quarta-feira, março 08, 2017




A MULHER PRECISA DE REINVENTAR A LINGUAGEM

De acordo com Soshana Felman, " o desafio com o qual a mulher é hoje confrontada é nada menos do que o de "reinventar" a linguagem...o de falar, não só contra, como também fora da estrutura falocêntrica especular, o de estabelecer um discurso cujo estatuto não seja definido pela falácia do significado masculino" ...

E o pensamento dominante na mente feminina, é masculino...

Ao longo da minha vida e da minha experiência,  sobretudo ao longo das minhas incursões e busca de um feminino verdadeiro, palestras e escritos e alguns trabalhos para interagir com mulheres nestes contextos ditos do “feminino sagrado”, na tentativa de aflorar um novo universo de mulheres supostamente conscientes de si, por assim dizer, em que a esperança de uma nova consciência da Mulher é emergente na Terra, e que devia ser a ultima coisa a morrer, confesso que me sinto muitas vezes abalada pela ineficácia da minha tentativa de chegar a todas as mulheres de boa-fé e de coração aberto...

Na verdade o que eu vejo mais frequentemente e constato é que de facto é muito difícil as mulheres saírem da sua  zona de conforto e de tutela patriarcal (do marido-amante ou do Pai e do filho) e dos conceitos e preconceitos que predominam ainda sobre o feminino em geral – tendo em conta a ignorância absoluta da cisão da mulher - que nos aprisiona no pensamento falocrático. Como é o caso sempre que se trata de expandir a consciência da sexualidade-sensualidade da mulher. Para elas só há sexualidade se houver um membro eréctil, um sexo de afronta, dominador... onde não entra a sensualidade, nem a emoção nem muitas vezes o respeito ou uma verdadeira sensibilidade feminina...

Esse pensamento dominante na mente feminina corresponde à predominância e domínio do Homem e desses valores, no discurso masculino dentre os quais os estritamente sexuais, os mais valorizados e exaltados e que são de domínio e abuso sobre a mulher, o corpo e o sexo, os mesmos que imperaram durantes milénios.
Sem falo a mulher não existe - não tem voz, diz Lacan?
Assim, quando falo e tento romper essa barreira dos conceitos e preconceitos sobre a sensualidade da mulher que é marcadamente masculina, a que visa o prazer exclusivo do homem e não da mulher,  em que as mulheres estão quase todas  formatadas e viciadas pela mente e cultura (moda-cinema-arte-pornografia) masculina, em que baseiam as suas ideias de  amor e vivem as suas relações, casamento família e sociedades, e até em grupos orientados para uma Nova Era, pretensamente libertadora da mulher (tantra-dança-massagens-terapias) e não são senão variações do mesmo uso da mulher baseado no medo e no tabu ancestral que pesa sobre as mulheres.

Impossível ainda pois criar uma energia comum, de cumplicidade feminina e independente do homem, sem que os preconceitos redutores das mentas cativas das mulheres não se manifestem de forma preconceituosa; impossível assim  criar sinergias entre as mulheres através da possibilidade de criar um vazio mental – uma espécie de “desorientação” mental, abertura para a experiência de dentro, do centro e do coração -, a fim de deixar que algo novo as surpreenda e assim poder deixar fluir a Consciência inata, ou deixarem-se invadir por algo que não se capta pela mente-intelecto, nem pela razão. Mas lamentavelmente o que tenho verificado é que acabo quase sempre por ser mal entendida e passar por "suspeita" (ah não "gostar de homens"!). 
Tudo isso é natural dado os diferentes níveis das pessoas que me ouvem e consequentemente da sua consciência desperta ou não para as subtilezas do ser superior e da mulher verdadeiramente livre. Normalmente (a normose) pauta pela mediocridade dos julgamentos dentro da dualidade bem e mal. Ai a sexualidade é a mais sacrificada e reduzida aos estereótipos citados. AS pessoas filtram tudo com a mente dual (rasa e baixa) e raramente conseguem ler ou ouvir com o coração inteligente...para lá dos conceitos, tantas vezes mesquinhos e redutores da pessoa humana nomeadamente sem atingir o propósito de alcançar essa beleza e grandeza que é apanágio da Mulher Integral.

Desta maneira e sucessivamente tenho-me vindo a aperceber que não posso fugir a essa matriz de controlo nem ao velho paradigma que as domina e que continua a ferir as mulheres (já não falo dos homens) no seu amago – não as deixando fluir na sua intuição – mas criando resistências através de ideias geradas no seio da sociedade conservadora e na família tradicional e que veiculam inconscientemente contra elas próprias o sentimento de negação da sua liberdade de ser em nome de deus ou do diabo, do bem e do mal.

Sim apercebo-me de que afinal não posso ignorar, na minha boa-fé, nem mesmo diante da boa vontade das outras mulheres, as mais empenhadas na consciência de si mesmas, a forma como as mulheres em geral ainda estão dominadas pelas velhas fórmulas tradicionais e conceitos religiosos que as formataram e como cada uma faz a leitura desta abordagem de  acordo com os seus conceitos e preconceitos, dependentemente do seu nível de consciência e isto é fatal como o destino...
Na verdade sempre que me exponho a falar em público corro esse risco, o de ser mal interpretada e tenho-o feito em diversas plateias e palcos e em diferentes momentos da minha vida e em diferentes intervenções, desde há muitos anos, sendo que nos últimos anos o tenho feito, não em nome de algo ou de alguém, mas daquilo que eu própria escolhi como caminho para mim mesma.
Falar às mulheres da sua cisão interior e de abordar Lilith numa perspectiva mais conceptual e psicológica, sem recorrer a ideias mirabolantes e sem me deixar influenciar por nenhum tipo de devaneios ou ideias transcendentais…seja por meio de canalizações ou iniciações, ou escutar vozes de antepassados anjos ou seres de outras dimensões ou galáxias… 
Há por ai tanta "informação" vinda de planos e dimensões - há por ai tanta "sabedoria" forjada na imaginação e na demência megalómana de criaturas insanas e ignorantes...de si mesmas, que se dizem canais ou interpretes do divino e de entidades, que por vezes penso que o melhor é ficar calada!

O que eu digo e escrevo ou defendo vem de dentro de mim mesma e é o meu discernimento pessoal, o meu conhecimento próprio SEM FONTES OUTRAS que não as humanas e que se obtém do somatório do que aprendemos ao vivo e por experiência própria; o que eu penso é  a expressão de uma faculdade cognitiva que  manifesta por palavras a experiência do meu ser nos diversos aspectos da sua manifestação e através de vivências seja a nível emocional sentimental ou físico…e também espiritual, quando essa união entre o corpo alma e o espirito se faz neste plano.

Portanto falo, escrevo e digo por conta própria e risco e não me sirvo de nenhum outro meio para o fazer, nem falo em nome de ninguém, que não seja a consciência que tenho da minha própria existência e da minha vida vivida e todas as implicações que resultam da nossa estadia na Terra, dimensão em que vivo e em exclusivo, sem me transladar para mundos fictícios e ideias transcendentais que não são o da realidade que vivo com os pés assentes na terra Mãe; não vivo nem falo baseada numa teoria de uma qualquer visão alterada. Falo de uma visão espiritual natural sem interferência de conceitos ou ideias pré-estabelecida pelos manuais nem nenhum livro sagrado…

rosa Leonor pedro




8 DE MARÇO...

Mulheres árabes escravas:

"Um homem pode comprar e vender escravas. Uma mulher é considerada escrava se for pega em uma batalha, ou se ela nasceu de uma mãe escrava. Mas o homem tem direito ao intercurso sexual com ela [13], uma vez que a comprou com seu dinheiro! Também pode mandá-la como presente a outro homem. Que maneira respeitosa de tratar as mulheres!
A escrava deve ser cristã ou judia.
Maomé não tinha qualquer respeito pelas mulheres. Ele teve doze esposas durante sua vida, onze de uma só vez, além de uma delas ter 9 anos [14] quando ele consumou o matrimônio
."



8 DE MARÇO - MAIS UMA VEZ...

Não, não vou falar do dia internacional da Mulher...

Por muito especial que este dia seja e possa representar para as mulheres do mundo dito civilizado, estamos tão longe de ver as Mulheres no mundo inteiro SER RESPEITADAS E DIGNIFICADAS pela sua capacidade de gerar vida e de amar e de se dar......
Não, não vou festejar o dia 8 de Março quando há milhares de mulheres que ignoram que são mulheres e ignoram as outras mulheres...quando são as próprias mulheres a esquecer e a trair as outras mulheres espancadas oprimidas e vendidas ...
Sim, todas estas mulheres que se julgam livres a fingir que são emancipadas outras que são espiritualizadas outras que já estão num plano de igualdade, etc. IGNORANDO AS OUTRAS MULHERES, dando cobertura aos homens, servindo-os e sendo fieis ao Sistema que as oprime explora e condena e manda ainda no seu corpo e no seu sexo, não acho que tivéssemos chegado muito longe nesta batalha.
Um mundo onde existe escravidão de mulheres, prostituição e violações e mortes seja por violência doméstica e abstétrica, onde políticos, policias, médicos e juizes NÃO RESPEITAM A VITIMA - induzindo sempre a culpa na mulher, em que o patriarcado e as suas leis penalizam o sofrimento da mulher não lhes dando qualquer apoio quando sós e pobres...mães solteiras ou separadas, não é um mundo civilizado. É um mundo de nojo. E nojo é o que sinto hoje de todas estas mentiras embrulhadas em papel cor-de-rosa e flores...

NÃO, NÃO VOU FESTEJAR O DIA 8 DE MARÇO - talvez me devesse vestir de luto...e chorar as mulheres assassinadas e violadas nestas guerras bestiais de homens sem mãe...que matam as filhas e as mulheres pela lei de alá.
rlp

8 DE MARÇO - UM MITO?

Um mito circula há décadas: diz que o 8 de março foi criado em homenagem a um grupo de operárias grevistas que foram assassinadas em uma fábrica de Nova Iorque ...em 1857. A fábrica teria sido incendiada com elas lá dentro como forma de repressão à greve.

A história dessas tecelãs assassinadas é um equívoco histórico que foi amplamente repercutido. Se você pesquisar na internet hoje, encontrará centenas de sites que repetem essa história como sendo a origem do 8 de março.

O mito das operárias mortas incendiadas teria origem em dois acontecimentos distintos na cidade de Nova Iorque. O primeiro foi uma longa greve de costureiras, que durou de 22 de novembro de 1909 a 15 de fevereiro de 1910. O segundo ocorreu também em Nova Iorque, em 1911, quando uma fábrica de tecidos chamada Triangle Shirtwaist Factory (Companhia de Blusas Triângulo) pegou fogo em decorrência das péssimas condições de segurança do local, matando 146 pessoas. Dentre os mortos, 129 eram mulheres - 90 delas se jogaram pelas janelas do prédio.

No texto, "Às que vieram antes de nós: histórias do Dia Internacional das Mulheres" de Daniela Lima, sobre o incendio:

"Era perto do fim do expediente da tarde de sábado, 25 de março de 1911, quando uma nuvem de fumaça se espalhou pelos três andares superiores do Asch Building, em Nova York. Ouviu-se o som de estilhaço de vidro seguido de um forte estampido. As trabalhadoras da Triangle Shirtwaist Company, que ocupava o espaço, acreditavam que fossem fardos de tecido ou pedaços da fachada que se desprendiam do prédio consumido pelo fogo. Logo perceberam o horror absoluto: aquele estranho estampido vinha dos corpos de mulheres e meninas que se jogavam das janelas tentando escapar das chamas."

O estabelecimento do "Dia da Mulher"

Em 1909, "Dia da Mulher" foi estabelecido por grupos feministas como o dia 28 de fevereiro de 1909. Os atos teriam sido organizados principalmente pelo Partido Socialista Americano e teriam ocorrido principalmente em Chicago e Nova Iorque.

Em agosto de 1910 em Copenhague, na Dinamarca, foi realizada a II Conferência Internacional das Mulheres Trabalhadoras. Nesse dia as feministas americanas apresentaram a proposta de criação de um Dia Internacional da Mulher que seria celebrado anualmente no último dia de fevereiro.


O congresso aprovou a proposta, mas não definiu uma data específica para a celebração. Alguns países comemoravam em fevereiro como os EUA, outros o faziam em outros meses, variando entre em março e maio.
Organizações da luta feminista tentaram por diversos anos unificar a data do dia da Mulher. Estabeleceram em 1914 a data atual de 8 de março, mas nem todos seguiam essa data. A data foi novamente decidida no Congresso da 3a Internacional Socialista em 1921.

Somente em 1975, a ONU (Organização das Nações Unidas) decretou que no dia 8 de março seria considerado o Dia Internacional da Mulher."

Eis a glória e a ignominia da mulher…


A mulher traz um espelho na mão...


“O homem sonha. Do fundo de uma perspectiva rasgada numa matéria opalescente uma mulher caminha para ele. É a sua alma. Psique! A mulher traz um espelho na mão. O homem vê-se no espelho. O seu rosto está banhado de uma luz semeada de pequenas asas vibráteis de platina. É a revelação inaudita do anjo que ele era e não sabia. O homem vê-se no espelho. O seu rosto está coberto de minúsculos animais viscosos que incessantemente saem do antro tenebroso do seu coração. É a revelação monstruosa do demónio que ele era e não sabia.

Eis a glória e a ignominia da mulher… Glória, porque é da sua natureza anímica, apaixonante, pôr o homem em tensão para o sublime ou para o ignóbil que nele se libertam pela via da paixão. Ignomínia, porque esta propriedade entusiasmante de mulher implica ser ela indispensàvelmente objecto da subjectividade do homem.”

NATÁLIA CORREIA, in "Mulher: Antologia Poética ", 1973

terça-feira, março 07, 2017

8 de Março


EM VÉSPERAS DE 8 DE MARÇO

Para mim é estranho - não consigo perceber como é que há mulheres nesta busca de si que ainda não perceberam que tudo o que o Sistema patriarcal veicula é adverso às mulheres e nunca as beneficiou ou beneficia...a não ser pontualmente para melhor se servir dela...
Não consigo perceber como é que as mulheres não pensam e não vem que em toda a história do patriarcado a mulher nunca foi beneficiada...que as próprias ideologias supostamente comunistas porventura a mais igualitária, não tiveram em conta as mulheres e as desrespeitaram sempre, sempre as exploraram e permitiram que a prostituição continuasse activa - pois não mudaram em nada o paradigma da família do pater família e da mulher doméstica, que passou a trabalhadora, mas também do lar...duplamente escrava. E o que as feministas conquistaram, foi tirar a mulher do lar para terem direitos iguais e salários iguais e hoje vemos não passou de uma farsa...e quanto à liberdade sexual, apenas se tornou mais acessível aos homens (sexo gratuito) sendo sempre sobrecarregada de culpas e de doenças...A maternidade foi relegada para 2 plano para dar lugar as executivas e as crianças colocadas em creches*...

* Sim "A maternidade foi desvalorizada durante milénios. Mesmo as primeiras feministas, consideravam a maternidade como o papel tradicional da mulher e, como tal, algo para evitar ou rejeitar, participando da desvalorização patriarcal da mãe.
Nenhuma mulher deve ser obrigada socialmente por nenhum mandato a ser mãe. Mas a maternidade deve ser reivindicada em toda a importância que tem: sustenta a humanidade"
Afinal as feministas não garantiram nada ou quase nada. Tudo parece estar a regredir e de forma galopante ...por todo o lado as mulheres são exploradas por Mafias e abusadas, são violadas e mortas por todo o lado, nõa só em países de 3º mundo...e pobres ou refugiados. Onde está pois a igualdade de direitos e a emancipação da mulher no Mundo. Onde está a sua liberdade afectiva e emocional sempre dependentes dos pais maridos e amantes? Onde está a sua consciência como Mulher independente e a sua dignidade a sua inteireza de Mulher?

"Nós vivemos numa sociedade em que se ignora a realidade da violência sexual, a sua frequência e a gravidade do impacto traumático na mulher que conduz a regular estes dados como categoria de fait divers enquanto que eles representam um grande problema de saúde publica, quando tudo isto implicaria o reconhecimento das vitimas, ver o seu abandono a sua falta de protecção ou cuidado, segundo explica este estudo realizado em 25 de Novembro e 2 de Dezembro de 2015. "

Segundo este estudo  realizado em França:  A MULHER , para o homem é ainda "A SEDUTORA DO DEMÓNIO!!! O sexo fora do casamento é errado (quem é o pai?). Uma rapariga fácil é uma puta (...). É por isso que é preciso esconder as mulheres, trancá-las, para não nos tentarem com desejos ilícitos. E dessa forma como nos tornaremos ainda mais famintos, nós homens, ficamos ainda mais tentados a possuir pela força o que não se pode ter de outra maneira, o que é raro e caro."

Enquanto a mulher for vitima desta violência, deste  abuso e feminicidio e houver prostituição não há nenhuma razão para festejar o 8 de março ou outra data qualquer...Este é só mais um engano...uma ilusão que mantem as mulheres distraídas e convencidas que conseguiram alguma coisa de estável e duradouro. Mas os estudos e as estatísticas como a citada dizem outra coisa bem diferente.  
Recentemente vimos e ouvimos os homens de poder e os políticos - o presidente dos estado unidos - ou o Eurodeputado polaco dizer  claro e bom som o que quase todos os homens pensam: que as mulheres, além de demónios e tentadoras,  são menos inteligentes mais fracas e deviam ganhar menos...e nós pensamos que é um acaso? Não, não é um acaso. Este é o pensamento geral e continua arreigada nas mentalidades dos homens e das sociedades mesmo das mais evoluídas. Isso foi e está escamoteado e disfarçado mas é o que os homens pensam...Eles falam claramente em abuso e violação sejam deputados sejam jornalistas - porque teimamos em nos enganar?
A verdade é que AS MULHERES NÃO ENTRAM nas decisões de Estado nem nos Governos do Mundo. E as que são Ministras na Inglaterra e na Alemanha, são tão mais machos do que os homens...Elas não são mulheres...não pensam como mulheres - NÃO SENTEM NADA. São as marionetas dos lideres e dos mentores que as usaram e formataram para servir o Sistema.

O ODIO A MÃE E A MULHER

O Ódio à mulher e à mãe, é comum aos dois sexos...

Realmente estremeço de indignação ao perceber como o ódio à mãe - esse ódio à vida pela falta de amor da mãe - se reflecte nas causas obscuras que se abraçam com raiva - sejam extremismos ou os fanatismos, sejam todo o tipo de mutilações e violências feitas ao corpo, piercings e nalguns casos até tatuagens - ou a defesa de causas supostamente em nome da "justiça" e de direitos "iguais" na defesa cega de ideias e ideologias que apenas justificam o ódio e a separação...e até as guerras como expressão do ódio a si mesm@...
Cada dia que passa mais me convenço que o ódio a Mãe e a Mulher, bem lá no fundo, faz com que homens e mulheres se dividam e se digladiem entre facções que se opõem só porque não tiveram o amor nem o carinho de um Ente amoroso que os tenha recebido a nascença e por isso falta-lhes o reconhecimento da Mãe... Nas mulheres então isso é atroz no ódio às outras mulheres...mas não é menor nos homens que se reflecte no ódio a todas as mulheres...na misoginia, na impotência sexual e ou até na pedofilia...
O Ódio à mulher e à mãe, é comum aos dois sexos...e nasce da rejeição da mãe...
Até há pouco tempo eu não pensava que esse ódio à mãe era também partilhado pela mulher, desde logo e em criança educada a ser mãe...das bonecas...mas hoje vejo claramente que esse ódio da mulher à mãe é muito mais comum do que eu julgava e até mais nefasto que em muitos homens.
O nascimento, portanto e para ambos os sexos, como memória de abandono ou rejeição, baseado na falta de amor inicial e básico, torna o ser humano deficiente emocionalmente; faltando o apoio  e o afecto  maternal de inicio à criança, esta torna-se logo desde criança mas mais em adolescente completamente rebelde e violenta em sociedade (nas escolas e nas ruas) e tudo o que faz reflecte essa carência na busca da mãe e do amor- ódio  em todas as suas actividades.
O homem quer luta por se afirmar e vai para a Guerra matar pessoas...matar é sinal de virilidade e a arma é um símbolo fálico - um conceito sobrevalorizado culturalmente nas sociedade patriarcais e que visam a tirar o papel às mães desde o inicio. Sim, no meio disto tudo o Pai é um Mito, o mito  do herói e é esse herói ou bandido - por vezes a heroicidade não se distingue do crime - que o homem persegue e  quer ser ao perseguir os modelos do Homem patriarcal e a sua História de guerras e conquistas, de crimes e violações.

No entanto nas relações de adulto entre os sexos  é a mulher que se torna  sempre o bode expiatório do homem e não o contrário...é uma coisa tão inculcada tão secular que nenhum homem por melhor que seja deixa de o fazer - note-se, que em relação aos casamentos, as mulheres deviam ser bem mais novas que era para os cuidar na velhice - tudo estava programa nesse sentido da mulher ser exclusivamente o suporte do homem e não ter vida própria em sentido nenhuma...nenhum. Fossem as mulheres ricas fossem as mulheres pobres...
E agora com este verniz cultural da emancipação da mulher as probres das mulher de hoje pensam que alguma coisa mudou porque enquanto elas não saírem da linha que agora lhes está marcada, os homens contam-lhes até a história já não do "bandido" mas da igualdade de género e do feminismo...da esquerda...e da justiça mais igualdade - mulheres vamos lá fazer sexo grátis, mulher tomas tu a pilula e sofres tu as consequências as doenças se não queres engravidar vais abortar ou ficas presa - e esta mentira perdura há pelo menos quatro gerações ou quatro décadas...
Uma mentira que se prolonga e propaga ainda...perante este recuo ou retrocesso cultural em relação as mulheres em todo o mundo. Podemos querer festejar ou congratularmo-nos com o sucesso do Feminismo - mas a verdade é que tudo está a regredir e a andar para trás...desde o Deputado Europeu que afirma que as mulheres são menos inteligentes e deviam por isso ganhar menos do que os homens em plena Assembleia Europeia

rlp

Foto de Mizé jacinto

sexta-feira, março 03, 2017

QUANDO A DEUSA ERA ADORADA


A VIDA, A DEUSA-MÃE E A MORTE

“A Terra-Mãe, a Deusa-Mãe de todas as religiões posteriores, é sentida, (...) como matriz universal, como fonte ininterrupta de toda a criação. A morte, em si própria. Não é um fim definitivo, não é um aniquilação absoluta, tal como é por vezes concebida no mundo moderno. A morte, é assimilada à semente que, enterrada no seio da Terra-Mãe, fará nascer uma planta nova. Pode assim falar-se de uma visão optimista da morte, pois a morte é considerada como um regresso à Mãe, uma reintegração provisória no seio materno. (...) Eis porque, a partir do neolítico, encontramos o enterro em posição embrionária: os mortos são colocados na Terra numa atitude de embriões, como se esperasse a todo o momento regressarem à vida.”
(...)
“O que a Lua revela ao homem religioso (numa autêntica metafísica da Lua), é não somente que a Morte está indissociavelmente ligada à Vida, mas também, e sobretudo, que a morte não é definitiva, que é sempre seguida de um novo nascimento.
É por tais razões que o culto da Grande Deusa-Mãe, a que estão ligados os dolmens da civilização megalitica, é um culto simultâneamente terrestre e lunar.” * Miscea Iliade

“Representações ofídicas e astrais, como aqui das mais correntes nos dolmens deste período, nos poderá levar a supor que a Deusa era já adorada e cultuada como rainha do céu e da terra, mãe dos vivos e dos mortos, num culto inseparável de fertilidade e funerário: ainda, com o seu poder de fazer germinar os grãos e ressuscitar os mortos, ele surgirá na época do domínio, sob o nome de Atégina.”

Cita, Dalila Pereira da Costa, no seu livro “da Serpente à Imaculada”
Foto da escritora Dalila Pereira da Costa, tirada por Isabel Ruthe

O retorno ao interior da Mãe...



“A modificação da semente no interior da terra ilustra o mecanismo de metamorfose da própria Alma após uma morte Iniciática! …O retorno ao interior da Mãe, da progenitora com o poder de macerar os seus filhos num processo transformativo e revelador."



In "As Mascaras da Grande Deusa" de Cristina Aguiar


MULHERES APENAS, NEM BRANCAS NEM PRETAS...


LUTAR POR UM SIMBOLO? POR UM TURBANTE? 



É  CIMENTAR O ÓDIO ENTRE BRANCAS E NEGRAS  E DIVIDIR AINDA MAIS AS MULHERES NO MUNDO

O Sistema teve como fundamento de base desde o seu inicio dividir as mulheres dentro e agora tem como fundamento psicológico continuar não só a dividi-las como voltar as mulheres umas contra as outras e as mulheres que viveram sempre em conflito umas contra as outras, assim que o patriarcado as instiga elas não hesitam e entram em guerra logo contra as próprias mulheres. Se é mulher séria e do lar é contra a vadia e a puta, se é feia é contra a bonita...se é pobre é contra a rica...se ...é rica é contra a criada, se é branca é contra a escrava e se é escrava contra a branca...

 Neste momento no Brasil o Sistema patriarcal aproveita-se deste ódio secular, assim como desta rivalidade de fêmeas, sempre em luta pelo macho, e vira-as agora em força, mais uma vez umas contra as outras: mulheres negras contra brancas - por um Turbante?

Se as mulheres no mundo percebessem como poderiam mudar a face da Terra em vez de se dividirem e digladiarem entre si ...tal como se pode ver nesta marcha das mulheres unidas na América contra Trump, podiam ser a força mais poderosa no planeta. Mas elas preferem ainda estar em guerra umas contra as outras, tal como os homens afinal de contas se bem que mais solidários entre si.

De facto os homens unem-se entre si e são cúmplices dentro de um mesmo País contra as mulheres...as mulheres são rivais entre si (por causa do homem) e lutam umas contra as outras no seio da própria família...

A GRANDE FALTA DE CONSCIÊNCIA DAS MULHERES...

A Guerra dos Turbantes entre mulheres negras e brancas, no Brasil faz-me lembrar aquelas cenas de filmes e telenovelas em que duas mulheres lutam e se arranham por causa de um vestido (ou de um homem) e que puxando cada uma para o seu lado o acabam por rasgar ao meio e nenhuma fica com o vestido. Esta é uma questão tão idiota como caricata e só mostra como o Sistema manipula as mulheres para as dividir entre si. Assim se desviam as atenções das coisas graves como a violação o estupro e o feminicídio...
Digam-me lá se o Sistema e as Elites não são espertas???

E não pode haver nada mais hipocritamente correcto do que a esquerda ao defender as classes e os pobres e os mais desfavorecidos do Sistema, tão cega como a direita que só teoriza e especula para como dizemos em português "para inglês ver " - lá deve ser para americano ver que falam... 

Que discurso é este em nome de um TRAPO?

"Viver em um turbante é uma forma de pertencimento. É juntar-se a outro ser diaspórico que também vive em um turbante e, sem precisar dizer nada, saber que ele sabe que você sabe que aquele turbante sobre nossas cabeças custou e continua custando nossas vidas. Saber que a nossa precária habitação já foi considerada ilegal, imoral, abjeta. Para carregar este turbante sobre nossas cabeças, tivemos que escondê-lo, escamoteá-lo, disfarçá-lo, renegá-lo. Era abrigo, mas também símbolo de fé, de resistência, de união. O turbante coletivo que habitamos foi constantemente racializado, desrespeitado, invadido, dessacralizado, criminalizado. Onde estavam vocês quando tudo isto acontecia? Vocês que, agora, quando quase conseguimos restaurar a dignidade dos nossos turbantes, querem meter o pé na porta e ocupar o sofá da sala. Onde estão vocês quando a gente precisa de ajuda e de humanidade para preservar estes símbolos?"

O Sistema dividiu a mulher , toda a mulher em duas, depois dividiu-a em classes e agora quer dividir as mulheres negras e brancas porque se se juntassem no mudo as mulheres Brancas e Negras então ai sim, o Mundo estaria salvo - mas o sistema sabe o que faz e as mulheres divididas dentro de si mesmas longe do sua essência e sem consciência da sua cisão que as tornou sim, escravas concubinas e prostitutas DE TODAS AS CORES E EM TODO O MUNDO -  ele sabe bem como atacar pela raiz as mulheres e agora divide-as por um TRAPO - um pedaço de pano enrolado na cabeça - ...um trapo colorido na cabeça e elas defendem agora como um símbolo de dignidade ou de raça, nõa se percebe esta loucura...o Turbante usa-nos os muçulmanos e os indianos há séculos e claro que os africanos e afrin«canas também, mas fazer disto agora uma guerra de mulheres... voltando-se umas contra as outras mais um vez...Grave, muito grave para o Brasil com uma população maioritariamente negra, penso, que as mulheres TODAS nõa se unam e se ataquem agora por nada...

E como nos diz Eiane Pontiguara, escritora brasileira - falando desse poder genuíno esquecido da mulher moderna, que a mulher indígena - e assim deveria ser a negra -  preservou porque se manteve em contacto com as forças do seu passado assim como manteve vivo o espírito de ligação à natureza...e não por um turbante ou uma forma de vestir...

SIM, o Sistema nos quer fazer esquecer é que:

"... a mulher é uma fonte de energias, é intuição, é a mulher selvagem não no sentido primitivo da palavra, mas selvagem como desprovida de vícios impostos pela sociedade, uma mulher sutil, uma mulher primeira, um espírito em harmonia, uma... mulher intuitiva em evolução para sua sociedade e o bem-estar do planeta Terra.
Essa mulher não está condicionada psicológica e historicamente a transmitir o espírito de competição e dominação segundo os moldes da sociedade contemporânea. O poder dela é outro. Seu poder é o conhecimento passado através dos séculos, e que está reprimido pela história. A mulher intuitivamente protege os seios e o ventre contra seu dominador, e busca forças nos antepassados e nos espíritos da natureza para a sobrevivência da família. Assim é a Educação Indígena. Todos esses aspectos foram mais preservados na mulher do que no homem."*

rosa leonor pedro

*Eliane Potiguara

A ÁGUA DA VIDA




MUNDO ESTAVA NO ROSTO DA AMADA

O mundo estava no rosto da amada -
e logo converteu-se em nada, em
mundo fora do alcance, mundo-além....

Por que não o bebi quando o encontrei
no rosto amado, um mundo à mão, ali,
aroma em minha boca, eu só seu rei?

Ah, eu bebi. Com que sede eu bebi.
Mas eu também estava pleno de
mundo e, bebendo, eu mesmo transbordei.

© RAINER MARIA RILKE

SEDE

Ó minha amada, de ti sou insaciável
Tenho fome e sede do teu corpo como de pão e água!

Uma ânsia infinita dos teus olhos,
Uma premência inaudita do teu ser
E da tua boca, oh! Nem quero falar porque desvairo
E desfaleço da sede de te beijar!

Ó delíquio da fusão, ó sonho de ti renascer
E como na origem só uma ser.

Eu e tu , mãe eterna na minha alma inteira a vibrar,
Liquefeita eu nesse mar do teu olhar,
para sempre no teu Santo Nome mergulhar.

Ó minha amada, de mim sou insaciável!

Rosa Leonor Pedro
In “Mulher Incesto”

O complexo mitológico do incesto pode, numa das suas acepções particulares, inserir-se neste conjunto. A Mulher que desempenhou o papel de "mãe", que forneceu ao ser dividido a "Água da Vida" e da ressurreição (o "segundo nascimento" próprio dos Mistérios Menores) é possuída por aquele que, de certo modo, gerou e é seu filho. (...) A OBRA

O VICIO E AS DROGAS...



O vício como emergência espiritual
- por Stanislav Grof

"É possível que para muitas pessoas, por trás da ânsia por drogas ou álcool, esteja a ânsia por transcendência e completude. Se assim for, a dependência de drogas ou álcool, bem como todos os outros vícios, podem ser em muitos casos uma forma de emergência espiritual¹. O vício difere de outras formas de crise transformadora pelo fato de a dimensão espiritual muitas vezes se esconder por trás da óbvia natureza destrutiva ...e autodestrutiva da doença. Em outras variedades de emergências espirituais, as pessoas defrontam-se com problemas devido aos estados mentais espirituais ou místicos. Em contraste, ao longo do processo de dependência, muitas dificuldades ocorrem porque a busca de dimensões internas mais profundas não está sendo empreendida.

Durante a morte do ego, quer ela seja devida a um episódio de despertar espiritual ou de chegada de um indivíduo ao fim de sua carreira de alcoólatra, tudo o que se é ou se foi - todos os relacionamentos e pontos de referência, todas as racionalizações e proteções - entram em colapso e a pessoa é deixada nua, sem mais nada a não ser o âmago do seu ser.
Desse estado de absoluta e terrível rendição, não há para onde ir senão para cima. Como parte do renascimento que se segue a essa morte devastadora, a pessoa se abre facilmente para uma existência espiritualmente orientada, durante a qual a prática ou o serviço se tornam impulsos essenciais. Muitas pessoas se surpreendem ao descobrir uma fonte constante de benevolência interior que lhes dá força e orientação. Elas chegam à percepção de que a vida sem a espiritualidade é trivial e pouco gratificante.
A chave para essa redenção é o fim da ilusão de que se pode controlar a própria vida a aceitação de auxílio vindo de um “Poder mais Elevado”.