quarta-feira, março 07, 2018

Em vésperas do 8 de Março...




Mulher no Mundo da Política

"Há quem pense, e talvez com certa razão, que a mulher deve entrar no mundo da política para, dentro desse universo, desenvolver as suas ideias e a sua acção. Mas eu penso que quando uma mulher entra nesse mundo, ela própria é obrigada a submeter-se a padrões que ameaçam toda a sua natureza, a natureza da sua cultura. Ela é levada a transigir, torna-se numa cópia daquilo que já é mau nos homens. Eu penso que a acção da mulher deve desenvolver--se fora da política do Poder. Uma acção política de contra-poder. Pela recusa.
O que é a poesia se não uma magia branca, para fazer recuar as forças tenebrosas que querem destruir a vida?! "*


"A sabedoria é mesmo feminina. Correndo o risco de me repetir ou citar a mim mesma, direi que a «sophia» é feminina. A sabedoria é feminina e a filosofa é masculina. O homem enamora-se da sabedoria, mas nunca chega lá. E o percurso para... A mulher, ela própria, é ovularmente o segredo do Universo. Ela contém em si a sabedoria. As vezes não tem é consciência disso." *
* Natália Correia, in 'Entrevista (1983)'

“ (...) O patriarcado pode, de facto ser considerado como uma enorme hierarquia de homens, uma estrutura onde as mulheres, as crianças e os homens marginalizados são certamente desfavorizados, mas também uma estrutura na qual os homens disputam entre si as melhores posições, na qual o acesso sexual às mulheres, a posse das mulheres e o controlo e a dominação das mulheres pode funcionar para apoiar, manter, ou melhorar a posição dos homens face a outros homens. Formatadas para serem a classe subordinada no seio do patriarcado, as mulheres desempenham igualmente outra função, porque, onde reside um homem na hierarquia, há sempre alguem por baixo dele, e no final, esse alguém é uma mulher.
Isso nâo quer dizer que os homens nâo sejam também oprimidos e explorados, ao contrário, mas é um facto que nenhum homem é oprimido por causa do seu sexo, como o sâo as mulheres. Ele poderá ser oprimido por outras caracteristicas da sua identidade, por exemplo a sua raça, a sua classe ou a sua sexualidade; mas ser de sexo masculino não é nenhuma causa de opressâo. Esta é uma diferença fundamental entre as vivencias das mulheres e as dos homens na nossa sociedade. (...) “


Finn Mackay, Conférence donnée à l’organisation Welsh Women’s Aid, le 10 décembre 2012




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