sábado, fevereiro 05, 2011

A NOVA MULHER É VELHA COMO O TEMPO...


"Eu sou jovem, acredito eu, saindo da adolescência, ainda.
Arrumei a mesa para o almoço e minha avó entrou em casa. Vendo a mesa, ela me congratulou "Você é uma mulher de verdade. Tudo arrumadinho, é assim que eu gosto de ver."
Realmente me surpreendi com esse comentário. Será que ser mulher é ser dona de casa?
O "ser" da mulher se perdeu, e eu, como tantas outras, vago perdida tentando achá-la. Acredito que seja ainda mais difícil quando as mulheres a sua volta usam tapa-olhos e máscaras, pensando apenas como a sociedade patriarcal (como brasileira, vejo claramente as influencias de um cristianismo doentio aqui) lhes ordena. Nada tenho contra Cristo, mas sim contra seus sacerdotes autoritários e mesquinhos.

Seu blog me ajuda muito na minha busca, mas em minha mente ainda paira a pergunta: "O que é uma mulher?". A mulher que desejamos, nós duas, que fosse a mulher real - as grandes sacerdotisas livres de amarras, que fariam qualquer coisa sem perder sua dignidade, de tão forte sua ligação com a Deusa, ainda está por vir. E, por enquanto, esse fantasma da mulher real é o que temos de começar a contornar e colorir novamente.
Às vezes me pergunto como sou capaz de viver em um país onde 'ser mulher' é pôr a mesa do café da manhã e servir aos homens.
Com todo o amor da Deusa que possuo em meu coração, esperando um ambiente menos hostil para ser devidamente liberto, peço que a Deusa a abençoe, Rosa Leonor."


QUEM É A MULHER?


Minha querida, o que seja a MULHER, a mulher inteira, a mulher que está adormecida na mulher… é JÀ a mulher que no fundo de si mesma se pergunta quem é e que a partir daqui começa a interrogar-se e ousa ser aos poucos aquilo que em si adivinha e que vai descobrindo e vai ousando cada vez mais a ser aquilo que sente - ainda que com todo o cuidado (é precisa muita atenção ao que a rodeia) para não criar reacções, para não ser esmagada…Ela não deve expor-se inutilmente …
Sim, essa MULHER é já você em potencial, é já a mulher que se interroga como é que possível que a sua avó ache que ser mulher é por bem a mesa e servir o homem e ter filho e cuidar deles exclusivamente ou ajudar o marido com trabalho remunerado para comprar um carro…etc.
O que nos aprisiona ainda, mesmo que as aparências das coisas mudem, é esta velha história das mulheres domésticas e domesticadas em casa ou no trabalho para criar filhos e cuidar dos maridos, muito antiga, a história que nos foi contada desde que nascemos; é esta a carga que passa de avós para netas e de mães para filhas que se repete há centenas de anos e pouco mudou na verdade para a grande maioria das mulheres no mundo. Mas não pense que noutros países ou na Europa é muito diferente daí porque as diferenças são só aparentes…
Hoje há muitas mulheres que se julgam “livres”, que são formadas e executivas, polícias e militares, médicas e engenheiras professoras e até presidentes…uma enorme percentagem de mulheres nas universidades na Europa e no mundo ocidental, mas imagine que afinal elas continuam presas aos maridos que as controlam (doentiamente e a quem elas obedecem para não perder a casa e o conforto etc.) e aos filhos e são sobrecarregadas, tendo o dobro do trabalho e das ralações e …das doenças…
Elas continuam a ser vítimas de violência doméstica e as próprias universitárias na Europa são espancadas pelos namorados e julgam-se livres, mas os homens o que fazem é continuar a castigá-la por essa liberdade que dizem aceitar mas que inconscientemente não aceitam e continuam sim a odiar as mulheres mesmo quando dizem que as amam…
É verdade que no ocidente as mulheres têm tudo…têm roupa cara e casas enormes e carros e férias aqui e ali…e fazem operações plásticas (estéticas) e se despem e também usam os homens quando querem… Mas é isso que interessa às mulheres, que tarde ou cedo acabam sempre abandonadas rejeitadas sozinhas a lutar contra tudo e contra todos, nomeadamente contra as outras mulheres que elas acham que são sempre as culpadas das suas desgraças…?
Sim, as mães e as irmãs as filhas ou as rivais…
Hoje as universitárias também são livres, mas muitas não casam e tornam-se acompanhantes de luxo, prostitutas caras, já não são as mulheres da rua e umas desgraçadas expostas aos gigolôs, mas são vestidas por estilistas e têm carros de marca… e acompanham os homens ricos a reuniões de negócios e festas…

AS MULHERES EM TODO O MUNDO ESTÃO DIVIDIDAS em categorias, não são só as diferenças de classes…mas uma diferença na pele; elas continuam a ser as esposas ou as prostitutas…só que agora são umas engenheiras e doutoras e outras…artistas, cantoras ou modelos… Mas são elas sempre as sacrificadas nas relações, são elas que tomam a pílula…e sofrem das doenças sexualmente transmissíveis…morrem anorexia ou de sida e são exploradas por máfias.

E foram essas religiões de que fala que fizeram essa separação, que se mantém no inconsciente colectivo…que se mantém na cultura social actual, na psicologia das massas; e é essa Igreja sim que condenou as mulheres ao martírio, às foguearias e ao pecado, é essa mesma Igreja que domina o mundo ainda com os seus dogmas e preconceitos e tabus, sempre contra as mulheres, mas ainda é pior nos países orientais onde em nome de outros deuses, a mulher é vendida e desde menina explorada sexualmente ou morta por adultera à pedrada, a quem não se dá a menor importância, muitas nem têm nome ou data de nascimento.

Você pergunta o que é a mulher…e eu digo-lhe, a Mulher-Mulher ainda não existe, ela foi apagada da história, foi dizimada, foi anulada como ser, transformada num verbo-de-encher tornada uma mula de carga, o bode expiatório dos homens, explorada sexualmente e violada, espancada e morta em todo o mundo em todas as sociedades…em África na Índia e no Irão…
Mas a mulher verdadeira a mulher primeira, a Mulher ancestral que um dia foi livre e senhora de si voltará a ser ELA dentro de cada uma de nós.
Ela renascerá em cada nova mulher que como você se pergunta QUEM É A MULHER em si e basta-lhe ouvir o ECO da Deusa Mãe no mais fundo do seu coração, no mais fundo da sua alma e do fundo do seu Útero que a sua resposta virá.
Então sim, saberá a resposta dentro de si mesma porque ela foi semeada no início dos tempos e este é o tempo do seu resgate, o tempo de grandes mulheres que vão começa a contar a História daquela que foi esquecida e condenada aos infernos pelos patriarcas…
Essa Mulher é LILITH e ela tem a Chave da nossa história e com ela as novas mulheres que são velhas como o tempo, surgirão de todos os lados, de todos os continentes…unidas, brotando como flores sobre a planície deserta e seca e semeando frutos de consciência e de amor em seu redor dando-se as mãos e não mais inimigas umas das outras…essas são as mulheres em que eu creio e sei que virão…em breve…elas estão a acordar do maldito sonho que as aprisionou ao Pai e ao Filho! Elas serão Mãe e Filha e iniciarão o novo homem ao amor da Natureza, da Terra, da Deusa e da Mulher.

rleonorpedro

quinta-feira, fevereiro 03, 2011

¡¿En qué mundo vivimos?!


Chelo Álvarez-Stehle

La voz de las esclavas del siglo XXI
18.12.10 - 00:26 - J. SAINZ LOGROÑO.


- La periodista riojana lleva trece años denunciando el 'trafficking' en países como India, Japón o Estados Unidos.Chelo Álvarez-Stehle presenta su trabajo sobre explotación sexual.


«La explotación sexual siempre me ha hecho rebelarme contra el silencio tabú que impone».


¿Quiere datos o quiere historias? Ahí van algunos datos del Departamento de Estado norteamericano: 27 millones de personas en todo el mundo sufren algún tipo de esclavitud en la actualidad; un millón de niños al año son víctimas de explotación sexual; la mitad de las víctimas del tráfico internacional de personas son niños; el 80%, mujeres y niñas; el llamado trafficking se extiende por 161 países; el ‘negocio’ genera unos beneficios estimados en 32 billones de dólares...

¿Prefiere historias? Cada dato tiene una. Ahí va la historia real narrada en primera persona por Virginia, mexicana secuestrada a los quince años por una banda de tráfico sexual: «Me golpearon y cuando me desperté estaba en una casa abandonada tirada en el suelo, desnuda y con mi niña también sin ropa. Nos tomaron un vídeo y nos hacían bailar desnudas para los hombres. Y, como yo todavía daba el pecho, la leche caía por mi cuerpo (...). Nos hacían que nos sentáramos en las piernas de ellos y eso era el enfoque de todo mi sufrimiento, que nos estuvieran prostituyendo».
Es uno de los testimonios recogidos en el documental ‘Sands of silence’ (‘Arenas de silencio’, que puede verse en www.sosdocumentary.org) de la periodista riojana Chelo Álvarez-Stehle. Esta mujer lleva trece años denunciando la trata de personas por medio de su trabajo creativo de alcance social. Trabajó en Japón para proyectos documentales de la NHK y fue corresponsal del diario español El Mundo primero en Tokio y luego en Los Angeles, donde reside desde 1995.
Sus trabajos en prensa sobre tráfico humano se han publicado en todo el mundo. Canal + España se inspiró en uno de sus reportajes sobre tráfico entre Nepal e India para el documental ‘Niñas de hojalata’, que dirigió Miguel Bardem y en el que ella trabajó como entrevistadora, asistente de dirección y consultora. En Nepal cofundó el proyecto Masala, una iniciativa de generación de ingresos para supervivientes del tráfico, que incluye una fábrica de especias y micro-granjas.
A la venta en USA
Estos días se encuentra en España, donde el próximo martes presentará en Logroño, su ciudad natal (21 de diciembre a las 20 horas en el Centro Cultural Ibercaja-Portales), una selección de su trabajo documental sobre la trata de personas en América y un videojuego educativo sobre la misma temática (SOS Slave), aún sin concluir y para el que busca financiación.
Además de su compromiso por informar sobre una realidad muy extendida en el mundo y socialmente consentida incluso en países occidentales como España, Álvarez-Stehle participa en diversos proyectos en favor de las víctimas. «Siempre me he sentido interesada por este tema –afirma–, porque, como mujer, una misma puede ser víctima o conocer a alguien que lo sea. La explotación sexual siempre me ha hecho rebelarme contra el silencio tabú que se le impone».
Su trabajo le hace llorar a menudo. ‘Sold in America’ (‘De venta en USA’, www.soldinamerica.net), es un documental cuyo estreno mundial se realizó en el Festival de Derechos Humanos de Montreal. «El reportaje sumerge al espectador en el mundo de la trata de mujeres en Estados Unidos a través de la experiencia de tres supervivientes vendidas en esclavitud siendo niñas».
Pese a todo, ella procura enfocar su labor en positivo: «Un brujo compra a María por 200 dólares como esclava sexual. A Miriam la vende su tío a hombres mayores los fines de semana. Y el novio de Michele la obliga a prostituirse en moteles. Contra todo pronóstico, María, Miriam y Michele se han convertido en voces de esperanza para quienes siguen hoy en cautiverio y en una llamada apremiante a la concienciación y prevención de la esclavitud del siglo XXI».

¡¿En qué mundo vivimos?!

- Por qué se especializó en este tema?
- Siempre me he sentido atraída por este tema, quizás porque, como mujer te das cuenta de que o eres víctima de acoso sexual o conoces a alguien que lo es. Es algo que crecemos con ello a nuestro alrededor y hay un silencio tabú y un estigma. Siempre me ha hecho rebelarme la explotación sexual de la mujer, en la televisión o en cualquier otro sitio. El culto al cuerpo, la mujer objeto… Me he rebelado porque los medios y todos tenemos mucha responsabilidad en cómo educamos a la sociedad.
- ¿Cómo empezó?
- Empecé en Japón con el tema de las coreanas esclavizadas para satisfacer sexualmente a los soldados del ejército japonés durante la Segunda Guerra Mundial. Luego estuve en Nepal. Allí trabajé sobre todo tipo de explotación de la mujer y finalmente me centré en el tema de la trata de personas con fines sexuales porque todavía no se había oído hablar mucho de ello en los países occidentales. A raíz de varios reportajes me llamaron de Canal + y surgió el proyecto de llevar al documental el reportaje sobre tráfico de niñas de Nepal a India. Al volver a Estados Unidos me di cuenta de que eso no estaba ocurriendo sólo en países como Nepal, estaba ocurriendo también en Estados Unidos. Empecé a investigar y vi que había muchísimas mujeres traficadas y que casi no se hablaba de ello públicamente. Esto era hacia el 2002. Desde entonces la gente viene a mí a contarme su historia. Tengo la impresión de que tengo la responsabilidad de contar estas historias para poder influir en las leyes.
- ¿De qué modo?
- Es importante que hagamos llegar la voz de estas mujeres que no están en el negocio de la prostitución porque quieren, algunas sí, pero muchas de ellas han sido traficadas contra su voluntad. Tenemos que saber identificarlas y darles voz. En Estados Unidos, por ejemplo, a raíz de estos documentales, las fuerzas del orden han puesto en marcha cursos de formación para sus agentes para que sepan distinguir los casos, casos que antes se trataban por igual.
- ¿En España?
- Conozco poco la situación en España, pero es sabido que España es uno de los diez países con más trata de personas en el mundo. Es alarmante. Quiere decir que estamos descuidando ese tema o que hay una ‘cultura’ de permisividad con el tema de la prostitución en general; como que no estamos concienciados en saber si esas prostitutas cuyos servicios estamos pidiendo están ahí por su propia voluntad o no. ¿Cuál es su historia? ¿Por qué están aquí? El problema es la demanda. Si no hubiese demanda no habría prostitución y no habría tráfico. ¿Qué pasa con la demanda en España? Es inaceptable. Hay muchos hombres que consideran que está bien ir a solicitar los servicios de una trabajadora sexual y sus mujeres se lo permiten. Yo pensaba que esto pasaba hace cuarenta años, pero sigue pasando.
- Su trabajo periodístico se centra en las víctimas. ¿También ha investigado las mafias del tráfico y la extorsión?
- Las mafias son muy difíciles de investigar porque son subterráneas, obviamente. Y también es difícil llegar a las mafias a través de las muchachas porque están intimidadas y sus familias, amenazadas. Esto ocurre en todo los países, desde Nepal hasta España. Si ellas no denuncian, no hay forma de llegar a los traficantes. Empieza a haber fórmulas de protección legal, pero sigue siendo difícil. Además, ocurre que muchas chicas, después de años de prostitución deciden entrar en el sistema y se convierten en ‘madamas’ de otras chicas.
- ¿Las víctimas llegan a liberarse alguna vez?
- Hay de todo. Yo he conocido gente de Nepal que se escapaba de los burdeles de la India, de Bombay, de Calcuta o Delhi, por el alcantarillado. Pero la policía, pagada por el propio burdel, se encarga de atraparlas y devolvérselas. Yo creo que el esclavo siempre está tratando de escapar. Hay algunas mujeres que no, que se dan por vencidas y que se convierten en pequeñas ‘madamas’. Eso también lo he conocido en Estados Unidos: una mujer al frente de un burdel de lujo en Las Vegas que había sido víctima de tráfico y ahora era ella quien lo hacía con otras chicas. Es difícil, pero lo normal es que todas intenten escapar. Aunque algunas son tan maltratadas que la libertad no la tienen ni en el horizonte mental. Lo que les hacen es una tortura brutal.
- ¿Qué medidas legales hacen falta?
- Es una problemática que hay que tratar con prevención, pero también hay que aplicar las leyes o articular leyes a favor de las víctimas. El mayor obstáculo, la razón por la que el tráfico se ha extendido de tal forma es porque las fuerzas del orden han estado tradicionalmente en contra de las víctimas pensando que no eran víctimas, sino que se prostituían por su propia voluntad.
- Personalmente, ¿qué recuerdo es el que más le ha marcado?
- Haciendo este trabajo he llorado mucho. Es un trabajo desgarrador. Pero siempre recuerdo una escena rodando ‘Niñas de hojalata’: en un burdel en Bombay vi a una niña que tenía a su bebé debajo de su catre, del catre donde recibía a los clientes. Alguien nos había dicho que los niños que nacen en el burdel, se crían en el burdel y que incluso algunos clientes terminan por abusar del niño después de hacerlo con la madre. Allí se me cayó el alma a los pies: el niño viviendo la explotación de su madre y siendo explotado a su vez. Aquello me conmovió mucho. ¡¿En qué mundo vivimos?!

quarta-feira, fevereiro 02, 2011

A 13 QUE VEM...


A PROCURA DO GRAAL

“A Procura do Graal, é a uma luta sangrenta entre os membros de uma comunidade para se apropriarem da Soberania, sendo essa soberania a Mulher, a Rainha ou a Deusa, imagem simbólica da Mãe toda-poderosa de quem nós somos todos filhos/as”. É a mudança dessa soberania, que não estando mais no poder da mulher, mas dos homens que se torna agressiva e o cimento de estruturas da nova sociedade masculina.
(…)
Para reencontrar na plenitude a Deusa do começo do mundo, é necessário destruir os monstros caóticos e tenebrosos que se interpuseram entre o herói e a Dama da Luz.

Assim pode aparecer a misteriosa Dana, da qual os irlandeses tornaram a Mãe dos Deuses, que os Bretões reconheceram, mesmo que inconscientemente, sobre os traços de Santa Anna, aquela que pode tomar os nomes de todos os rostos, A Mulher Sol. “A 13ª que vem, é ainda a primeira” disse Nerval. Com efeito ela é sempre a Única. Ela transporta nas suas mãos o Graal de onde emana uma luz que surge de lado nenhum. Basta sabê-lo.”


Jean Markale
in La femme celte

PÁSSAROS DO CÉU...


Se não falas, vou encher o meu coração
Com o teu silêncio, e aguentá-lo.
Ficarei quieto, esperando, como a noite
Em sua vigília estrelada,
Com a cabeça pacientemente inclinada.
A manhã certamente virá,
A escuridão se dissipará, e a tua voz
Se derramará em torrentes douradas por todo o céu.
Então as tuas palavras voarão
Em canções de cada ninho dos meus pássaros,
E as tuas melodias brotarão
Em flores por todos os recantos da minha floresta.


Rabindranath Tagore

segunda-feira, janeiro 31, 2011

EM ESPANHOL


Mujeres y Diosas em espanhol...
por Maria Magdalena

Uma querida e muito nova amiga espanhola sugeriu e prontificou-se a traduzir o Blog Mulheres & Deusas para espanhol...
Os meus textos que ela escolhe e vai traduzindo formam agora uma cópia do blog em língua espanhola. Os meus textos assim como excertos e citações de outros autores e livros são traduzidos pela mão de uma mulher dedicada na busca do seu ser e a sua identificação com Mulheres & Deusas é um motivo para mim de grande orgulho.
Além de lhe estar profundamnte grata pelo trabalho que está a empreender com imenso carinho e gosto, a sua afinidade com o que eu escrevo tem em mim um eco muto grande e dá-me uma enorme força para continuar fiel a este propósito de chegar a cada vez mais mulheres, agora já não só em Portugal e no Brasil, mas também em Espanha, onde já conto com a Shakti e a Hathor...
Espero que um dia possamos organizar um encontro ibérico de Mulheres & Deusas, assim como espero ainda um dia ir ao Brasil e encontrar-me com as irmãs que lá se dedicam também ao trabalho de consciencialização da Deusa e da Mulher. Porque sem a consciêncialização da mulher em si e do seu potencial, sem o resgate da mulher ancestral, a Deusa não se pode manifestar, pois a Deusa não é uma crença nem uma Fé, mas uma realidade tangencial quando a mulher acorda para o feminino sagrado.

¿COMO FUE EN El INICIO?

“En el principio era Lilith. Digan lo que digan, en el origen era el Andrógino. Y después de su exilio, o incluso de su destierro, el Éden nunca más volvió a ser lo que era antes."
(...)
"Eva es la mujer muda, la sombra de la mujer, casi un fantasma. Eva está incompleta, le falta alguna cosa: se trata del aspecto de Lilith que ella a veces toma al revolverse" .

sexta-feira, janeiro 28, 2011

A DEUSA NO CORAÇÃO DA MULHER

PARA QUE A DEUSA VOLTE A NOSSA CULTURA,
PRECISAMOS DE NOS FOCAR NO SEU ARQUÉTIPO, DENTRO DE NÓS...

“Se você meditar acerca de uma deusa ou imaginar um diálogo com ela, esta parte sábia de si se torna mais consciente e acessível na vida do quotidiano. Aquilo que tem o nosso foco, tem a nossa energia. Aquilo que imaginamos que vai acontecer, precede o nosso desenvolvimento.
Quanto mais quisermos conhecer um arquétipo de mulher sábia, tanto maior a probabilidade de que ele surja em nós; e quanto maior for o número de mulheres interessadas neste processo, tanto maior será a certeza de que o arquétipo da Deusa voltará à nossa cultura.”

Jean Shinoda Bolen
AS DEUSAS E A MULHER MADURA

SER MULHER...


O QUE OS HOMENS PENSAM QUE É UMA MULHER…
As vezes fico abismada com o que os homens e mulheres pensam da mulher
mesmo nos meios pretensamente cultos digamos, ou pelo menos mais sofisticados, e que as opiniões sejam quase sempre uma chacota, uma leviandade ou mesmo injúria para a mulher…e com as quais elas convivem normalmente, ou até corroboram por incapacidade de resposta ou de falta de consciência de si mesmas ou ainda por mera sujeição ao homem. Há sempre uns “senhores” jocosos e convencidos que sabem muito das mulheres…e que têm o domínio da “coisa”…da sua “coisa”…

Acabei de constatar isso no facebook pelas respostas a um repto lançado pela Rita Ferro:

“Pergunta para senhoras e cavalheiros:

- O que é para ti uma Mulher?”

E podemos ler uma série de respostas sem sentido, ou melhor, todas vão num único sentido que é o da ignorância profunda do que é REALMENTE A MULHER. A enorme banalidade das respostas mostra como a mulher é (está, diria eu) um ser dividido, fragmentado, incoerente, contraditório e desconhecido de si mesma. Avaliada quase sempre pelos seus atributos físicos e de sedução. Ver como as mulheres se contentam com uns tantos elogios e larachas acerca do seu ser superficial é igualmente constrangedor e mostra a grande pobreza de sentimentos e de auto-estima em que se encontram.
Vê-las ceder ao tom paternalista e de supremacia dos homens…supostamente conhecedores e dominadores nas entrelinhas…é mais grave ainda…

Digno de nota, tirando o poema de Venícius, só uma citação feita pela Rita F. do pai António Quadros (esse sim um grande senhor!) :

«Uma só mulher contém todas as mulheres
e todas as mulheres não são ainda a Mulher.»

E a partir deste mote, afirmo não há dúvida de que a mulher não é ainda A Mulher, essa mulher que os poetas e os visionários ou os místicos sabiam que era a Mulher autêntica, a mulher essência, a mulher verdadeira. Essa Mulher, tal como diz Pawels citado por André V.L. que desapareceu há séculos, que foi dispersada, que foi aniquilada…e que nos nossos dias não existe!

"O problema é que quase não há mais mulheres. Sustento que as mulheres desapareceram, que houve uma catástrofe, que a raça das mulheres foi dispersada, aniquilada sobe os nossos próprios olhos, que não puderam ver.

Senhores, a mulher, a descendente do paleolítico e do neolítico, a nossa fêmea e nossa deusa, o ser que chamaria de mulher do homem, e que já não sabemos o que é, foi perseguida, atingida em seu corpo físico e em seu corpo mental, e devolvida ao nada!"

"Senhores, o ser que chamamos de mulher não é A mulher. É uma degenerescência, uma cópia. A essência não está aí, nossa alegria e nossa salvação não estão aí"...Chamamos mulheres a seres que dela não têm senão a aparência, tomamos em nossos braços imitações de uma espécie inteiramente ou quase destruída."
(…)
Mas examinemos esse crime. Extermínio físico em fogueiras: evocarei as centenas de milhares de mulheres, chamadas de bruxas e queimadas como tais, e os outros milhões de mulheres vencidas e transformadas pelo medo.
(...)
Extermínio pela propaganda, arma mais certeira que todas as outras...Guerra revolucionária empreendida pela Cavalaria contra a mulher verdadeira a favor de um novo ídolo. E enfim num plano mais amplo, mais misterioso e concomitante, mutação decadente da espécie. De tal forma que o ser fêmea autêntica foi substituída por um ser diferente. "*

Riam-se “senhoras e cavalheiros”…

Muitas dessas pessoas algumas “cultas”, homens e mulheres, que lerem este excerto farão chacota e acharão um exagero e um despropósito esta visão, a de uma realidade completamente escamoteada pelos intelectuais de esquerda e de direita deste tempo de alienação colectiva, em que a superficialidade e a uniformização da informação reduz tudo a umas tantas ideias igualmente superficiais e uns tantos clichés, do que é ser mulher.

Na verdade hoje, não há mulheres nem há homens. Há um ser sucedâneo do macaco e que não faz mais do que imitar tudo o que vê e quer “possuir”. E nessa linha tudo tem um preço e tudo se compra; e homens e mulheres tornaram-se mera mercadoria mais ou menos vendável no mercado das convenções sejam elas familiares ou institucionais. Hoje em dia vivemos num mundo onde não existe a dimensão do ser profundo, do ser ontológico e tudo se baseia na aquisição de bens, de um estatuto, nome ou fama, no circo mediático em que a sociedade humana se tornou.
Os palcos do teatro humano onde as emoções e os desejos andam a deriva e ninguém sabe o que é certo nem errado vai tudo na vertigem e na voragem da queda de valores na queda das bolsas e da crise económica. Todos vemos a enorme confusão do mundo, a sua desordem, o seu desespero, os conflitos mundiais raciais, religiosos, e principalmente a violência perpetuada sobre as mulheres em todo o mundo e que culmina agora no maior caos da crise económica e de valores a nível mundial.

Digo e mantenho que só quando a mulher for a Mulher verdadeira, quando reunir em si as duas mulheres divididas pelas religiões e pelo patriarcado, que criou a prostituta e a esposa para o servirem em campos diferentes dos seus interesses, que criou normas e leis que inferiorizavam a mulher e a baniam da sociedade activa, desde há séculos, historicamente sempre reiterado, e que nos nossos dias elegeu ou fabricou uma mulher de plástico ou de silicone, criou uma sociedade neurótica, cada vez mais doente, uma sociedade que vive de drogas, remédios e químicos e se aliena cada dia mais de valores fundamentais, dos princípios universais que são o suporte da vida e da evolução no Planeta.
No dia que a Mulher recuperar o seu estatuto de Mãe e Amante em toda a sua dimensão espiritual e ontológica e a sua perdida dignidade humana, então sim, a Humanidade caminhará para um novo paradigma e uma sociedade mais justa, mais equilibrada, fundamentada nos seus dois pólos ou alicerces: A Mulher e O Homem.

Rosa Leonor Pedro

*in TANTRA - O CULTO DA FEMININLIDADE
de André Van Lysebeth

sábado, janeiro 22, 2011

UM SOPRO DE ESPIRITUALIDADE


"A reivindicação de uma igualdade com o homem não é senão a manifestação de uma mentalidade de escravidão. E qualquer mulher que tenha contacto profundo com a sua feminilidade detesta esta posição. Ela não quer parecer-se com o homem. Ela está intimamente persuadida da perfeição do seu estatuto, da sua riqueza biológica e psíquica, da sua nobreza interior.
(…) A verdadeira realização começa com a afirmação de uma diferença não só biológica, mas espiritual."
*Femme Solaire - Paul Salomon

É um Sopro de Espiritualidade que falta às feministas na sua luta ainda e que sempre faltou. E é precisamente por isso o mais difícil de aceitar é que se torna tão difícil olhar para as mulheres dentro de uma perspectiva da Deusa. Rejeitando a ideia de religião e o domínio do deus-pater elas rejeitaram também qualquer transcendência em si mesmas...Sobretudo falando das mulheres portuguesas que só começaram a sua luta depois do 25 de Abril - embora tenhamos uma minoria de antes da “revolução e algumas referências de mulheres pioneiras que lhes serviram de base e inspiração. Afastaram-se assim da religião e do catolicismo que as oprimia, mas não viram outra via dentro do Sagrado. Nem sequer alguém se lembraria da Deusa nos anos 60 e 70 por cá…e muito pouco na Europa. (Não fiz nenhuma pesquisa e admito poder estar errada nesse aspecto)
Só muito recentemente (há cerca de 20 anos) as mulheres em Portugal se deixaram aqui e ali aliciar por alguns movimentos supostamente espirituais, por guias, mestres e astrólogos, dentro da perspectiva patriarcal, em que são sistematicamente votadas ao descrédito de forma subtil ou óbvia, e, no entanto, elas aceitam isso e são seguidoras fiéis desses mentores, como o eram dos padres e dos pais, irmãos e maridos…Sem qualquer consciência do feminino em si e do Poder da Mulher.
Ou então, no caso das feministas, ainda presas aos conceitos redutores do marxismo ou do pragmatismo ateísta, ainda que à sua maneira, elas não abdicam de um posicionamento político e militantista. Não há qualquer indício porém de movimentos ecológicos relacionados com o Sagrado Feminino em Portugal. As mulheres, presas ainda aos primeiros movimentos democráticos, dependentes dos partidos socialista ou comunista, que lhes deram cobertura paternalista, sempre dentro do modelo patriarcal, elas não enxergam a forma redutora como a História as tratou e os próprios políticos ainda hoje as tratam em Portugal. Continuam subservientes às ideologias ou filosofias dos homens, ou mesmo até paradoxalmente das mulheres que se salientaram dentro do Sistema (de ensino académico) - as variantes das Faces de Eva - antes ou depois da revolução de Abril, mas sempre dentro do pensamento racionalista, estritamente masculino, com uns laivos de feminino no meio. Claro que tudo isto está em oposição ao feminino essencial, mas o mais grave e absolutamente paradoxal é como elas não vêm que o velho Sistema jamais lhes daria um lugar que não fosse o “direito igual” ao dos homens: poligamia, fazer sexo livre, ir à guerra, ser polícia, bombeiro, ser deputada ou estivadora ou ser prostituta com estatuto legal...
Falta a essas feministas ou activistas um sopro de espiritualidade, que seria um sopro de alma que perderam na convicção dos seus direitos e igualdades...
Não venderam a alma ao diabo, como acusaram os padres as suas irmãs bruxas na idade média, não, mas desta vez elas venderam a alma por um estatuto de novas escravas. Iguais aos escravos, são as escravas da guerra, da produção, do consumo e da alienação global do ser sagrado, da natureza e dos animais, do seu ser interior, do ser com alma e coração.

Por tudo isso não vejo nem acredito em nenhum rasgo de evolução do SER MULHER pela sua participação activa na politica, nesta sociedade patrista, porque ela não implica de modo algum uma Consciência verdadeira, ontológica, bem pelo contrário. As mulheres continuam a ser o que sempre foram: objectos de consumo e de prazer ou procriadoras, para chegar agora ao mais aviltante que é serem “barrigas de aluguer” dos casais gays e inférteis. E as próprias feministas não se revoltam com isso, assim como nunca se revoltaram com a prostituição das mulheres, quando muito quiseram legalizar e dar direitos às prostitutas sem considerar o que havia de errado nessa condição e como se prende com toda a mulher essa questão…

O Feminino Sagrado, a Ecologia, como dimensão de uma consciência da vida também sagrada, é essa espiritualidade que falta à mulher e que mais não é do que a sua própria essência, a essência à qual devia ser fiel e servir para lá de todas as barreiras e que lhe foi negada pela história do Homem...Daí que as mulheres que pensam em termos eruditos ou filosóficos fazem-no também, na base do conhecimento racional e intelectual, numa perspectiva cerebral e nunca na base do conhecimento intuitivo emocional...

Falta à Mulher SER Mulher total para se tornar a Mulher iniciadora, a mulher oráculo, a mulher inspirada, instintiva, a mulher que sente o fogo da sua alma, a mulher fonte de amor que é a Amante e a Mãe da Vida, e essa é a única mulher que ainda pode salvar o Planeta da alienação e da miséria.
Essa seria a mulher verdadeira que devia antes de tudo erguer a sua voz, a Voz do oráculo que foi silenciada, condenada ao descrédito durante milénios, a voz do útero, o útero que lhe foi arrancado...as entranhas que lhe foram sugadas, o Voz do verdadeiro oráculo que lhe foi proibido pelas religiões patriarcais e pelos seus filósofos.

A Mulher para voltar a ser uma Mulher autêntica, devia Acordar em si Lilith, a Pítia, a Grande Serpente, a Medusa, a Bruxa, a Sacerdotisa, a Vidente...era essa a Mulher que devia acordar para acordar a Humanidade para resgatar o seu fogo sagrado, a sua origem cósmica!
Só essa Mulher fará a diferença!


ROSA LEONOR PEDRO

quarta-feira, janeiro 19, 2011

UMA MULHER LÚCIDA



QUE "Saudades da nossa natureza intima e selvagem, livre e plena"!

Por Mize Jacinto

A propósito de um texto que li, de uma mulher que homenageia uma amiga cuja vida foi interrompida por "vontade" própria: . Independentemente dos motivos que estejam presente nesta história, ela faz-me reflectir, mais uma vez, sobre os modelos que criámos, e que em nada fluem com a Vida. Todas nós, nem que seja apenas em determinados momentos mentimos relativamente ao nosso estado emocional e mental. Todas temos momentos em que fugimos de olhar o espelho e encarar de frente, olhos nos olhos a pessoa que está do outro lado. A estrutura familiar e social não perdoa, e por medo de não encaixarmos, de não sermos suficientemente boas passamos a vida a fingir que está tudo bem. A verdade que observo no entanto diz-me precisamente o contrário - quase nada está bem, e muitas pessoas estão a experimentar o inferno nas suas vidas. Relacionamentos completamente desajustados, dependências, violência emocional, pressão económica, dor física... a maioria das pessoas vivem na espiral da embriaguêz do sofrimento a maior parte do tempo. E para dificultar, as mulheres divorciaram-se umas das outras, e a capacidade inata de nos curarmos mutuamente perdeu-se.

Um abraço, uma palavra, nem que seja a verdade nua e crua, mas que em Amor jamais poderá ferir... o silêncio, a cumplicidade... tudo se perdeu... em vez disso temos medo de dizermos que não estamos a aguentar a pressão, até porque ninguém tem paciência para pessoas que não estão bem... e por vezes são apenas momentos, nada mais do que isso... momentos que se poderiam diluir ou amenizar num desabafo...numa partilha amorosa. A solidão invadiu as vidas de muitas mulheres quantas vezes rodeadas de pessoas por todos os lados... Por isso sinto tanta falta das partilhas, das que vivi e das que ainda-não-vivi, da entrega, do brilho nos olhos, da dança das almas, da nudez... dos gritos, das lágrimas, dos uivos, dos sorrisos. Saudades da nossa natureza intima e selvagem, livre e plena.

... Podemos fazer tanto e fazemos tão pouco... ainda estamos tão mergulhadas no sono da inconsciência e nem nos apercebemos que à nossa volta outras estão a sufocar por um abraço... O meu coração fica suspenso quando me deparo com tamanho sofrimento e desespero... Quero acreditar que nos vamos levantar todas... uma a uma... pela Vida! Um Abraço.

- Obrigada Mizé pelas suas palavras tão certas...
rlp

segunda-feira, janeiro 17, 2011

UM MEDO ATÁVICO



O MEDO ANCESTRAL QUE AS MULHERES TÊM DE SI MESMAS
E DO SEU MUNDO ABISSAL


ELAS FOGEM DA SUA ALMA, DO SEU VENTRE E DO SEU ÚTERO...



Estava a pensar porque razão na prática as mulheres não respondem nunca ou muito raramente ao Chamamento da Deusa. Sempre que se trata de trabalhar ou beneficiar de uma Consciência de Si mesmas, aliadas a outras mulheres ou participar num grupo de mulheres, elas fogem de si próprias…
Elas nem sequer suportam a ideia de um Fórum ou um Encontro só de mulheres…e para mulheres. Porque se for sobre “política”, relações humanas, religiões ou qualquer outra coisa que lhes seja exterior, que não as foque em si próprias, então elas aderem…As mulheres estão totalmente viradas para o exterior no sentido do servir ou ajudar sacrificar-se pelo outro/a mas não a si mesmas…

Quando se trata de encarar os aspectos da sua natureza profunda, elas não só se sentem desmotivadas como até se manifestam desconfiadas, receosas…Uma reunião só de mulheres não lhes interessa…a não ser para um chá…ou um copo à noite, com dança…africana, etc. Depende da preferência e das expectativas, ou então vão inscrever-se nas aulas de dança de salão ou de dança do ventre…um yoga ou mesmo o Tantra, só para assegurar as artes de sedução e pouco mais…ou então vão de bom grado participar de qualquer actividade social e altruísta ou cuidar de crianças pobres, são voluntárias de causas nobres…os resquícios da caridade cristã, muito Moral e muito Nobre, certo…

Mas quando são chamadas para qualquer actividade que lhes diga respeito apenas a elas, que foque os aspectos do seu ser desconhecidos ou mal tratados aí já não se sentem motivadas e raramente respondem aos apelos de reunião ou encontros no feminino. Consciente ou inconscientemente a moral católica ainda predomina e elas continuam subjugadas ao homem e às suas leis. Mesmo quando se julgam livres ou apregoam pagãs, wicas ou ateias…
Elas não se sentem motivadas verdadeiramente para si mesmas, para o seu ser interno, o seu lado reprimido e que sofre distúrbios vários e disfunções e que acabam em doenças graves, nem apreciam o convívio entre mulheres num espírito pagão e sagrado porque não entendem nada de si mesmas, porque o que as move ainda é quase sempre e apenas o apelo do sexo e do dinheiro ou da família/religião.
E é por isso que não vão a nenhum lado fora do programa mental estabelecido, a não ser que seja na esperança de encontrar um novo companheiro, um amante ou um marido, ou ainda algo que seja fora delas e que as valorize exteriormente no mundo dos homens, seguindo o padrão de referências estabelecido; mesmo quando falam de deusas ou de astrologia ou de feminismo, de yoga ou tantra… Vão quando muito a esses lugares, aos astrólogos e terapeutas, ou fazem Reiki para melhorar a sua saúde, a relação entre os filhos e os maridos e namorados, para saber se arranjam empregos ou se sobem na escala social. O que predomina nos interesses das mulheres em primeiro lugar é sempre a família, o sexo e o dinheiro, a carreira ou evidentemente a expectativa de um marido e filhos se é jovem….se for solteira, mas até viúva ou divorciada.

Mas SABEREM DE SI…encontrarem-se com os diferentes aspectos do seu ser, com a sua Sombra, com a Deusa, com as outras mulheres que lhe podem espelhar conscientemente essa fragmentação, e falar dela, elas fogem disso como do diabo…e isto tem um sentido. Poderiam dizer que as mulheres não são as culpadas do seu medo ancestral! Não. Disseram-lhes há muito que essas outras mulheres eram do diabo ou bruxas casadas com o diabo…Tudo isso assombra ainda as mulheres vindo de um inconsciente oculto nos séculos de alienação do Ser Mulher.
Assim, do que as mulheres realmente fogem e nem sabem pois para isso foram programadas, é da “outra” Mulher em si…da Mulher Verdadeira, completa…

Fogem da Mulher Selvagem, fogem da mulher ancestral, sim fogem da “outra”que são elas mesmas e têm medo delas como das cobras….sim, das cobras e das serpentes, das Liliths... Elas fogem da sua alma…do seu ventre, do seu Útero… elas deixam-se operar e que os médicos em quem confiam cegamente lhe arranquem os ovários e o útero – antes seguiam aos padres hoje em dia seguem os médicos – e tomam comprimidos para não menstruar e acham que a menstruação é suja e como mulheres “livres” pensam que têm de se libertar disso…e estão a condenar-se à escravidão de um modelo patriarcal que transforma as mulheres em objectos de consumo e de procriação. Elas continuam subjugadas ao poder do homem e estão debaixo do seu controlo a todos os níveis e mesmo inconscientemente quando se julgam independentes…

Elas fogem de si mesmas sempre não se conhecem em essência nem se lembram de um tempo em que realmente foram livresem que dançavam nuas das noites de luar ao sabor dos tambores e dos gritos de êxtase e prazer e viviam a sua sensualidade e a maternidade plenas e se davam umas as outras e aos homens e eram sementes de vida de amor e de luz…
As mulheres esqueceram quem eram e porque o esqueceram hoje as mulheres têm medo delas próprias e das outras mulheres…

Elas foram divididas e viradas umas contra as outras e aceitam esse destino sem se questionar, sem se revoltar, odiando-se umas às outras como eternas rivais….

Por isso elas têm que seguir os padrão dos homens, dos seus mestres e padres…os seus pais são ainda seus mentores, exemplo a seguir…de que são fiéis e orgulhosas e dos seus maridos e donos… o isso tudo foi o que eles lhes impuseram como ordem, como lógica e… depois de séculos terem sido apenas esposas castas e honradas, ou prostituías desprezadas, têm de ser hoje advogadas e médicas e ministras, frias e racionais e fugir de qualquer espelho que a outra mulher, a que ousa ser e ver-se sem medo lhe reflecte…
Estas são as mulheres ainda prisioneiras dos amantes, ou traídas e espancadas pelos maridos, caladas pelos chefes, desprezadas pelos colegas ou exploradas pelos patrões…abusadas em casa, ridicularizadas…sobrecarregas…

Elas são sim, caladas e reprimidas e frustradas…Elas vestem e cultuam a falsa imagem…e fingem-se emancipadas; mas elas traem a sua essência e a sua própria natureza a natureza da terra Mãe. Elas têm o medo de não serem amadas…de serem perseguidas, como no tempo das fogueiras, ou pelos media ou os outros, os que julgam e atiram pedras…mesmo que não sejam lapidadas aqui são julgadas sempre como putas e histéricas senão forem bem comportadas de acordo com as leis e a moral religiosa…
Estas são as mulheres patriarcais. Delas não podemos esperar nada nem amor nem solidariedade. Elas odeiam as mulheres que diferem delas e falam delas com azedume e raiva…

Eis o que eu penso ser a razão profunda e plausível da não aderência das mulheres a um Encontro de Espiritualidade Feminina e preferirem a companhia dos homens…ou de mulheres que falam exclusivamente de homens…são as mulheres que amam demais…os homens e não a si mesmas!
Sem dúvida que mesmo vocês que me lêem vão achar que eu exagero, que não se passa nada disto e que afinal as coisas não são bem assim e até alguma de vocês acabará por mandar-me a mim para o psiquiatra…remetendo-me ao valor do pater…

Não é fácil admitir tudo isto, eu sei. Preferíamos pensar que nada disto é verdade. E no entanto na prática é como estamos manietadas e presas seja no nosso conformismo seja na nossa impotência, na nossa ignorância do que está no âmago do nosso sofrimento em particular.

Porque às mulheres foi destinado um enorme vazio de si mesmas, criada essa separação, essa cisão do seu ser profundo em que elas pensam que a única coisa que as preenchem é um falo…sim um falo, um sexo, um corpo estranho a si pois se sentem incompletas sem um homem OU SEM UM FILHO. Ainda hoje uma mulher sem filhos ou sem homem pensa que falhou a "sua" vida... Porque o seu destino e o sentido único que deram "à sua vida" foi sacrificaram a sua vida própria aos filhos, aos maridos ou aos amantes, destruíram a sua saúde para manter a casa e a família como a sociedade lhe impõe…e os cancros e as depressões e o abandono e todo o sofrimento da mulher votada ao desprezo depois dos 50 anos…ou 60…
Vai mudar este quadro sem que as mulheres se mudem a si mesmas? Não! Porque são ainda estas as mulheres que mantêm este Sistema e o alimentam com a sua atitude de rejeição de si mesmas obedientes filhas do pai que são…

Se me perguntarem se eu tenho esperança nas mulheres, já não sei, mas às vezes tudo o que me resta é mesmo uma fé cega nas mulheres que se erguem e são capazes de se unir contra tudo e lutam para ter uma consciência da grande dimensão do perigo que corremos todas/os e a Terra se não acordarmos para o feminino sagrado e para Deusa e mudarmos este paradigma.

rosaleonorpedro

ADENDA:

Curiosamente no momento em que acabava de escrever este texto recebi este comentário de uma amiga do facebook...

"nfelizmente nós mulheres sofremos muitas condicionantes para agirmos no mundo de forma totalmente masculina. Não estou a dizer que o masculino deva ser banido, mas não acredito que nós mulheres ao copiarmos o jeito masculino iremos a algum... lado. Simplesmente estamos a anular as nossas características mais marcantes, que tanto fazem falta à nossa humanidade. A condição feminina é extremamente importante, e quando tratada com leviandade só pode levar ao caos.
Às vezes penso que em mim já alguma coisa se perdeu, principalmente quando mostro aquilo que não sou, isto só por uma questão de sobrevivência, não de mim mesma, mas de alguém que é mais que a minha própria vida. São estas condicionantes que na maioria das vezes nos fazem ser aquilo para que não fomos talhadas, quando na verdade tudo seria diferente se cada um soubesse ocupar o seu devido lugar, ou seja cada" macaco no seu galho", e não banalizarmos tanto a condição feminina como a masculina. União, complementaridade, comunhão, respeito, valores essenciais que se fazem urgentes à actual humanidade."


Comentário de Ana Paula Dias