domingo, março 17, 2019

MATRISMO SIM, FEMINISMO NÃO



"Sou da ilha das línguas de fogo. Com elas aprendi a metrificar o espírito. O indizível”. N.C.



A GRANDE DIFERENÇA: Matrismo sim, e não feminismo...

"Acho que não vale a pena a mulher libertar-se para imitar os padrões patristas que nos têm regido até hoje. Ou valerá a pena, no aspecto da realização pessoal, mas não é isso que vem modificar o mundo, que vem dar um novo rumo às sociedades, que vem revitalizar a vida. Ora bem, a mulher deve seguir as suas próprias tendências culturais, que estão intimamente ligadas ao paradigma da Grande Mãe, que é a grande reserva, a eterna reserva da Natureza, precisamente para os impor ao mundo ou pelo menos para os introduzir no ritmo das sociedades como uma saída indispensável para os graves problemas que temos e que foram criados pelas racionalidades masculinas. E no paradigma da Grande Mãe que vejo a fonte cultural da mulher; por isso lhe chamo matrismo e não feminismo. "

Natália Correia, in 'Entrevista (1983)
 
"ESTAMOS A CAIR NA MEDIOCRIDADE GOVERNATIVA 

Estamos a cair na mediocridade porque estamos muito subservientes aos padrões de eficácia e da racionalidade europeia.

Os tempos festivos da revolução passaram. Teriam naturalmente que passar, mas aplica-se a terapêutica da racionalização tecnocrática e isso mata o sonho. Devia haver outras vias. Vias apropriadas àquilo que somos.

Não somos um País de grandes voos capitalistas. Se o quisermos ser caímos, inexoravelmente, nas garras do monopolismo. Portanto, devíamos cultivar as pequenas e médias empresas. Esta devia ser a lógica da economia portuguesa. Devia dar-se grande valor às pequenas e médias empresas e realmente deixarmo-nos de ambições que nos alcem aos grandes padrões europeus.

(...) Os (partidos políticos têm) os mesmos defeitos e algumas qualidades em comum. Evidentemente que os partidos são um defeito necessário, porque dividem, mas é uma divisão necessária para agrupar, para reunir a ideia da democracia parlamentar que temos.

Agora, o erro das pessoas é adorná-los com méritos extraordinários, porque isso faz-nos cair numa partidolatria, imprópria de espíritos livres!

Não penso que a nossa classe política seja pior do que a classe política de outros países. Ponhamos as coisas neste pé: as minhas exigências estéticas e éticas não tornam muito fáceis as minhas relações com a classe política. São caminhos separados. Não vamos pelo mesmo trilho. Mas a classe política é necessária. Ela existe e tem defeitos. Terá também uma ou outra qualidade.

(...) Agora, eu pergunto-me até que ponto é que hoje os Governos governam?!

Porque hoje ser-se Governo é um absurdo, na medida em que todos os Governos são governados (não me refiro aos Governos das grandes potências, mas de uma nação modesta como a nossa), são governados por um poder económico que imana de forças mundiais sem rosto. Portanto, eu não sei a quem cabe a decisão, não sei quem é que nos governa"

Natália Correia

"Foi Deputada à Assembleia da República (1980-1991), interveio politicamente ao nível da cultura e do património, na defesa dos direitos humanos e dos direitos das mulheres" 

*( Fernando Dacosta Natália Correia, em O Botequim da Liberdade )

quarta-feira, março 13, 2019

A CULTURA PATRIARCAL


MULHERES ENXERGUEM-SE!


Eu sei que há uma faceta na minha escrita e no meu trabalho que não é bem recebido nem muito popular entre as mulheres que me lêem. Muitas vezes sinto a animosidade ou o medo das mulheres em relação aos aspectos mais radicais ou mesmo contundentes da minha expressão e concepção do feminino sagrado...principalmente quando foco o aspecto psicológico e o trauma básico da identidade da mulher no mundo de hoje…
São séculos de cultura patriarcal de génios, homens em todas as áreas, desde pintores, poetas e escritores a retratarem uma mulher que não sabem…dela fizeram uma Virago, dela fizeram uma prostituta, dela fizeram um travesti, dela fizeram um andrógino, dela fizeram uma boneca insuflada…dela fizeram tudo que quiseram…Profetiza, demente, mãe, cândida donzela, virgem e prostituta, rainha, louca, assassina…

São muitos…todos eles génios ou santos: Miguel Ângelo, Leonardo da Vince, Shakespeare, Balzac, Baudelaire, Voltaire, Santo Agostinho etc. …

O que eles escreveram sobre grandes mulheres…Cleópatra por exemplo, e …como a viu Shakespeare…Meu Deus…que insana criatura ela era…como todas as mulheres fortes eram igualadas a DEMONIOS. E é desses modelos ao longo de séculos de história e cultura que a mulher se deixou moldar sem nunca ser ela mesma a pronunciar-se! Aqui está, houve mulheres famosas na ribalta, mas elas não tinham voz própria…sim, houve Rainhas dizem-me, grandes rainhas….mas sujeitas aos mesmos padrões e aprisionadas pelos mesmos valores em vigor nas épocas em que reinaram, aos mesmos conceitos…e atributos, com que as modelavam os homens da arte e da cultura…Fosse na época Helénica na Renascença ou o no Iluminismo. Nunca até hoje a Mulher foi Ela mesmo!


rlp

AS MULHERES NÃO TEM DE SER FEMINISTAS!



AS MULHERES NÃO TEM DE SER FEMINISTAS! TEM DE SER MULHERES!

EU ACREDITO NAS GRANDES MULHERES QUE FIZERAM HISTÓRIA 

Nestes dias muitas manifestações se fizeram e pela primeira vez em Portugal milhares de mulheres foram para a rua nos dia 7 8 e 9 de Março, muitas mulheres desfilaram e gritaram os slogans contra a violência doméstica. De uma forma geral essas manifestações foram atribuídas a movimentos feministas e a partidos de esquerda, e também se partiu do principio que todas as mulheres que saíram a rua deviam ser feministas, mas para se indignar e lutar pelas mulheres não tem de se ser feminista e creio que a maior parte dessas mulheres não eram partidárias ou feministas. Quero enfatizar esta questão porque me irrita um pouco que agora há esta necessidade de se atribuir todas as acções passadas e todas as "conquistas" e liberdades adquiridas pelas mulheres se tenham devido a feministas segundo alguns dos slogans. Ora eu não sou feminista e lutei sempre pelas mulheres - embora em tempos muito longínquos tenha pensado e agido como tal e me tivesse enquadrado nessa designação, hoje em dia não vejo necessidade alguma de entrar em grupos tão divergentes entre si, pois para o mais importante hoje é sem duvida uma nova CONSCIÊNCIA DA MULHER, uma consciência que não apenas social e politica e económica mas essencialmente ontológica e do domínio do sagrado, e refiro-me aos aspectos da natureza ctónica e telúrica da mulher, aos aspectos associados ao Principio Feminino e a urgência da mulher acordar para essa consciência.

Eu sempre lutei e escrevo desde há muitas décadas para as mulheres sobre essa consciência e a cisão da mulher e penso que Mulher só se emancipa realmente a começar por dentro e por si. E o que eu escrevo e defendo é que a Mulher tem de ser mulher em si, uma mulher plena e isso a maior parte das ditas feministas não são nem tem essa consciência. Elas traem a sua identidade feminina intrínseca negando os aspectos espirituais da sua herança primordial para se tornarem em meros corpos instrumentalizados construídos e por isso se associam as teorias de género aceitando travestis e transsexuais como mulheres. Sim, não só estão de acordo com essas teorias como defendem as ideologias de género. Elas aceitam que um homem transgénero possa ser identificado como mulher.

Elas pensam que a mulher se constrói socialmente e é um produto cultural e isso prova o seu ego masculino mas A MULHER É MULHER E NASCE BIOLOGICAMSNTE MULHER. A Mulher nasce com Utero e Ovários e vagina. A Mulher tem seios. A Mulher é biologicamente mulher e diferente do homem. Por isso ela tem de voltar à sua origem e identidade primordial. Ela tem de acordar para a sua verdadeira natureza e recuperar a sua dignidade de amar livremente com toda a liberdade, mas ela não tem dono nem senhor. Ela não se despe nem se veste para agradar. A essência que brilha nela é a força motriz que dá vida ao universo… ela é a matriz da vida, sua excelência não precisa ser testada. A única coisa que a mulher tem de fazer é reencontrar a sua capacidade inata de unir em si todas as diferenças...todas as facetasm todas as nuances... e assumir o seu magnetismo e a sua totalidade. ELA TEM DE SE AMAR a si mesma. Só assim amará as outras mulheres em sororidade…Elas tem de ser MULHERES apenas - porque foi a identidade do verdadeiro feminino que se perdeu nos tempos, foi isso que o patriarcado lhes roubou...a mulher tem de se encontrar consigo mesma e o Principio Feminino. 
EU ACREDITO NA MULHER mas não nos feminismos sejam eles quais forem...porque ser feminista não garante que a mulher seja de facto uma mulher autêntica, consciente de si e do seu poder interior. Ser Mulher é pois conhecer a sua Essência e expressar a Natureza Mãe em todos os poros…é ser fiel aos seus ritmos e estações, é ser tudo o que se negam as mulheres modernas ser e por isso se digladiam entre catalogações que as divide ainda mais...
Uma mulher que atinja a sua maestria ela é senhora de si e nada a impede de ser ela mesma. Uma Mulher plena não precisa de se definir...ela é tudo em si mesma. Ela não é Hestia nem Afrodite nem Atena. Essas são apenas facetas secundárias. AS mulheres tem uma essência comum e é isso que a liga a partir de dentro não a partir das ideias.
Lutar pelas mulheres, ser fraterna e solidária, empenhar-se em defendê-las não implica ideologias de género nem teorias … Não digo que não fiquei contente por ver tantas e tantas mulheres nas ruas do meu País...gostei muito do que vi, mas eu sei que não é por ai. Digo-vos que gostava de ter esperança nestas mulheres jovens...Isso fez-me lembrar a minha luta há 50 anos atrás. Digo-vos que me comoveu as lágrimas. Que em mim há esta ansia de fraternidade e liberdade e igualdade, que comecei a luta muito cedo e sofri muito com isso e causei muito sofrimento a minha mãe...que vivia em pânica todos os dias com medo que eu fosse presa. Passaram 50 anos - eu podia ter ido a esta Manifestação e deixar-me levar pela força e a convicção da juventude….

Ah A FESTA É LINDA pá... mas infelizmente hoje sei que NADA MUDA. Sei que pouco ou nada mudou em relação a Mulher depois da revolução dos cravos - a não ser que o trabalho e a escravidão da mulher aumentou e que os feminicídio também porque o ódio a mulher e o medo da mulher não são controláveis por leis nem por manifestações porque QUEM MATA é o homem, o homem primário, o agressor está sempre latente no animal humano que não é amado. É o Sistema patriarcal, o culpado da violência e dominação da mulher. A questão sexual foi branqueada e a educação ou a revolução sexual não foi feita. Os tabus e os dogmas da Igreja continuam activos e a mulher é dad como Culpada e pecaminosa e o homem deve açoitá.la e matá-la como fez o juiz que condenou mulheres por adultério e libertou os criminosos. Esta é a realidade dos homens em Portugal e no Mundo.

Foram milhares de mulheres aparentemente unidas, mas quando chegar a hora da Verdade estarão todas umas contra as outras a defender as suas convicções, nas suas ideologias nas suas crenças e credos e os seus lideres...
Lamento não acreditar nesta euforia… lamento não me dar a esta festa de alma e coração, juro que queria...mas não fui porque já sabia que eram só gritos e canções e que a luta a temos de trava cada um de nós dentro de nós e não fora, porque o Sistema nunca estará do nosso lado. Confiamos nos homens em Abril… pensávamos que as mulheres estavam incluídas, como pensaram sécilos antes as mulheres na revolução francesa - e tudo continuou na mesma… Sim, houve mudanças exteriores...liberdades concedidas, uma falsa emancipação que hoje é destruída pelos acontecimentos vividos pelas mulheres no mundo, sempre abusadas e violadas e exploradas assim como a prostituição continuou na ordem dos dias cada vez mais dramática etc.

Isto não vai ser bem recebido publicamente porque a ilusão o idealismo e a cegueira conduzem as massas… e sei que eu seria primeira a ser apedrejada na fogueiras das suas ilusões e construções teóricas do mundo e da mulher. Ser velha tem isto… já não ir com as massas nem com os gritos de ordem…
Mas enquanto a mulher não perceber que ela é mágica e magnética e que tem todo o poder em si, nada podemos fazer pelas milhões de desgraçadas ignorantes aculturadas que se metem na boca do lobo todos os dias iludidas pelo amor...ou que são obrigadas a casar par poder sobreviver. Afinal a causa destes feminicidios e violência doméstica é o sonho do amor a dois e o casamento a que a mulher se submete de livre vontade…

E QUEM VAI MEXER NO TABU?
rlp

quinta-feira, março 07, 2019

AS MULHERES DO MEU PAIS...



PORQUE  NÃO SE UNEM AS MULHERES?

Porque não se unem as mulheres? Porque continuam as mulheres divididas em arquétipos e estereótipos e em luta umas contra as outras através de todas as causas que defendem e em que se tornam empreendedoras? PORQUÊ?

AS feministas estão divididas e umas contra as outras, sejam radicais, moderadas ou lésbicas, como as mulheres da New Age também elas se dividem em seitas e grupos e capelinhas, assim como as mulheres ditas do sagrado feminino e das deusas divididas em faces, tal como as mulheres da esquerda  e igualmente as de direita. Feministas comunistas marxistas e liberais, religiosas e pagãs, ricas pobres instruídas, ignorantes e intelectuais, jornalistas médicas e advogadas; as mulheres estão sempre divididas e umas contra as outras e afirmam-se sempre em OPOSIÇÃO, nunca em união. Sempre em lados opostos de uma qualquer barricada! Menos na morte… porque já não se discute "quem mata quem".
As que se dizem não feministas contra as feministas, as que são pró-vida contra as que defendem a despenalização da interrupção da gravidez, vulgo, aborto, as ateias contra as crentes e as que creem nas deusas e as que creem nos anjos, em suma, as santas e as putas e as vadias, as debochadas e as pudicas ou as senhoras defensoras da igreja e do Papa e as filhinhas do papá contra as mulheres pobres e desvalidas tristes e miseráveis que não tem eira nem beira. ESSAS mulheres são vulgarmente misóginas e machistas e defendem sempre o filho e o macho - padre e o líder e o Papa. Elas são as chiques e superiores, são Opus Dei e de direita. E as de esquerda, as mais avançadas ou de vanguarda, as mulheres mais novas defendem gays, lésbicas, travestis e transsexuais e metem tudo na mesma saco, as minorias por cima e as maiorias sem direitos. Umas defendem a socialite e as outras o socialismos e Soros, o grande "mecenas" negro do apocalipse ou  da nova ideologia de género, a morte anunciada da mulher biológica e da Mãe. etc.

NÃO. As mulheres não se unem porque dentro delas reside a divisão fulcral ou a cisão fundamental que separa cada mulher de si mesma e da outra e as torna antagónicas e rivais desde sempre em luta pelo homem e em defesa do Sistema patriarcal, pois foi o patriarcado e a religião que criou e cimentou essa divisão nas mulheres ao dividi-las entre a santa e a puta. Esse é o cisma. E elas não conseguem sair deste circulo vicioso a que estão presas há séculos. Mudam as leis e mudam os cenários mas a prisão oculta que subjuga as mulheres é a mesma!
Eu podia falar do homens e apontar os seus erros e como eles dominam e abusam das mulheres, mas para mim o importante é que a Mulher se consciencializa ela própria daquilo que a separa e divide em si mesma e em consequência uma da outra porque é o mesmo que a divide e impede de ser una em si. Porque quando a mulher for uma Mulher inteira e senhora da sua verdade, fiel ao Principio Feminino e travar apenas  a sua batalha por ela mesma ela poderá viver na mesma vibração que a outra mulher mas não enquanto estiver em luta a defender a causa do Pai e de Deus seja qual for a sua crença - ela é um produto dessa mesma causa que luta contra e não pode sair sem mudar de rota, sem mudar de rosto.
Penso que quando a mulher for A Mulher, Apenas Mulher, não mais terá necessidade de ser isto ou aquilo por acréscimo para se valorizar ou definir ou aderir a ismos de qualquer espécie. Quando a mulher for a sua própria causa e souber lutar por ela mesma e por uma Consciência de si integral e ontológica ela será naturalmente uma aliada das mulheres em essência, pois não se trata de causas mas da essência primordial. Possa a mulher tocar e viver nessa essência e as batalhas inúteis que trata e em que se desgasta ela fará a diferença e será o elo de mudança através do amor e da harmonia e não do conflito e da guerra.
Quando a mulher atingir esse estadio de plenitude que é ela mesma nada poderá obstaculizar o seu caminho pois ela caminhará imponente e majestosa como uma Rainha que é...não mais vestirá a pele de  uma serva de uma súbdita, de uma escrava em luta pela sobrevivência, rastejando perante o poder e o dinheiro…nem pela igualdade com outros escravos.

Deixo-vos um muito elucidativo trecho de uma entrevista de Natalia Correia hem 1987... Ela disse tudo, mas as mulheres continuaram a perseguir o poder masculino em vez de se buscarem dentro de si...não digo na poesia, mas na sua verdade intrínseca, a sua Natureza feminina que é a essência da própria poesia...
rlp

"Há quem pense, e talvez com certa razão, que a mulher deve entrar no mundo da política para, dentro desse universo, desenvolver as suas ideias e a sua acção. Mas eu penso que quando uma mulher entra nesse mundo, ela própria é obrigada a submeter-se a padrões que ameaçam toda a sua natureza, a natureza da sua cultura. Ela é levada a transigir, torna-se numa cópia daquilo que já é mau nos homens. Eu penso que a acção da mulher deve desenvolver--se fora da política do Poder. Uma acção política de contra-poder. Pela recusa.
O que é a poesia se não uma magia branca, para fazer recuar as forças tenebrosas que querem destruir a vida?! "

LUTO NACIONAL




7 DE MARÇO:
DIA NACIONAL DE LUTO PELAS MULHERES ASSASSINADAS EM PORTUGAL

Até hoje e desde o principio do ano foram mortas 13 mulheres em Portugal pelos maridos e companheiros...

UMA MULHER CONSCIENTE





UMA MULHER SÁBIA QUE NÃO É TIDA EM CONSIDERAÇÃO PELAS FEMINISTAS PORTUGUESAS - ela tocou o amago da questão e pôs em evidência o seu erro de décadas…


"Há quem pense, e talvez com certa razão, que a mulher deve entrar no mundo da política para, dentro desse universo, desenvolver as suas ideias e a sua acção. Mas eu penso que quando uma mulher entra nesse mundo, ela própria é obrigada a submeter-se a padrões que ameaçam toda a sua natureza, a natureza da sua cultura. Ela é levada a transigir, torna-se numa cópia daquilo que já é mau nos homens. Eu penso que a acção da mulher deve desenvolver--se fora da política do Poder. Uma acção política de contra-poder. Pela recusa.
O que é a poesia se não uma magia branca, para fazer recuar as forças tenebrosas que querem destruir a vida?! "

Natália Correia, in 'Entrevista (1983)'

terça-feira, março 05, 2019

SER OU NÃO SER FEMINISTA



O QUE É O FEMINISMO? UM PARADOXO?

" As feministas de hoje fizeram-se desacreditar da mesma forma que as de ontem e gerações anteriores ainda: São " mulheres habitadas pelo ódio dos homens, que querem parecer-lhes ou tomar o seu lugar ", por exemplo. São "Feias, agressivas, burras e perigosas", enumera Clarence Edgard-Rosa. (...)
" Estamos a navegar neste paradoxo. O feminismo é acusado de estar na moda, e, portanto, como que esvaziado da sua substância, enquanto muitas pessoas aderem às ideias sem a reivindicar. Isso mostra-nos bem que é uma luta de palavras ", continua a jornalista. (...)
" Eu não sou feminista mas..." é um discurso que se ouve há anos, destaca Françoise Picg. "Esta é uma maneira de tomar distância em relação a um movimento mas admitindo uma proximidade com este último ". Para desviar a conversa, alguns e algumas vão então dizer-se " Humanista " ou " pela igualdade ".
Mas para Clarence Edgard-Rosa, "substituir esta palavra (feminismo) por outro é o corte em todo o legado político, cultural e militante e de todas as mulheres que lutaram pelos seus direitos", explica ela. "É um erro dar esse sentido porque falar de humanismo é colocar de lado a hierarquia social que existe e perdura hoje, é colocar de lado que as mulheres são realmente os bonecos da farsa", adiciona a editora em Chefe de Maria Claire Digital antes de concluir: "é por isso que é preciso usar esta palavra para o que é e lembrar o que ela quer dizer a qualquer momento" M.C.P.


NÃO É O FEMNISMO QUE ESTÁ DESPROVIDO DE SUBSTÂNCIA, MAS AS MULHERES EM SI...este paradoxo que é o feminismo de hoje, esta confusão geral acerca do feminismo e a sua divisão  corresponde a divisão interior das mulheres, a falta de identidade de um feminino essencial, a falta de consciência que a mulher tem do seu ser ontológico, a sua rendição à ciência e filosofia materialista sem perceber como o Sistema patriarcal a colonizou e dominou e mesmo despois das várias vagas de feminismo,  o mais radical ou mais ideológico ou mais económico, a mulher continua a ser formatada por ele, continua a ser manipulada através das mesmas "conquistas" que afirma ter conseguido. Como diz uma amiga se não se perceber que "O feminismo é o sistema e por isso mesmo é financiado pelo mesmo!... Continuamos presas em termos económicos e sistémicos a um modelo patriarcal que nos Maltrata e ignora como forma de nos manter fora da idealização, construção e evolução das sociedades terrenas!... A lei é a do mais forte e o modelo está mais robusto do que nunca!... As Mulheres, poucas aumentam níveis de consciência mas estamos longe em termos temporais de construir algo novo e integrador!... Será que em algum tempo se conseguirá?"*

Portanto se as feministas e estas mulheres que defendem a palavra FEMINISMO e que estão na frente não perceberem que estão ainda "na boca do lobo", todos os esforços serão vãos, tal como até aqui, tirando um ou outro aspecto em que tem algumas vantagens que as antigamente não tinham. Elas votam, mas votam dentro do sistema. Elas trabalham mas não têm salários iguais. Elas despem-se e exibem-se e curtem parceiros - mas não são RESPEITADAS! Portanto para mim só a consciência individual, e a consciência de cada mulher dessa armadilha do sistema não vamos a lado nenhum exteriormente. Podemos contudo ter voz e falar nos lugares certos... minar as bases…essa é a minha prerrogativa e a das mulheres que buscam a sua Identidade e a sua Essência para lá da economia e do trabalho ou da igualdade de direitos, pois sem consciência de si as mulheres não irão a lado nenhum como está provado em tudo o que se passa neste mundo contra mulher. Se a mulher se tivesse verdadeiramente emancipada e fosse livre não haveria este retrocesso… o feminismo não fez com que as mulheres fossem respeitadas.
rlp

*Ana Ferreira Martins

COMO OS JUIZES JULGAM AS MULHERES EM PORTUGAL




EM PLENO SÉCULO XXI

O INQUISIDOR TORQUEMADA E O SEU "HOMONIMO" PORTUGUÊS - O HOMUNCULO JUIZ NETO MOURA QUE CONDENA AS MULHERES POR ADULTERAS..E LIBERTA E DEFENDE OS CRIMINOSOS.

Estes são alguns dos seus acórdãos...

«... a conduta do arguido ocorreu num contexto de adultério praticado pela assistente. Ora, o adultério da mulher é um gravíssimo atentado à honra e dignidade do homem. Sociedades existem em que a mulher adúltera é alvo de lapidação até à morte.
Na Bíblia, podemos ler que a mulher adúltera deve ser punida com a morte. Ainda não foi há muito tempo que a lei penal (Código Penal de 1886, artigo 372.º) punia com uma pena pouco mais que simbólica o homem que, achando sua mulher em adultério, nesse acto a matasse.
Com estas referências pretende-se, apenas, acentuar que o adultério da mulher é uma conduta que a sociedade sempre condenou e condena fortemente (e são as mulheres honestas as primeiras a estigmatizar as adúlteras) e por isso vê com alguma compreensão a violência exercida pelo homem traído, vexado e humilhado pela mulher. Foi a deslealdade e a imoralidade sexual da assistente que fez o arguido X cair em profunda depressão e foi nesse estado depressivo e toldado pela revolta que praticou o acto de agressão, como bem se considerou na sentença recorrida.»

AS MULHERES COM VITIMAS DE VIOLÊNCIA





SE EM FRANÇA 80% dos franceses dizem que nada mudou em matéria de igualdade entre homem e mulher, porque se rebelam as feministas quando se diz que de algum modo elas falharam? Elas não quiseram ver que os homens não mudariam nem estavam interessados nessa igualdade-paridade...e ainda bem PORQUE É NA DIFERENÇA que a mulher pode SER ELA MESMA. É no SER MULHER em si que está a sua libertação e não na igualdade com o homem. A igualdade deve ser social e económica, mas não é intrínseca. Ser Mulher em si não significa ser bela e do lar ou calar-se e servir o deus o homem e o filho, como algumas coitadas (a direita) querem ainda continuar a fazer. NÂO! Quando digo que as feministas se enganaram eu refiro-me ao facto de TUDO ESTAR PRATICAMENTE NA MESMA depois de quase um século a nível do respeito e da dignidade da mulher dentro do Sistema e portanto na forma como ela é tratada seja em casa e no emprego. O erro delas foi acreditar que o Sistema patriarcal as pode proteger e ser justo com as mulheres e que podia equilibrar as desigualdades sociais e agora vemos que a Mulher como vitima da violência doméstica e feminicídio é ignorada. PORQUÊ? Ela não vê o seu erro que foi acreditar na igualdade como arma e assim entrou no Sistema pelo modo operandus do homem...e ficou tudo na mesma a nível da sua esência. Ela não fez a DIFERENÇA que a caracteriza como Mulher de poder mas de poder interior. Tudo isto se confunde e sei que também me confundem a mim quando digo que" não sou feminista mas antropologicamente lucida (A.H.)" - eu fui feminista! Eu fiz no meu tempo tudo o que era possível e a risco de vida! Mas percebi que não era apenas ser económica e socialmente liberta que ia ser RESPEITADA. Há uma Mulher essência a resgatar que não é da fábrica nem  do lar nem da rua nem do bordel…

rlp


A UTOPIA FEMINISTA - apesar da razão e apesar da verdade de tudo que aqui está dito neste excelente artigo, o que sabemos é que o Sistema nunca esteve do lado das mulheres e diante deste ataque cerrado as mulheres em todo o mundo se as feminista  não virem o problema ESSENCIAL e se não perceberem QUEM É A MULHER ESSÊNCIA, tudo vai continuar na mesma e a digladiar-se num campo de batalha seja ele qual for…


Enxovalhadas estamos nós!
Não precisamos de Netos Moura e outros/as mais que estão de acordo com as decisões
05 Mar 2019 / 02:00 H.


Veio o Juiz Neto Moura dizer que vai processar todas as pessoas que o enxovalharam, a propósito das suas decisões sobre casos de violência doméstica. É preciso ter muita lata e pensar que, a maioria das pessoas deste País que o contestam, são burras ou estúpidas. Ou então, se calhar, o senhor Juiz ainda pensa que está na época medieval e que pode castigar quem de si discorda, esquecendo-se que vivemos em pleno século XXI, num País que soube fazer uma revolução e correr do poder os “senhores” que pensavam de igual forma e censuravam o direito de opinião.

Quem se sente enxovalhada com as suas decisões somos nós. Nós é que o devíamos processar e exigir o seu afastamento imediato de qualquer processo relacionado com violência doméstica ou sexual. Nós não confiamos em si. Nas suas mãos não está a justiça que procuramos. Na sua cabeça existe um ódio absurdo e insultuoso contra as mulheres. Quando retira a pulseira eletrónica a um agressor, que tinha maltratado e agredido de forma bárbara uma mulher, o que é que pretende? Que sejamos generosas consigo? Compreensivas com a leitura abusiva que faz das leis, que lhe permite decidir tal coisa?

Quando estamos a viver um ano negro de violência contra as mulheres, onde em dois meses 11 foram assassinadas, pelas mãos de alguém que um dia lhes jurou amor, o que pedimos à justiça, no seu todo, é que funcione de forma rápida e eficaz e penalize duramente estes crimes. Não com toda a demora de um processo comum, mas com toda a urgência que estas situações merecem. Quando as vítimas fazem queixa, queremos que a sua proteção se faça de forma imediata. Que os órgãos de justiça não fiquem em “lume brando” com papéis para a frente e para trás, e entretanto, quem agride, continue a fazê-lo com cada vez mais violência, por vezes culminando em assassinato.

Queremos que, quem comprovadamente agride, seja afastado da vítima de forma imediata. Não queremos que sejam as vítimas a terem que sair de casa, como se fossem elas as culpadas por aquilo que lhes está acontecer, muitas vezes com os filhos menores a terem que mudar todos os seus hábitos de vida. Queremos que as casas de abrigo sejam apenas centros de emergência SOS, que continuam a cumprir um papel extraordinário em situações de risco de vida, mas que tem que ser, por natureza, pontual e não duradouro.

Queremos profissionais de justiça, a todos os níveis, devidamente formados para lidarem com estas situações complexas, onde estão em risco muitas vidas. Queremos juízes e juízas preocupados/as com as vítimas e que não brinquem às maquilhagens no dia dedicado à Mulher. Já basta quando muitas mulheres para disfarçarem as nódoas negras das agressões recorrem a esse meio, enganando a si próprias e a todas as pessoas que as rodeiam.

Queremos ter orgulho e respeito pelo poder policial e judicial, pilar fundamental para defender os nossos direitos e as nossas vidas. Não precisamos de Netos Moura e outros/as mais que estão de acordo com as decisões. Não queremos nos sentir enxovalhadas com a justiça do nosso País. É por tudo isto, e mais o que ficou para dizer, que no dia 8 de Março vamos gritar, bem alto que estamos vivas e dizemos BASTA DE VIOLÊNCIA, QUEREMOS SER TRATADAS COM DIGNIDADE!

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DEVEMOS LEMBRAR QUE O SISTEMA REPETE UM PADRÃO:

"Este padrão da honra fálica escapa ao individualismo metodológico. O assassino obedece a um padrão que lhe foi incutido desde a infância e que é partilhado por uma população que espera dele o acto final de se suicidar depois de matar a companheira, se esta o “humilhar”, humilhando a população que espera que ele mantenha o padrão da dominação fálica radical. Neste contexto (existem outros), a honra manda matar a mulher, para apagar a vergonha da incapacidade de manter a dominação fálica, e manda o homem suicidar-se, para recuperar na morte a honra perdida.
O homem de honra não aguenta a perda da face, a humilhação pública, a desonra, que o obriga a reagir de acordo com as expectativas da comunidade que partilha estes valores. Não se trata de ciúme, nem de amor frustrado. O que está em causa é a honra viril, o orgulho fálico. Nestes casos, a relação entre homens, real ou imaginária, é muito mais importante do que a relação com as mulheres supostamente amadas. De facto, as mulheres, neste padrão fálico, não contam. A heterossexualidade, sendo uma ‘obrigação social’, promovida desde cedo pelo bullying sistemático dos ‘maricas’, tornados bodes expiatórios, fragiliza este tipo cultural de homem (existem outros) e o desemprego, a perda de poder económico ou a intenção da companheira recomeçar a vida, procurando outro companheiro, colocam-no numa zona de humilhação pública que o leva a recorrer à solução final – a morte de ambos, devolvendo a honra social ao assassino."

domingo, março 03, 2019

A MERCADORIA HUMANA



"BARRIGAS DE ALUGUER" - RESPOSTA A UMA PERGUNTA

...."mas e a necessidade da mulher, que existe em muitos casos, ou simplesmente a vontade de usar esse benefício de ser mãe de ''aluguel'' por vontade própria? Queria entender mais sobre essa sua visão..."


USAR ESSE BENEFICIO?

- Compreendo a sua duvida...mas repare, a vontade de ser barriga de aluguer é a mesma "vontade" que a mulher à partida tem de ser prostituta...Na verdade é usar o que lhe resta quando não casa e não tem  uma situação financeira estável… Portanto ou casa que é o caso do bom partido ou do bom casamento sendo uma boa esposa-mãe presa ao lar, ou se fica solteira ou for divorciada e viúva, quase sempre sem recursos vê-se obrigada a ter que  ir à vida… A verdade é que estando ela desde logo fragilizadas e despersonalizada, o que acontece é que quanto mais vulnerável mais o Sistema  tira partido da mulher que se vê assim  e desde logo submetida a um sistema social moral e religioso que a manipula. E começa por ai o uso e abuso da mulher que é secular.
No caso da mulher  ficar solteira e sem recursos outros que não o casamento (não sendo rica nem tendo heranças ou um bom emprego, a mulher não lhe  resta muitas soluções que não passem pelo seu corpo-sexo …é o mais fácil e o que que lhe resta de si para vender, e neste caso, para além do corpo-sexo como prostituta  ela vai vender também o Utero para poder sobreviver...e como vende o sexo também vende o bebé se for o caso e der lucro. 

Toda a gente pensa que a mulher é prostituta porque escolhe e por vontade dela - sabemos que isso é mentira e a sociedade totalmente hipócrita porque é ela que empurra a mulher para isso não lhe dando qualquer apoio como mulher e mãe solteira ou como separada e considerando-a puta por tudo o que ela faça se não tiver dono, se não tiver um homem  e é isso que está em causa: O Sistema quer levar a mulher a ser pura mercadoria etc etc. 

É claro que as ideias são muito bonitas... "coitadinhas das crianças abandonadas pelo pai e pela mãe", vão ter um lar - que lar? ...Mas afinal, se o pai e a mãe não tem estabilidade emocional nem financeira para suster o seu filho, o que os gays vão dar é dinheiro porque tem dinheiro para comprar o bebé ou enfim seja qual for a idade da criança, dar-lhe bens, roupas de marca e brinquedos e colégios? tudo embrulhado pois claro em "afecto" - quando nós sabemos que as pessoas, a começar pelos pais, estão esvaziadas de tudo e são totalmente egoístas.
Todas essas ideias são idealização e mentiras que os mideas e os politicos se ocupam para com assuntos fracturantes vender mais.
E diga-me meu caro, onde está a estabilidade sexual e emocional do casal gay, onde? Nunca existiu nem nunca existirá e se o romance hetero acaba ao fim de seis meses... no caso dos gays acaba todas as semanas...eu falo assim porque vivi muitos anos no meio e ele não mudou assim tanto em 20 anos... Tudo isto são manobras politicas e eu digo e afirmo que o Sistema ataca e quer mais uma vez destruir a Mulher e a sua essência dizendo que é a sua liberdade…

rlp

O SISTEMA É UMA ALIANÇA MASCULINA DE DOMINIO E EXPLORAÇÃO DA MULHER

"A aliança masculina e o patriarcado foram os recursos a que o homem teve de deitar a mão a fim de lidar com o que sentia ser o terrível poder da mulher. O corpo feminino é um labirinto no qual o homem se perde. É um jardim murado, o hortus conclusus do pensamento medieval, no qual a natureza exerce a demónica feitiçaria. A mulher é o construtor primordial, o verdadeiro Primeiro Motor. Converte um jacto de matéria expelida na teia expansível de um ser sensível, que flutua unido ao serpentino cordão umbilical, essa trela com que ela prende o homem.”*


*Camille Paglia

EM QUE PENSAM AS MULHERES?



A mulher caminha sobre o fio da navalha… ela sangra para dar vida ao homem e é morta pelo filho que amamenta. rlp


As mulheres em geral, para não dizer quase todas, continuam a sonhar que são livres-emancipadas e que vivem em igualdade e democracia…e a pensar no homem que idealizam - que as subjuga e mata em vez de serem elas mesmas…
Elas não querem ver a forma como são continuamente abusadas e mal tratadas onde quer que estejam...sempre desconsideradas e postas em causa na sua idoneidade e contudo continuam fiéis aos homens e ao patriarcado.

"O que mais interessa às pessoas, digamos às mulheres?" 

- perguntou Clarice a um amigo ao telefone…
E "do fundo da sala enorme a minha amiga respondendo em voz alta e simples: "O homem" Rimos, mas a resposta é séria. É com um pouco de pudor que sou obrigada a reconhecer que o que mais interessa a mulher é o homem."*Clarice Lispector





NO CORAÇÃO DA ROSA



REGINA MUNDI

Imaculada Conceição, estás no centro da terra,
no coração da rosa. À tua volta está o mundo
em círculos...
Força de vida, enrola-me em ti.
Calada e funda. violenta e tão docemente.

A noite vai descer sobre a terra.
Os montes para o céu.


in A Força do Mundo
DALILA PEREIRA DA COSTA

sexta-feira, fevereiro 22, 2019

QUANDO SE FALA DE MULHERES



O CORPO FEMININO 
COMO OBJECTO MÉDICO E "MEDIÁTICO"

"Quando se fala das mulheres e para as mulheres, o discurso sobre a corporalidade parece tomar rumos precisos: o corpo parece ser a ancora da mulher no mundo, sua razão de ser, para si mesma e para o outro, para o desejo do outro. Essa é a lógica que orienta o discurso dos midea e se torna visível tanto no discurso da publicidade, quanto dos programas femininos . Essa equação mulher=corpo se reafirma nos programas femininos, onde abundam médicos de especialidades diversas para falar de tudo aquilo que falta ou sobra na insubordinação fisiológica feminina”

(Excerto de um Estudo de L.Graciela Natansohn
Da Faculdade de Tecnologia e Ciência)


UM TESTEMUNHO

"A violência doméstica de que agora tanto se fala (que não é só doméstica e que há muito existe) é apenas a ponta do icebergue, um aspecto visível de uma violência global: uma violência moral, umas vezes quase subliminar, outras, tão descaradamente manifestada e assumida como normal, que consegue envolver-se numa capa de aceitação e/ou conivência social. Um todo a necessitar de ser urgentemente desconstruído e refeito.
Em início de adolescência, ouvia a minha mãe: “Não vistas isso, olha que os homens…”. Na minha inocência (e convencida de nada de mal estar a fazer) e na minha precoce auto-afirmação, desobedecia, e vestia o que a minha criatividade e gostos da altura me indicavam. Mas… as consequências foram duras (embora consideradas normais e, portanto, a “responsável” de tais situações… só podia ser eu, nós, todas as mulheres que… não obedeciam, ou que se achavam seres humanos livres). As jovens adolescentes eram facilmente insultadas, tratadas de prostitutas, abusadas fisicamente (caso percorressem algum caminho mais isolado). Tudo isso era frequente, toda a gente o sabia, nada se fazia. Uma saia curta simbolizaria uma vontade feminina de atiçar instintos mais que primários masculinos e, assim sendo, as responsáveis do que quer que fosse, eram sempre as gentes femininas. Assim, noutros… sítios, os homens embrulham as mulheres em tchadores, burqas e etc., para não os tentarem, de tão indefesos. A diferença entre o que está na base destas atitudes, no fim de contas, não é nenhuma, a não ser em detalhes.

“Não à violência-não à dor-não ao desamor”, dizia-se, há alguns dias, numa manifestação pelas vítimas de violência doméstica. A realidade é que há desamor a mais, e a fonte da violência… está nele. Por isso, não basta dizer que há homens a matar mulheres… Há uma violência moral demasiado presente ainda, e que pode provir de homens das mais variadas origens e nível de educação. E é esse novelo que se deve desenredar. Com persistência e sem ódio."

(a continuar)

Paula Alcarpe, 19-2-19 

Quadro Lena Gal 

A VISÃO DO SAGRADO



O VERDADEIRO EROTISMO


"Num mundo desnaturado que confunde genitalidade e sexualidade, depois sexualidade e erotismo, o (verdadeiro) erotismo ou melhor a Erótica permanece reservada, hoje como ontem, hoje mais do que ontem, a uma elite. A Erótica não é este desespero que os humanos confundem com Amor quando eles lançam cegamente uma ponte sobre o seu próprio vazio, para não enfrentar a sua ausência, em relação a uma imagem que eles próprios criaram sem disso terem consciência” *

in Kali A força do Feminino de Ajit Mookerjee 

“No seio das múltiplas culturas indianas, a visão do sagrado na aparência de uma mulher existiu sempre”.

"A mulher, não importa qual, representa a feminilidade primordial na sua forma mais pura, uma personificação da totalidade, pela essência do arquétipo: a anima, definida por Jung.
No Shaktismo, mulheres e homens não estão em guerra, mas, através da sua unicidade colectiva, eles realizam-se na plenitude feminina do universo. Na terra, eles representam o princípio cósmico. Juntos precisam de se tornar Um na relação macho/fêmea afim de, segundo as palavras de Vivekananda, de “restaurar o equilíbrio essencial das energias e das qualidades femininas e masculinas no mundo. O pássaro do Espírito da humanidade não pode voar com uma só asa”. 



Tantra – O Culto da Feminilidade - Outra visão da vida e do sexo de André Van Lysebeth





O ABUSO E A VIOLAÇÃO



 AS MULHERES NÃO SÃO IGUAIS AOS HOMENS!


"As mulheres não são apenas consumidoras na economia de mercado; elas são consumidas como mercadoria. É disso que fala o poema de Oles, e isso é o que Tax chamou de “esquizofrenia feminina”. Tax constrói um monólogo interior para a dona-de-casa-mercadoria:

"Não sou nada quando estou sozinha comigo mesma. Em mim mesma, não sou nada. Só sei que existo se sou desejada por alguém que é real, meu marido, e pelos meus filhos”. *



O ABUSO E A VIOLAÇÃO e a esquizofrenia feminina…

Uma amiga perguntava-me há dias se o facto de as mulheres denunciarem os homens de poder dos abusos e dos seus crimes de violação - como é o caso do Meeto e outros movimentos que surgiram recentemente - não estariam a fazer com que eles atacassem mais ainda as mulheres por vingança.


Não. Penso que não é por denunciar os abusos que estamos a acicatar os homens a estas monstruosidades como é o Feminicídio, a violência doméstica e o abuso sexual, embora em alguma medida haja essa possibilidade, mas a questão começa na infância - naquilo que a criança vê no modelo do pai - começa portanto no casal...na intimidade, na sexualidade, na relação do homem com a mulher…

A sexualidade é o aspecto menos resolvido da vida humana porque foi sempre incómodo e imprevisível e por mais que se julgue já liberto de tabus e preconceitos atávicos - ele foi na verdade camuflado de um pseudo amor e de ideias liberais sobre a atração e o desejo em que tudo se tornou permissivo e libertino ou pornográfico e já não há fronteiras para nada, principalmente depois da mulher se tornar "igual" ao homem. Ela mesma defende a promiscuidade sexual, o ter muitos parceiros etc. como normal e já não se importa com a "virgindade"… e o casamento está em queda...homens e mulher já não precisam casar para ter sexo e agora são os homossexuais e os trans. que querem fazer esses papéis tradicionais mas derrubando os alicerces da família e da identidade de género. O mundo está numa total confusão de narizes. Vale tudo… até mutilar-se.


Eu creio no entanto e voltando a questão inicial é que a grande maioria dos homens não está a aguentar essa liberdade da mulher e a sua exposição sexual, sendo ela mais sensual ou provocante, tomando muitas vezes as iniciativas do "engate", porque se julga emancipada, sobretudo da parte da mulher madura, e isso é demasiado confrontativa segundo os padrões masculinos e porque as mentalidades atrasadas são as mesmas de há um século.

Sim, ai sim, sentem-se provocados e porque muitos são infantis, inseguros e outros são impotentes, ou correm o risco de o ser, como não conseguem dominar ou controlar-se e se sentem rejeitados logo à partida, ou o medo de serem traídos ou abandonados pelas mulheres, eles reagem brutalmente, violentamente nas casas, nos bares e mesmo nas ruas...

Os abusos e as violações vem de tudo isso, mas não podemos ignorar também um facto que custa muito a aceitar: As mulheres que se acham livres vão reagir mal se eu disser que um dos seus erros é pensarem que podiam vestir-se ou despir-se como queriam, e que isso não traria problema nenhum. Como se o homem também tivesse evoluído...mas o sexo animal no homem primário não evolui nem o homem vulgar aceitou essa liberdade da mulher, habituado a ficar por cima…

A posse exclusiva da mulher é uma condição do macho que se preza…é o programa do patriarcado, é o casamento versus prostituição, a mulher vendida no Sistema que não muda. E as mulheres sem identidade focadas no homem e esvaziadas de si também lhe dão todas as oportunidade de abuso...elas confiam ingenuamente, elas sonham com o príncipe encantado, elas vão para encontros de facebook, elas vão para a televisão vender-se e exporem-se na sua "inocência" para "engatar gajos"… tal como os gajos vão...e mantem relações doentias de sado-masoquismo etc..

Agora, dizer, "mas eu sou "livre" e estou-me nas tintas para os homens"? Eu exijo os meus direitos? Então ai estão os direitos iguais aos dos homens… e eles sentem-se no direito que é o seu de exercer a sua posse...o abuso e a violação. Ela começa em casa…ele vê o que o pai fez com a mãe. Essa é a sua liberdade desde sempre num Sistema patriarcal e falocrático.

Não, não podemos continuar a achar que podemos expor-nos e vestirmo-nos como queremos, irmos a qualquer lado em liberdade, ou metermo-nos na "boca do lobo" - pelo menos de forma sensual e provocante -, ou não é provocante a moda? Então para quê o silicone e as operações plásticas e as maquilhagens e todos os cosméticos e artifícios senão para seduzir o homem? Como ficar espantada quando o homem reaja com o falo em riste? Aliás a cabeça do homem vulgaris está sempre lá mais abaixo… e onde quer que a mulher vá está exposta ao predador… eles andam por todo o lado e já nem disfarçam. Não, afinal esta humanidade não evolui muito nesse sentido.
rlp

*[Meredith Tax, “Woman and Her Mind: The Story of Everyday Life”, Boston: Bread and Roses Publication, 1970.]

quinta-feira, fevereiro 21, 2019

ler a palavra



Não há mais sublime sedução do que saber esperar alguém.
Compor o corpo, os objectos em sua função, sejam eles
A boca, os olhos, ou os lábios. Treinar-se a respirar
Florescentemente. Sorrir pelo ângulo da malícia.
Aspergir de solução libidinal os corredores e a porta.
Velar as janelas com um suspiro próprio. Conceder
Às cortinas o dom de sombrear. Pegar então num
Objecto contundente e amaciá-lo com a cor. Rasgar
Num livro uma página estrategicamente aberta.
Entregar-se a espaços vacilantes. Ficar na dureza
Firme. Conter. Arrancar ao meu sexo de ler a palavra
Que te quer. Soprá-la para dentro de ti
até que a dor alegre recomece.




Maria Gabriela Llansol