sexta-feira, maio 15, 2009

AUTO-RETRATO

Jovem, quiz tanto ser santa, mártir,
ou amazona...
Quis salvar o mundo da miséria,
Das injustiças e da guerra!
Quis lutar por uma causa justa,
Libertar a mulher...
Quis ser escritora, sábia e poeta...

Quis tanto ser útil à humanidade,
Morrer por amor de um ideal superior!
Depois, já madura, quis encontrar o mistério da Vida,
A essência da morte...
Saber a Palavra secreta,
Conhecer o Verbo,
Ser devota da Deusa, salvar o Planeta Terra...
Por fim, velha, aprendi ser a luta vã e inútil,
o saber mundano...
Percebi que os homens são santos e também criminosos...
E que toda a humanidade é feita desta matéria contraditória.
Agora só me resta conhecer-me por dentro
E ser inteira apenas eu própria!

Ninguém para fora...

in Antes do Verbo era o Utero
(pagina 39)
Rosa Leonor Pedro

UMA MULHER SÁBIA, AO CENTRO...


..."OU EU ME VOLTO PARA DENTRO OU EU MORRO"...

"Daqui em diante se a gente não souber lidar com o impossível, o nosso cérebro não vai saber lidar com a realidade. Mas apesar de tudo isso é uma mensagem de esperança, uma mensagem de que a vida nasce do impossível..."

Rose Marie Muraro

Quando a cultura matricêntrica dá lugar ao patriarcado, rompem-se os laços de afeição que uniam mulheres às outras mulheres.

Agora, é a mulher que quando se casa vai para a casa do marido. A partir da dominação econômica exercida sobre ela pelo marido e sua família, a mulher introjeta a sua inferioridade.
E esta introjeção se traduz em dependência psicológica em relação ao homem em tendências masoquistas ( sentir prazer em humilhações e sofrimentos) frigidez e carência sexual.
Enquanto as mulheres se dividem entre si,os homens continuam capazes de fazes alianças e muitas vezes de viver em grupos solidários,o que reforça então a sua superioridade construída sobre a divisão das mulheres.

Quando se torna adulto, o homem já não é capaz de amar a mulher. Ele cinde o desejo sexual do afeto e, com isto, cinde também a imagem da mulher. De um lado a esposa, a santa, a sucessora da mãe, que pertence ao domínio do afeto. De outro a prostituta (a libertária, a punk, a alternativa) aquela que pertence ao domínio do prazer.
Assim, o homem se divide para não se entregar, pois desde a infância aprendeu que entregar-se ao amor é ser castrado, e portanto, morrer, ser vencido.

Cada um, pois, homem e mulher, assume o seu lugar no sistema patriarcal a partir do mais intimo de si mesmo, sem saber que são ambos fabricados para serem o combustível do sistema, vivendo papéis que este lhes destinou.”

Rose Marie Muraro

VER MAIS EM MATER MUNDI: http://lealdadefeminina.blogspot.com/
*

PARA UMA NOVA ORDEM MUNDIAL
(...)
As mulheres já estão entrando nos sistemas simbólicos masculinos; ajudando a desconstruir a ordem universal de poder. As mulheres entram nos sistemas simbólicos masculinos no momento em que esses estão se mostrando implacavelmente destrutivos em relação à vida. A tarefa monumental que os movimentos de mulheres e as mulheres têm hoje é a de construir uma nova ordem simbólica não mais centrada sobre o falo (o poder, o matar ou morrer que é a sua lei), mas uma nova ordem que possa permear desde o inconsciente individual até os sistemas macroeconômicos, mas, agora, numa nova ordem estruturada sobre a vida. Essas reflexões não poderiam estar sendo feitas se esse trabalho já não estivesseem curso.
Já estão sendo construídos consensos entre os povos contra uma dominação global que exclui o grosso da humanidade e sobre uma nova ordem que inclua uma relação complementar entre os gêneros, uma família democrática, um tipo de relação econômica que não transfira a riqueza de todos para os poucos que dominam, que inclua relações comerciais e econômicas menos desumanas e destrutivas.
As mulheres já estão entrando nos sistemas simbólicos masculinos. E não só nas instituições convencionais (empresas, partidos etc.), mas também em outras, muitas vezes na contramão da história (nas lutas populares, ecológicas, pela paz etc., onde são a grande maioria). Elas estão construindo uma nova ordem simbólica, na qual o "grande outro" é a vida (viver e deixar viver), e ajudando a desconstruir a atual ordem universal de poder. Se não trabalharmos nessa profundidade, por mais que se transformem as estruturas económicas antigas, elas tenderão a voltar. Ou substituímos a função estruturante do falo pela função estruturante da vida ou não teremos mais nem falo nem vida.
*
(Publicado na Folha de São Paulo Tendências e Debates - 08/03/01 )
*
Autora-Rose Marie Muraro, 7? anos, escritora e fundadora do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher
VER MAIS EM: http://rosemariemuraro.blogspot.com/

quinta-feira, maio 14, 2009

SER TESTEMUNHA DO CORPO DE DOR...

"Alguns ensinamentos espirituais afirmam que a dor é uma ilusão em última análise, e isto é verdade. A pergunta é: Será que é a verdade para você? Ou uma mera crença. Quer sentir dor para o resto de sua vida e continuar dizendo que é uma ilusão?
O que nos preocupa aqui é, como é que se conta para esse ser a verdade, ou seja, torná-la real em sua própria experiência.

Então, a dor-corpo não quer que você a observe diretamente e a veja como ela é. O momento que você a observa, ela se sente no domínio da energia dentro de você e toma sua atenção para então, a identificação ser quebrada.
Uma maior consciência da dimensão da mesma é como fazer um apelo para sua PRESENÇA. Agora você é a testemunha ou o observador do corpo-dor.
Isso significa que ele não pode mais usar você fingindo ser você, e você não pode alimentá-lo através de você.
Você encontrou a sua maior fonte de força interior. Você está inscrito para poder fazer isso agora.
Eckhart Tolle
*
Pois é minhas queridas, só nas situações concretas nos revemos e percebemos a distância que vai da teoria à prática...é aqui que eu digo que sem passar pela experiência do confronto com as situações reais não sabemos realmente o que somos. Eu também vivi as minhas contradições e só a idade me libertou delas...mas nunca podemos ficar muito seguras, porque as surpresas acontecem quando menos esperamos. Por isso o trabalho de consciencialização da mulher E DA SUA TOTALIDADE é árduo e implica estar atenta às suas feridas, ir ao mais fundo de si mesma onde os registos atávicos permanecem à revelia dos nossos conhecimentos teóricos do plano mental, à revelia das nossas aspirações espirituais e de sermos justas e imparciais umas com as outras.

O ódio da mulher pela outra mulher ou por si mesma é tão antigo que esquecemos a origem...por isso defendemos os homens e atacamos as mulheres, quase sempre...Somos antagónicas com as mulheres e cúmplices do homem: é a lei da sobrevivência do mais fraco...e não vamos negar que vivemos nessa condição durante séculos. A ideia de que podemos compor tudo numa ou duas décadas...é ilusória, e não podemos esquecer as dores e humilhações sofridas por uma falsa condição da mulher se não formos bem ao fundo do nosso ser, às nossas memórias remotas, ao encontro da nossa Sombra e a enfrentarmos sem medo nem disfarces...Se o não fizermos não saberemos nunca o nosso progresso interior e continuaremos a confundir o que pensamos com o que realmente sentimos… Continuaremos a confundir as nossas crenças e ideias com uma realidade que não existe, como quando seguimos uma religião ou uma ideologia.
O nosso corpo de dor é muito antigo e “superior” ao do homem. Deve-se a muitos séculos de domínio, exploração e exclusão e isso não mudou com umas pinceladas de alternativas, novos credos, mais umas doses de esoterismo e uma grande medida de qualquer poção mágica da nova era…e pronto já está: temos a OBRA realizada, não...
As feridas demorarão a cicatrizar e vai ser precisa muita paciência e muito amor, muita compreensão por nós mesmas. O nosso corpo de dor é imenso e se a humanidade homem sofreu horrores temos de ser lúcidos e perceber que a mulher sofreu a dobrar. E sofre ainda. Não o devemos lembrar por masoquismo ou desejo de vingança mesquinha, mas para não desviar o olhar e curar. Para tratar e curar a fundo. Para amar com redobrado cuidado, para que as mulheres percebam como e porque se odiaram e traíram e recuperar o tempo perdido para sarar esta humanidade em igualdade de circunstâncias, com respeito e conhecimento de causa. Porque enquanto essa consciência não for real, desperta bem lá no fundo, implicitamente esses sentimentos e emoções ocultas, antigas feridas, padrões de relacionamento inconsciente etc., vão continuar a manifestar-se enquanto se diz que estamso muito evoluídas e vivemos em paridade…quando afinal a qualquer momento podemos verificar que não é verdade no íntimo de cada uma de nós…ao darmos por nós ainda a competir e a odiar a "outra"...porque é diferente, porque é uma p...

etc. etc. etc.
rlp
Eu sei que nascemos ora homens ou mulheres em vidas diferentes...mas quando nascemos mulheres herdamos por linha matrilínea todas as memórias e feridas das nossas ancestrais...e a nossa missão como mulheres é recuperar a nossa mais profunda identidade, essa natureza intrínseca ligada á Grande Deusa, à Terra e Mãe. E unir o Céu e a Terra...

quarta-feira, maio 13, 2009

O CORPO DE DOR

Enquanto não estiver conseguindo acessar o poder do agora, toda dor emocional que você experimenta, você deixa para trás um resíduo de tristeza que vive em você.
É misturado com a dor do passado, que já está lá, e está instalada em sua mente e em seu corpo. Isto, naturalmente, inclui a dor sofrida em sua infância, provocada pela inconsciência do mundo em que elas nasceram.
A dor é um campo energético negativo acumulado que ocupa o seu corpo e sua mente. Se você pensar nisso como uma entidade invisível com a sua própria razão de existir, você está bem perto da realidade.

É o corpo de dor emocional.

Você tem duas maneiras de ser: ativa e inativa. Uma dor do corpo pode permanecer inativa por 90% do tempo. No entanto, em uma pessoa profundamente infeliz, pode estar ativo em 100% do tempo.
Algumas pessoas vivem quase exclusivamente através de seu corpo, com dor, enquanto que outras a estão enfrentando, talvez apenas em certas situações, como no íntimo ligados ou situações passadas com perdas ou abandono físico ou emocional com feridas antigas, e assim por diante.
Tudo pode disparar, especialmente se ressoar com um padrão de dor do seu passado. Quando estiver pronto para acordar de seu estado de sono, até mesmo um pensamento ou um inocente comentário feito por alguém próximo a você pode ativá-la.

Algumas dores do corpo são extremamente desagradáveis, mas relativamente inofensivas, como uma criança que não para de chorar. Outras são mais perversas e destrutivas como monstros ou fantasmas reais. Alguns são fisicamente violentas, muitas são emocionalmente mais violentas.
Algumas vão atacar as pessoas próximas de seu ambiente, enquanto outras vão te atacar sozinho, como seu anfitrião.
Os pensamentos e sentimentos que você tem sobre a sua vida se tornam profundamente negativos. As doenças e os acidentes são muitas vezes criados desta forma. Algumas dores do organismo podem levar os seus convidados ao suicídio.

Fique atento a qualquer sinal de infelicidade em si mesmo, sob qualquer forma, pode ser o corpo-dor que está a acordar. Isto pode tomar a forma de irritação, impaciência, um estado de espírito sombrio, um desejo de mágoa, raiva, queixas, a depressão, uma necessidade de ter um drama no seu relacionamento, e assim por diante. Pegue-o na hora em que ele tentar acorda de seu estado de sono.

A dor-corpo quer sobreviver. Como qualquer outra entidade existe e só pode sobreviver se tiver quem, inconscientemente, se deixe identificar com ela. Então ela pode ser libertada, conquistar-te, tornar você, e viver.
Ela precisa ter o seu alimento através de você. Ela (a dor) vai tirar qualquer lição que ressoe com a sua própria energia, independentemente do que você pensa ser um pouco mais de dor, sob qualquer forma: raiva, destrutividade, ódio, tristeza, drama emocional, violência e doença.
De modo que o corpo-dor, quando você ganhou, vai criar uma situação que reflete em sua vida de volta a sua própria energia para alimentar a sua freqüência. A dor pode apenas alimentar-se de dor. A dor não pode comer isso. É bastante indigesta.
Assim que o corpo-dor tiver ganho mais sentimentos, você terá mais dor. Você vai se tornar uma vítima ou um criminoso.
Vocês querem causar dor ou querem sofrer a dor, ou ambos. Na realidade não há grande diferença entre os dois. Você não está ciente de tudo isto, naturalmente, e afirmou com veemência que não querem a dor. Mas, olhe de perto e você verá que o seu pensamento e sua atitude são concebidos para manter a dor para você ou para os outros.

Se você fosse verdadeiramente consciente desta situação, o padrão de vibração seria dissolvido, não a quereria mais, porque a dor é loucura, e ninguém pode podem ser conscientemente loucos.

O corpo-dor, que é a sombra escura projetada pelo ego, na realidade, ele está com medo em função da sua consciência. Receio que o que eles descubram. Sua sobrevivência depende do seu inconsciente identificar-se com ele, assim como o seu inconsciente medo de enfrentar a velha dor que vive em você.
Mas se nós não enfrentamos, se não trazermos a luz de sua consciência em direção à dor, você será forçado a vivê-la, uma e outra e outra vez. A dor de corpo pode parecer um monstro perigoso que você não pode ostentar a olhar diretamente, mas asseguro-vos que é um fantasma irreal que não podem defender contra o poder da sua presença.
Alguns ensinamentos espirituais afirmam que a dor é uma ilusão em última análise, e isto é verdade. A pergunta é: Será que é a verdade para você? Uma mera crença. Quer sentir dor para o resto de sua vida e continuar dizendo que é uma ilusão?
O que nos preocupa aqui é, como é que se conta para esse ser a verdade,ou seja, torná-la real em sua própria experiência.
Então, a dor-corpo não quero que você a observe diretamente e a veja como ela é. O momento que você a observa, ela se sente no domínio da energia dentro de você e toma sua atenção para então, a identificação ser quebrada.
Uma maior consciência da dimensão da mesma é como fazer um apelo para sua PRESENÇA. Agora você é a testemunha ou o observador do corpo-dor.
Isso significa que ele não pode mais usar você fingindo ser você, e você não pode alimentá-lo através de você.
Você encontrou a sua maior fonte de força interior. Você está inscrito para poder fazer isso agora.
Eckhart Tolle

A 13 DE MAIO...



VOLTANDO AO VELHO CISMA

Estava a pensar como as mulheres se pensam a si exclusivamente em relação e função dos homens, como se pensam ou posicionam sempre em relação às outras mulheres em função da relação dessas outras mulheres com os homens…sempre em função do seu comportamento em relação aos homens…Como se vêem a si mesmas e às outras mulheres pelo filtro ou olhar dos homens…As mulheres comuns fazem isso sem o perceber sequer mas as mulheres mais inteligentes fazem-no deliberada e conscientemente ou com espírito crítico…colocando-se a elas no sítio certo que é ver as outras mulheres todas como sedutores irreversíveis e de todos os tipos, como se fossem doentes: ninfomaníacas, “piranhas” ou prostitutas ou ainda oferecidas e outras “bandidas”, mas elas não…elas são as únicas que amam os homens da maneira certa e as outras mulheres continuam a ser olhadas não só como rivais, porque elas são superiores, mas como uma pobres coitadas e o desprezo ou o ódio pelas "outras" mulheres sobe sempre à flor da pele…

A minha questão é: porque se odeiam e julgam tanto as mulheres? Ou porque não se amam naturalmente as mulheres? Porque nunca se solidarizam umas com as outras e tomam sempre o partido dos homens, dos filhos, dos amigos e ficam sempre contra as outras mulheres de forma declarada ou de forma subtil? Às vezes nem parece de tal forma é subtil a maneira como exalam esse desprezo.
Esta competição acérrima entre as mulheres, porque no fundo é disso que se trata, existe porque as mulheres só tem existência e significado através do homem e dos filhos…só o homem, como par ou o casamento como finalidade ou os filhos dão sentido à sua vida. Daí eu dizer que a mulher não tem identidade própria e não tem…
A mulher não sabe ser um indivíduo independente nem auto-suficiente porque ela é só uma metade de si mesma: ela foi induzida a pensar e a sentir, durante centenas de anos, que o homem é a metade que lhe falta; essa é a cultura, essa é a história de todos os romances, mas na verdade, ele não é a sua metade; ele pode ser um complemento, um igual, um amante, o marido e o filho ou o pai, mas o que falta à mulher é uma metade de si mesma; falta-lhe a sua identidade profunda, a sua verticalidade que vem da Base: falta-lhe unir as duas mulheres divididas em estereótipos cada vez mais variados – ainda mais agravados por aquela ideia separatista das deusas à guerra por Zeus no Olimpo – as ditas diferentes faces da Deusa em cada mulher, o que as dividiu ainda mais (na luta pelo deus homem, já não por um Zé ninguém) porque elas afinal não integraram as duas mulheres cindidas pelo evangelho católico (maria madalena e a virgem) e isso é o núcleo do seu problema e continuam assim a servir muito fielmente a causa patriarcal. E mais uma vez essa visão das deusas em cada mulher – em luta por Zeus - impede as mulheres de se verem como irmãs e iguais e apenas atiça mais a rivalidade entre elas sem nenhuma compreensão da “outra” (que é o seu espelho!) e mais uma vez, em vez de se amarem, continuam a odiar-se, a antagonizarem-se umas com as outras, seja aqui na Terra seja no Olimpo.
O mais estranho é perceber como as mulheres que se julgam inteligentes se odeiam ou se desprezarem com tanto ou mais fervor entre si do que as mulheres pouco cultas ou ignorantes e por mais que o queiram disfarçar são incapazes de ser fraternas e cúmplices nem que seja por um momento de rasgo ou lucidez uterina… porque são incapazes de se amarem nem que seja por uma vez na vida e estarem ao lado umas das outras como iguais. As que o fazem são ou pensam-se lésbicas e fazem-no por mera atracção sexual provavelmente, mas a competição e o ódio permanece lá no fundo, à espreita do momento de vingança, em que esse desprezo por si mesma na outra vêm à tona.
A razão desta separabilidade e antagonismo entre as mulheres é muito simples: falta-lhes a todas o reconhecimento da voz do útero e do coração, porque a trocaram pela voz do intelecto e da razão dos homens…
Na verdade elas venderam a alma ao diabo...quer dizer: trocaram a alma e a intuição por uma inteligência racional, lógica; elas em vez de dar voz ao seu coração e se darem as mãos, dão-se exclusivamente aos homens e à sua mente … e a mente é a personificação do diabo...
rlp
E OS COMENTÁRIOS IN-SURGEM-SE...

Anónimo disse...
Ai, essa carapuça tá apertada demais pra mim... mas uma parte serve, tenho de admitir...
...eu bem sei como é dificil ultrapassar isso na vida real, pq bem q dá uma vontade de dizer q não sou leal às mulheres patriarcais, mas essa nem é uma desculpa inteligente... afinal, são essas que mais precisam de lealdade feminina... ou não?!!!
Dona Nana Odara... sentada encima do rabo (ciúme) pra falar do rabo dos outros...

»»
marian disse...
Livra, carissima! abaixo as generalizações... rss
conheço um cento de mulheres que não tem nada a ver com esse retrato que voce traçou. eu inclusive. -reconheço que é um retrato real mas só válido para mulher bu... (ai que eu agora ia meter os animais na história e eles sem culpa nenhuma das aberrações humanas) digo, pouco auto-consciente!
(vulgo: maria-vai-com-as-outras)

»»«
Resposta:

Eu sei que generalizo demasiado, e que HÁ mulheres diferentes, mas as excepções são raras. Mulheres lúcidas mesmo e capazes de manter esse discernimento conheço muito poucas...porque uma coisa é pensar que sim e outra coisa é na prática e aí é quando realmente quase todas as mulheres falham...mesmo as que defendem a causa da mulher ou do feminismo ou até uma via de espiritualidade. Por isso eu digo que não é fácil haver uma Lealdade Feminina...
*

terça-feira, maio 12, 2009

Se calhar, eu não sou humana...

(...)
"Gosto da Feira do Livro. Gosto de estar horas sentado assinando exemplares de pessoas que chegam com um recado, em geral discreto. Gosto de levantar os olhos e ver as pessoas circulando entre os pavilhões, talvez procurando o ser humano que os livros levam dentro. Gosto do calor da primeira parte da tarde e da frescura que virá depois, sinto que certo lirismo me percorre o corpo, em mim que não sou lírico, mas sentimental. E penso que os livros são bons para a saúde, e também para o espírito, e que nos levam a ser poetas ou a ser cientistas, a entender de estrelas ou encontrá-las no interior da vontade de certas personagens, essas que às vezes, algumas tardes, se escapam das páginas e vão passear entre os humanos, talvez mais humanas elas.
Sinto muito não poder estar este ano em Lisboa, na Feira do Livro. "
IN DN JOSÉ SARAMAGO
*
...Gostei, apesar do contraste comigo, deste texto de Saramago sobre a Feira do Livros de Lisboa, é um texto de um verdadeiro escritor. Mas eu não gostei nada da feira do livro…não por decepção ou frustração de não ser Saramago e não ter as multidões a vir pedir o meu autógrafo…eu não sou um prémio Nobel nem me sinto sequer “escritora”…sim, é verdade que não me colo a essa definição do que sou porque eu sei que o que sou não tem nada a ver com o que eu escrevo ou com o meu ego…
Isto é complicado para quem me lê…mas o que eu quero dizer é que eu não sou o que penso nem o que digo ou escrevo. Sim, gosto de escrever e gosto de dizer, gosto imenso de livros, isso sim, mas não gosto de feiras…Porque a feira não é senão uma feira, uma amostra, uma exibição comercial e pouco poética ou pouco estética de qualquer conteúdo…senti os vendilhões do templo como em qualquer sítio hoje e nada mais. Senti os vendedores iguais a merceeiros a pensar no dinheiro…
Cheguei até cedo à feira no domingo…desci devagar a alameda do Parque cheia de expositores, alguns fechados, mas não senti nada…olhei e peguei em alguns livros, mas nenhum me tocou…ainda hesitei com um livro na mãos sobre o Graal do Julius Evola…mas não consegui comprar. Não sei porque estava tão pouco entusiasmada com a ideia de ficar ali sentada à espera não sei de quê… A feira estava ainda vazia e a perspectiva de ficar ali sentada ao ar livre à espera que alguém aparecesse para comprar e assinar o meu livro…o meu livro anónimo entre tantos outros sem qualquer destaque ou referência, eu uma desconhecida (não famosa) cujo livro não é lido porque o seu público não existe. Não existem mulheres e deusas…só mulheres que não são ainda mulheres. Nem deusas…
Sim, mas “qual Deusas qual carapuça”?
Tenho a certeza de que ninguém viria pelo livro ou por mim…mas mesmo assim liguei para as poucas pessoas que pensei poderiam vir em vão. Liguei para avisar que afinal não havia nada e para mim calhou bem, fui poupada a uma seca, digo a uma chuvada anunciada, mas sobretudo a uma exposição inútil e árida como se estivesse no deserto…não, não vi nem senti nenhum Oásis nem tinha qualquer ilusão de encontro com as minhas leitoras porque não as tenho…Porquê? Porque não escrevo sobre homens ricos e princesas ou rainhas, não escrevo sobre sexo ou dinheiro... enredos e traições....conquistas e justiças sociais...
O que escrevo pode soar a decepção pessoal de não ser reconhecida ou ter público, mas não tenho qualquer problema com o facto pois sei que não sou ninguém da praça e não me importo nada com isso porque não se pode ser consciente de si e ser “escritora” de sucesso ao mesmo tempo…Para eu ser escritora neste mundo tinha que renunciar a mim, digo, tinha de ser eu sem mim…A não ser que eu fosse uma grande poetisa…o que também não sou, de outro modo tinha de alimentar bem o meu ego, esta ilusão de ser diferente entre milhões de seres humanos…e acreditar em histórias, na minha história, achá-la importante e contá-la como se a vida fosse uma sucessão de histórias e acontecimentos o que para mim não é verdade! Tinha de alimentar toda esta Feira de Vaidades que são os palcos da sociedade consumista. Mas nisto “as deusas” ou as parcas, ajudaram-me porque não posso compactuar em nada com esta sociedade porque eu não pertenço há muito a este mundo de mentiras, nem às suas feiras ou ecrãs onde tudo é criado para iludir e enganar as pessoas. Onde tudo é afirmação egóica e vaidade.
Mas eu continuo a escrever aqui…radical, sim, mas sem mentiras, nem ilusões de que isto serve para alguma coisa!

rlp

segunda-feira, maio 11, 2009

SER MARGINAL...


"Sempre fui um marginal.

Nunca fui um seguidor.

Exagero... de sempres e nuncas... Às vezes sou seguidor, às vezes sou marginal. Às vezes me apaixono e às vezes não. Às vezes sou aluno, outras mestre (sim, alguém, qualquer um, sempre tem algo a ensinar se estamos dispostos a aprender) e, por vezes, apenas um bobo.

Não importa a escola, o mestre ou a doutrina que seguimos, importa o resultado efetivo que cada um alcança em sua vida em termos de energia, bem-estar e percepção.

Posso estar em certo momento aqui ou ali, mas o que importa é estar em mim, Ser, mas usualmente não estou e, portanto, como poderei Ser?

“Queres seguir-me? Então segue fielmente a ti mesmo e assim me seguirás muito sutilmente". Como é bom estar só! Livre dos entraves e dogmatismos! Posso entrar e sair quando assim for conveniente do ponto de vista da Vida, a Mestra Suprema.

Absurdo criticar uma Escola! Ela cumpre uma função. Absurdo mesmo é apegar-se rigidamente a um ponto e considerar daquele ângulo tudo o mais. Limitação perceptiva é a fixação rígida em apenas um ponto. Eis a fábrica de pequenos tiranos, esses manipuladores obsessivos do obsoleto. Por que o meu ponto é o único? Ser capaz de fluir e observar a paisagem de diferentes pontos, fazendo-se as devidas paradas para apreciar a paisagem daquele ângulo e, então, prosseguir e atuar de forma harmônica ou, talvez, insana. "
F.A.

(...)
LER EM http://pistasdocaminho.blogspot.com/

"O desejo sincero e profundo do coração é sempre realizado; em minha própria vida tenho sempre verificado a certeza disso.

As enfermidades são os resultados não só dos nossos atos como também dos nossos pensamentos.

Satyagraha - a força do espírito - não depende do número; depende do grau de firmeza.

Quem sabe concentrar-se numa coisa e insistir nela como único objetivo, obtém, ao cabo, a capacidade de fazer qualquer coisa. "

GANDHI

sexta-feira, maio 08, 2009

LUA CHEIA DE WESAK


DESTINO DO CORAÇÃO

(RUMI)


Os olhos foram feitos para ver coisas insólitas
Fez-se a alma para gozar da alegria e do prazer
O coração foi destinado a embriagar-se na beleza do amigo ou na aflição da ausência
A meta do amor é voar até o firmamento

A do intelecto, desvendar as leis e o mundo
Para além das causas estão os mistérios, as maravilhas
Os olhos ficarão cegos quando virem que todas as coisas são apenas meios para o saber
O amante, difamado neste mundo por uma centena de acusações, receberá no momento da união cem títulos e nomes
Peregrinar nas areias do deserto nos exige suportar beber leite de camelo, ser pilhados por beduínos
Apaixonado, o peregrino beija a pedra negra ansioso por sentir mais uma vez o toque dos lábios do amigo e degustar como antes o seu beijo
Oh alma, não cunhe as moedas com o ouro das palavras
O buscador é aquele que vai à própria mina de ouro.
*
"Em cada Lua Cheia do ano, ocorre um grande fluxo de luz e de energias para a humanidade.

Durante o ano ocorrem 12 ou 13 plenilúnios, o que indica 12 ou 13 festivais de Luz, cada um representando uma força energética especial, que tem correspondência direta com o signo do zodíaco atuante da época.

De todos os festivais, existem 3 que são os mais importantes: O Festival da Páscoa ou Lua Cheia de Áries, Festival de Wesak ou Lua Cheia de Touro, Festival da Humanidade ou Lua Cheia de Gêmeos."

*

KUAN NIN

O FEMININO SAGRADO

O Feminino Sagrado, apesar de tão profanado, apresenta-se como a grande alternativa à consciência de um feminino fracturado, permanentemente dividido e em conflito na mulher dos nossos dias. Porque falta à mulher de hoje, a mulher que conquistou um lugar na sociedade e que luta pelos seus direitos e igualdades, que luta pela sua dignidade, a Dimensão Ontológica do seu ser, todas essas conquistas não a põem em contacto com a mulher autêntica, a mulher ancestral, a mulher eterna, porque ela é apenas a metade mulher que negou uma parte de si através da religião que a aprisionou no dogma e viciou essa dimensão.
A mulher intelectual, a mulher que se julga liberta de preconceitos, tanto como ou mulher religiosa, não quer encarar esse lado Sombra do seu ser porque se lembra de coisas atávicas que lhe valeram perseguições e também a grande alienação da sua própria mística. Desse modo, uma e outra, perderam a dimensão secreta do seu ser interno, a coesão entre a sua alma corpo e espírito e enquanto ambas não equacionarem o seu ser ao nível dessa totalidade que são, ao nível das energias cósmicas por um lado, o céu, e as energias telúricas, da terra, por outro, de que ela é a representante privilegiada, ela não conquista verdadeiramente nada para si nem para a Vida na sua real dimensão. E é esta sua essência e matriz sonegada na revelação do milagre do Amor e da Concepção, que a mulher perdeu completamente na banalização e na vulgaridade das vidas quotidianas sem essa dimensão do Sagrada do Feminino, parte integrante do SER MULHER inteira.
Se a mulher não recuperar essa dimensão, se ela não entrar de novo em ressonância com o seu verdadeiro feminino, aquele que ficou na fronteira das reivindicações materiais dentro das concepções ideológicas da sociedade capitalista ou positivista marxista, ela nunca atingirá um patamar de verdadeira realização interior e limitar-se-á a viver a parte exterior do seu ser e quase apenas o seu lado masculino…

*

Rosa Leonor Pedro
Mulheres & Deusas
*texto publicado na revista Flôr de Lótus deste mês

quinta-feira, maio 07, 2009

A RESPIRAÇÃO DA ALMA...


"A alma tem de nascer.

Nós somos outros onde a alma vai nascer. Outro que parece ter vida própria até à 3ª iniciação. Depois da 3ª iniciação, o útero está pronto para, na 4ª iniciação, dar à luz a força da alma e para outros processos mais altos e profundos se desenvolverem.

Depois da 1ª etapa de Descoberta da alma, onde vocês já não estão, depois da etapa da Contemplação da alma, da qual estão a sair gradualmente, entramos na etapa de Respiração da alma. Isso implica mais força, confiança, elegância, fé, menos pergunta mesquinha na cabeça.
Quando eu me precipito voluntariamente para dentro de uma situação que eu não domino e tenho fé em mim, tenho fé que sou uma alma, portanto, a pedra de fundação desta nova fase está firmada, é como se uma entidade de luz viesse pelas costas e incorporasse em mim e fizesse todas as coisas, que é o que acontece com os grandes pianistas. É quando eu consigo atingir o nível de um grande pianista, na vida, que a alma está sendo respirada. Para que se atinja esse nível é necessário pegar na contemplação da luz e torná-la uma pedra. Dizer: "Eu sou uma alma e isto é completamente transparente para mim". Portanto, eu tenho que erguer a minha coluna vertebral, confiar nos recursos desta alma, dissipar os morcegos à retaguarda e as falsas estrelas à frente e ficar limpo, nobre, e então este protocolo obsoleto entre a mente e o cérebro que está constantemente a viciar--se, de repente, explode. É quando tu sentes que a tua mente de luz está a entrar no cérebro e o cérebro está a ceder passagem para a luz da mente, o que significa que sinapses tenebrosas estão a quebrar…

Se eu sou uma alma, quando eu consigo afirmar "eu sou uma alma", e isto se transforma num poder existencial e não numa contemplação estética, que nós passamos da Contemplação da alma para a Respiração da alma. Esta afirmação tem que ganhar corpo, tem que ancorar e, se eu sou uma alma, Eu Sou Luz.
Então, eu tenho que confiar na Luz.
(...)
andré louro de almeida