sexta-feira, janeiro 08, 2016

PENSANDO...



Há uma realidade interior e há uma realidade exterior...às vezes é difícil conciliar estes dois planos da nossa existência e nem sempre temos consciência deles em simultâneo e normalmente é como se um lado negasse o outro e assim não entendemos este paradoxo aparente que é sermos seres interiores com uma vida psíquica e sensitiva particular e intransmissível e por outro uma vida exterior em que nos movemos numa outra realidade, a concreta, e em que a acção e o pensamento são... necessários mas sem lesar a nossa existência intima, onde o pensamento e a acção não nos afectam...Uma coisa não exclui a outra. Temos de "dar a césar o que é de césar e a deus o que é de deus", por assim dizer, embora chamemos deus apenas a parte de nós de que mal temos consciência. Há em nós um observador da nossa vida exterior que não interfere nos nossos actos directamente e há um actor que deve agir em função dessa realidade e a haver uma verdadeira consciência da Consciência do Ser como um todo pode até haver coerência...mas é muito difícil entender isso, pois a dualidade parece que separa e divide a vida em dois planos e não sabemos integrar os opostos - pois é colocando-nos acima dessa dualidade que poderemos entender este mecanismo do ser como um todo e em simultâneo sermos uma mesma só pessoa...
(Uiiii...onde eu me meti...)

rlp

quinta-feira, janeiro 07, 2016

TUDO ISTO É INUTIL...



SERMOS LOUCOS...?


"Portanto, nós devemos rezar para que, um dia, nos tornemos realmente loucos. Não no sentido de se tornar algo como um lunático de um desses asilos. A loucura, a qual estamos nos referindo é a que vai além dos "oito dharmas mundanos"; realmente não se importar se você está sendo elogiado ou criticado é a loucura final. Do ponto mundano de vista do mundo, sempre que é elogiado, você deveria estar feliz, e quando você é criticado, você deve ser infeliz. No entanto, os seres sublimes não são movidos - é por isso que achamos que eles são loucos. Isto é o que você tem que almejar.
Não faça isso agora, porque vai se voltar contra você! Apenas tenha como aspiração. Se você tentasse fazer isso agora, não só deixaria de ajudar a sua prática como iria também perturbar os outros. Então continue de uma forma que qualquer ser humano decente iria querer que você se comportasse. Mas, ao mesmo tempo, deixe este alarme soar continuamente em sua cabeça: "Tudo isso é inútil."

Dzongsar Jamyang Khyentse Rinpoche

"Advice on How to Practice", Silz, Germany, August 2001.

quarta-feira, janeiro 06, 2016

Por que razão ficaríamos nós viciados em outra pessoa?


“A DEPENDÊNCIA
E A PROCURA DO ESTADO INTEGRAL"


Por que razão ficaríamos nós viciados em outra pessoa?

A razão pela qual uma relação de amor romântico é uma experiência tão intensa e procurada por todos nós é por dar a impressão de proporcionar uma libertação de um estado profundamente enraizado de medo, de carência e de deficiência, estado esse que faz parte da condição humana na sua situação não redimida e não iluminada. Há nele uma dimensão física, assim como uma dimensão psicológica.
Ao nível físico, é óbvio que você não é completo, nem nunca o será: você ou é homem ou é mulher, ou seja, metade de um ser completo. A este nível, o anseio pelo estado integral – o regresso à unicidade – manifesta-se como uma atracção do masculino pelo feminino, como uma necessidade do homem por uma mulher, ou a necessidade de uma mulher por um homem. É um desejo quase irresistível de uma união com a polaridade oposta. A raiz desse desejo físico é um impulso espiritual: o anseio pelo fim da dualidade, um regresso ao estado integral.
Ao nível físico, você só se conseguirá aproximar desse estado pela união sexual. É por isso que ela é a experiência mais profunda de satisfação que o domínio físico lhe pode oferecer. Mas a união sexual não passa de um vislumbre fugaz do estado integral, um instante de êxtase. Enquanto você procurar a relação sexual, inconscientemente, como meio de salvação, estará a procurar o fim da dualidade ao nível da forma, onde ele não se encontra. É-lhe dado um vislumbre tentador do paraíso, mas não lhe é permitido permanecer nele, e você encontra-se novamente num corpo separado.
Ao nível psicológico, a sensação de carência e de deficiência é ainda maior do que ao nível físico. Enquanto você se identificar com a mente, terá uma sensação de identidade com origem no exterior de si próprio. Ou seja, a sua sensação de identidade deriva de coisas que, em última análise, nada têm a ver com quem você é: a sua posição social, os seus bens, a sua aparência exterior, os seus sucessos e insucessos, as suas convicções, etc. Esse falso eu construído pela mente, o ego, sente-se vulnerável, inseguro, e anda sempre à procura de coisas novas com as quais se identificar a fim de ter a sensação de que existe. Mas nunca nada é suficiente para lhe dar uma satisfação duradora. O seu medo permanece; a sua sensação de carência permanece.
E é então que surge aquele relacionamento especial. Parece ser a resposta a todos os problemas do ego e parece satisfazer todas as suas necessidades. Pelo menos assim parece, ao princípio. Todas as outras coisas a partir das quais você obtinha a sua sensação de identidade tornam-se agora relativamente insignificantes. Você tem agora um único ponto fulcral que as substitui, que dá sentido à sua vida e através do qual você define a sua identidade: a pessoa por quem está "apaixonado". Aparentemente, você deixa de ser um fragmento num Universo que não quer saber de si. O seu mundo tem agora um centro: a pessoa amada. O facto é que o centro está fora de si e, por conseguinte, você continua a ter uma sensação de identidade com origem no exterior, o que ao princípio parece não ter importância. O que importa é que os sentimentos subjacentes ao estado não integral de medo, de carência e de insatisfação pessoal, tão característicos do estado egoico, deixam de existir. Será? Na verdade, esses sentimentos desaparecerão ou continuarão a existir sob a superfície de uma aparência de felicidade?
Se nos seus relacionamentos você sentir ao mesmo tempo "amor" e o seu oposto – agressividade, violência emocional, etc. –, então o mais certo é estar a confundir o afecto do ego e o apego viciante com o amor. Não pode amar o seu parceiro num determinado momento e atacá-lo a seguir. O amor verdadeiro não possui oposto. Se o seu "amor" tiver um oposto, é porque não é amor mas sim uma forte necessidade do ego de uma sensação de identidade mais completa e mais profunda, necessidade essa que a outra pessoa satisfaz temporariamente. É um substituto do ego para a salvação que, por um curto espaço de tempo, quase parece a salvação.
Mas chegará uma altura em que o seu parceiro se comportará de uma maneira que deixa de satisfazer as suas necessidades, ou antes, as do seu ego. Os sentimentos de medo, sofrimento e carência, que são parte intrínseca da consciência egoica, mas que foram encobertos pelo "relacionamento amoroso", vêm de novo à superfície. Tal como qualquer outra dependência, você sentir-se-á bem enquanto a droga estiver disponível, mas chegará invariavelmente uma altura em que a droga deixará de ter efeito em si. Quando esses sentimentos dolorosos reaparecem, você sente-os com uma intensidade ainda maior e, pior ainda, passa a encarar o seu parceiro como a causa desses sentimentos. Significa isto que você os projecta para o exterior e ataca o outro com a violência feroz que faz parte da sua dor. Este ataque pode despertar a dor do próprio parceiro que poderá contra-atacar. Neste ponto, o ego continua a ter a esperança inconsciente de que o seu ataque ou a sua manipulação serão castigo suficiente para levar o parceiro a mudar de comportamento, e assim usá-lo novamente para encobrir a sua dor.
Qualquer dependência tem origem numa recusa inconsciente de você enfrentar e ultrapassar a sua própria dor. Qualquer dependência começa e acaba com sofrimento. Seja qual for a substância de que fica dependente – álcool, comida, drogas legais ou ilegais, ou uma pessoa – você está a usar alguma coisa ou alguém para encobrir a sua dor. É por isso que, passada a euforia inicial, há tanta infelicidade e tanto sofrimento nos relacionamentos íntimos. Não são eles que provocam sofrimento nem infelicidade. O que eles fazem é fazer ressaltar o sofrimento e a infelicidade que já estão dentro de si. Qualquer dependência faz isso. Qualquer dependência, passado algum tempo, deixa de ter o efeito de acalmar o seu sofrimento, e então você sente o sofrimento mais intensamente do que nunca.
É por essa razão que muitas pessoas estão sempre a tentar fugir do momento presente e a procurar algum tipo de salvação no futuro. A primeira coisa que encontrariam, se concentrassem a atenção no Agora, seria a sua própria dor, e é disso que elas têm medo. Se ao menos soubessem como é fácil aceder, no Agora, ao poder da presença que desfaz o passado e o seu sofrimento, da realidade que desfaz a ilusão. Se ao menos soubessem quão perto estão da sua própria realidade, quão perto estão de Deus.
Evitar os relacionamentos numa tentativa de evitar o sofrimento também não é resposta. Seja como for, o sofrimento existe. Três relacionamentos falhados em três anos terão mais hipóteses de o forçar a despertar do que três anos passados numa ilha deserta ou fechado no seu quarto. Mas se você fosse capaz de trazer presença intensa para a sua solidão, essa solidão poderia levá-lo a despertar…”

Eckhart Tolle

terça-feira, janeiro 05, 2016

AGRADEÇO MUITO

A UMA UM LEITORA pelo seu testemunho...



"RLP, gostaria de agradecer pelos seus textos. Há quase um ano acompanho seu blog e ele tem sido uma ferramenta muito útil nessa época da minha vida. Vou completar 24 anos em 2016 e sinto que minhas leituras por aqui tem contribuído muito para a questão que essa postagem coloca: Nascer de si mesma (e sim, que arte difícil!).
Costumava me sentir bastante cética e descrente de tudo. Era muito ligada ao pensamento frio e "quadrado" do mundo. Pensava que nunca haveria de encontrar na História e/ou em textos bem escritos, a verdade que eu sempre busquei em relação ao feminino e às mulheres.
Era como se apenas os fatos horríveis fizessem sentido: As guerras, as mortes, a destruição da natureza a inteligência dos homens (gente nascida assim), a inferioridade das mulheres, e tudo mais que existe por aí... No fundo, por mais que eu me fizesse identificar com as gerações atuais, com o modo de vida atual, sempre ficava uma saudade da infância. Parecia-me que quando criança eu não era dividida. Não precisava ser santa, nem prostituta. Tão pouco precisava agir ou pensar como um homem para me adequar e "me dar bem" nesse mundo. Me bastava ser; Aprender sem taxação ou implicação alguma relacionada ao meu sexo.

(...)
Afinal viver tem me feito muito mais sentido.
Sinceramente, ler sobre as questões da androginia, poesia, alquimia, ciência e tantos assuntos em seu blog me faz sentir alívio. É como uma biblioteca de conforto e sabedoria, onde acabei encontrando pensamentos em comum. Posso dizer que aqui firmei a extinção do meu sutil “complexo de inferioridade”, e não mais me sinto só. Nem devendo nada a ninguém.

Agradeço muito…"

Melissa

E A NECESSIDADE DE PALCO...


Queremos que gostem de nós. Como as crianças...

Cada dia que passa e quanto mais envelheço, melhor me apercebo do quanto me sinto intolerante para com os sucedâneos de vida e as imitações artísticas - a necessidade de palco - e as fantasias românticas, sobretudo das mulheres oferecidas. Intolerante para com o ego e as personas e as projecções insufladas do ego e da mente, o puro intelecto e os saberes pretensamente profundos...e de todo este carnaval mediático, em que cada qual quer brilhar e mostrar-se disputando os espaços cibernéticos com as suas poses e proezas, as coisas mais insignificantes de um lado e as mais disparatadas por outro...mas choca-me sobretudo ...aquelas imagens fatais de mulheres vulgares em que se oferecem aos homens e aos deuses...
 

Talvez a propósito deste pequeno trecho que escrevi ontem sobre a "necessidade de palco", tive esta noite um sonho muito elucidativo...em que me pavoneava ostensivamente subindo umas escadas e toda a gente me olhava e admirava a minha beleza e elegância...claro que o fazia sem me "denunciar", com ar muito natural...
No sonho eu sentia que estava admiravelmente bem vestida e magra...(na realidade acontece o contrário - vou engordando com os anos, para minha grande aflição) e de facto a vaidade e o orgulho que sentia eram enormes...Eu era o centro de todas as atenções ou porque era importante e dava uma festa ou fazia anos talvez...
O que eu sei era que a importância que me davam aqueles olhares embasbacados e a sua admiração me deixavam "feliz" e contente...e quando acordei e comecei  a pensar no sonho, a analisá-lo, percebi que isso é precisamente o que todas/os e ainda que muitos inconscientemente, fazemos desesperadamente aqui na Blogosfera e na Internet  para ter palco, para se mostrar nos seus atributos, seja  a nível intelectual, seja a nível físico, tal como ser "bela" ou ser "o maior" ou a "pessoa mais importante do palco", seja ele qual for o palco. E fazemo-lo de forma tão cega que nem vemos o ridículo ou a estupidez por exemplo no FACE Book, onde tudo isto é bem mais evidente.
A forma como  no facebook por exemplo, as pessoas expõem as suas vidas com  fotos, desde as posições e situações as mais estranhas, banais e comuns  ao excesso de selfies, tudo isso é quase uma caricatura...como se agora toda gente tivesse um palco para se exibir, quando antes isso só acontecia com os artistas e os famosos...
 

Mas pensei...não há duvida que todas/os vivemos num palco na procura ávida de atenção e protagonismo ou admiração. Afinal de contas buscamos todos/as incessantemente a aprovação do olhar do outro...seja ele quem for...e tudo o que fazemos é um pouco (mesmo que se diga que não) para chamar a atenção sobre nós ... não nos damos tréguas...por isso somos tão simpáticos, tão amorosos, ou tão odiosos, tão cultos, e tão amigáveis ou agressivos, só para o ecrã!

Queremos que gostem de nós. Como as crianças...
 

Sim,  afinal de contas não será isso exclusivamente o que move o ser humano na busca de si mesmo, a necessidade imperiosa de ser reconhecido, SER alguém...vencer na vida, ser famoso...etc. Porque será a pessoa humana tão dependente do olhar do outro/a, a começar do olhar amoroso da Mãe...e quando ela falha levamos a vida inteira à procura dele?

- Mãe...diz-me se eu existo, se eu sou verdade...
 

Será isso o amor que buscamos, para nos dar valor, ter valor, sentir que temos um valor num mundo onde nada realmente dá valor ao que somos de facto, nada dá valor ao que verdadeiramente somos e nos sentimos todos abandonados, órfãos e cativos de um mundo hostil que nos rejeita, em busca de um "deus" maior?
Estou eu aqui a pensar alto...e agora vou mas é tomar banho para aclarar as ideias.

rlp

A SUSCEPTIBILIDADE



UMA  FALSA SENSIBILIDADE...

A Susceptibilidade - uma falsa sensibilidade - é um veneno corrosivo em todas as formas de comunicação...faz com que ao ouvirmos ou lermos algo nos identifiquemos sempre como vitima inocente de algo que nem nada tem a ver connosco e que só por mera coincidência tocou no nosso complexo de inferioridade, medos ou convencimento. Há sempre quem se julgue intocável mas esse é principalmente quem mais se sente visado por tudo e por nada...
Uma pessoa consciente de si, raramente se identifica com o que os outros dizem...Por mim, falo sempre desta humanidade  em geral e de que cada um de nós é um espelho, um reflexo, mas Nunca procuro atingir ninguém pessoalmente e de forma indirecta ou deliberada...
A assunção de que os outros falam de nós...é um erro enorme que cria equívocos e antagonismos desnecessários...e  essa é a origem de muitos conflitos entre as pessoas,  famílias e mesmo muitas guerras...



rlp

segunda-feira, janeiro 04, 2016

NUNCA LHE TOQUES...



SER SI PRÓPRIO


Aprende a desligar as ideias de voluptuosidade e de prazer. Aprende a gozar em tudo, não o que ele é, mas as ideias e os sonhos que provoca. Porque nada é o que é: os sonhos sempre são os sonhos. Para isso precisas não tocar em nada. Se tocares o teu sonho morrerá, o objecto tocado ocupará a tua sensação.
Ver e ouvir são as únicas coisas nobres que a vida contém. Os outros sentidos são plebeus e carnais. A única aristocracia é nunca tocar. Não se aproximar — eis o que é fidalgo.
Ser puro, não para ser nobre, ou para ser forte, mas para ser si próprio. Quem dá amor, perde amor.
Abdicar da vida para não abdicar de si próprio.
A mulher uma boa fonte de sonhos. Nunca lhe toques.
 
Livro do Desassossego por Bernardo Soares - Fernando Pessoa

MEU MEDO MINHA MORTE



O MEDO QUE NOS TOLHE...o medo da dor...

A Ciência diz-nos que ao sinal de stress (medo = ataque ou fuga) uma substância química, de nome feromónio, é libertada na transpiração sem que tenhamos consciência disso. E esse odor também é percebido inconscientemente por outras pessoas, bem como pelos animais instintivamente.

É historicamente comprovado, diz o relatório de um banco suíço, que “quando os cortes aumentam e ultrapassam 2% do PIB, chegando mesmo até 5% do produto interno bruto, o número e a gravidade dos acidentes causados por tumultos sociais aumenta”.

As emoções ganham carácter sistémico e contagioso na dinâmica social. Se todos riem, choram ou se irritam, isso contagia um grupo, imputando uma forma a agitação social no sentido de resolver aquilo que nos causa “medo” – atacando ou fugindo, mas sem saber “o quê”.
O medo é um instinto básico que nos prepara para o que não conhecemos. Cada um de nós aprende com o medo a evitar o perigo da destruição da matéria - você mesmo - ou pode morrer pela alta dosagem da mesma emoção. O grau e intensidade do medo dependerão de uma série de mudanças internas e fisiológicas decorrentes desse nível de compreensão sobre esses medos.

Resolver o medo

O medo é um programa que contém uma evolução de muito desenrolar de problemas resolvidos (ou não), grau e intensidade ao risco, forma, peso, cheiro e dinâmicas próprias geradas por aprendizagem empírica por cada individuo. São experiências arquivadas na memória celular, passadas pelos nossos antecessores para contribuir com a sobrevivência da espécie.

E como qualquer programa, você instala e desinstala ou modifica o seu significado, ou seja, você aprende a ter medo e também “desaprende” a ter medo de qualquer coisa, ou melhor, você aprende a resolver aquilo que o leva à emoção de “congelar as suas ações” ou a “atacar de forma irracional” tudo, por puro medo.

Emoção – do latim movere – significa mover-se, agitar-se, movimentar-se. Dependendo da intensidade da experiência vivida por cada um, o medo pode paralisar, congelar ou até “tirar-nos de cena” - desmaiar. Perdemos o medo a partir do momento em que temos controlo sobre as nossas expectativas em relação àquilo que tememos. É interessante notar que o medo quase sempre se refere a eventos futuros, baseados muitas vezes na pouca experiência pessoal, mas que foi adquirida por experiências de um grupo de vivência (família) ou por um instinto nato.

As crianças têm medo da escola no seu primeiro dia, pois têm receio de que os seus pais não regressem para as levar para casa. Um medo legítimo, pois só uma parte (quem ama a criança) sabe que isso não acontecerá de forma alguma e, com o passar dos dias essa “sensação de abandono” sentida pela criança cessará, tornando-a mais forte para experiências semelhantes. Mas se realmente o medo de abandono da criança for confirmado, essa experiência ficará registada por um longo tempo para eventos futuros semelhantes de forma inconsciente. Ser abandonado é algo marcante na vida de qualquer um.

Muitas pessoas têm medo de entrar num avião, mesmo que nunca tenham viajado num, ou apenas poucas vezes, mas mesmo com medo podem acostumar-se a sensações estranhas como a descolagem ou a turbulência. Aprendemos o que esperar tendo a chance de ver o que os outros fazem para relaxar e desfrutar do voo.

Catsaridafobia ou Katsaridaphobia

Um exemplo que se aplica a muitas pessoas é o medo insano de baratas. E o que nos leva a ter medo de baratas? São nojentas e causam doenças? Alguns povos orientais comem baratas cruas ou fritas e não morrem por isso e são povos com o maior número de pessoas no planeta!

A maioria das espécies de baratas alimenta-se de matéria orgânica em decomposição, que retém uma grande quantidade de nitrogénio libertada nas suas fezes que, em seguida, entra no solo e é usada pelas plantas, diz Srini Kambhampati, um dos maiores especialistas sobre o insecto. As baratas são, também, uma importante fonte de alimento para muitas aves e pequenos mamíferos, como ratos e camundongos, e, portanto, uma parte importante da cadeia alimentar. A extinção de baratas teria um grande impacto sobre a biodiversidade no planeta.

Acredita-se que a relação do medo humano a baratas deriva da experiência dos nossos antepassados que conviverem com elas nas catacumbas (cemitérios subterrâneos), nos túmulos com cadáveres onde o ambiente propicia sua proliferação. Talvez a associação entre a emoção sobre a morte e a visão simbólica das baratas envolvendo-se nos cadáveres esteja ancorada e memorizada nas células humanas passadas de geração em geração como a “visão e cheiro da morte” - o que nos afasta do perigo através do medo das baratas (símbolo).


Sintomas do medo

Ainda mal acabou de ler sobre as “baratas” e já se sente algo desconfortável... E porquê? Você trouxe a imagem do insecto para si, e o seu cérebro deu início ao processo para uma atitude e uma ação. Uma vez que o leitor trouxer a experiência à tona, o seu cérebro começará a resposta ao medo, não levando muito tempo para que as mudanças fisiológicas afectem o corpo inteiro e o seu estado de espírito. As hormonas foram injetadas, a sensação que você sente prova isso, mas você não precisará de correr nem de lutar – foi apenas uma imagem criada por si que o levou a essa emoção, e se você mesmo a criou, você mesmo terá o poder de controlar, e de se acalmar.

Entender como esse processo fisiológico age nos nossos corpos e mentes leva-nos a uma experiência de vida mais inteligente e prazerosa resultando em menos sintomas orgânicos (doenças) e controlo, equilíbrio, sobre o seu estado de humor. Estas alterações são controladas por uma parte do sistema nervoso periférico - sistema nervoso autónomo – o qual regula as mudanças automáticas para funções vitais de todo o organismo e, ao sinal de perigo, o cérebro aciona uma injeção de adrenalina no nosso coração com doses correspondentes à sua necessidade de ação, fazendo com que a pressão sanguínea se eleve bombeando mais sangue com mais força nas extremidades e músculos, caso precise de lutar ou fugir de uma ameaça iminente.

Mas se essas hormonas não forem usadas para esses fins – correr ou lutar - irão acumular-se a cada momento de relativo stress no organismo com sobra de “munição” não usada, e isso não é nada bom. Gasolina a mais afoga o carro.

A experiência do medo foi tolhida, inibida, “civilizada”.

Hoje, essa emoção natural tomou outro rumo, outros significados, outras interpretações que limitam a ação de fugir ou atacar mortalmente o que nos ameaça. O medo ganhou outra face, outro significado. Temos medo de perder a liberdade, de perder o poder de controlar as nossas próprias vidas. E então agredimos com palavras, com gestos e muita adrenalina no coração. Tensão alta, dores na coluna, joelho, azias, vista cansada...

Temos medo da dor. Não tão-somente da dor física, pois muita gente é bastante resistente a dores quotidianas, mas a dor subjetiva da perda de identidade, do fracasso pessoal, da culpa por não atender às expectativas da sociedade. Dor do desapontamento, do descobrimento de informações que inevitavelmente nos impelirão a mudar o nosso comportamento ou pensamento sobre acontecimentos ou pessoas. Acabamos por nos sentir deprimimos, ao invés de enfrentar o medo.

Medo da morte, da não existência.

Você tem medo de não existir? Tem medo de perder as pessoas que ama e estão à sua volta? Medo de não poder ter controlo sobre tudo isso? Mas se tem medo do futuro, medo da dor, da solidão, da pobreza, de falhar como ser humano... acredito que você já não existe, é apenas uma sombra, imagens dos seus pensamentos aprisionados em algum arquivo celular junto a muitas baratas!
Vamos em frente... está na hora de abrir a cela e sair daí. Você é livre para pensar, criar, e inventar novas formas, de não ter medo de tudo. Reprograme-se, aprenda a gerir com equilíbrio as suas emoções, pois elas trabalham para si e não você para elas.

«Embora acreditasse estar a aprender a viver, estava a aprender a morrer»
Leonardo Da Vinci

Laura Botelho

Master Pratitioner Neurolinguística (PNL) - Escritora e pesquisadora

Conselheira de bem-estar e saúde pelo método nova medicina germânica

sábado, janeiro 02, 2016

"A cultura patriarcal tem medo das mulheres solteiras" e das velhas...


O VALOR DE UMA MULHER
de Marianne Williamson


"A cultura patriarcal tem medo das mulheres solteiras. Se um homem não se casa, é apelidada de celibatário. Se uma mulher não se casa é apelidada de solteirona ou então diz-se que ficou para tia. Porque é que uma mulher solteira é uma ameaça à sociedade patriarcal?
O problema principal é que uma mulher solteira não é propriedade de ninguém. Nem os nossos filhos, nem nós dependemos de ninguém. Ninguém nos diz o que podemos ou não... podemos fazer."
(...)
"O poder das mulheres transcende aquilo que normalmente é denominado "questão feminina". O poder da mulher tem a ver com a sua participação activa nas conversa seja em público, seja à mesa de jantar - e com a conquista do espaço emocional que lhe permita adoptar essa atitude.
Significa deixar de ter medo de sofrer qualquer tipo de condenação. Significa ter uma participação activa e ser apoiada nas atitudes que assume."
(...)
"Só seremos livres quando podermos expôr as nossas ideias com a cabeça e com o coração, sem termos de nos preocupar com os olhares de condenação dos homens, das mulheres, da imprensa ou com a vergonha que os nossos filhos possam sentir."

in O VALOR DE UMA MULHER - O LIVRO da Rocco

A ARTE MAIS DIFICIL...