segunda-feira, setembro 21, 2009

A TELEVISÃO ALIENA



A perda de consciência

“Inúmeras pessoas consideram que ver televisão é “relaxante”. Observe-se atentamente”

(…)

…Ver televisão cria espaço interior? Faz-nos estar presentes? Infelizmente, não. Apesar de a nossa mente não gerar quaisquer pensamentos durante longos períodos de tempo, ela liga-se à actividade mental do programa de televisivo. Liga-se à versão televisiva da mente colectiva e está a pensar os seus pensamentos. A mente só está activa pelo facto de não estar a produzir pensamentos. Contudo, está permanentemente a absorver pensamentos e imagens transmitidas pelo ecrã televisivo. Isto induz um estado passivo de grande susceptibilidade semelhante ao transe e à hipnose. Por isso é que pode estar ao serviço da manipulação da “opinião pública”, como os políticos, os grupos económicos e os publicitários sabem bem, razão pela qual pagam milhões de dólares para nos apanhar nesse estado de inconsciência receptiva. Eles querem que os seus pensamentos se tornem os nossos pensamentos e, geralmente, são bem sucedidos.

Por isso quando vemos televisão, a tendência é para ficarmos abaixo do pensamento, e não acima dele. A televisão tem isso em comum com o álcool e com as drogas. Embora nos aliviam um pouco da nossa mente, pagamos um preço elevado: a perda de consciência. Tal como as drogas, a televisão também tem uma forte tendência para provocar a dependência.

(…)

Quando ficamos viciados, o que vemos torna-se cada vez mais trivial e insignificante, tornando-nos cada vez mais dependentes da televisão. Se fosse interessante, se provocasse o pensamento, a televisão estimularia a nossa mente para pensar novamente por si só, o que é mais consciente e, por conseguinte, preferível a um transe televisivo induzido.

(…)

UM NOVO MUNDO de Eckarte Tolle

ACEITAR O SOFRIMENTO...


"No meio do sofrimento consciente existe já a transmutação. O fogo do sofrimento transforma-se na luz da consciência. O ego diz: "Eu não deveria ter que sofrer", e esse pensamento aumenta nossa dor. Ele é uma distorção da verdade, que é sempre paradoxal. A verdade é que, antes de sermos capazes de transcender o sofrimento, precisamos aceitá-lo conscientemente."
(...)
"Quando você sabe quem realmente é, tem uma enorme e intensa sensação de paz.

Essa sensação poderia ser chamada de alegria, porque alegria é isso: uma vibrante e intensa paz. É a alegria de saber que seu ser é a própria essência da vida, antes da vida assumir uma forma. É a alegria de Ser - de ser quem você realmente é"."Quando diz "sim" para as situações da vida e aceita o momento presente como ele é, sente uma profunda paz interior"."Qualquer coisa que você aceite plenamente vai levá-lo à paz, o que inclui a aceitação daquilo que você não consegue aceitar, daquilo a que você está resistindo".

"A maioria dos relacionamentos humanos se restringe à troca de palavras - o reino do pensamento. É fundamental trazer um pouco de silêncio e calma sobretudo aos seus relacionamentos íntimos".


"Será que o sofrimento é realmente necessário? Sim e não. Se você não tivesse sofrido o que sofreu, não teria profundidade como ser humano, não teria humildade nem compaixão. O sofrimento rompe a casca do ego - do "eu" autocentrado - e promove uma abertura até atingir um ponto em que cumpriu sua função.


O sofrimento é necessário até que você se dê conta de que ele é desnecessário".

Eckart Tolle

sábado, setembro 19, 2009

ESCRITO HÁ MEIO SÉCULO...


A MULHER MUSA E A POESIA...


Assim que as formas poéticas começam a ser utilizadas por homossexuais e que o “amor platónico” (o idealismo homossexual) se introduz nos costumes, a deusa vinga-se. Sócrates, se bem nos lembramos, teria banido os poetas da sua lúgubre república. A alternativa consistindo a passar sem o amor da mulher é o ascetismo monástico; os resultados que daí advieram foram mais trágicos do que cómicos. No entanto a mulher não é poeta: ela é a Musa ou nada. Isto não quer dizer que uma mulher deveria abster-se de escrever poemas, e sim apenas que ela deveria escrever como mulher, e não como se fosse um homem.

O poeta era originalmente o Místico ou o Fiel em êxtase da Musa, as mulheres que participavam nos seus rituais eram suas representantes. (...)

(...)
É verdade que a mulher, desde há algum tempo, se tornou o chefe virtual da casa em quase todo o Ocidente, ela agarrou os cordões à bolsa e pode aceder a qualquer carreira ou situação que lhe agrade; mas é pouco verosímil que ela venha a repudiar o sistema apesar da ordem patriarcal dominante. Apesar de todas as suas desvantagens, ela tem agora uma maior liberdade de acção que até o homem não conservou para si próprio; ainda que ela se aperceba intuitivamente que o sistema está maduro para uma mudança revolucionária, parece não se preocupar nem ter pressa para a obter. É-lhe mais fácil fazer o jogo do homem ainda mais um tempo até que a situação acabe por se tornar absurda e inconfortável tanto para uns como para outros se poderem entender.”
(...)
“A DEUSA BRANCA” - (1948) de Robert Graves

A LÓGICA DOS PSICOPATAS


"A eliminação da dimensão moral das nossas vidas abre o caminho à lógica dos psicopatas. É isso que eu temo. Estamos a mover-nos rumo a uma guerra entre um gigantesco sistema psicopatológico contra outro gigantesco sistema psicopatológico. É assim que eu vejo o futuro. Uma espécie de luta darwiniana entre dois gigantes psicopatas rivais. O dos atacantes do 11 de Setembro contra o do complexo político-militar americano (...)


Não temos interesse em nenhuma zona para além da nossa esquina do mundo. Estamos armadilhados na nossa história social. Olhe, eu nem sou capaz de lhe dizer o nome do primeiro-ministro português! E sou supostamente um homem culto. Vimos, na televisão, imagens de pessoas a morrerem à fome no Sudão. Que fazemos? Nada. As nossas atitudes são completamente provincianas. As nossas vidas são controladas. Se sou dentista, ou professor, não vou desistir da minha carreira para ir para África. Somos prisioneiros, embora não o saibamos." [J.G. Ballard, in Público]


Locais: jgballard.com / J. G. Ballard / JG Ballard: First & Variant Editions / JG Ballard / "Numa Sociedade Saudável, a Loucura É a Única Liberdade Possível"

quinta-feira, setembro 17, 2009

É PRECISO DESPERTAR O CULTO DA FEMINILIDADE

NAS PALAVRAS E NOS ACTOS...

"Eu só achei um erro usar o termo Rainha já que é um termo feminino e de origens matriarcais. Se existe algum reinado das trevas este não é governado por Rainha alguma a não ser sobre a matriz do controle do medo e do ego. Eu sei que é apenas modo de falar mas precisamos também atentar para isso do mesmo modo que devemos atentar para o fato de não ligar a igreja ao feminino como antes. Este é um verdadeiro reinado das TREVAS tipicamente MASCULINO aonde não há expansão para o amor ou o crescimento, aonde não há dignidade! Palavras têm poder, mas o mal se é que existe algum, é governado por um bando de sombras e contatos obscuros obviamente patriarcais...

Nesta altura só peço que a Grande Rainha nos proteja e defenda e perdoe todas as falhas que temos para com Ela! "
Bençãos da Deusa
Gaia Lil



MUDAR OS NOSSOS VALORES

"Nossa civilização, baseada nos falsos valores do patriarcado, está em plena ruína, até no plano material. Para evitar a autodestruição, é preciso despertar o culto da feminilidade, que é o único a permitir o pleno desenvolvimento tanto do homem como da mulher."
ESSES VALORES FEMININOS SÃO: O AMOR, O AFECTO, AS RELAÇÕES HUMANAS o contacto com a natureza e a vida. E as crianças, visto que a mulher também é mãe. Esses aspectos fundamentais do seu ser não os citei logo para evitar que a mulher que ler este texto suspeite da intenção camuflada de voltar a encerrá-la nos três famosos "K" Kinder, KUche, Kirche - crianças, cozinha e igreja.

São também femininas a musica, a dança, a poesia, a literatura. Feminina é também a doçura do lar, embelezado pela arte, vivificado pelas flores, pelos animais e pelas crianças, porque não? Entretanto, os valores femininos mais verdadeiros, mais profundos, transcendem a lógica, mergulham no irracional, palavra que inquieta o cerebral, o cientista e o sistema patriarcal em geral.


O irracional são as camadas profundas do psiquismo, aquelas que habitualmente chamamos de inconsciente, mundo dos instintos e das pulsões. A mulher é intuitiva, e endosso as palavras de J. Guendher, em yuganaddha, The Tantric View of live:


"A consciência da mulher é diferente; ela já percebeu as coisas quando o homem ainda tateia na escuridão. A mulher percebe as circunstâncias que a cercam e as possibilidades a elas ligadas, algo que um homem costuma ser incapaz. Por isso, o mundo da mulher parece-lhe pertencer ao infinito, para fora do tempo e para o transcendente, pode fornecer as indicações e os impulsos mais válidos. Essa transcendência é a sabedoria, e esta supera o saber intelectual...A mulher e tudo a ela associado parecem bem estranhos ao macho e,, no entanto, isso faaz parte de seu universo mais íntimo, à espera de se realizar por ele" (p.172)


Ora esses valores também estão no homem, mas, com a educação patriarcal os reprimiu, descobri-los é uma tarefa dura. O procedimento inicial, aliás, é compreender que nada há...a compreender, mas a perceber e a sentir. Por isso, no caminho da Esquerda, que passa pela mulher, é ela a iniciadora. Ela abre paro o homem as portas secretas para a profundidade do ser, para o derradeiro, o cósmico. Se o Tantra fosse uma religião, as mulheres seriam suas sacerdotisas, e os sacerdotes seriam os homens que tivessem desenvolvido, graças à mulher, suas qualidades femininas de intuição e transcendência.

(...)
André Van Lysebeth - tantra o Culto da Feminilidade.

quarta-feira, setembro 16, 2009

OS GRANDES PODERES...


DITA O BOM SENSO:

"Belo post denunciando o perigo da televisão e dos media em geral. É óbvio que devemos conhecer, estar bem conscientes dessa realidade que nos envolve, mas sabendo sempre que há uma escolha, que podemos desligar daí, ser "dissidentes da realidade", que é possível ver outra coisa, viver de outro modo. Olhe, obtemos logo muito mais paz de espírito quando desligamos a televisão e banimos telejornais da nossa vida. É o que tenho feito nos últimos tempos, uma vez que já tomei consciência de que dali não sai nada de bom, de que os media estão ao serviço de obscuras forças de controlo que usam metódica e cientificamente o medo, aplicado em doses maciças, sobretudo através desse media poderoso que é a televisão, o novo "ópio do povo".

COMENTÁRIO DA LUIZA FRAZÃO AO POST A RAINHA DAS TREVAS...

Luiza: agradeço-lhe a sua lucidez e o seu testemunho. Eu também cortei definitivamente com a televisão. Há meses que deixei de ver o que quer que seja e a vida é muito mais natural e tranquila...Sentia essa pressão diária e adormecia nessa tensão de um mundo a acabar, cada dia pior e até andava com medo de um tsunami...a mente é completamente influenciável e moldável, mesmo em pessoas que se julgam advertidas...
Quando começou a programação massissa para "alertar" da gripe suína...foi decisivo para mim. Pus fim ao domínio do pequeno ecran e às suas mentiras elaboradas...mas tenho amigas e amigos que acham que a televisão é inofensiva e é bom para distrair e adormecer, imagine, sem qualquer noção do perigo da informação subliminar que passa e nos escravisa a conceitos e medos...

Quando vemos televisão somos dominados pela negatividade e pelo medo quer queiramos quer não, porque como diz, a televisão usa métodos cientificos e muito subtis para moldar as mentes e tirar partido dessa opressão muito mais eficaz do que a repressão ou a censura política que o sistema usava antigamente. Aliàs a "liberdade" de expressão não foi senão uma liberdade simulada com a garantia de que outros métodos mais científicos e invisíveis podiam fazer o mesmo papel e o "povo" obediente, crédulo e sumamente inculto, vai atrás: julga que se está a informar e a evoluir, mas está a ser totalemnte moldado aos interesses dos grandes magnates, dos grandes poderes; são os detentores da alta finança que detêm todo o poder nos mídea.

Porque se julgamos que a televisão educa e informa ou veicula "cultura" estamos muito enganados; a televisão é sinónimo de ignorância e incultura, tendo em conta que Cultura é Luz, ilumina, mas a cultura dos programas de todos os canais dirigidos às massas o que fazem é embrutecer, aterrorizar e ensinam de facto a matar e a roubar a violar, de acordo com os filmes nocivos que passam a todo o instante nas suas horas "nobres"...

Sem dúvida que temos a escolha, por ventura a mais difícil, porque, como digo, conheço muita gente inteligente que se deixa levar e não consegue desligar a televisão...mas a escolha continua a ser nossa e é urgente que desliguemos dessa matriz de controlo e nos liguemos à nossa própria realidade interior e teremos sem dúvida mais paz e não só, vemos o que nos cerca com outros olhos...
Sim, podemos dizer que não são só as drogas que alienam as pessoas e falo de todo o tipo de medicamentos, mas sobretudo a TELEVISÃO é o maior ópio do povo...porque a televisão tornou-se mais poderosa do que as religiões...entra em todas as casas e mesmo ateus ou "republicanos", comunistas e católicos levam com a mesma dose de informação sublimminar...Ninguém escapa a esta "missa", a esta novena das oito...em todos os canais...
A televisão é não só a rainha das trevas como o anti-cristo da nossa era...
Todos a escutam religiosamente sem pensar...
rlp

terça-feira, setembro 15, 2009

OS SEGREDOS DA ALMA


AS RELAÇÕES HUMANAS


No casamento ou na amizade, em qualque relação humana e por isso se fala em "um facto universal", os indivíduos são tão diferentes nas suas idiossincrasias, que pensar em afinidades e acordos ou mesmo em afinidades electivas, é uma mera utopia...Nunca há afinidade verdadeira entre as pessoas, o que há é circunstâncias que geram falsas afinidades, interesses e e trocas, atracções ou projecções...ou não fossem as pessoas personas...que traiem os menos conscientes, falo sobretudo do senso comum mas mesmo os mais conscientes da psicologia humana, por vezes e até os génos, aqueles que foram mais fundo do que a psicanálise, como é o caso de Carl G. Jung, se enganou e cometeu o erro de querer "compreender totalmente a mulher"; ele foi mais além da psicanálise mas não na compreensão do SER MULHER que também a ele e não só a Freud escapou...(A mulher foge sempre à compreensão lógica do homem, mas este aspecto não é o que estamos aqui a expor...sendo apenas um parênteses)

NUNCA SÃO AS ALMAS QUE SE BUSCAM CONHECER, PRESAS NA TEIA DA SUA PERSONA...

É POR ISSO QUE NUNCA SE CONSEGUE APROFUNDAR A ESSÊNCIA DA RELAÇÃO QUE TEM DE SER BASEADA NA LIGAÇÃO DAS ALMAS E AS SUAS AFININIDADES KÁRMICAS E NÃO APENAS BASEADAS NOS INTERESSES DA PERSONALIDADE.

O problema consiste na reserva ou relutância que a pessoa (PERSONA) humana tem em se relacionar com a sua alma prioritariamente...e ver na do outro o espelho da sua. Enquanto isso não acontecer seremos sempre um "enigma indecifrável" uns para os outros. E desde que tudo corra bem...

A propósito de Jung
(...)
"Passou no seu casamento por aquilo que é quase um facto universal - os indivíduos são diferentes uns dos outros. Basicamente, constituem um para o outro um enigma indecifrável. Nunca existe acordo total. Se cometeu algum erro, esse erro consistiu em ter-se esforçado demasiadamente por compreender totalmente a sua mulher e por não ter contado com o facto de, no fundo, as pessoas não quererem saber que segredos estão adormecidos na sua alma.
Quando nos esforçamos demasiado por penetrar noutra pessoa, descobrimos que a impelimos para uma posição defensiva e que ela cria resistências porque, nos nossos esforços para penetrar e compreender, ela sente-se forçada a examinar aquelas coisas em si mesma que não desejava examinar. Toda a gente tem o seu lado obscuro que - desde que tudo corra bem - é preferível não conhecer.

in "O Lado Obscuro de cada um de Nós"
Jung, Carl

A RAINHA DAS TREVAS...


A TELEVISÃO

“A rádio não dá os bons dias ao povo, nem um despertar suave para reanimar as esperanças. Nos dias que correm, as emissoras radiofónicas pactuam com a morte. O locutor de rádio anuncia a morte de homens em combates. Fala de gente morta de fome, de sede, de desespero em todos os cantos do país. O locutor de rádio é um mensageiro da morte e executa a tarefa com competência e ingenuidade. O conteúdo do seu noticiário pretende apenas dizer: sou a morte! Sou o rei das trevas! Onde quer que estejas, desperta, escuta-me, prepara-te, que eu te virei buscar mesmo a ti que ainda dormes e roncas.”

In O SÉTIMO JURAMENTO
De Paulina Chiziane

A Televisão não dá boas notícias…

A televisão procura criar o pânico e gerar o medo, MANIPULANDO PSICOLOGICAMENTE AS PESSOAS. Constantemente somos alertados para todo o tipo de perigos iminentes, terríveis, de um mundo em colapso, que são a razão de ser dos noticiários e das pessoas que neles trabalham. Todos os dias, em cada casa ao almoço e ao jantar, somos bombardeados com as notícias das cheias, das tempestades, dos assaltos, dos desempregos, das falências, dos fogos, das guerras, do terrorismo, das pandemias e dos crimes…
Podiam-se dar essas notícias se houvesse uma vontade de consciêncialização dos motivos, se se desenvolvesse a razão desses males, quem os origina ou o que está por detràs de todas essas atrocidades...e ventilar as possíveis soluções humanitárias para as resolver...
Afinal porque está o mundo em crise e há guerra no mundo? Porque o Sistema as gera e gere a seu belo prazer...
Não há mesmo qualquer interesse em falar das causas verdadeiras da crise e do crime, das mentiras e das fraudes monumentais, porque a finalidade dos midea é alarmar e criar pânico, alienando as pessoas da verdade, qualquer que ela seja. As televisões são do Sistema e para o Sistema, e a sua defesa. Por isso não há sequer interesse em focar os aspectos positivos da vida das pessoas nem do Planeta. Por sua vez as pessoas estão presas nas desgraças e no medo e só quando há desgraças é que elas se sentem compensadas pelo seu infortúnio pessoal, pela sua miséria e pelo seu sofrimento. Esse é o seu alimento.
Mas também há o seu contrário que acaba muitas vezes por ser um simulacro de coisas supostamente boas e resulta como alienação também...como por exemplo, pensar positivo, ser bonzinho, não dizer mal do sistema, não denunciar nada, concentrar-se no bem, "dar a outra face" etc., E manter essa
estranha “fraternidade” de seres humanos, presos num mundo de competição e ego, em que, mesmo católicos ou alternativos, que continuam escravos do dinheiro, num mundo onde só o poder do dinheiro e da aparência conta e que se sobrepões a todos os valores e afectos, um mundo em que só se pensa no lucro, na mais valia, nos ordenados, no prazer ou no seu oposto, o ódio e a vingança, e essa solidariedade não é senão um reflexo desse egoísmo na desgraça e nas hecatombes…
Vê-se isso a todos os níveis. E não há classes ou elites mais conscientes; o ódio e a vingança é transversal...os partidos uns contra os outros, os professores contra os ministros, os médicos contra as farmaceuticas e vice-versa...

Promovem-se "causas humanitárias", às vezes, quando as vítimas são das guerras e das intempéries, da fome e da peste… mas se estão longe de nós... para mostrar que somos "fraternos" e porque temos medo do que nos pode vir a acontecer a nós...Sim, nunca sabemos o dia de amnhã...
Mas o que realmente vale na vida é um gesto de humanidade simples, natural, no dia a dia, um gesto de partilha ou de consolo que não existe, porque ninguém tem tempo nem paciência para ouvir ou sentir o “outro”. Ninguém se escuta a si mesmo e ninguém quer ver o seu problema e menos ainda o do vizinho…só lá longe, lá onde a gente não vê nem ouve…aí podemos ajudar “as grandes causas”. Fica bem com a nossa consciência católica, apostólica romana…

No mais, a fuga é para a frente e tudo o que se faz e move as pessoas no Sistema PATRIARCAL é puro egoísmo, vaidade, presunção e água benta…

Ilustrando o tema:
Há dias no comboio, mesmo atrás de mim, uma mulher silvava palavras de ódio e raiva e citava com prazer imenso, com devoção diria... e de cor algumas destas frases de
Escrivá de Balaguer, o grande iniciador da Opus dai:

«Não te esqueças de que és... o depósito do lixo. [...] Humilha-te; não sabes que és o caixote do lixo?» (Caminho, 592); «Não és humilde quando te humilhas, mas quando te humilham e o aceitas por Cristo» (Caminho, 594); «Onde não há mortificação, não há virtude» (Caminho, 180); «Bendita seja a dor. Amada seja a dor. Santificada seja a dor...Glorificada seja a dor!» (Caminho, 208).
Este é sem dúvida o espelho da nossa miséria cultivada há milénios pelos fanáticos de todas as ordens. Como podemos falar em amor-próprio ou ter auto-estima? Como podemos amar os outros como a nós mesmos se nos ensinaram a a odiar-nos tanto, a ter medo, a obedecer aos santos e aos grandes…

E ainda mais uns conselhos sobre o uso da “nossa liberdade”:

«Obedecer... - Caminho seguro. Obedecer cegamente ao superior {...}» (Caminho, 914); «No Apostolado, estás para te submeteres, para te aniquilares; não para impor o teu critério pessoal» (Caminho, 936); «Livros. Não os compres sem te aconselhares com pessoas cristãs, doutas e discretas. Poderias comprar uma coisa inútil ou prejudicial [...]» (Caminho, 339); «É má disposição ouvir as palavras de Deus com espírito crítico» (Caminho, 945)

SERÁ QUE ESTAMOS ASSIM TÃO LONGE DISTO?

Já sei que vão pensar que estou a dar energia ao lado negativo focando-me no lado negro das coisas, e isso é verdade...eu devia fazer a diferença, e falar apenas da LUZ e da Bondade, da alegria e da pureza, da felicidade???
Mas porque não ver os dois lados da nossa humanidade? Olhar sem medo o nosso lado negro porque todos o temos e assim não ter medo da nossa sombra, nem fugir e escondermo-nos no lado oposto sem perceber que é ainda o nosso ego espiritual, o nosso ego bondoso, o nosso ego "iluminado" que muita vezes fala e simula uma verdade que não conhecemos?

"NÓS ESTAMOS TODOS NO FUNDO DO INFERNO
EM QUE CADA INSTANTE É UM MILAGRE"


Emile Cioran

sábado, setembro 12, 2009

O QUE É O TAO?


O ESTADO SUPREMO

(...)

Seguindo esta pista, que certamente parecia fazer sentido para mim, comecei a reconceituar o rumo completo do desenvolvimento, baseando-me nos dados da corrente principal da psicologia do desenvolvimento, porém considerando o contexto das tradições transpessoais. O caminho parecia ser direto: O recém-nascido começa em um estado de "consciência cósmica infantil", um estado de unidade ou totalidade primária, mas está inconsciente desta totalidade; é uma identificação inconsciente com o Self (a visão Junguiana). Entretanto, a fim de perceber esta totalidade, a alma primeiramente deve renunciar a esta unidade inconsciente e criar um self isolado e um mundo de separação e dualidade; só então ela poderá retornar à totalidade de um modo consciente, mantendo ligação com o ego, mas alinhando-o e religando-o ao Self. Assim, o caminho completo de desenvolvimento seria o de um estado inicial de união transpessoal inconsciente ("paradisíaco"), para um self pessoal consciente (dividido e alienado), até uma união final consciente transpessoal (conscientemente total e extática).

(...)
O estado supremo é o que sou antes de ser qualquer outra coisa; é o que vejo antes de ver qualquer coisa e o que sinto antes de sentir qualquer coisa. É por isso que se diz que o Tao está além do saber ou não-saber, do certo ou errado.


Chao-Chou perguntou, "O que é o Tao?"
Mestre Nan-chuan respondeu, "O Tao é sua consciência comum."
"Mas como se pode viver em concordância com ele?"
"Ao tentar concordar você já se desviou."
Mas sem tentar, como vou conhecer o Tao?"
"O Tao", disse o Mestre, "é anterior ao conhecer ou não-conhecer. Conhecer é falso entendimento; não-conhecer é simples ignorância. Se você realmente compreende o Tao antes de duvidar, é como o céu vazio. Por que mudar o rumo da conversa para certo e errado?"



[Citado em Watts, 1975]

Explica-se isto assim: o Upanishads diz que Brahman não é um entre muitos, mas um sem um segundo; não um objeto particular, mas a realidade de todos os objetos. E mesmo assim, estava tentando captar o Todo como uma experiência particular – por certo um Grande Experiência, mas, de qualquer modo, uma experiência – e era exatamente isso que não permitia a descoberta (porque uma experiência é um saber ou não-saber e não algo que precede a ambos). Por isso o Zen chama todas as experiências superiores por um nome pejorativo: makyo ou "ilusões sutis". E, de acordo com o Zen, muitas outras tradições confundem makyo com o estado supremo, simplesmente porque essas extraordinárias experiências são, na verdade, mais reais do que os estados comuns. Todavia, todas as experiências, superiores ou inferiores, ficam aquém da consciência não-dual e, assim, cedo ou tarde, devem ser superadas.

O ponto é que todas as experiências, sagradas ou profanas, superiores ou inferiores, baseiam-se na dualidade entre sujeito e objeto, observador e observado, experienciador e experienciado. Mesmo na esfera da alma, incomparavelmente mais real do que os níveis inferiores da matéria, corpo e mente, trata-se meramente de um sujeito mais sutil e de um objeto mais extraordinário. A testemunha desses estados divinos ainda se mantém intacta. Entretanto, o despertar verdadeiro é a dissolução da própria testemunha e não uma mudança de estado naquilo que é testemunhado.
(...)
Excerto de ODISSÉIA
Uma investigação pessoal sobre Psicologia Humanística e Transpessoal
KEN WILBER1982

MUITA LU(Z)CIDEZ...

ILUMINAÇÃO ESPIRITUAL...


"Quando você pede luz para si mesmo ou para outrem atente para o fato de que a experiência de iluminação nem sempre tem que ser uma experiência agradável de prazer espiritual ou de êxtase. Um poderoso insigth iluminador vai jogar luz sobre uma parte de você que você não vê, não tem consciência e até mesmo resisti a ver. Vai gerar uma crise, um processo de cura.

Pouca coisa adianta entender como funciona as correntes de energia do Universo ou o segredo por trás de certos rituais ou perceber quantas vidas passadas você teve ou acessar a chave secreta do mistério do sábio Salomão ou ter múltiplos orgasmos cósmicos em seus chacras superiores se você não entender aquilo que precisa ser entendido em você mesmo no que diz respeito ao seu ego.

Pedir luz é demandar em si uma experiência de conscientização que é desestruturadora do ego, que se aproxima muito mais de uma experiência de destruição do que de qualquer fantasia romântica que tenhamos sobre o processo de iluminação.

Projetar luz, consciência, sobre o lado oculto de nossa Lua psicológica é o caminho de uma experiência iluminadora que promove verdadeiro crescimento interior e que não é apenas lembrada como se fosse um sonho fantástico e bom que tivemos. "*

*Fernando Augusto
DE
http://pistasdocaminho.blogspot.com/


O CAMINHO

O Caminho que pode ser verbalizado não é o Caminho eterno.
O nome que pode ser falado não é o nome eterno.
O Indizível é a origem do Céu e da Terra.
O Nomeado não é senão a mãe de dez mil coisas.
Em verdade, somente aquele que livra-se para sempre do desejo pode ver as Essências Secretas;
Aquele que nunca livrou-se do desejo somente pode ver as Consequências.
Essas duas coisas provêm da mesma Fonte; todavia são diferentes na forma.
Essa Fonte só pode ser chamada de Mistério,
A Porta entreaberta de onde emergem todas as essências secretas.


- Lao Tsé, Tao-te Ching