O CULTO DO RAPAZ BONITO
E O ADOLESCENTE GREGO…
VERSUS MODA MULHER/RAPAZ (BONITO)
O CULTO DE APOLO - A NEGAÇÃO DA MULHER E DA NATUREZA
“O rapaz bonito é uma censura à mãe
natureza, uma fuga ao labirinto do corpo, com as suas lúgubres entranhas,
o seu útero sombrio. A mulher é o miasma dionisíaco, o mundo dos
fluidos, o pântano ctónico da procriação. Atena, diz Campel não estava
“corrompida pela prosaica sisudez de um
compromisso heterossexual com a mera existência”. Sim, a
mera existência é de facto recusada pelo idealizante estilo apolíneo. Um divino
privilégio dos homens é o de criarem ideias mais grandiosas do que a natureza.
Nascemos na indignidade do corpo, com os seus infatigáveis movimentos internos
empurrando-nos minuto a minuto em direcção à morte. Mas o apolinismo
grego, ao congelar a forma humana numa absoluta exterioridade masculina,
representa o triunfo do espírito sobre a matéria.
Quando mata a Piton
em Delfos, o umbigo do mundo, Apolo detém o curso do tempo, pois a
serpente enrolada que trazemos no abdómen é o eterno movimento ondulatório da
fluidez feminina. Todo o rapaz
bonito é um Ícaro ascendendo para o sol apolíneo. Mas se ele
foge do Labirinto, é apenas para se precipitar no mar de dissolução da natureza.
Os cultos da beleza têm sido persistentemente homossexuais, desde a antiguidade
até aos salões de cabeleireiro e casas de alta-costura dos nossos dias.
O embelezamento profissional das mulheres
às mãos dos homossexuais masculinos é uma espécie de reconceptualização dos
factos brutos da natureza feminina. Como fin de siecle
oitocentista, os estetas são sempre homens, nunca mulheres. No lesbianismo não
existe nada que se assemelhe à adoração grega pelo adolescente.
A grande
Safo pode ter-se apaixonado por raparigas, mas tudo indica que ela
interiorizava, mais do que exteriorizava, as suas paixões. (…) É por
demais evidente que o lascivo deleite do olhar não existe no erotismo feminino.
O idealismo visionário é uma forma de arte masculina. Uma esteta lésbica é coisa
que não existe. Mas se existisse seria a partir da perversa mente masculina
A intensa busca da beleza através do olhar
é uma forma apolínea de rectificar a vida no nosso corpo, nascido de uma mãe.
Suspenso no tempo, o rapaz bonito é uma fisicalidade desprovida de
fisiologia. Ele não come, não bebe nem se reproduz. Dionísio está
profundamente imerso no tempo – ritmo, música, dança, embriaguez, gula, orgia.
O rapaz bonito flutua como um anjo acima do
turbilhão da natureza. Também no judaísmo os anjos desafiam a feminidade
ctónica. É por isso que o anjo, embora sem sexo, é sempre
representado como um jovem do sexo masculino. As religiões orientais não têm
nada de similar aos anjos de pureza incorpórea, e isso por duas razões.
Primeiro, porque um “mensageiro” (angelos) ou mediador entre humano e divino é
para eles algo desnecessário, já que consideram que as duas esferas são
coexistentes; e segundo porque
no Oriente
existe uma relação harmónica e simbolicamente equivalentes entre o feminino e o
masculino – o que não significa, contudo, que isso tenha contribuído para
melhorar o estatuto da mulher.
O rapaz bonito de faces coradas representa a frescura emocional, a
Primavera. Ele é a afirmação parcial acerca da realidade. É exclusivo,
é um produto do gosto aristocrático. Ele recusa a superabundância da matéria, o
útero da natureza feminina que devora e cospe as criaturas. Dionísio, dissemos
nós atrás, é Múltiplo, sempre mutável e que tudo abarca. A totalidade da vida é
Verão Inverno, floração e devastação. A Grande Mãe, simultaneamente benévola e
malévola, representa ambas as estações. Se o rapaz bonito é branco e rosado, ela
é o vermelho e púrpura das suas fauces labiais. Ele representa uma desesperada
tentativa de apartar da imaginação a morte a decadência.
É a forma a separar-se da criadora-de-formas, a natura
naturata a sonhar-se livre da natura naturata. Qual epifania,
criada pelo olhar, ele aglutina a pluralidade na fugaz visão do único, tal com o
faz a prórpia arte.”
Camille Paglia in Personas Sexuais pag.s 127/8
A MULHER
ACTUAL
E
ste texto, cuja leitura para mim se baseia numa interpretação
cultural do nosso mundo por uma escritora acutilante e cultíssima, escreve de
uma perspectiva global e abrangente sobre a história e a arte, a partir dos
opostos masculino-apolíneo e feminino-ctónico. E é a sua visão particular de
como essa separação funciona no nosso mundo cultural de facto, com a qual eu não
concordo em muitos aspectos, embora o que eu queria aqui destacar e do meu ponto
de vista pessoal é ver como esses aspectos aqui focados estão patentes e se
reflectem nos relacionamento entre as ditas "personas sexuais" (que somos
todos), mas particularmente entre a mulher e o homem de hoje. Para mim o que é
mais curioso ou espantoso é ver como a mulher com quem eu falo e conheço…se
anula a si mesma e em muitas circunstância que não são só o casamento, nessa
pretensão e vontade do homem de a transformar num rapaz bonito (a Moda), quer do
lado mundano, social comum, quer também no lado espiritual new age através dos
conceitos de uma pretensa nova espiritualidade, que transforma igualmente as
mulheres em anjos, (rapazes bonitos e puros). Também esta "nova espiritualidade"
continua a negar a mulher original e a negar-lhes a feminilidade essencial,
ctónica, na forma dos seios abundantes, nas formas arredondadas ou na gordura,
(tirando a pornografia que procura sempre aviltar a mulher e representa a posse
e o ódio do homem à mulher e a vontade de violação -agressão) como até mesmo
lhes retira as entranhas e aí muito particularmente toda a ciência se encarrega
de limpar as mulheres das suas vísceras. Quando a medicina "preventiva" lhes
arranca o útero e os ovários e mesmo as seios, com a maior das facilidades, está
a obedecer a esse imperativo do mundo apolíneo que abomina a mulher e a
natureza. Fazem-no, dizem, para “prevenção” das doença do colo do útero, e
forçam-nas a tomar desde cedo toda uma série de comprimidos e artefactos para
esconder ou interromper a menstruação, afectando todos os processos naturais da
vida da mulher e os seus ciclos, começando pelos anticoncepcionais de que a
mulher é escrava para não engravidar…e ter de obedecer como cobaia a todos os
apetites do homem sobre o seu corpo-objecto-rapaz-bonito. Portanto o rapaz
bonito, seja ele homossexual ou não, é o modelo inconsciente de beleza da nossa
sociedade e admirado por homens e mulheres.
Esse rapaz bonito enquanto homossexual (ou não) recusa a sua mãe
(por excesso de afecto ou por carência) – ou o ter sido concebido por ela - ou
quer ser ele a mãe …como se a mulher fosse de facto e apenas um animal
reprodutor que já deixou de ser a esposa e a mãe para ser agora, apenas uma
barriga de aluguer.
Estão as mulheres
conscientes disto?
Não…nem as mulheres comuns nem as mulheres que se julgam
emancipadas e livres pois essas são as que melhor correspondem aos padrões da
moda homossexual. Elas continuam submissas ao modelo, ao cabeleireiro, ao
estilista, ao médico, ao astrólogo, ao padre antes, agora ao guia e mestre ou ao
guru…
Nesta sociedade falocrática a mulher sofre todo o tipo de doenças
que são o resultado da repressão do seu ser feminino e a recusa em ser mulher em
todas as suas formas e utilizar o seu poder interior, o seu saber intrínseco
para não perder justamente o quê? O falo, a famosa inveja do pénis que Freud
percebeu sem perceber que a mulher tinha sido primeiro desventrada pela inveja
que os homens tinham do útero …É a mulher sem Útero que inveja
o falo e se cola ao rapaz bonito…ou ao velho rico que lhes permite ter acesso ao
rapaz bonito em que ela se transforma, acedendo à moda e aos símbolos de poder.
Ver o culto da "bunda", cada vez mais pronunciado, especialemnte no Brasil
…
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