segunda-feira, fevereiro 08, 2016

A DESUNIÃO DAS MULHERES







O PROBLEMA DAS MULHERES
É A RIVALIDADE ENTRE SI...

..."diria até que um dos grandes trunfos masculinos é de facto a poderosa força de união e cumplicidade relativamente ao feminino, em contrapartida a forma como as mulheres se relacionam umas com as outras é por vezes de uma extrema dureza. As mulheres no contexto social actual são rivais entre si perante o masculino e portanto desunidas na sua base sendo muito comum tomarem o partido do homem em detrimento de outras mulheres. A própria sociedade porque baseada nos modelos de actuação masculinos fomenta esta desunião e torna-nos enfraquecidas e isoladas umas das outras. Parece-me que a fim de superar este desequilíbrio a primeira onda tem que partir de nós individualmente, somos nós mulheres que necessitamos mudar o nosso comportamento umas para com as outras e apoiar-nos mutuamente. Na prática do dia a dia isto requer uma atenção constante, um olhar critico sobre nós próprias e sobre os nossos preconceitos."

L. Oliveira

 

 

A MULHER DIVIDIDA





A MULHER MODERNA NÃO SABE DE SI...

A mulher moderna não sabe nem sonha  como começou essa divisão e luta dentro de si mesma, não se lembra de como tudo começou…e por isso não tem consciência do seu ser enquanto Mulher Plena! Ela não sabe, não se lembra quem era e julga que é apenas esse subproduto que o Sistema fez dela mal nasce, condenada ser apenas uma função, de reprodutora e objecto de prazer…
Sim, ela não se lembra de todo como é que perdeu essa inteireza e essa alegria que surgia quando era menina, essa espontaneidade de adolescente, essa ânsia no coração que a despertava da letargia, não sabe e não se lembra de como aos poucos foi ficando calada pois foi obrigada a conter-se e foi assim perdendo essa sua parte instintiva, sensual, ardente e selvagem, a que corresponde a sua força e energia do útero; perdeu a sua alegria genuína e a capacidade de expressar o seu fogo...pois sempre que se  manifestava Menina e Mulher e se soltava e encantava pela sua beleza e magia era olhada com desprezo... logo  julgada pelo medo do papá e da mamã,  tão logo  reprimida como um mal provável, uma ameaça para a família ou para a sociedade não fosse ela rir assim na missa... E  deste modo a menina-mulher aprendeu cedo a reprimir-se, a esconder essa parte de si, essa parte de si mais profunda e autêntica, que olha hoje consciente ou inconscientemente como culpada, e fez tudo para poder ser o exemplo de “uma boa menina”, uma mulher respeitável, ao fazer o que o pai quer dela e  a mãe submissa  debaixo da pata da "protecção" do pai e ela ficar também como a mãe que a nega e odeia, e ela mesma a força  a cumprir o mesmo papel dela ao serviço do casamento, da família e do homem ou do estado...

Então o que fez a menina-mulher? Ela fez tudo o que lhe disseram e tudo de si deu... deu-se no corpo e no sexo, deu-se em esforço e em sacrifício, vazia, sem prazer, frígida, tentado ser o que dela esperavam o namorado e o marido ou o amante mais tarde o filho...mas não, nunca se pode  dar a ela mesma a ninguém porque ELA - ela a mulher verdadeira com a força da Natureza em si ou uma manifestação da Deusa, - não estava lá...
Não a mulher moderna não sabe dessa mulher,  não sabe onde está a sua menina nem a sua mulher ardente! Mesmo que um dia ela se tenha rebelado e fugido de casa ...e tenha lutado; sim ela lutou, lutou, lutou,  com espadas, martelos, foices e metralhadoras...mas foi engolida de novo pela Besta...
 

Então um dia, talvez, como contam todas as histórias das meninas perdidas na florestas ou comidas pelo lobo, amputadas das mãos ou das pernas por causa dos sapatinhos vermelhos... ela acorda  com a corda ao pescoço, violada ou com cancro da mama ou sem útero...e desaba...deixa de acreditar no sonho e aí sim, talvez então ela  renasça...
QUEM SABE? Quando do seu cansaço, da sua tristeza ou amargura, da sua raiva ou da sua nostalgia, ou pela idade ou por pela doença fatal e súbita ou pelo desgosto da perda completa da esperança …e se renda perante  tudo aquilo  que uma vida inteira não obteve e lhe prometeram: o reconhecimento do seu valor, da sua força, da sua coragem, da sua entrega, do seu sacrifício… e então sim, talvez ACORDE para ela mesma e renasça das cinzas como a Fénix...

UMA MULHER É UMA MULHER...




“ A nossa sociedade pretende impor a imagem de homens e mulheres absolutamente iguais, indiferenciadas, intercambiáveis. Homens e mulheres, é a mesma coisa, não existe nenhuma diferença, e eles devem fazer a mesma coisa. É isto o que a sociedade tenta vender a toda a força e se você disser que não, (eu continuo a pensar que não é nada parecido, e não somente eu continuo a pensar que não é a mesma cosia, como quero que não seja nada parecido porque eu penso que isso é o produto da civilização e eu refiro-me a esta civilização), você passa por ser um odioso macho fascista etc. - "
 Eric ZEMMOUR

NÃO HÁ IGUALDADE - HÁ A DIFERENÇA

EM PORTUGAL AS FEMINISTAS NÃO TÊM QUALQUER CONSCIÊNCIA DO FEMININO ONTOLÓGICO, sagrado, nem da sua psique como uma força pois não reconhecem o seu lado emocional dando prioridade a sua mente intelecto; uma das razões de assim ser é que em primeiro  lugar  elas associam a dimensão do feminino ao tido como sagrado das religiões misóginas e patriarcais e segundo porque  não têm a menor noção do seu potencial de mulheres sem ser no plano mental e intelectual, racional. Tudo o que transcende os 5 sentidos e a razão é-lhes estranho. Assim a sua criatividade resume-se aos esforços mentais para definir em esquemas económicos e políticos a luta das mulheres em prol de uma igualdade de direitos...ou para conduzir as outras mulheres dentro do Sistema que é bélico e falocrático,  usando as mesmas armas deles, não as suas...partem para a luta, com armas e bagagens porque elas não tem nenhuma ideia do seu Dom inato, nem da capacidade de Magia que a Mulher verdadeira tem, nem do seu poder interior. 

Em Portugal nunca houve uma consciência efectiva das feministas tirando algumas autoras dos anos sessenta, que se salientaram nos meios académicos e culturais internacionais ainda na altura de Salazar e da Pide e sem dúvida que houve sempre mulheres lutadoras, de têmpera, de que reza a história, mas na realidade, ou porque se perderam em afirmações individuais e interesse particular ou porque foram aglutinadas aos partidos, perderam totalmente a noção das realidades. Ficaram-se pelas ideias e teorias e as utopias dos anos 60, tão prisioneiras ao fim ao cabo do Sistema que as manipula sempre, tal como  foram manipuladas pelas igrejas e os padres antes; agora mandam os camaradas e os lideres e elas calam-se em sentido cumprindo o seu papel secundário de servas, continuando obedientes ao Pai, ao Poder e agora são-no ao grande  líder, quase todas todas as mulheres de esquerda. Em Portugal as feministas estiveram sempre ligados ao partido comunista e aprisionadas à cartilha do partido ou da Ideologia marxista;  nunca houve de facto, penso eu, mulheres livres e independentes com a força das escritoras dos anos 70 como a Mary Daly, a Carol P. Christ, a Merlin Stone, a Marija Gimbutas, mulheres capazes de fazer a mudança ou criar uma base de unidade de consciência efectiva que se tornasse notável em Portugal e dessem uma perspectiva do correcta do que foi o matriarcado nem o papel das mulheres nas sociedades igualitárias . Ainda andamos às voltas com uma existencialista, Simone de Beauvoir e o seu "a mulher não nasce mulher"...
Há sempre a cartilha do líder ou a do marialva...que impera em Portugal, mesmo entre as intelectuais modernas...Quem decide sempre é o romance e o amante...o editor o chefe e o patrão, em suma o Estado ou o Paizinho bondoso e protector perante uma mãe má e histérica. E agora vem todo este simulacro de "espiritualidades" NEW AGE a devolver a mulher a "pureza" e a obediência ao senhor, à luz e ao amor cósmico. Não há duvida que, como diz a Luiza Frazão: " As nossas feministas eram e presumo que continuem a ser ridicularizadas e depois entrou o Reiki e a meditação e pronto, já estamos em Neptuno como se diz em astrologia mas o Saturno e o Úrano estão por resolver e é tudo tão balofo que não se aguenta..."

Leva tempo a perceber que fascistas e comunistas ou espiritualistas fazem o mesmo bode expiatório da mulher...e todos eles buscam branquear a realidade com pseudo-liberdades...
rlp

UM NOVO PARADIGMA

 
 
 
RESPOSTA ATRASADA
A UM COMENTÁRIO DE UMA LEITORA
 
Eu acho que nós precisamos viver separadas dos homens!!!! Eu sinto que isso é um tabu entre as mulheres praticantes da nova consciência...porque não nos separarmos???? Precisamos de espaço, tempo, pra criar !!! Pra criar e agora teremos consciência pra nunca mais nos deixarmos sermos traídas/violentadas novamente..... Gatos mesmos vivem sós porém quando as fêmeas engravidam as outras fêmeas se juntam a ajudam. Eu enxergo mais ou menos assim...É de nossa barriga que vai sair nós temos o poder...

 A. N. junho 28, 2015
 
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Blogger -  Obrigada pela coragem de dizer o que poucas mulheres conseguem verbalizar...e desculpe de nunca lhe ter respondi a este comentário...mas agradeço as suas palavras e a expressão do seu sentir.  De facto é um tabu enorme essa ideia das mulheres poderem viver sós e entre si ou o de criar  uma comunidade só de mulheres; essa ideia será sempre  rejeitada mesmo por mulheres traídas e subjugadas ou até violadas porque elas são quase sempre  maltratadas pelos homens e a sociedade de uma forma ou de outra e no entanto  elas não tem qualquer consciência de como foram usadas colonizadas e instrumentalizadas. O problema é que a mulher está prisioneira deste sistema secular e dessa mentalidade assim como dos padrões e valores  impostos pela sociedade em que vive que depende exclusivamente da economia e do dinheiro onde tudo depende e pertence ao Homem...mesmo as mulheres que se julgam emancipadas, dentro do Sistema, sofrem as influências dele por só usarem a mente e o intelecto e deslingando-se da sua natureza ctónica e  telúrica; na verdade é o próprio sistema e a família  que anula  logo a nascença as mulheres impedindo-as de manifestar minimamente aquilo que são intrinsecamente - daí dizer-se ou  pensar-se que "a mulher não nasce mulher" ...Pensar assim é um erro crasso ou apenas válido tendo esta conta esta premissa.
 
SOCIEDADES MATRIACAIS: "Faz sentido que "qualidades "femininas" tais como o cuidado, a compaixão e a não-violência fossem altamente valorizadas nestas sociedades. O que não faz sentido é concluir que as sociedades em que os homens não dominavam as mulheres eram sociedades em que as mulheres dominavam os homens." [...] Riane Aisler
 
 
Neste Sistema Patriarcal tanto o homem como a mulher estão condenados a PRODUZIR-CONSUMIR E MORRER, mas ainda com o agravante de ser a mulher a serva do homem ou a escrava de um escravo.
A sociedade patriarcal é no seu fundamento e tem como expressão natural e inerente a si a opressão da mulher e serve-se dela em seu benefício o que significa efectivamente a mulher "ser" (viver)  apenas em função do homem e ao seu serviço. Essa Ordem foi assim estabelecida desde o inicio do patriarcado e nunca poderá ser diferente enquanto ela for dominada pelo Homem. Nele a mulher é apenas a esposa e a mãe dentro da casa e no seio da família, e fora de casa ela é a prostituta. Este é o quadro geral desta sociedade ainda que com uns pozinhos de mudança e de liberdades aparentes (ela já pode trabalhar fora de casa) para na verdade essas liberdades concedidas às mulheres ainda servirem melhor o homem...no caso da sexualidade já nem é preciso ter que pagar a uma prostituta para lhe dar prazer que tem obtém em casa porque as mulheres lutam e competem entre si para se darem em "liberdade" (iguais) aos homens ("fodamos") sem que eles precisem pagar ou casar. Os homens tem então ao seu dispor e em qualquer situação mulheres dispostas a darem-se  porque já não precisam vender o sexo, porque vendem a sua força de trabalho - portanto são duplamente reprodutivas...para os homens - aliás triplamente: barrigas de aluguer, objectos sexuais e forças de trabalho - são elas que sustentam o grande capital e as maiores fortunas...Não esqueçamos que as maiores fortunas do Planeta são alimentadas por mulheres: a Zara, o  Ikeia, e Bill Gates...

Enfim, minha amiga, neste quadro geral e dentro do sistema, se a mulher, sem meios de sobrevivência por si,  não estiver ao serviço do homem, do mercado de trabalho e em função do pai e do filho, como poderia a mulher ser ELA MESMA, viver para si e libertar-se realmente?
Como poderia ir viver para a Natureza?
Sim, suponha que íamos para uma aldeia vazia ou para uma Floresta...não deixaríamos de ser perseguidas e atacadas ou condenadas de muitas maneiras.
Portanto a não ser que, dentro da cidade, havendo  pequenos grupos de mulheres conscientes de tudo o que se diz aqui ...se juntassem numa casa  (várias casas) e fizessem pequenas comunidades camufladas onde se protegessem umas às outras e não rivalizassem entre si, deixando de lutar umas com as outras por causa do "seu" homem, talvez pudéssemos sonhar com algo assim, mas as mulheres em geral e infelizmente ainda estão muito longe de ter essa consciência de si, do seu valor real e do seu poder interior; elas apenas se baseiam e vivem por cálculo e ainda apenas no mundo exterior em luta pelo poder do homem e tendo apenas em conta a economia e o dinheiro e só confiam no poder da mente e do intelecto; elas não valorizam a sua intuição, não se guiam pelo seu coração nem tem noção do sagrado da vida. Sobretudo as feministas, perderam muito do seu poder como MULHERES por se basearem apenas no seu corpo e no sexo e mundo exterior, no materialismo...Elas renegaram o poder do útero como força primordial, não deram espaço à sua mística nem ao poder do feminino sagrado, nem à Mãe como a grande geradora da abundância, à própria Natureza tão pródiga e subestimam a sua força, assim como a sua mulher selvagem...a mulher genuína que outrora foi Senhora de si e Deusa. Elas deram toda a força e o seu poder pessoal ao homem e à mente e seguiram as pisadas do Homem da sua educação e do seu Sistema, desligando-se do Principio Feminino e dos valores do feminino ontológico...
A mudança de Paradigma que tanto ansiamos não sei se acontecerá no nosso tempo de vida, pelo menos do meu, porque das duas uma, ou a mulher ancestral acorda em si o seu potencial e nos faz unir em força de vida e de dentro, ou a Natureza Mãe se encarregará de demolir tudo o que foi criado à custa sacrifício d' ELA,  da mulher e da Natureza. Nada virá do Sistema, nem do exterior quanto a mim,  porque vindo do Sistema e de fora e na luta pelas armas, sejam elas quais forem as armas da mulher, eu não acredito na mudança pela força bruta,  pois "quem com ferros mata com ferros morre",  e é o que o Homem faz há milénios, mas através de pequenos focos, contentores e germinadores de uma nova consciência a partir de dentro, de cada ser de cada mulher, do mesmo modo que parem os seus filhos - assim pariremos um Mundo novo. Pequenos focos de mulheres resilientes e focadas em si mesmas indo ao encontro do seu potencial de magas, bruxas, sacerdotisas e feiticeiras...transformando-se no seu corpo-caldeirão e  na sua psique, contactando a sua alma, as suas ancestrais e unindo-se ao seu Espirito, tomando cada uma individualmente consciência visceral do seu poder interior, dos seus fluxos e refluxos, do seu corpo templo sagrado, do seu sexo pleno, todo o seu ser  energia e seiva e sangue e carne e águas percorrendo os seus labirintos interiores  onde a mulher se reencontra e honra a Mãe, a Natureza Mãe  e Gaia.
Sim, é do nosso Útero que vai sair o poder...de gerar uma nova forma de vida...plena e consciente. E aí sim o Filho reconhecerá a Mãe e a honrará também.
fevereiro 08, 2016
           rosa Leonor pedro
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quarta-feira, fevereiro 03, 2016

PENSAR NO FEMININO

O QUE ACONTECERIA SE AS MULHERES
PENSASSEM COM A EMOÇÃO?

O que seria o mundo hoje se as mulheres tivessem podido agir em conformidade com o seu Ser Verdadeiro, o verdadeiro feminino?

As mulheres de hoje são incapazes de pensar por si, pensar no feminino...
O que nós vemos e sabemos é que elas pensam como os homens e agem como os homens. Não fazem a menor diferença deles a não ser na aparência. Elas usam o himisfério cerebral esquerdo - razão e logica - pouca ou nenhuma emoção (emotion - o que move) e todas elas de um modo geral foram e estão formatadas a um Programa mental especifico (controlo) e são adequadas ao Sistema de pensamento masculino para ficarem presas dos seus parametros, guiadas pelas suas cartilhas teóricas ou filosoficas, maçónicas e esotéricas ou religiosa-politicas. Só isto explica que com a percentagem galopante de mulheres formadas nas universidades do Sistema, pouco ou nada evoluiram no sentido de unir a Humanidade...Todas elas, grosso modo, deconhecem o a sua essência, intuição e emoção...porque estão eivadas da cultura patriarcal centenária que se serve da mulher em benefício próprio e da espécie, obedecendo ao Pater familia, servindo a Igreja, o Estado e o Homem, sem pensar nem entender qual a sua verdadeira essência mulher, da qual se foram afastando progressivamente (ou regressivamente!). As mulheres bebem das mesmas fontes patriarcais - intelecto+mente - sem ver nem perceber que foram aglutinadas e excluidas simultaneamente do Ser em si, tornadas apenas mulheres objectos, não Entes, sem identidade própria e sem pensamento próprio - a Mulher pensa com o Coração inteligente (sintese dos dois hemisférios).
 

AINDA "Vivemos numa sociedade em que os homens acham que os ovários e o útero são da humanidade e o seios e a vagina são deles."*
(Albino Aroso, 1923-2013)
 

rosa leonor pedro

É PRECISO RESGATAR A ESSÊNCIA FEMININA



RESGATAR A IDENTIDADE FEMININA, não é uma questão politica nem económica. Não é uma questão de direitos e igualdades ou de "paridade"...é sobretudo uma questão de Consciência do seu valor inato e de voltar a ter uma consciência ontológica e integrar a mulher que foi suprimida e esquecida e que representava a Deusa no começo da nossa História. 
Portanto o que eu digo e sempre realço nos meus textos é que sem a identidade feminina de base, e a integralidade da mulher como Ente independente da sua função mãe -esposa, ou antes de ela se afirmar na politica ou na vida publica ou se iniciar em qualquer caminho espiritual, é fundamental, tal como para o homem é essencial, que ela tenha consciência ontológica do seu ser enquanto mulher de per se e das diferenças básicas entre o princípio masculino e o princípio feminino e os respectivos hemisférios cerebrais. Temos sempre de ter em conta que a falta do princípio feminino no mundo, a sua negação como princípio e os seus valores e o apagamento da sua história ancestral, provocam esta permanente guerra contra a mulher e o seu dominio.
É preciso que ambos os sexos percebam de que ponto partem e como o mundo está manco, dirigido exclusivamente pelo principio masculino…e não é fingindo na rama que tudo está bem, idealizando ou teorizando, com leis ou politicas - como se provou bem nestas décadas - sem querer reconhecer como a mulher é apenas uma metade de si, ambas usadas em campos diferentes e ao serviço do homem porque dividida em duas espécies (a santa e a puta co-existem na nossa mente) e inconscientemente ou não - todas as mulheres são vitimas desta dicotomia. As mulheres que são apenas um subproduto da sociedade machista e patrista e portanto dentro deste Sistema não podemos de todo esperar que a afirmação do Ser feminino seja real. O que se prova é que todos os dias vivemos numa sociedade onde imoera a misogina assim como dentro da própria espiritualidade, de onde ela nasce ou mais foi fomentada e portanto sem que haja uma verdadeira consciência do ser Mulher não haverá evolução nem equilibrio nas sociedade e no mundo, perpetuando-se esta guerra insana cotra a mulher como em todos os fundamentalismos.
Rosa Leonor Pedro

AS FEMINISTAS RENEGAM A SUA ESSÊNCIA MULHER





"Vivemos numa sociedade em que os homens acham que os ovários e o útero são da humanidade e o seios e a vagina são deles."
(Albino Aroso, 1923-2013)


AS ACTIVISTAS E INTELECTUAIS "FEMINISTAS"


É por medo de parecerem religiosas e místicas ou fora do contexto social e político actual assim como do "politicamente correcto", que as mulheres hoje se negam e renegam a sua essência, porque têm medo dos seus lideres e patrões, mestres e mentores, que lhes falam de "paridade" ou vantagem económica ou a liberdade sexual ou da emancipação que elas sonharam possível  dentro da sua ideologia materialista histórica,  caso elas defendam, claro os trabalhadores e as classes desfavorecidas ou então as intelectuais que sonham ser escritoras e galgar o palco mediático ou as políticas nas Assembleias etc.. É por tudo isso a mulher feminista de hoje não quer olhar para a sua essência, para a sua natureza instintiva ou para a sua mística. Mas a sociedade patrista não só não lhe deu a verdadeira liberdade como lhe tirou toda a dignidade, como é incapaz naturalmente de as elevar à dimensão do verdadeiro feminino, afastando-as cada vez mais e mais dessa mulher essência, pois o Sistema em si vive à custa dessa cisão da mulher…eles dividiram a mulher em dois tipos de mulher, "a santa e a pecadora" para poderem reinar…

E o que é essa mulher essência, perguntarão…

A mulher essência é aquela que tomou de novo contacto com a essência do seu ser, do seu feminino vital, essa parte sagrada de si mesma, sim, instintiva, intuitiva, energética, mágica e que se consciencializa da sua divisão interna e histórica e não aceita mais culpar a "outra".
A mulher essencial é aquela mulher que se tornou consciente da sua cisão interna e que integrou o lado de si que lhe tinha sido negado ou escondido, essa "outra" censurada pela Sistema, banida da história  e que procura unir essas duas partes do seu ser que foram secularmente antagonizadas e não se conforma com a diferença entre as mulheres - as putas e as sérias - como se ela só continuasse a ser a pura (a boa) e a outra a pecadora (a má), etc.
 

AS MULHERES INTELECTUAIS OU RELIGIOSAS, NÃO PENSAM...

É notável como mulheres inteligentes e sensíveis, que se aproximam de uma consciência emergente, ainda não consigam perceber que nem o dogma católico nem a evocação das religiões mais antigas, e nem mesmos os mitos e lendas são a verdadeira fonte de uma realidade que já foi vivida e que ultrapassa os tempos e as ideias ou mesmo toda a força do obscurantismo religioso que afastou a mulher, não dos palcos de poder, mas de si mesma e da sua própria natureza o que é muito mais grave. Mais parece até que é isso mesmo que elas não querem ver. Que dentro de cada mulher reside um mistério. Que dentro de cada mulher há um poder. E esse poder tem a ver com a sua própria natureza e a natureza da Vida que nos gera e gera tudo o que existe ao cimo da Terra. Que esse Poder é sagrado por si mesmo independentemente da ideia de um deus criador ou de um qualquer culto mas sim com a VIDA! E a Vida é a Deusa é a Mãe. É evidente que esse poder também existe no homem mas aqui trata-se de um aspecto particular que é o da mulher ser a geradora da vida dentro de si e dar à Luz o homem…e que para além disso esse poder inato lhe dá uma consciência própria, como mulher mãe e amante e que lhe foi NÃO SÓ TIRADO como completamente desvalorizado pelas religiões e sistemas patriarcais.
 
rosaleonorpedro

A RAIVA DA MULHER...



AS VERDADES QUE POUCOS OUSAM REFERIR...



Eu diria, que há no gay, como - "Há no machista e no monge que nega a si mesmo uma espécie de raiva da mulher, porque há... uma inveja de seu enorme poder sexual e capacidade multi-orgástica. Essa inveja fez com que nossa cultura limitasse o poder do feminino em dois estereótipos: a virgem mãe e a prostituta arrependida. São tentativas desesperadas do macho fragmentado de tentar controlar a fêmea porque incapaz de fazer frente, pelo auto-domínio, ao poder sexual da mulher, ainda mais da mulher plena.(...)" 

 Fernando Augusto

segunda-feira, fevereiro 01, 2016

SERMOS VULNERÁVEIS...



ENTRE MULHERES...


Hoje acordei com uma enorme tristeza e ao mesmo tempo muita vontade de escrever em busca da razão deste meu sentir...e como não sei o que virá, resolvi escrever pelo seguro primeiro só entre amigas...porque talvez fale sobre a amizade, não sei...talvez fale sobre o respeito, não sei...ou talvez diga sobre as nossas inseguranças e medos, face ao tema vital das relações humanas em geral que é tudo o que nos move, sejam elas quais forem as relações...
Penso no que nos motiva permanentemente a procurar atenção e afecto ou a ter necessidade da compreensão dos outros/as... até mesmo quando já sabemos que ninguém nos entende ou percebe realmente a não ser por sua livre e espontânea vontade e até distracção, justamente quando não se está a pensar, nem se tem conceitos sobre a outra pessoa, quando não se "conhece" a outra pessoa (ah, como é fatal o "já te conheço"!)...Sim, é mais fácil que nos entendam e faça eco o nosso sentir quando falamos para alguém que não nos conhece nem tem ideias sobre nós...e isto claro parece uma contradição, mas não é...
Alguém entender-nos é um Milagre...é como diz um Mestre é um Momento um Estado e um Lugar...diz ele,  que é a lei da Ressonância Vibratória e portanto algo que acontece muito acima da "compreensão" (e dos conceitos e ideias) do nível mental-intelectual...
 
Esse entendimento-fusão também parece acontecer quando se ama subitamente alguém, o famoso "Coup de foudre" - quando se abre uma cortina...e tocamos a essência de alguém...Esse é outro milagre...mas não é a nossa REALIDADE. É um acontecimento,  um empolgamento, um estado alterado...é um estado que dura o que dura - como uma Visão - e depois o que fica? Fica a amizade, diz-se...a confiança...mas...há sempre um mas... Sempre que há uma certa confiança (a mais) entre as pessoas, diz-se que não há grande respeito, sobretudo isso acontece, o que é uma contradição, nas relações mais íntimas, de facto...é como se a intimidade fosse quase um abuso, qualquer tipo de intimidade...e que não suportamos à luz do dia...e por isso se agride tanto a pessoa mais próxima; no meu caso, uma vez que nunca vivi com ninguém o tempo suficiente, mas mesmo assim comprovo o facto...lembro-me mais todavia de como toda a minha revolta ia para cima da minha mãe ...toda a irritação a descarregava nela ou no meu irmão mais novo. Não sei porque será, mas os mais próximos são sempre as "vitimas" preferenciais dos nossos humores e assim nos nossos amores...
Pessoalmente cheguei a uma idade em que de facto já não acredito que se possam fazer novas amizades (e menos ainda amores), porque a amizade faz-se ao longo da vida e das situações partilhadas, coisas vividas em comum, sobretudo nas situações de dor e sofrimento, de provação,  em que as pessoas normalmente fogem de chatices e só ficam mesmo as amigas(os). Não estou aqui a falar dos familiares agora porque esses são como que obrigados e isso não vale para o caso, tal como referi mais acima. Falo mesmo das pessoas com quem à partida julgamos que temos afinidades...e nos abrimos e nos confiamos e até podemos confessar coisas que nunca ousámos dizer a ninguém antes...e de quem ficamos de algum modo cativas, e assim quando algo inesperado vindo de uma amiga (ou amigo) nos magoa...ou fere...sentimo-nos traídas de alguma forma... É como - Ó meu deus eu julgava que esta pessoa era fiável e me conhecia...mas não.  Aqui também não falo propriamente da relação homem e mulher que exige uma atenção mais particular, porque tem aspectos que pertencem a outro tipo de entendimento/desentedimento que deriva dos polos opostos e da sua interacção, da atracção-repulsão inerente à paixão...embora fale do amor em geral e quando as pessoas se apaixonam esse Milagre permite um entendimento pontual e breve, enfim, até pode ser mais longo, no caso dos sexos opostos. E aqui também teriamos de perceber se o homem em algum momento é amigo da mulher, mas não me quero alongar por ai...
Seja como for a verdade dura e crua é que ninguém conhece ninguém... e era aqui que eu queria chegar...Porque a questão é, se eu não me conheço a fundo se eu não me sei, se eu não me entendo a mim própria, como é que eu vou entender uma outra pessoa? Não, o que se passa, e isto é comum a todos os amores, é que apenas nos espelhamos pessoas umas às outras seja nos defeitos seja nas qualidades...nas projecções que fazemos ou nos sonhos que temos, identificamo-nos com o que julgamos ser a outra pessoa ou o que ela diz ou faz, mas não a compreendemos nem a sabemos enquanto não nos conhecemos em ESSÊNCIA - E AQUI COMEÇA A NOSSA VERDADEIRA HISTÓRIA. Era realmente aqui que eu queria chegar...
 
E começar...a dizer o que queria dizer...ir mais longe...
Só nos conhecemos verdadeiramente quando vencemos as barreiras dos nossos complexos e traumas, quando ultrapassamos as nossas limitações, as nossas carências ou  os nossos  reflexos condicionados de pensamento viciado, padrões, ideias e conceitos que nos inculcaram, ou de emoções contaminadas, de reacções instintivas de defesa, quando conseguimos perfurar a nossa couraça de defesa e nos tonamos vulneráveis, sim, quando retiramos as defesas e estamos de peito aberto às balas (e porque sabemos que assim elas fazem sempre ricochete) e porque são sempre os nossos espinhos de defesa que nos magoam e não os do outro/a...
Quando atingimos um grau de maturidade e de neutralidade em relação às coisas e as olhamos de cima sem superioridade, com passividade e ao mesmo tempo muita consciência, quando já passamos por tudo e sabemos quais são as causas e as consequências dos nosso conflitos primários e internos, depois disso e só depois o verdadeiro discernimento vem naturalmente porque isso acontece sempre que alcançamos o nosso Centro nuclear...o nosso coração inteligente que é compassivo e igualmente implacável porque ele não se compadece da nossa falsidade nem do simulacro do outro, nem da nossa fraqueza nem da mentira do outro e vai directo ao ponto nevrálgico do nosso SER Verdadeiro, quer queiramos ou não, saibamos disso ou não. Ele age por si...
Queria dizer que há um caminho de solidão e amor dentro de nós e que se faz no silêncio de dentro mas que não há porém nada mais gratificante do que poder comunicar directamente do coração um sentimento vindo desse centro quando estamos finalmente libertas da nossa Sombra, digo, quando a Sombra está integrada e já dela não temos medo nem vacilamos. A verdade é aquilo que acontece quando já não estamos em conflito connosco próprias...quando as polaridades estão integradas, no nosso caso o feminino.
E "Estar relacionado com este principio significa estar orientado para aquilo que transcende ambições e objectivos pessoais, significa alcançar uma relação com um valor não-pessoal, como também tornar-se relacionado com o Logos (a Deusa) é adquirir uma relação com a verdade não-pessoal. A submissão a um dos Princípios, de facto, implica que a pessoa esteja redimida de uma orientação pessoal e egóica e de desejo de poder pessoal, e que se submeta àquilo que está para além do pessoal. Essa é a atitude religiosa." *
Como vêm isto não é nada fácil, mas é o único objectivo para quem quer pregar um Amor que está acima de todos os conceitos e dualidades pois nele tal como Eros (Afrodite) "está contido tanto o negativo, ou ódio, quanto o positivo, ou o amor." *
Assim como a integração dos polos opostos não implica a superação de uma das forças mas a concomitâncias das duas em UM, também precisamos dessa unidade em nós mesmas como seres singulares e individuais. Este é o propósito mais alto a se atingir, o de atingir objectivos não egoicos e desculpem trazer para aqui uma coisa tão inesperada como complicada...que só intuitivamente nós mulheres podemos perceber e se calhar lá chegar pois de algum modo já lá estamos...assim nos dizem OS MISTÉRIOS DA MULHER ** do livro do mesmo nome de M.Esther Harding.

PS Publiquei primeiro o texto num Grupo de mulheres e só depois resolvi publicar também o texto aqui...

Rosa Leonor Pedro
 

DANDO ASAS A SI MESMA



O HOMEM NÃO TEM NADA A ENSINAR A MULHER...
Primeiro porque não sabe da mulher e depois não pode...


Nenhum homem nem os homens ditos espirituais ou feministas, os mais bem-intencionados,  quase todos eles não cederão o seu poder e influência  nem o seu domínio da mulher e nunca desistirão de ter esse suporte exclusivo das mulheres ao seu serviço, sejam as mães sejam as “suas” mulheres...ou as suas seguidoras...
Vocês mulheres até podem  ter filhos queridos e alguns são fantásticos e outras de vocês até conseguiu algo  de valioso do marido que vos acompanha nos seus processos etc. mas quando chegar o momento da prova, os mesmos preconceitos milenares e as mesmas premissas ou ideias de posse  estão lá...e eles vão reclamar...exigir ou reclamar...
Assim, eu digo-vos, o FOCO tem de ser exclusivamente mantido na Mulher e em si mesma...o trabalho é grande e penoso, mas sempre em si e nõa em função do outro...até que a mulher se complete em si e não no filho nem no amante.
 

É muito difícil mover esta consciência de um fundo milenar pantanoso onde a mulher sempre se atolou e viveu presa, em sofrimento e renúncia, em dedicação cega (incondicional) e entrega total, em dádiva de tudo e em troca de si mesma. Recuperar essa identidade e essa liberdade de Ser Mulher em si sem ter de servir ninguém é muito, muito difícil se não for impossível...e isto é o que sinto e penso.
Continuarei para lá de tudo isso a fazer o meu trabalho e a pregar aos peixes...entre tantas mulheres alguma me há-de ouvir e entender.
E sim, digo, é preciso trabalhar nos dois sentidos, cuidar do filho e do homem, mas cada um do seu lado e caminhando ao encontro de si mesmo/a. Quando cada um se encontrar em si - os dois sexos ou mais... - o encontro entre eles e o respeito mútuo será natural e não precisa de ajuda do outro, porém  enquanto os ESPELHOS ESTIVEREM SUJOS...nõa há ajuda que valha de aprte a parte sem violação dos Princípios...
O meu conselho é: mulheres façam o vosso trabalho convosco mesmas e esqueçam os homens...e se tiverem filhos homens, sim, marquem-lhe os limites e exijam mais respeito sem concessões onde se perdem por "amor"...tal como com os vossos maridos e amantes...e isto se quiserem mesmo ser Integrais...

Se não, esqueçam...Fica para aproxima encarnação…

(excerto de texto de M.& D. blog)
rosa leonor pedro