terça-feira, novembro 30, 2010

CURAR A FERIDA COM A MÃE...


Invitación a sanar la herida con la Madre...
Vivimos aún en una cultura patriarcal donde la ruptura con la naturaleza femenina se encarna sobre todo en la ruptura de la relación madre-hija...
Muchas de nosotras hemos crecido cuestionadas, desvalorizadas, temidas o ignoradas por nuestras madres.
Más allá de su amor o de su entrega nos hemos sentido solas y sin una figura materna que nos acompañe en el descubrimiento de nuestras vivencias femeninas...
Nos ha costado mucho tiempo entender que ellas también han sido víctimas de un mundo patriarcal que les impedía crecer o expresarse...
Que ellas también fueron alejadas de lo femenino instintivo, de sus recursos sanadores, de sus cualidades nutricias y contenedoras...
Que tampoco tuvieron una madre que las guiara y las alentara en su búsqueda...
Que se vieron separadas de la sabiduría de sus intuiciones más profundas y fueron víctimas de un mundo donde las cualidades positivas de lo femenino estaban y están ausentes...
Por eso hoy quiero invitarte a sanar el vínculo con tu madre...a curar la herida que te separa de ella y de tu Madre interior... a sanar tus lazos con lo femenino materno...Una vez más las palabras
pueden cumplir su misión transformadora...

Piensa en tu madre, conéctate con ella...
Vuelve a nacer de su útero, déjate mecer por su
tibieza.... siéntela mujer-hermana-compañera,
ve su mirada de niña asustada, su rebelión frustrada, su postergación, su sometimiento a una
vida dibujada por otros, sus deseos acallados, su llanto escondido, su silencio...
Escúchala, entiéndela, recupera su ternura, intégrala a ti misma...
Puedes nombrarla abrazarla y comprenderla dentro de ti...
Y entonces escribe...
Escribe cinco palabras (o más) que la nombren y curen esa vieja herida...

Si lo deseas puedes enviárme tus palabras a mi mail germanamar@yahoo.com.ar
y serán compartidas aquí y en los talleres de escritura con otras mujeres para seguir sanando entre todas nuestro universo femenino...
Desde ya muchas gracias por participar!


Germana Martin

http://demeterypersefone.blogspot.com/?spref=fb

domingo, novembro 28, 2010

A RAIVA É SAUDÁVEL...


A MULHER DEVE ENFURECER-SE COM CONSCIÊNCIA....


"Houve muita especulação quanto ao facto de uma mulher furiosa ser apavorante no seu poder. No entanto, essa é uma projecção da angústia pessoal do observador, demasiada para que qualquer mulher a suporte.
Na sua psique instintiva, a mulher tem o poder, quando provocada, de se enfurecer com consciência – e isso realmente é algo poderoso.

A raiva é um dos meios inatos de que ela dispõe para começar a criar e a manter o equilíbrio que necessita, tudo o que ela realmente ama. É seu direito e, em certas horas e sob certas circunstâncias, é seu dever moral.

Para as mulheres isso significa que existe a hora para mostrar os dentes, para mostrar a poderosa capacidade de defender o seu território, para dizer ”até aqui nem mais um passo, não passe a responsabilidade adiante, não se intrometa, tenho uma coisa a dizer, tudo isso vai decididamente mudar”.

in "MULHERES QUE CORREM COM OS LOBOS"
CLARISSA PINKOLA ESTES
««
PINTURA (ROSTO COM POESIA) DE LENA GAL.

A DEUSA É A ENERGIA GERADORA DO UNIVERSO


A LUA JAMAIS MORRE...
Para entendermos correctamente quem é esta Divindade, temos que voltar até os primeiros povos da Terra. Quando os povos primitivos identificaram a mulher com a Terra e associaram a existência da Terra a poderes divinos, consideraram que o poder que conspirou para que o Universo fosse criado era feminino. Como só as mulheres têm o poder de dar a vida a outros seres, nossos ancestrais começaram a acreditar que tudo tinha sido gerado por uma Deusa.
Em diversas partes do mundo a Grande Deusa Mãe é associada à Lua, já que existia um poder maior que agia entre a mulher e a Lua. Todas as religiões primais viam no poder feminino a chave para o Mito da Criação e assim o Universo era identificado como uma Grande Deusa, criadora de tudo aquilo que existia e que existiu. Nada mais lógico para uma sociedade em processo de evolução, pois não é do ventre da mulher que todos nós saímos?

“O culto a Grande Deusa remonta a Era de Touro. Nessa época o respeito ao feminino e o culto aos mistérios da procriação eram muitos difundidos. Nas culturas primitivas a mulher era tida como a única fonte da vida, tanto que os lugares onde ocorriam os partos eram considerados sagrados e foram nestes lugares que surgiram diversos templos de veneração à Deusa.
Com o avanço da agricultura, a importância do solo passou a ser primordial e a Grande Mãe Terra (a Deusa) se tornou o centro de culto das tribos primitivas. As mulheres eram consideradas responsáveis pela fartura das colheitas, pois eram elas que conheciam os mistérios da criação. As várias estatuetas femininas como as Vênus de Willendorf, de Menton e Lespugne, representam a sacralidade feminina e os poderes mágicos e religiosos atribuídos à Deusa na época do Paleolítico e Neolítico.
Ela esteve presente em todas as partes do mundo sob diversos nomes e aspectos: Kali na Índia, Ishtar na Mesopotâmia, Pallas na Grécia, Sekhmet no Egito, Bellona em Roma e assim sucessivamente. As Grandes Deusas da Antiguidade exerciam o domínio tanto sobre o amor como sobre a guerra.

O símbolo da Grande Deusa é o caldeirão, que representa o mundo que ela criou e carrega em seu ventre. Este objeto é associado à Deusa porque a criação se parece com o que se pode realizar no interior do mesmo. O mundo é uma maravilhosa obra alquímica que a Deusa criou e comanda através das manobras e poções realizadas em seu caldeirão, o lugar onde nasce a vida.

A Deusa é a energia Geradora do Universo, é associada aos poderes nocturnos Lua, a intuição, ao lado inconsciente, a tudo aquilo que deve ser desvendado, daí o mito da eterna Ísis com o véu que jamais deve ser desvelado.
A Lua jamais morre, mas muda de fase à cada 7 dias, representando os mistérios da eternidade e mutação. Por isso a Deusa é chamada de a “Deusa Tríplice do Círculo do Renascimento, pois também muda de face, assim como a Lua, e se mostra aos homens de três diferentes formas como: A Virgem, A Mãe e A Anciã. Isso não difícil de se entender, pois dentro de Wicca todos os vários Deuses e as múltiplas faces e aspectos da Deusa, nada mais são do que a personificação e atributos da Grande Divindade Universal. “
(…)

(Perdido o rasto do autor?



- Se alguém identificar o texto, por favor informe-me do nome do autor)

quarta-feira, novembro 24, 2010

SOMOS PARADOXAIS...

"Passar da oposição (sempre uma discórdia) para o paradoxo (sempre sagrado) é dar um salto de consciência. Esse salto transporta-nos através do caos da meia idade e dá-nos uma visão que ilumina os dias que nos restam."

In "OWNING YOUR OWN SHADOW"
Robert A. Johnson

COMENTÁRIO DE UMA AMIGA:

Olá Leonor,

Hoje quando acedi ao seu blog, fiquei surpreendida, com o que li, tanto de uma parte como de outra. Pensei, reflecti e senti: o quanto precisamos de nos amar e de nos apaixonarmo-nos por nós próprias, primeiro individualmente, para depois nos podermos dirigir às outras mulheres, sem este (mau) sabor, sem esta agonia, sem esta competição. Cada vez mais, quando entrego o que sou e o que tenho em mim, a outras mulheres, num trabalho que decidi preservar, face ao exterior, me maravilho pelo quanto podemos fazer umas pelas outras num total ambiente de profunda compaixão. Nesses momentos, não existe certo ou errado. Existe apenas Perfeição Absoluta, e isso, sente-se no coração e na alma, mas também no cérebro, abrindo espaço para a manifestação da inteligência, que é apenas pertença da mulher, já que somos as grandes criadoras, e não a repetidoras. Existe uma grande confusão, no interior das mulheres sobreviventemente intelectuais, a essas, entrego-lhes as deusas invulneráveis, para que possam sentir-se úteis, expressando o ódio de morte, e a vontade de fazer justiça, repondo a verdade onde ela não existe, e que ao longo de infinitos milénios, circulou nas memórias celulares de todas nós, em forma de equívoco, forçando-nos a uma adaptação constante na energia masculina.
Gostei do que escreveu e do que respondeu. Estou incondicionalmente consigo, mas também com todas as outras que ainda não podem fazer, ver ou sentir mais.
Quando olho para outra mulher, vejo claramente que é sempre mais o que nos aproxima do que aquilo que nos separa.

Deixo-lhe um grande beijinho e o meu mais profundo e carinhoso Abraço de Luz, renovado na gratidão pela sua generosidade diária, por partilhar connosco tudo aquilo que é.
Amo-a profundamente, e amo todas as outras mulheres.
Ana Paula Ivo



Sou uma só... Sou um ser.
E deixo que você seja. Isso lhe assusta?
Creio que sim. Mas vale a pena.
Mesmo que doa. Dói só no começo.

Clarice Lispector
»»»

Querida Ana Paula Ivo,

Eu entendo minha amiga o que a surpreendeu,
você sentiu uma certa agressividade na minha resposta e nem mo faz sentir por palavras…porque a sua ideia de amar todas as mulheres por igual não lhe permite constatar um facto supostamente negativo, mas isso não quer dizer que eu mesma não ame as mulheres todas e muito particularmente algumas, e que ao me insurgir perante atitudes ou afirmações, ofensas, equívocos, etc. eu não possa ser assertiva e temperamental…ou dizer NÃO!

Mesmo que haja “este (mau) sabor, esta agonia, esta competição” aparente e que eu também sinto e me incomoda bastante sempre que acontece – estamos a ir contra a corrente das várias crenças -, não posso deixar de soltar as palavras e as emoções e não vou metê-las num saco e obedecer a ideias ou conceitos de bem e de mal…

É assim que lhe estou a escrever…


Todas nós sentimos AMOR, dor, raiva e inveja, ciúme e até posse, nós todas temos ainda ego, (e eu não acredito que possamos mudar esses sentimentos senão através da consciência dos mesmos e a sua aceitação e da consciência de que a dualidade neste mundo é própria da manifestação), mas o sentirmos isso tudo não quer dizer que não nos possamos amar…que não sintamos compaixão ou paixão e ao meso tempo estarmos a ser parteiras da consciência umas das outras, o que tem coisas que às vezes dói...

Para chegar à luz é preciso enfrentar e integrar a sombra e a sombra na mulher e não só, claro, são os aspectos que anos (séculos) de preconceitos e moralismo encerraram no sótão como maus…sobretudo como sabe nas mulheres…temos de deitar esse acumulado cá para fora e esse é um trabalho árduo. Não podemos pensar que ao assimilarmos outras ideias isso desapareça como por milagre.

A Consciência desta realidade como um todo ou da sua dualidade inerente é o que nos permite expressar agora sim, sem ódio nem má vontade, sem preconceitos, (o que pode parecer paradoxal) aquilo que verdadeiramente sentimos, porque não estamos presas ao conceito do que é bom ou mau, porque aquilo que se manifesta em nós espontaneamente e a manifestação do ser de superfície fica sempre aquém da nossa Consciência que se identifica com o UNO. Vai me dizer que assim não há coerência entre a ideia e a prática, ou entre o sentimento e a consciência, mas a coerência logicamente é seguir um só princípio…é a armadilha da mente racionalista e o ideal do bem que nos quer boazinhas….


O SER em si é paradoxalporque ele não é em essência os pratos da balança…que oscilam intermitentemente, mas sim o Fiel da balança que não se move. Essa é a confusão. A Consciência é o Fiel da balança, imutável e a nossa humanidade dual, oscila nos pratos da balança, numa alternância que pode ser “superiormente” vivida na entrega total ao jogo divino ou na “acção na inacção”como diria Buda e que não pode estar sujeita aos nossos critérios de bem e de mal… A diferença entre a consciência dessa oscilação e a consciência da Consciência é que nos salva e nos permite identificar com o Fiel da Balança (quem sabe os “fiéis” não eram os que praticavam isso?) e não com os pratos da balança…onde forçosamente oscilamos. A não ser que sejamos santos…OU REALIZADOS e nisso eu não creio.


Os egípcios pesavam na Balança de Maat, o coração dos mortos pondo o coração de um dos lados e uma pena do outro e se o coração pesasse mais do que a pena a alma seria condenada…para mim isso quer dizer que o meu coração tem de estar puro à partida, sem ódio, sem culpa, mas não sei o que é bem e mal…porque amar ás vezes é dar um grito ou mesmo uma bofetada… A “Boa Consciência” é apenas mais uma forma de nos manterem presos ao velho paradigma e a origem de muitas doenças como alias diz Berthellinger… e não tem nada a ver com a consciência da Consciência…

Na minha perspectiva não podemos deixar de vivenciar as emoções, de as expressarmos sem barreiras, porque elas servem a nossa interacção no mundo e na dualidade. E obviamente as emoções não são só coisas boas...Para mim contudo não há um bem e um mal definidos…há dois opostos que se integram, os dois aspectos, positivo e negativo, como há o masculino e o feminino, o yin e o yang, que estão sempre a lutar e a bailar entre si…dentro e fora.

No Ocidente confundimos a Consciência da Consciência ou o Eu Superior com a negação na encarnação de um dos aspectos do ser como o fez o catolicismo. E apontamos para comportamentos estereotipados de bem e mal que separam fora e que não unem dentro...Ao suprimir-se o mal, como fez a igreja de Roma e outras…não se está no bem…e vice-versa. Só quando olhamos, aceitamos e integramos o lado instintivo e selvagem da mulher – condenado e considerado um mal em si e até mesmo culpado da queda do homem - é que podemos fazer a União na fusão dos dois em UM. Mas estamos todos muito longe disso na realidade. Saber as coisas teoricamente não é o mesmo que SER.

Se eu, ao olhar para as outras mulheres, visse mais o que nos aproxima e não o que nos separa de uma origem comum, não faria o meu trabalho, que é específico como o seu se calhar também o é…
É evidente que encontro, como é óbvio, muitas afinidades entre todas nós e não nego o valor dessas afinidades, mas a questão para mim é outra, e olhe que tive de entregar muitos dos meus conceitos espirituais para aceitar esta minha face Lilithiana…

“Individual ou colectivamente, a maneira como isso se apresenta depende do contexto. Lilith pode ser um anjo rigoroso e severo, ou um demónio colérico. Algumas vezes ela está zangada e é vingativa, outras vezes ela tem o poder de retomar o seu estatuto correcto de parceira em igualdade.”

Lilith muitas vezes manifesta-se em mim ainda de forma quase agressiva ou agreste e eu respeito essa manifestação; já não a tento controlar porque preciso de a libertar e aprender com Ela…E seja em nome dos direitos e igualdade em que a mulher reprimiu todo o seu lado instintivo e selvagem, para dar lugar à intelectual e à racional que tudo domina, seja nas novas espiritualidades onde a mulher entra também reprimindo a sua natureza atávica por medo de não ser aceite, (o que a faz ser como os bons católicos, cuja moral é amar e perdoar e dar a outra face…) anula-se assim mais uma vez a capacidade da mulher em ser quem é e manifestar inclusive a sua sombra que precisa de integrar.

Eu quero estar atenta a isso e sei que sou muitas vezes mal interpretada, e é aí que as mulheres me amam ou odeiam…mas prefiro isso do que ficar calada ou querer agradar aos movimentos que me tolhem a liberdade da alma.
Quando uma mãe ralha com uma filha, ou lhe grita fá-lo por amor e acredito que às vezes ela precisa mesmo de um “tabefe” (tapa) …para a por no lugar…


Nós hoje em dia pervertemos tudo no “bom” sentido…e as crianças tornam-se ditatoriais porque os pais fazem tudo o que elas querem, as mães tornaram amorfas e “politicamente ou espiritualmente correctas” não vão acusá-las de violência ou abuso…Tenhamos pois em mente as coisas nos seus pólos opostos sem pender para um dos lados e sem as confundir, porque é preciso integrar os dois lados do ser para os integrar e ser UNO.
Ser pacifista não é ser submisso…ser amante não é ceder a nossa vontade etc. Ser espiritual não é ser cego…e aceitar tudo o que nos dizem os mestres…ou canalizamos…
Em suma, SER uno com Alma ou com o Espírito não quer dizer que não tenhamos emoções, nem dor, nem alegria ou raiva… como nos querem fazer crer os que dominam o mundo…sobretudo a nós mulheres pois foi essa a maneira de nos inibiram e calarem os padres da igreja!

Não sei se lhe respondi, se a entendi perfeitamente ou se fugi muito do que me expõe com tanto cuidado, mas sei que você sabe isto tudo que eu digo…com a diferença minha amiga, ao contrário de si (?) de que eu receio que tenhamos de continuar a descer às profundezas das cavernas do nosso ser, cada mulher de per se, e poucas o fizeram ainda, para ascender ao espírito uno e termos todas neste plano o mesmo entendimento das coisas…
Creio ainda que, mesmo com esse “entendimento superior”, nada mudaria nas nossas aqui patentes diferenças de naturezas nem as nossas diferentes facetas de Mulheres & Deusas…
Esse é o Grande Mistério das Mulheres…
Amemos pois a diferença que há em nós e acreditemos que fazemos parte integrante de um grande arco-íris de amor cósmico e telúrico


Rosa Leonor Pedro

...a dor dentro da dor...


Oriah Mountain Dreamer

Mostre-me como você segue seus desejos mais profundos,
descendo em espiral em direção à dor dentro da dor,
e lhe mostrarei como eu me volto para
dentro e me abro para fora
para sentir o beijo do Mistério, doces lábios
sobre os meus, todos os dias
**
“Se nossa intenção for modificar quem realmente somos, não teremos sucesso. Se nossa intenção for nos tornar quem essencialmente somos, não poderemos deixar de ser verdadeiros diante dos mais profundos anseios da nossa alma.”
***
“Acordo, acendo a luz e escrevo no meu diário: "A questão não é por que é tão raro sermos a pessoa que realmente queremos ser. A questão é por que é tão raro querermos ser a pessoa que realmente somos. "

segunda-feira, novembro 22, 2010

UMA CORRENTE DE VIDA A BROTAR


MULHERES FENOMENAIS, SOMOS SE...

(GRUPO DO FACEBOOK)


Já somos quase mil...diz a Mariana...e se calhar à Maria Ribeiro, que fundou o grupo, não lhe passou pela cabeça esta adesão em massa nem certamente que tomasse estas proporções, nem o tipo de mulheres que aqui se vão juntando, mas tem o imenso mérito de ter começado, mesmo que cada uma de nós se sinta ultrapassada...Isso fará com que cada uma de nós queira dar o seu melhor expondo-se e dando as mãos em vez de julgar as diferenças…

Espero do fundo do coração, mas com alguma reserva, que este rio que começa a correr não pare de aumentar até ir desaguar no imenso Mar de Amor da Grande Mãe Terra porque é dela que - ao tomarmos consciência do nosso ser mulher inteira - nos devemos lembrar.

Lembrar que a Deusa é a nossa Terra Mãe, Gaia, e que ela sofre toda a espécie de violências, toda a espécie de ofensas, toda a espécie de aviltação que as próprias mulheres, a grande maioria das mulheres no mundo, sofrem ainda e diariamente na sua pele. Não se trata só de pensar que somos fenomenais nem fantásticas e que agora temos a nossa vidinha em ordem ou organizada e que a nossa consciência está feliz porque celebrarmos a Deusa em nós…ou ainda porque fazemos parte de um grupo solidário ou porque nos juntamos, dançamos e cantamos e expressamos a mulher soberba que há em nós…
Não. Isso é muito mas não basta!
Enquanto a Terra sofrer tanta dor e humilhação e a mulher como uma sua extensão e reflexo, nenhuma mulher feliz pode dar-se ao luxo de ficar com a consciência tranquila só porque pensa que está a fazer o seu trabalho consigo e a ter a consciência da Deusa. Não. Porque a Terra é quem nos suporta, porque a Terra é que nos dá vida e todas nós vivemos da sua respiração…se ela estiver doente, se ela for mal tratada pelos Tratados e Cimeiras que dividem países bons e maus e que preparam as guerras…somos nós mulheres de todo o mundo que sofremos, são os nossos filhos e netos que morrerão e que não terão futuro, porque a Terra Mãe não suportará mais ofensas…
Por isso é preciso que ao tomarmos consciência do nosso imenso potencial como mulheres e do imenso Amor que há em cada uma de nós, que não fiquemos pelas palavras bonitas nem pelos rituais nem pela teoria…
É preciso que nos juntemos de facto e sejamos unas em Consciência, em espírito de verdade e numa autêntica irmandade…na alma e na essência, não por ideias, porque a nossa Força interior, o nosso Poder interno irmanados em sentimentos, pensamento e acção poderão mudar radicalmente a face da Terra e trazer a Paz que o Mundo precisa.
Dizem-me então como é isso possível?
Através dos círculos de mulheres a trabalhar conscientemente para se encontrarem e ligarem-se a esse Poder, deixando de parte o seu comodismo, o seu egoísmo, e juntas, em vez de competir umas com as outras, pelos namorados, filhos e amantes, superem a sua velha rivalidade, a sua divisão interna, deixando de parte o seu ego e a sua mente e se unam de coração…assim, como na imagem…unidas de coração a coração…estabelecendo essa corrente, podemos mudar a face da Terra e salvar o Planeta!

Rosa Leonor Pedro

sexta-feira, novembro 19, 2010

NO CORAÇÃO DA DEUSA...



À BEIRA DE UM MILHÃO DE VISITAS...

DE CORAÇÃO PARA CORAÇÃO...



..."E são estes mistérios que convem abordar. Com respeito, com audácia e inocência, tentando recorrer à intuição sagrada, essa “ignorância” à qual nós não sabemos fazer suficientemente confiança.”
(…)
(excerto traduzido do francês)
In A DEUSA SELVAGEM
Joelle de Gravelaine

quinta-feira, novembro 18, 2010

A INTUIÇÃO SAGRADA


“A INTUIÇÃO SAGRADA,
essa “ignorância” à qual nós não sabemos fazer suficientemente confiança,” é a Chave da sabedoria inata e de que a mulher é em essência a fiel mediadora - entre o visível e o invisível, o manifesto e o oculto - sendo ela própria o Oráculo. Assim era em Delfos, lugar sagrado, considerado o ônfalo (seio) da Terra, o lugar ou gruta onde a Serpente Piton revelava os SEUS mistérios através das suas Pitonisas. A profecia, é a palavra sagrada que nasce no útero da vida e da Terra, a Voz do Útero na mulher e que lhe dá essa “intuição sagrada”, de que ela foi CRIMINOSAMENTE desapossada pelos sacerdotes guerreiros do deus Apolo…e continuadamente até aos nossos dias pelas pelos padres das religiões patriarcais.

É por essa razão que devemos voltar-nos para a fonte dessa sabedoria, despertar em nós essa Intuição Sagrada e confiar em absoluto nela. A Mulher deve recuperar essa confiança no seu Útero onde reside a sua força e na Terra Mãe e na Deusa E OS SEUS MISTÉRIOS...

…"E são estes mistérios que convem abordar. Com
respeito, com audácia e inocência, tentando recorrer à intuição sagrada, essa
“ignorância” à qual nós não sabemos fazer suficientemente confiança.”

Porque:
“A Deusa é generosa e regeneradora; ela é bela, com o seu cinto de ouro e de serpentes, estendendo os braços para a vida, pressionando os seus seios com as mãos para os fazer deitar leite como Reia – cujo nome significa “jacto de leite” e que se projecta na Via Láctea.
(…)

De facto a Deusa Terra, a Magna Mater, recusa-se a fazer parte desses “homens castrados” que são suposto serem mulheres. Para Freud, não havia libido feminino correspondente à libido masculina – o que Lacan retomará dizendo que não há felicidade senão no phallus, o que, acrescenta ele, não significa que “o portador do dito seja feliz” (e que, diga-se de passagem, nos faz pensar que com efeito o homem é, muito mais do que a mulher, capaz de viver como que “separado”, clivado entre o seu phallus e o seu ser).
Outros psicanalistas, como Erich From, recusam-se a seguir Freud nesse terreno. Ele crê na igualdade real entre homem e mulher: “A hipótese segundo a qual uma metade da raça humana seria uma versão mutilada da outra metade não é senão um absurdo”; interpretação alias contestada hoje pelos psicanalistas de escolas diversas que consideram a pseudo-misoginia de Freud como um contra-senso fundamental…Se E. From crê nesse “instinto de morte”, é exclusivamente enquanto parte “destrutiva da libido sádica anal” o seu aspecto necrófilo. Ora a Deusa enquanto Deusa da fertilidade não é profundamente necrófila? Não é essa a sua dimensão primeira?
Mas ela é a Mãe e é aí que começa o drama. Ela está dentro deste fervilhamento da vida fundamental cercada pelas tempestades da morte”, como o diz de forma soberba Otto Walter. Mas o homem seria, ele por si só, excluído destas “tempestades da morte”?
(…)
Uma coisa é certa: o culto da Deusa Mãe está centrado nos Mistérios, no ciclo Vida/Morte/Renascimento e que está no coração de todas as interrogações metafísicas desde o começo dos tempos.
E são estes mistérios que convem abordar. Com respeito, com audácia e inocência, tentando recorrer à intuição sagrada, essa “ignorância” à qual nós não sabemos fazer suficientemente confiança.”
(…)
(excerto traduzido do francês)
In A DEUSA SELVAGEM
Joelle de Gravelaine

AS SACERDOTISAS DA DEUSA...



AS SACERDOTISAS

NÃO ERAM “PROSTITUTAS”

* POR ISSO preferia usar a palavra sacerdotisas da Deusa e não “prostitutas” porque o conceito aparece com o cristianismo e rebaixa a sexualidade sagrada da mulher, tornando-a uma venda do seu corpo, de acordo com a moral vigente e o catolicismo.

Fontes antigas revelam que Ishtar era a mesma Grande Deusa cultuada no Oriente próximo como Déa Síria, Atar, Astarte, Ashtoreth, Anath, Asherah, Mari e difamada na Bíblia como a Grande Prostituta Vermelha da Babilônia, padroeira das prostitutas. Na realidade, as sacerdotisas dos Seus templos eram honradas como rainhas na Ásia menor e admiradas pela sua sabedoria e conhecimento, que lhe conferiam poderes de cura através dos rituais de amor. Como personificações de Qadeshet - a Rainha celeste da Palestina – de Inanna e de Ishtar, as prostitutas* serviam nos templos como emissárias destas deusas para conduzir os homens para se conectar com Ela ou curar seus males e aflições. Era um costume antigo que cada mulher da Babilônia servisse como sacerdotisa do amor uma vez na vida, costume continuado na Grécia helênica, nos templos da Afrodite e em Roma, no templo de Vênus e Juno Sospita.
As sacerdotisas chamadas Ishtaritu ou Qadishtu atuavam como veículos da Deusa, proporcionando aos homens uma experiência extática, que lhes abria os canais para receberem a energia divina em um ato de amor e partilhando com eles o dom de Ishtar - a sexualidade sagrada - enquanto lhes ensinavam esta invocação:

“Reverenciai Ishtar, a suprema Deusa,

Rainha das mulheres.

O Seu corpo é vestido de amor e prazer,

Sua essência é de ardor, encanto e voluptuosa alegria,

Seus lábios são doces como mel,

Sua boca dá a vida.

Sua proximidade proporciona plenitude e a felicidade

atinge o auge quando Ela se faz presente,

pois Ela é gloriosa, poderosa, exaltada, esplêndida

e respeitada por todos os deuses, que A reverenciam

e perante Ela se inclinam chamando-A de Rainha.”


Ler na íntegra: http://sitioremanso.multiply.com/journal/item/90

segunda-feira, novembro 15, 2010

OS LOGROS DO INTELECTO


EXCERTO DE MENSAGEM QUE RECEBI DE UMA SENHORA MINHA DESCONHECIDA E QUE RESPONDEU A UM POBRE DIÁLOGO ENTRE MIM E UMA CONHECIDA, SOBRE FEMINISMO…NO FACEBOOK!(…) uma declaração de princípios ou mundividências seria exigível da parte de quem se considera visionária e mística, e adere a conceitos como Ontologia e Sagrado. Porque englobar estes conceitos na discussão, desde os tempos mais arcaicos, levar-nos-ia longe, pois seria necessário entrar em linha de conta com os contextos pré-históricos que, até por falta de documentação credível, se tornam difusos e difíceis de garantir como mais-valias para o Feminino. Tenho uma vasta biblioteca sobre o tema, mas é preciso separar as águas e olhar para a entidade bio-psico-social que pertence ao género feminino. Entendo esse maravilhamento com o sagrado e com os "poderes" das deusas primitivas, muito característico dos grupos sociais que têm falta de auto-estima e que precisam de afirmar a sua superioridade, caso da "negritude", conceito criado por Leopod Sengor que também pretendia dar um cunho especial e nobilitar a raça negra. Além disso, o poder feminino "sagrado", via ontologia metafísica, é glosado por todas as grandes teóricas do feminismo e do pós-feminismo (Simone de Beauvoir, Benoîte Groult, Germaine Greer, Betty Friedan, Francoise Heritier, etc.) como advento da consciencialização de género. O que não se pode é ficar por aí, num encantamento inócuo e ineficaz. (…)



A MINHA RESPOSTA SEM RESPOSTA,
INÓCUA E INEFICAZ, MAS ENCANTADA…

(…)

Tenho, há mais de 12 anos, um Blog: MULHERES & DEUSAS (e um livro com o mesmo nome e mais dois livros de poesia, por assim dizer, Mulher Incesto e Antes do Verbo era o Útero editados resp. em 1996 e 2003) que não deve conhecer, pois sou e estou fora de qualquer contexto intelectual ou literário; pesquisei segundo o meu próprio discernimento pessoal ao longo de toda a minha vida, tudo o que me foi possível apreender mentalmente e depois dei “o salto”… embora confesse que não fui nem sou uma rigorosa estudiosa do assunto (segundo as cânones) e portanto, como deve calcular, não lhe darei qualquer documentação credível...nem testemunho plausível, nem farei qualquer discurso “coerente e razoável”, por isso disse que era visionária e selvagem à minha maneira e prezo muito isso…
“Sou Pagã e anarquista com uma pantera que se preza” (F.E.)

Não tenho uma vasta biblioteca nem qualquer formação académica, nem considero demais nem de menos as grandes pensadoras do feminino, todas as que me citou, sejam elas feministas ou não, nem considero POR AÍ ALÉM os cientistas ou escritores badalados.

Li o “Erro de Descartes” de Damásio, mas para mim os cientistas estão muito longe do conhecimento interior, digamos, e desde que ele afirmou sobre o seu último livro e últimas pesquisas… que a alma é uma ilusão do cérebro, nunca mais poderá evidentemente ter o meu crédito. Veja lá como as coisas são…

Creio acima de tudo na ALMA, na vivência interna, na espontaneidade do ser e não no conhecimento instituído ou intelectual. Ligo-me a um SABER interno como essência, acredito que temos 12 sentidos e não 5…) e não estou nada interessada hoje (com 64 anos) no que pensam ou dizem os milhões de autores, os mais eruditos, sobre o assunto. O que eu sinto e penso basta-me. E isso devo-o ao facto de ter nascido MULHER.
Sou autodidacta e livre pensadora mas sou sobretudo livre do jugo da racionalidade, do conceito, da razão, da sua lógica que faz a diferença entre o que é consensual e o que não é. Eu não o sou. Não pertenço a nada e estou sozinha no meu caminho e nem defendo as minhas ideias ou o meu saber. Apenas ESCREVO. E quem sentir como eu sente. E é assim que sinto quem eu sinto e é assim sinto a MULHER -mulher.

Falo de um despertar-revelação interior da Mulher, principalmente na Menopausa, em termos de essência, de uma revelação luminosa, da sua intuição pura aliada a um discernimento também interior, baseada na sua experiência de vida, e não de um saber teórico, instituído ou consentâneo. Sou uma adepta dos Mistérios Antigos e aí ninguém pode racionalizar os temas ou pôr ordem mental nas questões, discutir princípios etc.. É pelo coração que falo e não de cor…porque li ou estudei… (sabendo que par coeur seria o saber mesmo do coração e não o saber mental como hoje sabemos as coisas sem relação com as emoções ou o sentimento nem com o Ser Real…)

Acredito no Conhecimento inato. Na Inteligência do Coração (a verdadeira e única Inteligência segundo os egípcios…)
A senhora deve pensar claro que a revelação, os sonhos, a meditação e a intuição, a visão (o espírito de síntese), são uma doença psicológica ou ainda histerismo ou neurose …coisa de mitos ou falta de auto-estima de grupos minoritários…ou um modismo estilo “nova era”…Pois não sei, nem me interessa. Isso é consigo. Por mim, estou, na medida do possível, fora do Sistema e nem quero fazer parte integrante dele como mulher... por isso me demarco desde há muito tempo.


Do livro OS MISTÉRIOS DA MULHER de M. ESTHER HARDING cito para finalizar:

"Não raramente ouvimos a informação de que não há nenhuma diferença essencial entre homens e mulheres, excepto a diferença biológica. Muitas mulheres têm aceite esse ponto de vista e têm feito muito para alimentá-lo. Têm se sentido contentes em serem homens de sais e assim perderam o contacto com o princípio feminino dentro delas mesmas. Essa talvez seja a causa principal da infelicidade e instabilidade emocional hoje em dia. Ora, se a mulher está fora de contacto com o seu princípio feminino, que dita as leis da integração, não pode assumir o comando do que é, afinal de contas, o domínio de feminino, ou seja, o das relações humanas. E, até que o faça, não poderá haver muita esperança de ordem nesse aspecto da vida. Muitas mulheres sofrem seriamente na sua vida pessoal por esse abandono do princípio feminino.
São incapazes de relacionamentos satisfatórios, ou podem mesmo cair em neurose pela inadequação do seu desenvolvimento nessa área, que é das mais essenciais. Por essa razão, a relação de uma mulher com o princípio feminino dentro de si mesma não é um problema pessoal, mas também um problema geral, até universal para todas as mulheres. É um problema da humanidade.
(...)
É preciso considerar que a essência ou princípio feminino NÃO PODE SER ENTENDIDA ATRAVÉS DE UM ESTUDO INTELECTUAL OU ACADÉMICO. A ESSÊNCIA ÍNTIMA DO PRINCÍPIO FEMININO não se permite tal ataque, o sentido real da feminilidade sempre escapa ao interrogador directo. Essa é a razão pela qual as mulheres são misteriosas para os homens – isto é, para o homem que persiste em tentar compreender intelectualmente a mulher."


Disse-me ainda com imensa complacência, repare, que eu admiraria da parte dos seres superiores, caso os houvesse: “

"Entendo esse maravilhamento com o sagrado e com os "poderes" das deusas primitivas, muito característico dos grupos sociais que têm falta de autoestima  e que precisam de afirmar a sua superioridade, caso da "negritude"…
Não sei se se referia a mim uma vez que me desconhece (e a minha obra ao negro…), mas eu acho que essa afirmação parte de um ego insuflado próprio do conhecimento mental…quer da parte do autor que pouca ou nada me interessa quer da parte de quem o toma a letra e de facto não tem acesso ao NUMINOSO…de quem não tem acesso à experiência da revelação do saber via coração. Não sou feminista, mas não creio em nenhum homem que se debruce sobre as origens do que quer que seja… "até por falta de documentação credível, se tornam difusos e difíceis de garantir como mais-valias para o Feminino…”.








Sugiro-lhe que veja este vídeo de uma das grandes antropólogas feministas, Marija Gimbutas que revolucionou o mundo da Antropologia com provas factuais sobre a existência de uma Deusa que é mais do que um mero conceito ou ideia de gente sem auto-estima e primitiva. Já agora recomendo-lhe o livro O Cálice e a Espada de Riane Aisler a escritora que entrevista neste vídeo a Marija.
Estamos como vê nos antípodas do conhecimento…
Cordiais saudações místicas

 rosa leonor