas com a qual ele é incapaz de relacionar-se, de compreender ou alcançar emocionalmente, o assusta, o perturba e enche-o de pavor e de inveja. Assim, ele nega a individualidade das mulheres, e se dispõe a definir todo mundo, ele ou ela, em termos de função ou de uso, assegurando logicamente para si as funções mais importantes – médico, presidente, cientista – a fim de dar-se uma identidade, se não uma individualidade, e convencer, a si mesmo e às mulheres (teve melhor êxito convencendo as mulheres) que a função feminina é conceber e criar os filhos e relaxar, confortar e elevar o ego do homem; que sua função é, em suma, tornar-se trocável por qualquer outra fêmea."

"O efeito da paternidade nos meninos, particularmente, é transformá-los em “Homens”, ou seja, desenvolver um duro sistema de defesa contra todas suas tendências à passividade, à bichice, e aos seus desejos de ser mulheres. Todo menino quer imitar sua mãe, ser sua mãe, fundir-se com ela, mas o pai o proíbe. Ele é a mãe, ele se funde com ela; assim, ordena ao menino, às vezes directamente e outras indirectamente, que não seja um mariquinhas, e aja como um “Homem”. O menino, que se caga nas calças com medo de seu pai, que – dizendo de outro modo – lhe “respeita”, obedece e chega a se tornar como o pai, esse modelo de “Virilidade”, o ideal americano: o cretino heterossexual bem-comportado."

"O efeito da paternidade nas meninas é transformá-las em homens: dependentes, passivas, domésticas, bestiais, inseguras, ávidas por aprovação e segurança, covardes, humildes, “respeitosas” das autoridades e dos homens, fechadas, carentes de reacções, meio mortas, triviais, estúpidas, convencionais, insípidas e completamente desprezíveis. A Menina do pai, sempre tensa e temerosa, intranquila, sem capacidade analítica, sem objectividade, valoriza com medo (“respeito”) o pai e, consequentemente, os outros homens. Incapaz de descobrir o vazio por trás da fachada indiferente, aceita a definição machista do homem como ser superior, como mulher, e a definição da mulher, e de si mesma, como ser inferior, ou seja, como homem, o que, graças ao pai ela realmente é. "


IN MANIFESTO SCUM – VALERIE SOLANAS

OS FUNDAMENTALISMOS...



Islão a Miséria do desejo:
Sexo fora do casamento = posta em causa da paternidade


"O Islão e o neo-feminismo puritano judaico-Protestante têm em comum a castração dos machos para impedir o acesso às mulheres, o que tem por consequência uma certa forma de homossexualidade onde se resolve entre homens" - dixit Alain Soral.

"O sexo é um tabu complexo. Em países como a Argélia, a Tunísia, a Síria ou o iémen, ele é produto da cultura patriarcal do conservadorismo ambiental, dos novos códigos intransigência dos islamitas e puritanismos disc...retos dos diversos socialismos da região. Uma boa mistura para bloquear o desejo, fazer o culpado e o empurrar às margens e à clandestinidade...
O orgasmo não é aceite que após o casamento - mas sujeito a códigos religioso que o esvaziam de desejo - ou após a morte. O Paraíso e as suas virgens é um tema fetiche dos pregadores, que apresentam essas delicias de além-túmulo como uma recompensa aos habitantes das terras de miséria sexual. O Kamikaze em sonho e se submete a um raciocínio terrível e surreal: o orgasmo passa pela morte, não por amor."



O OCIDENTE

O Poder, Opressão e Dependência na Construção da Subjetividade

"A sexualidade, como manifestação biopsicossocial do ser humano, sofreu através da história, to...da a sorte de controlo por interesses diversos. Negada ou incentivada, a Igreja, o Estado e o poder económico sempre se valeram deste meio profundo do relacionamento humano (onde a afectividade e o prazer formam a base motivacional), para dominar, corromper, atemorizar ou lucrar. Actualmente a exploração comercial da sexualidade feminina, oferece uma ideia superficial, desvinculada do afecto, sustentada em modelos descartáveis, consumista, estereotipados e preconceituosos, com a imposição da estética e como prerrogativa exclusiva da juventude.(...)
Com o prazer vinculado a um corpo que engravida, que gera, que culpa e martiriza, as mulheres protegem-se num contrato social definido por leis, que longe de garantir-lhe este almejado prazer, obriga-lhes após tantas expectativas frustradas, à manutenção da relação dependente, neurótica, sadomasoquista para fugir, da categoria pejorativa criada culturalmente para as mulheres que estariam desprotegidas destas leis. Seriam as "descasadas", "mães solteiras", "largadas do marido", "as que estão em falta"."

Por Maria Alice Moreira Bampi

A BARBÁRIE MACHISTA


A PSEUDO EMANCIPAÇÃO DA MULHER...

"Num período de trinta anos, com a liberdade de contracepção e de aborto, o corpo das mulheres passou de zona ocupada a zona livre. Livre sob vigilância. dentro da gaiola. Sob o domínio do principal perigo: o ocupante. O homem. O predador: Aquele que estabelece os limites. Que dispõe. Que controla: O sexo dos homens pode ser uma arma. O cérebro deles pode conter o inimigo mortal. Todas nós o sabemos. Isto devia manter-nos atentas..
(...)
Os homens exercem colectivamente um controlo permanente sobre a mulher. O trabalho sujo cabe aos menos escrupulosos, que fazem com que algumas infelizes paguem caro. E o seu destino acaba de ser aviso a todas as outras.
(...)
Este assunto só é pontualmente mediático, nunca é tratado com a devida profundidade. Não é entendido como uma calamidade evitável, não suscita nenhuma mobilização especial. Para que o tema seja propagada pelos Media, mais vale escolher causas com a sida (ou o cancro*). As primeiras têm direito a toda a atenção, a serões televisivos e pequenas fitas vermelhas (ou cor-de-rosa*) de solidariedade. Para as ultimas, só existe o silêncio, a condescendência voyeurista e o olhar vazio da indiferença.

A BARBÁRIE MACHISTA mantem todas as mulheres, sacrificando algumas, sob a força implacável e cega da violência em estado bruto. Sob a influência do medo. Medo de morrer. Diz-se muitas vezes que as mulheres aceitam a sua condição, embora nada as obrigue a fazê-lo. NADA? "

Isabelle alonso
in todos os homens são iguais...mesmo as mulheres

segunda-feira, março 20, 2017

A PRIMAVERA...


A ENERGIA DO MOMENTO



" ... existem vários tipos de Fogo, sendo o mais óbvio o Fogo da matéria, aquele que produz a luz e o calor de que necessitamos para a nossa sobrevivência, para... cozinhar os alimentos e para nos aquecermos e termos conforto. De outro tipo é o Fogo emocional que aquece os nossos corações, transbordando no caloroso abraço curador, o Fogo do entusiasmo que em Grego significa "en" + "theos", que possivelmente terá sido "en" + "thea", literalmente " na Deusa". Tal como o Fogo físico, o Fogo emocional, pode ser devastador nos seus excessos, quando se manifesta como impaciência, frustração, ódio, raiva ou fúria.
Sobre Agni, o Fogo do espírito, é referido nos antigos textos védicos que ele é o mensageiro entre a divindade e o ser humano. Igual ao Fogo do Sol, ele estabelece um vínculo entre a consciência humana e a consciência cósmica.
Essa energia espiritual existe em nós como o Fogo da Kundalini, que permanece adormecido na base da coluna vertebral, podendo despertar e passar através dos chacras, do da base até ao da coroa, permitindo experiências místicas que designamos por Iluminação."
(...)

" Ostara é o festival da Mãe do Fogo e da Luz, direcção Este, onde nasce o Sol. O nome Ostara tem origem em Eostre, Deusa da fertilidade da m...itologia nórdica e germânica. O culto desta Deusa, entretanto, foi tão importante que em inglês é do Seu nome que provém a palavra que designa Páscoa, " Easter". Também o estrogénio, conjunto das hormonas relacionadas com o controlo da ovulação e o desenvolvimento de características femininas, toma desta divindade a sua designação.
Este é o festival do Equinócio da Primavera, que no Hemisfério Norte ocorre por volta de 21 de Março, marcando o fim do inverno e o início da nova estação. Como nos diz a própria palavra Equinócio, o dia e a noite têm neste momento a mesma duração, mas os dias vão agora progressivamente tornar-se maiores e mais quentes e as noites mais curtas. Trata-se duma época do ano muito auspiciosa, porquanto todas as forças da Natureza se põem em acção para o renascimento da vida.
(...)
Se tivermos sorte, será possível regalar a vista com o vislumbre duma dessas maravilhas da arquitetura natural, abrindo ovinhos das mais deliciosas tonalidades e diferentes tamanhos, que enchem a terra de promessas de abundância e de renovação na forma de pequeninas criaturas cujo chilreio é o próprio som da Primavera.
De todos os momentos do ano, este é daqueles que mais nos arrebatam pelo novo alento que sentimos, porque a vida definitivamente retorna, e tal como acontece com a Natureza, também nós nos sentimos renascer, energizadas pela luz e pelo calor do sol, cada dia mais intenso.
(...)
Neste festival honramos Cale do Fogo, a Mãe do Fogo, Aurora, Trebaruna, Drusuna, Artemis, Sul, a Grande Mãe Ursa, Murça, e honramos ainda a Hespéride Marciana, a Senhora da Aveleira.

IN " A DEUSA DO JARDIM DAS HESPÉRIDES"
De Luiza Frazao


O QUE É QUE SE REPETE NA HISTÓRIA?



PORQUE QUEREM AGORA OS GOVERNANTES MUNDIAIS QUE A MULHER VOLTE PARA O LAR?

2017 - O que marca os discursos de Trump Putin e Temer e o polaco nazi deputado da União Europeia?


“A grande obsessão dos homens continua a ser a liberdade das mulheres: já não se trata de queimar uma boa parte delas, como no tempo das bruxas, mas a lei, uma vez que o Estado tem condições de, em nome da sua soberania, promulgá-la e fazê-la aplicar, é um meio que permite refrear a ...autonomia de todas as mulheres. Impedidas de ser um poder real, perdem esse outro poder que em tempo de incerteza sobre a sua identidade os homens lhes tinham imaginado: as bruxas podem desaparecer. A vassoura que outrora lhes servia para fugir do lar será doravante usada pelas mulheres...para varrer, reencontrada uma serventia que nunca devia Ter perdido.” (...) in As Putas do Diabo - de Armelle Le Bras-Chopard

Caça às bruxas

“Por que eles tinham misoginia (aversão à mulher)? Porque os homens foram para as Cruzadas pegar territórios dos islâmicos e levaram uma surra. Passaram 400 anos levando uma surra. Foi nesse tempo que as mulheres tomaram o poder na Europa. Quando os homens voltaram, queriam o seu lugar. Aí começa a caça às bruxas.”


“Quem eram as bruxas? Eram as mulheres que possuíam pequenos feudos e eram sábias e orgásticas. E não tinham quem as protegesse. Quem as denunciava eram os donos de terra. E foi assim que fizeram as nações: em cima dos corpos queimados das bruxas.”
Deusa do fundo da terra
“O ser humano era nômade. Não havia propriedade privada de nada. Não tinha um deus masculino, era uma deusa. O deus macho, completamente masculino, começa com a lei do mais forte. Não é mais uma deusa do fundo da terra dando comida, de onde tudo sai e tudo volta depois que morre. Mas um deus de cima para baixo, controlando os corações e as mentes e olhando tudo com um olhar repressor.”

Rose Marie Muraro


domingo, março 19, 2017

A TI MÃE




"A ti Mãe, primeira maravilha dada aos meus olhos, dedico estes poemas. Subida da tua carne a minha luz pertence-te. Toma a minha luz  e a minha alegria e este desespero que floresce à sombra do teu mistério. " - Natália Correia

A Mãe encolheu-se em fundo escuro.
(pag. 41 e 41)

"As mulheres caladas, escondidas atrás das portas, das cortinas. A histeria, discurso do útero, só tem lugar na loucura. A Mãe foi cuidadosamente embalsamada: retiram-se todas as tripas, e rechearam-na com o falo transcendente.”
(pag. 308)

Isabel Barreno, A Morte da Mãe, ed. Caminho

sábado, março 18, 2017

NÃO HÁ HOMENS NEM MULHERES...


"A cultura heterossexual masculina é homoafetiva;
ela cultiva o amor pelos homens." *


“Dizer que um homem é heterossexual implica somente que ele mantém relações sexuais exclusivamente com o sexo oposto, ou seja, mulheres. Tudo ou quase tudo que é próprio do amor, a maioria dos homens hétero reservam exclusivamente para outros homens. As pessoas que eles admiram; respeitam; adoram e veneram; honram; quem eles imitam, idolatram e com quem criam vínculos mais profundos; a quem estão dispostos a ensinar e com quem estão dispostos a aprender; aqueles cujo respeito, admiração, reconhecimento, honra, reverência e amor eles desejam: estes são, em sua maioria esmagadora, outros homens. Em suas relações com mulheres, o que é visto como respeito é gentileza, generosidade ou paternalismo; o que é visto como honra é a colocação da mulher em uma redoma. Das mulheres eles querem devoção, servitude e sexo. A cultura heterossexual masculina é homoafetiva; ela cultiva o amor pelos homens.” *


Concordo com tudo o que autora diz, mas a premissa está diria errada de principio e no sentido do que isso significa desde a origem do patriarcado que fez do homem o Herói, o Conquistador, o Deus e o Mestre... e da mulher "a santa e a puta"...Assim, e logo à partida,  dividindo  as mulheres em duas espécies em função do Sistema como a geradora de filhos - e por outro geradora de prazer e corpo objecto  - ele criou um fosso entre o verdadeiro feminino que deixou paulatinamente de existir e o masculino que também foi desviado do seu feminino, exaltadas as qualidades de foça bruta e poder e todo o falocracismo das armas, desde as espadas ao canhão, prolongamento do Falo masculino, acabando por acontecer nas relações humanas  que as emoções nos homens foram diminuídas - um homem não chora e é considerado só homem quando mata (um simples filme de cow-boys nos mostra isso ) - ...e portanto não  há relação emocional nem no casamento (menos ainda com as prostitutas)  com as mulheres em geral e limita-se a cumprir o dever familiar com a "esposa" ou do prazer genital na rua ou no bordel, onde leva o filho adolescente para se fazer homem ...Sem dúvida que a mulher ao ser diminuída  como individuo desde menina quer aos olhos do irmão do pai ou  do amigo - desfeita e reprimida na sua expressão natural de fêmea e da sua sensualidade (é vergonha mostrar as pernas e deve comportar-se bem), se fecha na sua expressão instintiva de ser mulher tal como o homem é afastado das suas emoções e ridicularizado se for afeminado e assim ele  é levado a apenas a se expressar sexual e genitalmente de forma agressiva com qualquer mulher, ele não podendo ter sequer uma relação emocional com as mulheres em geral. E portanto, o homem, ou vive o mito ainda - o que resta do par romântico - ou depravadamente e sem qualquer sentimento a sexualidade casual a pornografia e a violação. E os nobres sentimentos - começando pelo mito do pai herói ele só se vê e reconhece nos homens seus iguais...e assim ao longo de séculos se afastou a mulher de sim mesma  e o homem da mulher - criando cada vez mais homossexuais e pederastas ou até pedófilos...
 

"Por outro lado como nos diz Valeria Solanas*" A individualidade feminina, da qual o homem é intensamente consciente, mas com a qual ele é incapaz de relacionar-se, de compreender ou alcançar emocionalmente, o assusta, o perturba e enche-o de pavor e de inveja. Assim, ele nega a individualidade das mulheres, e se dispõe a definir todo mundo, ele ou ela, em termos de função ou de uso, assegurando logicamente para si as funções mais importantes – médico, presidente, cientista – a fim de dar-se uma identidade, se não uma individualidade, e convencer, a si mesmo e às mulheres (teve melhor êxito convencendo as mulheres) que a função feminina é conceber e criar os filhos e relaxar, confortar e elevar o ego do homem; que sua função é, em suma, tornar-se trocável por qualquer outra fêmea."*

Temos  que dizer para perceber melhor este quadro, em relação ao texto apresentado, que também as mulheres heterossexuais vivem relações de emocionalidade entre mulheres... só que estas se invertem nos termos das emoções citadas em relação aos homens como homo-afectivas, pois elas raramente se manifestam ser de cumplicidade entre mulheres como com os homens e sim verificamos o seu contrário: as mulheres entre si odeiam-se e são rivais; Em vez de nutrirem  amor pelas outras mulheres nutrem o ódio...ou inveja. Em vez de admirarem, respeitarem, venerar e honrar, ou amar  as outras mulheres, elas odeiam-se entre si por causa da competição do macho e da forma como foram divididas entre a santa e a puta. Assim cada mulher que esconde a sua prostituta e inveja a outra e vice-versa, que se comporta como tal para ela, odeia-a com medo de esta se tornar uma rival, o seu outro lado recalcado... Assim, além de os homens heterossexuais amarem os homens, comparativamente, as mulheres entre si odeiam-se, a começar  pela mãe e irmã muitas vezes...e adoram o Pai o irmão etc.  Elas querem ser como o pai...e reivindicaram esses direitos e igualdade e hoje em dia temos uma mulher macho com um ego masculino a fazer o que os homens fazem...e continuando a odiar as outras mulheres. Em suma, são tudo vantagens para os homens...embora eles fiquem também a perder por não SABER A MULHER...

Dou só mais um exemplo: no caso dos filhos de mães modernas, por exemplo, divorciadas ou separadas, eles nunca conseguem ver a mãe como MULHER, tal como os pais...não conseguem perceber que ela tenha direito a uma vida própria ou a uma liberdade significativa seja sexual seja afectiva além do pai...poderão aceitar aparentemente e hoje em dia forçados  pela cultura moderna que dizia que sim, que a mulher teria esse direito, mas agora tudo isso está em vias de cair por terra e o que vemos é que eles no fundo nunca aceitaram...
lamento muito dizer isto as mães que amam tanto os filhos, mas mais tarde ou mais cedo a mulher vai acabar por perceber isso e mais vale estar prevenida. Eles não têm culpa...o Sistema é avassalador...e da mesmo maneira que desfeiteou a mulher e a tornou um objecto de prazer e de reprodução ao homem tornou-o um igualmente um objecto de produção  - um escravo do trabalho na verdade - e um objecto de guerra...Isto é o Sistema Patriarcal desde há milénios, o que mudou foi apenas a tecnologia e os bens de consumo e produção...
A única solução que eu vejo é realmente a Mulher Integral, a Mulher que consegue unir as duas mulheres em si - não ser mais uma ou outra, embora na balança das duas tenda agora a inclinar-se para o outro lado e a fazer representar a mulher mais como a puta do que a santa, quando ela se deve reunir ao centro - pelo fiel da balança -  acedendo a essa Consciência Ontológica, ao Feminino Sagrado, à sua Visão - Intuição, e recuperar essa Mulher instintiva que foi recalcada para dar lugar a mulher formatada pela sociedade secular - uma mulher objecto - e rever a sua História para lá do patriarcado.

rlp

* FRYE, Marilyn. “Politics of Reality: essays in feminist theory”. Trumansberg, N.Y.: The Crossing Press, 1983, p.135.

*IN MANIFESTO SCUM – VALERIE SOLANAS

quinta-feira, março 16, 2017

As mulheres estão cegas...




O MUNDO ESTÁ CONTRA AS MULHERES E AS MULHERES NÃO QUEREM VER...



POR TUDO o que está a acontecer no mundo contra as mulheres só vos peço a vocês mulheres que querem lutar por um mundo melhor e por uma justiça verdadeira entre todos os seres humanos, para verem bem  o quão distantes estamos ainda dessa Mulher integral, dessa Essência feminina e do nosso centro gravitacional que nos atrai para a Terra e VER - como mulheres - sim,  OLHAR como se fosse a primeira vez como estão a ser  inconscientes do que está acontecer às mulheres no mundo; olhar bem  para o que a mulher sofre todos os dias só por ser mulher e ver tudo o que nos estão a fazer -  ver o que está por detrás destas politicas e destes Presidentes (seja o americano, russo e brasileiro todos a dizerem o mesmo ao mesmo tempo) e os seus discursos machistas e misóginos, de novo  a reduzir a mulher à casa e à economia do lar para dar trabalho  aos homens desempregados nesta crise global. Vejam como há um estratagema conjunto e mundial....

Vejam como isto faz parte do movimento de destruição da liberdade da Mulher num futuro próximo - vejam como os homens são todos sempre tão solidários com os outros homens  e nem se questionam sobre o sofrimento das mulheres; Eles falam só de solidariedade para com os migrantes, os fundamentalistas islâmicos que recebem dentro de casa...  MAS das mulheres e das meninas mortas e ultrajadas por esses homens brutais, o seu ódio às mulheres, a sua pedofilia mascarada, e eles nunca disseram nada. Não há solidariedade alguma para com as mulheres mortas e espancadas nos países desses bandidos nem para com as mulheres violadas por eles nos países que os receberam etc. Os europeus estão cegos e ou então estão na verdade coniventes com esta agressão as mulheres no mundo. Há alguns anos que tenho denunciado isto...e cada dia tudo piora...mas a marcha das Mulheres não se opõem porque até elas estão do lado desses migrantes e das vitimas da guerra sem verem que são elas sempre as vitimas preferenciais de todas as guerras...as mulheres também estão cegas.

Se este perigo e ameaça a nossa integridade  não serve de nada para nos chamar a nós, não à razão - porque todas temos razão - mas chamar -nos a nós  como indivíduos sempre sacrificados na história do patriarcado em todas as guerras e revoluções, nós estamos perdidas. Se não se voltarem para  a nossa percepção profunda, chamar a nós a nossa Intuição, ser essa Vidente, e voltar ao seio da Terra Mãe, estamos condenadas a mais um retrocessos histórico e cultural através desta invasão bárbara que nos assola cada dia mais óbvia, programada por forças obscuras que governam o mundo... 
Se nós não acordarmos para o nosso potencial a nossa força e apelarmos à Mãe com todas as nossas forças da nossa alma,  se não o fizermos AGORA ...então estamos perdidas...completamente perdidas de nós mesmas e de tudo o que seja o nosso propósito aqui e  na vida, e então não sei. Seremos uma vez mais vencidas pelo Sistema e pela Patriz de Controle - o Homem domina  e nós submetemos-mos em nome do amor de deus e do Pai...
E como vejo tantas mulheres que falam do feminino sagrado a defenderem esses bárbaros e desgraçados...sim, são vitimas das suas guerras e religiões e há mulheres e crianças mas são essas mulheres e  crianças as suas primeiras vitimas -   a mulher é sempre vitima -, e vejo estas mulheres, feministas e esquerdistas  ou algumas  intelectuais também na sua ilusão de que o Sistema democrático  as abranja e que lutam por igualdade, uma "igualdade" que as torna machos e as destrói em si mesmas ...e elas não veem a sua cegueira - então que elas não me venham falar de mulheres,  nem da Deusa...por amor de deus... falem de Alá...
rlp


quarta-feira, março 15, 2017

QUANDO A MÃE FALA


O CORAÇÃO FALA MAIS ALTO...

"HOJE de madrugada apeteceu-me escrever sobre a Rosa Leonor, mas não quis levantar-me no meio da noite, tenho dormido mal e depois de dia, durante o trabalho me vem o sono e ando de rastos... não sei se terei tempo de fazer o texto todo como me veio à mente, mas deixo aqui a essência...

No outro dia ela falava de não ter conseguido êxito ou alguma obra material palpavel, ou sucesso, na forma como o mundo o define... mas visto de alguma outra forma, nao sei explicar qual, se através da consciência, através da energia, de uma sutil ou invisivel cor ou força, outra forma de organização sensorial... tu és uma empresária de grande sucesso Rosa Leonor Pedro... o seu produto e serviços oferecidos ao público, ano a ano tornaram-se de excelência, atingindo cada vez um público maior e mantendo na maior parte, 'consumidoras' com grande fidelidade empresarial... sua empresa cresce e a consciência do feminino, seu produto de ponta, a sua montra, se pudessemos ver na forma de uma cor ou de um acessório qqr, algo que materializasse, algum símbolo que as pessoas, homens e mulheres usassem pra que de fato pudessemos ver, mas paradoxalmente so podemos intuir ou imaginar, atinge e desperta cada dia mais mulheres, e também homens - eles também precisam despertar para o fato de que seu lado feminino foi apagado, censurado e obstruído... 
Então, na madrugada veio-me esta imagem da Rosa como grande empresária de sucesso... como se no futuro pudessemos medir 'o sucesso' não por meio de bens materiais, mas por obra reconhecida, feito memorável, de mudança da sociedade - de alguma maneira que atualmente ainda não temos tecnologia pra isso, de facto, no futuro, poderão as gerações olhar pra trás e ver a empresa da Rosa e seus frutos... sua riqueza que não pode ser mensurada por meio de meios materiais... é mal comparando como Van Gogh, que viveu na pobreza a vida toda, mas deixou sua obra e mudou a arte de forma irreversivel... também seu legado ficará Rosa, depois que partires desta encarnação e continuará a proliferar e a crescer e a 'ganhar novos mercados' e a ser reconhecido e valorizado, fazendo eco no coração de cada mulher do futuro tocada pela consciência do feminino sagrado, este fogo que tu tão bem se esmera em cuidar e manter acesa a chama...
Todos os dias incansavelmente se dedica a tua empresa, desde que acorda até ires dormir, como empresária perfeccionista virginiana disciplinada, com excelência e com determinação e zelo... não arreda um milimetro no seu padrão de qualidade, não nivela por baixo, não abre mão de manter o foco... para as medidas de sucesso que temos hoje, nomeadamente material, não podemos classificar sua empresa e seu produto nem aferir a quantidade de consumidoras afetadas mundo afora... mas descansa que te digo: dia a dia teu negocio só cresce e sua empresa prospera... e no futuro saberão que nestes dias aqui vividos e testemunhados por nós, és sem dúvida uma das empresárias mais bem sucedidas do seu tempo... e aquele desejo que tiveste na infância, de que a 'nossa senhora de Fátima' aparecesse também pra ti e falasse contigo... Ora bem, ela está contigo todos os dias e a trazes nos braços todos os dias... é a sua grande sócia... ou de onde você acha que vem toda essa sua veia empresarial que nunca se abate nem descansa??? Pois, vem dela... ao pé de si o tempo todo. "

Juliana Xavier

AS DIVINDADES

"SEM MÃE NÃO SE VIVE, SEM MÃE NÃO SE MORRE"


" Nenhum corpo, em todo este Universo, pode ter a sua existência sem recorrer a essa Prakrti Devi, a Shakti encarnada. Seja ele uma Devi*, um ser humano ou um pássaro, ou uma serpente, Gandharva**, Rakshasa", Pisacha", uma montanha ou uma árvore, não pode mover-se, nem mesmo por vontade própria, sem a ajuda desta Força."


DB,KDV
*Deusa
**seres celestiais do sexo masculino e músicos exímios, conotados como anjos ou arcanjos
"demónio
""bruxa

Vou morrer...



ENTROPIA DA CONSCIÊNCIA

É "Um abaixamento do nível da consciência, uma condição mental e emocional experienciada como uma “perda da alma”. É um afrouxamento na intensidade da consciência que é sentido como falta de interesse, tristeza ou depressão, e que as vezes acontecem de forma tão intensa que simplesmente toda a personalidade se desmorona perdendo assim sua unidade. Entre as causas que a provocam estão a fadiga mental e física, o adoecimento do corpo, emoções violentas e choque traumático restringindo a personalidade como um todo.
Acontece com pessoas que foram uma grande personalidade em outras reencarnações, no presente não suportarem o peso sob influência do seu passado de sucesso, as condições de agora são diferentes, os meios de vida são outros, mas seu coração pulsa por lugares distantes, isto é um consolo."

(perdi  rasto do autor - se alguém souber?)


A MORTE

"- Vou morrer — disse a custo.
— Não me queixo de uma sorte que partilho com as flores, com os insectos, com os astros. Num universo onde tudo passa como um sonho, seria censurável durar sempre. Não me queixo de que as coisas, os seres, os corações sejam perecíveis, porquanto parte da sua beleza é feita desse infortúnio. O que me aflige é que sejam únicos. Antigamente, a certeza de obter em cada instante da minha vida uma revelação que não mais se repetiria constituía... o que havia de mais luminoso nos meus prazeres secretos: agora, morro envergonhado como um privilegiado que tivesse assistido sozinho a uma festa sublime que apenas terá lugar uma vez. Queridos objectos, apenas tendes por testemunha um cego à beira da morte ... Outras mulheres hão-de florescer, tão sorridentes como as que eu amei, mas o seu sorriso será diferente, e aquele sinal que me apaixonava na sua face de âmbar ter-se-á deslocado a espessura de um átomo. Outros corações hão-de ceder ao peso de um amor insuportável, mas não serão nossas as suas lágrimas. Mãos húmidas de desejo continuarão a enlear-se sob as amendoeiras em flor, mas nunca a mesma chuva de pétalas se desfolha duas vezes sobre a mesma felicidade humana."


Marguerite Yourcenar, in "O último amor do príncipe Genghi"

terça-feira, março 14, 2017

SENTIR MULHER


A GRANDE DIFERENÇA:
Matrismo sim, e não feminismo...


"Acho que não vale a pena a mulher libertar-se para imitar os padrões patristas que nos têm regido até hoje. Ou valerá a pena, no aspecto da realização pessoal, mas não é isso que vem modificar o mundo, que vem dar um novo rumo às sociedades, que vem revitalizar a vida. Ora bem, a mulher deve seguir as suas próprias tendências culturais, que estão intimamente ligadas ao paradigma da Grande Mãe, que é a grande reserva, a eterna reserva da Natureza, precisamente para os impor ao mundo ou pelo menos para os introduzir no ritmo das sociedades como uma saída indispensável para os graves problemas que temos e que foram criados pelas racionalidades masculinas. E no paradigma da Grande Mãe que vejo a fonte cultural da mulher; por isso lhe chamo matrismo e não feminismo."

Natália Correia, in 'Entrevista (1983)'

O FRACASSO DO FEMINISMO

Este excerto de uma entrevista da Natália Correia é de uma importância desmedida porque nos remete para a questão essencial da Mulher de hoje e aponta para a grande solução - resposta ao que o Feminismo tem feito e as feministas lutado, em nome de uma igualdade de direitos e liberdade sexual, fazendo com que a mulher se tornasse mais um homem do que mulher e perdesse toda a ligação à  sua Matriz que é a Mãe ou a Grande Deusa e a Natureza. Essa matriz que devia ser a fonte cultural da mulher e não o homem e os seu deus pai.
Ela aponta para um aspecto essencial que passou desapercebido as feministas em geral que é a Mulher ser DIFERENTE  e bem diferente do homem, e isso nem sequer foi equacionado em termos psicológicos ou biológicos, muito vagamente aliás em termos de a mulher ter 3 dias de descanso por terem o período e também na gravidez - mas que logo a seguir e sem sentido, só porque se trata de "igualdades" os homens também tiveram esses direitos tal como hoje querem ser mães, mas já lá vamos a essa aberração. E digo que o feminismo foi um fracasso em termos ontológicos - deixando de parte todas as supostas vantagens materiais que hoje a mulher pode ter e antes não tinha -   porque negou a vida do espírito e a alma feminina  não só pela masculinização da mulher, ao adoptar o ego masculino como referência para si, mas  também pela negação-omissão desse plano da sua existência essencial que a liga ao Útero, à maternidade, ao Dom de dar a vida. Desligou-a da Natureza primordial a que ela está instintiva e  intrinsecamente ligada pelos seus processos biológicos e que o reducionismo de uma ciência também ela baseada no estudo do Homem, o materialismo dialético e as ideologias marxistas em geral, o capitalismo e o consumismo, contribuíram de forma insidiosa para a alienação da mulher de si mesma como ENTE e em termos do sentido do sagrado da Vida e de si mesma enquanto Mulher Inteira. Passo a explicar: O feminismo não viu o drama da mulher como ser bipartido...isto é, o feminismo ignorou a grande cisão secular e os seus efeitos dentro e fora da mulher - a divisão da mulher em duas espécies de mulher - antes a esposa e a prostituta - e aceitou apenas que a mulher que era a esposa e estava circunscrita ao lar  passasse  a trabalhar fora, mas continuou a aceitar a prostituta, a mulher da rua, a mulher de parcos recursos que não se casou ... ou a mulher que sendo uma mulher só, solteira ou viúva, e por isso "SEM ABRIGO" que a sociedade não considera nas suas leis a não ser no aspecto laboral e sexual - como objecto de prazer do homem.
 Desta forma eu considero que foi um fracasso das feministas...e porque o que agrava tudo isto é que o feminismo não só foi totalmente desvirtuado e aproveitado pelo Sistema em seu próprio beneficio como o  tornou comparável ao machismo...e quer os machistas quer  os homossexuais hoje defendem uma igualdade  para todos...incluindo travestis e transexuais...
Tudo isto deixando a Verdadeira Mulher para trás e em negação da Mulher Anima da Mulher Essência, para a mulher comum ser hoje apenas uma referência travestida de mulher, sem alma nem dignidade. Isto é duro de se escrever, mas o que eu verifico hoje em dia é que essa ignorância da divisão da mulher em si, uma divisão secular que marca a mulher desde menina pela educação pa traircal - a já proclamada imagem de "nem santa nem puta", a verdade é que todas as mulheres masculinizadas se tornaram a imagem da puta ou seja o travesti que o homem criou da mulher para si, reduzindo-a  uma imagem de marca e de consumo, no cinema, da moda e na arte...da cultura falocrática e ao serviço do homem...e em que vemos a mulher denigrida e reduzida a mais vulgar imagem de degradação - nas revistas e na pornografia etc.
Portanto, as mulheres esqueceram as suas próprias "tendências culturais" no caso penso que seja a sua relação com o instintivo e a Terra Mãe para ser quase uma mulher de plástico, uma mulher cheia de silicone e de botox, com um corpo padronizado  ou até mesmo substituída por bonecas de borracha, insufladas  ...Isto diz-nos muito de como a mulher foi esvaziada de sentido e das próprias entranhas e de um SENTIR MULHER, que o homem já a substitui e recorre  a uma boneca ...Portanto o afastamento da mulher da sua essência feminina ou da verdadeira natureza da mulher seja da sua sensualidade ou da sua própria sexualidade vivendo o sexo em função d prazer do homem que já não é reconhecida nem achada neste Paradigma, em que cada vez mais homossexualidade domina a cultura e a sociedade mundana...
Ora o que aconteceu foi que ao invés de evoluirmos no sentido da integração dos polos opostos - feminino masculino, principio do universo (Yin-Yang) no sentido da evolução humana do casal, tendo em conta as diferenças naturais entre os dois e a complementaridade de polos opostos se integrarem, o que hoje existe é uma deformação geral do que é não só a mulher em si mas também do que é o homem em si. Falta a visão da Mulher alquimica, da Mulher eterna.
"A visão da mulher tem um papel importante na Obra de Alquimia.
A mulher que se vê - companheira, amante, ou deusa iniciadora - é a projecção de um oposto a integrar nessa união superior a que se aspira.
É a força transformadora, ela mesma transformada - em mineral, vegetal, animal, ou ainda num dos elementos, ou um astro, ou logo em divindade "(...) Y.K.Centeno

E a grande tragédia disto tudo é que ao deixar de haver essa Mulher anima deixou de haver Homem animus,  para se  criar uma coisa hibrida dos seres humanos e que já não são nem homens nem mulheres, remetendo-nos para um grave problema de identidade que estamos a viver em que a desordem e o desequilíbrio das partes constitutivas de cada ser são anuladas e ninguém já saber quem é quem. 
Para finalizar queria apenas sublinhar  que a prostituição do corpo da mulher se alargou ao seu útero e já não apenas ao sexo...A mulher que era a esposa e mãe do homem, ao tornar-se "barriga de aluguer" prostitui o que de mais sagrado há na mulher, a maternidade, e deixará assim paulatinamente de ter qualquer papel neste Sistema Patriarcal. E é aqui que atingimos a derrocada final deste Paradigma falocrático e do Império do ego masculino, pelo domínio e imperativo do Pai, agora comprador directo do filho ao alugar-comprar o útero da mulher e prescindindo da função mulher-mãe que já não quer como "companheira"-  porque rico, futebolista ou gay...mostra claramente a sua misoginia ou ódio à mulher; E agora temos não só os machistas da velha guarda, a extrema esquerda e a extrema direita, a querer destruir a mulher e a mãe como os homossexuais e o lobby gay...Um mundo só de homens onde a mulher não passa de um verbo de encher reduzida a nada ou a um travesti decorativo - um corpo objecto...
O que os homens sempre sonharam, um mundo sem mulheres, como diria a personagem Jazão da peça Medeia de Eurípedes

"Ah, se houvesse outra forma de gerar os filhos, sem a mulher, que feliz seria esta vida"
- Assim, perdendo a Mãe perde-se em definitivo a Matriz da Deusa e da natureza para seguirmos para um mundo cada dia mais robotizado e pervertido ONDE MULHER NÃO ENTRA.

rosa leonor pedro



AMVC - "Doctor"



NASCER MULHER...

segunda-feira, março 13, 2017

A MULHER COMO MEDIADORA



DE VOLTA A CASA...

Existe no âmago de todas as mulheres o que Toni Wolffe, uma analista junguiana que viveu na primeira metade do século XX, chamou de "mulher mediadora". A mulher mediadora se posiciona entre o mundo da realidade consensual e o do inconsciente místico, fazendo mediação entre eles. Ela é o transmissor e o receptor entre dois ou mais valores ou idéias. Ela é a que dá à luz novas idéias, transmuta velhas idéias por idéias inovadoras, faz a comunicaçã...o entre o mundo do racional e o do imaginário.
Ela "ouve" coisas, sabe "coisas" e "pressente" o que virá a seguir. Esse ponto a meio caminho entre os mundos da razão e da imaginação, entre o raciocínio e o sentimento, entre a matéria e o espírito — entre todos os opostos e todas as nuanças de significado que se possam imaginar — é o lugar da mulher mediadora.
(...)
Ela é capaz de viver em todos os mundos, no mundo superficial da matéria e no mundo distante, ou mundo oculto, que é o seu lar espiritual, mas ela não consegue ficar muito tempo na terra. Ela e o pescador, a psique egóica, geram um filho que também consegue viver nos dois mundos, mas que não consegue ficar muito tempo no lar da alma.
(...)
A Mulher Selvagem é uma combinação de bom senso e senso da alma. A mulher medial é o duplo de si mesma e tem também essa dupla capacidade. Como a criança na história, a mulher medial pertence a este mundo, mas tem condição de viajar até os recessos mais profundos da psique com facilidade. Algumas mulheres nascem com esse dom. Outras mulheres adquirem essa capacidade. Não importa a forma pela qual se chegue a ela. Um dos efeitos da regularidade na volta ao lar está no fato de a mulher medial da psique sair fortalecida toda vez que a mulher vai e volta.


CLARISSE PINKOLE ESTEES
MULHERES QUE CORREM COM OS LOBOS

EU QUEIXO-ME...



Os treze atributos da bruxa.

1 - As bruxas não se queixam. Aceitam que o que foi e não pode ser mudado e o que interessa é daqui para frente. Não quer dizer que não expressem dor, mas não se lamentam, não se veem nem agem como vítimas.

2 - As bruxas são atrevidas, tem coragem de experimentar o novo, a buscar o não vivido, o não conhecido....


3 - As bruxas têm mão para as plantas, concreta e metaforicamente. “Plantam, regam e acompanham o crescimento” de plantas, pessoas, projetos...

4 - As bruxas confiam nos pressentimentos, em sua intuição, honram sua sabedoria interna.

5 - As bruxas meditam à sua maneira, cultivam um centro interno de silêncio e escuta, de prece e reconexão com o Sagrado.

6 - As bruxas defendem com firmeza o que mais lhes importa, descobrem sua voz e tendem a tornar-se mais rebeldes e radicais com tudo que consideram errado no mundo.

7 - As bruxas decidem o seu caminho com o coração, mesmo que esse caminho seja difícil.

8 - As bruxas dizem a verdade com compaixão, mas dizem sempre a verdade, porque sabem que só a verdade cura e liberta.

9 - As bruxas ouvem o seu corpo, não o veem como um objeto a ser aperfeiçoado, mas como um instrumento de prazer e auto conhecimento.

10 - As bruxas improvisam, agem com espontaneidade, fluem com a vida.

11 - As bruxas não imploram, não fazem NADA com a finalidade de serem aceitas.

12 - As bruxas riem juntas, riem de si e com isso nutrem um profundo senso de irmandade, porque é um riso que expressa o triunfo do espírito e da alma sobre aquilo que poderia tê-las destruído ou as convertido em mulheres amargas .

13 - As bruxas saboreiam o positivo da vida, sabem ter gratidão pela beleza da vida, mesmo que mesclada de sofrimentos.

Ahow!

Do livro "Las Brujas no se quejan" de Jean Shinoda Bolem, que fala do arquétipo da anciã , da velha sábia ou da bruxa.

sábado, março 11, 2017

LE RETOUR DE LILITH



Eu sou Lilith a  sina dos iniciados
A impetuosa perdida a conhecida e a obscura
Os livros descreveram-me e vocês não me leram
Eis as minhas visões
Na crista da onda  do sétimo dia *


"Eu sou Lilith, a mulher-floresta. Não vivi uma espera desejável, mas sofri os leões e as espécies puras de monstros. Fecundo todas as minhas costas para construir a história. Agrego as vozes nas minhas entranhas para que o número de escravos esteja completo. Como o meu próprio corpo para que me não tratem como faminta e bebo a minha água para nunca sofrer a sede. As minhas tranças são longas no inverno, e as minhas malas não têm tecto. Nada me satisfaz, nem me sacia, e eis que regresso para ser a rainha dos perdidos no mundo.
Sou a guardiã do bem e do encontro dos opostos. Os beijos no meu corpo são as feridas de quem tentou. Da flauta das duas coxas sobe o meu canto, e do meu canto a maldição espalha-se em água sobre a terra.
Sou Lilith, a leoa sedutora. Mão de cada servidor, janela de cada virgem. Anjo da queda e consciência do sono leve. Filha de Dalila, Maria Madalena e das sete fadas. Nenhum antídoto para a minha condenação. Da minha luxúria, erguem-se as montanhas e abrem-se os rios. Venho de novo para furar com as minhas ondas o véu do pudor, e para limpar as feridas da falta com o perfume do deboche."


JOUMANA HADDAD - POETISA LIBANESA

*1 Joumana Haddad - Le Retour de Lilith