quinta-feira, novembro 05, 2015

A INVEJA E O CIUME...



Estava a pensar como a inveja e o ciume na mulher a pode cegar e levá-la a atitudes extremas camufladas de tanta coisa "razoável" e justificada...Estes aspectos subrepticios e psicológicos do nosso ser (mulher cindida) dada as circunstânncia da nossa educação - o que quer dizer, abandono de nós como filhas por parte das mães - leva-nos a agir ou a reagir sobre pressão de forma extrema perante coisas de nada...
Sim, a inveja e o ciume da amiga ou irmã - uma forma de desejo d...a outra, ser a outra, querer a sua atenção - são muito mais comuns do que parece entre mulheres e muito mais pernicioso do que imaginamos...
Precisamos de ter atenção e discernimento sobre as nossas impressões e sentimentos contra algo ou alguém...o que nos move...porque o OLHAR o outro/a...é sempre um espelho do nosso desejo inconsciente. Esse desejo (sede de ser) não tem de ser sexual - embora esta seja a forma mais primária de identificar o desejo ou o amar-odiar alguém - isto entre mulheres é tudo muito disfarçado e mascarado.
As mulheres têm tanto medo umas das outras como delas mesmas...por isso só estão seguras perante o olhar de um estranho: o homem...com o homem elas sabem o que tem para dar e que ele quer e que elas não recebem nada...mas continuam a fingir que acreditam e esperam tudo dele...o sonho ou o par romântico...Por ele traimos tudo e todas e a nós mesmas. Constantemente.

rlp

quarta-feira, novembro 04, 2015

PORQUÊ?

As mulheres (e o homem)....

Que mulheres são estas?
Será que é mais fácil criar empatia com homens do que com mulheres?

Quando observo um grupo misto de homens e mulheres tenho realizado que as mulheres são muito mais receptivas às conversas que os homens estabelecem, valorizando através da expressão corporal, olhar, risos, tudo, mesmo as banalidades desprovidas de humor sem interesse que o homem expressa. Esta constatação magoa-me e deixa-me frustrada…porque somos assim? Porque precisamos que um homem nos valorize com a sua presença ou com a sua conversa para nos sentirmos vivas?
Porque é que a opinião de um homem tem tanta importância para uma mulher? A reacção de uma mulher ao piropo de um homem é completamente diferente de ao piropo de uma mulher. Os seus olhos brilham, os seus lábios sorriem e ela fica logo mais bonita…, precisa disso para se sentir bela!..

Onde está beleza interior, a real, a verdadeira, a que existe independente do estímulo exterior? A que existe independente do resultado do que os homens quiseram que nós fossemos!...Por um lado, as belas, sedutoras, meigas, as mães e esposas e por outro as sexuais, libidinosas e atrevidas, as mulheres que procuram fora do lar, a outra parte de uma mulher dividida pela igreja a Santa e a prostituta, a Maria e a Maria de Madalena!...
Ainda há mais partes constituintes de uma mulher e essas partilhamos com quem? Com as nossas mães? Com as nossas irmãs mulheres? A agressividade, a fealdade e o azedume? Porquê esta dicotomia de comportamento? Porque não podemos ser somente o que somos, inteiras e completas nas nossas multifacetadas dimensões?
AMFM

RESPOSTAS (e causas)...
1-
Fomos educadas e treinadas para "adorar" o homem, nada de novo. A questão deve ser posta na tomada de consciência dessa formatação que nos foi imposta sem que de livre vontade a quiséssemos aceitar. Todas, de uma forma ou de outra, somos traída por esse sentimento impregnado em nossas células. Buscamos a atenção do pai, do irmão, do filho, do colega, sempre em primeira instância a atenção do homem, a sua validação, como boas vassalas, procurando a preferência sobre nós. Por isso as outras mulheres são sempre rivais... Há que estar atentas ao nosso próprio movimento e sobre nós agir revertendo esta subordinação inconscientemente assumida por nós. Que o nosso olhar sirva de bisturi à nossa libertação, primeiramente em cada uma de nós e só depois na outras irmãs... todas sofremos no silêncio e o que a mim me dói mais é que a maioria o faz na total ignorância.
Maria de Lourdes Pinto

2-
São os danos colaterais provocados pelo patriarcado...lembremo-nos das religiões, das políticas, da economia, dos lobbyes da moda, da comunicação ,da saúde ...todos com bacharelatos, licenciatura, doutoramentos, MBA, enfim o topo dos topos da capacidade na manipulação, no crime, na mentira na sedução, contra a Mulher...inflamei-me um pouco, espero que tenha conseguido passar o que sinto.
Maria Antonieta Costa
 

terça-feira, novembro 03, 2015

A VERDADE DA ESPIRITUALIDADE PORTUGUESA...


 
TODOS OS SANTOS A DESPREZAM
 
"Todos os santos a desprezam, ...
bem como todos os homens sóbrios,
que se regem pela justa lei do Deus Apolo.

... Naveguei para procurá-la em regiões distantes,
onde era mais provável encontrar aquela
que queria conhecer mais que todas as coisas,
a irmã da miragem e do eco."


"A Deusa Branca", Robert Graves

segunda-feira, novembro 02, 2015

desejar-invejar

 


A INVEJA NEM SEMPRE SE VÊ...

Há dias li algures um texto de uma amiga  sobre a INVEJA...e fiquei a pensar no que me era proposto pelos seus argumento e no diálogo que seguiu  entre vários comentários em que não intervim num grupo privado no Facebook. ...
Enfim, pensei que não é uma coisa em que eu pense muito...e penso que no meu caso já não a sinto de ninguém e talvez nem mesmo de pessoas ou situações privilegiadas, de benefícios sociais e outros ou do sucesso de terceiros...
Pensei mesmo que não via muito sinais de inveja à minha volta ...que era uma coisa talvez démodé, ultrapassada por mim pela idade e experiência de vida...porque quando deixas de sentir uma coisa também deixas de pensar nela como existente...até que de repente percebi que SIM...que a inveja existe e NÃO É SÓ A INVEJA DE MULHERES - AS MAIS HÁBEIS EM A DISFARÇAR E MESMO DESSIMULAR - mas de toda a gente e de todas as idades, porque a inveja é natural e inofensiva por um lado como por outro lado pode ser muito má e perniciosa tal como o é a inveja em geral que caracteriza os portugueses que se movem dentro dessa zona viscosa do a mandar abaixo toda a gente que singra ou tem sucesso na vida ou então a bajular e a beijar os pés aos mais bem sucedidos socialmente...

Mas a inveja para mim é essencialmente - já escrevi sobre isso em tempos - e na verdade o desejar alguém (ou algo, mas isto já é secundário) quando gostaríamos de ser como ela ou ter algo que ela tem...porque com ele é diferente...Nós mulheres não invejamos os homens - desejamos os homens...a não ser em caso de homossexualidade em geral, latente ou consciente e ai sim, há inveja da mulher do homem e vice-versa...etc.
Mas o homem que se admira ou nos agrada, quase sempre desejamos...mas a amiga que tem o que nós não temos (inteligência, beleza, elegância...ou dinheiro) - não só invejamos como odiamos...

Mas no que eu queria realmente focar-me agora era nesse "desejo" a que se chama "inveja" que tem a mesma raiz em francês - "envier" e que significa as duas coisas com sentidos diferentes -  embora tendo em conta que existe uma inveja-desejo que é realmente perniciosa quando é inconsciente e é muito mau para quem sente e para quem é alvo dela!

"No latim, invidia relaciona-se com a noção de "ver" (videre). O prefixo in associado à visão invejosa, que não desgruda dos bens alheios, mostra o quanto há de recusa e de ódio nesse olhar."

Ora esse desejo-inveja da mulher por outra mulher tem efeitos negativos numa qualquer relação de verdade porque sendo um sentimento altamente negativo mina qualquer comunicação e predispõe à animosidade, e a rivalidade que tanto afecta as mulheres desde sempre...
Tantas vezes a animosidade repentina de alguém ou um olhar hostil vem de uma inveja de nós...e pode ser da filha e da mãe ou de uma amiga intima - pois nem sempre a inveja é consciente - de ter ou ser algo que nós temos ou somos. Isso parte sempre de níveis inferiores e básicos do ser, quando nos sentimos inferiores ou superiores a alguém...

Por outro lado, como dizia mais abaixo...
Precisamos de ter atenção e discernimento sobre as nossas impressões e sentimentos contra algo ou alguém...o que nos move...porque o OLHAR o outro/a...é sempre um espelho do nosso desejo inconsciente. Esse desejo (sede de ser) não tem de ser sexual - embora esta seja a forma mais primária de identificar o desejo ou o amar-odiar alguém - isto entre mulheres é tudo muito disfarçado e mascarado.
As mulheres têm tanto medo umas das outras como delas mesmas...por isso só estão seguras perante o olhar de um estranho: o homem...com o homem elas sabem o que tem para dar e que ele quer e que elas não recebem nada...mas continuam a fingir que acreditam e esperam tudo dele...o sonho ou o par romântico...Por ele traimos tudo e todas e a nós mesmas. Constantemente

PORTUGAL IDENTIDADE E GEOMETRIA


O MEU TEXTO LIDO NO COLÓQUIO
(NO CONVENTO DOS CAPUCHOS)
 
MATER – O FEMININO INTEGRADO

 “No Quinto Império haverá a reunião das duas forças separadas há muito, mas de há muito aproximando-se: o lado esquerdo da sabedoria – ou seja a ciência, o raciocínio, a especulação intelectual; e o seu lado direito – ou seja o conhecimento oculto, a intuição, a especulação mística e cabalística.” - Fernando Pessoa (copiado de Templários na formação de Portugal)

O que eu me pergunto e algo perplexa é como tantos humanistas, poetas e homens sábios, de entre eles tão poucos ou mesmo nenhum se tenha lembrado da correspondência dos sexos quanto a esses dois lados do ser e em como o homem à partida, representa um dos lados, o lado racional e a mulher, naturalmente é a representante do lado intuitivo e emocional. Quer queiramos quer não homem e mulher cumprem papéis diferentes a nível biológico como cumprem papéis diferentes a nível cerebral. Por isso é muito simples e natural pensar que as duas funções são complementares e que uma sem a outra não cumpre o que é o propósito do SER HUMANO e portanto desta humanidade.

Precisamente por isso eu não entendo como é que estes humanistas, espiritualistas e até cientistas de hoje não compreenderam ou ainda não enxergaram, que o facto de a mulher se manter a “culpada”, reduzida a ínfima espécie, ignorada e ignorante da sua dimensão ontológica, impossibilitadas de viver a expressão plena da manifestação do princípio feminino, a que dá corpo, e dada a importância dos dois polos, feminino e masculino, e a urgência de equilibrar e integrar esses polos, não se tenha isso ainda em conta?  
Sim, eu não entendo como os homens continuam a ignorar ou a desrespeitar a mulher e a depreciá-la ao tomá-la por “histérica e bruxa” tal como o fizeram os santos da igreja, os filósofos e até os poetas que não elegem a Mulher, a Deusa e a Musa como fonte de inspiração e iniciadora dos mistérios do Amor, tal como iniciam o homem à vida dando-o a Luz?

Quando olhamos para a nossa sociedade actual o que vemos é uma mulher cindida em duas dando corpo a dois ou mais estereótipos – basicamente entre a santa e a prostituta, a mãe e amante de forma antagónica - e incapaz de se expressar emocional e intuitivamente dando voz ao seu lado cerebral, o direito – ou seja dar voz, como refere F. Pessoa, ao “conhecimento oculto, à intuição, á especulação mística e cabalística” sem que não seja logo acossada e ridiculizada…
Como é que esses doutos homens não viram que não há verdadeiramente uma Mística sem a Mulher e a Rainha tal como a mulher é referida e apresentado na obra alquímica, assim como não há espiritualidade sem a mulher integrada, e isso digo eu! 

 E é aqui que vos introduzo ao tema de hoje:

Mater e O FEMININO INTEGRADO, o que é?

Antes porém eu perguntar-me-ia como é que tantos autores de renome e de valor que continuam a subestimar o papel da mulher nem sequer discorrerem que a mulher ao ser minimizada e a sua natureza dividida, mantendo-se cativa dos preconceitos religiosos seculares que ainda se reflectem nos nossos dias em preconceitos vastos, impregnados de misoginia, do qual parece Fernando Pessoa também padecia quando muito novo…

Quase todos os escritores, historiadores, antropólogos, psicanalistas e cientistas em geral padeceram deste mal ao ponto dos antropólogos julgarem que as deusas de Willendorf, encontradas nas suas escavações e outras estatuetas de deusas, encontradas às centenas, representantes do princípio feminino e maternal, símbolos de fecundação e do sagrado, tal como era vivido e encarada a Deusa Mãe na antiguidade, serem para eles meros objectos eróticos à imagem do que hoje se fará com as mulheres na pornografia e na publicidade. Aí se percebe a mente tacanha do Homem em relação à mulher e se não fossem as antropólogas feministas dos meados do século XX tudo continuaria na mesma!

Em suma, eu pergunto-me estupefacta: como é que ainda hoje os homens não vêem que essa divisão da mulher em duas e a sua cisão no ocidente (sexualidade para um lado e maternidade para outro) priva a mulher da sua totalidade e idoneidade como pessoa e que ao privá-la da sua sexualidade sagrada e capacidade mediúnica, a mulher tornou-se um ser amorfo e subalterno, obediente ao homem ao querer ser e corresponder aos modelos que ele define como “ ser mulher” e os filmes e os Mídea propagam, sem que ela possua um discernimento próprio, sem capacidade sequer para ser A Mãe do Homem e menos ainda a Amante Iniciadora, a Anima, a Soror Mística.

Perante tantos autores consagrados reparo que nenhum dos autores e as suas mais prementes questões de ordem metafísica ou social se debruçam sobre o que deveria ser o papel da mulher na vida da sociedade e da história – sem a cingir ao papel de instrumento ao serviço do Sistema - partindo do princípio de que a mulher é apenas o que eles quiseram que fosse e está muito bem assim ignorada e silenciosa, num total branqueamento da mulher real e do seu sofrimento.

Sim, pergunto como é que chegaremos a algum lado sem se elevar a mulher à sua condição integral e dar-lhe o seu lugar no mundo, o lugar de mulher amante e mãe com toda o respeito e dignidade que nos merece, num e noutro papel, se ela o escolher, tanto como qualquer Mulher só e solitária merece.
E pergunto-me ainda como é que os homens, salvo raras excepções, nunca lhes tenha passado pela cabeça que sem essa Mulher autêntica, a Mulher Integral, a Mulher Iniciada, a sacerdotisa dos templos da antiguidade, a que os padres cristãos destronaram para lhes ocupar os lugares e vestir as suas vestes, usar os seus paramentos, não podem chegar a nenhum lado?
Como é que os espiritualistas de hoje pensam chegar à paz do mundo, à não-violência sem o respeito pela Mãe e a Mulher, e se a mulher continuar a ser acossada e vítima de toda esta violência crescente contra a mulher especificamente, só por ser mulher, e em que todos parecem coniventes em querer branquear, a não ser que a mulher seja uma seguidora obediente aos seus deuses e ao Homem e se lhes submeter como a santa ou a nossa senhora no altar…

Será que não é tempo dos homens e mulheres se aperceberem-se deste clamoroso erro ou desvio histórico, antes religioso agora mais cultural e começarem a atribuir ao Feminino Verdadeiro, esse feminino intuitivo, visionário e místico, da mulher como mediadora das forças cósmico telúrico por excelência e cumprir o seu papel por inteiro e vermos afinal todos e todas que esta é a peça que nos falta a nós mulheres e ao Mundo, para fazer cumprir Portugal?

Ou poderemos nós sonhar cumprir Portugal, sem o espírito Mariano, sem o culto devocional da Deusa Mãe, sem que a Mãe e a Mulher ocupem o seu lugar de honra e sejam respeitadas primeiro que tudo como mulheres como o é a Nossa Senhora de Fátima, Sophia ou a Imaculada Concepção?

Pensarão que é Heresia? Não…

Apenas A NECESSIDADE DE EQUILIBRIO para fazer cumprir uma JUSTIÇA sem a qual não há Verdade no mundo.

Rosaleonorpedro

Sublinhado a vermelho está o que eu me censurei e não disse...
 

TODOS OS SANTOS A DESPREZAM ...

VEJAMOS COMO AFRODITE E EROS
SÃO RETRATOS PELO FIEL CRISTÃO, o pintor místico do século XVI que considerava a pintura como uma criação divina  e inspirada pelo deus dos homens...


Vejamos como a matéria e o tempo são representados e a própria vida que é encarnada na mulher e na Deusa é pintada e mostra fielmente o espírito cristão sobre a Matéria, a Mater e o filho dela, Eros, também reduzido a cadáver e como ela  rejeitado pela cristandade.

Claro que na visão da Arte e da Cultura,  este meu ponto de vista é redutor do homem como génio e do pintor em questão, como místico em busca da libertação divina, mas aqui o que me importa é o sentimento que se repercute nesta imagem de negação da vida e da mulher deusa sobre a nossa realidade ainda nos dias de hoje...e como o próprio amor humano, sensual e sexual que dá a vida o próprio homem é negado na mulher como manifestação inferior e como esse espirito cristão infectou e contaminou o inconsciente colectivo de ódio e repulsa pela Mulher, desde Eva...

E reparem nesta legenda da imagem que diz:

"Os deuses Afrodite e Eros..." obviamente o filho superior à Mãe...e sendo na linguagem ele embora criança, o nomeado...
Quadro A Matéria do Tempo: Francisco de Holanda
...

"Os deuses Afrodite e Eros, representados como cadáveres em decomposição, por Francisco de Holanda, em De Aetatibus Mundi Imagines, Biblioteca Nacional de ..."


 

sexta-feira, outubro 30, 2015

O SISTEMA PATRIARCAL - O QUE É?


O PATRIARCADO NÃO É UMA "SUPERSTIÇÃO"...

"Patriarcado é uma cultura, um sistema, uma civilização, um sistema econômico, um sistema político, um sistema legal, um sistema religioso, um sistema científico, e assim por diante. Mas acima de tudo, o patriarcado é um PODER. Um poder que se manifesta em todos os lugares, instituições, pessoas, hábitos, culturas, religiões, ideologias, mesmo entre mulheres. Isto porque o patriarcado socializa com os papéis e as hierarquias de gênero... que existem entre homens e mulheres. O patriarcado existe há tanto tempo pois promove a sociabilidade entre homens, que se tratam como irmãos (fraternidade), atribuindo-lhes poder. Enquanto isso, obriga as mulheres a reproduzirem e sustentar materialmente os homens, socializadas entre si como inimigas, servindo aos interesses do desejo masculino."

Texto adaptado de: “O que é feminismo” de Dra. Elida Aponte Sánchez
 

quinta-feira, outubro 29, 2015

QUE AZAR

TUDO ISTO À LUPA...
 

TUDO ISTO ACONTECE A MULHER - e como pode a mulher acreditar que é emancipada nesta sociedade?


que azar
nascer mulher...
furar a orelha
usar cor de rosa
lavar a louça
limpar a casa
lavar a roupa
chegar na escola e ter vergonha
dos peitinhos que crescem
e o parente que espia atrás da porta e diz
não tenha vergonha deles
um sutiã com bojo para aumentá-los
um lápis preto no olho porque
as maravilhosas da televisão usam
e de repente é puta
porque beijou um menino na festinha americana
e no outro fim de semana beijou outro
e de repente está bebada
na cama de um sexo masculino
-Acho melhor a gente parar.
-Calma, deixa eu finalizar.
Primeiro namorado, levantou a mão para dar um soco, abaixou em seguida.
Ô delícia! Ô gostosa! Deixa eu meter nessa bucetinha.
e no transporte coletivo com o ônibus lotado roçam o pau na sua bunda.
e numa balada playboy passam a mão na sua bunda.
e aí o parceiro se recusa a usar camisinha, ela cede
menstruação atrasada, desespero, ansiedade, estresse,
enlouquece.
compra o remédio abortivo, a menstruação desce
o sangue? É sujo.
o corpo? É dela.
e o parente
-Você não vai se maquiar? Parece uma sapatão.
-E essa roupa? Parece uma mulamba.
-Passa um batom, bota um salto, se arruma, minha filha.
-Que homem vai te querer vestida desse jeito?
-Mulheres nojentas, essas que não se depilam.
-Você vai sozinha? É muito perigoso, você é mulher.
É retirada do estabelecimento por amamentar em público
ninguém mandou fazer, na hora foi gostoso não?
e num papo sobre sexo com as amigas descobre que
uma delas, aos 29 anos, nunca teve orgasmo
e que o abuso é calado
e que outra toma anticoncepcional
para que o parceiro não precise usar camisinha
porque hoje em dia as doses de hormônios são muito baixas
e é completamente seguro para saúde das mulheres
(disse o doutor)
e para o estado
ter você sob controle
e que tenha vergonha do seu corpo imperfeito
e que se afunde no salão de beleza, na academia e no shake
e que seja frágil, para não conseguir andar
e que consuma muito para não conseguir pensar
porque hoje em dia querem lhe roubar até o parto natural
porque o assunto veio a tona na mídia virtual
porque caiu no enem
porque as mulheres estão se unindo
porque a violência existe escancarada
porque está na hora de um basta
porque o assunto vai ser sempre tratado com desprezo e chacota
por machos-alfas que estão perdendo o posto e vão dizer:
-Machismo não existe!
-Feminismo para que? Bando de mal comidas.
e esquecem das próprias mães.
-
Texto de Caroline Lemes

terça-feira, outubro 27, 2015

A LUTA DAS MULHERES...


E A REACÇÃO MISÓGINA DOS HOMENS...

Estava a pensar em como é que os homens em geral, seja na politica seja na literatura ou arte e mesmo os ditos espirituais reagem à questão do assédio e da violência generalizada sobre a mulher, o FEMINICIDIO, pela forma como escondem e branqueiam esta questão sempre com displicência e arrogância quando olham as mulheres ao falar-se disso; e o mesmo acontece com as mulheres supostamente intelectuais, quando se abordam estas questões entre si querendo sempre fazer parecer qu...e está tudo bem e que a mulher conseguiui a igualdade...e é livre!
 

Sim a mulher está na luta pelo poder e desafia todos os tabus e preconceitos seculares que sobre ela caiam e estão vinculados ainda à religião e ao Sistema Patriarcal. O drama da mulher porém é que ela não viu a armadilha em que caiu e que afinal a conquista dessa igualdade...é uma falsa liberdade baseada na sua afirmação pelos valores dos homens, sendo como eles e não verem que isso nada tem tem a ver com a verdadeira feminilidade...mesmo que sigam a moda e a estética e a cosmética, tudo isso é uma máscara que nada tem ver com a Mulher real.
 

As feministas lutaram por essa igualdade (e eu também), pela liberdade e direitos iguais...mas o que aconteceu é que o que conseguiram fazer foi transformar a mulher num travesti do homem e não se encontraram nunca como Mulheres...A essência do feminino e a sua dimensão ontológica foi apagada e as mulheres são hoje mais masculinas e agressivas que os próprios homens e sujeitam-se assim a uma luta de forças quase bestiais que leva social e psicologicamente a uma crescente violência e abuso sobre si e as outras mulheres - elas cairam na armadilha do patriarcado, na ilusão de liberdade, e não conseguem ver que estão cada vez mais longe da verdadeira mulher, da sua dignidade, lutando pelo Sistema e as suas ideias contra si mesmas...
rlp

segunda-feira, outubro 26, 2015

E as mães são cada vez mais belas.

AS  MÃES
(...)
No sorriso louco das mães batem as leves
gotas de chuva. Nas amadas
caras loucas batem e batem
os dedos amarelos das candeias.
Que balouçam. Que são puras....
Gotas e candeias puras. E as mães
aproximam-se soprando os dedos frios.
Seu corpo move-se
pelo meio dos ossos filiais, pelos tendões
e órgãos mergulhados,
e as calmas mães intrínsecas sentam-se
nas cabeças filiais.
Sentam-se, e estão ali num silêncio demorado e apressado
vendo tudo,
e queimando as imagens, alimentando as imagens
enquanto o amor é cada vez mais forte.
E bate-lhes nas caras, o amor leve.
O amor feroz.
E as mães são cada vez mais belas.
Pensam os filhos que elas levitam.
Flores violentas batem nas suas pálpebras.
Elas respiram ao alto e em baixo. São
silenciosas.
E a sua cara está no meio das gotas particulares
da chuva,
em volta das candeias. No contínuo
escorrer dos filhos.
As mães são as mais altas coisas
que os filhos criam, porque se colocam
na combustão dos filhos, porque
os filhos estão como invasores dentes-de-leão
no terreno das mães.

(...)
(Excerto de poema de Heberto Hélder)