quarta-feira, outubro 07, 2015

ESTOU CANSADA



TODO O AMOR MORRE...


Estou cansada, tão cansada
Estou tão cansada! que fiz eu?
Estive embalando, noite e dia,...

um coração que não dormia
desde que seu amor morreu
...Eu lhe dizia: "Deixa a morte
levar teu amor! Não faz mal
É mais belo esse heroísmo triste
de amar uma coisa que existe
só para morrer, afinal!

(...)
cecília meireles

Perdi meus fantásticos castelos






CASTELOS

Perdi meus fantásticos castelos
Como névoa distante que se esfuma...
Quis vencer, quis lutar, quis defendê-los:
Quebrei as minhas lanças uma a uma!

Perdi minhas galeras entre os gelos
Que se afundaram sobre um mar de bruma...
- Tantos escolhos! Quem podia vê-los? –
Deitei-me ao mar e não salvei nenhuma!

Perdi a minha taça, o meu anel,
A minha cota de aço, o meu corcel,
Perdi meu elmo de ouro e pedrarias...

Sobem-me aos lábios súplicas estranhas...
Sobre o meu coração pesam montanhas...
Olho assombrada as minhas mãos vazias...


Florbela Espanca, in "A Mensageira das Violetas" 

terça-feira, outubro 06, 2015

A INTELIGÊNCIA DO CORAÇÃO


- O QUE É A CONSCIÊNCIA DA CONSCIÊNCIA,
OU A VERDADEIRA INTELIGÊNCIA?

"A CONSCIÊNCIA TEM FUNDAMENTALMENTE DOIS ASPECTOS:
UM, É O RESULTADO DE COMPARAÇÕES,O OUTRO, É O RESULTADO DA IDENTIFICAÇÃO. UMA É ORGÂNICA OU CEREBRAL, A OUTRA VITAL OU FUNCIONAL."

 
A Inteligência do Coração, que estabelece a relação da Consciência Inata com a observação do facto, é a Identificação.
Identificação significa viver com e no feito observado, sermos nós próprios o feito, experimentar e actuar, sofrer, alegrar-se com ele.
Esta é a “Consciência Simpática”, e não uma consciência subjectiva que a lógica pretende opor à Consciência objectiva.
Sem dúvida, presta-se a confusões: a Consciência Cerebral inscreve-se de maneira cerebral como acabamos de dizer, e a Consciência Inata inscreve-se na natureza dos organismos, ou seja, que o móbil da sua função é o impulso da sua necessidade, a Ideia o princípio de Harmonia.
No ser humano, no animal superior, isto cria a emotividade.

Quanto maior é a sensibilidade emotiva,
melhor se pode expressar a Consciência Inata.


Se o feito observado provoca uma “sensação”, uma reacção tipo egocêntrico, estamos ante a consciência subjectiva.
Se o feito é observado por uma pessoa em estado de neutralidade, um estado impessoal, estamos diante da Consciência simpática.
Todos estes problemas se resolvem numa cultura que implique um desprender-se do egoísmo e do domínio da parte mental (do filme cerebral)."

in “Esoterismo e Simbolismo”
R.A. SCHWALLER DE LUBICZ

NOTA:  Traduzi este excerto de um livro em espanhol,  já há alguns anos (creio que em 2010), e acabei de o encontrar num Blog amigo...é-me grato lembrar e muito oportuna a sua republicação...

MULHERES À ESQUERDA

 
 
Queria manifestar aqui minha sincera admiração por estas jovens mulheres no palco da politica nacional terem feito esta proeza de roubar votos aos homens de barba rija do PS e do PCP...de enfrentarem os demagogos fascistas e ter a sua admiração também - vejo gente radiante com as pequenas...
Sim, reconheço-lhes o mérito e até brilhantismo; são realmente mulheres de armas, de força e convicção,
mas eu apenas penso...e se estas mulheres fossem de facto MULHERES INTEIRAS, conscientes de si e capazes de mudar o mundo afirmando-se como MULHERES por si mesmas, fazendo a diferença, e não pela cabecinha dos seus lideres e dos seus mestres, enfim, as "filhas do papá"...as meninas Atenas do dias de hoje - todas elas saídas da cabeça do Pai. 
Sim, admiro-as mas tenho de constatar que afinal elas são apenas fiéis ao Sistema falocrático e patriarcal - acreditam na Utopia de vencer e serem iguais aos homens. Sei que são humanas e até compassivas com a dor dos outros, dos refugiados e dos pobres, que se preocupam com o povo, mas a cartilha comunista é a mesma de sempre.
Para mim todas estas mulheres com carisma e até com classe, diria, são uma lástima no que diz respeito a sua consciência de si enquanto mulheres...e assim, elas são mais uma traição às verdadeiras mulheres, do que suas pares...mas fica aqui a minha admiração, sinceramente...junto com a minha pena e a minha dor de alma...pela recusa que eu sei elas terem do Sagrado Feminino e da Mística da Mulher.
Mas ai...que reparo que esta minha conversa é a tal "conversa de mulheres", as  obsessivas e histéricas mulheres, as místicas sei lá...e elas são e estão já libertas... de coração, útero e ovários!
Elas Não CHORAM...

rlp

AS MULHERES NO PARLAMENTO

Esta semana, Passos foi objeto de capa de uma revista dita cor-de-rosa, a qual anunciava "uma investigação" sobre o seu primeiro casamento, titulando: "O Pedro é que fazia tudo em casa e tratava das filhas." À partida, esta revelação (verdadeira ou falsa pouco importa) pode parecer contraditória com o que o mesmo Passos disse esta semana para justificar a proposta da coligação de majorar a pensão das mulheres com base no número da prole: "As mulheres é que têm filhos." Não é. O que a capa da revista diz é que Passos, coitado, teve de tomar conta das crianças (ser pai, portanto) porque a mulher não fazia o seu papel; alguma vez se faria capa com uma mulher que toma conta dos filhos? Claro que não, como também esta semana explicou Portas: "As mulheres sabem que têm de organizar a casa e pagar as contas a dias certos, pensar nos mais velhos e cuidar dos mais novos."
As mulheres sabem o seu lugar, acham Portas e Passos. E se não souberem, eles lembram.
E aparentemente, pelo menos no que aos seus partidos e área política respeita, têm razão. É certo que temos hoje mulheres em lugares onde nunca as tínhamos tido - uma presidente da Assembleia da República, uma procuradora-geral da República, uma ministra da Administração Interna, uma secretária de Estado da Defesa. E uma ministra das Finanças (a segunda da democracia) todo-poderosa, terceira figura do governo que não raro parece a primeira. Isso é bom: é bom ter mulheres em altos lugares de representação. Mas para representar o quê, se quando um PM e seu vice reduzem a mulher ao estereótipo de fada do lar e parideira nem um ai se ouve das supostas poderosas?

"Quando andávamos na faculdade, eu a Maria Luís [a ministra das Finanças] costumávamos dizer uma à outra: "Uma mulher não chora"." A frase é da dirigente do PSD Teresa Leal Coelho, apontada como pertencendo ao círculo mais próximo de Passos, numa reportagem sobre feminismo publicada há um ano no DN. Assumindo-se como feminista e permitindo concluir que a colega de faculdade Maria Luís também o será, Leal Coelho prosseguia: "Tem de haver uma militância muito ativa. Não podemos deixar passar nada, nenhum preconceito discriminatório sobre a matéria. Nestes três anos em que estive no Parlamento, ouvi muitas vezes "lá vem a conversa das mulheres". Ora isto não é "uma conversa de mulheres", é de civilização. Mas há sempre esta pressão, "cala-te". Quando defendemos estas questões de uma forma mais assertiva surgem logo as qualificações de "histérica", "desequilibrada", "obcecada". Quando não é pior. As mentalidades só se alteram com chatas." Não queria ser chata, mas não posso deixar passar isto: não ouvi nada a Teresa Leal Coelho ou a Maria Luís Albuquerque sobre o que Passos e Portas disseram. Não sendo possível que concordem, resta concluir que para elas os princípios da igualdade e dignidade das mulheres - a sua própria, portanto - não valem afinal a chatice. Às vezes, mais valeria chorar.

DN - FERNANDA CÂNCIO

OS ARQUÉTIPOS DA DEUSA...


 O ESPECTRO DO FEMININO:
DO SAGRADO AO PROFANO


“(…) S. traz, em suas manifestações conscientes, clara identificação com o arquétipo de Deméter, a deusa maternal. Em contrapartida, em seus sonhos, aparece o arquétipo de Afrodite, a deusa do amor. Tal aspecto é confirmado pelo fato de S. manifestar grandes dificuldades em conciliar seus impulsos maternais e eróticos. Da análise dos sonhos e discurso da paciente, estabeleceu-se com clareza a díade Deméter-Afrodite, Lilith-Eva, reforçando a idéia da cisão do feminino em S. Segundo CORBETT (1990), o mesmo díptico aparece na mitologia cristã, entre a Virgem Maria e Maria Madalena. A Virgem Maria é a idealização da feminilidade, pessoa de absoluta pureza sobre a qual não há sombra de pecado. Sua primeira associação é com o filho, que é sacrificado; o papel de Maria como esposa e mulher é insignificante. No lado oposto, está Maria Madalena, o lado sexualizado da díade, como figura feminina com quem as mulheres podem se relacionar sem trair sua natureza essencial. Sua imagem, como o da prostituta sagrada, é capaz de encerrar todos os aspectos dinâmicos e transformadores do feminino - paixão, espiritualidade e prazer. Através dela, a Grande Deusa, vive no cristianismo. Da mesma maneira as mulheres do mundo patriarcal, as modernas Evas, frequentemente encontram sua natureza Lilith no espelho, isto é, na sua reflexão narcísica. A mulher precisa ficar atenta a seus próprios valores naturais, unir Lilith a Eva, e viver o eterno ciclo de alternância entre estes opostos. Esta divisão entre o sagrado consciente (identificado com Deméter, Eva e a Virgem Maria) e o profano inconsciente (representado por Afrodite, Lilith e Maria Madalena), tornam o feminino consciente de S. unilateral e portanto neurótico.
(…)
Pela imensa dificuldade de integrar seu feminino, o consciente da paciente tende a chamar para si o rapto e a violência pois, aquilo de que ela se defende e que constitui o oposto de sua atitude consciente, não lhe dará sossego e a perturbará até que seja aceito.
Segundo JUNG (1995), a única pessoa que escapa da lei sinistra da enantiodromia* é aquela que sabe como se afastar do inconsciente, não reprimindo-o - porque neste caso o inconsciente haverá de atacá-la pelas costas - mas, colocando-o claramente à sua frente, como aquilo que ela, a pessoa, não é. Esta atitude permitiria, por um lado, despojar o ego da falsa cobertura da persona, e por outro, do poder de sugestão das imagens primordiais, o que para Jung representa o objetivo do processo de individuação. A moralidade judaico-cristã tem, de forma direta ou indireta, influenciado poderosamente as atitudes com relação ao feminino. Esta visão convencional relega o feminino ao exílio, negando o instinto, o sentimento e dissocia a maternidade da sexualidade. Este legado milenar de cisão interna toca indiscriminadamente a todas as mulheres, destituindo-lhes de identidade como tal. Mulheres eternamente em busca de si mesmas, com a única e suprema pretensão de serem apenas o que lhes é inalienável por herança genética, por direito e por justiça: serem mulheres na mais profunda e plena acepção da palavra.”

 *Enantiodromia é um conceito introduzido na psicologia pelo psiquiatra Carl Gustav Jung no qual a superabundância de qualquer 'força' inevitavelmente produz o oposto do que é expectativado. É de certo modo equivalente ao princípio de estabilidade no mundo natural, onde qualquer extremo vem a ser incompatível com a idéia de equilíbrio, tal como esse conceito é entendido.
Jung o utilizou particularmente para se referir à ação inconsciente, conflitante com os desígnios da mente consciente. ("Aspectos da Masculinidade",capítulo 7). Wikipedia
 
Ana Carolina Silva Freire
Elisa Maria Chab Billwiller
Márcia Helena Mendonça
 
Copiado de A DEUSA NO CORAÇÃO DA MULHER de Luiza Frazão
 

segunda-feira, outubro 05, 2015

As mulheres do Sistema não o mudam...



 
TENHO MUITO PENA...

Não, tenho muito pena, mas não, não estou contente por mais mulheres fazerem parte do Parlamento...Até posso apreciar ou admirar estas jovens mulheres que são, sem sombra de duvida,  brilhantes e inteligentes, mas sei que na realidade elas não fazem nenhuma diferença dos homens...são porta bandeiras dos partidos, figuras de género...e são tão iguais, tão competitivas e mentais como eles. Elas lutam pelo poder como os homens, elas pensam como os homens e os seus ideias, elas afirmam-se como os homens, dentro e fora e não têm a menor consciência do seu SER MULHER intrínseco; não há qualquer vestígio de FEMINILIDADE essencial nessas mulheres - falta-lhes uma qualquer dimensão espiritual e anímica... 
 
Por isso elas não fazem nem nunca fizeram a diferença - tanto que é assim que nem uma palavra sobre o Drama da Mulher no Mundo, o Feminicídio (assassínio de mulheres só porque são mulheres) - a violência doméstica e a prostituição em geral. Para elas isto faz parte assente do Sistema e elas compactuam com ele, sempre compactuaram...
rlp
 
 

AS RACIONALIDADES MASCULINAS - a que as mulheres na política dão voz...

"A mulher deve seguir as suas próprias tendências culturais, que estão intimamente ligadas ao paradigma da Grande Mãe, que é a grande reserva, a eterna reserva da Natureza, precisamente para os impor ao mundo ou pelo menos para os introduzir no ritmo das sociedades como uma saída indispensável para os graves problemas que temos e que foram criados pelas racionalidades masculinas.
(...)
É aquilo a que eu... chamo o cansaço do poder masculino que desemboca no impasse temível do tal equilíbrio nuclear que criou uma situação propícia a que os valores femininos possam emergir, transportando a sua mensagem.

NATÁLIA CORREIA, in Diário de Notícias, 11-09-1983
(entrevista concedida a Antónia de Sousa)

Akhilanda

 


A deusa e a Mulher...

"Akhilanda é a Deusa "d@s que nunca estão inteir@s". Um dos arquétipos de Durga e a Deusa que simboliza o ataque do crocodilo ou de tudo o que nos reduz a pedaços. É a regente da força que se sente quando se pensa que nada mais há a perder. A força de sobrevivência e a metamorfose depois de cada destruição. Acrescento ainda que o facto de nunca estarmos inteiras permite-nos reformulações da nossa identidade e de novas possibilidades.
Não há uma formula universal de se sublimar a cada momento, ou a cada dor, a cada perda...há uma forma pessoal que é coerente a um caminho percorrido."


ananda khrisna lila

“(...) Mas não sou completa, não. Completa lembra realizada. Realizada é acabada. Acabada é o que não se renova a cada instante da vida e do mundo. Eu vivo me completando... mas falta um bocado.”

Clarice Lispector
 
 

 

A ROSA




“Qualquer um pode amar uma rosa, mas é preciso um grande coração para incluir os espinhos.”


Clarice Lispector

TRISTEZA

 
 
 Deve chamar-se tristeza
 Isto que não sei que seja
 Que me inquieta sem surpresa
 Saudade que não deseja.
 Sim, tristeza - mas aquela
 Que nasce de conhecer
 Que ao longe está uma estrela
 E ao perto está não a Ter.
 Seja o que for, é o que tenho.
 Tudo mais é tudo só.
 E eu deixo ir o pó que apanho
 De entre as mãos ricas de pó.
 
FERNANDO PESSOA