sábado, fevereiro 03, 2018

OS ARQUÉTIPOS



OS ARQUÉTIPOS E O LADO FEMININO DO HOMEM

" Á medida que o arquétipo feminino consciente se desdobra na consciência, o seu arquétipo aliado muda também. Tão pouco conhecemos ainda o verdadeiro masculino consciente. Confundimos o princípio de poder patriarcal, que controla e altera a natureza a qualquer custo, com o masculino. Assim, o masculino sofreu um desequilíbrio pela perda do feminino, e também ele pode ser renovado, esclarecer-se e renascer em nós. Com a sua aparição, temos uma grande oportunidade para fazer alquimia espiritual, para encontrar o mistério do outro no casamento sagrado." - Connie zweig

Isto só pode acontecer no caso do arquétipo masculino ser um aliado do feminino o que não é na cultura vigente, patrista e dominadora, mas também implica a necessidade de a mulher ter o seu feminino integrado ou seja o seu próprio arquétipo activado...
Como diz uma amiga brasileira, Malu Moreira, "Enquanto a estrutura de percepção e pensamento moldado pelo patriarcado não é transmutada internamente, enquanto a matrix da cisão não é decodificada no nível do nosso DNA, nem mesmo existe solo fértil para que o feminino profundo brote. É como o Y do XY permitir-se fundir ao XX para só então poder individuar-se a partir da consciência da Deusa."

O LADO FEMININO DO HOMEM...

- O princípio Feminino, e o lado feminino do homem tem de ser activado, disso não temos duvidas, mas a questão é que se a mulher ela própria esta por assim dizer desactivada da sua essência feminina, se ela é hoje uma copia do masculino, como vai o homem integrar o seu feminino se não tem espelho na mãe nem na amante que são apenas seres apêndices do homem?
A questão que se nos põe aqui e que eu chamo o nosso trabalho específico, é fazer acordar na mulher antes de mais, a consciência do seu feminino sagrado, essa parte da natureza Mãe da qual a mulher foi desligada, assim como da sua própria natureza intrínseca, com a qual ela não se relaciona e da qual foi secularmente alienada; essa parte de si que lhe foi usurpada e negada desde menina, as mulheres dentro do Sistema patriarcal ignoram e desse modo não pode haver a integração dos opostos, nem dentro nem fora...
Sem que a mulher recupere a sua identidade perdida não há nem pode haver integração dos dois em um nem complementaridade entre homem-mulher.
É preciso para isso que a mulher perceba que está desfocada do seu centro, diria mesmo amputada da sua natureza essencial, aquela parte que a torna a mediadora das forças cósmico telúricas que une céu e terra, o baixo e o cimo, homem e mulher...
Da mesma maneira que ficou às expensas da mulher a gestação do ser humano no seu ventre...também é ela a iniciadora do homem e isso foi totalmente deturpado, tendo sido invertidos os termos e os princípios do casamento alquímico, casamento dos opostos...
É evidente que o homem tem a sua componente feminina como a mulher tem a sua componente masculina que Jung definiu como anima no homem e animus na mulher e com o que eu não concordo. Eles são respectivamente anima a mulher e animus o homem, mas na ligação (casamento) alquímica (no interior) há a revelação ou o despertar dos seus opostos dentro e fora...isto grosso modo, é o que eu penso.
Por isso não nego nem nunca neguei o feminino no homem...nem a sua ligação à Deusa, mas o processo inverteu-se e a mulher foi uma vez desligada da sua natureza essencial, da sua verdadeira natureza feminina, não pode cumprir o seu papel. A mulher que conhecemos não é a mulher verdadeira. É uma mulher fragmentada, dividida e sem identidade, que nega a sua intuição-emoção e utiliza a logica e razão usando um ego masculino...
TEMOS ALGORA EM MÃOS O TRABALHO DESSA INTEGRAÇÃO NA MULHER. Ele não está ainda feito...
Cabe pois a cada mulher e a cada uma de nós SER MULHER primeiro e...depois quanto ao homem e o seu feminino, é com ele descobrí-lo...ao render-se e a abrir-se à Mulher Inteira e a Deusa.

rosa leonor pedro

"De acordo com a teoria junguiana, as deusas são arquétipos, o que vale dizer, fontes derradeiras daqueles padrões emocionais de nossos pensamentos, sentimentos, instintos e comportamento que poderíamos chamar de "femininos" na acepção mais ampla da palavra. Tudo o que pensamos com criatividade e inspiração, tudo que acalentamos, que amamentamos, que gostamos, toda a paixão, desejo e sexualidade, tudo o que nos impele à união, à coesão social, à comunhão e à proximidade humana, todas as alianças e fusões, e também todos os impulsos de absorver, destruir, reproduzir e duplicar, pertecem ao arquétipo universal do feminino. Entretanto, a psicologia acadêmica moderna, com seu amor pelas abstrações masculinas, prefere usar a linguagem racional e espiritualmente insensibilizante dos "instintos", "impulsos" e "padrões de comportamento", palavras que não geram imagens na imaginação, nem provocam lampejos de reconhecimento na alma...No entanto, os gregos, e todas as culturas antigas, percebiam essas energias não como abstrações destituídas de alma, mas sim como forças espiritualmente vitais, forças ou energias que estão exercendo continuamente influências poderosas sobre nossos processos psicológicos. Quando conseguiam reconhecer as forças espirituais que ativavam e esclareciam determinados aspectos do comportamento e da experiência humana, chamavam esses fenômenos de "compulsão dos deuses e das deusas". É por esse motivo que Jung foi levado a comentar que "há um deus ou uma deusa no âmago de todo complexo." *

*in A Deusa Interior de Jennifer Barker Woolger e Roger J. Woolger, p.17 / Arte: Emily Balivet.

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