segunda-feira, março 13, 2017

A MULHER COMO MEDIADORA



DE VOLTA A CASA...

Existe no âmago de todas as mulheres o que Toni Wolffe, uma analista junguiana que viveu na primeira metade do século XX, chamou de "mulher mediadora". A mulher mediadora se posiciona entre o mundo da realidade consensual e o do inconsciente místico, fazendo mediação entre eles. Ela é o transmissor e o receptor entre dois ou mais valores ou idéias. Ela é a que dá à luz novas idéias, transmuta velhas idéias por idéias inovadoras, faz a comunicaçã...o entre o mundo do racional e o do imaginário.
Ela "ouve" coisas, sabe "coisas" e "pressente" o que virá a seguir. Esse ponto a meio caminho entre os mundos da razão e da imaginação, entre o raciocínio e o sentimento, entre a matéria e o espírito — entre todos os opostos e todas as nuanças de significado que se possam imaginar — é o lugar da mulher mediadora.
(...)
Ela é capaz de viver em todos os mundos, no mundo superficial da matéria e no mundo distante, ou mundo oculto, que é o seu lar espiritual, mas ela não consegue ficar muito tempo na terra. Ela e o pescador, a psique egóica, geram um filho que também consegue viver nos dois mundos, mas que não consegue ficar muito tempo no lar da alma.
(...)
A Mulher Selvagem é uma combinação de bom senso e senso da alma. A mulher medial é o duplo de si mesma e tem também essa dupla capacidade. Como a criança na história, a mulher medial pertence a este mundo, mas tem condição de viajar até os recessos mais profundos da psique com facilidade. Algumas mulheres nascem com esse dom. Outras mulheres adquirem essa capacidade. Não importa a forma pela qual se chegue a ela. Um dos efeitos da regularidade na volta ao lar está no fato de a mulher medial da psique sair fortalecida toda vez que a mulher vai e volta.


CLARISSE PINKOLE ESTEES
MULHERES QUE CORREM COM OS LOBOS

EU QUEIXO-ME...



Os treze atributos da bruxa.

1 - As bruxas não se queixam. Aceitam que o que foi e não pode ser mudado e o que interessa é daqui para frente. Não quer dizer que não expressem dor, mas não se lamentam, não se veem nem agem como vítimas.

2 - As bruxas são atrevidas, tem coragem de experimentar o novo, a buscar o não vivido, o não conhecido....


3 - As bruxas têm mão para as plantas, concreta e metaforicamente. “Plantam, regam e acompanham o crescimento” de plantas, pessoas, projetos...

4 - As bruxas confiam nos pressentimentos, em sua intuição, honram sua sabedoria interna.

5 - As bruxas meditam à sua maneira, cultivam um centro interno de silêncio e escuta, de prece e reconexão com o Sagrado.

6 - As bruxas defendem com firmeza o que mais lhes importa, descobrem sua voz e tendem a tornar-se mais rebeldes e radicais com tudo que consideram errado no mundo.

7 - As bruxas decidem o seu caminho com o coração, mesmo que esse caminho seja difícil.

8 - As bruxas dizem a verdade com compaixão, mas dizem sempre a verdade, porque sabem que só a verdade cura e liberta.

9 - As bruxas ouvem o seu corpo, não o veem como um objeto a ser aperfeiçoado, mas como um instrumento de prazer e auto conhecimento.

10 - As bruxas improvisam, agem com espontaneidade, fluem com a vida.

11 - As bruxas não imploram, não fazem NADA com a finalidade de serem aceitas.

12 - As bruxas riem juntas, riem de si e com isso nutrem um profundo senso de irmandade, porque é um riso que expressa o triunfo do espírito e da alma sobre aquilo que poderia tê-las destruído ou as convertido em mulheres amargas .

13 - As bruxas saboreiam o positivo da vida, sabem ter gratidão pela beleza da vida, mesmo que mesclada de sofrimentos.

Ahow!

Do livro "Las Brujas no se quejan" de Jean Shinoda Bolem, que fala do arquétipo da anciã , da velha sábia ou da bruxa.

sábado, março 11, 2017

LE RETOUR DE LILITH



Eu sou Lilith a  sina dos iniciados
A impetuosa perdida a conhecida e a obscura
Os livros descreveram-me e vocês não me leram
Eis as minhas visões
Na crista da onda  do sétimo dia *


"Eu sou Lilith, a mulher-floresta. Não vivi uma espera desejável, mas sofri os leões e as espécies puras de monstros. Fecundo todas as minhas costas para construir a história. Agrego as vozes nas minhas entranhas para que o número de escravos esteja completo. Como o meu próprio corpo para que me não tratem como faminta e bebo a minha água para nunca sofrer a sede. As minhas tranças são longas no inverno, e as minhas malas não têm tecto. Nada me satisfaz, nem me sacia, e eis que regresso para ser a rainha dos perdidos no mundo.
Sou a guardiã do bem e do encontro dos opostos. Os beijos no meu corpo são as feridas de quem tentou. Da flauta das duas coxas sobe o meu canto, e do meu canto a maldição espalha-se em água sobre a terra.
Sou Lilith, a leoa sedutora. Mão de cada servidor, janela de cada virgem. Anjo da queda e consciência do sono leve. Filha de Dalila, Maria Madalena e das sete fadas. Nenhum antídoto para a minha condenação. Da minha luxúria, erguem-se as montanhas e abrem-se os rios. Venho de novo para furar com as minhas ondas o véu do pudor, e para limpar as feridas da falta com o perfume do deboche."


JOUMANA HADDAD - POETISA LIBANESA

*1 Joumana Haddad - Le Retour de Lilith

A MULHER ESSENCIAL E O SEU DOM


PARA TODAS AS MULHERES...

Estou sempre a sonhar que nós mulheres, brancas, negras e amarelas, novas e velhas, ricas e pobres, que nós vamos conseguir ultrapassar esta separação com que nos dividem os padrões sociais e as facções partidárias e as guerras raciais - criadas por homens e as suas ideologias machistas e marxistas, sejam elas fascistas ou democratas - e que sempre visaram separar e antagonizar as mulheres umas contra as outras; Sim, sonho que um dia consigamos,  nós mulheres, em todo o mundo, se nos unirmos como uma força única e unas  em defesa da Terra,  das mulheres e das crianças...dos animais e da Natureza Mãe ...talvez a Paz estivesse mais perto. Mas também sei que isso só é possível se cada uma de nós tocar esta Essência Sagrada de forma Consciente e activa que nos une e nos energiza, nos dá força e vontade...se o conseguíssemos uma a uma, independentemente da nossa classe social ou cultura tradição ou moral ou a cor de pele...talvez a curto prazo o mundo mudasse de paradigma.

Sim, sonho e acredito que se nós acreditássemos, era possível...se todas dessemos o tal beneficio da duvida às outras mulheres em vez desta maldita desconfiança e ego masculino sempre a frente, como uma espada afiada,  sempre a lutar com as suas armas de agressão e cólera...masculinizadas e frustradas como o são as mulheres patriarcais, mais violentas que os homens e que lhes dão voz...
Se acabasse este complexo social e rácico baseado na ideia de que umas mulheres são mais umas ou menos do que outras e que há mulheres privilegiadas e outras deserdadas da sorte - sim há - as mulheres todas elas, mesmo ricas e brancas são xingadas e maltratadas pelos mesmo motivos que as pobres...e não é o dinheiro nem a classe social que vai fazer a diferença para as mulheres - são os complexos de cada uma dentro do Sistema que as faz  julgar-se acima ou  melhores ou  piores e cria esta luta da que tem mais regalias ou sabe mais - tem mais educação cultura -  e assim da que sabe menos ou tem mais ou tem menos - é o Sistema que quantifica, que divide e avalia ...que diz eu sei mais e tu menos e eu sou assim e tu és assado...ela é má e eu sou a boa...infinitamente...
Meu deus, se fossemos olhar as nossas manias ou complexos os nossos medos...etc., nunca mais acabariam. Mas que interessa?  Parem com isso...
oh não...basta...amemo-nos...como irmãs...como mães e filhas...
Sim, eu sei esta é a minha Utopia...mas prefiro-a a outra qualquer...

É claro que eu sei que somos todas diferentes, e temos níveis de consciência também diferentes, mas o que eu digo é que há um factor comum que nos une a todas e faz essa Consciência do Feminino primordial torna-las todas iguais  e nos faz perceber que TODAS TEMOS VALOR, o mesmo valor intrínseco!

Creio que se entendermos o aspecto  essencial daquilo que nos une e diz respeito a todas, passaremos bem por cima dessas diferenças, sejam elas quais forem...o que aqui o que nos interessa está bem acima de qualquer ideia ideologia religião ou filosofia...
Há uma força própria da mulher de TODA A MULHER e é esse o segredo que temos de apostar. E é AGORA, independentemente das nossas idealizações; Não é quando houver direitos e salários iguais ou a liberdade da Mulher seja uma realidade para todas as mulheres do mundo. Isso só nos faz adiar a nossa própria realização individual como mulheres...não dependemos de nada, nem de ninguém para sermos...temos tudo dentro de nós para ser essa MULHER ...eu acredito!
 
SE AS MULHERES SOUBESSEM E VERDADEIRAMENTE ACREDITASSEM NELAS...

Se as mulheres soubessem da sua força interior, se elas soubessem do seu próprio poder interno...não andavam por ai em lutas vãs nem guerras de sexos ou de cores ou em busca de curas e de remédios, de coisas estapafúrdias ou fantásticas - não andavam para ai em busca de "justiça e igualdade"  de um futuro longínquo ou de outros mundos...nem de anjos nem de mestres...
Se as mulheres soubessem o seu caminho, concentravam-se nelas próprias até chegaram a esse seu estatuto ou plano de Consciência que só dentro delas poderão encontrar e dar corpo...porque é o seu DOM de MULHERES. Nasceu com elas. e nada nem ninguém lhe tira a nõa ser por seu consentimento e alienação de si mesmas.
A mulher não precisa de nada fora dela para ser um ser completo e único e transcendente - ela liga a Terra ao Céu e é Senhora do Amor - não precisa de deus para nada...ela é a Deusa na terra...
Se as mulheres soubessem a força e o mistério, o magnetismo puro que é só seu tinham o mundo aos seus pés...e fariam dele um Mundo de Paz...e não de guerra...


OLHEMOS POIS PARA O QUE NOS UNE E NÃO PARA O QUE NOS SEPARA


Há um centro e uma essência que nos liga e identifica a todas como mulheres - apenas nas crenças, nas ideias e nas diferentes facetas da nossa natureza idades e personalidade nos diferenciamos, mas quando passamos acima das ideias e crenças e o que quer que seja o que nós defendemos intelectualmente porque acreditamos, a verdade que nos interessa diz sempre respeito a todas, e se assim não for é porque não é verdade...
Tudo o que nos separa em vez de nos unir... não é a Deusa Mãe, mas um simulacro qualquer que nos afasta desse centro e desvia desse amago!


 rosa leonor pedro

quinta-feira, março 09, 2017

8 DE MARÇO E A REALIDADE DA MULHER EUROPEIA



UM TEXTO VEEMENTE E ACTUAL - SEM FLOREADOS...

Aqui está a nu o mundo "civilizado" que retrata ponto por ponto a falsa  emancipação e liberdade das mulheres no Ocidente...
É tudo isto o que infelizmente as feministas marxistas e espiritualistas não querem ver...e continuam a idealizar uma conquista e uma luta que nada tem a ver com a realidade mas apenas com o branqueamento de uma Real-realidade que homens e mulheres querem escamotear e ignorar em nome de uma igualdade inexistente. O que eu sempre tenho vindo a escrever. Mulheres não se deixem enganar.
rlp

 LEIAM ESTE TEXTO FABULOSO E IMPERDIVEL...

Vou aproveitar a liberdade do DIA DA MULHER, para mostrar o porquê de ser um dia tão importante.
"Ah e tal, vocês estão muito melhor do que as que vivem noutros países!"
Pois....leiam de novo o argumento.
Não é suposto estarmos "melhor" nem "pior"...é suposto nem sequer haver essa diferença, esse "privilégio", que nenhuma mulher tem.
"Ah, ela é executiva e lidera uma equipa de gente"
Pois é. Mas se "ela" chamar a atenção, puxar pela equipa, é "p***", tem falta de homem, tem a mania que manda. Se ela tenta ser correcta "não tem pulso firme. Precisa de pêlo na venta". Além disso, não se pode "prender pelos filhos", não pode estar cansada por passar noites em claro a amamentar ou alimentar o bebé, porque tem a carreira. (já viram estes comentários sobre um homem, que não sejam para enaltecer? "pois pá, coitado, tem um bebé pequeno e AJUDA muito")
"Sempre a queixar da falta de liberdade! Falta de liberdade têm as de (preencher a gosto)."
Pois. Vamos falar sobre isso (mulheres, comentem se quiserem)
- Sair sozinha à noite (não sabem o que sentimos, pois não?)
- Estar numa paragem de autocarro e ouvir javardices (sabem o que é?)
- Vestir o que nos apetece e ver que a sociedade aceita a javadice porque a mulher "está a pedi-las". Passa a domínio público.
- Ter de ouvir o quão desmazeladas/excessivamente aprumadas estamos, porque pelos vistos, além do domínio público temos um padrão.
- O que ouvimos na estrada (faz lembrar alguma coisa que já disseram?)
- O valor do nosso trabalho ser constantemente diminuído "porque elas engravidam/tomam conta dos putos doentes/amamentam e é uma chatice"
- A inteligência ser constantemente insultada
- A objectificação
- A humilhação pública sempre que não se cumprem os "padrões sociais", porque mulher é sempre uma "vaca/porca/ordinária" sempre que ousa quebrar os padrões.
- A mulher tem de esconder os pêlos, gorduras, celulite, cheiros "incómodos", porque é nojento.
- A mulher tem desde SEMPRE de sentar como uma senhora, usar saias mas não mostrar as cuecas (ordinárias as criancinhas que ousam brincar livremente quando a famílias lhes vestem sais mas andam o dia todo a relembrar a ordinarice que é fazer o pino, correr, estar o vento)
- A mulher que tem gases é uma nojenta. As mulheres não têm gases nunca. É nojento.
- As mulheres quando andam sozinhas ouvem (tenham que idade tiverem) as maiores alarvidades!!!
- As mulheres quando andam em transportes públicos têm sempre um espertinho a querer demasiada proximidade. Se a mulher reage, é uma *%€&.
- Avaliação constante.
- Padrão de satisfazer as vontades dos homens.
No século XXI vivemos isto. Noutros países são mortas, esturpadas publicamente, casadas à força, espancadas em praça pública.
Temos sorte em não correr tanto risco de vida? Temos. Mas vivemos livres? Não.
Aos homens: Vocês são filhos de um pai e de uma MÃE/MULHER. Antes de debitarem obscenidades, lembrem-se que as vossas mães passam o mesmo. Se forem pais de meninas, elas vão viver isto. Não é uma possibilidade...é um facto!
Às mulheres: Unidas somos mais forte. Exorcizem o discurso machista que está ultra imbuído nesta sociedade
O dia da mulher não se celebra com flores ou chocolates. Celebra-se a relembrar que temos de mudar a forma de tratar TODAS as mulheres. Hoje e sempre!
P.S. Não queremos flores, queremos cartazes! Queremos RESPEITO, queremos VOZ!

Do mural de uma amiga de uma amiga...

(grata a mulher desconhecida que o escreveu pela sua lucidez e clareza!)

quarta-feira, março 08, 2017

A MULHER CRIA O UNIVERSO


"A Mulher cria o universo, é o próprio corpo desse universo. A Mulher é o suporte dos três mundos, é a essência do nosso corpo. Não há outra felicidade senão aquela proporcionada pela Mulher. Não há outro caminho a não ser aquele que a Mulher pode abrir para nós. Nunca houve e nunca haverá, nem ontem, nem agora, nem amanhã, outra ventura que não seja a Mulher. Nem reino, nem lugar de peregrinação, nem yoga, nem oração, nem mantra (/formula magica), nem ascese, nem plenitude além daquela prodigalizada pela Mulher."


Shaktisangama-Tantra II. 52



A MULHER PRECISA DE REINVENTAR A LINGUAGEM

De acordo com Soshana Felman, " o desafio com o qual a mulher é hoje confrontada é nada menos do que o de "reinventar" a linguagem...o de falar, não só contra, como também fora da estrutura falocêntrica especular, o de estabelecer um discurso cujo estatuto não seja definido pela falácia do significado masculino" ...

E o pensamento dominante na mente feminina, é masculino...

Ao longo da minha vida e da minha experiência,  sobretudo ao longo das minhas incursões e busca de um feminino verdadeiro, palestras e escritos e alguns trabalhos para interagir com mulheres nestes contextos ditos do “feminino sagrado”, na tentativa de aflorar um novo universo de mulheres supostamente conscientes de si, por assim dizer, em que a esperança de uma nova consciência da Mulher é emergente na Terra, e que devia ser a ultima coisa a morrer, confesso que me sinto muitas vezes abalada pela ineficácia da minha tentativa de chegar a todas as mulheres de boa-fé e de coração aberto...

Na verdade o que eu vejo mais frequentemente e constato é que de facto é muito difícil as mulheres saírem da sua  zona de conforto e de tutela patriarcal (do marido-amante ou do Pai e do filho) e dos conceitos e preconceitos que predominam ainda sobre o feminino em geral – tendo em conta a ignorância absoluta da cisão da mulher - que nos aprisiona no pensamento falocrático. Como é o caso sempre que se trata de expandir a consciência da sexualidade-sensualidade da mulher. Para elas só há sexualidade se houver um membro eréctil, um sexo de afronta, dominador... onde não entra a sensualidade, nem a emoção nem muitas vezes o respeito ou uma verdadeira sensibilidade feminina...

Esse pensamento dominante na mente feminina corresponde à predominância e domínio do Homem e desses valores, no discurso masculino dentre os quais os estritamente sexuais, os mais valorizados e exaltados e que são de domínio e abuso sobre a mulher, o corpo e o sexo, os mesmos que imperaram durantes milénios.
Sem falo a mulher não existe - não tem voz, diz Lacan?
Assim, quando falo e tento romper essa barreira dos conceitos e preconceitos sobre a sensualidade da mulher que é marcadamente masculina, a que visa o prazer exclusivo do homem e não da mulher,  em que as mulheres estão quase todas  formatadas e viciadas pela mente e cultura (moda-cinema-arte-pornografia) masculina, em que baseiam as suas ideias de  amor e vivem as suas relações, casamento família e sociedades, e até em grupos orientados para uma Nova Era, pretensamente libertadora da mulher (tantra-dança-massagens-terapias) e não são senão variações do mesmo uso da mulher baseado no medo e no tabu ancestral que pesa sobre as mulheres.

Impossível ainda pois criar uma energia comum, de cumplicidade feminina e independente do homem, sem que os preconceitos redutores das mentas cativas das mulheres não se manifestem de forma preconceituosa; impossível assim  criar sinergias entre as mulheres através da possibilidade de criar um vazio mental – uma espécie de “desorientação” mental, abertura para a experiência de dentro, do centro e do coração -, a fim de deixar que algo novo as surpreenda e assim poder deixar fluir a Consciência inata, ou deixarem-se invadir por algo que não se capta pela mente-intelecto, nem pela razão. Mas lamentavelmente o que tenho verificado é que acabo quase sempre por ser mal entendida e passar por "suspeita" (ah não "gostar de homens"!). 
Tudo isso é natural dado os diferentes níveis das pessoas que me ouvem e consequentemente da sua consciência desperta ou não para as subtilezas do ser superior e da mulher verdadeiramente livre. Normalmente (a normose) pauta pela mediocridade dos julgamentos dentro da dualidade bem e mal. Ai a sexualidade é a mais sacrificada e reduzida aos estereótipos citados. AS pessoas filtram tudo com a mente dual (rasa e baixa) e raramente conseguem ler ou ouvir com o coração inteligente...para lá dos conceitos, tantas vezes mesquinhos e redutores da pessoa humana nomeadamente sem atingir o propósito de alcançar essa beleza e grandeza que é apanágio da Mulher Integral.

Desta maneira e sucessivamente tenho-me vindo a aperceber que não posso fugir a essa matriz de controlo nem ao velho paradigma que as domina e que continua a ferir as mulheres (já não falo dos homens) no seu amago – não as deixando fluir na sua intuição – mas criando resistências através de ideias geradas no seio da sociedade conservadora e na família tradicional e que veiculam inconscientemente contra elas próprias o sentimento de negação da sua liberdade de ser em nome de deus ou do diabo, do bem e do mal.

Sim apercebo-me de que afinal não posso ignorar, na minha boa-fé, nem mesmo diante da boa vontade das outras mulheres, as mais empenhadas na consciência de si mesmas, a forma como as mulheres em geral ainda estão dominadas pelas velhas fórmulas tradicionais e conceitos religiosos que as formataram e como cada uma faz a leitura desta abordagem de  acordo com os seus conceitos e preconceitos, dependentemente do seu nível de consciência e isto é fatal como o destino...
Na verdade sempre que me exponho a falar em público corro esse risco, o de ser mal interpretada e tenho-o feito em diversas plateias e palcos e em diferentes momentos da minha vida e em diferentes intervenções, desde há muitos anos, sendo que nos últimos anos o tenho feito, não em nome de algo ou de alguém, mas daquilo que eu própria escolhi como caminho para mim mesma.
Falar às mulheres da sua cisão interior e de abordar Lilith numa perspectiva mais conceptual e psicológica, sem recorrer a ideias mirabolantes e sem me deixar influenciar por nenhum tipo de devaneios ou ideias transcendentais…seja por meio de canalizações ou iniciações, ou escutar vozes de antepassados anjos ou seres de outras dimensões ou galáxias… 
Há por ai tanta "informação" vinda de planos e dimensões - há por ai tanta "sabedoria" forjada na imaginação e na demência megalómana de criaturas insanas e ignorantes...de si mesmas, que se dizem canais ou interpretes do divino e de entidades, que por vezes penso que o melhor é ficar calada!

O que eu digo e escrevo ou defendo vem de dentro de mim mesma e é o meu discernimento pessoal, o meu conhecimento próprio SEM FONTES OUTRAS que não as humanas e que se obtém do somatório do que aprendemos ao vivo e por experiência própria; o que eu penso é  a expressão de uma faculdade cognitiva que  manifesta por palavras a experiência do meu ser nos diversos aspectos da sua manifestação e através de vivências seja a nível emocional sentimental ou físico…e também espiritual, quando essa união entre o corpo alma e o espirito se faz neste plano.

Portanto falo, escrevo e digo por conta própria e risco e não me sirvo de nenhum outro meio para o fazer, nem falo em nome de ninguém, que não seja a consciência que tenho da minha própria existência e da minha vida vivida e todas as implicações que resultam da nossa estadia na Terra, dimensão em que vivo e em exclusivo, sem me transladar para mundos fictícios e ideias transcendentais que não são o da realidade que vivo com os pés assentes na terra Mãe; não vivo nem falo baseada numa teoria de uma qualquer visão alterada. Falo de uma visão espiritual natural sem interferência de conceitos ou ideias pré-estabelecida pelos manuais nem nenhum livro sagrado…

rosa Leonor pedro




8 DE MARÇO...

Mulheres árabes escravas:

"Um homem pode comprar e vender escravas. Uma mulher é considerada escrava se for pega em uma batalha, ou se ela nasceu de uma mãe escrava. Mas o homem tem direito ao intercurso sexual com ela [13], uma vez que a comprou com seu dinheiro! Também pode mandá-la como presente a outro homem. Que maneira respeitosa de tratar as mulheres!
A escrava deve ser cristã ou judia.
Maomé não tinha qualquer respeito pelas mulheres. Ele teve doze esposas durante sua vida, onze de uma só vez, além de uma delas ter 9 anos [14] quando ele consumou o matrimônio
."



8 DE MARÇO - MAIS UMA VEZ...

Não, não vou falar do dia internacional da Mulher...

Por muito especial que este dia seja e possa representar para as mulheres do mundo dito civilizado, estamos tão longe de ver as Mulheres no mundo inteiro SER RESPEITADAS E DIGNIFICADAS pela sua capacidade de gerar vida e de amar e de se dar......
Não, não vou festejar o dia 8 de Março quando há milhares de mulheres que ignoram que são mulheres e ignoram as outras mulheres...quando são as próprias mulheres a esquecer e a trair as outras mulheres espancadas oprimidas e vendidas ...
Sim, todas estas mulheres que se julgam livres a fingir que são emancipadas outras que são espiritualizadas outras que já estão num plano de igualdade, etc. IGNORANDO AS OUTRAS MULHERES, dando cobertura aos homens, servindo-os e sendo fieis ao Sistema que as oprime explora e condena e manda ainda no seu corpo e no seu sexo, não acho que tivéssemos chegado muito longe nesta batalha.
Um mundo onde existe escravidão de mulheres, prostituição e violações e mortes seja por violência doméstica e abstétrica, onde políticos, policias, médicos e juizes NÃO RESPEITAM A VITIMA - induzindo sempre a culpa na mulher, em que o patriarcado e as suas leis penalizam o sofrimento da mulher não lhes dando qualquer apoio quando sós e pobres...mães solteiras ou separadas, não é um mundo civilizado. É um mundo de nojo. E nojo é o que sinto hoje de todas estas mentiras embrulhadas em papel cor-de-rosa e flores...

NÃO, NÃO VOU FESTEJAR O DIA 8 DE MARÇO - talvez me devesse vestir de luto...e chorar as mulheres assassinadas e violadas nestas guerras bestiais de homens sem mãe...que matam as filhas e as mulheres pela lei de alá.
rlp

8 DE MARÇO - UM MITO?

Um mito circula há décadas: diz que o 8 de março foi criado em homenagem a um grupo de operárias grevistas que foram assassinadas em uma fábrica de Nova Iorque ...em 1857. A fábrica teria sido incendiada com elas lá dentro como forma de repressão à greve.

A história dessas tecelãs assassinadas é um equívoco histórico que foi amplamente repercutido. Se você pesquisar na internet hoje, encontrará centenas de sites que repetem essa história como sendo a origem do 8 de março.

O mito das operárias mortas incendiadas teria origem em dois acontecimentos distintos na cidade de Nova Iorque. O primeiro foi uma longa greve de costureiras, que durou de 22 de novembro de 1909 a 15 de fevereiro de 1910. O segundo ocorreu também em Nova Iorque, em 1911, quando uma fábrica de tecidos chamada Triangle Shirtwaist Factory (Companhia de Blusas Triângulo) pegou fogo em decorrência das péssimas condições de segurança do local, matando 146 pessoas. Dentre os mortos, 129 eram mulheres - 90 delas se jogaram pelas janelas do prédio.

No texto, "Às que vieram antes de nós: histórias do Dia Internacional das Mulheres" de Daniela Lima, sobre o incendio:

"Era perto do fim do expediente da tarde de sábado, 25 de março de 1911, quando uma nuvem de fumaça se espalhou pelos três andares superiores do Asch Building, em Nova York. Ouviu-se o som de estilhaço de vidro seguido de um forte estampido. As trabalhadoras da Triangle Shirtwaist Company, que ocupava o espaço, acreditavam que fossem fardos de tecido ou pedaços da fachada que se desprendiam do prédio consumido pelo fogo. Logo perceberam o horror absoluto: aquele estranho estampido vinha dos corpos de mulheres e meninas que se jogavam das janelas tentando escapar das chamas."

O estabelecimento do "Dia da Mulher"

Em 1909, "Dia da Mulher" foi estabelecido por grupos feministas como o dia 28 de fevereiro de 1909. Os atos teriam sido organizados principalmente pelo Partido Socialista Americano e teriam ocorrido principalmente em Chicago e Nova Iorque.

Em agosto de 1910 em Copenhague, na Dinamarca, foi realizada a II Conferência Internacional das Mulheres Trabalhadoras. Nesse dia as feministas americanas apresentaram a proposta de criação de um Dia Internacional da Mulher que seria celebrado anualmente no último dia de fevereiro.


O congresso aprovou a proposta, mas não definiu uma data específica para a celebração. Alguns países comemoravam em fevereiro como os EUA, outros o faziam em outros meses, variando entre em março e maio.
Organizações da luta feminista tentaram por diversos anos unificar a data do dia da Mulher. Estabeleceram em 1914 a data atual de 8 de março, mas nem todos seguiam essa data. A data foi novamente decidida no Congresso da 3a Internacional Socialista em 1921.

Somente em 1975, a ONU (Organização das Nações Unidas) decretou que no dia 8 de março seria considerado o Dia Internacional da Mulher."

Eis a glória e a ignominia da mulher…


A mulher traz um espelho na mão...


“O homem sonha. Do fundo de uma perspectiva rasgada numa matéria opalescente uma mulher caminha para ele. É a sua alma. Psique! A mulher traz um espelho na mão. O homem vê-se no espelho. O seu rosto está banhado de uma luz semeada de pequenas asas vibráteis de platina. É a revelação inaudita do anjo que ele era e não sabia. O homem vê-se no espelho. O seu rosto está coberto de minúsculos animais viscosos que incessantemente saem do antro tenebroso do seu coração. É a revelação monstruosa do demónio que ele era e não sabia.

Eis a glória e a ignominia da mulher… Glória, porque é da sua natureza anímica, apaixonante, pôr o homem em tensão para o sublime ou para o ignóbil que nele se libertam pela via da paixão. Ignomínia, porque esta propriedade entusiasmante de mulher implica ser ela indispensàvelmente objecto da subjectividade do homem.”

NATÁLIA CORREIA, in "Mulher: Antologia Poética ", 1973