segunda-feira, março 19, 2018

"O amor da mãe é extraordinário.



Matrismo sim, e não feminismo...


"Acho que não vale a pena a mulher libertar-se para imitar os padrões patristas que nos têm regido até hoje. Ou valerá a pena, no aspecto da realização pessoal, mas não é isso que vem modificar o mundo, que vem dar um novo rumo às sociedades, que vem revitalizar a vida. Ora bem, a mulher deve seguir as suas próprias tendências culturais, que estão intimamente ligadas ao paradigma da Grande Mãe, que é a grande reserva, a eterna reserva da Natureza, precisamente para os impor ao mundo ou pelo menos para os introduzir no ritmo das sociedades como uma saída indispensável para os graves problemas que temos e que foram criados pelas racionalidades masculinas. E no paradigma da Grande Mãe que vejo a fonte cultural da mulher; por isso lhe chamo matrismo e não feminismo. "

Natália Correia, in 'Entrevista (1983)'


"O amor da mãe é extraordinário.
De qualquer amor, tem dentro dela o tesouro que é puro alimento, corpo e alma. Dá os doces aromas do peito e do leite, a magia da intimidade da pele. Construído dentro dele são camadas de paciência mágica e confiança instintiva. Embora as nossas próprias mães fossem cada um dos seres humanos imperfeitos, ao longo das nossas vidas humanas, temos muito tempo para tal ligação, sempre buscando num mundo incerto o que nós vimos como um vínculo de confiança absoluta, amor incondicional e intimidade sem complicações. Na nossa relação com a terra, com a mãe natureza, procuramos o mesmo e fazemos os mesmos erros. Como crianças chorando por comida e amor, nós assumimos que seus recursos são infinitos, nós não podemos retribuir seu cuidado, e imprudentemente nós expressa uma persistente falta de respeito e apreço. Em outras palavras, usamos a terra, enquanto usamos a mãe, desnorteada e enfurecida quando ela não nos dá tudo e de graça....
Como Virgem, a deusa da terra não tem pacto com o povo; ainda selvagem, ela não tem interesse em fazer acordos com a humanidade. Se os homens a fazer, ela não repara, ou se o fizer não a perturba. Ela mantém a sua independência, rindo, selvagem e livre. Se, no entanto, ela é abusada, ela se retira completamente, deixando uma paisagem que está cada vez mais sem vida.... Desenvolvedores, corporações que mina, pedreira e construção, agricultores e pescadores, aqueles de nós que tendem a jardins, todos e todos os consumidores Quem dá dinheiro ao sistema, todos nós fazemos parte da relação do nosso povo com a terra. Se essa ligação é boa, ela oferece-se a nós como mãe. Ela tem o povo. Onde ela está desapontada por falta de cuidados e atenção, ela volta para trás e nós sentimos isso na vibração de um lugar, na lama e nas árvores, no ar que respiramos. Onde ela é estuprada, a toxicidade da sua raiva adoece a terra, juntamente com aqueles que vivem sobre ela.

Talvez porque a habilidade da mãe é dar aparentemente incondicionalmente, nunca exigindo reciprocidade imediata, é extremamente fácil levá-la como garantida. Mas talvez também quando temos experiência de uma mulher como mãe, podemos esquecer que a mãe não é tudo o que ela é. Sem excepção, a complacência é perigosa."

Emma Restall Orr,

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