sábado, abril 18, 2009

TENHO SONO..


"Se a pátria se derivara da terra,
que é a mãe que nos cria,
havia-se de chamar mátria."

PADRE ANTÓNIO VIEIRA, SERMÕES


NO REINO DA DINAMARCA?

"Enquanto sentimos os males e as injúrias de Hamlet, príncipe da Dinamarca, não sentimos os nossos – vis porque são nossos e vis porque são vis.

O amor, o sono, as drogas e intoxicantes, são elementares da arte, ou antes, de produzir o mesmo efeito que ela. Mas amor, sono e drogas tem cada um a sua desilusão. O amor farta ou desilude. Do sono desperta-se, e, quando se dormiu, não se viveu. As drogas pagam-se com a ruína de aquele mesmo físico que serviram de estimular. Mas na arte não há desilusão porque a ilusão foi admitida desde o início. Da arte não há despertar porque nela não dormimos, embora sonhássemos.
(...)
Tenho neste momento tantos pensamentos fundamentais, tantas coisas verdadeiramente metafísicas que dizer, que me canso de repente, e decido não escrever mais, não pensar mais, mas deixar que a febre de dizer me dê sono, e eu faça festas com os olhos fechados como a um gato, a tudo o que poderia ter dito.


In O LIVRO DO DESASSOSSEGO
Fernando Pessoa

No dia da voz, a morte da palavra...


O NOSSO FADO...

A Voz, a Palavra,
evocadas num dia Mundial da Voz, pagagueadas as palavras por gente sem alma...gente que finge que diz e tudo o que diz não sente nem vibra, NÃO TEM RESSONÂNCIA, nem tem repercussão, porque a Voz que não faz eco com o coração é uma voz sem alma e se tantos cantam o Fado neste País e o evocam, o Fado não é só a voz, mas alma e destino de quem canta ou de quem diz...

A MORTE DA PALAVRA É A MORTE DA CULTURA, A MORTE DE UM PAÍS...


"Sente-se que a morte da cultura, isto é: a morte de milhões de palavras - hoje palavras = sons que significam muitas vezes coisas opostas; a morte do governo – hoje governo = máquina de calcular electrónica de bolso; a morte da televisão – hoje TV = entertainment, deveria estar a criar um tapete underground de autêntico desespero, angústia, desorientação e silenciosa revolução, quero dizer – um tapete extremamente fértil, um composto orgânico a partir do qual os homens podem reinventar tudo: nova vida.

O retorno à PESSOA passa necessariamente por uma denúncia e decomposição do “uso da pessoa”, entenda-se “abuso da pessoa”. Talvez por isto uso tão pouco palavras como “Deus”, “Amor”, “Bondade”. Porque sinto que estas palavras são tão vastas que acabam por manipular as pessoas – porque querem dizer tudo, a coisa, o oposto da coisa e nada. São excessivamente explícitas, espiritualmente explícitas. "


ANDRÉ LOURO DE ALMEIDA
(http://axislinea.blogspot.com/)

quinta-feira, abril 16, 2009

...dança meu coração...

SAMSARA


Você confunde a dor de que eu falo com o sofrimento comum...
Não falo de sofrer dores banais...de dores físicas ou de dores emocionais...falo de um acto da natureza interior que é romper uma barreira para chegar mais perto da essência ou mais alto. O lugar onde a dor e o prazer se misturam e dão um fruto que é Conhecimento ÚNICO...

Sei que não ME entende, mas não pense que me oponho à sua via do prazer...você é livre no seu caminho e pode escolher; o que escrevi nada tem a ver consigo pessoalmente, mesmo que lhe quisesse dar uma resposta através do que eu sinto.
Mas não, de facto a mim o prazer em si não me diz nada, nunca disse...POSSO PARECER elitista ou convencida mas a mim só o êxtase ou o nirvana me interessam. Questões de natureza íntima e de alma antiga, que já passou por todos as dores e prazeres deste mundo e que só se contenta com o sublime; com a alegria mais pura que reside na paz do nosso coração.
Sim, nem prazeres nem dores me dizem já nada…

*


(Poema XXXII)

DANÇA, meu coração! Dança hoje com alegria.
Os compassos do amor enchem de música os
dias e as noites, e o mundo escuta
as suas melodias:

Loucas de alegria, a vida e a morte dançam.
Ao ritmo dessa música, dançam as colinas
os mares e a terra. Entre risos e lágrimas,
a humanidade inteira dança.

Para quê vestir o hábito do monge e viver
separado do mundo em orgulhosa solidão?
Vê! O meu coração dança no requinte de uma
centena de artes; e o Criador se compraz.


(Cem Poemas, de Kabir. Poemas selecionados
por Tagore , da Editora Attar *(1989)

NÃO LEVAR NADA A NÍVEL PESSOAL...


(...)

"Aonde quer que vá, encontrará pessoas mentindo para você. E, quando sua consciência aumenta, vai reparar que você também mente para si mesmo. Não espere que as pessoas lhe digam a verdade, porque também mentem para si mesmas. Você precisa confiar em si mesmo e escolher acreditar ou não no que alguém lhe diz.

Quando realmente enxergamos outras pessoas como elas são, sem levar para o lado pessoal nunca poderemos ser feridos pelo que os outros digam ou façam. Mesmo que os outro mintam para você, não há problema. Estão mentindo porque têm medo. Têm medo de que você descubra que eles não são perfeitos. É doloroso retirar a máscara social. Se os outros dizem uma coisa e fazem outra, você estará mentindo para si mesmo se não prestar atenção nos atos deles. Se for verdadeiro consigo mesmo,irá poupar um bocado de dor emocional. Dizer a si mesmo a verdade pode magoar, mas você não precisa ficar ligado a essa dor. A cura é iniciada e toma-se apenas uma questão de tempo para que as coisas melhorem para você.

Se alguém não o está tratando com amor e respeito, é benéfico que se afaste de você. Se essa pessoa não se afastar, você vai permanecer anos a fio sofrendo com ela. Afastar-se pode magoar por um instante, mas seu coração irá curar-se disso. Então você pode escolher o que realmente deseja. Irá descobrir que não precisa confiar nos outros tanto quan¬to precisa confiar em si mesmo para fazer as escolhas corretas.
Quando você toma um hábito forte não levar as coisas para o lado pessoal evita muitos aborrecimentos em sua vida. Sua raiva, inveja e ciúme irão desaparecer, e até mesmo a tristeza irá dissolver-se quando você aprender a não levar as coisas para o lado pessoal.
Se você tomar esse segundo compromisso um hábito, irá descobrir que nada pode colocá-la de volta no inferno. Uma grande quantidade de liberdade fica acessível quando você deixa de levar as coisas para o lado pessoal. Você se torna imune à magia negra, e nenhum encantamento pode afetá-lo, não importa quão poderoso seja. Todo mundo pode mexericar a seu respeito, mas se você não levar para o lado pessoal, estará imune. Alguém pode enviar veneno emocional intencionalmente, mas se você não levar para o lado pessoal, estará imune.

Quando não aceita a dor emocional, ela se torna pior para quem a enviou, mas não atinge você.
Pode perceber como esse compromisso é importante.
Não levar nada para o lado pessoal ajuda a quebrar muitos hábitos e rotinas que o prendem ao sonho do inferno e causam sofrimento desnecessário. Apenas praticando esse segundo compromisso você pode começar a quebrar dúzias de pequenos outros compromissos que lhe causam sofrimento. E se pratica os primeiros dois compromissos, irá quebrar setenta e cinco por cento dos pequenos compromissos que o mantinha ligado ao inferno.
Escreva o compromisso num papel e coloque na geladeira para lembrar você todo o tempo:

Não leve nada para o lado pessoal.
Enquanto você se acostuma à prática de não levar as coisas para o lado pessoal, não vai precisar colocar sua confiança no que os outros dizem ou fazem. Só precisará confiar em si mesmo para fazer escolhas responsáveis. Você nunca é responsável pela ação dos outros;só é responsável por si próprio.Ao compreender verdadeiramente isso recusando-se a levar as coisas para o lado pessoal, você mal pode ser atingido pelos comentários descuidados ou ações dos outros.

Se você mantém esse compromisso, pode viajar ao redor do mundo com o coração completamente aberto e ninguém será capaz de lhe fazer mal. Pode dizer"eu amo você" sem medo de ser ridículo ou rejeitado. Você aprende a pedir o que precisa. Pode dizer sim ou não - qualquer que seja sua escolha - sem culpa ou autojulgamento. Você pode escolher sempre seguir seu coração. Então estará no meio do inferno e será capaz de experimentar paz e felicidade. Você pode permanecer em seu estado de graça e o inferno não será capaz de afetá-lo.
(...)

Sobre o autor

" Nascido numa família de curandeiros. Don Miguel Ruiz foi criado no México rural por uma curandera e um avô Nagual(xamã). Seus familiares imaginaram que Miguel iria abraçar o legado centenário sobre curar e ensinar,e prosseguiram com os ensinamentos toltecas. Em vez disso,distraído pela vida moderna.Miguel preferiu freqüentar a faculdade e tornar-se cirurgião.
Uma experiência quase fatal mudou sua vida. Tarde de uma noite no início dos anos 70, ele acordou subitamente,tendo adormecido ao volante do seu carro.Naquele instante ,o automóvel chocou-se com uma parede de concreto, Don Miguel lembrou-se de que não estava em seu corpo físico quando levou seus dois amigos para um lugar seguro. Chocado com essa experiência , começou um diálogo de perguntas interiores. Devotou-se, com sua mãe, ao domínio ancestral antigos,completando seu aprendizado com um poderoso xamã no deserto mexicano. Seu avô, que já havia morrido, continuou a ensina-lo em sonhos.
Na tradição dos toltecas, um nagual guia o indivíduo na direção da liberdade pessoal.

Don Miguel Ruiz é um nagual da linhagem do Cavaleiro da Águia.

O PODER DA PALAVRA


(...)

"Ser impecável com sua palavra, você começa a perceber todas as mudanças que podem acontecer em sua vida. Primeiro, na forma como você lida consigo mesmo, e, depois, na forma como lida com outras pessoas, especialmente aquelas a quem ama mais.
Considere quantas vezes você mexericou sobre a pessoa que ama para conquistar o apoio de outros para o seu ponto de vista. Quantas vezes você capitulou a atenção dos outros e espalhou veneno sobre quem ama mais, a fim de tornar sua posição correta? Sua opinião não é nada além do seu ponto de vista.Não é necessariamente verdadeira.Sua opinião deriva de suas crenças,do seu próprio ego e do seu próprio sonho.Criamos todo esse veneno e o espalhamos aos outros,de forma que possamos imaginar certos em nosso ponto de vista.
Se adotarmos o primeiro acordo e nos tornarmos impecáveis em relação a nossa palavra, qualquer veneno emocional será limpo de nossa mente e de toda a comunicação em nossos relacionamentos pessoais, incluindo nosso ani¬mal de estimação, cão ou gato.

A impecabilidade no mundo também irá conferir imunidade em relação a alguém colocando um encantamento em você.Você apenas receberá a idéia negativa se sua mente for um terreno fértil para essa idéia.Quando você se toma impecável em relação a sua palavra, sua mente não mais se constitui em terreno fértil para as palavras que formam a magia negra. Ao invés disso, é um terreno fértil para palavras que venha do amor. Você pode medir a impecabilidade de sua palavra pelo seu nível de amor próprio.
Quanto você ama a si mesmo e como se sente consigo são diretamente proporcionais à qualidade e integridade de sua palavra. Quando você é impecável com suas palavras, sente-se bem, feliz e em paz.
Você pode transcender o sonho do inferno apenas firmando o compromisso de ser impecável com sua palavra. Neste instante estou plantando essa semente em sua cabeça. Se ela ,'ai ou não crescer, depende de quão fértil sua mente é para as sementes do amor. Cabe a você firmar esse compromisso com você mesmo:”Sou impecável com minha palavra". Cuide dessa semente e, à medida que ela germinar em. sua mente, irá gerar mais sementes de amor para substituir as sementes de ódio. Esse primeiro compromisso irá mudar o tipo de sementes que brotam de sua mente.
Ser impecável com a própria palavra. Este é o primeiro compromisso que você deve fazer se quiser ser livre, se quiser ser feliz, se quiser transcender o nível de existência que é o inferno. Use a palavra para espalhar o amor. Use magia branca, começando com você mesmo. Diga a si próprio quão maravilhoso você é, como é grande. Diga a si mesmo como gosta de você. Use a palavra para quebrar todos os pequenos compromissos que o fazem sofrer.
É possível. É possível porque eu fiz isso, e não sou melhor do que você. Não, somos exatamente a mesma coisa. Temos o mesmo tipo de cérebro e o mesmo tipo de corpo; somos humanos. Se eu fui capaz de quebrar esses compromissos e criar novos compromissos, então você pode fazer a mesma coisa. Se posso ser impecável com minha palavra, por que você não pode? Apenas esse compromisso pode mudar toda a sua vida. A impecabilidade da palavra pode levar à liberdade pessoal ao sucesso e à abundância; pode facilmente dissolver todo o medo e transformá-lo em alegria e amor. Imagine só o que você pode criar com a impecabilidade da palavra. Com a impecabilidade da palavra, você pode transcender o sonho do medo e viver uma vida diferente. Pode viver no céu no meio de milhares de pessoas que vivem no inferno, porque você é imune a esse inferno. Você pode atingir o reino do céu apenas com este compromisso: seja impecável com sua palavra.
(...)

in Os quatro compromissos de Don Miguel Ruiz

quarta-feira, abril 15, 2009

A DOR DO FALSO AMOR...


(...)
PARA EVITAR O DESASTRE, A MULHER TEM DE NOVO REENCARNAR A DEUSA
NA TERRA,
DE RECUPERAR COLECTIVAMENTE A MEMÓRIA DE QUEM É,
DE REAPRENDER A ARTE DE CURAR,
DE SE ASSUMIR DE NOVO COMO GUARDIÃ DO GRANDE ÚTERO FERIDO
QUE É A TERRA
DANDO AS MÃOS ENTRE SI PARA A TRATAR
RESTITUINDO-LHE A CAPACIDADE DE CRIAR

(...)
IN Os Portais do Tempo
de Antónia de Sousa
ed. ART-FOR-ALL


A dor do falso amor...

"Essa ânsia pelo amor, baseado numa insuficiência, traz consigo uma praga de outros problemas. Quando a nossa sensação de bem estar depender da aprovação e do amor dos outros, tornamo-nos naturalmente dependentes - ou mesmo viciados - nesses outros. Agarramo-nos a eles, exigimos a sua atenção e amamo-los condicionalmente, oferecendo-lhes amor quando eles se comportam como queremos e rejeitando-os quando não o fazem."
in " O ESSENCIAL DA ESPIRITUALIDADE" - ROGER WALSH
*
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RESPOSTA ATRASADA A NANA ODARA:
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Ninguém está sempre bem minha amiga...ninguém, nem os santos, os yoguis ou os sábios. A dor faz parte a nossa humanidade e é ela que, NESTE PLANO, serve de motor para crescermos, para subirmos a escadas da evolução. Não o prazer, ao contrário do que pensa...O prazer é apenas o momento culminante que segue à dor do orgasmo para ser depois fusão e apaziguamento, ou a dor antes do parto, que antecede o êxtase do nascimento, mas digamos que essa dor nem é bem dor, é só crescimento...é o tempo da semente rasgar a terra, da árvore dar fruto, o tempo de compreender que o amor tem duas faces e que tudo na terra é dualidade, por isso chove para regar o chão seco e depois o sol vem para aquecer...
Talvez um dia alcancemos esse estado de equanimidade ou a Terra prometida, o Paraíso, onde a harmonia e a paz substituem em definitivo esses dois lados da experiência humana e sejamos então anjos...sem desejos nem penas...
rlp

VEM SOBRE OS MARES...


VEM, DOLOROSA,
MATER-DOLOROSA DAS ANGÚSTIAS DOS TÍMIDOS
TURRÍS-ÉRBURNEA DAS TRISTEZAS DOS DEPREZADOS,
MÃO FRESCA SOBRE A TESTA EM FEBRE DOS HUMILDES,
SABOR DE ÁGUA SOBRE OS LÁBIOS SECOS DOS CANSADOS.
VEM LÁ DO FUNDO
(...)
Onde estão os mares que os Navegadores abriram;
Outra folha minha atira ao Ocidente,
Onde arde ao rubro tudo o que talvez seja o futuro,
Que eu sem conhecer adoro;
E a outra, as outras, o resto de mim
Atira a Oriente,
Ao Oriente de onde vem tudo, o dia e a fé,
Ao Oriente pomposo e fanático e quente,
Ao Oriente excessivo que nunca verei,
Ao Oriente budista, bramânico, sintoísta,
Ao Oriente que tudo o que nos temos,
Que tudo o que nós não somos,
Ao Oriente onde - quem sabe? - Cristo talvez ainda hoje viva,
Onde Deus talvez exista realmente e mandando em tudo...

Vem sobre os mares,
Sobre os mares maiores,
Sobre os os mares sem horizonte precisos,
Vem e passa a mão pelo dorso da fera,
E acalma-o misteriosamente,
Ó domadora hipnótica das coisas que se agitam muito!


(ode à noite de fernando pessoa)

terça-feira, abril 14, 2009

A SUA FACE VERDADEIRA E OCULTA...



E só agora vejo que a rosa era a sua anunciadora, a que vinha antes, a ocultas, consigo ligada.
Ela vinha este e aquele dia, aparecendo-me em formas diversas, no sonho (que dizia: o mundo é construído como uma rosa – camadas e camadas que é preciso atravessar para chegar ao seu centro, que será o centro de dentro e o de fora); na praça romana surgiu como uma rosa verdadeira, atravessada pétala a pétala, até ao fundo; ou então reduzida ao seu único centro, coração de tudo, o fim, a ponte de passagem entre terra e céu. E então, só depois, nos anos seguintes, veio a Virgem, seu ser enfim revelado, aquele que antes tinha aparecido em símbolo, em imagem viva. Agora ela vem, três vezes, em três vindas sempre diversas e novas: do centro da Terra, brotando das suas entranhas, por um momento abertas, em altas e espiraladas chamas de fogo branco; aparecida súbita no meu quarto, ao meu lado, rodeada o meu ser que ele mesmo rodeava; de noite, em assunção no prado verde das árvores, em torres rendadas subindo para o céu: e eu nelas subindo.
Mas primeiro fui a sua flor, como sua face verdadeira e oculta. Face que a revelava e anunciava, em imagem transporta. Para mais tarde ser decifrada.


(17-VI-1967)
In A FORÇA DO MUNDO
DALILA PEREIRA DA COSTA

Oh, coração ardente, precioso.


TERRA PERDIDA

Quando havia o poder de tocar fundo na terra e aí tocar o seu coração ardente. E com ele, todas as coisas. Naquele saber de alma a alma, de fusão. Ir pela estrada, e as árvores passarem ao meu lado (através de mim), ardendo em chamas.
Porque o que era dado ver e tocar, era a vida nua, desvendada.
E pensar: tê-lo possuído o Paraíso, no meio do inferno. Ah, as pontas dos dois cones que se tocam.
O Paraíso está então nesse centro, rodeado pelo inferno como círculo de fogo? (É então o Paraíso o coração do Inferno?) É a vida o preço do Paraíso? Consumida, depurada, ao passar esse anel de fogo?
A vida própria, para atingir a outra, a verdadeira?
Oh, coração ardente, precioso.
E depois, no fim, fugir pelo alto.

(16/3/1964)
in a Força do Mundo
Dalila Pereira da Costa

segunda-feira, abril 13, 2009

A ALIENAÇÃO DOS MÉDICOS E DA MEDICINA


Os médicos são quase deuses para a pessoas em geral, sobretudo para as pessoas mais ignorantes e desprotegidas que na sua miséria e desgraças se enchem de maleitas, sobretudo as pessoas idosas, nomeadamente as mulheres, sempre as mas sobrecarregadas, que no seu infortúnio, vêem nos médicos os seus salvadores e viram-se para esses falsos deuses com a mesma fé que antes tinham em deus e iam ao confessionário procurando o consolo dos padres.

E os médicos aproveitando-se disso tornaram-se em déspotas, arrogantes, vaidosos e oportunistas que se servem de toda essa miséria para angaria domínio e importância social, protagonismo e dinheiro.

Eles estão tão distantes de qualquer deontologia, de qualquer rasgo de consciencia humanitária (admitindo sempre as excepções à regra, claro), que a sua acção é hoje mais perigosa do que as doenças em si. Eles estão tão agarrados ao seu poder em Portugal que agora lutam com todos os dentes para manter o direito de serem eles a escolher receitar medicamentos 3 vezes mais caros para receberem os benefícios das grandes farmaceuticas que lhes pagam as suas regalias e não querem receitar genéricos, produtos muito mais baratos, só para não perderem essas benesses.

É tão descarada esta luta pelo poder e pelo dinheiro, quer dos médicos quer dos políticos, tão grande a sua cegueira e ambição, que nem o governo nem os ministros querem saber para nada das pessoas mesmo no meio desta crise que ameaça toda a gente.


"O Elo Perdido da Medicina

"Você que é homem não sabe o que é extirpar um útero e aproveitar e arrancar os ovários considerados, neste caso, sem mais função alguma. Você talvez nem sinta na pele o que é extirpar os próprios testículos, porque não acredita que a sua próstata irá adquirir um tumor maligno. Mas você que é mulher sente o corpo arrepiar só de ouvir isso – embora talvez nunca se tenha perguntado – o porquê de a ginecologia, por exemplo, ser uma especialidade dominada pelos homens. Da mesma forma, você é orientada a submeter os seus seios, além do desconforto e dor, ao bombardeio de raios X, periodicamente, sem questionar se há outro método de vigiar a saúde de suas mamas. Ou, ainda, basta uma consulta médica, com ou sem sintoma algum aparente, e crianças, jovens, adultos e idosos de ambos os sexos são encaminhados cada vez mais para laboratórios e clínicas de exames radiológicos e eletroeletrônicos que demandam contrastes de substâncias químicas, algumas tóxicas, circulando no nosso organismo. Sem falar do custo em dinheiro.

Porque o médico, como mediador entre a natureza e o organismo, perdeu o lugar para a medicina como ordem médica. A medicina perdeu para os equipamentos e laboratórios, estes, para a tecnologia, e esta, para a indústria e o capital. Quão distantes da natureza nos tornamos.

Não há dúvida, algo está errado neste cenário. Mas onde isso tudo começou, onde foi que erramos? Quando perdemos esse elo com a natureza? Perguntas sugestivas numa época (século XXI) em que constatamos quão adoecido está o ambiente total, o planeta."
(...)
Dr. Eduardo Almeida & Luís Peazê