terça-feira, outubro 19, 2010

UMA HOMENAGEM À LEALDADE FEMININA

ONDA VERMELHA COM MATER MUNDI

Tenho escrito algumas vezes que a mulher na política, dentro do Sistema Patriarcal, está sempre encurralada e por isso pode não ser um exercício do feminino por inteiro, mas é de certo e neste caso, pela dignidade da mulher em si, e pelo seu passado, que considero que uma
MULHER para a Presidência de um País magnífico como o Brasil pode fazer toda a diferença! E entre o fascista ignóbil como todos os fascistas o são, definitivamente uma mulher de coragem e com sentido de justiça faz todo o sentido VOTAR NELA.

TODA A MINHA SOLIDARIEDADE PARA COM OS AMIGOS E AMIGAS BRASILEIROS QUE PARTILHAM DESTA CONSCIÊNCIA.
rlp

ATAQUE À DIGNIDADE DA MULHER, NO BRASIL


Ontem e hoje: uma só mulher


NO PASSADO DILMA FOI TORTURADA PELA DITADURA MILITAR, NO PRESENTE É PELA MÍDEA.

Antes era o pau de arara, agora é o cara de pau


que manda imprimir panfletos com mentiras,

mas antes era no corpo que ficava impressa a dor,

agora é apenas a calúnia; antes era a crueldade física.

A diferença é que agora é uma desconstrução da imagem

E antes era a destruição do corpo. A ditadura continua, não é mais militar, é da mídia.

E, ainda assim, Dilma vencerá, não apenas por ela,

mas por nós que não somos programados pelo pau de arara moderno,

a TV, onde as consciências são subvertidas.


Sinto muito, me perdoa, eu te amo, sou grato!

Fernando Augusto

http://pistasdocaminho.blogspot.com/

(...)
DE PORTUGAL, FORÇA JULIANA
FORÇA FERNANDO AUGUSTO,
POR UM BRASIL DEMOCRÁTICO E LIVRE!


PORQUE,


"Trata-se, na verdade, de escolhermos entre uma candidata que quer e fará o possível para nos preservar do fascismo que se expande em todo o mundo (sobretudo nos países centrais do capitalismo), ou um candidato cuja campanha e cujas declarações e estratégias apontam para um alinhamento exatamente com o fascismo.
E não se trata de figura de retórica, discurso de palanque, o que aqui escrevo.


Enquanto na Europa e nos Estados Unidos cresce a xenofobia, o ódio contra os trabalhadores imigrantes; enquanto na Itália o Congresso aprova uma lei que permite e estimula a criação de "rondas de cidadãos" (leia-se, formação de milícias paramilitares); enquanto na Suécia, a ultradireita conquista cadeiras no Parlamento; enquanto na Holanda, a ultradireita cresce no Parlamento - podendo vir a se tornar maioria; enquanto o Governo de Washington – mascarado pela melanina do seu presidente - barra o acordo Brasil-Turquia-Irã, que poderia abrir um importante canal de negociações pacíficas para aquela região que vive hoje a ameaça de invasão pelos EUA e seus aliados, tipo as que foram levadas a cabo no Iraque e no Afeganistão – ocupados até hoje, a ferro e fogo, pela democracia estadunidense; etc. etc. etc."

(...)
FERNANDO AUGUSTO- PISTAS DO CAMINHO

Ataque à dignidade da maternidade e da mulher

EM NOME DA FALSA LIBERDADE DA MULHER, ESTA IMAGEM MONSTRUOSA DEMONSTRA A ABERRAÇÃO DO APROVEITAMENTO DA PROPAGANDA MÉDICA E OUTRAS CONTRA O ALEITAMENTO DA MULHER-MÃE.

Propaganda baseada nas guerras económicas que promovem a venda de leite com antibióticos em competição com o leite materno...
As vacas alimentadas à força para dar leite a granel e exploradas desumanamente cheias de dor e de sofrimento, e que por isso provocam a maior poluição do planeta, cujo leite está totalemnte envenenado com antibióticos e não sabemos mais o quê, é o que os "especialistas" aconselham às mulheres grávidas...

Nunca a história do homem passou por um período de tamanha alienação e ofensa da mulher...
A Mulher já era "Vaca"...e esse nome carrega uma ofensa e um ataque à natureza instintiva e sexual da Mulher, mas dar a imagem da Mulher como Vaca, por amamentar um filho é a maior das atrocidades. Chegamos a um ponto onde não HÁ qualquer respeito pela vida nem ética nenhuma no Planeta.

É preciso Olhar a que ponto a sociedade patriarcal compactua com isto e permite a cumplicidade dos media e da publicidade em geral para ver o estado doentio e macabro a que a Sistema chegou e concluir que a mulher continua a ser o alvo escolhido para a sua guerra de corrupção e destruição da Vida Natural!

Eles querem alimentar as crianças sim com o leite animal contaminado e redutor da vida autêntica. Eles querem impedir a natureza humana de se expandir naturalmente. Sabemos que o leite da Mãe contem nutrientes únicos que permitem à criança fortificar o seu sistema imunológico que eles querem destruir...e não só!

Eles querem a todo o custo manter o ser humano escravo do sistema...portanto logo que nasce o contaminam...
rlp

El artículo es una muestra más del falso feminismo de la igualdad y su discurso nos habla de la falsa esclavitud que pretende unirse al acto de dar de mamar. Y es que, ahora será que velar porque nuestros hijos crezcan sanos y felices es una forma de esclavitud; pero pasarse 8 horas al día en el trabajo e intentar conciliarlo con la vida familiar y social es una liberación.

AS FOTOS SÃO HORRÍVEIS!!!!

Por favor, MULHERES de todas as idades,
denunciem isto!
Isto é uma aberração total contra a mulher!

sexta-feira, outubro 15, 2010

PARA QUE SE LEMBRE...


A GRANDE DEUSA E A VIRGEM MARIA

(...) “Mais do que nunca, a Virgem Maria ia tomar o lugar de todas as deusas da antiguidade, suavizando os seus traços, abandonando a sexualidade, mas permanecendo sempre aquela que dá a vida e o alimento.”
(...)
Substituindo assim, “uma divindade feminina cuja função materna se desdobrava necessariamente numa função erótica. Sabemos muito bem que essa função erótica iria ser escondida desde o início de um cristianismo inteiramente orientado para uma masculinidade triunfante e uma castidade exemplar, resultante a maior parte do tempo de um terror instintivo relativamente aos mistérios da mulher.”
(...)
” E nunca mais devemos esquecer que o nome de Alá substitui o de uma antiga deusa da Arábia pré-islamita, deusa solar cujo simulacro era a célebre pedra Negra de Caaba, em Meca, um meteorito, portanto um Dom do céu caído sobre a terra, e que simbolizava maravilhosamente, de maneira inteiramente abstracta, a grandeza e o poder da divindade.”


- Excertos do importantíssimo livro: " A Grande Deusa" de Jean Markale.

quarta-feira, outubro 13, 2010

A S DUAS MULHERES

COMO SE PERDEU DE SI MESMA A MULHER E PORQUE SOFREM AS MULHERES DE DOENÇAS GRAVES MAIS DO QUE OS HOMENS?

O Mundo e a sociedade ocidental católica, de influência judaico-cristã, baseia-se em todos os domínios e extensão da sua influência, que é vasta, não só no campo da moral e da religião, como em toda a cultura geral do mundo patriarcal . E, onde quer que se tenha instalado, prega ainda contra a liberdade e contra direitos fundamentais da mulher o que se reflecte na mente dos homens e mulheres e isso pode acontecer de modo semi-consciente ou inconscientemente mesmo nos que não têm sequer cultura ou que se dizem ateus.

A “Fé” católica expandiu-se para países de culturas e tradições tão diferentes para as dominar e sobrepor em nome do Deus único e as impregnar de marcas nefastas de pecado, baseada na negação do ser feminino e da Deusa Mãe e em consequência da desvalorização do ser Mulher.

A mulher, ao ser afastada sua ligação com a Deusa e a Natureza, perdeu o seu referencial primordial. Ao ser desligada da parte vital de si, da liberdade do seu Útero e dos seus ritmos hormonais, diria mesmo da sua “inteligência hormonal”, ligada aos ritmos da própria natureza, ela é separada da sua parte instintiva, digamos da sua força vital e criadora para se tornar um animal reprodutor ao serviço da espécie… ela foi amestrada para servir o dono e senhor como um animal de estimação o é...

O homem ao instituir a lei do casamento criou essa dicotomia na mulher e esse é e foi um dos maiores crimes contra a Natureza e a Mulher.

E assim nasceu a esposa e a puta…

Assim nasceu a maior afronta á Mulher e à Deusa e à Humanidade.

Foi dessa maneira que a sociedade patriarcal, nomeadamente a sacerdotal dividiu a mulher em duas: primeiro, no velho Testamento, fez a inimizade entre a mulher e a Serpente, sendo a Serpente a ligação das suas raízes à Terra Mãe, que representava o seu poder de transformação e metamorfose…A Serpente era ainda o Grande Oráculo, a voz das profundezas da Terra e a Mulher a sua Pitonisa. Depois, no novo Testamento, em concílio ecuménico, condenou Maria Madalena a prostituta por ser uma mulher livre, e a seguir promulgou a ascensão da Virgem Mãe aos céus…

Ao longo dos séculos, radicou-se na mente colectiva a ideia de duas mulheres diferentes, a santa e a puta, nomeadamente no Ocidente, que se antagonizam e opõem em nome dos valores e princípios do patriarcado. Sabemos que a fórmula foi sempre a de dividir para reinar…

Daí nasceu também o antagonismo entre a Mãe e a Filha, criou-se a rivalidade entre a esposa e a amante, fragmentou-se a própria mulher em duas e esse foi o melhor estratagema para manter as mulheres fora do poder e debaixo de sujeição ao pater. Dividir a mulher em duas dentro de si mesma foi “genial”…metade da população do mundo ficou cindida, muito mais grave do que a divisão dos homens em classes… Ao dividir as mulheres assim, colocou metade da humanidade debaixo de controlo e de domínio e fez da Mulher e da Natureza o que quis.

Esses dois arquétipos, expoentes ou fundamentos da sociedade patriarcal, são responsáveis pela dicotomia da mulher: temos a mulher santa e virgem por um lado e a mulher devassa ou pervertida por outro. Uma ascendeu aos céus e a outra caiu no inferno… (já antes Lilith fora condenada aos infernos) mas ambas coexistem persistentemente dentro da mulher e sem perceber isso caiem as duas em luta dentro de si mesmas e essa luta trava-se quer a nível psicológico quer anímico, e manifesta-se ou exterioriza-se na rivalidade e ódio contra as outras mulheres e assim ( que se dividem em vários estereótipos) entram em estados de Histeria, ou depressão, doenças ditas “típicas” das mulheres começam a proliferar os cancros a devorá-las as doenças ditas de foro feminino? Há ainda a fibromialgia, a bipolaridade (embora extensiva aos homens), a anorexia, a obesidade, e as operações “estéticas”, a mais grave das doenças modernas…

Os médicos e a “ciência” querem ter um papel na “evolução” e solução dos problemas da mulher (ou devia dizer um papel na ovulação da mulher?) e descobriram há já umas décadas a pílula anticoncepcional, “revolucionária” para a época, mas ela só foi inventada para o comodismo dos homens em detrimento da saúde da mulher… Muitas doenças são consequência dessas medicações…E não foi só essa pílula, muitas pílulas se seguiram até à última descoberta que era acabar de vez com a menstruação e “libertar” a mulher para sempre desse incómodo…

Por fim e com grandes parangonas publicitárias são as vacinas para “prevenir” o cancro no colo do Útero nas jovens adolescentes e quem me diz que não é para acabar sim de vez com a força vital que resta na Mulher? A força da Mulher está nos seus ovários. Por isso lhes tiram os ovários os médicos...A mulher é novamente manipulada e desta vez pela “ciência médica”; não só serve de cobaia para a experimentação dos produtos como se torna a principal consumidora desses produtos farmacêuticos, induzida pelo medo das doenças a tomar toda a porcaria que eles fabricam e publicitam…

Mas as mulheres acreditam ainda nos homens da ciência e nos médicos, nos padres, pais, professores, escritores, e jornalistas…elas acreditam em tudo…e tornaram-se de facto as suas cobaias, tornaram-se tudo e mais alguma coisa…elas estavam e estão ainda convencidas que todas essas conquistas iam libertá-las não só para trabalhar e ser independente, como iguais aos homens…mas não viam que cada vez estavam mais sobrecarregadas e afrentam agora, no casamento e já em fase de namoro, a violência doméstica crescente em todos os países…

Durante muitos séculos as mulheres andaram à deriva esquecidas de si mesmas, incompreendidas, desfasadas, fragmentadas, inconscientes do seu verdadeiro ser, em lutas umas contra “as outras”…mas mais grave contra si mesmas sem se aperceberem da sua divisão intrínseca!

Só muito recentemente, desde os anos 60 talvez, mas já antes, em décadas anteriores se haviam registado singulares apelos de mulheres visionárias à premência de um acordar das mulheres e da Deusa Mãe, independentemente do movimento das trabalhadoras por direitos e salários iguais que nada tiveram a ver com um fundo de consciência ontológica …

E assim começou para algumas mulheres ou começa agora para outras esta busca da Mulher entre as Brumas de Avalon…e as Sombras da Inquisição…

A Busca das suas raízes e da sua própria História… História que não foi contada e que as mulheres precisam de resgatar para si próprias pois nela está a Chave da sua identidade perdida e da sua liberdade interior, a Chave da sua dignidade e grandeza, a Chave do seu Poder pessoal.

Rosa Leonor Pedro

PS.

Hoje 13 de Outubro realizou-se mais uma cerimónia em Fátima, com a Nossa Senhora a ser transportada por padres e homens, às vezes militares... Homens de mantos e de vestidos compridos, com todos os paramentos, usurpados das antigas sacerdotisas...e a revolta e a repulsa por esta inversão de valores, da manipulação da Deusa e dos seus lugares sagrados por Roma (Amor-invertido) invadiu por momentos o meu espírito...

Quando será que as mulheres livres de todo o mundo, um dia, com os seus mantos enfeitadas e vestidas de branco, cabeças ornadas de flores, com toda a sua legitimidade, caminharão transportando o andar da Nossa Senhora de Fátima, de Lurdes ou de onde quer que a Mãe se tenha manifestado, a Nossa Senhora de todos os tempos?

segunda-feira, outubro 11, 2010

DOS ANOS 70 ATÉ HOJE...


A EXPERIÊNCIA DE UMA MULHER EM BUSCA DA DEUSA...

“Sou filha, mãe, irmã, amante, sacerdotisa, mestra, escritora, artista, pesquisadora, musicista, taróloga, runóloga, artesã, ritualista, curadora e mutante. Sou uma mulher selvagem e aquática, poetisa mística e mágica, feiticeira feminista, lésbica e tecelã de mitos e canções. Sou uma mãe fundadora do movimento da espiritualidade feminina americana, uma das pioneiras que promoveram a actual revolução da Deusa.

Recebi o chamado da Deusa nos idos de 70, quando estava começando o movimento do Seu retorno. Senti que a Consciência da Deusa iria abranger o planeta, pois era a única solução aos problemas mundiais e que as mulheres iam ser as Suas emissárias. Ainda sinto isso, mas não sei quanto tempo o processo irá levar, nem as dificuldades que deverá superar.

Naquele longínquo começo encontrei e trabalhei com muitas mulheres, que, assim como eu, estavam despertando para a Deusa, sentindo amor pela Mãe Terra, por si e entre si. Foi uma lua-de-mel extática, mas poucas de nós estavam preparadas para as batalhas e lutas que iriam seguir. Na minha área (montanhas de Santa Cruz) eu era a única mulher que oferecia grupos de estudos e rituais para celebrar a Deusa. Nos meados da década de 70, descobri que havia outras mulheres fazendo o mesmo trabalho, como por exemplo Z. Budapest começando o movimento feminista em Los Angeles, Ruth e Jean Mountaingrove em Oregon publicando a revista Womanspirit que durante décadas foi o mais importante elo da trama feminina.
Enquanto o sistema patriarcal ensina competir e dominar a Terra, as mulheres dedicadas à Deusa buscam repartir e preservar a abundância dos recursos naturais. Os padrões masculinos e bélicos, incutidos no inconsciente feminino e alimentados por medos atávicos, contribuíram para cisões e divergências no movimento feminista.

Mas a espiritualidade feminina sobreviveu aos ventos contrários e agora está florescendo em toda parte, com centenas de livros e revistas com orientação feminista, círculos, rituais e festivais no mundo todo, estudos universitários, produtos e terapias. “A Deusa está viva e sua magia se espalha sobre a Terra”, antigo lema das pioneiras está se tornando a realidade que compensa os esforços e sacrifícios das iniciadoras.

Mas, nesta era de sucessos e expansão, o nosso movimento enfrenta outros desafios: como vender produtos e imagens da Deusa sem nos vender, como criar e manter uma base cooperativa em lugar da competição, como formar alianças e acordos sem criar dogmas e embates, como ter certeza de que a Tradição da Deusa está nutrindo as mulheres e não correndo o perigo de se tornar outro meio de opressão? Tenho certeza de que um movimento leal à Deusa deva resistir ao dogmatismo, rigidez e conformismo. Mas enquanto a Donzela ama a liberdade, a Mãe cria formas estáveis e duradouras e a Anciã ensina verdades eternas e sempre presentes. As premissas para a continuação e expansão deste processo do qual fiz parte, são a sacralidade da vida e a reverência da divindade feminina, o movimento circular e o poder compartilhado, o respeito à Mãe Terra e a conscientização dos seus filhos sobre a imanência e eterna presença da Deusa em todos os seres e níveis de criação”.

Shekinah Mountainwater - IN “Ariadne’s Thread”

Copiado de: http://sagrado-feminino.blogspot.com/

sábado, outubro 09, 2010

RESGATEMOS A DEUSA E AS SUAS SERVIDORAS



"A grande maioria dos homens no nível cultural presente nunca avança além do significado maternal da mulher e esta é a razão pela qual a alma raramente nele se desenvolve além do nível infantil, primitivo da prostituta. Como consequência, a prostituição é um dos principais produtos do casamento civilizado."

C. G. Jung

(...)

Me gusta mi cuerpo- mujer.


Paseando por las playas turquesas de nuestra isla, unas amigas y yo reconocíamos como nos excita el sol, el color del mar, el contacto del agua, el sabor a sal...paseando desnudas en un día tormentoso alcanzábamos a sentir como simplemente sentándonos en la orilla y dejando que nos lamieran las olas, conectamos con la fuerza de Eros.

Venus, Afrodita, son Diosas, paganismo, herejía para nuestra sociedad judeocristiana.

¿Por qué hemos dejado que nos constriñan en una sexualidad reproductiva que pertenece a los hombres?

Milenios de sexualidad patriarcal nos han confinado a ser receptoras de la semillas de los hombres, dándoles placer en su penetración. De su desobediencia al Pater-Dios tenemos nosotras la culpa. La manzana -creo que debieran haber elegido un higo o una granada por su simbolismo sexual- es el símbolo de la tentación de Lilith-Eva que expulsó del Paraíso a los hombres. Nosotras somos Eros, y ellos son los tentados, pobres hijos de Dios-Padre, a los que conducimos al pecado.

Mucho daño nos han hecho a todos, hombres y mujeres, con esta visión erotofóbica de la sexualidad y el placer. Los hombres no salen mejor parados. Su sexualidad es genital, donde orgasmo y eyaculación son lo mismo, y quedan identificados como los esparcidores de semillas. Las abejas de la humanidad. Ya se dice..."es un libertino que va de flor en flor". Lo peor es que no tienen cerebro: las mujeres son las provocadoras de su pecado y de sus violencias. Las mujeres que sentimos Eros nos convertimos en zorras, putas, pendejas. Somos robanovios y merecemos una piña. Ellos no eligen: sólo reaccionan a nuestros escotes y minifaldas. Nuestra única función es ser elegidas para hacernos las madres de sus hijos. Claro, luego la doble moral está servida y el placer lo buscan en las putas, las amantes, las ciberamantes...en aquellas mujeres que pagando el precio del desprecio, están dispuestas a ir guiadas por Afrodita defenestrada ya, de sus pedestal de Diosa. Hijas de una Diosa Menor, herejes, brujas, paganas.

Y tanto que el cerebro es un pene, que el grandioso Psicoanálisis nos define por una ausencia. Lacan, l'enfant terrible, más papista que el Papa, alrededor del "revolucionario" 68 francés, decía que la mujer no existe. En el inconsciente sólo existe el falo, dando la razón así a los popes de la iglesia católica como San Agustín, que nos llamaban "varón fallido". En una película de Woody Allen, uno de los personajes es una mujer que le cuenta a la otra que cuando por fín había tenido un orgasmo, su psicoanalista le había dicho que no era el tipo de orgasmo que toca...El clítoris- el órgano que conozco y venero- no proporciona el orgasmo definido como bueno por el psicoanálisis patriarcal. Pero el clítoris -¡ni siquiera los pechos!- existen en el inconsciente humano.
Por qué Freud con su líbido no nos rescató? Deberemos matar a Freud, como Nietzsche hizo con Dios, aunque no sé si él matándolo nos rescató tampoco...Ninguno de ellos cuestionan profundamente el Génesis, la Ley y el Logos que nos hace ser sólo una costilla de Adán.

Rescatemos a la Diosa y sus servidoras. Aquellas zorras sagradas que daban placer a los estranjeros para que fueran reconectados con Eros, la fuerza vital.

La prostituta Sagrada es la mujer que sacraliza el placer y lo eleva a la categoría de Eros, fuerza vital que une y agrega, no disgrega. La sensualidad que recorre el cuerpo y que gesta cuando es necesario o deseable, es despertada por ella, tras siglos de dominación patriarcal que ha conducido a los hombres a venerar el poder, no el placer ni la unión. La zorra sagrada no tiene que ver con la dominación-sumisión que subyace en nuestro mundo patriarcal, no sólo en las relaciones afectivas y sexuales, sino también en la relación económica y política que lleva a las desigualdades sociales y económicas.

Rescatemos a la zorra sagrada. No sólo nosotras las mujeres, sino también los hombres que quieren ser guiados y orientados a un mundo donde el placer es unión, celebración, goce, no sumisión o dominancia. Para hombres y mujeres, la prostituta sagrada representa la Beatriz que guía al alma en la Divina Comedia de la evolución personal. Por ella salimos de los infiernos del pecado. Porque Eros es Dios, fuerza. Dejemos el pecado en aquello que somete, pervierte y abusa. Los hombres también celebrarán el poder ir más allá de lo fálico y lo genital. Eroticemos el cuerpo, la vida. Erradiquemos de nuestras mentes cualquier forma de dominancia y sumisión.

El aspecto del ánima que corresponde a la prostituta sagrada está conectado con la Diosa del Amor. Ella transforma la expresión sexual instintiva en un acto de amor, en una experiencia llena de vitalidad que no es incompatible con la naturaleza espiritual sino todo lo contrario. En nuestro mundo moderno, la imagen de la prostituta sagrada está enterrada debajo de los valores religiosos, políticos y económicos del patriarcado. Ella aún vive y puede ser redescubierta como compañera de viaje por cualquier hombre que tenga la voluntad y el coraje de sacrificar los estereotipos masculinos, los roles de la persona y los valores colectivos externos.

Nancy Qualls-Corbett

Copiado de: http://www.anamariacor.blogspot.com/

sexta-feira, outubro 08, 2010

O MATRIMÓNIO SAGRADO

OS LUGARES E TEMPLOS DA DEUSA MÃE…


Durante muitos anos, desde que em 1988, creio, em que li As Brumas de Avalon, senti sempre a nostalgia desses lugares e sonhei ir um dia a Avalon, atravessar o denso nevoeiro dos tempos, dizer as palavras mágicas… e encontrar as belas e míticas sacerdotisas de outrora…a caminho de Avalon…

Quis por isso, durante muito tempo, formar grupos de mulheres e falar da Deusa como se de sacerdotisas se tratassem, sonhei ter uma “Casa na Floresta” (outro livro que li de Marion B. Zimller) sempre no desejo ansioso de me tornar eu própria uma sacerdotisa eleita da Deusa. E sofri imenso com a falta de eco das mulheres que conhecia, que brincavam comigo por causa da minha “mania”; sofria com a falta de mulheres interessadas ou conscientes dessa matriz, com a falta de consciência que as mulheres tinham de si mesmas enquanto mulheres desligados do feminino sagrado, e lia desesperadamente tudo o que dissesse respeito a Deusas da antiguidade…até que um dia tive eu própria uma revelação interior, um sonho revelador… e sonhei com Lilith! Lilith, a primeira mulher que habitou o mundo, a Serpente que revelou os segredos a Eva…a Mulher mais misteriosa e secreta das escrituras…quem sabe a Chave da nossa própria queda e que me entrou como uma flecha directa no coração e me revelou a sua força; não, não era Eros… era Ela a Serpente alada e assinalou o meu caminho que começou aí a desenhar-se noutra direcção, bem mais ampla e abrangente do que a minha imaginação me levava.

Escrevi o meu primeiro livro por pura inspiração dessa revelação e todo esse “património” secreto e atávico se revelou nas minhas células, revelou-se nas minhas memórias, na minha carne e vivi ou revivi esse património que me foi legado por todas as mulheres antes de mim e aqui devo dizer explicitamente matrimónio e não património, porque é da Mulher Mater e Matriz que se trata - Matrimónio esse secreto, o da minha união com a mulher ancestral em mim, a revelação da primeira mulher da Génese…escondida e condenada por deus aos infernos…e que todas as mulheres têm dentro de si ainda por revelar. É aí que a Deusa começou a fazer a sua aparição, a mostrar-me quem eu era de facto, as duas mulheres divididas em mim, e vi quão diferente Ela era da Aparição da Senhora de Fátima que eu desde o meus 13 anos sonhava que um dia se me revelasse …

Ah, como eu sofri esses anos todos e tive tantas decepções antes de compreender a minha essência mulher e o que os meus livros, fruto dessa busca e desse acordar interior, mesmo o 2º, eram ou significaram não para as outras mulheres mas para mim mesma. Eu tive de compreender primeiro e não me deixar abater só porque eles não foram compreendidos nem aceites pelas mulheres como eu pensava que seriam…Tive tantas esperanças de que os meus livros pudessem ajudar a acordar as mulheres do meu País… Mas não, não significaram como eu pensara um acordar da Deusa nas outras mulheres, mas talvez só em mim.

Durante muito tempo continuei ainda a sofrer por não viver nada parecido nesta vida com o que outras civilizações, em outras épocas, tinham expresso e manifestado da Deusa; tal como lia livros secretos sobre o Egipto, a Mesopotâmia, a Suméria, mesmo a Grécia, a Grécia de antes do Spectrum patriarcal com as deusas todas à bulha por causa de Zeus, o deus zângão…mas a Grécia dos mistérios Eleusianos de Demeter Core e Héstia…

Eu queria tanto ter vivido num Templo antigo de acordo com os antigos rituais e mistérios…e o meu desgosto era enorme…uma grande decepção deste tempo tão vulgar e materialista, tão agressivo e masculino, cheio de guerra e competição…em que a Deusa Mãe não existia senão em altares católicos, como Virgem inacessível e distante, presa aos dogmas da igreja de Roma. Porque os homens e a sua História, os seus Impérios bélicos e destruidores a apagaram da história do passado e sacrificavam a mulher desde sempre até aos nossos dias, em que a continuam a violentar, a menosprezar, fazendo dela escrava, esposa ou prostituta… ou um objecto de consumo e produção de filhos, ou ainda barriga de aluguer…

Deste esses tempos imemoriais a negação da Deusa representa na realidade a crucificação da mulher. Ela começou na resistência do macho à atracção natural que a mulher exerce sobre o homem, e por querer o absoluto como Deus e o céu como espiritualidade “pura” o homem negou a mulher e a Natureza, como nega o seu feminino e o feminino do mundo e vê na mulher ainda o “pecado” porque o afasta desse Absoluto inacessível ou porque o domina o medo da vida e da morte em si. Esse foi o erro dos religiosos cristãos em geral. Esse foi o grande Pecado da Igreja contra a mulher. Eles não compreenderam que sem o par alquímico, sem o par divino, sem a Mulher matriz e a Deusa não existe manifestação nem dinâmica de vida-morte-renascimento. E o caos sobreveio…E tudo deixou de fazer sentido e a vida na Terra passaria a um absurdo, um inferno…Dominado o mundo pela força da Espada, a terra passou a ser queimada e saqueada pelos seus heróis os herdeiros dessa cultura sanguinária.

Passaram já alguns anos e as minhas decepções também…E com o passar deste tempo eu hoje percebo e sinto, através do que me foi dado ver e compreender na minha vida prática, que afinal o verdadeiro Templo da Deusa só pode ser Real hoje no meu coração e no nosso Mundo, na nossa sociedade, terá de ser forçosamente diferente; não voltará a obedecer aos mesmos rituais nem às fórmulas do passado...e aqueles/as que copiam os ritos das tradições já mortas através de reminiscências de cultos que não sabem ao certo a que correspondem, não prestam já nenhum culto verdadeiro à Deusa mas ao seu ego, e a uma mera recordação do passado e não ao presente em que vivemos.

É por isso que os pagãos/bruxos/wiccanos, pequenas seitas fechadas, supersticiosas e ridicularizadas pela média e pelas telenovelas tem, em geral, uma postura de arrogância e superioridade, tal como os padres e a igreja católica...Eles/elas estão convencidos que são detentores de alguma coisa, mas não sabem nada ao certo. Cada tempo tem a sua maneira e é essa nova maneira de amar a Deusa que nós temos de encontrar…e não é fingirmos que encontrámos apenas voltadas para o passado… E não digo que não devamos olhar para o que aconteceu. Sim, devemos olhar e vermos bem o que aconteceu à nossa natureza instintiva, e como a natureza foi, à imagem da mulher selvagem, das suas terras espirituais, saqueadas ou queimadas…

E o tempo passou e essa luta e procura incessante em mim levou-me ainda à publicação dos textos do Blogue Mulheres & Deusas mas continuando sem grande eco entre as mulheres portuguesas, as mulheres pseudo-modernas da Europa…completamente anestesiadas por uma falsa emancipação e atordoadas pelo consumo de uma cultura alienadora da mulher que continua sem ver como a violência doméstica e psicológica está activa 90% em todos os lugares que vive e trabalha! Continua sem ver que a sua sexualidade é redutora de si mesma e que vive uma sexualidade que é “normalmente” aceite e é subtilmente violência sobre o seu ser, uma afronta à sua alma, um abuso disfarçado de desejo do seu corpo pelo macho “alfa” ou Ómega…

Assim, “Observamos, ao longo dos séculos, a pilhagem, a redução de espaço e o esmagamento da natureza instintiva feminina. Durante longos períodos ela foi mal gerida, à semelhança da fauna silvestre e das florestas virgens. Há alguns milénios, sempre que lhe viramos as costas, ela é relegada às regiões mais pobres da psique. As terras espirituais da Mulher Selvagem, durante o curso da história, foram saqueadas ou queimadas, com seus refúgios destruídos e seus ciclos naturais transformados à força em ritmos artificiais para agradar os outros.”*

Mas porque o nosso tempo é muito diferente dos tempos passados, muito diferente...urge recriar uma nova maneira de amar e servir A Deusa. Uma maneira prática, realista e sensível, sem preconceitos nem dogmas, e penso que a única forma é mesmo amar a Vida sua plenitude e no respeitar da natureza e da mulher. Essa descoberta passa por uma nova consciência do ser mulher, precisamente na integração da sua natureza instintiva, na recuperação do seu dom inato, da sua intuição e dom de cura…

É pois preciso e urgente voltar à Natureza da Mulher e da Mãe Natureza! Voltar a amar a Natureza Mãe e respeitá-la como ser vivo e consciente…voltar a viver em contacto com a Terra e cultivá-la, deitar de novo sementes à Terra e ver crescer as plantas, os legumes, as árvores… queimadas…voltar a plantar toda a flora destruída pela mão criminosa do homem e a suas guerras económicas, porque é disso que se trata…

Esta é a única maneira de voltar a fazer viver a Deusa na Terra e nos nossos corações, plantando e semeando a Terra, dar vida ao solo.

As máquinas tiraram-nos a relação com a Terra e o pão…produzir, consumir e morrer foi aquilo a que o Homem chamou progresso e quanto mais inventou máquinas mais se afastou da sua natureza, mais sofre, mais se aliena da verdadeira vida e do seu feminino.

Voltemos pois ao campo, às aldeias, à natureza, ao mar…vivamos da terra entre os animais e as árvores, os rios e as aves e tudo o que existe e se manifesta sem a mão mortífera do homem…

Para que voltem as mulheres cada vez mais a ser parteiras, a educar os filhos, a tecer a sua roupa, a fazer a comida com as sua mãos, a amar como sempre fizeram as nossas ancestrais. Voltem as mulheres a reunir como curandeiras, a apanhar plantas sagradas e a curar as almas de tanta dor…voltem as mulheres a ceifar e a colher o trigo da terra, rindo felizes com os seus companheiros que as aprenderam de novo a respeitar e a amar…

Sem que porém a Deusa se torne numa experiência interior e seja a uma manifestação natural e consciente nas nossas vidas do dia-a-dia, e não apenas em horas especiais ou dias de isto e aquilo, de nada adianta ir rezar ou evocá-la nos Solstícios ou no Shamain... Embora sabendo que há lugares ditos sagrados... e por vezes possam haver revelações nesses lugares ou aparições ou mesmo milagres, não se deve confundir rituais e magias ou ter posturas que são apenas cópias do passado. Sim, é certo que a Deusa-Mãe está associada às forças telúricas e que se manifestou em lugares do Planeta poderosos onde essa energia vibratória é ainda nesses lugares mais forte porque são lugares de ressonância cósmica, de ligação entre a Terra e o Céu. Mas a Deusa tem de ser uma força interior e uma consciência vivida a partir de dentro de cada ser, entre o par humano, assumida eroticamente em cada um dos seres, exprimindo cada um o seu princípio feminino ou masculino respectivamente, na dança cósmica e não vivida no exterior sem paixão - e essa será certamente a única semelhança com os tempos de antigamente. Mas a nível exterior nada poderá ser igual.

Só assim a Deusa voltará…porque Ela é a Terra abandonada por todos nós… e o desprezo a que os homens votaram a natureza nós mulheres sofremo-la no nosso corpo todos os dias na nossa pele…

Voltemos ao Princípio de tudo, ao Paraíso…que não é remoto passado…mas momento presente no momento em que a Deusa for cada uma de nós…

E Quando as mulheres reafirmam seu relacionamento com a natureza selvagem, elas recebem o dom de dispor de uma observadora interna permanente, uma sábia, uma visionária, um oráculo, uma inspiradora, uma instintiva, uma criadora, uma inventora e uma ouvinte que guia, sugere e estimula uma vida vibrante nos mundos exterior e interior. Quando as mulheres estão com a Mulher Selvagem, a realidade desse relacionamento transparece nelas. Não importa o que aconteça, essa instrutora, mãe e mentora vagem dá sustentação às suas vidas interior e exterior.”*

(* Lamentavelmente perdi o nome da autora que presumo seja a Clarisse Pinkola Estés, mas como não estou certa peço a quem identificar a autora dos excertos me diga de pronto!)

Rosa Leonor Pedro

quinta-feira, outubro 07, 2010

OLHEMOS AS PEQUENAS COISAS...


Há vários dias que não escrevo nem tenho vontade alguma de "postar"...

SÓ HOJE PERCEBI MELHOR POR QUÊ...

Tem-me invadido um enorme tristeza mas não sei dizer-vos porquê nem de onde ela vem porque tudo está bem aparentemente na minha vida de todos os dias: tudo está tranquilo e sem problemas; a estabilidade voltou depois da mudança e do grande esforço que fiz para enfrentar novas situações. Mas só agora percebo que passei ao longo do ano por grandes convulsões nas relações humanas e durante um largo período e que sofri muitas reveses e decepções embora também tenha tido algumas surpresas agradáveis, mas só agora percebi como fui afectada pelas amizades que julgava perenes...e defraudada pelas expectativas mais íntimas do relacionamento humano na base da verdade e da troca sincera.
Não esperava a falta de empatia por parte de grandes amigas, as amigas para toda a vida, nem acções que me precipitaram em grande angústia e instabilidade emocional. Vivi isso durante meses sem ter consciência do mal que me faziam nem de como me estavam a afectar...Só agora que a situação mudou e a poeira assentou me dei conta do meu sofrimento pessoal. Claro que tentei sempre ultrapassar o subjectivo com as coisas objectivas e falar positivamente...ou teoricamente dos assuntos que me são caros. Penso contudo que está na altura de mudar. Podem a partir de agora estranhar porque nunca foi meu costume ser tão subjectiva nos meus textos, nem exprimir as minhas decepções ou ilusões, ou esperanças de um ponto de vista tão íntimo...
Passarei agora a ser portanto mais intimista, mais humana, mais eu...talvez mais contraditória mais paradoxal...seja! Mas mais verdadeira em todas as circunstâncias espero!

E para começar digo-vos que só assim mais uma vez pude verificar que, como sempre na vida me aconteceu, é de quem menos esperamos que pode vir o melhor e de quem esperamos o melhor pode vir o pior... isto ensina-nos a colocar a nossa atenção e foco na essência da vida que tudo nos dá (e tira...) e dar-lhe o valor máximo sem depender de nada nem de ninguém pois só Ela (a Deusa Mãe) nos seus desígnios ocultos pode responder aos nossas apelos e necessidades; contemos pois com a Vida em si e no seu valor intrínseco sem esperar nada de ninguém... é nessa altura que a vida nos revela quem é nosso amigo/a de verdade ou quem está do nosso lado...
A solidariedade e a fraternidade por muito gratificantes que sejam são qualidades cada vez mais raras na nossa sociedade completamente vendida a valores de comércio e intrigas familiares e tudo se faz por dinheiro, mas ainda assim A Vida ensina-nos que nas mais pequenas coisas há lições enormes e que só se tiram justamente das coisas a que damos menos importância...

Tudo na vida muda, tudo passa, só há uma coisa que nunca muda e essa coisa está dentro de nós...Confiemos nessa Vida interna pois e a na sua sabedoria inata. Tudo Ela dissolve no sopro mágico da nossa respiração...essa é a existência mais pura.
Esse é o Foco.

rosaleonor pedro

sábado, outubro 02, 2010

FAÇAM A PROVA DOS NOVE...


PORQUE SERÁ QUE HÁ MULHERES QUE ACHAM DESAGRADÁVEL O QUE EU AQUI PUBLICO?

-Eu sei que há algo de desagradável, para algumas mulheres que me lêem, quando desmistifico aspectos mais melindrosos da sua pseudo consciência ou da liberdade e emancipação das mulheres em geral, umas porque falam da Deusa como de algo exterior a elas e no passado e outras porque seguem linhas ditas espirituais de estar bem consigo e com todos ou ainda e perdoar aos inimigos seguir o pensamento positivo e com isso continuam a aceitar, e o pior ainda, a não ver como continuam objectos de escárnio e mal dizer, objectos de consumo publicitário e animadoras ou mesmo facilitadoras do Sistema, cheias de boa vontade católica travestida de sei lá o quê!

Sim, é aí que o meu trabalho passa por destabilizar as mulheres que estão convencidas que estão a fazer o seu melhor e o que podem e que eu estou apenas a dizer mal das mulheres coitadinhas e que afinal fazem tudo por (parecer) integradas e actualizadas com as ideias “Nova Era” e eu vejo-as cair na armadilha de uma “nova” escravização-religião qualquer.

Não, eu não vou por aí e sei que enquanto a mulher não integrar as duas mulheres em si – esses dois aspectos da mulher que foram separados na nossa cultura ocidental, por influência da religião católica, o instintivo e sexual de um lado e a maternidade virginal ou a esposa fiel por outro - e por isso, enquanto a mulher olhar para a outra mulher com inimizade ou como rival – e aqui eu peço para as mulheres que não concordam com a minha visão que olhem bem lá no fundo e vejam porque me detestam e ao que eu escrevo… porque de certeza também detestam as mulheres em geral.

Esta é uma prova dos nove:

A Mulher que tem na outra mulher uma rival ou vê a sua Sombra sem a reconhecer como sua não está minimamente bem com ela mesma e está muito longe do que eu quero significar por feminino sagrado e quando evoco a Deusa na mulher!


Vejo muitas mulheres a fazer trabalhos interessantes sobre as Deusas e intelectualmente muito correctos do ponto de vista teórico e talvez até histórico ou antropológico, mas quase sempre falha uma coisa essencial: normalmente a mulher não tem consciência da sua divisão interior e acaba por no meio das deusas e de círculos femininos exprimir esse antagonismo e em vez de evoluir regredir porque em nome de um sagrado feminino e de uma sabedoria ancestral cometer os mesmos erros que a mulher patriarcal, e continuar em luta com as suas irmãs por um papel principal ou denegrir o trabalho das outras mulheres.

O meu cavalo de batalha, é pois, o que para mim é o cerne da questão do feminino não integrado, esta questão primordial: sempre que a mulher não tem consciência dessa divisão em si e pensa que por ter conhecimento e informação sobre as deusas e as feiticeiras ou sacerdotisas e seguir até algum grupo Wicca está em situação privilegiada ou conectada com a Deusa, para mim não está! Para o estar ela tem de unir as duas mulheres em si e só assim ela deixará de rivalizar com a "outra” quando deixa de haver separação dos dois estereótipos – a santa e a puta - antagonizados pela sociedade patriarcal!

É fácil inventar uma Deusa parecida com Deus…que é deus nas alturas e nós cá em baixo…Que é a Deusa no altar e rezarmos pelos nossos pecados mas Ela não está no nosso coração.

Não, a Deusa não permite essa distância, essa separação, porque a Deusa é a relação com o nosso lado instintivo, com o nosso feminino profundo, com as raízes da terra e do nosso Útero, as nossas entranhas, o nosso passado remoto e por isso sagrado, e não são meros rituais nem fórmulas “espirituais” ou saber muito do assunto de forma exterior a si, mental e intelectual, que nos leva a uma consciência integrada, equilibrada que só a união dos dois lados do nosso ser de re-ligação com o Todo permite.

E há mulheres e homens que sabem muito de tudo, com cérebros brilhantes e no entanto de si mesmos, enquanto seres psicológicos e anímicos nada sabem, porque Deus chamava-nos para o Céu…para um dos lados apenas do ser humano, o lado “bom” do ser e a negação do terreno, a pureza conceptual das virgens e o pecado que coube às mulher a sina de o pagar duramente durante séculos e séculos…Não, a Deusa é justamente o lado renegado, o lado aparentemente mau da vida, a morte e o sofrimento, a descida ao inconsciente, mas também a realização e integração dos dois lados do SER para o tornar Uno.

A Deusa é a Terra e a terra é à imagem da Mãe e vice-versa, Terra Mãe, Magna Mater, dadora de vida e de morte, senhora das árvores e dos animais selvagens, ela é ao mesmo tempo primitiva, subtil, espiritual, andrógino, loba, serpente, porca e jumento. Ela denuncia a atitude desonesta dos gregos que em vez das deusas – de Isthar a Athena passando por Ísis, Demeter, Ereshkigal -, na sua luta obstinada de as reduzir à condição de ogres satânicos e mães desrutivas, vazias de todo o apelo à vida e à ressurreição. Posição misógina e recuperada e mantida mais tarde pela tradição judaico-cristã.

Resultado: ainda são numerosos aqueles a quem o desejo selvagem, o prazer, o instinto da mulher arquetípica, embaraçam consideravelmente. Eles contestam a legitimidade da Deusa das Origens, e fazendo-o, negam completamente o papel da mulher no mundo.”
**

O que falhou precisamente na cultura grega ou romana e na religião católica e porventura em outras religiões foi a pretensa elevação do espírito e a negação do corpo, a negação da alma da mulher e a sua sensualidade vista como perdição e pecado. Pensamos que estamos muito longe disso mas não estamos. As teorias da Nova Era também apontam de forma subtil para o mesmo…para um só lado da vida e esse é um erro, é realmente falhar o alvo, pois o Alvo é a união dos dois lados, do feminino e do masculino, mas não sem antes a mulher integrar as duas mulheres dividas pela cultura judaica crista em si. O Inconsciente Colectivo ainda é prisioneiro dessa conceito milenar…e as mulheres não vêm que são vítimas desse preconceito atávico na violência doméstica e na violência sexual. Na forma como são usadas “na cama”, na forma como os homens falam e lidam com elas, da forma como são representadas pela média, pelos filmes e pela publicidade.

Enquanto as mulheres não assimilarem essa realidade dentro delas próprias e perceberam onde nasce o conflito e o sofrimento, as próprias doenças de que são maioritariamente vítimas e continuarem a ser os bodes expiatórios da sociedade machista e falocrática, sendo elas próprias muitas vezes falocráticas…na forma como agridem as outras mulheres e as ofendem…ou até defendem os homens e justificam a violência sobre si mesmas.

Será que as mulheres que me acham desagradável para com as mulheres não vejam a diferença entre o que eu digo e a forma como elas se detestam umas às outras e a mim?

Rosa Leonor Pedro

(**Introdução a uma entrevista a Joelle de Gravelaine)