sexta-feira, fevereiro 11, 2011

CORPO ALMA E ESPÍRITO


“... o espírito e o corpo são um mediante a alma que está junto ao espírito e ao corpo. Se a alma não existisse, o espírito e o corpo se separariam um do outro pelo fogo; mas se a alma está unida ao espírito e ao corpo, o todo não é afectado nem pelo fogo nem por outra coisa qualquer no mundo.”

O CORPO É VÉNUS...

“O corpo é Vénus e feminino, o espírito é Mercurio e masculino; assim sendo, a alma enquanto “vinculum” entre o corpo e o espírito seria hermafrodita, ou seja uma “coniunctio” de “sol e lua”. O hermafrodita por excelência é o Mercurius. Poderiamos concluir desta passagem que a rainha representa o corpo e o rei, o espírito, mas sem a alma eles não se ligam, pois ela é o “vinculum” que a ambos mantém unidos. Assim, enquanto não existir o laço do amor, a alma não está presente neles. O elemento unificador é, de um lado, a pomba vinda de cima,e, por outro, a água vinda de baixo. Este é o “vinculum”, isto é, justamente, uma substância meio corpória, meio espiritual, uma “anima media natura” (alma de natureza intermédia), como a
definem os alquimistas, um ser hermafrodita que une os opostos, que no indivíduo jamais é completo sem a relação com outro ser humano.

O ser humano que não se liga a outro, não tem totalidade, pois esta só é alcançada pela alma, e esta, por sua vez, não pode existir sem o seu outro lado que sempre se encontra no “tu”. A totalidade consiste em uma combinação do eu e do tu, ambos se manifestando como partes de uma unidade transcendente, cuja natureza só pode ser apreendida, simbolicamnete, como por exemplo pelo símbolo da rosa, da roda ou da “coniunctio solis et luna”. Sim os alquimistas chegaram até a dizer que o “corpus, anima et spiritus” (corpo alma e espírito) da substância arcana são todos três em uma e a mesma coisa, “pois todos vêm do Uno e com o Uno, o qual é a sua própria raiz. Um ser que é fundamento e origem de si mesmo não pode ser outra coisa senão a própria divindade...”

Carl Gustav Jung

Copiado de: http://espelhosdatradicao.blogspot.com/

quinta-feira, fevereiro 10, 2011

CONTINUAR A ESCREVER É SOBREVIVER...



A ESCRITA...

Para mim escrever às vezes é quase rezar...é um acto que muitas vezes me salva...Penso a escrita de mim para mim como um fio que me liga, um cabo magnético invisível, a outro lado de mim mesma, seja o “inconsciente”, seja o supra – consciente, seja o meu duplo...
O que busco é um fio condutor, uma orientação interior, uma voz inaudível, um eco de mim própria que se repercuta através do espaço e do éter e que me traga as minhas células as memórias, mas também me dê respostas...Algo que me ligue o finito que sou ao infinito a que pertenço, que ligue o céu e a terra, que me una ao Cosmos.

Sinto-me tantas vezes como “uma nómada do cosmos” que aterrou aqui ou caí, não de “pára-quedas”, ou num óvni…mas num corpo físico, de matéria...
Um corpo portentoso e frágil, sublime e miserável à vez...Um corpo de carne e ossos, nervos e sangue, um corpo mágico que dói e dá prazer, um corpo que tem um coração que bate e que tem olhos e chora! Que tem alma que encarna e saudades de “casa”, que tem saudades de uma Mãe Original, para além da matéria densa a das leis físicas que o aprisionam à dimensão tempo e espaço.

Por isso te quero Vida…
(...)
Quero-te Terra, Deusa e Mar
Quero-te vida, oceano e sangue e fogo no meu peito,
Quero-te natureza divina e humana, carne e espírito,
Alma encarnada na forja do tempo,
Dos confins do tempo vinda uma e outra vez...
No teu ventre, Mulher-Deusa, eu quero mergulhar!

in "Mulher Incesto" rlp

TODA A DAMA CANTADA...


“A ALQUIMIA DO AMOR”

É o que justifica que idênticos epítetos, tirados do mundo secular, se apliquem por exemplo à Virgem Maria: ”arca, torre, porta, jardim, árvore, fonte, casa, espelho, oceano, lua, estrela, aurora, monte”, como em Angelus Silesius. Sendo a Virgem tanta coisa de tão variada proveniência, o que se conclui é que a sua realidade é “outra”, como Silesius acaba por dizer: “Ela é um outro mundo.” A sua dimensão é espiritual e divina, só por aí por ser entendida.

Toda a dama cantada nestes termos - variados, opostos, não conciliáveis à primeira vista - está a ser espiritualizada e projectada numa dimensão que não é a do mundo. A mulher que o poeta sublima em belos e riquíssimos tesouros, com um corpo que se dilui ora em matérias tão subtis como a luz, esta mulher que se “apura” nos poemas, faz esquecer a amante real que se deseja. (...)

de Y.K.Centeno

terça-feira, fevereiro 08, 2011

A DEUSA PULSA NO CORAÇÃO DE CADA MULHER



"Matar el agradecimiento natural de cualquier criatura hacia su madre, es la base de todo este desastre ecológico"."Busquemos a la madre verdadera, a la madre nutridora, la nutrición desapareció de este mundo con el patriarcado. El resentimiento del hijo/a hacia la madre, se debe a esa falta de nutrición, si bebemos de ella, recuperamos el amor y la plenitud perdida".

IN REVERENCIANDO NUESTRA FEMINEIDAD

É verdade, a maior parte das vezes o que escrevo e os textos que publico, têm mais a ver com o que eu penso e sinto urgente expressar, e esqueço um pouco - é um facto - a carência e a solidão de tantas de nós que nos debruçamos sobre a nossa sombra e mergulhamos na busca por vezes tão árdua do nosso ser profundo. O que sofremos quando nos indagamos quem realmente somos do mais fundo das nossas entranhas e o porquê do que desta nossa divisão e luta e de tudo o que fazem com as mulheres neste mundo e as respostas dos homens e da sua "moral" e "ciência" já não nos dizerem nada...


Sim, por vezes eu esqueço-me de que muitas de nós está completamente sozinha no seu canto, na sua vida, no seio da sua família, e a ter de lutar contra tudo e todos para ser verdadeira, para se conhecer e fiel a si mesma...
Porque este mundo dos homens, a forma como esta sua sociedade está articulada, de forma ostensiva, toda ela feita para não dar nada à Mulher que não obedeça aos seus padrões. Toda a mulher que se busca a si mesma e fuja das normas sociais e daquilo que lhe é imposto por regras estabelicidas há muito, é de algum modo apedrejada pela sociedade e pela família, não digo com pedras, como no Irão, mas nas palavras e na violência verbal ou mesmo física em tantos casos.
A "nossa" sociedade burguesa e a sua Igreja sempre excluiram e condenaram as mulheres que não se enquadravam nos seus moldes restritos e que de algum modo procuravam encontrar uma resposta para si mesmas para lá dos tabus e dos esteriótipos de mãe e amante ou de filha e crente, boa dona de casa e boa católica. E ainda hoje, em toda as esferas da sociedade, isso acontece sempre que a mulher foge dos padrões que a aprisionam a esses esteriótipos...ela é acusada, condenada, apupada e ostrasizada... seja qual for o nível "cultural" do homem...

Os homens, mesmo os que se dizem evoluidos...tipos "new age" e que se apresentam como os melhores, parte de uma elite, muito espiritualizados... continuam a rejeitar a mulher que lhes escapa ao controlo e muitas vezes são umas bestas para as próprias mulheres...mesmo esses, não suportam perder o domínnio da mulher e a sua sujeição ao macho e mestre...
Olhem bem a volta e verão muitos exemplos disso.
Ainda ontem, inesperadamente, uma senhora comentava na Televisão como é que num país tão pequeno como o nosso, no anos passado, foram assassinadas 40 mulheres pelos maridos amantes e namorados...
Por tudo isto eu não quero esquecer cada uma de vocês que me acompanha, nem o que sofrem nem o que passam no vosso dia a dia... e eu não esqueço esta ligação do coração à Deusa que nos une e como diz uma amiga neste trecho que lerão de seguida, dessa conexão "inexplicável que me faz sentir, por mais que eu esteja a milhas de distância, conectada a cada mulher da Terra"...

E com ela diz, espero escrever muitos mais textos do coração...

- "Esse foi um texto do coração, Rosa... e seus sonhos se mesclam aos meus. Seus sentimentos se mesclam aos meus. Apesar de todas as adversidades, apesar de todas as provações e todas as diferenças, a Deusa que pulsa no coração e no útero de cada uma de nós, é a mesma. E é essa Deusa que nos faz ter nada e tudo em comum ao mesmo tempo. A conexão não se faz apenas pelo modo de pensar, no qual as divergências naturalmente existem, mas também pelo modo de sentir... essa coisa inexplicável que me faz sentir, por mais que eu esteja a milhas de distância, conectada a cada mulher da Terra. É mais que telepatia, é uma identificação, uma essência, um cheiro... é realmente mágico.Deusa a abençoe por continuar promovendo o despertar dessa consciência, Rosa Leonor. Ela pôs esse desejo em sua alma e te destinou a grandes coisas, e você sem perceber as fez. E guarde em seu coração a certeza de que não estará sozinha. "* (*leitora anónima)

rosa leonor pedro

CAMINHAMOS JUNTAS...


Queria agradecer a todas as Mulheres & Deusas que têm passado por aqui e deixado o seu testemunho e a sua contribuição tão valiosa para o Caminho que todas procuramos trilhar....dentro e fora de nós.

Eu sei que por vezes há pequenas divergências, diferentes pontos de vista, talvez até experiências discordantes, mas apelo a todas as irmãs tantos as mais velhas como as mais novas que se não deixem desalentar e continuem a investir em si mesmas e a confiar na Deusa e nas irmãs que estão a tentar manter-se fiéis a si próprias e ao caminho que escolheram...

Apesar de todos os conflitos e barreiras das suas vidas pessoais, das suas circunstâncias de vida tão adversas...eu creio que um dia elas se darão as mãos e receberão o fruto do que semearam...
Eu sei que há os namorados e os maridos e os filhos...eu sei que algumas de vós se sentem prisioneiras dessas circunstâncias, outras que lhes dão prioridade, outras que se revoltam e nada podem fazer, mas todas as situações da vida nos permitem fazer, melhor ou pior, o trabalho que precisamos fazer para resgatar a nossa natureza profunda.
Não creio que seja fácil manter uma coesão nem uma linha firme no caminho de nós mesmas, na busca do nosso centro e na integração do feminino sagrado...

Muitas de nós nem sonha o que isso é, mas intui e vem devagar com os seus sonhos e indícios, tateando no escuro...buscando a experiência de mulheres mais velhas...outras se indignarão com o meu discurso...julgarão que condeno o amor dos homens...mas não. Apenas defendo que se a mulher não se amar a si mesma e não se conhecer na sua totalidade nunca ela poderá ser amada como sonha ou espera e esse é o seu velho drama.
É que o meu sonho...o meu grande sonho era ver todas as mulheres unidas a construir um Mundo mais justo, uma Terra mais sã...relações humanas mais fecundas e em vez do dinheiro a comandar o sonho fosse o amor...e a paz.

Ah e dizem, porquê só falo das mulheres e então os homens? É simples minhas amigas...é que o mundo foi regido desde há milénios por homens e as mulheres ficaram de fora....reduzidas a pouco mais do que metade de uma metade da humanidade Homem.

rosaleonorpedro

PS
Sem vocês...sem o vosso alento sem nós todas, cada uma de nós, mesmo que invisíveis ou silenciosas - eu tenho a Artemísia comigo há uma década - nós seriamos muito mais vulneráceis e muito frágeis do que já somos...isto é, do que nos fizeram...porque nós somos a Força do Mundo e o seu suporte e sempre o fomos mas sempre nos disseram o contrário...agradeço a cada uma as palavras de amor e a minha vontade de dar tudo cada vez mais também aumenta...é sempre proporcional...ao amor que recebo!

segunda-feira, fevereiro 07, 2011

O RESGATE DO PRINCÍPIO FEMININO


POR: Leonardo Boff

O poder é uma das características fundamentais do masculino no homem e na mulher. O poder na forma de dominação, entretanto, representa uma patologia. Por isso, nossa civilização, estigmatizada pela dominação em quase todas as áreas, produz a inflação do masculino, do patriarcalismo e do machismo. São produtos do patriarcado o tipo de ciência que praticamos e o tipo de desenvolvimento que operamos. Ambos são reducionistas, fragmentados e excludentes da natureza e da mulher. Nesta forma, o poder-dominação não desumanizou apenas os homens, mas também as mulheres. Os homens recalcaram sua dimensão de anima e não permitiram que as mulheres realizassem sua dimensão de animus. ***

Em razão dessa errância, fica claro que a questão do masculino, nos dias de hoje, reside no feminino negado, reprimido ou não integrado.
Para ser plenamente humano, o homem precisa reanimar nele o seu feminino e reeducar o seu masculino. Somente então podem ambos, homem e mulher, entreter relações civilizatórias, humanitárias e realizadoras do mistério humano feminino-masculino.

A grande tarefa civilizacional, talvez a mais urgente nos dias atuais, consiste no resgate do princípio feminino. Chamo atenção para o fato de que não falo de categoria feminino/masculino, mas de princípio feminino/masculino. Afasto-me decididamente da ideologia do gênero, sexista, baseada no sexo biológico, que constrói social e culturalmente as categorias do masculino e do feminino de forma dualista e excludente. Ela distribui os papéis, os valores e os antivalores: a criatividade, a atividade e a violência tributados ao masculino; e a passividade, a receptividade e a não-violência, ao feminino.

Precisamos ultrapassar essa visão excludente e entender a sexualidade num nível ontológico, não como algo que o ser humano tem, mas como algo que ele é. O masculino não diz respeito somente ao homem, mas também à mulher. O feminino não ganha corpo apenas na mulher, mas também no homem. Esse feminino representa o princípio de vida, de criatividade, de receptividade, de enternecimento, de interioridade e de espiritualidade no homem e na mulher. Portanto, trata-se de um princípio inclusivo e seminal que entra na constituição da realidade humana.

O resgate do princípio feminino junto com o do masculino propicia uma nova inteireza à humanidade, ao transcender as distorções na relação homem-mulher e ao ultrapassar o sexo biológico de pertença. Significa não somente libertação dos humanos, especialmente da mulher, mas também da natureza e das culturas não estruturadas no eixo do poder-dominação, equiparadas ao fraco e ao frágil - portanto, ao feminino cultural.

A recuperação do princípio feminino permite um processo de libertação mais integral e verdadeiramente includente, pois parte do feminino oprimido. O oprimido tem um privilégio histórico e epistemológico pelo fato de possuir uma percepção mais alta que inclui o opressor enquanto ser humano. O opressor exclui o oprimido, pois o considera uma coisa ou um ser humano menor, subordinado e dependente. A libertação deve começar pelo oprimido para acabar com o opressor. Só então ambos se encontram sobre o mesmo chão comum, como humanos, construindo juntos, na igualdade e na diferença, a sociedade e a história.

A inclusão do princípio feminino obrigará toda a cultura masculinizante a questionar seu paradigma fundacional. Ele radica-se no poder-dominação, hoje vastamente em crise. O pensamento da crise, no interior do mesmo paradigma, não pode trazer soluções. O veneno que mata não pode ser o remédio que cura. Os únicos que podem oferecer algo alternativo e terapêutico são aqueles que foram vistos como incapazes de pensar, por não serem suficientemente racionais e produtivos. Ora, os que pretendiam trazer as luzes (os iluministas) nos conduziram às trevas atuais. Os que se propunham a difundir a razão, a ciência e a técnica por todos os quadrantes nos estão conduzindo ao pior, à destruição e ao desaparecimento.

O princípio feminino é sanador e libertador, pois se move num outro paradigma e opera numa outra lógica. Seu paradigma básico é a vida, e não o poder; o respeito e a veneração pela vida, e não a agressão e a dominação. A lógica da vida não é a redução e o isolamento, arrancando os seres do seu meio real e analisando-os em si mesmos ou manipulando células, genes e microorganismos fora de seu ecossistema. A lógica da vida é a complexidade, é a teia de interações em todas as direções e em todos os lados, é a sinergia e a panrelacionalidade.

Ora, o feminino consiste na capacidade de viver o complexo, de elaborar sínteses, de cultivar o encantamento do universo, de cuidar da vida, de venerar o mistério do mundo, de elaborar um desenvolvimento com a natureza, e não contra ela, de alimentar o esprit de finesse para contrabalançar o esprit de géometrie.

O feminino - porque obedece à lógica do complexo e porque naturalmente é inclusivo - representa o único caminho para a humanidade, para um planeta sustentável e para a convivência pacífica e solidária entre o Norte e o Sul.

A introdução do princípio feminino representa um desafio ao paradigma machista, cujo desenvolvimento e prática técnico-científica implicou o domínio, a destruição, a violência, a expropriação e a marginalização da mulher e da natureza, hoje considerados supérfluos. O princípio feminino propicia uma economia política da vida, devolve importância à natureza, resgata o sentido da Terra como Grande Mãe, superorganismo vivo, Gaia e Pachamama. Ele se transforma num caminho não violento de interpretação e transformação do mundo, num reforço de todos os processos sinergéticos que respeitam a diversidade e que nela buscam convergências que interessam a todos, o bem comum humano e sociocósmico.

O homem que evoca em si e integra sua dimensão de anima incorpora, junto ao seu vigor, a ternura; junto ao trabalho, a gratuidade; junto à razão, a emoção; junto ao logos, o pathos e o eros. Ele emerge mais humano, relacional e liberto das malhas que o desumanizavam e desumanizam a mulher e a natureza. Agora, diferentes e juntos, podem construir o humano de forma mais dialética, tensa, dinâmica, aberta a novas e surpreendentes sínteses.

Copiado de: http://grupelho.com/textos/principiofeminino.htm


NOTA À MARGEM:

O QUE OS HOMENS NÃO PERMITIRAM A MULHER VIVENCIAR E EXPRESSAR FOI JUSTAMENTE A SUA DIMENSÃO DE ANIMA...


Neste texto tão correcto e lúcido de um grande homem que faz justiça e traz luz a um dos aspectos mais complexos e difíceis da nossa sociedade de hoje, eu só discordo de um ponto e faço questão de o salientar porque me parece um "erro" grave... quando ele diz nesta frase: "Os homens recalcaram sua dimensão de anima e não permitiram que as mulheres realizassem sua dimensão de animus." Eu penso que o que aconteceu foi que os homens proporcionaram á mulher sim, desenvolver em excesso o seu aspecto animus...e não o seu aspecto anima, decerto; a meu ver dá-se precisamento o contrário do que ele afirma. E de tal modo as mulheres desenvolveram o seu aspecto masculino que hoje em dia poucas ou raras mulheres são verdadeiramente femininas e o feminino que vemos nos filmes e nas modas - a sua estética - é o feminino que os próprios homens inventaram e que não passa de um mero travesti da verdadeira mulher e que eles por sua vez também se travestiam quando o seu lado feminino se manifesta em excesso e deturpadamente.

A questão como diz o autor nada tem a ver com géneros pois "Precisamos ultrapassar essa visão excludente e entender a sexualidade num nível ontológico, não como algo que o ser humano tem, mas como algo que ele é." e afasto-me igualmente, pois sempre mantive essa posição "da ideologia do gênero, sexista, baseada no sexo biológico, que constrói social e culturalmente as categorias do masculino e do feminino de forma dualista e excludente."

Rosa leonor pedro
Texto e Citações de Leonardo Boff

sábado, fevereiro 05, 2011

A NOVA MULHER É VELHA COMO O TEMPO...


"Eu sou jovem, acredito eu, saindo da adolescência, ainda.
Arrumei a mesa para o almoço e minha avó entrou em casa. Vendo a mesa, ela me congratulou "Você é uma mulher de verdade. Tudo arrumadinho, é assim que eu gosto de ver."
Realmente me surpreendi com esse comentário. Será que ser mulher é ser dona de casa?
O "ser" da mulher se perdeu, e eu, como tantas outras, vago perdida tentando achá-la. Acredito que seja ainda mais difícil quando as mulheres a sua volta usam tapa-olhos e máscaras, pensando apenas como a sociedade patriarcal (como brasileira, vejo claramente as influencias de um cristianismo doentio aqui) lhes ordena. Nada tenho contra Cristo, mas sim contra seus sacerdotes autoritários e mesquinhos.

Seu blog me ajuda muito na minha busca, mas em minha mente ainda paira a pergunta: "O que é uma mulher?". A mulher que desejamos, nós duas, que fosse a mulher real - as grandes sacerdotisas livres de amarras, que fariam qualquer coisa sem perder sua dignidade, de tão forte sua ligação com a Deusa, ainda está por vir. E, por enquanto, esse fantasma da mulher real é o que temos de começar a contornar e colorir novamente.
Às vezes me pergunto como sou capaz de viver em um país onde 'ser mulher' é pôr a mesa do café da manhã e servir aos homens.
Com todo o amor da Deusa que possuo em meu coração, esperando um ambiente menos hostil para ser devidamente liberto, peço que a Deusa a abençoe, Rosa Leonor."


QUEM É A MULHER?


Minha querida, o que seja a MULHER, a mulher inteira, a mulher que está adormecida na mulher… é JÀ a mulher que no fundo de si mesma se pergunta quem é e que a partir daqui começa a interrogar-se e ousa ser aos poucos aquilo que em si adivinha e que vai descobrindo e vai ousando cada vez mais a ser aquilo que sente - ainda que com todo o cuidado (é precisa muita atenção ao que a rodeia) para não criar reacções, para não ser esmagada…Ela não deve expor-se inutilmente …
Sim, essa MULHER é já você em potencial, é já a mulher que se interroga como é que possível que a sua avó ache que ser mulher é por bem a mesa e servir o homem e ter filho e cuidar deles exclusivamente ou ajudar o marido com trabalho remunerado para comprar um carro…etc.
O que nos aprisiona ainda, mesmo que as aparências das coisas mudem, é esta velha história das mulheres domésticas e domesticadas em casa ou no trabalho para criar filhos e cuidar dos maridos, muito antiga, a história que nos foi contada desde que nascemos; é esta a carga que passa de avós para netas e de mães para filhas que se repete há centenas de anos e pouco mudou na verdade para a grande maioria das mulheres no mundo. Mas não pense que noutros países ou na Europa é muito diferente daí porque as diferenças são só aparentes…
Hoje há muitas mulheres que se julgam “livres”, que são formadas e executivas, polícias e militares, médicas e engenheiras professoras e até presidentes…uma enorme percentagem de mulheres nas universidades na Europa e no mundo ocidental, mas imagine que afinal elas continuam presas aos maridos que as controlam (doentiamente e a quem elas obedecem para não perder a casa e o conforto etc.) e aos filhos e são sobrecarregadas, tendo o dobro do trabalho e das ralações e …das doenças…
Elas continuam a ser vítimas de violência doméstica e as próprias universitárias na Europa são espancadas pelos namorados e julgam-se livres, mas os homens o que fazem é continuar a castigá-la por essa liberdade que dizem aceitar mas que inconscientemente não aceitam e continuam sim a odiar as mulheres mesmo quando dizem que as amam…
É verdade que no ocidente as mulheres têm tudo…têm roupa cara e casas enormes e carros e férias aqui e ali…e fazem operações plásticas (estéticas) e se despem e também usam os homens quando querem… Mas é isso que interessa às mulheres, que tarde ou cedo acabam sempre abandonadas rejeitadas sozinhas a lutar contra tudo e contra todos, nomeadamente contra as outras mulheres que elas acham que são sempre as culpadas das suas desgraças…?
Sim, as mães e as irmãs as filhas ou as rivais…
Hoje as universitárias também são livres, mas muitas não casam e tornam-se acompanhantes de luxo, prostitutas caras, já não são as mulheres da rua e umas desgraçadas expostas aos gigolôs, mas são vestidas por estilistas e têm carros de marca… e acompanham os homens ricos a reuniões de negócios e festas…

AS MULHERES EM TODO O MUNDO ESTÃO DIVIDIDAS em categorias, não são só as diferenças de classes…mas uma diferença na pele; elas continuam a ser as esposas ou as prostitutas…só que agora são umas engenheiras e doutoras e outras…artistas, cantoras ou modelos… Mas são elas sempre as sacrificadas nas relações, são elas que tomam a pílula…e sofrem das doenças sexualmente transmissíveis…morrem anorexia ou de sida e são exploradas por máfias.

E foram essas religiões de que fala que fizeram essa separação, que se mantém no inconsciente colectivo…que se mantém na cultura social actual, na psicologia das massas; e é essa Igreja sim que condenou as mulheres ao martírio, às foguearias e ao pecado, é essa mesma Igreja que domina o mundo ainda com os seus dogmas e preconceitos e tabus, sempre contra as mulheres, mas ainda é pior nos países orientais onde em nome de outros deuses, a mulher é vendida e desde menina explorada sexualmente ou morta por adultera à pedrada, a quem não se dá a menor importância, muitas nem têm nome ou data de nascimento.

Você pergunta o que é a mulher…e eu digo-lhe, a Mulher-Mulher ainda não existe, ela foi apagada da história, foi dizimada, foi anulada como ser, transformada num verbo-de-encher tornada uma mula de carga, o bode expiatório dos homens, explorada sexualmente e violada, espancada e morta em todo o mundo em todas as sociedades…em África na Índia e no Irão…
Mas a mulher verdadeira a mulher primeira, a Mulher ancestral que um dia foi livre e senhora de si voltará a ser ELA dentro de cada uma de nós.
Ela renascerá em cada nova mulher que como você se pergunta QUEM É A MULHER em si e basta-lhe ouvir o ECO da Deusa Mãe no mais fundo do seu coração, no mais fundo da sua alma e do fundo do seu Útero que a sua resposta virá.
Então sim, saberá a resposta dentro de si mesma porque ela foi semeada no início dos tempos e este é o tempo do seu resgate, o tempo de grandes mulheres que vão começa a contar a História daquela que foi esquecida e condenada aos infernos pelos patriarcas…
Essa Mulher é LILITH e ela tem a Chave da nossa história e com ela as novas mulheres que são velhas como o tempo, surgirão de todos os lados, de todos os continentes…unidas, brotando como flores sobre a planície deserta e seca e semeando frutos de consciência e de amor em seu redor dando-se as mãos e não mais inimigas umas das outras…essas são as mulheres em que eu creio e sei que virão…em breve…elas estão a acordar do maldito sonho que as aprisionou ao Pai e ao Filho! Elas serão Mãe e Filha e iniciarão o novo homem ao amor da Natureza, da Terra, da Deusa e da Mulher.

rleonorpedro

quinta-feira, fevereiro 03, 2011

¡¿En qué mundo vivimos?!


Chelo Álvarez-Stehle

La voz de las esclavas del siglo XXI
18.12.10 - 00:26 - J. SAINZ LOGROÑO.


- La periodista riojana lleva trece años denunciando el 'trafficking' en países como India, Japón o Estados Unidos.Chelo Álvarez-Stehle presenta su trabajo sobre explotación sexual.


«La explotación sexual siempre me ha hecho rebelarme contra el silencio tabú que impone».


¿Quiere datos o quiere historias? Ahí van algunos datos del Departamento de Estado norteamericano: 27 millones de personas en todo el mundo sufren algún tipo de esclavitud en la actualidad; un millón de niños al año son víctimas de explotación sexual; la mitad de las víctimas del tráfico internacional de personas son niños; el 80%, mujeres y niñas; el llamado trafficking se extiende por 161 países; el ‘negocio’ genera unos beneficios estimados en 32 billones de dólares...

¿Prefiere historias? Cada dato tiene una. Ahí va la historia real narrada en primera persona por Virginia, mexicana secuestrada a los quince años por una banda de tráfico sexual: «Me golpearon y cuando me desperté estaba en una casa abandonada tirada en el suelo, desnuda y con mi niña también sin ropa. Nos tomaron un vídeo y nos hacían bailar desnudas para los hombres. Y, como yo todavía daba el pecho, la leche caía por mi cuerpo (...). Nos hacían que nos sentáramos en las piernas de ellos y eso era el enfoque de todo mi sufrimiento, que nos estuvieran prostituyendo».
Es uno de los testimonios recogidos en el documental ‘Sands of silence’ (‘Arenas de silencio’, que puede verse en www.sosdocumentary.org) de la periodista riojana Chelo Álvarez-Stehle. Esta mujer lleva trece años denunciando la trata de personas por medio de su trabajo creativo de alcance social. Trabajó en Japón para proyectos documentales de la NHK y fue corresponsal del diario español El Mundo primero en Tokio y luego en Los Angeles, donde reside desde 1995.
Sus trabajos en prensa sobre tráfico humano se han publicado en todo el mundo. Canal + España se inspiró en uno de sus reportajes sobre tráfico entre Nepal e India para el documental ‘Niñas de hojalata’, que dirigió Miguel Bardem y en el que ella trabajó como entrevistadora, asistente de dirección y consultora. En Nepal cofundó el proyecto Masala, una iniciativa de generación de ingresos para supervivientes del tráfico, que incluye una fábrica de especias y micro-granjas.
A la venta en USA
Estos días se encuentra en España, donde el próximo martes presentará en Logroño, su ciudad natal (21 de diciembre a las 20 horas en el Centro Cultural Ibercaja-Portales), una selección de su trabajo documental sobre la trata de personas en América y un videojuego educativo sobre la misma temática (SOS Slave), aún sin concluir y para el que busca financiación.
Además de su compromiso por informar sobre una realidad muy extendida en el mundo y socialmente consentida incluso en países occidentales como España, Álvarez-Stehle participa en diversos proyectos en favor de las víctimas. «Siempre me he sentido interesada por este tema –afirma–, porque, como mujer, una misma puede ser víctima o conocer a alguien que lo sea. La explotación sexual siempre me ha hecho rebelarme contra el silencio tabú que se le impone».
Su trabajo le hace llorar a menudo. ‘Sold in America’ (‘De venta en USA’, www.soldinamerica.net), es un documental cuyo estreno mundial se realizó en el Festival de Derechos Humanos de Montreal. «El reportaje sumerge al espectador en el mundo de la trata de mujeres en Estados Unidos a través de la experiencia de tres supervivientes vendidas en esclavitud siendo niñas».
Pese a todo, ella procura enfocar su labor en positivo: «Un brujo compra a María por 200 dólares como esclava sexual. A Miriam la vende su tío a hombres mayores los fines de semana. Y el novio de Michele la obliga a prostituirse en moteles. Contra todo pronóstico, María, Miriam y Michele se han convertido en voces de esperanza para quienes siguen hoy en cautiverio y en una llamada apremiante a la concienciación y prevención de la esclavitud del siglo XXI».

¡¿En qué mundo vivimos?!

- Por qué se especializó en este tema?
- Siempre me he sentido atraída por este tema, quizás porque, como mujer te das cuenta de que o eres víctima de acoso sexual o conoces a alguien que lo es. Es algo que crecemos con ello a nuestro alrededor y hay un silencio tabú y un estigma. Siempre me ha hecho rebelarme la explotación sexual de la mujer, en la televisión o en cualquier otro sitio. El culto al cuerpo, la mujer objeto… Me he rebelado porque los medios y todos tenemos mucha responsabilidad en cómo educamos a la sociedad.
- ¿Cómo empezó?
- Empecé en Japón con el tema de las coreanas esclavizadas para satisfacer sexualmente a los soldados del ejército japonés durante la Segunda Guerra Mundial. Luego estuve en Nepal. Allí trabajé sobre todo tipo de explotación de la mujer y finalmente me centré en el tema de la trata de personas con fines sexuales porque todavía no se había oído hablar mucho de ello en los países occidentales. A raíz de varios reportajes me llamaron de Canal + y surgió el proyecto de llevar al documental el reportaje sobre tráfico de niñas de Nepal a India. Al volver a Estados Unidos me di cuenta de que eso no estaba ocurriendo sólo en países como Nepal, estaba ocurriendo también en Estados Unidos. Empecé a investigar y vi que había muchísimas mujeres traficadas y que casi no se hablaba de ello públicamente. Esto era hacia el 2002. Desde entonces la gente viene a mí a contarme su historia. Tengo la impresión de que tengo la responsabilidad de contar estas historias para poder influir en las leyes.
- ¿De qué modo?
- Es importante que hagamos llegar la voz de estas mujeres que no están en el negocio de la prostitución porque quieren, algunas sí, pero muchas de ellas han sido traficadas contra su voluntad. Tenemos que saber identificarlas y darles voz. En Estados Unidos, por ejemplo, a raíz de estos documentales, las fuerzas del orden han puesto en marcha cursos de formación para sus agentes para que sepan distinguir los casos, casos que antes se trataban por igual.
- ¿En España?
- Conozco poco la situación en España, pero es sabido que España es uno de los diez países con más trata de personas en el mundo. Es alarmante. Quiere decir que estamos descuidando ese tema o que hay una ‘cultura’ de permisividad con el tema de la prostitución en general; como que no estamos concienciados en saber si esas prostitutas cuyos servicios estamos pidiendo están ahí por su propia voluntad o no. ¿Cuál es su historia? ¿Por qué están aquí? El problema es la demanda. Si no hubiese demanda no habría prostitución y no habría tráfico. ¿Qué pasa con la demanda en España? Es inaceptable. Hay muchos hombres que consideran que está bien ir a solicitar los servicios de una trabajadora sexual y sus mujeres se lo permiten. Yo pensaba que esto pasaba hace cuarenta años, pero sigue pasando.
- Su trabajo periodístico se centra en las víctimas. ¿También ha investigado las mafias del tráfico y la extorsión?
- Las mafias son muy difíciles de investigar porque son subterráneas, obviamente. Y también es difícil llegar a las mafias a través de las muchachas porque están intimidadas y sus familias, amenazadas. Esto ocurre en todo los países, desde Nepal hasta España. Si ellas no denuncian, no hay forma de llegar a los traficantes. Empieza a haber fórmulas de protección legal, pero sigue siendo difícil. Además, ocurre que muchas chicas, después de años de prostitución deciden entrar en el sistema y se convierten en ‘madamas’ de otras chicas.
- ¿Las víctimas llegan a liberarse alguna vez?
- Hay de todo. Yo he conocido gente de Nepal que se escapaba de los burdeles de la India, de Bombay, de Calcuta o Delhi, por el alcantarillado. Pero la policía, pagada por el propio burdel, se encarga de atraparlas y devolvérselas. Yo creo que el esclavo siempre está tratando de escapar. Hay algunas mujeres que no, que se dan por vencidas y que se convierten en pequeñas ‘madamas’. Eso también lo he conocido en Estados Unidos: una mujer al frente de un burdel de lujo en Las Vegas que había sido víctima de tráfico y ahora era ella quien lo hacía con otras chicas. Es difícil, pero lo normal es que todas intenten escapar. Aunque algunas son tan maltratadas que la libertad no la tienen ni en el horizonte mental. Lo que les hacen es una tortura brutal.
- ¿Qué medidas legales hacen falta?
- Es una problemática que hay que tratar con prevención, pero también hay que aplicar las leyes o articular leyes a favor de las víctimas. El mayor obstáculo, la razón por la que el tráfico se ha extendido de tal forma es porque las fuerzas del orden han estado tradicionalmente en contra de las víctimas pensando que no eran víctimas, sino que se prostituían por su propia voluntad.
- Personalmente, ¿qué recuerdo es el que más le ha marcado?
- Haciendo este trabajo he llorado mucho. Es un trabajo desgarrador. Pero siempre recuerdo una escena rodando ‘Niñas de hojalata’: en un burdel en Bombay vi a una niña que tenía a su bebé debajo de su catre, del catre donde recibía a los clientes. Alguien nos había dicho que los niños que nacen en el burdel, se crían en el burdel y que incluso algunos clientes terminan por abusar del niño después de hacerlo con la madre. Allí se me cayó el alma a los pies: el niño viviendo la explotación de su madre y siendo explotado a su vez. Aquello me conmovió mucho. ¡¿En qué mundo vivimos?!

quarta-feira, fevereiro 02, 2011

A 13 QUE VEM...


A PROCURA DO GRAAL

“A Procura do Graal, é a uma luta sangrenta entre os membros de uma comunidade para se apropriarem da Soberania, sendo essa soberania a Mulher, a Rainha ou a Deusa, imagem simbólica da Mãe toda-poderosa de quem nós somos todos filhos/as”. É a mudança dessa soberania, que não estando mais no poder da mulher, mas dos homens que se torna agressiva e o cimento de estruturas da nova sociedade masculina.
(…)
Para reencontrar na plenitude a Deusa do começo do mundo, é necessário destruir os monstros caóticos e tenebrosos que se interpuseram entre o herói e a Dama da Luz.

Assim pode aparecer a misteriosa Dana, da qual os irlandeses tornaram a Mãe dos Deuses, que os Bretões reconheceram, mesmo que inconscientemente, sobre os traços de Santa Anna, aquela que pode tomar os nomes de todos os rostos, A Mulher Sol. “A 13ª que vem, é ainda a primeira” disse Nerval. Com efeito ela é sempre a Única. Ela transporta nas suas mãos o Graal de onde emana uma luz que surge de lado nenhum. Basta sabê-lo.”


Jean Markale
in La femme celte

PÁSSAROS DO CÉU...


Se não falas, vou encher o meu coração
Com o teu silêncio, e aguentá-lo.
Ficarei quieto, esperando, como a noite
Em sua vigília estrelada,
Com a cabeça pacientemente inclinada.
A manhã certamente virá,
A escuridão se dissipará, e a tua voz
Se derramará em torrentes douradas por todo o céu.
Então as tuas palavras voarão
Em canções de cada ninho dos meus pássaros,
E as tuas melodias brotarão
Em flores por todos os recantos da minha floresta.


Rabindranath Tagore