sexta-feira, outubro 08, 2010

O MATRIMÓNIO SAGRADO

OS LUGARES E TEMPLOS DA DEUSA MÃE…


Durante muitos anos, desde que em 1988, creio, em que li As Brumas de Avalon, senti sempre a nostalgia desses lugares e sonhei ir um dia a Avalon, atravessar o denso nevoeiro dos tempos, dizer as palavras mágicas… e encontrar as belas e míticas sacerdotisas de outrora…a caminho de Avalon…

Quis por isso, durante muito tempo, formar grupos de mulheres e falar da Deusa como se de sacerdotisas se tratassem, sonhei ter uma “Casa na Floresta” (outro livro que li de Marion B. Zimller) sempre no desejo ansioso de me tornar eu própria uma sacerdotisa eleita da Deusa. E sofri imenso com a falta de eco das mulheres que conhecia, que brincavam comigo por causa da minha “mania”; sofria com a falta de mulheres interessadas ou conscientes dessa matriz, com a falta de consciência que as mulheres tinham de si mesmas enquanto mulheres desligados do feminino sagrado, e lia desesperadamente tudo o que dissesse respeito a Deusas da antiguidade…até que um dia tive eu própria uma revelação interior, um sonho revelador… e sonhei com Lilith! Lilith, a primeira mulher que habitou o mundo, a Serpente que revelou os segredos a Eva…a Mulher mais misteriosa e secreta das escrituras…quem sabe a Chave da nossa própria queda e que me entrou como uma flecha directa no coração e me revelou a sua força; não, não era Eros… era Ela a Serpente alada e assinalou o meu caminho que começou aí a desenhar-se noutra direcção, bem mais ampla e abrangente do que a minha imaginação me levava.

Escrevi o meu primeiro livro por pura inspiração dessa revelação e todo esse “património” secreto e atávico se revelou nas minhas células, revelou-se nas minhas memórias, na minha carne e vivi ou revivi esse património que me foi legado por todas as mulheres antes de mim e aqui devo dizer explicitamente matrimónio e não património, porque é da Mulher Mater e Matriz que se trata - Matrimónio esse secreto, o da minha união com a mulher ancestral em mim, a revelação da primeira mulher da Génese…escondida e condenada por deus aos infernos…e que todas as mulheres têm dentro de si ainda por revelar. É aí que a Deusa começou a fazer a sua aparição, a mostrar-me quem eu era de facto, as duas mulheres divididas em mim, e vi quão diferente Ela era da Aparição da Senhora de Fátima que eu desde o meus 13 anos sonhava que um dia se me revelasse …

Ah, como eu sofri esses anos todos e tive tantas decepções antes de compreender a minha essência mulher e o que os meus livros, fruto dessa busca e desse acordar interior, mesmo o 2º, eram ou significaram não para as outras mulheres mas para mim mesma. Eu tive de compreender primeiro e não me deixar abater só porque eles não foram compreendidos nem aceites pelas mulheres como eu pensava que seriam…Tive tantas esperanças de que os meus livros pudessem ajudar a acordar as mulheres do meu País… Mas não, não significaram como eu pensara um acordar da Deusa nas outras mulheres, mas talvez só em mim.

Durante muito tempo continuei ainda a sofrer por não viver nada parecido nesta vida com o que outras civilizações, em outras épocas, tinham expresso e manifestado da Deusa; tal como lia livros secretos sobre o Egipto, a Mesopotâmia, a Suméria, mesmo a Grécia, a Grécia de antes do Spectrum patriarcal com as deusas todas à bulha por causa de Zeus, o deus zângão…mas a Grécia dos mistérios Eleusianos de Demeter Core e Héstia…

Eu queria tanto ter vivido num Templo antigo de acordo com os antigos rituais e mistérios…e o meu desgosto era enorme…uma grande decepção deste tempo tão vulgar e materialista, tão agressivo e masculino, cheio de guerra e competição…em que a Deusa Mãe não existia senão em altares católicos, como Virgem inacessível e distante, presa aos dogmas da igreja de Roma. Porque os homens e a sua História, os seus Impérios bélicos e destruidores a apagaram da história do passado e sacrificavam a mulher desde sempre até aos nossos dias, em que a continuam a violentar, a menosprezar, fazendo dela escrava, esposa ou prostituta… ou um objecto de consumo e produção de filhos, ou ainda barriga de aluguer…

Deste esses tempos imemoriais a negação da Deusa representa na realidade a crucificação da mulher. Ela começou na resistência do macho à atracção natural que a mulher exerce sobre o homem, e por querer o absoluto como Deus e o céu como espiritualidade “pura” o homem negou a mulher e a Natureza, como nega o seu feminino e o feminino do mundo e vê na mulher ainda o “pecado” porque o afasta desse Absoluto inacessível ou porque o domina o medo da vida e da morte em si. Esse foi o erro dos religiosos cristãos em geral. Esse foi o grande Pecado da Igreja contra a mulher. Eles não compreenderam que sem o par alquímico, sem o par divino, sem a Mulher matriz e a Deusa não existe manifestação nem dinâmica de vida-morte-renascimento. E o caos sobreveio…E tudo deixou de fazer sentido e a vida na Terra passaria a um absurdo, um inferno…Dominado o mundo pela força da Espada, a terra passou a ser queimada e saqueada pelos seus heróis os herdeiros dessa cultura sanguinária.

Passaram já alguns anos e as minhas decepções também…E com o passar deste tempo eu hoje percebo e sinto, através do que me foi dado ver e compreender na minha vida prática, que afinal o verdadeiro Templo da Deusa só pode ser Real hoje no meu coração e no nosso Mundo, na nossa sociedade, terá de ser forçosamente diferente; não voltará a obedecer aos mesmos rituais nem às fórmulas do passado...e aqueles/as que copiam os ritos das tradições já mortas através de reminiscências de cultos que não sabem ao certo a que correspondem, não prestam já nenhum culto verdadeiro à Deusa mas ao seu ego, e a uma mera recordação do passado e não ao presente em que vivemos.

É por isso que os pagãos/bruxos/wiccanos, pequenas seitas fechadas, supersticiosas e ridicularizadas pela média e pelas telenovelas tem, em geral, uma postura de arrogância e superioridade, tal como os padres e a igreja católica...Eles/elas estão convencidos que são detentores de alguma coisa, mas não sabem nada ao certo. Cada tempo tem a sua maneira e é essa nova maneira de amar a Deusa que nós temos de encontrar…e não é fingirmos que encontrámos apenas voltadas para o passado… E não digo que não devamos olhar para o que aconteceu. Sim, devemos olhar e vermos bem o que aconteceu à nossa natureza instintiva, e como a natureza foi, à imagem da mulher selvagem, das suas terras espirituais, saqueadas ou queimadas…

E o tempo passou e essa luta e procura incessante em mim levou-me ainda à publicação dos textos do Blogue Mulheres & Deusas mas continuando sem grande eco entre as mulheres portuguesas, as mulheres pseudo-modernas da Europa…completamente anestesiadas por uma falsa emancipação e atordoadas pelo consumo de uma cultura alienadora da mulher que continua sem ver como a violência doméstica e psicológica está activa 90% em todos os lugares que vive e trabalha! Continua sem ver que a sua sexualidade é redutora de si mesma e que vive uma sexualidade que é “normalmente” aceite e é subtilmente violência sobre o seu ser, uma afronta à sua alma, um abuso disfarçado de desejo do seu corpo pelo macho “alfa” ou Ómega…

Assim, “Observamos, ao longo dos séculos, a pilhagem, a redução de espaço e o esmagamento da natureza instintiva feminina. Durante longos períodos ela foi mal gerida, à semelhança da fauna silvestre e das florestas virgens. Há alguns milénios, sempre que lhe viramos as costas, ela é relegada às regiões mais pobres da psique. As terras espirituais da Mulher Selvagem, durante o curso da história, foram saqueadas ou queimadas, com seus refúgios destruídos e seus ciclos naturais transformados à força em ritmos artificiais para agradar os outros.”*

Mas porque o nosso tempo é muito diferente dos tempos passados, muito diferente...urge recriar uma nova maneira de amar e servir A Deusa. Uma maneira prática, realista e sensível, sem preconceitos nem dogmas, e penso que a única forma é mesmo amar a Vida sua plenitude e no respeitar da natureza e da mulher. Essa descoberta passa por uma nova consciência do ser mulher, precisamente na integração da sua natureza instintiva, na recuperação do seu dom inato, da sua intuição e dom de cura…

É pois preciso e urgente voltar à Natureza da Mulher e da Mãe Natureza! Voltar a amar a Natureza Mãe e respeitá-la como ser vivo e consciente…voltar a viver em contacto com a Terra e cultivá-la, deitar de novo sementes à Terra e ver crescer as plantas, os legumes, as árvores… queimadas…voltar a plantar toda a flora destruída pela mão criminosa do homem e a suas guerras económicas, porque é disso que se trata…

Esta é a única maneira de voltar a fazer viver a Deusa na Terra e nos nossos corações, plantando e semeando a Terra, dar vida ao solo.

As máquinas tiraram-nos a relação com a Terra e o pão…produzir, consumir e morrer foi aquilo a que o Homem chamou progresso e quanto mais inventou máquinas mais se afastou da sua natureza, mais sofre, mais se aliena da verdadeira vida e do seu feminino.

Voltemos pois ao campo, às aldeias, à natureza, ao mar…vivamos da terra entre os animais e as árvores, os rios e as aves e tudo o que existe e se manifesta sem a mão mortífera do homem…

Para que voltem as mulheres cada vez mais a ser parteiras, a educar os filhos, a tecer a sua roupa, a fazer a comida com as sua mãos, a amar como sempre fizeram as nossas ancestrais. Voltem as mulheres a reunir como curandeiras, a apanhar plantas sagradas e a curar as almas de tanta dor…voltem as mulheres a ceifar e a colher o trigo da terra, rindo felizes com os seus companheiros que as aprenderam de novo a respeitar e a amar…

Sem que porém a Deusa se torne numa experiência interior e seja a uma manifestação natural e consciente nas nossas vidas do dia-a-dia, e não apenas em horas especiais ou dias de isto e aquilo, de nada adianta ir rezar ou evocá-la nos Solstícios ou no Shamain... Embora sabendo que há lugares ditos sagrados... e por vezes possam haver revelações nesses lugares ou aparições ou mesmo milagres, não se deve confundir rituais e magias ou ter posturas que são apenas cópias do passado. Sim, é certo que a Deusa-Mãe está associada às forças telúricas e que se manifestou em lugares do Planeta poderosos onde essa energia vibratória é ainda nesses lugares mais forte porque são lugares de ressonância cósmica, de ligação entre a Terra e o Céu. Mas a Deusa tem de ser uma força interior e uma consciência vivida a partir de dentro de cada ser, entre o par humano, assumida eroticamente em cada um dos seres, exprimindo cada um o seu princípio feminino ou masculino respectivamente, na dança cósmica e não vivida no exterior sem paixão - e essa será certamente a única semelhança com os tempos de antigamente. Mas a nível exterior nada poderá ser igual.

Só assim a Deusa voltará…porque Ela é a Terra abandonada por todos nós… e o desprezo a que os homens votaram a natureza nós mulheres sofremo-la no nosso corpo todos os dias na nossa pele…

Voltemos ao Princípio de tudo, ao Paraíso…que não é remoto passado…mas momento presente no momento em que a Deusa for cada uma de nós…

E Quando as mulheres reafirmam seu relacionamento com a natureza selvagem, elas recebem o dom de dispor de uma observadora interna permanente, uma sábia, uma visionária, um oráculo, uma inspiradora, uma instintiva, uma criadora, uma inventora e uma ouvinte que guia, sugere e estimula uma vida vibrante nos mundos exterior e interior. Quando as mulheres estão com a Mulher Selvagem, a realidade desse relacionamento transparece nelas. Não importa o que aconteça, essa instrutora, mãe e mentora vagem dá sustentação às suas vidas interior e exterior.”*

(* Lamentavelmente perdi o nome da autora que presumo seja a Clarisse Pinkola Estés, mas como não estou certa peço a quem identificar a autora dos excertos me diga de pronto!)

Rosa Leonor Pedro

quinta-feira, outubro 07, 2010

OLHEMOS AS PEQUENAS COISAS...


Há vários dias que não escrevo nem tenho vontade alguma de "postar"...

SÓ HOJE PERCEBI MELHOR POR QUÊ...

Tem-me invadido um enorme tristeza mas não sei dizer-vos porquê nem de onde ela vem porque tudo está bem aparentemente na minha vida de todos os dias: tudo está tranquilo e sem problemas; a estabilidade voltou depois da mudança e do grande esforço que fiz para enfrentar novas situações. Mas só agora percebo que passei ao longo do ano por grandes convulsões nas relações humanas e durante um largo período e que sofri muitas reveses e decepções embora também tenha tido algumas surpresas agradáveis, mas só agora percebi como fui afectada pelas amizades que julgava perenes...e defraudada pelas expectativas mais íntimas do relacionamento humano na base da verdade e da troca sincera.
Não esperava a falta de empatia por parte de grandes amigas, as amigas para toda a vida, nem acções que me precipitaram em grande angústia e instabilidade emocional. Vivi isso durante meses sem ter consciência do mal que me faziam nem de como me estavam a afectar...Só agora que a situação mudou e a poeira assentou me dei conta do meu sofrimento pessoal. Claro que tentei sempre ultrapassar o subjectivo com as coisas objectivas e falar positivamente...ou teoricamente dos assuntos que me são caros. Penso contudo que está na altura de mudar. Podem a partir de agora estranhar porque nunca foi meu costume ser tão subjectiva nos meus textos, nem exprimir as minhas decepções ou ilusões, ou esperanças de um ponto de vista tão íntimo...
Passarei agora a ser portanto mais intimista, mais humana, mais eu...talvez mais contraditória mais paradoxal...seja! Mas mais verdadeira em todas as circunstâncias espero!

E para começar digo-vos que só assim mais uma vez pude verificar que, como sempre na vida me aconteceu, é de quem menos esperamos que pode vir o melhor e de quem esperamos o melhor pode vir o pior... isto ensina-nos a colocar a nossa atenção e foco na essência da vida que tudo nos dá (e tira...) e dar-lhe o valor máximo sem depender de nada nem de ninguém pois só Ela (a Deusa Mãe) nos seus desígnios ocultos pode responder aos nossas apelos e necessidades; contemos pois com a Vida em si e no seu valor intrínseco sem esperar nada de ninguém... é nessa altura que a vida nos revela quem é nosso amigo/a de verdade ou quem está do nosso lado...
A solidariedade e a fraternidade por muito gratificantes que sejam são qualidades cada vez mais raras na nossa sociedade completamente vendida a valores de comércio e intrigas familiares e tudo se faz por dinheiro, mas ainda assim A Vida ensina-nos que nas mais pequenas coisas há lições enormes e que só se tiram justamente das coisas a que damos menos importância...

Tudo na vida muda, tudo passa, só há uma coisa que nunca muda e essa coisa está dentro de nós...Confiemos nessa Vida interna pois e a na sua sabedoria inata. Tudo Ela dissolve no sopro mágico da nossa respiração...essa é a existência mais pura.
Esse é o Foco.

rosaleonor pedro

sábado, outubro 02, 2010

FAÇAM A PROVA DOS NOVE...


PORQUE SERÁ QUE HÁ MULHERES QUE ACHAM DESAGRADÁVEL O QUE EU AQUI PUBLICO?

-Eu sei que há algo de desagradável, para algumas mulheres que me lêem, quando desmistifico aspectos mais melindrosos da sua pseudo consciência ou da liberdade e emancipação das mulheres em geral, umas porque falam da Deusa como de algo exterior a elas e no passado e outras porque seguem linhas ditas espirituais de estar bem consigo e com todos ou ainda e perdoar aos inimigos seguir o pensamento positivo e com isso continuam a aceitar, e o pior ainda, a não ver como continuam objectos de escárnio e mal dizer, objectos de consumo publicitário e animadoras ou mesmo facilitadoras do Sistema, cheias de boa vontade católica travestida de sei lá o quê!

Sim, é aí que o meu trabalho passa por destabilizar as mulheres que estão convencidas que estão a fazer o seu melhor e o que podem e que eu estou apenas a dizer mal das mulheres coitadinhas e que afinal fazem tudo por (parecer) integradas e actualizadas com as ideias “Nova Era” e eu vejo-as cair na armadilha de uma “nova” escravização-religião qualquer.

Não, eu não vou por aí e sei que enquanto a mulher não integrar as duas mulheres em si – esses dois aspectos da mulher que foram separados na nossa cultura ocidental, por influência da religião católica, o instintivo e sexual de um lado e a maternidade virginal ou a esposa fiel por outro - e por isso, enquanto a mulher olhar para a outra mulher com inimizade ou como rival – e aqui eu peço para as mulheres que não concordam com a minha visão que olhem bem lá no fundo e vejam porque me detestam e ao que eu escrevo… porque de certeza também detestam as mulheres em geral.

Esta é uma prova dos nove:

A Mulher que tem na outra mulher uma rival ou vê a sua Sombra sem a reconhecer como sua não está minimamente bem com ela mesma e está muito longe do que eu quero significar por feminino sagrado e quando evoco a Deusa na mulher!


Vejo muitas mulheres a fazer trabalhos interessantes sobre as Deusas e intelectualmente muito correctos do ponto de vista teórico e talvez até histórico ou antropológico, mas quase sempre falha uma coisa essencial: normalmente a mulher não tem consciência da sua divisão interior e acaba por no meio das deusas e de círculos femininos exprimir esse antagonismo e em vez de evoluir regredir porque em nome de um sagrado feminino e de uma sabedoria ancestral cometer os mesmos erros que a mulher patriarcal, e continuar em luta com as suas irmãs por um papel principal ou denegrir o trabalho das outras mulheres.

O meu cavalo de batalha, é pois, o que para mim é o cerne da questão do feminino não integrado, esta questão primordial: sempre que a mulher não tem consciência dessa divisão em si e pensa que por ter conhecimento e informação sobre as deusas e as feiticeiras ou sacerdotisas e seguir até algum grupo Wicca está em situação privilegiada ou conectada com a Deusa, para mim não está! Para o estar ela tem de unir as duas mulheres em si e só assim ela deixará de rivalizar com a "outra” quando deixa de haver separação dos dois estereótipos – a santa e a puta - antagonizados pela sociedade patriarcal!

É fácil inventar uma Deusa parecida com Deus…que é deus nas alturas e nós cá em baixo…Que é a Deusa no altar e rezarmos pelos nossos pecados mas Ela não está no nosso coração.

Não, a Deusa não permite essa distância, essa separação, porque a Deusa é a relação com o nosso lado instintivo, com o nosso feminino profundo, com as raízes da terra e do nosso Útero, as nossas entranhas, o nosso passado remoto e por isso sagrado, e não são meros rituais nem fórmulas “espirituais” ou saber muito do assunto de forma exterior a si, mental e intelectual, que nos leva a uma consciência integrada, equilibrada que só a união dos dois lados do nosso ser de re-ligação com o Todo permite.

E há mulheres e homens que sabem muito de tudo, com cérebros brilhantes e no entanto de si mesmos, enquanto seres psicológicos e anímicos nada sabem, porque Deus chamava-nos para o Céu…para um dos lados apenas do ser humano, o lado “bom” do ser e a negação do terreno, a pureza conceptual das virgens e o pecado que coube às mulher a sina de o pagar duramente durante séculos e séculos…Não, a Deusa é justamente o lado renegado, o lado aparentemente mau da vida, a morte e o sofrimento, a descida ao inconsciente, mas também a realização e integração dos dois lados do SER para o tornar Uno.

A Deusa é a Terra e a terra é à imagem da Mãe e vice-versa, Terra Mãe, Magna Mater, dadora de vida e de morte, senhora das árvores e dos animais selvagens, ela é ao mesmo tempo primitiva, subtil, espiritual, andrógino, loba, serpente, porca e jumento. Ela denuncia a atitude desonesta dos gregos que em vez das deusas – de Isthar a Athena passando por Ísis, Demeter, Ereshkigal -, na sua luta obstinada de as reduzir à condição de ogres satânicos e mães desrutivas, vazias de todo o apelo à vida e à ressurreição. Posição misógina e recuperada e mantida mais tarde pela tradição judaico-cristã.

Resultado: ainda são numerosos aqueles a quem o desejo selvagem, o prazer, o instinto da mulher arquetípica, embaraçam consideravelmente. Eles contestam a legitimidade da Deusa das Origens, e fazendo-o, negam completamente o papel da mulher no mundo.”
**

O que falhou precisamente na cultura grega ou romana e na religião católica e porventura em outras religiões foi a pretensa elevação do espírito e a negação do corpo, a negação da alma da mulher e a sua sensualidade vista como perdição e pecado. Pensamos que estamos muito longe disso mas não estamos. As teorias da Nova Era também apontam de forma subtil para o mesmo…para um só lado da vida e esse é um erro, é realmente falhar o alvo, pois o Alvo é a união dos dois lados, do feminino e do masculino, mas não sem antes a mulher integrar as duas mulheres dividas pela cultura judaica crista em si. O Inconsciente Colectivo ainda é prisioneiro dessa conceito milenar…e as mulheres não vêm que são vítimas desse preconceito atávico na violência doméstica e na violência sexual. Na forma como são usadas “na cama”, na forma como os homens falam e lidam com elas, da forma como são representadas pela média, pelos filmes e pela publicidade.

Enquanto as mulheres não assimilarem essa realidade dentro delas próprias e perceberam onde nasce o conflito e o sofrimento, as próprias doenças de que são maioritariamente vítimas e continuarem a ser os bodes expiatórios da sociedade machista e falocrática, sendo elas próprias muitas vezes falocráticas…na forma como agridem as outras mulheres e as ofendem…ou até defendem os homens e justificam a violência sobre si mesmas.

Será que as mulheres que me acham desagradável para com as mulheres não vejam a diferença entre o que eu digo e a forma como elas se detestam umas às outras e a mim?

Rosa Leonor Pedro

(**Introdução a uma entrevista a Joelle de Gravelaine)

terça-feira, setembro 28, 2010

O QUE É SER MULHER


REESCREVENDO O TEXTO…


ESCREVER MULHER":

Sou mulher mas tenho certa dificuldade em entender essa prática recente de endeusar as mulheres. Mulheres, uni-vos? Por que não conclamar todos os seres humanos a unirem-se uns aos outros e esquecerem essa bobagem de ser homem, mulher, branco, índio, gordo, homossexual, trissexual? Porque os homens devem se unir com os homens, as mulheres com as mulheres, os ateus com os ateus, os esotéricos com os esotéricos? Não vejo sentido nisso! Acho que você não vai gostar desse meu artigo: http://cadeaminhavida.blogspot.co, mas se puder, leia. De qualquer modo, um beijo pelo seu blog.

UMA GRANDE ESCRITORA ESCREVEU:

"É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo." *

Isto...diz tudo sobre a mulher que somos e não somos e agora a questão que nos resta é perguntar-se porquê?
Porque não sabe de si a mulher, nem dizer-se?
Se se aprofundar a questão, pois trata-se de aprofundar a questão do SER MULHER EM SI precisamente e não do SER HOMEM, porque à partida são naturezas diferentes, que se manifestam por emoção e intuição e razão acção respectivamente e independentemente de cada um destes seres, que se completam ou não, e poderem ser amantes, vemos que há uma supremacia de um, um domínio histórico e social e uma anulação e sujeição de outro e que ambos estão em conflito há muito e nada mudou em profundidade, mesmo que na superfície da vida moderna que vive de aparências e de estereotipas fabricados e fictícios se pense que sim...
A Mulher não sabe de si como a um certo nível o homem também não sabe, dir-me-ão…falando do plano metafísico, mas é aí precisamente que a questão se levanta. Talvez a Mulher e o Homem não saibam de si ontologicamente porque a Mulher se perdeu na História do Homem. A mulher foi aglutinada, foi reduzida a um simulacro de mulher, foi abduzida, desventrada, transformada num objecto de uso e consumo comercial…


“A mulher não está sabendo, mas ela está cumprindo uma coragem. A coragem da mulher é a de não se conhecendo, no entanto prosseguir, e agir sem se conhecer exige coragem”. *

Basta olhar o que se passa à nossa volta…ou ver as telenovelas; aí pode-se ver que as mulheres e os homens estão em conflito permanente, E SOBRETUDO AS MULHERES UMAS CONTRA AS OUTRAS A LUTAREM PELO AMOR DOS HOMENS...e aqui tem de se olhar e ver com olhos de ver... não se pode falar pelo homem e pôr-se a mulher na sua pele, mas falar de si mesma e sentir-se na pele de mulher. NÃO PELO QUE SENTE PELO HOMEM mas pelo que ela é enquanto mulher...

Esse é o erro comum das mulheres em geral: amam os homens ou projectam-se no ideal do homem porque NÃO SÃO NADA EM SI...SÃO O QUE O HOMEM QUIS QUE ELAS FOSSEM E ISTO EM TODOS OS DOMÍNIOS...e infelizmente elas pensam que são apenas isso e tratam de viver a “sua” vida só em função dos homens e para lhes agradar! Sacrificam tudo em função do Homem que as preencherá…que lhes colmatará os sonhos, pensam…os homens que lhes darão filhos, riqueza, sucesso, dinheiro…Os homens que darão sentido à sua vida porque a sua vida em si não tem nenhum sentido!

OLHEMOS BEM À NOSSA VOLTA E VEJAMOS SE NOS DAMOS MAIS IMPORTÂNCIA A NÓS MESMAS OU AO HOMEM QUE SE PROCURA PARA NOS "COMPLETAR"? Vão me dizer que é o espírito abnegado da mulher…ou é antes a forma como foi forçada a anular-se? O que nos mostram os filmes, os romances e as telenovelas senão a subjugação da mulher ao homem em nome de qualquer coisa como a família e o “amor”… ou hoje em dia que se chama paixão, desejo…tesão…

Olhar e ver a realidade sem medo não significa defender as mulheres ou acabar com os homens !!! Trata-se só de ver o que é e acontece quando a mulher não sabe dizer o que é porque se desconhece ontologicamente...porque não só foi anulada na sua natureza profunda, alienada de si mesma, como permanece divida, fragmentada...a “mulher” comum é mais como um homem “de saias” como se diz ou pró-homem do que Mulher-mulher ela mesma.
Sim, a mulher não se ama a si mesma...não se conhece na sua intimidade que não seja a sexual justamente em função do homem e mesmo assim mal…ou fala da sua maternidade forçada…Não sabe da sua Natureza integral e é por isso que a Deusa é a parte da mulher esquecida, a sua natureza intuitiva, selvagem, ligada à natureza e à Terra e que através de um processo de consciencialização dessa dividsão pode revelar-se em si essa sua natureza intrínseca e assim revelar então ao homem o seu deus interior...que ele próprio matou ao matar a deusa e a mulher na cultura e na história da Humanidade homem…uma vez que a mulher foi subordinada e anulada nas suas funções inatas em quase todo o mundo patriarcal.

“Sou tão misteriosa que não me entendo.”*

Depois, Só depois, de se conhecer a fundo, de conhecer o seu mistério e de se afirmar por si, a Mulher será verdadeiramente humana ou verdadeiramente livre; só depois, quando a mulher em todo o mundo for respeitada como a mãe e a amante, livre e sem divisões dentro de si...seremos todos humanos, brancos, pretos e amarelos, vermelhos...

O reflexo de tudo isto nos nossos dias é o que vemos na nossa “cultura” e por todo o lado…Olhemos com olhos de ver e vejamos o quão lamentável é as mulheres odiarem-se umas às outras – elas detestam-se, confrontam-se, irritam-se, invejam-se e lutam desesperadamente umas contra as outras...porque amam só os homens, os amantes, os maridos, os filhos...e todas as mulheres as outras são potenciais rivais. Foram assim treinadas como animais de estimação...farejam o dono e adoram-no...só falam de homens e esquecem-se de si mesmas, perdidas do seu ser essencial...

Claro, acham que eu sou uma radical…uma fanática da Mulher…
Sou o que quiserem, mas ninguém me tira a lucidez que me fere os olhos (e o coração) diante desta realidade do Ser Feminino traído e reduzido a uma imagem de plástico…

Rosaleonorpedro

* Citações de Clarice Lispector

segunda-feira, setembro 27, 2010

AS TENDÊNCIAS CULTURAIS DA MULHER


NATÁLIA CORREIA
HOJE EM DIA nenhuma mulher publica se exprime e tem a liberdade de ousar ir contra o sistema de pensamento instituído e o politicamente correcto como esta mulher foi capaz. Capaz de pensar por si, de desafiar os preconceitos sociais e académicos e ter a lucidez que só uma Mulher integrada pode ter. É única na abordagem da Natureza Mãe, que eu conheça, como escritoras em Portugal, capaz de relacionar factores escamoteados e escondidos na cultura moderna...e antiga. O Paradigma da Grande Mãe...e o feminino sagrado, para mim associado à Deusa e ao tempo em que o mundo girava não à volta do umbigo dos Homens mas do Útero da Mulher...da Vida e da Terra!

As escritoras da moda e de sucesso na nossa praça estão muito longe dessa profundidade e ligação intrísica ao seu Feminino profundo, à sua alma e continuam a falar em nome do Homem e para os homens...Por isso acho genial e admirável que uma mulher e escritora e política tenha falado nestes termos.



"A mulher deve seguir as suas próprias tendências culturais, que estão intimamente ligadas ao paradigma da Grande Mãe, que é a grande reserva, a eterna reserva da Natureza, precisamente para os impôr ao mundo ou pelo menos para os introduzir no ritmo das sociedades como uma saída indispensável para os graves problemas que temos e que foram criados pelas racionalidades masculinas.


É no paradigma da Grande Mãe que vejo a fonte cultural da mulher; por isso lhe chamo matrismo e não feminismo.


É aquilo a que eu chamo o cansaço do poder masculino que desemboca no impasse temível do tal equilíbrio nuclear que criou uma situação propícia a que os valores femininos possam emergir, transportando a sua mensagem."


NATÁLIA CORREIA, in Diário de Notícias, 11-09-1983

quinta-feira, setembro 23, 2010

A DEUSA NA MITOLOGIA DA CHINA

Nu Kua

Deusa na mitologia da China que criou a humanidade. Muito poderosa, metade humana e metade serpente. Ela é associada à chuva, poças de àgua, lagoas, lagos e outros lugares onde as àguas param e são populadas por criaturas Anfíbio e peixes.

Há cerca de seis ou sete mil anos havia um mito universal de que todos os seres eram provenientes do Útero de uma Mãe Cósmica; tal mito da criação universal teve lugar durante uma fase informe do mundo, aonde nada podia ainda ser identificado. Inicialmente cultuada na Índia, como Kali, a Mãe Informe, recebeu depois o nome de Tiamat (Babilônia), Nu Kua (China), Temut (Egito), Têmis (Grécia pré-helênica) e Tehom (Síria e Canaã) --este último foi o termo usado mais tarde pelos escritores bíblicos para Abismo

Continue a ler em http://sagrado-feminino.blogspot.com/

E O SENHOR DEUS DISSE À SERPENTE...


PORQUE NÃO SÃO AS MULHERES INTELECTUAIS

PORTA-VOZ DAS OUTRAS MULHERES?

Porque, no mundo de hoje, as mulheres intelectuais acabam por ser paradoxalmente as mais prejudiciais à verdadeira evolução da Consciência da Mulher em si - e à união das mulheres, cada uma cindida em duas - porque são elas quem melhor divulgam e acreditam nas ideias padrão, nas ideologias patriarcais e de domínio falocrático, da supremacia dos homens sobre e contra as mulheres. Aceitam à partida e de modo tácito a supremacia do Princípio Masculino dominante, tanto na vida social como cultural. Aprendem nas mesmas Universidades e nos mesmos livros escritos por homens, os filósofos e os doutos senhores da Razão e do Império. Não conhecem a sua Voz (do Útero) e negam a sua intuição como inteligência superior, a inteligência do coração.
Elas renderam-se completamente aos valores do masculino tornando-se homens de saias escondendo ou negando a sua natureza instintiva, selvagem, porque elas estão totalmente condicionadas ainda pela condenação bíblica.
O antigo símbolo da Deusa Mãe e representante da Sabedoria, a Serpente, representante do Oráculo de Delfos, das raízes tectónicas, das forças telúricas da Terra, das grutas e cavernas associada ainda à Cura e à Medicina, e a todas as formas de iniciação antiga, foi conjuntamente com a Deusa Mãe e as forças do Feminino Sagrado, banidas da face do Planeta pela voz dos patriarcas do deserto…

E assim foi dito e escrito pelos homens para que a Força e a Sabedoria das mulheres fosse anulada e as sacerdotisas suprimidas da história, as mulheres transformadas em prostitutas e suas escravas…



14 Então o Senhor Deus disse à serpente:

Porquanto fizeste isso, maldita serás tu dentre todos os animais domésticos, e dentre todos os animais do campo; sobre o teu ventre andarás, e pó comerás todos os dias da tua vida.

15 Porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua descendência e a sua descendência; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.

16 E à mulher disse:

Multiplicarei grandemente a dor da tua conceição; em dor darás à luz filhos; e o teu desejo será para o teu marido, e ele te dominará.

17 E ao homem disse:

Porquanto deste ouvidos à voz de tua mulher, e comeste da árvore de que te ordenei dizendo:

Não comerás dela; maldita é a terra por tua causa; em fadiga comerás dela todos os dias da tua vida.

18 Ela te produzirá espinhos e abrolhos; e comerás das ervas do campo.

19 Do suor do teu rosto comerás o teu pão, até que tornes à terra, porque dela foste tomado; porquanto és pó, e ao pó tornarás.
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Este foi o nosso legado católico romano que continua activo na mente clectiva e condiciona o comportamentos dos homens e mulheres ainda hoje.

A MULHER PERDIDA DE SI MESMA!


Lady Sophie deixou um novo comentário na sua mensagem
"UMA FORMA DE ELECTRIZAR A MULHER":

Mas que liiiiiiiindo texto!!!

Hoje estou tão... triste... acho que é mesmo essa a palavra!
Na turma, do curso que frequento, somos praticamente só mulheres (apenas 3 senhores)... A sério... é tão frustrante ver a rivalidade entre mulheres (quando a mim só me apetece abraça-las a todas... elas só gostam de me espicaçar!) É triste ver como a mulher está perdida... muito perdida até, devo dizer!
A minha vontade mesmo é distribuir o único livro que tenho, sobre o Feminino Sagrado, (que por acaso é da sua autoria, "Mulheres e Deusas") por todas elas... para que elas pudessem acordar minimamente para elas próprias, em prol das que as rodeiam! Acho que iam ter um grande choque quando descobrissem que não passam de marionetas da sociedade!... Um grande abraço cheio de carinho para si, minha querida, e desculpe o meu longo desabafo. Que a Deusa abençoe todas nós mulheres...
E que as mulheres se deixem ser abençoada por Ela!
Beijo na testa
*

A RIVALIDADE ANCESTRAL DAS MULHERES...

As mulheres dentro deste paradigma falocrático submetem-se ao Sistema sem reservas e são servis com os quadros seja dos Partidos seja dos lobbys para não serem despromovidas...ou "desqualificadas"...

Temos o exemplo CLARO da maldade que foi feita à Ministra da Educação no vídeo divulgado ontem no facebook e que toda a gente acha muita piada, nomeadamente os homens claro, mas não vi nenhuma mulher intelectual ou integrada dentro do sistema defender não digo a ministra, mas a aviltação do seu discurso por mais patético que ele fosse pois qualquer mulher merece mais respeito. E não vi as mulheres "influentes" a manifestarem isso...ficam caladinhas, não vão "eles" fazerem o mesmo com elas...

Por isso as mulheres são pouco ou nada solidárias umas com as outras. A nossa cultura ancestral e católica de inimizade entre as mulheres (a esposa e a "outra") faz com que as mulheres mesmo as que mais sofreram e foram até violentadas, ou espancadas pelos maridos, continuem cegas para si próprias e mantenham essa atitude de competição mesmo que inconsciente com as "outras" mulheres porque é o que se passa desde que se conhecem, seja o ódio à mãe ou à irmã, em competição pelo pai, ou outra forma de rivalidade, a colega que era mais bonita e lhe roubava os namorados... e assim se mantiveram em luta umas contra as outras e pouco se importam com o que se passa de facto com as mulheres à sua volta quando adultas. E é esse antagonismo atávico e serôdio que mantém o Sistema que as oprime e degrada, que as avilta e a usa em benefício próprio apenas.

ASSIM, VOCÊ OLHA E QUER AS NOSSAS ESCRITORAS E JORNALISTAS quer as "nossas" socialistas e outras activistas (dos seus interesses pessoais apenas) pouco se importam na sua habitual competição com a "outra" mulher do que se passa com as mulheres em geral...e elas nem vêm que são coniventes com o falocracismo...e com o Sistema que as despreza a elas mesmas.

Portanto minha querida eu melhor do que ninguém compreendo a sua tristeza pois passei tantas vezes por isso, mas hoje dá-me um prazer imenso pensar que o meu livro está nas suas mãos e de outras mulheres que começam a sentir as coisas de outra maneira...

Obrigada pelo seu comentário e pela força que me dá...
Abraço-a com muito carinho e Amor da Deusa Mãe no meu coração.
Abracemos assim todas as mulheres para que elas possam sentir o nosso amor...

rosa leonorpedro

quarta-feira, setembro 22, 2010

UMA FORMA DE ELECTRIZAR A MULHER


O ORGULHO DA DEUSA VIVER EM NÓS e através de nós…

“O simbolismo da deusa electriliza a mulher moderna. A redescoberta das antigas civilizações matriarcais nos dá um senso profundo de orgulho, de ver a nossa capacidade como mulheres em criar e produzir cultura. Denunciar os erros do patriarcado nos dá um modelo de força e autoridades femininas. A deusa arcaica, a divindade primordial, a senhora dos caçadores da idade da pedra e das primeiras sementeira de grão, sob cuja inspiração os animais foram domesticados e as plantas medicinais descobertas, aquela cuja imagem deu origem ás primeiras obras de arte que foram criadas, para a qual foram erigidos os megalitos, aquela que inspirou a música e a poesia, é novamente reconhecida hoje.”
*
“Na Witch craft, o Caminho da Deusa”* nós não cremos na deusa, nós nos religamos a ela através da Lua, das estrelas, do oceano, da terra, através das árvores, dos animais, dos outros seres humanos, através de nós mesmas. Ela está aqui, ela está no coração de todos e de tudo. A deusa existe antes de toda a Terra, ela é o obscuro, a mãe que nutre e que produz toda a vida. Ela é o poder fecundante da vida, o útero, mas também a tumba que nos recebe, o poder da morte. Tudo dela provem, tudo a ela retorna…Ela é o corpo, e o corpo é sagrado. Útero, seios ventre, boca, vagina, pénis, ossos, sangue; nenhuma parte do corpo é impura, nenhum aspecto do processo de vida é manchado pelo pecado. O nascimento, a morte e a dissolução são três partes sagradas do ciclo. Quer comamos, façamos amor ou eliminemos os dejectos de nosso corpo, sempre manifestamos a deusa.
*
Seu culto pode assumir qualquer forma, em qualquer lugar; ele não requer liturgia, nem catedral nem confissão.

(…)
O desejo é a cimento do universo, ele vincula o electrão e o núcleo, o planeta ao sol, ele cria as formas, ele cria o mundo. Sigam o desejo até ao seu termo, unam-se ao objecto desejado até se tornarem esse objecto, até se tornarem a deusa.”

“Para a mulher, a deusa simboliza o seu ser mais profundo, o poder libertador, nutritivo e benéfico. O cosmo é modelado como um corpo de mulher, que é sagrado. Todas as fases da vida são sagradas. A idade é uma bênção, não uma maldição. A deusa não limita a mulher a ser um mero corpo, ela desperta o espírito, a mente e as emoções. Através dela a mulher pode conhecer o poder da sua cólera, assim como a força do seu amor.”
Star Hawk
*
Citações tiradas de:
Tantra – O Culto da Feminilidade - Outra visão da vida e do sexo
André Van Lysebeth

sábado, setembro 18, 2010

O OUTONO VEM AÍ...


Começo de um novo ciclo...

Queria recomeçar a escrever mas ainda não consigo. Deixem poisar a poeira...
Voltarei em breve, logo que a casa esteja arrumada e tudo esteja no sítio. Uma Virgem não consegue conviver com a confusão...nem a desordem...
Estou exausta, foi um esforço demasiado grande para mim, mas no fim compensa largar coisas que já não nos servem, lugares e até pessoas. Uma mudança serve para deitar muita coisa fora...e rever o que nos é útil assim como o que nos interessa mais. Dá para ver também a ajuda real dos amigos/as...saber com quem podemos contar...
Estou apesar do desgaste muito satisfeita com a mudança. Precisava da calma de um lugar mais isolado, recuado do bulício...

O Mar ao fundo atormentava-me demasiado, o seu rugir constante...e o sol era demasiado quente para mim...
Tenho já a secretária pronta, no lugar ideal, diante de uma enorme árvore Mãe, centenária...Estou agora rodeada de verde e isso faz-me bem à alma.
Hoje em dia prefiro a sombra...e a aragem fresca do Outono a chegar, as folhas das árvores a começar a caírem...

rlp