segunda-feira, novembro 15, 2010

OS LOGROS DO INTELECTO


EXCERTO DE MENSAGEM QUE RECEBI DE UMA SENHORA MINHA DESCONHECIDA E QUE RESPONDEU A UM POBRE DIÁLOGO ENTRE MIM E UMA CONHECIDA, SOBRE FEMINISMO…NO FACEBOOK!(…) uma declaração de princípios ou mundividências seria exigível da parte de quem se considera visionária e mística, e adere a conceitos como Ontologia e Sagrado. Porque englobar estes conceitos na discussão, desde os tempos mais arcaicos, levar-nos-ia longe, pois seria necessário entrar em linha de conta com os contextos pré-históricos que, até por falta de documentação credível, se tornam difusos e difíceis de garantir como mais-valias para o Feminino. Tenho uma vasta biblioteca sobre o tema, mas é preciso separar as águas e olhar para a entidade bio-psico-social que pertence ao género feminino. Entendo esse maravilhamento com o sagrado e com os "poderes" das deusas primitivas, muito característico dos grupos sociais que têm falta de auto-estima e que precisam de afirmar a sua superioridade, caso da "negritude", conceito criado por Leopod Sengor que também pretendia dar um cunho especial e nobilitar a raça negra. Além disso, o poder feminino "sagrado", via ontologia metafísica, é glosado por todas as grandes teóricas do feminismo e do pós-feminismo (Simone de Beauvoir, Benoîte Groult, Germaine Greer, Betty Friedan, Francoise Heritier, etc.) como advento da consciencialização de género. O que não se pode é ficar por aí, num encantamento inócuo e ineficaz. (…)



A MINHA RESPOSTA SEM RESPOSTA,
INÓCUA E INEFICAZ, MAS ENCANTADA…

(…)

Tenho, há mais de 12 anos, um Blog: MULHERES & DEUSAS (e um livro com o mesmo nome e mais dois livros de poesia, por assim dizer, Mulher Incesto e Antes do Verbo era o Útero editados resp. em 1996 e 2003) que não deve conhecer, pois sou e estou fora de qualquer contexto intelectual ou literário; pesquisei segundo o meu próprio discernimento pessoal ao longo de toda a minha vida, tudo o que me foi possível apreender mentalmente e depois dei “o salto”… embora confesse que não fui nem sou uma rigorosa estudiosa do assunto (segundo as cânones) e portanto, como deve calcular, não lhe darei qualquer documentação credível...nem testemunho plausível, nem farei qualquer discurso “coerente e razoável”, por isso disse que era visionária e selvagem à minha maneira e prezo muito isso…
“Sou Pagã e anarquista com uma pantera que se preza” (F.E.)

Não tenho uma vasta biblioteca nem qualquer formação académica, nem considero demais nem de menos as grandes pensadoras do feminino, todas as que me citou, sejam elas feministas ou não, nem considero POR AÍ ALÉM os cientistas ou escritores badalados.

Li o “Erro de Descartes” de Damásio, mas para mim os cientistas estão muito longe do conhecimento interior, digamos, e desde que ele afirmou sobre o seu último livro e últimas pesquisas… que a alma é uma ilusão do cérebro, nunca mais poderá evidentemente ter o meu crédito. Veja lá como as coisas são…

Creio acima de tudo na ALMA, na vivência interna, na espontaneidade do ser e não no conhecimento instituído ou intelectual. Ligo-me a um SABER interno como essência, acredito que temos 12 sentidos e não 5…) e não estou nada interessada hoje (com 64 anos) no que pensam ou dizem os milhões de autores, os mais eruditos, sobre o assunto. O que eu sinto e penso basta-me. E isso devo-o ao facto de ter nascido MULHER.
Sou autodidacta e livre pensadora mas sou sobretudo livre do jugo da racionalidade, do conceito, da razão, da sua lógica que faz a diferença entre o que é consensual e o que não é. Eu não o sou. Não pertenço a nada e estou sozinha no meu caminho e nem defendo as minhas ideias ou o meu saber. Apenas ESCREVO. E quem sentir como eu sente. E é assim que sinto quem eu sinto e é assim sinto a MULHER -mulher.

Falo de um despertar-revelação interior da Mulher, principalmente na Menopausa, em termos de essência, de uma revelação luminosa, da sua intuição pura aliada a um discernimento também interior, baseada na sua experiência de vida, e não de um saber teórico, instituído ou consentâneo. Sou uma adepta dos Mistérios Antigos e aí ninguém pode racionalizar os temas ou pôr ordem mental nas questões, discutir princípios etc.. É pelo coração que falo e não de cor…porque li ou estudei… (sabendo que par coeur seria o saber mesmo do coração e não o saber mental como hoje sabemos as coisas sem relação com as emoções ou o sentimento nem com o Ser Real…)

Acredito no Conhecimento inato. Na Inteligência do Coração (a verdadeira e única Inteligência segundo os egípcios…)
A senhora deve pensar claro que a revelação, os sonhos, a meditação e a intuição, a visão (o espírito de síntese), são uma doença psicológica ou ainda histerismo ou neurose …coisa de mitos ou falta de auto-estima de grupos minoritários…ou um modismo estilo “nova era”…Pois não sei, nem me interessa. Isso é consigo. Por mim, estou, na medida do possível, fora do Sistema e nem quero fazer parte integrante dele como mulher... por isso me demarco desde há muito tempo.


Do livro OS MISTÉRIOS DA MULHER de M. ESTHER HARDING cito para finalizar:

"Não raramente ouvimos a informação de que não há nenhuma diferença essencial entre homens e mulheres, excepto a diferença biológica. Muitas mulheres têm aceite esse ponto de vista e têm feito muito para alimentá-lo. Têm se sentido contentes em serem homens de sais e assim perderam o contacto com o princípio feminino dentro delas mesmas. Essa talvez seja a causa principal da infelicidade e instabilidade emocional hoje em dia. Ora, se a mulher está fora de contacto com o seu princípio feminino, que dita as leis da integração, não pode assumir o comando do que é, afinal de contas, o domínio de feminino, ou seja, o das relações humanas. E, até que o faça, não poderá haver muita esperança de ordem nesse aspecto da vida. Muitas mulheres sofrem seriamente na sua vida pessoal por esse abandono do princípio feminino.
São incapazes de relacionamentos satisfatórios, ou podem mesmo cair em neurose pela inadequação do seu desenvolvimento nessa área, que é das mais essenciais. Por essa razão, a relação de uma mulher com o princípio feminino dentro de si mesma não é um problema pessoal, mas também um problema geral, até universal para todas as mulheres. É um problema da humanidade.
(...)
É preciso considerar que a essência ou princípio feminino NÃO PODE SER ENTENDIDA ATRAVÉS DE UM ESTUDO INTELECTUAL OU ACADÉMICO. A ESSÊNCIA ÍNTIMA DO PRINCÍPIO FEMININO não se permite tal ataque, o sentido real da feminilidade sempre escapa ao interrogador directo. Essa é a razão pela qual as mulheres são misteriosas para os homens – isto é, para o homem que persiste em tentar compreender intelectualmente a mulher."


Disse-me ainda com imensa complacência, repare, que eu admiraria da parte dos seres superiores, caso os houvesse: “

"Entendo esse maravilhamento com o sagrado e com os "poderes" das deusas primitivas, muito característico dos grupos sociais que têm falta de autoestima  e que precisam de afirmar a sua superioridade, caso da "negritude"…
Não sei se se referia a mim uma vez que me desconhece (e a minha obra ao negro…), mas eu acho que essa afirmação parte de um ego insuflado próprio do conhecimento mental…quer da parte do autor que pouca ou nada me interessa quer da parte de quem o toma a letra e de facto não tem acesso ao NUMINOSO…de quem não tem acesso à experiência da revelação do saber via coração. Não sou feminista, mas não creio em nenhum homem que se debruce sobre as origens do que quer que seja… "até por falta de documentação credível, se tornam difusos e difíceis de garantir como mais-valias para o Feminino…”.








Sugiro-lhe que veja este vídeo de uma das grandes antropólogas feministas, Marija Gimbutas que revolucionou o mundo da Antropologia com provas factuais sobre a existência de uma Deusa que é mais do que um mero conceito ou ideia de gente sem auto-estima e primitiva. Já agora recomendo-lhe o livro O Cálice e a Espada de Riane Aisler a escritora que entrevista neste vídeo a Marija.
Estamos como vê nos antípodas do conhecimento…
Cordiais saudações místicas

 rosa leonor

RETRATO FIEL DE UMA REALIDADE CAMUFLADA



AS MULHERES EM PORTUGAL COMO HÁ 40 ANOS...



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Milhares de tarrafais*

Só este ano, já matou trinta mulheres. A culpa é nossa. Porque a violência doméstica, que transforma milhares de lares em campos de concentração, resulta da desigualdade e de uma cultura que infantiliza as mulheres.
Daniel Oliveira (www.expresso.pt)


A insegurança e a criminalidade são temas muito do apreço dos que vivem do medo. Não que sejam irrelevantes. Eles limitam o bem mais precioso para qualquer sociedade que se queira decente - a liberdade - e são sintomas da desigualdade. Mas, quase sempre, aqueles que as têm como prioridades do debate político usam-na para nos oferecer como cura a própria doença: limitar ainda mais a nossa liberdade e promover, através do estigma, a desigualdade. Não é por isso de espantar que a criminalidade que não sirva esta agenda raramente esteja na ordem do dia.

Exemplo: a violência doméstica, que tem as mulheres como vítima quase exclusivas. Passa-se dentro de portas, não parece perturbar o quotidiano dos que não a experimentam e destrói essa cândida ideia que temos de nós de próprios enquanto sociedade moderna e evoluída. Este ano já tirou a vida a trinta mulheres. E estes são apenas os casos limite. Os espancamentos, as limitações violentas à liberdade individual, as humilhações que destroem até aos ossos a auto-estima de tantos seres humanos são banais. Fazem parte de um quotidiano que olhos e ouvidos de tantos decidem ignorar. Porque entre marido e mulher não se mete a colher.



Escondida entre quatro paredes, a violência doméstica deixa a vítima na mais completa e angustiante solidão. Muitas vezes corroída pela culpa, numa sociedade que ainda aceita com naturalidade que alguém pode ser propriedade de alguém. Que infantiliza as mulheres, tratando-a como um mero adereço. Que as trata como palradoras compulsivas, fadas do lar ou meninas mimadas viciadas em compras, que cada classe social trata dos seus próprios estereótipos. Que convive bem com a figura da "primeira-dama", uma espécie de penacho de um Chefe de Estado. Que pergunta a uma mulher como concilia a vida familiar com a vida profissional mas nunca se lembra de fazer a mesma pergunta a um homem. Que trata a infidelidade masculina como sinal de virilidade e a infidelidade feminina como sinal de promiscuidade. Que paga, em média, mais aos homens do que às mulheres pelo mesmo trabalho. Que, tendo mais mulheres a sair das faculdades, não as deixa chegar aos lugares de topo, porque homem que é homem não aceita ordens de mulher. Que vê a função de "doméstica" com uma estranha naturalidade e a de "doméstico" como uma bizarria.



Uma mulher que me ensinou desde o meu nascimento muito do que sei fez-me saber sempre uma verdade fria: só é realmente independente e livre quem pode garantir o seu próprio sustento. Quando se pode fechar a porta sem olhar para trás. Por isso, podemos mudar muitas leis (e, ao tornar a violência doméstica num crime público, deixámos claro que, como comunidade, não aceitamos ficar em silêncio), mas nada conseguiremos enquanto as mulheres não conquistarem a igualdade como profissionais, trabalhadoras e cidadãs.
Só aí a violência doméstica deixará de ser uma questão de género. Só aí, milhares de homens demasiado inseguros para amar uma igual deixarão de conseguir transformar as suas casas em campos de concentração. Só aí conseguiremos punir estes selvagens como merecem. Só aí passarão a ser olhados com asco pelos seus vizinhos, amigos e familiares. Só aí ficarão sós até meterem nas suas fracas cabeças que ninguém pertence a ninguém. Só quando for maior vergonha ser um agressor do que ser "corno", "banana" ou apenas civilizado, é que estriparemos do nosso quotidiano este crime que confunde amor com tortura. Só aí faremos justiça às trinta mulheres assassinadas em 2010 pelos seus companheiros, maridos ou namorados. No século XXI. Num país europeu.

*Tarrafal, uma prisão política do tempo da ditadura; tarrafais, sinónimo de prisões…

sábado, novembro 13, 2010

A força intrínseca da mulher...

"TODAS AS MULHERES SÃO BRUXAS"
- QUE PRAZER IMENSO SABER ISSO...e que lamentável saber que há tantas mulheres ainda que se traiem ao serviço do patriarcado...
Desde as que têm ilusões de serem iguais às que julgam que terão os mesmos direitos, às que pensam que os homens alguma vez lhes darão crédito...
Todas as que não sabem que quando qualquer mulher verdadeira não aceita o sistema e reclama ou que reinvindica a sua verdadeira natureza e herança ancestral, que ouse ser ela mesma senhora de si própria, que se afirme independente e voluntariosa, será sempre olhada e vista como uma Bruxa"...e as Fogueiras da Inquisição que já não são em fogo e brasa, são a publicidade, a televisão, o cinema, a moda, a estética, a arte e a cultura onde em geral as mulheres são diminuidas e exploradas como meros objectos de consumo e prazer do homem. Isto é consensual e essa mulher que acredita no Sistema é a primeira a vender-se na Feira das Vaidades em que é exposta e que a queima lentamente até morrer de doença ou desespero!


"Todas que transgrediam a lei do patriarcado que ditava que a sexualidade feminina deveria ser controlada pelos homens eram consideradas feiticeiras em potencial e condenadas à fogueira. A perseguição às feministas ( eco-feministas, neo-feministas, pós-feministas, matristas, etc... ) bate na mesma tecla dizendo que somos mal-amadas, feias, lésbicas, putas, entre outras coisas. A perseguição ainda existe e de forma aberta. Por tudo isso, tecnicamente falando, atualmente todas as mulheres são bruxas."

MULHER: VIVER A SUA TOTALIDADE
" A minha relação comigo mesma é a coisa mais importante que tenho. O trabalho comigo mesma me dá base para trabalhar as outras dimensões. Sou uma pessoa múltipla. Ninguém é redutível a uma única dimensão, além do feminismo procuro viver todas as dimensões da realidade. Por favor, deixem-me viver a totalidade."
Rose Marie Muraro - 80 anos
COPIADO DE MATER MUNDI: http://lealdadefeminina.blogspot.com/

quinta-feira, novembro 11, 2010

A LUCIDEZ DE UMA MULHER "EMPODERADA"


Rose Marie Muraro, faz hoje 80 anos, é escritora e fundadora do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher

ELES DIZEM: "A MULHER NÃO EXISTE"


“Cada espécie animal percebe o real segundo a vida que lhe é peculiar. A espécie humana relaciona-se com ele por meio de seus sistemas simbólicos. E é exatamente por esse motivo que ela é a única espécie que o pode transformar. Mas, embora a capacidade de simbolizar seja inata, seu uso varia ao longo dos tempos.É pelos sistemas simbólicos que os seres humanos pensam, falam, se comunicam e criam as suas leis de comportamento e, portanto, os seus sistemas sociais, políticos e econômicos. Esses sistemas variaram muito nos 2 milhões de anos de vida de nossa espécie, principalmente nos últimos 10 mil anos do nosso período histórico.


O grande erro dos pensadores foi tomar os sistemas, que foram socialmente construídos, como biológicos e imutáveis. Isso aconteceu, por exemplo, com os psicólogos do fim do século 19 e do início do século 20, principalmente Freud e Lacan. Freud afirma que a natureza foi madrasta com a mulher porque ela não tem a capacidade de simbolizar como o homem. Lacan afirma que o simbólico é masculino e que "a mulher não existe". Não existe porque não tem acesso à ordem simbólica.

A palavra pertence ao homem e o silêncio pertence à mulher. Segundo ele, o simbólico é estruturado pela cadeia de significantes na qual o grande organizador é o falo. Este, ao mesmo tempo, é metáfora do órgão sexual masculino e do poder. O poder -que é essencialmente masculino- é o "grande outro", ao qual, implícita ou explicitamente, todos os atos simbólicos humanos se referem. Incluem-se aí os pensamentos, os gestos, as leis e até os sistemas macro (políticos e econômicos). E, de fato, ele tem razão. A realidade humana é gendrada (gendered), como gendrados somos todos nós. Todos os sistemas simbólicos atuais foram sendo fabricados pelos -e para os- homens. Leis, gramática, crenças, filosofia, dinheiro, poder político eeconômico.

Na última metade do século 20, no entanto, algo novo aconteceu. Os dois grandes resultados da sociedade de consumo são a entrada da mulher no mercado mundial de trabalho -uma vez que o sistema fez mais máquinas do que machos- e a destruição dos recursos naturais -porque os retirou da natureza num ritmo mais acelerado do que capacidade de reposição dela.
*
As mulheres já estão entrando nos sistemas simbólicos masculinos; ajudando a desconstruir a ordem universal de poder. As mulheres entram nos sistemas simbólicos masculinos no momento em que esses estão se mostrando implacavelmente destrutivos em relação à vida. A tarefa monumental que os movimentos de mulheres e as mulheres têm hoje é a de construir uma nova ordem simbólica não mais centrada sobre o falo (o poder, o matar ou morrer que é a sua lei), mas uma nova ordem que possa permear desde o inconsciente individual até os sistemas macroeconômicos, mas, agora, numa nova ordem estruturada sobre a vida. Essas reflexões não poderiam estar sendo feitas se esse trabalho já não estivesse em curso. Já estão sendo construídos consensos entre os povos contra uma dominação global que exclui o grosso da humanidade e sobre uma nova ordem que inclua uma relação complementar entre os gêneros, uma família democrática, um tipo de relação econômica que não transfira a riqueza de todos para os poucos que dominam, que inclua relações comerciais e econômicas menos desumanas e destrutivas. As mulheres já estão entrando nos sistemas simbólicos masculinos. E não só nas instituições convencionais (empresas, partidos etc.), mas também em outras, muitas vezes na contramão da história (nas lutas populares, ecológicas, pela paz etc., onde são a grande maioria). Elas estão construindo uma nova ordem simbólica, na qual o "grande outro" é a vida (viver e deixar viver), e ajudando a desconstruir a atual ordem universal de poder. Se não trabalharmos nessa profundidade, por mais que se transformem as estruturas económicas antigas, elas tenderão a voltar. Ou substituímos a função estruturante do falo pela função estruturante da vida ou não teremos mais nem falo nem vida.”
*

Texto publicado na Folha de São Paulo Tendências e Debates - 08/03/2001

NOTA FINAL:

O TERMO "EMPODERADA" REFERE A MULHER QUE SE APOSSA DO SEU PODER INTERIOR E DA SUA VISÃO INTERNA; VULGO: INTUIÇÃO FEMININA ( NO USO DO SEU HEMISFÉRIO DIREITO)
(Hemisfério direito: (menos desenvolvido pela sociedade) Unidade, contextualização, padrões, melodia, sentido de oportunidade, compreensão espacial, intuição, noção da realidade.

Hemisfério esquerdo, o mais utilizado e desenvolvido no mundo: Lógica, tempo, aritmética, compreensão das palavras, linguagem, raciocínio dedutivo.)

rlp

ROSE MARIE MURARO


Rose Marie Muraro - uma Mulher que fez quase tudo o que lhe disseram para não fazer...

"Só amadurecem aqueles que experimentam a imensa amplidão da sua vulnerabilidade"-
RMM



“ UM MUNDO COM MAIS MULHERES TEM MENOS GUERRA, MENOS VIOLÊNCIA E MENOS CORRUPÇÃO.” R.M.M.


Mulheres e Homens

-Em todas as classes os homens chamam seu corpo de "Ele" e as mulheres de "Eu". Os homens colocam distância entre seu corpo e sua mente que as mulheres não apresentam. Segundo a teoria do complexo edipiano de Freud, quando o menino por volta dos 4 anos tem que se identificar sexualmente, deve fazê-lo identificando-se com aquele que não ama, o pai, o opressor e o faz na solidão e na autonomia. A palavra chave do psiquismo masculino é o "Eu". A menina quando tem que se identificar sexualmente o faz sem ter seu triângulo edipiano cortado, para ela o amor que salva é o do outro. Assim, aos 4 anos, ao contrário do menino, a menina identifica-se com a oprimida, a mãe. A palavra chave do psiquismo feminino é "Nós". Tanto para o homem quanto para a mulher, esse carimbo que lhes é imposto é diabólico. Homens e mulheres desde que nascem cumprem o papel que o sistema exige deles: os homens para pensar primeiro em si e nos seus interesses, podendo por isso prejudicar, agredir ou até matar, isto é, manter funcionando um sistema competitivo e ser o provedor. E a mulher para servir, cuidar da preservação e da reprodução da vida e ser oprimida.

Na minha vida pessoal a descoberta teórica da relação divergente entre homens e mulheres conseguiu apontar os motivos pelos quais eu me desencontrava tanto dos homens.


ROSA MARIE MURARO

A DAMA E A ROSA...


  












TODAS AS ROSAS DO MUNDO HOJE VÃO PARA A GRANDE DAMA DO BRASIL


ROSE MARIE MURARO

QUE FAZ 80 ANOS !!!

quarta-feira, novembro 10, 2010

ROSE MARIE MURARO, A GRANDE SENHORA DO BRASIL


É JÁ AMANHÃ?

… gostaria de convidar a todos para fazermos uma festa em homenagem à Rose no dia 11, dia em que completa 80 anos... não só uma blogagem coletiva, mas uma festa mesmo para essa mulher impossível... seu trabalho ímpar na emancipação da mulher brasileira e também referência para o mundo. Na Editora Vozes iniciou uma verdadeira batalha pela libertação da mulher, ao lado dela, Leonardo Boff lançou também a Teologia da Libertação... os donos da editora, a Igreja Católica então os expulsou, mas era tarde demais... essa Eva comeu da maçã da sabedoria e da lucidez, e o Adão foi um glutão...

LER MAIS EM: http://lealdadefeminina.blogspot.com/

segunda-feira, novembro 08, 2010

A IMPORTÂNCIA DA SENSIBILIDADE EMOTIVA


O QUE É A CONSCIÊNCIA DA CONSCIÊNCIA,
OU A VERDADEIRA INTELIGÊNCIA?


"A CONSCIÊNCIA TEM FUNDAMENTALMENTE DOIS ASPECTOS:
UM É O RESULTADO DE COMPARAÇÕES, O OUTRO É O RESULTADO DA IDENTIFICAÇÃO; UMA É ORGÂNICA OU CEREBRAL, A OUTRA VITAL OU FUNCIONAL."

(...)

Quando queremos passar do saber clássico (esta esclerose do génio) ao pensamento fecundo não nos basta a mecânica cerebral. Quando antes dizíamos, que devemos dirigirmo-nos necessariamente ao que constitui a verdadeira Magia, a Evocação, que há acordo ou desacordo na conexão das noções e das memórias, recorríamos a outro poder em nós mesmos, o que procede da nossa consciência inata, fonte do sentido da Harmonia. Este poder será, se for efectivo, a causa do Génio, do Pensamento criador, no sentido em que ultrapassa o conhecido, o classificado.

Não é esta consciência uma via nova, imposta ao decadente mundo actual, a que incita a arte a destruir o Ídolo de ontem para tentar a expressão irracional?
Busca-se a concordância de elementos de “sensações” esquecendo a sua conexão racional – desejando-se levar por inércia do hábito adquirido. Criam-se meios, imagens, formas que “evocam” um sentimento, uma emoção e provocam uma reacção vital. E a Arte é o arauto da mentalidade de uma época, o porta voz da tendência íntima.

A Inteligência do Coração, que estabelece a relação da Consciência inata com a observação do facto, é a Identificação.
Identificação significa viver com e no feito observado, sermos nós próprios o feito, experimentar e actuar, sofrer, alegrar-se com ele.
Esta é a “Consciência Simpática” e não uma consciência subjectiva que a lógica pretende opor à Consciência objectiva. Sem dúvida, presta-se a confusões: a consciência cerebral se inscreve de maneira cerebral como acabamos de dizer e a Consciência inata inscreve-se na natureza dos organismos, ou seja, que o móbil da sua função é o impulso da sua necessidade, a Ideia o princípio de Harmonia. No ser humano, no animal superior, isto cria a emotividade.

Quanto maior é a sensibilidade emotiva, melhor se pode expressar a Consciência inata. Se o feito observado provoca uma “sensação”, uma reacção tipo egocêntrico, com que estamos ante a consciência subjectiva. Se o feito é observado por uma pessoa em estado de neutralidade, um estado impessoal, estamos diante da Consciência simpática. Daí todos estes problemas se resolvem numa cultura que implique um desprender-se do egoísmo e do domínio da parte mental (do filme cerebral).(...)

in “ESOTERISMO E SIMBOLISMO”
De: R.A. SCHWALLER DE LUBICZ

sábado, novembro 06, 2010

UM ESPELHO INTERIOR


PALAVRAS DE UMA LEITORA:

Muito Obrigada por escrever, você salvou meu dia hoje, eu estava cansada, sem auto-estima, esgotada para falar a verdade, e você me ajudou, continue com o blog, pois agora sou uma leitora.

D.

Minha amiga:

Queria apenas dizer-lhe que palavras como as suas me salvam a mim também muitas vezes e ajudam a escrever este Blogue. Quando há tantas mulheres que o rejeitam, ou não compreendem e dificilmente aceitam o que lhes estou a dizer...

Sinto que a confusão das mulheres é enorme e que confundem tudo na sua cabeça...

A Mulher devia procurar-se a si própria, a sua verdadeira identidade em vez de se projectar continuamente no homem e para fora, na sociedade, no trabalho ou na família.

Este Blogue pretende ser um ESPELHO da Mulher interior...da verdadeira mulher.

Chamar a Mulher a si...e não para a sedução, a moda, o sexo, o dinheiro ou o sucesso. Por isso não fala nada disso nem de homens...não fala da relação afectiva nem dos filhos ou maridos ou dos amantes, nem da violência doméstica (das suas causas sim) ou dos direitos adquiridos ou não das mulheres do séc. XX.

Fala da ESSÊNCIA perdida da Mulher Ancestral. Não da mulher moldada pelo Sistema Patriarcal que a reduziu a uma marioneta...a uma boneca insuflada...a um homem de saias...a uma mulher fragmentada e dividida que odeia as outras mulheres, regra geral...Eu sinto a agressividade das mulheres contra aquilo que eu digo e as tira dos seus presssupostos e garantias.

Mas o propósito da minha escrita é apenas um: ser esse ESPELHO da Mulher que se quer SABER POR DENTRO...e integrar as duas mulheres que a religião separou em dois tipos de mulher que todas sabemos quais são.

É gritante as mulheres fazerem tábua rasa de uma realidade em que a sua irmã ou ela mesma é prostituida...e usada para comércio sexual, seja através de que meio for...porque a prostituição da mulher acontece não só na Rua ou nos Bares...mas em casa e no trabalho... na política e na educação...

...e contra ventos e marés...ele avança...contra todas as tempestades e pedradas...ou contra mesmo a minha descrença nos dias dias de maré baixa em que o barco não consegue avançar e as velas do espírito estão caidas sem o vento da alma que me empurra...

- por isso lhe agradeço a si as suas curtas palavras!

rosa leonor pedro
(PS. quem reconhecer o autor do quadro me diga..)

sexta-feira, novembro 05, 2010

DESCOBRIR LILITH - a primeira Mulher


“Lilith: Deusa, Demónio ou Lua Negra da Terra”
por Julie Loar (Julie Gillentine)


(...)
“Psicologicamente, em todos os seus aspectos, Lilith parece representar facetas do feminino que foram suprimidas. A sua natureza manifesta-se como uma Desordem de Múltipla Personalidade em que aspectos do feminino foram estilhaçados, e algumas dessas partes são etiquetadas como boas e outras como más.
Individual ou colectivamente, a maneira como isso se apresenta depende do contexto. Lilith pode ser um anjo rigoroso e severo, ou um demónio colérico. Algumas vezes ela está zangada e é vingativa, outras vezes ela tem o poder de retomar o seu estatuto correcto de parceira em igualdade. Os astrólogos que usam Lilith, em qualquer das suas formas, acreditam que ela revela feridas relacionadas com o poder feminino, tanto em homens como em mulheres. Reconhecer que há algo a que foi negado acesso, é um primeiro passo para restaurar o equilíbrio. Podemos imaginar que destino teria sido o da humanidade se Adão e Lilith se tivessem entendido.

Lilith saiu do jardim e consequentemente a sua natureza e poder descontrolado passou a ser temido e foi declarado mau. A história de Lilith encarna o que ocorreu nos mitos ao longo dos tempos à medida que as culturas que veneravam antigas deusas foram eclipsadas pelo patriarcado emergente. [Dos três mitos referidos acima] Personificando a Árvore da Vida, Lilith é um exemplo de quantas divindades femininas foram demonizadas. Nos tempos modernos, à medida que o pêndulo retorna no seu movimento, Lilith tornou-se um ícone de poder feminino.”


De volta ao jardim...

No Éden existiam duas árvores. Eva, criada para substituir Lilith, agarrou no fruto da outra árvore, a Árvore do Conhecimento. Ela foi acusada pela Igreja, e com ela, todas as mulheres, pelos pecados do mundo. Descodificar o significado simbólico da serpente, antigo e difundido símbolo da sabedoria feminina, é fundamental para compreender os níveis mais profundos da história da humanidade. Na Cabala, a tradição mística do judaísmo, a serpente sobe pela Árvore da Vida para retornar à fonte.

A natureza fragmentada e confusa de Lilith, no mito e na astrologia, pode reflectir as maneiras como as nossas escolhas fracturaram a psique humana, e ela pode deter a chave que poderia abrir possibilidades de cura. Furar o véu da persona enigmática de Lilitih pode dar aos homens e mulheres modernos uma energia que confere poder e que é muito necessária no mundo de hoje. Alguns simbolistas sugeriram que a Idade de Aquário pode ser simbolizada por jardins e por uma Terra mais verde. À medida que a consciência humana se expande, creio que todos beneficiaríamos se redimíssemos a nossas naturezas separadas.

Integrar todas as partes da nossa feminilidade, incluindo a sexualidade e os mistérios da velhice e da morte, poderia tornar-nos mais fortes e sábios ao enfrentar os actuais desafios ambientais.

“Lilith: Deusa, Demónio ou Lua Negra da Terra” por Julie Loar (Julie Gillentine)

- artigo retirado de Queen of Cups, Inc. /Antiga Sabedoria para o Mundo Moderno, e que foi publicado com autorização da “Atlantis Rising Magazine”,#71 (Trad. Elisa Soares)
REPUBLICANDO...