quinta-feira, março 17, 2016

Vivemos "nesse miasma cancerígeno da supremacia masculina"...



TEXTO DE UMA LEITORA ANÓNIMA...

Olá Bom Dia!
Adoro seu blog 'Rosa Matter'! Seu blog é um oásis no meio dos blogs místicos da rede! É incrível! Você é uma mulher incrível!

Então... eu sempre tive muito interesse por ocultismo/hermetismo/xamanismo embora eu nunca tenha participado de grupos físicos de estudos dessas "correntes filosóficas". Isso por um motivo muito básico...o patriarcalismo é algo tão antigo e arraigado a tudo que até mesmo o misticismo, a espiritualidade e todo o conjunto transcendental de escolas filosóficas do oriente até o ocidente fora dos padrões declaradamente patriarcais como as religiões comuns (catolicismo, protestantismo etc...) estão envoltos nesse miasma cancerígeno da supremacia masculina. E eu não aceito mais mestres homens.

 A partir disso, eu me pergunto como as mulheres podem entender o que é ser mulher na vertente espiritual e mística se há pouquíssimas instrutoras, mestras, xamãs no campo daquilo que mais domina a sociedade e a maneira como essa sociedade deve ser construída e vivida que é a religião e a fé?  Não há representação sacra do feminino que se equipare ao arcabouço produzido pelo pensamento tipicamente masculino do sagrado! E frisando...o mundo hoje pode sim ter muitos ateus e agnósticos mas as grandes autoridades de poder que governam o mundo ainda o fazem com cerne nas tradições espirituais masculinas antigas...ou pelo menos com base nas 'versões' patriarcais dos cultos e ritos antigos resgatados das sociedades egípcia, greco-romana, chinesa, viking, judaica (a mais desgraçada de todas) da qual surgiu a kabbalah hermética (que pra mim é uma forma mais elegante e convincente de demonstrar que " a revelação celeste" é de que a mulher veio da costela do homem (binah- chokmah); inclusive do hinduísmo védico o qual a maioria de seus adeptos dá pouco ou quase nenhuma importância para a corrente do "shaktismo para os Shaktas" que afirma ser Shakti o supremo  Brahman da qual todas as outras divindades são seus aspectos.... além disso até mesmo o tarot dito pelos hermetistas se tratar de o antigo Livro de Thoth, a carta " The fool" muda as interpretações de acordo com a perspectiva apresentada básica, em pouquíssimas vezes "the fool" é considerado inferior pelos 'grandes estudiosos' e é feminino nesse caso, mas, na maioria das vezes e na interpretação da maioria dos autores, ele é interpretado como superior e masculino gerador de todas os outros arcanos enquanto a primeira carta o Mago é feminino....um contrassenso na minha opinião, mas é calro que a opinião das mulheres não é relevante porquê os homens é que sabem o que as mulheres são e devem fazer (Ridículo!) ... Enfim...se tem algo que eu entendi lendo os livros dos grandes sábios, filósofos, hermetistas, e cientistas ( Freud , Jung) etc... é que quase tudo o que já foi produzido pelo pensamento linguístico humano afirma a inferioridade da mulher sem mais delongas. Enfim, respiro bom ar quando leio coisas escritas por mulheres lúcidas... o coração enche de alegria quando leio alguma coisa tolteca escrita por alguma mulher xamã sobre o seu próprio útero.... e Tiamat sobrevive quando eu medito sentada na areia olhando para o oceano.

Que a grande teia cósmica teça mais mulheres lúcidas e integradas...e que elas não temam TECER no seu amplo aspecto. Escrever, falar, cantar as coisas da complexa alma feminina.

 Abraços!
Nota:

Guardei este comentário e encontrei-o hoje por "acaso" - o comentário é anónimo mas gostaria de pedir à autora que me dissesse se não se importou que a publicasse (na altura nem sei se lhe respondi ou se o publiquei) pois este texto além de oportuno,  insere-se perfeitamente dentro do espírito deste blog. Grata pelas suas palavras e por se ter exprimido de forma tão clara!

quarta-feira, março 16, 2016


O Grau da Nossa Emancipação


" A esfera da consciência reduz-se na acção; por isso ninguém que aja pode aspirar ao universal, porque agir é agarrar-se às propriedades do ser em detrimento do ser, a uma forma de realidade em prejuízo da realidade. O grau da nossa emancipação mede-se pela quantidade das iniciativas de que nos libertámos, bem como pela nossa capacidade de converter em não-objecto todo o objecto. Mas nada significa falar de emancipação a propósito de uma humanidade apressada que se esqueceu de que não é possível reconquistar a vida nem gozá-la sem primeiro a ter abolido.

Respiramos demasiado depressa para sermos capazes de captar as coisas em si próprias ou de denunciar a sua fragilidade. O nosso ofegar postula-as e deforma-as, cria-as e desfigura-as, e amarra-nos a elas. Agito-me e portanto emito um mundo tão suspeito como a minha especulação, que o justifica, adopto o movimento que me transforma em gerador de ser, em artesão de ficções, ao mesmo tempo que a minha veia cosmogónica me faz esquecer que, arrastado pelo turbilhão dos actos, não passo de um acólito do tempo, de um agente de universos caducos.
Empanturrados de sensações e do seu corolário, o devir, somos seres não libertos, por inclinação e por princípio, condenados de eleição, presas da febre do visível, pesquisadores desses enigmas de superfície que estão à altura do nosso desânimo e da nossa trepidação.

Se queremos recuperar a nossa liberdade, devemos pousar o fardo da sensação, deixar de reagir ao mundo através dos sentidos, romper os nossos laços. Ora, toda a sensação é um laço, tanto o prazer como a dor, tanto a alegria como a tristeza. Só se liberta o espírito que, puro de toda a convivência com seres ou com objectos, se aplica à sua vacuidade.

Resistir à sua felicidade é coisa que a maioria consegue; a infelicidade, no entanto, é muito mais insidiosa. Já a provásteis? Jamais vos sentires saciados, procurá-la-eis com avidez e de preferência nos lugares onde ela não se encontra, mas projectá-la-eis neles, porque, sem ela, tudo vos pareceria inútil e baço. Onde quer que a infelicidade se encontre, expulsa o mistério e torna-o luminoso. Sabor e chave das coisas, acidente e obsessão, capricho e necessidade, far-vos-á amar a aparência no que ela tem de mais poderoso, de mais duradouro e de mais verdadeiro, e amarrar-vos-á para sempre porque, «intensa» por natureza, é, como toda a «intensidade», servidão, sujeição. A alma indiferente e nula, a alma desentravada - como chegar a ela? E como conquistar a ausência, a liberdade da ausência? Tal liberdade jamais figurará entre os nossos costumes, tal como neles não figurará o «sonho do espírito infinito».

Emil Cioran, in 'Pensar Contra Si Próprio'

O cactos...






A rosa não se apaixonou pelo cravo.


"Ela se apaixonou pelo cactos. Compreendia seus espinhos."

"A rosa, toda boba, acha-se forte e protegida com seus meros espinhos. O cactos, riu da sua pose de durona ao ver toda sua sensibilidade e delicadeza. Era uma pobre flor indefesa a rosa. Não tinha coragem de machucar uma formiga que fosse, o que tornava fácil demais contornar seus poucos espinhos para aproveitar do seu perfume. E a rosa, por sua vez, riu-se do cactos, que com todos aqueles seus espinhos, achava que podia esconder-se da dor.

O cactos não se achava capaz de se apaixonar. Conhecera muita maldade e traição em seu caminho árido, por isso exibia seus espinhos, imponente, para que ninguém pudesse se aproximar e se aproveitar dele. Mas a rosa, teimosa que só ela, aguentou firme cada farpada. Com seus espinhos a principio tentou em vão se defender. O cactos expunha sua fragilidade, e a rosa ficava corada de raiva. E foi não só por sua coragem, mas por sua delicadeza que enfim o cactos se rendeu. E ele, que por tanto tempo seu único temor era de ser ferido, agora só temia machucar a frágil rosa. Ela não merecia. Merecia alguém que a protegesse, então ele a protegeu de si mesmo. Mas ao ver a rosa chorar, pela primeira vez chorou também, e soube que não podia mais dela se afastar.
Seguiram então, com seu romance cheio de farpadas e muitas, mas muitas alegrias. Compreenderam enfim, que é possível contornar qualquer espinho, quando a necessidade de se estar junto, é maior do que a de estar protegido de tudo."

(texto enviado por uma amiga e tem como autora, Marilia de Azevedo)

sexta-feira, março 11, 2016

O QUE SE LÊ POR AI...




A INTERNET E O FACEBOOK - nem sempre é coisa de se lavar a sério...

Realmente com a Internet toda a gente diz o que quer, escreve o que quer, acredita no que quer…mas trabalho feito em profundidade, valores fundamentais, seriedade, respeito por si própria/o e consciência de si e da sua grandeza, nomeadamente  a mulher não tem (tenha-se em conta que o homem também não mas eu não falo aqui do homem). E é claro pode meter-se tudo no mesmo saco ou numa grande panela e misturar bem os ingredientes "modernos" (telenovelas e filmes e moda) e negar o essencial que falta ainda à mulher consciencializar, ou podemos apregoar liberdades sexuais e laborais, profissionais, como prova de liberdade e afirmação do ser feminino, (que de feminino tem muito pouco) mas o que parece verdade à vista desarmada não é senão uma grande confusão de ideias e de valores, uma mixórdia enorme de conceitos e contra conceitos: o novo "mundo" contra o velho mundo etc., afinal um caos, um carnaval (sim um festival da carne…).

É isso que acontece quando não se tem em conta a evolução da consciência individual, negando-se os aspectos e valores de estrutura própria da manifestação da vida nos seus fundamentos, negando-se os estados alterados próprios da mística, do espírito da verdadeira “religião” (do religare) e da filosofia, (o amor a Sophia) ou até da psicologia a mais elementar, e o mais que se faz é nivelar tudo por baixo ou tudo pela mediania, como na telê…é o ”Todos iguais todos diferentes” mas sem qualquer ética sem individualidade, em nome de uma libido desconexa e de uma sexualidade exacerbada, de um consumismo sexual; um mundo liberal e cheio de tesão, como se o sexo fosse o único motor da vida… Sem dúvida, que de certo modo até é e o ser humano é livre e diversificado e cada um, diz-se, “come do que gosta”, e isso é verdade, tanto quanto a pornografia existe, como existe o erotismo, o sadismo e o masoquismo, como existe a castidade ou o ascetismo…Defender algo ou negar algo e meter tudo no mesmo saco, ou estar contra umas coisas e a favor de outras, as que nos servem de pretexto à nossa anarquia, à nossa luxúria ou ao nosso desejo ou à nossa vontade egóica …isso não vale.
A Vida tem ordem, a Natureza tem ordem, o Universo tem Leis…e o ser humano tem de se relacionar tanto com que está em cima como com o que está em baixo…sem dúvida, mas não vamos misturar tudo por baixo e pôr dentro do caldeirão, misturar e vá de bradar aos céus…Eu sou livre e curto como quero…
A Ordem não é bem “assim no céu como na Terra”, mas, sim, “seja feito na Terra assim como nos Céus”…e credo, meu deus! Eu não sou católica, nem crente…nem sou puritana, mas a sacralidade da vida nada tem a ver com religião instituída e é possível o cesso às qualidades "divinas" (se não ofendo), qualidades da alma tanto como sei que nem a mulher nem a Terra ainda estão ligadas ao Cosmos para a verdadeira libertação da alma porque é da alma que se trata, do ser integral da mulher total…e essa é a  única liberdade que eu quero como Mulher e como SER HUMANO.
Rosa Leonor Pedro

terça-feira, março 08, 2016

DIA 8 DE MARÇO



8 DE MARÇO

Não, não vou falar do dia internacional da Mulher...

 Por muito especial que este dia seja e possa representar para as mulheres do mundo dito civilizado, estamos tão longe de ver as Mulheres no mundo inteiro SER RESPEITADAS E DIGNIFICADAS pela sua capacidade de gerar vida e de amar e de se dar...
Não, não vou festejar o dia 8 de Março quando há milhares de mulheres que ignoram que são mulheres e ignoram as outras mulheres...quando são as próprias mulheres a esquece...r e a trair as outras mulheres espancadaas oprimidas e vendidas ...
Sim, todas estas mulheres que se julgam livres a fingir que são emancipadas outras que são espiritualizadas outras que já estão num plano de igualdade, etc. IGNORANDO AS OUTRAS MULHERES, dando cobertura aos homens, servindo-os e sendo fieis ao Sistema que as oprime explora e condena e manda ainda no seu corpo e no seu sexo, não acho que tivessemos chegado muito longe nesta batalha.
Um mundo onde existe escravidão de mulheres, prostituição e violações e mortes seja por violência doméstica e abstétrica, onde políticos, policias, médicos e juizes NÃO RESPEITAM A VITIMA - induzindo semrpe a culpa na mulher, em que o patriarcado e as suas leis penalizam o sofrimento da mulher não lhes dando qualquer apoio quando sós e pobres...mães solteiras ou separadas, não é um mundo civilizado. É um mundo de nojo. E nojo é o que sinto hoje de todas estas mentiras embrulhadas em papel cor-de-rosa e flores...
NÃO, NÃO VOU FESTEJAR O DIA 8 DE MARÇO - talvez me devesse vestir de luto...e chorar as mulheres assassinadas e violadas nestas guerras bestiais de homens sem mãe...que matam as filhas e as mulheres pela lei de alá.

rlp

segunda-feira, março 07, 2016

Lilith, a Mulher por excelência.




SOBRE MULHERES, O FEMININO
E BABACAS REINCIDENTES...


Há gente demais que enxerga no Dia da Mulher apenas o aspecto da violência e consequente combate! Sim, há extrema violência contra a Mulher, violência em todos os sentidos!
Por isso mesmo, existe, por exemplo, a Lei Maria da Penha, não porque haja mulheres violadas e violentadas, mas porque há um expressivo número de homens violadores e violentadores. A Lei Maria da Penha revela (muito mais que liberta!) que há essa turminha aí que nasce olhando para o próprio falo, que faz culto ao falo, que exibe o falo e, finalmente, com ele, real ou artificial, espanca, humilha e impõe-se sobre a Mulher. E o número dos tais não é inexpressivo, não!
Qualquer Mulher que alcançar um posto de referência, qualquer que seja ele, o posto, até chegar ao Poder Legislativo, Judiciário, ou, mais individualmente, à Presidência da República, será objeto de constante, ininterrupto e brutal violência. O Brasil é isso - e nada mais!
Mas, nem quero falar sobre isso. É pleonástico falar em violência contra a Mulher e violência contra as Juízas, Parlamentares e Presidente da República. É a mesma coisa e o mesmo fato!

Vou fazer homenagem ao Feminino. Sim, homenagem ao Feminino que os homens, idólatras dos seus próprios falos doentes, delinquentes e delirantes, insistem em esconder - ou mascarar...
Farei homenagem ao Feminino Criador dos Céus e da Terra (Ruach HaElohim), a Letra de Fogo, capaz de concentrar em suas mãos todas as Forças criativas do Universo. O Ser que criou o Universo é Feminino, conforme o texto original da Bíblia.
Farei homenagem, não a Adão, o homúnculo patife do Éden, mas a Lilith, Mulher, anterior a Adão e anterior a todas as cópias posteriores fakerizadas de Eva. Lilith, que desafiou Adão e o fez ficar terrificado. Lilith, a Mulher por excelência.
Farei homenagem a Sulamita, Negra, que fez o Rei Salomão parar seu reino e, atônito, escrever e dedicar-lhe a glória merecida! Ela mesma, Sulamita, a Negra, que fez as mulheres submissas de Jerusalém emudecer e cobrir-se de trapos!
Farei homenagem a Miriam de Magdala (Maria Madalena), a mulher de Jesus, com quem, não apenas deliciou-se em amores judaicos, mas de quem engravidou. Madalena, ela mesma, a Mulher do Rabi Jesus e a grande alma que fez os pescadores machistas e seus substitutos históricos, apagarem seu nome da história. Ao menos, em vida, nenhum deles foi superior à aquela grande Mulher!
Farei homenagem a Saphos, Capitu, Bovary, (e, também à Mulher da "origem do mundo" de Gustave Courbet!).
Farei homenagem às minhas Alunas que, fortes e maravilhosas, lutam contra um universo jurídico machista, patriarcal, fálico e decadente, a fim de se estabelecerem no mundo. Que todos os dias devem vencer o olhar idiotizado dos colegas (fálicos) que as enxergam como pernas e tetas! Farei homenagem às mulheres que são senhoras absolutas de seus corpos - e com eles podem fazer o que quiserem - sem intervenção jurídica ou religiosa!
Enfim, minha homenagem é para tais Mulheres!
E não farei homenagem alguma aos homens que destruíram a Criadora dos Céus e da Terra, aos que humilharam e expulsaram Lilith, aos que trataram Sulamita como estranha. Nem, muito menos, aos que apagaram da história de Jesus, seu grande amor. Aos que queimaram, em nome de deuses patriarcais, as mulheres-bruxas. Nem aos que vêem tetas e pernas em sua frente, e nunca, por incompetência e ignorância, enxergam cérebros femininos. Em hipótese alguma farei homenagem aos celibatários e repressores da sexualidade feminina (ou do contato com o feminino).
A elas, tudo! A eles, a sombra religiosa, a maldição, o taco, o arroto e, lógico, no caso do Brasil, a Lei Maria da Penha!
 
Pietro Nardella Dellova
*

O QUE É SER FEMINISTA?

ACTUALIZANDO...
TEXTO PUBLICADO EM 2013


 
“O feminismo é um filosofia universal que considera a existência de uma opressão específica a todas as mulheres. Essa opressão se manifesta tanto no nível das estruturas como das superestruturas (ideologia, cultura e política). Assume formas diversas conforme as classes e camadas sociais, nos diferentes grupos étnicos e culturas.
Em seu significado mais amplo, o feminismo é um movimento político. Questiona as relações de poder, a opressão e a exploração de grupos de pessoas sobre as outras. Contrapõe-se radicalmente ao poder patriarcal. Propõe uma transformação social, econômica, política e ideológica da sociedade."
 


Texto de Maria Amélia de Almeida Telles (1):

O que é ser feminista?

"Muitas pessoas, ainda que saibam de cor a pauta feminista ou tenham uma ideia de qual seja, sentem insegurança em se assumirem como tal. Seja por motivos internos, por medo de rótulos sociais ou ainda por não se sentirem representadas. A estas pessoas, acho interessante compartilhar um pensamento da grande intelectual Heleieth Saffioti (2):

“Na verdade, eu sempre relutei em me dizer feminista no Brasil. No passado, este termo tinha uma carga ideológica muito grande e ainda apresenta uma carga razoável. Eu gosto de dizer: eu sou feminista mas meu feminismo é este (…) porque eu tenho muito medo que tomem o meu feminismo através dessa adulteração que se fez do termo que interessa muito a ditadura, de se entender que esta é uma luta das mulheres contra os homens, e eu não quero de maneira alguma ser interpretada desta forma. Tenho muito respeito pelos homens. Acho que eles também são vítimas dessa sociedade, embora nós sejamos mais vítimas do que eles.”

"Não há uma definição do que necessariamente é ser feminista. Muitas pessoas são, mas não se assumem. Muitas pessoas assumem, mas não são. O importante, na prática, é saber o que o Feminismo como um todo busca e, perceber que no fundo é o que você também deseja. Afinal, não acho que ninguém goste de viver uma sociedade que oprime e mata as mulheres.
Por isso que sempre me pergunto: quem, no fundo, tem medo do Feminismo?"

»»»»»

 
SEM UMA NOVA CONSCIÊNCIA DE SER MULHER EM SI
- não há luta POSSIVEL contra o Sistema nem ninguém que nos valha...

Não é que seja feminista na acepção geral do termo, mas concordo com muitas partes do texto, e dos argumentos, mas o que eu não creio é que dentro deste Sistema - feito e construído na base da diferença entre homem e mulher, assente na supremacia sobre a mulher e na dominação de metade da humanidade sobre outra metade, algum dia mude...ou aceite a mulher livre sem que se mude primeiro o próprio Sistema...e isso os homens nunca o farão nem as mulheres prisioneiras dele - queiram ou não queiram as mulheres  que vivem dentro dele e o defendem, estão contra elas próprias e são as primeiras a defender o Homem e a atacar as mulheres...sim, juízas, ministras e deputadas, medicas e advogadas, formadas na suas universidades e fiéis à Voz do Dono.


É preciso sair  do Sistema, sim! Mas como?
 

Através de uma nova consciência do Ser Mulher em si...
 

E assim o que eu defendo, A FEMINITUDE, digamos, como um renascer da mulher a partir de uma essência feminina, da qual ela foi alienada  pela história religião e cultura patrista ao logo dos séculos, que negou a natureza ctónica e telúrica da Mulher, que é inerente à Mulher, na qual reside a sua dimensão ontológica e a sua força, a força do Útero. É começando por esse resgate do seu ser instintivo, emocional e psíquico e consequentemente implicando a concepção de um novo paradigma logo à partida, não a subsistência deste, começando uma verdadeira revolução interior, que a mulher se poderá afirmar; sim, é a partir de dentro, dos seus ovários, útero  e coração, uma mudança de dentro da mulher e não apenas fora, que a mudança poderá acontecer, pois considero que todas estas manifestações das Mulheres Vadias e das Femens, são reacções dos subprodutos culturais que as mulheres são dentro do sistema, mulheres divididas, cindidas, fragmentadas em estereótipos que com estes actos extremos  não fazem mais do que rebentar com a Cara (a exposição inútil do seu corpo degradado pelo olhar machista) contra as Paredes de Aço do Sistema e todos os seus defensores, polícias e políticas e políticos, padres, juízes e catedráticos etc. que as desprezam e culpam na mesma sempre.

Não é com marchas de vadias, nem mulheres nuas e agressivas, que se mudam mentalidades nem através de leis...As leis já foram mudadas em muitos lugares e a mente masculina e feminina também continuam a mesma...e é isso que ninguém quer ver...
Se as mulheres mais lúcidas e inteligentes querem continuar cegas e ir contra os muros da sua prisão...e destruírem-se...é continuar por aí com toda a RAZAO, SIM, COM TODA A RAZÃO, MAS SEM NENHUMA CONSCIÊNCIA ontológica do seu SER MULHER!...


rlp

sexta-feira, março 04, 2016

Um pouco de história

ANTES E AGORA...


in “MULHER – UMA GEOGRAFIA ÍNTIMA”
(...)
“AS mulheres necessitavam de protecção masculina porque muitas das alianças entre homens eram pactos militares, a conjunção de forças para capturar o que é dos outros. E uma das primeiras e preferidas formas de motim eram as mulheres jovens. Quando duas tribos guerreavam, o grupo vitorioso matava os prisioneiros homens e levava as mulheres para fazer delas escravas reprodutoras.

A captura de mulheres jovens aumentava o potencial reprodutivo dos homens vencedores e também o seu satus. Sempre que há documentos escritos, estes descrevem a violação e o rapto de mulheres no rescaldo da guerra. Na Ilíada de Homero, que supostamente reflecte as condições sociais na Grécia por volta do ano de 1200a. C., os guerreiros discutem, por vezes de forma atrevida , a devida distribuição do espólio feminino. No princípio da narrativa o rei Agamémnon concorda, com relutância, em abrir mão da sua concubina favorita, Criseide, uma prisioneira de guerra pertencente a uma família importante, quando o Sacerdote seu pai ameaça levar a questão ao tribunal divino. Como compensação pela perda, Agamémnon exige outra mulher, mas os seus homens dizem-lhe que todas as prisioneiras já foram reclamadas. Sendo rei, Ag. Volta-se e exige a escrava/concubina de Aquiles, Briseide, para si. Este simples acto por pouco não conduz à derrota de Atenas, pois Aquiles passa uma grande parte da guerra de Tróia trancado na sua tenda, a remoer a indignidade e a procurar apoio sexual de uma das suas outras concubinas, “aquela que trouxera de Lesbos, filha de Forba, Diomede, a da tez clara”. Aquiles partilha a tenda com outro guerreiro, Pátrocolo, que na sua cama tem um presente de Aquiles; Ífis, a “da bela cintura”, que Aquiles capturara ao conquistar a cidade de Eneida.(...)

Não se ouve falar muito dessas prisioneiras, é claro, tão pouco ficamos, a saber, como se sentiam, passadas de homem para homem como ingressos para um jogo de basebol. É provável que não tenham levantado problemas. Sentiam-se gratas por estarem vivas. Afina, o livro não faz referência a homens escravizados; os homens de Eneia, Lesbos, Tróia e outras cidades derrotadas eram abatidos. Posteriormente, é claro, os homens aprenderam a escravizar outros homens, como faziam com as mulheres, e a usar os músculos dos homens como se usam mulas e bois, mas, segundo alguns historiadores, e com as evidências claramente o sugerem, os primeiros escravos humanos eram as mulheres e a motivação por trás da escravatura era a posse de ventre núbeis.” (...)

(Excerto pag. 290)

De Natalie Angier
Prémio Pulitzer (Gradiva)

quinta-feira, março 03, 2016

a mão que governa o Mundo

“A mão que balança o berço, é a mão que governa o Mundo”



"Porque às mulheres cabe o poder de gerar, o poder que dá a Vida.
Portanto cabe às mulheres decidir se o rebento vai nascer ou não.
E mesmo quando nasce, cabe também, somente a elas, decidir se a criança vive ou não. Assim as Iya Mi (Minhas Mães) são as Senhoras da Vida, mas também, as Senhoras da Morte, que é o corolário da Vida. ...

Todo o ser vivo deve sua Vida à Iyá Mi, pois deve sua Vida à sua Mãe.
O Poder pertence às mulheres, afinal: “A mão que balança o berço, é a mão que governa o Mundo”. Não é por acaso que as Iya Mi são tabu na Religião, assim como a Mulher é tabu em todas as sociedades."
Porque o poder pertence a elas."

(...)
in casa poderosa dos filhos de Yemanjá

A CULTURA DA MENTIRA...



VIVEMOS E ALIMENTAMOS AS NOSSAS MENTIRAS

"Toda a psicologia dedica-se a uma só coisa: ao estudo da mentira em suas várias formas. Se houvesse verdade, clareza não haveria psicologia, inconsciente e nem divã. A psicologia é um um estudo da lua (arcano 18), do louco (arcano zero) e da sombra (arcano 15), sendo ela própria um elemento da escuridão, ela própria como mentira fadada a desaparecer, pois ciência da ilusão, da mente que mente. Toda a crise humana nasce da mentira que não se sabe e a própria psicologia é a expressão dessa crise. Ela é também um amortecedor do impacto causado por uma verdade de difícil digestão, assim a psicologia é uma mentira e uma anti-peia. No caminho da individuação vamos além da mentira e além da psicologia em nós mesmos - " F. AUGUSTO.