sábado, agosto 08, 2015
O CAMINHO SOLITÁRIO
O caminho que conduz à verdade é uma estrada solitária na companhia de imbecis...
A mesma coisa acontece quando digo numa audiência de feministas que sou Gaudiya Vaishnava ou quando digo que sou feminista para uma plateia Gaudiya Vaishnava - a propensão para a ostracização.
Passar por este tipo de processos é um teste frequente para as pessoas espiritualmente determinadas, independentemente do nome da religião, o tempo, o lugar, a cultura ou a estrutura da organização religiosa ou social.
Qualquer que seja a natureza de uma comunidade, social ou espiritual, as funções são as mesmas - uma ideológica e outra funcional. Dentro da dinâmica de qualquer grupo emerge de forma gradual um sub-grupo de pessoas que se destacam pela forma flagrante e dolorosa de explorar as massas e padronizar consciências, o que faz com que progressivamente o próprio grupo se afaste dos princípios fundamentais ideológicos que inauguraram a sua constituição.
...E nada monotoriza as massas de forma tão eficaz como o medo da solidão perante a vida e a morte.
Quando a consciência colectiva de uma sociedade se tenta sobrepor à consciência individual ou abdicamos da liberdade individual para ficar sob a protecção do grupo, ou entramos numa rota de colisão e ruptura pela afirmação de um pensamento subversivo que emana da consciência individual... e aí o caminho solitário. Liberdade dentro de uma comunidade, qualquer que seja, é um fenómeno ainda por assistir. Esta expressão da função de grupos tem o poder de ser opressiva mas não é inerentemente negativa. Regras e regulações têm também a capacidade de oferecer cooperação e coexistência.
Mas a incapacidade para a aceitação da riqueza da variedade dentro de um único conjunto que é a própria Humanidade, é a fonte de todas as divisões, de todos os conflitos, de todos os sofrimentos. Desde que existem dois - eu e o outro - há medo, atracção e repulsa, necessidade de se apossar, angústia de perder.
AKLdd
A mesma coisa acontece quando digo numa audiência de feministas que sou Gaudiya Vaishnava ou quando digo que sou feminista para uma plateia Gaudiya Vaishnava - a propensão para a ostracização.
Passar por este tipo de processos é um teste frequente para as pessoas espiritualmente determinadas, independentemente do nome da religião, o tempo, o lugar, a cultura ou a estrutura da organização religiosa ou social.
Qualquer que seja a natureza de uma comunidade, social ou espiritual, as funções são as mesmas - uma ideológica e outra funcional. Dentro da dinâmica de qualquer grupo emerge de forma gradual um sub-grupo de pessoas que se destacam pela forma flagrante e dolorosa de explorar as massas e padronizar consciências, o que faz com que progressivamente o próprio grupo se afaste dos princípios fundamentais ideológicos que inauguraram a sua constituição.
...E nada monotoriza as massas de forma tão eficaz como o medo da solidão perante a vida e a morte.
Quando a consciência colectiva de uma sociedade se tenta sobrepor à consciência individual ou abdicamos da liberdade individual para ficar sob a protecção do grupo, ou entramos numa rota de colisão e ruptura pela afirmação de um pensamento subversivo que emana da consciência individual... e aí o caminho solitário. Liberdade dentro de uma comunidade, qualquer que seja, é um fenómeno ainda por assistir. Esta expressão da função de grupos tem o poder de ser opressiva mas não é inerentemente negativa. Regras e regulações têm também a capacidade de oferecer cooperação e coexistência.
Mas a incapacidade para a aceitação da riqueza da variedade dentro de um único conjunto que é a própria Humanidade, é a fonte de todas as divisões, de todos os conflitos, de todos os sofrimentos. Desde que existem dois - eu e o outro - há medo, atracção e repulsa, necessidade de se apossar, angústia de perder.
AKLdd
sexta-feira, agosto 07, 2015
A CISÃO DA MULHER E O HISTERISMO
UMA MULHER QUE NÃO SE CONSCIENCIALIZOU AINDA DA SUA CISÃO INTERIOR - A DIVISÃO SECULAR e religiosa da mulher em SANTA E PROSTITUTA - CAUSA DE TODOS OS SEUS PAROXISMOS que a levaram a histeria, a epilepsia, a fibromialgia e à bipolaridade, E AS DOENÇAS DE FORO FEMININO etc. NÃO SABE NADA DE SI MESMA.
"O paroxismo histérico, ou histeria feminina, foi considerada uma doença no século XIX. Era caracterizada por sintomas como dor de cabeça, irritabilidade, insônia, retenção de líquidos, espasmos musculares e vários outros. Os médicos da altura consideravam que esse paroxismo era causado pelo desejo sexual reprimido das mulheres. Como tratamento eram muitas vezes usadas massagens pélvicas ou hidroterapia (jatos de água).
No século XX, graças a estudiosos como Freud, o paroxismo histérico perdeu notoriedade, porque o conhecimento da mente e do inconsciente foi aprofundado."*
in Significados...
A MULHER E A ESPIRITUALIDADE
"O mundo físico é um resultado de polaridades. Masculino e Feminino, Yin e Yang, Ida e Pingala, Shiva e Shakti, hemisfério direito e esquerdo do cérebro ou o que tu lhe quiseres chamar. O desejo de encontrar a união através de polaridades é encontrar expressão através da ambição, conquista, amor, sexo, Yoga. " - Sadhguru
NO OCIDENTE, ANTES DE ENCARAR AS POLARIDADES masculino e feminino...o trabalho da mulher integral - a mulher consciente da sua cisão - é encontrar a sua totalidade em si mesma. Passar para a dualidade feminino/masculino (anima - animus, ou yin yang) sem considerar que a mulher está cindida em duas e que vive uma crucificação em si mesma, fragmentada entre vários estereótipos (várias faces de "deusas") todos eles baseados na divisão secular da mulher entre a "santa e a prostituta"...faz com que a mulher comum, que julga ter entrado na espiritualidade, caia nessa armadilha de realização "espiritual" sem integrar a totalidade da sua Psique (a sua totalidade como mulher) e sofre desestruturações sucessivas graves (bipolaridade, fibromialgia, depressões, histeria, pesorieuse, e todo o tipo de doenças autoimunes e psicossomáticas) ao nível da sua interioridade, ou seja, na sua natureza fulcral de mulher essencial ligada ao instintivo e ao sensual-sexual-mediúnico que passa pelo crivo inibitório da moral judaico cristã ou do pecado do sexo - tanto no ocidente como no oriente - que a condena e assim arrisca a nunca mais se encontrar no seu todo, continuando a anular parte do seu ser, o lado ontológico e ctónico, a Mulher original...ligada a Terra Mãe e ao culto da Deusa o que é deveras grave para a evolução do Planeta.
rosa leonor pedro
republicando
MANIFESTO PAGÃO
DEFINITIVAMENTE AS MULHERES NÃO PERTENCEM
AO BUDISMO NEM AO CRISTIANISMO!
As mulheres foram por eles sistematicamente negadas (abandonadas) enquanto seres humanos e sem identidade!
...
Com algum respeito pela seriedade do Budismo em geral e os seus princípios, assim como diria pelo verdadeiro Cristianismo, apagado há muito da história da humanidade, ou seja por qual for a religião ou Tradição secular do Homem...eu manifesto toda a minha incompatibilidade e aversão com os processos divulgados e as práticas instituídas e os preceitos e os conceitos altruístas de amor puro perfeito e incondicional, PORQUE NEGAM A ESSÊNCIA DA VIDA NA TERRA E DA MULHER EM ESPECIAL. A mulher não tem nada a ver como o pensamento budista ou outro pensamento e práticas religiosas que A EXCLUE E A OMITE por princípio em defesa de um desapego ou de uma realização superior e que é pregada por homens ascéticos, IGNORANTES DA MULHER, que pregam castidade e repudio do sexo feminino e da Mulher em si ou mesmo da Natureza ctónica. Eu não posso ouvir ou seguir um Mestre que é celibatário e NÃO AMA NEM NUNCA AMOU UMA MULHER, que as considera pecaminosas e sujas e lhes recusa o sangue e a pregação assim como o oficio nos seus altares! Portanto não me venham falar de amar e não amar ou de um amor "elevado" sem apego e do desapego ou em posse ou em ciúme em nome das tradições patriarcais que sempre baniram as mulheres e o amor carnal ou fizeram das mulheres apenas cobaias de prazer ou de procriação!
Por favor Mulheres enxerguem-se!
Republicando
rosaleonorpedro
Por favor Mulheres enxerguem-se!
Republicando
rosaleonorpedro
"A mulher nunca foi representada por nenhuma religião nem sistema de governo!
No entanto é inerente à espiritualidade feminina a protecção dos princípios da religião perene, a defesa de uma ordem social onde seja possível a coexistência (sem que tal exija a diluição da essência individual) e a preservação da divindade humana.
Reinam as seitas perigosas e homens e mulheres que representam interesses masculinos em assentos de parlamento." Comentário de Ananda Krishna Lila
Vejamos como alguns Médiuns e Esotéricos falaram da mulher - vejamos como a cisão da mulher em duas, divisão secular, entre a Puta e a Santa (ou a "estrela") criada pelo catolicismo é depois olhada por alguns "mestres" - esta é a ideia caótica e maléfica que o homem tem da mulher, seja qual for a religião seja qual for a seita...e é o que els propagam da mulher até aos dias de hoje...
"Sim, Eu, A BESTA, minha puta escarlate montada em mim, nua e coroada, ÉBRIA DE SUA TAÇA DOURADA DE FORNICAÇÃO, gabando-se de ser minha companheira de cama, a levei até à Praça do Mercado, e rugi esta Palavra que toda mulher é uma Estrela".*
"Mas agora a Palavra de mim, A Besta, é esta: não só estás tu, mulher, jurada a um propósito que não sê teu; tu és tu mesma uma estrela, e em tu mesma um propósito para tu mesma. Não só mãe de homens tu és, ou puta de homens; serva à necessidade deles de vida e Amor, sem partilhar da Luz e Liberdade deles; não, tu és mãe e puta para teu próprio prazer; a palavra que Eu digo aos Homens, Eu digo a ti nem mais nem menos: Faze o que tu queres há de ser tudo da Lei!"
in O Livro da Lei comentado por Aleister Crowley
quarta-feira, agosto 05, 2015
IN MEMORIAM
É a primeira vez na minha vida que choro a morte de uma escritora...como parte de mim e de uma vida inteira - a sua escrita e poesia foi sempre uma referência máxima, mesmo que eu como poetisa esteja muito aquém dela...
rlp
(...)
Canto-te...
como quem pronuncia o Mantra esotérico do teu nome
Canto-te e grito
para que a poeira que se infiltra em todas as
coisas se erga de ti como um plâncton
Oh Madre
matriz das criaturas inferiores que rastejam
a teus pés cobertas de pó
esse pó que a cada momento ameaça submergir-nos
Oh aranha enorme tecendo tua teia de pó
Oh que desintegras tudo e tudo tu constróis
Ah como nós lambemos tuas duras mãos
Oh que fustigas nossos olhos com tua sombra
Enorme
Oh
que deixas tanto espaço para o silêncio
das mil pétalas
dos mil braços esplendorosos em seu abandono
dos murmúrios
dos afagos
sangue derramado sobre o mundo
Oh
Porque és sempre tão premente?
e sempre estás ausentemente
na tua constância em todas as coisas?
ANA HATHERLY
MORREU ANA HATHERLY
Tu partiste é o silêncio em forma de lança.
Esta noite vou erguer-me do meu leito e quando a lua vier
tocar-me o rosto vou uivar como um lobo.
(...)
A lua é uma seta.
Tu partiste é o silêncio em forma de lança.
Esta noite vou erguer-me do meu leito e quando a lua vier
tocar-me o rosto vou uivar como um lobo.
Vou clamar pelo teu sangue extinto.
Vou desejar a tua carne viva, os teus membros esparsos,
a tua língua solta.
O teu ventre, lua.
Vou gritar e enterrar as unhas nos teus olhos até que
o mar se abra e a lua possa vir tocar-me o rosto.
Esta noite vou arrancar um cabelo e com a tua ausência faço
um pêndulo para interrogar a lua por tu teres partido e a marca
dos teus passos ser a razão mágica de a lua poder surgir de
noite e urtigas crescerem no meu leito.
E se encontrar a marca dos teus passos vou crivar-lhe
o coração de alfinetes para que tu partiste seja a razão
mágica de tu poderes morrer-te.
Quando a lua vier em forma de lança vai trespassar um pássaro
para lhe ler nas entranhas a direcção tu partiste e a marca dos
teus passos consiste nos olhos abertos de um pássaro esventrado.
Ah, mas o luar é uma pluma do meu leito e a lua é o colo de
tu morreste para poderes enfim tocar-me o rosto.
Ana Hatherly, in “Poesia 1958-1978”
terça-feira, agosto 04, 2015
AMA (OU FALA) A MULHER COMO O HOMEM?
O AMOR...
"O amor é um poder ativo no homem, um poder que atravessa as paredes que separam o homem dos outros homens, que o une com os outros; o amor o leva a superar a sensação de isolamento e de separação, mas lhe permite ser ele mesmo, manter sua interioridade. No amor sucede um paradoxo: o de que dois seres se tornem um, mesmo permanecendo dois."*
Quando uma mulher elege este discurso e opta por esta linguagem sentindo-se incluída como mulher no termo Homem, quando ela aceita a ideia de "O amor é um poder ativo no homem" e ela não é mencionada como ente até porque o amor na mulher é passivo... ela desconhece por completo a sua verdadeira essência como mulher e ignora que a sua verdadeira sensibilidade assim como não sabe que a sua natureza não obedece aos mesmos ditames que a do homem, seja a que nível for.
A mulher tem uma natureza muito própria e faz toda a diferença do homem constitutivamente e por consequência psiquicamente. A mulher pensa diferentemente do homem. O homem sente diferentemente da mulher. Podem ser complementares, mas não se expressam da mesma forma.
Mas a mulher sobretudo a mulher intelectual ou que se julga emancipada, não vê que ainda continua a ser anulada como identidade e a ser aglutinada ao Homem a ser meramente incluída como "ser humano" na palavra Homem e a aceitar a designação de Homem para a incluir como apenas ser humano, seja no plano humano seja no espiritual como se mulher e homem fossem um só corpo e uma só mente, não tendo em conta que são dois, bem distintos entre si como homem e mulher. Nesta como noutras expressões ou explanações filosóficas ou teorias psicológicas e sexuais e religiosas, nunca a mulher é tida em conta nem o que à partida é a idiossincrasia da mulher que é muito distinta da do homem tanto como o é a sua psique. Por isso Freud ao fim da vida percebeu que não sabia nada das mulheres...ou acerca do que elas queriam - e as mulheres continuam a ignorar esse facto pois nem elas sabem de si...
Querer nomear a mulher como igual ao homem e dizer que somos apenas seres humanos e anular a designação de Mulher como participante de algo, como representante de algo, como objecto de acção em si e por si, como se se apenas de um par se tratasse, ou menos do que isso aliás, como se a mulher não passasse de um par-complemento do homem e tomar um momento especifico da sua vida, o casamento e a maternidade, digo uma fase x, em que ela é vista unicamente como uma pertença do homem (o que foi desde há muito e é ainda assim que o homem vê a mulher não só anulada nas suas características como a ser aglutinada ao Homem), e não vista como um individuo separado e livre como devia sê-lo e portante independentemente de ser a mulher do amante, do marido ou mesmo dos filhos a filosofia patriarcal é o que expressa - a sua anulação como ente - quando a não denomina como ser e assim a anula na linguagem para a tornar apenas apêndice do homem porque ela vive de facto e apenas em função do Homem e do amor do homem e do amor do deus Homem. Isto é o patriarcalismo...o domínio do Pater e do filho na linguagem falada.
Não havendo Deusa ou Principio Feminino activo, não há Mulher e assim o que vemos é a forma como a sociedade patriarcal ainda hoje e pela voz dos seus melhores arautos (escritores filósofos e cientista ou místicos) a continuam a aglutinar ao Homem nos seus discursos e manuais sem ter em conta a natureza especifica da mulher...
É por tudo isso que chegamos ao descalabro social de a mulher pensar que é "igual" ao homem ou que tem o mesmo tipo de sexualidade tornando-se tão libertina, desenfreada ou obcecada por sexo como ele - sofrendo tudo o que sofre e sujeitando-se como se sujeita ...porque o homem vive da posse e do abuso sobre a mulher desde sempre e continua a fazê-lo e as mulheres intelectuais negam-se a ver esta realidade branqueando-a.
Chegamos ao ponto de a mulher querer andar de seios nus na rua, tal como o homem e alegando que isso não faz diferença, que não há diferenças... - como se amamentar um filho nada fosse - como se o seu corpo fosse apenas um objecto material e físico de dar e tirar prazer etc. Muita loucura a mulher comete por não se ter em conta como individuo diferente do homem e com uma sensibilidade muito própria e uma essência completamente inerente à sua condição de Mulher...Não falo da condição social ou económica apenas como é óbvio que isso é bem outra coisa, mas da sua condição natural de Ser ligado a natureza e aos ciclos da lua, por exemplo...
O nosso maior drama foi a mulher tomar-se pelo homem e não ver como a sua natureza Mulher ontológica difere da do homem ontológica também.
A verdade é que as mulheres teimam em não querer ver como são esvaziadas de sentido em si mesmas...anuladas como seres individuais com as suas próprias características de Ser Humano mulher diferente do Ser humano homem...
rlp
*Citação
In: AS CONTINGÊNCIAS DO AMOR E A DISSOLUÇÃO DA ALTERIDADE AMOROSA NO CAPITALISMO AFETIVO de Erich Fromm
CUIDADO COM AS CRENÇAS...
Acalmar as Emoções Antes de se Transformarem em Doença
Primeiro que tudo nada se ganha em classificar as emoções como «boas» ou «más». Em vez disso, considera-as como orientação. As emoções que sabem bem orientam-te para a saúde, enquanto que as que te incomodam estão a tentar chamar-te a atenção para que modifiques a tua percepção ou o teu comportamento. É verdadeiramente tão simples como isso.
E cuidado com a crença de que a «felicidade» é boa e a «tristeza» é má. Ambas as ...emoções são necessárias para funcionarmos como um ser humano normal, Sem a tristeza a experiência da felicidade perderia a sua doçura. A forma saudável é procurar alcançar o equilíbrio de químicos emocionais no teu corpo que promova a saúde e fazer com que essas emoções fluam e refluam como as marés. Assim como as marés são necessárias para limpar o oceano, as nossas emoções purificam a mente e o corpo. Na meia idade, a tristeza e as mágoas do passado podem assumir um papel mais importante durante algum tempo, ajudando-nos a limpar verdadeiramente os sedimentos dos fundos dos rios das nossas vidas emocionais.
Christiane Northrup
domingo, agosto 02, 2015
A DITADURA DO ORGASMO
Novelas, seriados, magazines, filmes, outdoors, programas televisivos, anúncios publicitários, entre tantos outros meios midiáticos, são vitrines diárias e ininterruptas de modelos físicos e de personalidade que atendem a um ideal surreal, incondizente com a realidade da esmagadora maioria dos reles mortais. Magros, cabelos sedosos, bem vestidos, dentes brancos, bons de cama, bem resolvidos, bem remunerados, tais são os estereótipos que inundam nossas vidas de penúria e esgotamento nervoso.
Desde crianças, meninas brincam com barbies esquálidas, de traços delicados e sorriso constante estampado no rosto, enquanto os garotos sonham em se tornar os super heróis com músculos definidos e incólumes aos problemas da vida. O adolescente - coitadinho - desajeitado, tentando lidar com as mudanças físicas e hormonais que não entende e invadem sua vida sem pedir licença, é obrigado a se comparar com as personagens de Malhação, muitas delas protagonizadas por artistas que já saíram há tempos da puberdade – como se identificar com imagens distantes anos-luz do reflexo que se enxerga no espelho?
É trepidante o choque de realidade a que temos que nos submeter, quando percebemos ser impossível correr atrás de todo aquele vigor físico e obter a propalada aparência hollywoodiana, enquanto gastamos horas em transporte público para chegar ao trabalho estafante de mínimas oito horas diárias, cuidamos das contas, da casa, das roupas sujas, das horas extras, do serviço levado para o lar – e ninguém parece estar a fim de nos preparar para isso. Soma-se, ainda, a essas disparidades, o agravante de muitas das personagens televisivas pautarem suas ações por atitudes que fogem à ética e aos escrúpulos desejáveis na vida em sociedade. As implicações nocivas da deformidade de caráter neutralizam-se, nesses casos, sob uma aparência deslumbrante e charmosa, supervalorizando-se, assim, os valores estéticos, em detrimento dos valores morais, sobrepondo-se a beleza física à dignidade e ao caráter.
A separação clara entre mocinhos e bandidos torna-se, pois, cada vez mais tênue, como que nos convidando à transgressão de valores éticos para se obterem os prazeres do consumo e da vida fácil e o sucesso inerente a tudo isso – pois a arte imita a vida, e vice-versa. Como se vê, essa garotada precisa é ser conscientizada, com urgência, nos sofás da sala e nos bancos escolares, de que vida real não é novela, magreza excessiva não é saúde, maldade não é aceitável, sucesso não é salário, sexo não é esporte.
Não obstante, essa perfeição física atrela-se a uma felicidade perene e obrigatória. Tudo e todos tentam nos convencer de que ser feliz sempre e a qualquer custo é uma obrigação, um fim a ser atingido diariamente. Deve-se acordar cantarolando, trabalhar com um sorriso de bochecha a bochecha, convalescer de uma doença com alegria contagiante, menstruar sem indisposição e, se possível, usando uma calça branca, estar sempre com tesão, pois sem tesão, nada de orgasmo – sacrilégio! Aliás, o tesão e consequentes orgasmos - múltiplos, por favor! - devem permear todos os nossos movimentos, seja nos exercícios abdominais, na consulta médica, na faxina do banheiro, na troca do pneu do carro, nas dores do parto, nas reuniões modorrentas, seja no sexo – lembrar que transar menos de uma vez por dia implica fracasso, segundo se sabe lá quem.
Nesse contexto, deve-se procurar o prazer em tudo, sempre, loucamente. É feio xingar, maldizer, mandar tudo às favas, não estar a fim de transar, não estar motivado, estar de saco cheio, uma vez que o yin e o yang não podem se desarmonizar – cuidemos de nossos chacras. É imperativo gozar. Por isso, não raro, na impossibilidade de alcançarmos o sucesso que nos vendem como verdadeiro, acabamos gritando por socorro indevidamente, por meio de falsas soluções escapistas oferecidas pelas pílulas, pelas drogas, pelo consumo desenfreado, pela banalização do amor, pela morte em vida e, nos casos mais extremos, pelo suicídio.
Na verdade, queremos tão somente ter o direito a não nos tornarmos prozacs ambulantes. É preciso que nos deem licença para fazermos cara feia e reclamarmos quando a situação assim o exigir. Queremos poder, às vezes, não conversar, não sorrir, tampouco atingir orgasmos sem prazer algum. Os homens podem, sim, chorar e as mulheres não precisam ficar esperando pelo príncipe encantado, visto que o grande amor de suas vidas muito provavelmente será um plebeu de tanquinho indefinido e grana curta, como eu, como você, enfim, como noventa e nove vírgula nove por cento da humanidade do lado de cá da telinha e das telonas. Porque, fato inconteste, a tristeza e o fracasso também nos definem e completam.
in Sociedade por Marcel Camargo
***
O comentário de um homem lúcido - LUIS TOBIAS
O texto em questão aponta para a "cultura do orgasmo".
Aqui se identifica e expõe o imediatismo a que a sexualidade está sujeita hoje.
Uma vez mais a Mulher é exposta como um objecto de prazer, relegando para últimos planos todas as suas características de género e de SER HUMANO.
No meu trabalho, ainda em curso, tive oportunidade de falar e aprofundar este tema com mulheres muito jovens.
Fiquei seriamente surpreendido e preocupado quando me apercebi que na maior parte dos casos, não era a cumplicidade, nem o afeto que punham como prioridade.
Era o orgasmo.
E aprofundando conclui que essa ideocincresia era "comprada" nas TVs, nos filmes, na WEB, nas revistas, em fim, na própria família, onde aprendiam com a mãe a fingir orgasmos, para satisfazer a sede de domínio patriarcal.
Felizmente também encontrei o contrário. Ou seja, a consciência da sua própria condição, que embora sujeita ao "falocratismo" social, se revela como uma ferramenta indispensável para-a viver de forma equilibrada e libertadora.
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