segunda-feira, fevereiro 20, 2012

NAS ASAS DE MAAT...


A MULHER REALIZADA
 
 
 ..."A mulher tem em si a sabedoria, um tipo de sabedoria inata, um catalizador único da realização. (...) A mulher potencialemnte está directamente ligada ao conhecimento e a sabedoria, que são as duas forças complementares da grelha de base.* A mulher realizada domina a dualidade e ajuda o homem a transcendê-la. Enquanto o homem tem acesso ao conhecimento que está no início de tudo e além disso da vontade."
 
Etienne Guille in O HOMEM ENTRE A TERRA E O CÉU
 
 
A MULHER COMO CHAVE DA TERRA
 
A Terrra tem saída sim, quando cada mulher souber quem é e for fiel a sua essência de MAter e MAtriz. A dualidade na manifestação (Materia-energia) que se manifesta nos opostos (complementares e não antagónicos) tem um meio de ser integrada... ao meio, ao centro, dentro de cada ser humanno, mas cada ser humano precisa de ter consciência de si para além dessa dualidade, mal e bem, macho e fêmea, ao nívil psiquico, anímico e espiritual, o que não têm, separando e dividindo tudo.
A espiritualidade, digo a religião muito particularmente, é o pretenso meio de se atingir isso...mas apontando para algures e não para dentro do indivíduo...Essa não é a proposta. Ora aí é que está o erro. Ou o "pecado".
O Ser Humano pode atingir essa consciência da Consciência dentro de si se se elevar equilibradamente - quer dizer mantendo os pratos... da Balança (Justiça e verdade - Maat) ao mesmo nível. Ora essa Conciência do SER EM SI  não se faz sem que a Mulher seja respeitada e elevada a sua condição de mediadora das forças cósmico/telúricas. No entanto essa mulher realizada do início foi através da difusão da ideia/ religião/cultura de mal associado à mulher, atingida no seu cerne e dividida ao meio, impedida assim de ser o instrumento de realização do homem também.  Todo o drama desta humanidade passa pela separação e o mais grave pela divisão intrínseca na Mulher. Ao dividir-se a mulher em dois arquétipos, como nomeadamente a religião católica fez, a mulher cindida ("a virgem e a pecadora" - uma mulher em casa e a outra no prostíbulo) a mulher verdadeira integral deixou de existir em si, como indivíduo, para se tornar mera escrava do homem (este mero escravo do trabalho), das funções reprodutores e do seu prazer e assim a mulher ainda é brutal ou sofisticadamente tratada nos nossos dias neste mundo...
Escamotear isto é querer continuar na mais pura ignorância e alimentar o caos da nossas sociedades.

rlp
* grelha de base (grosso modo: uma base energética da constituição do universo/ser humano)

sexta-feira, fevereiro 17, 2012

A IMPORTÂNCIA DO AFECTO




UMA reflexão emocional...

(…)
"O afeto diz respeito essencialmente à fenomenologia e a emoção diz respeito à fenomenologia ou à psicologia. Se eu retornar a essa questão, vou sem dúvida abordá-la a partir da clivagem traumática, (…): clivagem onde está em jogo uma tentativa de destruir a "parte sensível"; portanto essa destruição apoia-se numa estratégia de negação, que é cúmplice da delimitação de um campo intelectual. É sobretudo nesse contexto que encontro a questão do afeto no trabalho clínico: a aparente insensibilidade após a evocação de experiências intoleráveis. Portanto é o afeto abortado, enterrado, mais do que o afeto se manifestando na emoção, que me interessa essencialmente. Não obstante, a estrutura emocional será encontrada no seio do trabalho que o afeto anestesiado efetua na tentativa de reavivar-se, graças às condições trazidas pela escuta. “
- M. Schneider - Psicanalista

Todos estes aspectos correlacionados com a psicanálise, como forma de abordagem do trauma e sofrimento do ser humano e a sua cura, nos mostram a falta de relação com os aspectos fundamentais da vivência da pessoa, neste caso a mãe,  porque sem qualquer conhecimento de causa da sua possível origem, remontando aos fundamentos da vida humana e a representatividade da Mãe como fonte inicial de afecto e amor e base emocional de toda a estrura mental e psicológica do ser humano. Justamente a partir dessa falta, que é a negação histórica e cultural do princípio feminino e do valor intrínseco da mulher, quer como mulher em si  quer como mãe, que reflecte obviamente a falta de confiança das mulheres em si mesmas como mulheres e enquanto mães, e portanto na educação da criança também. Uma mulher que é fragmentada e amputada de parte de si precisamente a parte que representa como sensível, deixa de o ser para se tornar, vítima de experiências intoleráveis, e incapacitada para manifestar a sua natureza própria!
Daí a insensibilidade e a negação do afecto, que leva como consequência à doença à neurose à psicose…à violência e ao crime!
Este trecho mostra ainda a alienação da mulher académica da sua própria natureza ontológica e vemos até que ponto as mulheres, mesmo as psicanalistas conceituadas se baseiam na análise, no positivismo e no pensamento cartesiano e portanto o quão longe estão dessa essência da mulher e do seu papel na formação de um novo ser. Como desconhecem que o ser mulher representa exactamente a parte sensível da humaniade, a parte emocional do ser e a sua dimensão espiritual...e que ao ser violentada na sua essência isso recai directamente sobre a sociedade.
Isto mostra o quão redutora é a psicanálise e a ciência ao separar os vários aspectos do ser...
“O afeto diz respeito essencialmente à fenomenologia e a emoção diz respeito à fenomenologia ou à psicologia.” A autora coloca assim, o afecto e a emoção em campos diferentes….e vê o afecto ligado essencialmente à fenomenologia e a emoção mais à psicologia…Vemos neste excerto (de uma entrevista feita à autora) que a questão da emoção e afecto para ela se situa entre a psicologia e a filosofia…portanto ao nível da análise e da mente.

Começa de facto em crianças, a destruição da parte sensível nos homens e mulheres...
Essa destruição na verdade começa na "educação" da mulher impedida de ter acesso a sua essência e à impossibilidade de ser um indivíduo, transformada ou condenada a ser esposa e mãe, sempre em detrimento da sua afirmação como pessoa e indíviduo...e quando o ousa ou consegue é condenada de outra forma, mais redutora ainda ou violenta como é o caso da mulher livre que não se submete a um só homem por contracto (o casamento) e acaba como prostituta...
A sociedade paternalista e patriarcal coloca a mulher num papel exclusivamente de servir o homem e a família e a sociedade por acréscimo, sem a considerar como pessoa antes. A mulher, toda a mulher é condicionada, muito mais do que o homem, a servir como suporte do lar e da família e enquanto o homem produz (trabalha como escravo) ela procria e cuida dos filhos; mais do que isto, hoje em dia, as mulheres são enganadas, com as suas famosas conquistas de suposta liberdade, que são afinal de contas apenas mais  o acréscimo de ter de serem ainda a trabalhadora e também sustentar a casa e a ama ou a creche e ainda manequim...sempre em função de uma função sexual/prazer/reprodução/produção...
Em suma, uma Mulher que não se ama, que não se sente respeitada, que não conhece a sua identidade, que não têm uma individualidade, NÃO PODE TER AMOR NEM DAR AFECTO...

Talvez pareça muito complexa a questão aos olhos do psicanalista ou do cientista que disseca e separa as coisas e os factos, mas o que realmente traumatiza e fere o indivíduo e o priva de afecto, à partida é o ataque à sua integridade desde que ele nasce, e o que mais o marca é sem dúvida a ausência do afecto de uma mãe confiante e equilibrada, uma mãe amada…uma mãe enquanto suporte e fonte de equilíbrio emocional. Ora se a mãe é ferida na sua essência, coarctada desde que nasce na sua liberdade de ser quem é, de se  expressar enquanto ser independente, permanecendo subalterna do homem e a ele subjugada, em quase todas as sociedades, não pode na maior parte dos casos ser boa mãe ou garantir uma emocionalidade normal à criança… "Portanto é o afeto abortado, enterrado, ” na mulher primeiro, através dessas “experiências intoleráveis” e não podendo dar o seu afecto à criança, acaba por ser a criança quem paga todo o seu desamor e frustração emocional…. e assim a sociedade patriarcal, que, ao renegar os valores do feminino gerou uma sociedade de seres traumatizados porque sem mãe e sem afecto genuino… e serão elas por sua vez como vítimas dessas “experiências intoleráveis” que as vão propagando assim de pais para filhos…até que um novo paradigma substitua este velho e violento paradigma das sociedades falocráticas, que vê nas armas e na violência a forma de se vingar da sua falta de afecto, auto-estima e amor…
Sem Mãe a sociedade está votada ao declínio e foi isso que o poder falocrático conseguiu no mundo ao impor um Deus Pai e anular a Deusa Mãe e o feminino por completo.
rlp (2008)

quarta-feira, fevereiro 15, 2012

só isto



" O Belo é isso que me tocou quando eu ainda aí não estava" 

J.F. Lyotard

Hoje só isto e por causa disto só...tudo mudou...por causa de uma pena apenas a minha alma voou ...

segunda-feira, fevereiro 13, 2012

E todos os dias, a morte...




 Whitney Houston - I Will Always Love You - Lyrics ...


Eu vou chocar-vos mais uma vez...a morte deste ícone do nosso tempo, de uma "estrela" americana, não me diz nada... Nem quando morreu a Amy House ou  qualquer outro fenómeno da música ou do teatro da vida, usadas e exploradas até na morte…me tocou particularmente...


Mas esta mulher com uma voz única, e um corpo magnífico, linda, com todo o potencial, com dinheiro e fama, serve de exemplo para vermos como ela foi vencida pelo domínio de um "amor" mesquinho, pela posse brutal de um homem e, tal como ela se confessou, viciada em ”fazer amor"…e que a levou da obsessão do homem ao ópio, ao álcool ou a qualquer outra droga, como os químicos...Sim, serve para vermos como, sofrida com esse monstro que a maltratou e ela se desprezou, isso a leva após a separação a todos os excessos que acabaram por a matar...

E nem esta mulher foi uma Mulher Inteira e menos ainda uma Deusa, como alguém disse por aqui, mas apenas uma mulher totalmente desorientada, sem saber de si própria, como milhares de mulheres no fundo que vivem à superfície do seu ser e ao sabor da corrente, com ou sem fama, com ou sem dinheiro.

Sim, esta mulher sem centro, sem self, esta mulher sem consciência dela mesma, foi apenas mais uma mulher fantoche neste mundo de fama e de comércio, de palcos e de mentiras, de ego e de aparência...esta mulher foi apenas mais uma mulher vítima do sistema abominável que faz da mulher um símbolo e uma imagem, mas que lhe rouba a alma, a identidade, lhe rouba a individualidade, lhe rouba a vida própria e até a vida...e temos ainda na memória Marilyn Monroe…e tantas outras que já esquecemos…

Neste caso, falamos da  morte da cantora com espanto, com pena, e até com uma espécie de “inveja” (ai se fosse eu…não teria sido assim) porque caímos na tentação de achar que ela foi o máximo e a sua vida um expoente de fama e dinheiro e homens bonitos...porque todas nós passamos a vida a sonhar com o Kevin Coster da nossa vida…e estamos apenas a embalar e a cair na mentira e na farsa de Hollywood...

Não, não tenho pena nem sinto nada... senão a mesma dor imensa, vastíssima de saber que houve e há MILHARES DE MULHERES QUE VIVEM ASSIM, COM MAIS OU MENOS DINHEIRO, MAIS OU MENOS FAMA MAIS OU MENOS AMANTES, MAS AFINAL vivem todas o mesmo vazio, o mesmo desnorte...sem nunca saberem quem realmente são…

Pensam que sou cruel? Que não tenho sentimentos? Não, apenas não me deixo enganar nesta mise en cene da morte de vedetas famosas, nem na exploração da sua morte para vender mais discos e sem qualquer respeito pela vida humana; toda esta avalanche de notícias da sua morte  são apenas os Media, como abutres, que  se aproveitam da  morte trágica de uma mulher ainda jovens para aumentar audiências...

E a verdade é que também já há muitos anos que não caio em farsas nem em cultos estéreis de artistas e porque como é óbvio, via e vejo muito bem como a sua magnífica voz apenas nos levava e leva a todas na ilusão máxima do amor romântico... Todas as mulheres embaladas por esta música… I Will Always Love You… no sonho perpetrado de  amor infinito de um homem e que na realidade e neste caso, a maltratava, e que por sua causa ela acaba por se deixar morrer destruindo a sua vida...

Sim, tal como tantas outras mulheres anónimas que morreram hoje... à mesma hora, abandonadas ou desprezadas no mundo inteiro, ou violadas em aldeias ou nas cidades,  na guerra e na miséria...e ninguém pensa ou fala delas.

 rlp

PS E desejo Paz à sua alma, como nunca a teve em vida...

sábado, fevereiro 11, 2012

A ESPIRITUALIDADE NO FEMININO



A Sabedoria associada a Mulher...


Nu Kua - UMA MÃE CÓSMICA


"Deusa na mitologia da China que criou a humanidade. Muito poderosa, metade humana e metade serpente. Ela é associada à chuva, poças de àgua, lagoas, lagos e outros lugares onde as àguas param e são populadas por criaturas Anfíbio e peixes.

Há cerca de seis ou sete mil anos havia um mito universal de que todos os seres eram provenientes do Útero de uma Mãe Cósmica; tal mito da criação universal teve lugar durante uma fase informe do mundo, aonde nada podia ainda ser identificado. Inicialmente cultuada na Índia, como Kali, a Mãe Informe, recebeu depois o nome de Tiamat (Babilônia), Nu Kua (China), Temut (Egito), Têmis (Grécia pré-helênica) e Tehom (Síria e Canaã) --este último foi o termo usado mais tarde pelos escritores bíblicos para Abismo." (...)

Assim era nos primórdios..

"Há igualmente grandes evidências de que a espiritualidade, e em particular a visão espiritual característica de sábios videntes, já foi associada à mulher. Nos registros arqueológicos mesopotâmicos soubemos que Ishtar da Babilônia, sucessora de Innana, ainda era conhecida como a Senhora da Visão, Aquela que Orienta os Oráculos, e a Profetisa de Kua. As tábuas babilônicas contêm numerosas referências a sacerdotisas que oferecem conselhos proféticos nos santuários de Ishtar, algumas das quais são importantes nos registros de eventos políticos. Sabemos, através dos registros egípcios, que a representação de uma naja era o sinal hieroglífico para a palavra Deusa e que a naja era conhecida como o Olho, uzait, símbolo de compreensão e sabedoria místicas. A Deus...a naja conhecida como Ua Zit era a deidade feminina do baixo Egito (norte) em tempos pré-dinásticos. Posteriormente, tanto a Deusa Hathor quanto Maat ainda eram conhecidas como o Olho. O uraeus, uma serpente empinada, é encontrada com freqüência sobre as frontes da realeza egípcia. Além disso, um santuário profético, possivelmente sítio de um antigo santuário à Deusa Ua Zit, elevava-se na cidade egípcia Per Uto, que os gregos chamavam Buto, nome grego para a própria Deusa naja.
O famoso santuário oracular de Delfos também se elevava em um sítio originalmente identificado com o culto da Deusa. E mesmo em épocas gregas clássicas, após ter sido dominado pelo culto a Apolo, o oráculo ainda falava através dos lábios de uma mulher. Ela era uma sacerdotisa chamada Pítia, a qual se sentava sobre um mocho trípode em tomo do qual havia uma serpente chamada Píton enroscada. Lemos ainda em Ésquilo que nesse templo, que era o mais sagrado, a Deusa era venerada como a profetisa primeva. Outra vez sugere-se que mesmo na idade clássica grega a tradição de uma sociedade de parceria em busca da revelação divina e da sabedoria profética através das mulheres ainda não fora esquecida."


IN O Cálice e a Espade - Riane Eisler

sexta-feira, fevereiro 10, 2012

QUE PARTE É A MULHER NO TODO?


A importância da Intuição ser... Mulher...


DA ALMA  E DO CORAÇÃO...

"Quando a alma está "entronizada" (como dizem os livros orientais) na cabeça, atrai para cima, sobre si, pelo poder de seu próprio magnetismo, a força latente na base da coluna vertebral. Assim se produz a completa fusão da energia espiritual e da força da própria matéria por meio da energia atractiva da alma. Isto é o que significa quando se fala do despertar do poder kundalínico, e deve ocorrer pelo magnetismo da alma dominante e não pela meditação sobre qualquer centro específico, nem pela ação consciente sobre a força da matéria.

A energia da alma do centro sacro deve ser levada ao mais alto centro criativo, o laríngeo. Então, dar-se-á ênfase ao trabalho criativo levado a cabo pelo bem do grupo e não à vida sexual activa da pessoa em questão.

A energia do centro do plexo solar deve ser, de modo análogo, transferida e levada ao coração e, assim, a consciência não fica mais autocentrada nem puramente egoísta, mas o homem se torna consciente do grupo e inclusivo em suas atitudes para com as pessoas e a vida. Não fica mais antagónico nem excludente. Sabe e compreende. Tem piedade, ama e serve. Temos, aqui, um amplo campo de investigação, uma vez que se capta a relação entre um centro e outro, e entre os centros e as glândulas. Os efeitos, tanto fisiológicos como psíquicos, merecem um estudo mais detalhado."*

* alice bailay - a alma e o seu mecanismo

terça-feira, fevereiro 07, 2012

Da importância de destinguir as coisas....



O FEMININO SAGRADO PARA LÁ DOS SEXOS...
E DA SUA COMPLEMENTARIDADE...

Acordei a pensar que eu sou aparentemente muito radical, sobretudo quando escrevo e que quando as pessoas me conhecem pessoalmente ficam espantadas de eu estar sempre a sorrir para elas...É verdade que sorrio e que escuto e sinto e tenho essa inteira disponibilidade para as pessoas ao vivo. Passa-se que ao escrever não há interlocutor e o pensamento corre no sentido lógico e muitas vezes corta a direito.

Mas o que eu queria escrever hoje não era sobre mim...e era.

Queria dizer-vos uma coisa que eu acho que é muito importante destinguir. 

As mulheres costumam a todo o transe defender qualquer questão relacionada com o feminino em função do homem...ou do par. Elas mantêm sempre esse foco mesmo em nome de uma suposta nova abordagem do feminnino ou do feminino sagrado...Nõa só defendem o homem como  qualquer texto mais simpático de um homem "feminista" como alguns se intitulam,  elas ficam muito felizes e nem percebem como existe de facto é um novo  machismo...ou um neo-machismo (A.C.)(Voltaremos a esta questão em breve).
Este texto surge então  a propósito das mulheres estarem sempre a defender os homens, mais do que a si mesmas...e daí vem toda aquela questão do feminino e masculino e que é preciso integrar os dois e que cada sexo tem os dois lados e que a complementaridade é que é correcta e por isso não se conseguem dissociar do homem...

Muito bem, esse raciocínio e essa ideia está certíssima, sempre esteve e não é nada nova...as abordagem espirituais em geral todas elas a fazem e defendem. A Alquimia a mais explicita, de um certo modo, pelas gravuras do rei e da rainha - mas qual mulher qual quê? Até a religião católica que nada ou pouco tem a ver com o cristianismo original, o da Gnose e da Sophia...também o diz. Mas os orientais fazem isso melhor, nomeadamente os indianos, com a Shakti como os judeus com a Shekina...

Nós todas conhecemos isso, as mais velhas e as mais novas...Nós não inventamos o yin nem yang, nem fomos nós que descobrimos as polaridades nem fomos nós que agora vamos fazer alguma coisa mudar...a não ser que...

Vamos lá ver então qual é o problema...se isso é tão velho como o tempo e a par disso até temos a "mais velha profissão do mundo" a começar pela Bíblia e em tempos mais recuados também as chamadas erroneamente "prostitutas sagradas" (porque se eram sagradas e o sexo também e serviam a Deusa do Amor, não havia prostituição, mas consagração a Deusa...), como é que as Mulheres são hoje tratadas e sempre foram e porque persiste essa cisão na mulher, essa separação das "duas" mulheres e as mulheres estão em estado inferioridade, subalternidade, de exploração e até escravidão ainda no mundo?

Ninguém quer pensar comigo?

Como é que isto se mantém se toda a gente sabe das polaridades e da igualdade dos sexos e da integração dos opostos etc.

Porque é que não há essa integração?

Porque continuam as mulheres umas contra as outras e porque continuam a aceitar que a outra mulher tenha de se prostituir enquanto ela defende o seu par o seu homem ou o seu filho...sendo que qualquer um deles mais a frente até vai a essa " prostituta " (e até pode ser a melhor amiga...) e que a digna esposa ou filha trata abaixo de cão...e a acusa de todos os males, mas nunca o sistema, não a miséria, não a falta de valor da mulher em si nestas sociedade e se vira simplesmente e odeia a outra mulher? Digam-me como? Como é que se convive com isto? Intelectuais, escritoras, médicas psicólogas, estudiosas, feministas e até espiritualistas?

E agora nós, em Nome do feminino sagrado continuamos na mesma?

Em nome da Deusa fazemos a mesma coisa?

Defendemos o homem e o filho e o nosso caso ou o nosso amado?

Que filme é este? Sim, é um DEJÁ VU...

Ou pensavam que eu não sabia a história dos pólos complementares, que não vivi as minhas histórias e não defendi o meu par e não acusei a rival? Como é que pensam que eu não sabia eu do yin e do yang etc? Por amor da deusa poupem-me...

Então as meninas e as senhoras NÃO QUEREM VER A CISÃO, querem em vez disso e  como os nossos defensores homens BRANQUEAR toda a questão da cisão da mulher? Não querem vê-la em cada uma de vocês e em cada mulher, não querem considerar até que ponto essa cisão nos divide e nos mata (de doenças) e separa todas e nos faz tanto mal? Não querem ver QUE ANTES DE DOS COMPLEMENTOS FEMININO E MASCULINO O YIN E O YANG A MULHER TEM DE INTEGRAR A SUA SOMBRA, A SUA OUTRA ELA, a sua outra metade, a mulher que foi ocultada e denegrida pelas religiões...e VOLTAR a ser una e íntegra, ser um indivíduo e não um apêndice e uma função procriadora ou de gozo? Que diferença faz a mulher dar gozo ao homem e não ter gozo e agora por a ênfase no seu prazer e achar que chegou a algum lado e continuar a ser apenas objecto de prazer e corpo para vender ou alugar... (barriga de aluguer).

Queremos ser coniventes com isto tudo?

Ou queremos ver que esta questão que abordamos é uma base de crescimento e sem a qual tudo continua na mesma e que por isso existe tanto empenho, tanto cuidado em não nos dispersarmos, em não nos afastarmos do tema, em não nos deixarmos iludir pelo novo neo-machismo que é virtuoso e até defende as mulher e que são os próprios homens, muito femininos, e com anima que nos vem dizer..."afinal vocês têm sido umas mazinhas...e devem nos pedir perdão...nós até somos bacanos, nós perdoamos...e estamos a vosso lado?"

De que lado afinal e do lado de qual Mulher?


Sim, de que Feminino Sagrado estamos nós a falar?


Do casal sagrado?


Da mulher que se subestimava e era frígida e agora se orgulha de fazer tantra e ter orgasmos?

Por favor...Vamos lá por as coisas no lugar. É verdade que eu já não tenho nenhum interesse no orgasmo nem no tantra (nesse tipo e "tantra") e estou numa de viver a toda a minha chama no coração, sim estou numa de CORAÇÃO ARDENTE e não me interessa já o par...e que isso não é obstáculo ao Saber nem a ao AMOR. E que não estou contra a natureza das coisas, nem da vida, nem tenho nada com as vossas vivências particulares, mas apenas me distingue de vocês talvez por UM FOCO particular que para mim é ESSENCIAL e trata-se a muitos níveis de unir a Deusa da Terra com a Deusa do Céu...Unir Maria Madalena e Maria, assim como unir a Mulher das profundezas com a Mulher da superfície? A mulher Útero e a mulher Anima? Pois a Mulher de superfície não conhece uma nem a outra...Ela ainda não EXISTE...

Será que não me entendem?

Ou não querem perceber?

*

Rosa Leonor Pedro

segunda-feira, fevereiro 06, 2012

Alguns escritores disseram verdades inalienáveis...

das mulheres...

“Não pertencemos a nós próprias. Não somos pessoas, somos coisas. Ocupamos o primeiro lugar no seu amor-próprio, o ultimo na sua estima. “ + Alexandre Dumas A Dama das Camélias

“Como se fosse a ideia de algum homem! Como se eu existisse porum homem ter de mim uma ideia”. +* D.H. Lawrence , The Rainbow

É exactamente assim que tem acontecido. O homem inventou e escreveu descreveu uma mulher e durante centenas de anos a mulher não tem feito outra coisa senão tentar corresponder a essa ideia e imagem.  São centenas de anos de cultura literatudra e psicologia em que o homem procurou moldar a mulher e interpretá-la de acordo com uma ideia, de acordo com uma imagem, sempre fugindo a mulher essencial a mulher ctónica, a mulher original...de que tem medo! De tal modo a Arte e a Literuratura modelaram uma ideia da mulher que a mulher de hoje sofre directamente na pela as consequências, de nunca se ter dito a ela mesma, de nunca ou raramente ter funcionado sem ser em função do amor do homem, do filho e do pai, que a quer à sua imagem e semelhança, digo à semelhança da sua ideia dela...Desde a Génese...
Houve escritoras que tentaram romper essa barreira de silêncio e opressão, houve. E as mulheres (as feministas) conseguiram "direitos e igualdades" relativos...há por aí uma mulher social que se crê livre e emancipada mas quando olhamos para o seu ser interior...o que vemos são fragmentos de mulheres divididas e cindidas em luta com elas mesmas, ao peso das suas múltiplas doenças, sem se interrogram, viradas  umas contra as outras, as suas eternas  rivais...Com essa suposta igualdade de direitos... foram ainda mais sobrecarregadas de tarefas e mais tarefas. Acrescentaram-lhe as profissionais sem lhes tirar o fardo da casa...Sim, elas chegaram a ministras e deputadas...mas a cisão continua  lá e a mulher que se julga livre não vê nem olha a sua parte (irmã) prostituta a ser explorada e morta como na barbárie...e aceita isso na condição de ela continua a ser considerada livre e vende a sua dignidade e a sua integridade...sim, vende-se quando deixa a sua imagem continuar a ser profanada e usada para o prazer do homem e para o comércio sexual e pornográfico. E ela aceita isso porque não é ela...mas a "outra" que se vende...e por vontade própria (como se a outra coitada tivesse vontade própria) e ela não vê que foi assim dividida, entre a santa e a puta...para rimar...
A prostituição para mim é igual à escravidão do homem.
E se a Humanidade acha que chegou a um patamar de evolução ou de civilização porque aboliu a escravatura ele não ABOLIU A ESCRAVATURA DA MULHER (AO SEXO) para os servir ...bem pelo contrário. Esta sociedade, este Sistema, fomenta e cultua ainda a degradação do corpo da Mulher Mãe, da Mulher Amante... e depois reclama que não há educação...e a juventude está   incontrolável...

TRÊS ANDAMENTOS...

 
TRÊS ANDAMENTOS, três momentos...

"A veces me pregunto si estas defensas del género masculino por parte de las mujeres no esconde la angustia patriarcal que nos han metido que una mujer no es nada si no tiene una relación..."
ana cortiñas


I

QUE MULHER?

"O eu feminino existe muito mais intensamente nos homens: foi catalogado por Jung como anima. A mulher tem o animus, que é um cara muito chato..."

Resposta a um amigo sempre provocador…

A mulher é a Anima e não o animus e foi aí que o Jung se enganou. Ela espelha a anima para o homem e só depois ele a reconhece em si embora lá estando e vice-versa. ...o problema de Jung  é que ele não viu a divisão intrínseca da mulher (a Virgem e a Maria Madalena) e só viu o seu masculino animus (pudera, a mulher essência, a anima, não está lá) e assim, sendo ele muito feminino, só viu o que pode...mas em certa medida ele está certo, porque os opostos se integram, e casam e diria, invertem: (no bom sentido...) o interior de um é feminino e do outro que é a outra,  é masculino, mas só quando a mulher for completa e chegar a sua individualidade. Atenção… Não digo indiduação...isso é outra cosia. Digo apenas que a mulher é rara...o que é a mulher verdadeira?  Nem o homem nem a mulher sabem como é...ela foi enterrada nos escombros de uma memória antiga, de uma civilização (do Cálice) destruída pela Espada e o que restou dessa mulher sublime e de dom, foi queimada nas fogueiras da inquisição na Idade Média...

Ninguém sabe quem é essa mulher antes de esta divisão começar. E esta divisão não começou entre homem e mulher nem na guerra dos sexos...começou antes e isto é só consequência da sua divisão interna...falta ao homem conhecer a Mulher inteira...e falta à mulher saber quem é... conhecer-se a si mesma - e isto note-se,  também não tem nada a ver com o (Self) Espírito ainda…só com a Alma, a ANIMA  e com a Psique…

II

Há uma questão gritante para mim que é ver como as mulheres reagem quando se lhes pede que se olhem, nem que seja por uns dias, como mulheres apenas e em si sem ser logo a pensar no par, sempre em comparação com o homem ou outras mulheres, nem conseguem ver-se em si sem ser em relação com as suas funções de mãe de esposas ou de amantes...Elas não conseguem...elas correm logo atrás do homem coitadinho (do filho do amante do marido do pai) a defendê-los como se lhes estivessemos a tirar o seu sentido de vida...e aí se vê claramente que a mulher não se sabe relacionar consigo mesma sòzinha e sem ninguém...e ver-se como um indivíduo apenas, um SER INTEIRO...ela não compreende isso...

 Ela não consegue OLHAR-SE a si mesma e pensar QUEM SOU EU?

Ela pensa sempre eu sou a Mãe e a Mulher do homem...é tudo!

E aí está a diferença entre um homem e uma mulher. Um homem olha para ele e vê-se a si como indivíduo e diz...eu sou Eu...vivo em mim... e só depois é que pensa na amante ou na filha ou na amante...A mulher não vive em si porque o seu vazio é total e ela é obrigada a pensar que ela só é enchida pelo filho na barriga (também vazia) ou então pelo falo...
O homem pode viver sozinho, e ser alguém. A mulher não. Ela não é ninguém se não for a esposa ou a mãe ou a filha do papá...
Essa é uma grande diferença...entre outras.

III

 Vejam bem...

O que é a "conversa de mulheres? "assuntos de mulher", "questões femininas" o "mundo da mulher" em todos os canais televisivos, no cinema e nos media etc e mesmo em “bons” livros?
Tudo o que concerne a relação da mulher com o homem o filho a casa a beleza a gravidez a celulite...o trabalho,  a moda os cremes a culinária, etc.
NADA QUE LHE DIGA RESPEITO A SI MESMA, PORTANTO...
Por isso jamais a mulher pensaria falar dela...subjectivamente...da sua existência, da sua individualidade que não a tem, mas sim e apenas do drama com o marido o amante o filho a empregada ou o emprego e sempre no exterior...jamais de si...ou raramente...mas com um enorme complexo de culpa ou ainda se for de uma doença fatal...
O cancro...o doença fatal das mulheres...porquê? Porque será que as mulheres têm a percentagem esmagadora de cancro da mama e do útero?

Sim, PORQUÊ
Já pensaram nisso?
E a fibromialgia e a bipolaridade e a esquizofrenia…o histerismo a depressão?
São as mulheres congenitamente propensas às doenças ditas  “tipicamente femininas” mais do que os homens ou apenas sofrem mil vezes mais do que eles com tudo o que carregam à sua conta – pais maridos filhos etc. - e ainda por cima a frustração e a raiva dos homens que dizem que as amam e as submetem a violência psíquica emocional e física, mesmo para não falar da violência implícita na posse, no sexo, no uso do corpo da mulher como se fosse propriedade sua?

Sim, podemos dizer que a mulher consente, que ela deixa, que ela até fomenta isto tudo, mas não branqueiem centenas de anos de repressão e jugo, de centenas de anos de perseguição e exploração sexual e afectiva…que ainda se mantém com aparência de liberdade…no cinema e na publicidade.
Por Amor da deusa! Só não vê isto quem é cego…
Ah sim...eu sou louca, velha, sim a anciã, pois...sou!


rlp

quarta-feira, fevereiro 01, 2012

O CORAÇÃO E O ÚTERO...

"O coração é também o primeiro órgão formado no útero.
O resto vem depois."...
 


O CORAÇÃO INTELIGENTE

Recentemente, neurofisiologistas ficaram surpresos ao descobrir que o coração é mais um órgão de inteligência, do que (meramente) a estação principal de bombeamento do corpo. Mais da metade do Coração é na verdade composto de neurónios da mesma natureza daqueles que compõem o sistema cerebral. Joseph Chilton Pearce, autor de A biologia da Transcendência, chama a isto ”o maior aparato biológico e a sede da nossa maior inteligência.”

O coração também é a fonte do corpo de maior força no campo eletromagnético. Cada célula do coração é única e ela não apenas pulsa em sintonia com todas as outras células do coração, mas também produz um sinal eletromagnético que irradia para além da célula. Um EEG que mede as ondas cerebrais mostra que os sinais eletromagnéticos do coração são muito mais fortes do que as ondas cerebrais, de que uma leitura do espectro de frequência do coração pode ser tomada a partir de três metros de distância do corpo … sem colocar elétrodos sobre ele!

A frequência eletromagnética do Coração produz arcos para fora do coração e volta na forma de um campo saliente e arredondado, como anéis de energia. O eixo desse anel do coração se estende desde o assoalho pélvico para o topo do crânio, e todo o campo é holográfico, o que significa que as informações sobre ele podem ser lidas a partir de cada ponto deste campo.
O anel eletromagnético do Coração não é a única fonte que emite este tipo de vibração. Cada átomo emite energia nesta mesma frequência. A Terra está também no centro de um anel, assim é o sistema solar e até mesmo nossa galáxia … e todos são holográficas. Os cientistas acreditam que há uma boa possibilidade de que haja apenas um anel universal abrangendo um número infinito e interagindo dentro do mesmo espectro. Como os campos eletromagnéticos são anéis holográficos, é mais do que provável que a soma total do nosso Universo esteja presente dentro do espectro de frequência de um único anel.

Isto significa que cada um(a) de nós está ligad@ a todo o Universo e como tal, podemos acessar todas as informações dentro dele a qualquer momento. Quando ficamos quiet@s para acessar o que temos nos nossos corações, nós estamos literalmente conectad@s à fonte ilimitada de Sabedoria do Universo, de uma forma que percebemos como “milagres” entrando nas nossas vidas.

Quando nos desconectamos e desligamos da sabedoria inata de amor do Coração, baseando-nos nos pensamentos, o intelecto refletido no ego assume o controle e opera independentemente do Coração, e nós voltamos para uma mentalidade de sobrevivência baseada no medo, ganância, ânsia de poder e controle. Desta forma, passamos a acreditar que estamos separad@s, a nossa percepção de vida muda para uma limitação e escassez, e temos que lutar para sobreviver. Este órgão incrível, que muitas vezes ignoramos, negligenciamos e encerramos dentro de muros que construímos ao seu redor, é onde podemos encontrar a nossa força, nossa fé, nossa coragem e nossa compaixão, permitindo que a nossa maior inteligência emocional guie nossas vidas.

Devemos agora mudar as engrenagens para fora do estado baseado no medo mental que temos sido ensinados a acreditar, e nos movermos para viver centrados no coração. Para que esta transformação ocorra, é preciso aprender a meditar, “entrar em seu coração” e acessar a sabedoria interior do Universo. É a única maneira, é O Caminho. A medida que cada um de nós começa esta revolução tranquila de viver do Coração, vamos começar a ver os reflexos em nossas vidas e em nosso mundo. Esta é a forma como cada um de nós vai criar uma mudança no mundo, criar paz, criar harmonia e equilíbrio, e desta forma, vamos todos criar o Paradigma do Novo Mundo do Céu na Terra.

Rebecca Cherry (adaptado)