terça-feira, outubro 10, 2017

...a beleza não é sempre o templo da virtude



O QUE NOS ATRAI E REPELE N@ "OUTR@"

"Para provar o que eu intento, invocarei a natureza; os mais incrédulos não puderam deixar de admitir esta prova, porque um instinto natural os guia como ao resto dos homens. A primeira vista de um indivíduo qualquer, que não conhecemos,  umas vezes nos sentimos inclinados para ele, outras vezes sentimos uma força interior, que nos repele. Consultemos a íntima experiência, e veremos, que esta voz secreta da natureza nunca nos ilude, porque, porque ela é tão infalível, como o seu Autor. Mas não a confundamos com as prevenções de um espírito preocupado, e devemos saber que a beleza não é sempre o templo da virtude, e que a disformidade é muitas vezes acompanhada das mais sublimes qualidades." 

Autor?
Um Estudo? 

domingo, outubro 08, 2017

A LIBERDADE DE PERSEGUIR O PODER...



"Quando vejo aquelas mulheres que pensam que emancipação significa a liberdade de serem tão ambiciosas e sedentas de poder como o mais macho dos homens, temo que as mulheres que se mantiveram intactas (autênticas) à sua maneira sejam postas em perigo por outras mulheres. É que já não se tratará apenas de se defenderem dos homens, como também daquelas mulheres que adoptaram a concepção masculina da liberdade. A “liberdade” de perseguir o poder para não terem de saber do medo torna-as cúmplices com o desprezo que os homens costumam ter pelo sexo feminino. "
 

In “A TRAIÇÃO DO EU “ do autor do livro “A LOUCURA DA NORMALIDADE”
ARNO GRUEN – Professor e Psicanalista de origem alemã

quinta-feira, outubro 05, 2017

os homens sabem tudo...


O HOMO SAPIENS

E A NEGAÇÃO DA MULHER…


“O termo homo sapiens (literalmente homem conhecedor ou homem inteligente) é um belo exemplo do chauvinismo dos nossos sábios. Neste caso, isso chega mesmo ao ponto da negação total da existência de mulheres na espécie assim definida. Contudo, se os homo sapiens não tivesse sido senão isso, há muito tempo que eles teriam desaparecido, incapazes de se reproduzirem…”
in QUANDO DEUS ERA MULHER – M. M.
Os homens sabem de tudo...sim, eles são exímios filósofos, teólogos, poetas, exegetas, psicólogos, sexólogos; Sim, eles sabem de tudo... menos de Mulheres. E esse foi precisamente o seu maior drama: terem-se convencido que sabiam o que era uma Mulher...Nada mais errado e absurdo...e nessa ignorância da Mulher re-criaram-na de tal modo e exaustivamente ao longo dos séculos que com isso acabaram por transformar as mulheres numa coisa esquisita e controversa que ...nem elas mesmas hoje se entendem ou sabem o que realmente são... E por fim, essa é a grande ironia, são os próprios homens hoje a quererem ser mulheres e mães...e putas...tudo ao mesmo tempo.
E a Mulher? Ficou um mero objecto multiusos e busca-se nos perdidos e achados da história deles que é longa e reles...
Ela coitada bem se exibe, bem se pinta e mascara, e tenta por todos os meios lembrar-se QUEM ERA... bem mostra as pernas e o busto de silicone...usa os decotes e as mini-saias, e nas passe-reles, onde desfila esquelética é proibido ter seios e ancas...mas nas telenovelas se não tem bum-bum assim assim não entra...
oh sim, em Amesterdão elas expõem-se em montras à procura de um eco, um turista um marido um cliente...diz: "mulher procura-se"...ou vende-se...

rlp


"Suprimindo a noção de Mãe-Divina, ou submetendo à autoridade de um deus-pai, desarticulou-se o mecanismo instintivo que fazia o equilíbrio inicial: daí advém todas as neuroses e outros dramas que sacodem estas sociedades paternalistas."*

*In LA FEMME CELTE - de Jean Markale

terça-feira, outubro 03, 2017

A MORTE ANUNCIADA...




"Selvagem Forma De Ser"

(…) Vou cantar uma triste canção. Vou cantar e, o meu canto é fúnebre. A morte me chama, me chama, me chama; todos os anjos me chamam e todos os deuses me chamam. Estou morrendo e ninguém se apercebe; ninguém consegue ver. Faz um longo tempo que preparei o corpo, limpei-o de todos os seus vícios. Quero ser uma noiva pura, imaculada para me entregar à morte. Pouco tempo me resta aqui, em pouco me tornarei anima no céu.
Sempre me tentaste como uma serpente! Sempre ataste os meus pés com essa corda crua e nua. Não chegou teres-me morto em vida, e, agora vaidosa e arrogante, queres a morte do meu corpo. Imensurável é a tua crueza que só me deixaste este corpo. Este corpo fraco ao frio, ao calor; à dor, à alegria. E agora, queres ele também. Ninguém me vê, apenas tu e a tua crueza. Olhas-me brilhante, como se fosses a mais negra das noites. A mais sedutora mulher fatal. Tão brilhante que quase me convences, mas as mulheres fatais apesar de serem irresistíveis, elas matam com o seu brilho. Por isso são fatais, mulheres fatais. O seu lipstick vermelho, é o sangue que corre pelo corpo num último beijo.
Podes rir, rir alto! Ri como quiseres e como ousares. Ri, porque eu finjo que não te ouço e vou para a outra margem. Espero um outro barco. Finjo que espero um outro barco que me leve para longe de ti. Tão longe, que não te possa mais conceber nem na miragem da minha mente. A loucura virou-me as costas, mas tu és a consciência perfeita, estás aqui bem ciente; estás aqui bem vestida e teu rosto é bem definido. Chamas-te morte!! É assim que te apresentas. O teu abraço é frio, como um glaciar. Talvez queiras me congelar, assim o crime auto-imposto seja mais fácil. És inteligente. A tua força está na inteligência, e eu sou a tua fraqueza. Matares-me, é matares-te a ti mesma. Cega e cega… o és cega!!

Sim!! Sim!! Eu ouço-te. Eu vejo o mapa geográfico do corpo. Por onde começo? – pergunto. Tu olhas para todos os lados e começas a delinear com um marcador os lugares onde poderia… poderia acontecer aquilo. Sim, sei… sei que o tempo está cada vez mais próximo. Por isso meu corpo está cada vez mais puro, para te receber. Vou virgem, vou casta, vou limpa. A noiva perfeita; a tua noiva perfeita. Falta-me apenas verter todas as lágrimas – lágrimas que vertem quentes sobre o gelo do corpo – e fazer o adeus consciente. Faço a escolha. A escolha obrigatória, sem contradição; tão clara é a consciência que não voltarei atrás na escolha. Apenas porque nada é maior que isto… isto!! A única e verdadeira amiga neste momento dá pelo nome de Morte. Nada prova o contrário àquela que escolheu ser sua noiva. Noiva pura, casta, limpa. Toda despida, vai nua a noiva e, apenas um longo véu a cobre.
Está tudo tão próximo e ninguém sonhou… um dia vão chorar, e quando chorarem será tarde, porque aqui já não estou!! Casei-me oficialmente com a morte. Eu digo: “obrigado, obrigado. não precisam de rezar e orar. é tarde. Ora-se em vida quando se precisa e não depois da morte.” (...)

A. F. (Ceramica)
Género: Escrita Criativa
Autor: NãoSouEuéaOutra

dizer a verdade...



A LOUCURA DAS MULHERES

" As mulheres têm sido levadas à loucura, " Gaslighted," durante séculos pela refutação da sua experiência e dos seus instintos numa cultura que valida apenas experiência do sexo masculino... Quando uma mulher diz a verdade, ela está a criar a possibilidade para mais verdade em volta dela ."

Adrienne Rich

Ter neste incerto mundo alguma posiçãoinabalável é
da maior importância.
…………………………………….Assim escreveu
uma mulher, em parte boa e em parte audaz,
que lutou com o que não compreendia de todo.
Poucos homens a seu redor teriam feito mais,
portanto a rotularam puta, megera, engodo.


adrienne rich

sexta-feira, setembro 29, 2017

A EXISTIR UMA



Espiritualidade Feminista/ Feminist Spirituality

“Eu acho que a espiritualidade feminista se distingue do paganismo pela inclusão de uma orientação sociopolítica central e duma crítica sociocultural distinta. A espiritualidade feminista para mim é a interseção da religião com a política. É um feminismo religioso, pode ou não incluir a experiência literal ou percepção da Deusa, mas ele nomeia a mulher e o corpo feminino como algo sagrado, digno, e a necessitar de defesa e usa símbolos da deusa, metáforas, histórias e experiências como expressões primárias da divindade e do sagrado.”
(? mencionarei a autoria do texto em breve)
(...)

Ontem estive a falar com uma amiga a contar-me da vida das mulheres da família...e fomos desfiando o rosário das milhares e milhões de mulheres como as nossas mães e tias e avós e bisavós, todas as nossas antepassadas como elas sofreram caladas ao longo dos séculos, como sofreram as agruras da vida e os seus "destinos" presas e sacrificadas, torturadas pelo Sistema em nome do Pai e do Filho e da Família e da Religião...
Olhar para trás e ver como milhões de mulheres, pobres e ricas e remedias, plebeias e aristocratas e até Rainhas - freiras e rameiras -, sofreram às mãos dos homens, fossem os senhores, os donos, maridos ou amantes e até filhos ou padres, como no dia a dia sofreram às suas mãos os maiores agravos e calunias e negação de si como seres humanos, em nome do pecado e da luxuria, sofrendo todo o tipo de  abusos e sevicias e violências sem descrição quer a nível sexual, quer psicológico cumprindo com o dever de "esposas" quer  a físico no trabalho escravo em suma como condição de vida das mulheres ...

Olhando para isso tudo podemos pensar que hoje é diferente...que as mulheres se emanciparam graças as feministas e que hoje em dia já nada disso acontece...que as mulheres são todas livres das amarras e pesos e preconceitos e medos que as subjugaram em séculos de história...mas não. Olhem bem para a vida de uma mulher comum, classe media baixa ou alta para não falar das mais pobres onde ai nem há hipóteses sequer de levantar a cabeça, e também não falando das mais privilegiadas por cargos e dinheiro ...e digam-me se o peso e a quase escravidão das mulheres no mundo não é a mesma só que no ocidente com um verniz cultural-social diferente, pintado de psicologia e direitos humanos, modas e cosméticos, mas olhando bem e no fundo, a grande maioria das mulheres no mundo inteiro continua a sofrer as mesmas afrontas, perseguições, desvalorização e sevicias incontáveis, violações colectivas em guerras, ou mesmo torturas; são de facto violadas e abusadas e usadas e exploradas em prostituição por Mafias nas sociedades de consumo ou por conta própria (a tal "profissão" que já não escandaliza ninguém)...e na Africa e no Irão ou no Iraque, as Arábias.. etc. já sabemos que nem nome ou rosto têm...
Portanto minhas amigas, as nossas vidas aparentemente "normais" e modernas são ainda dominadas com padrão de fundo pelos mesmos tabus e preconceitos, os mesmos medos e os mesmos condicionalismos de outrora, quer em família quer em sociedade - e claro a par disto convivemos com a alienação colectiva de homens e mulheres (sobretudo jovens) pretensamente livres que alienam ainda mais o mundo de um valor qualquer essencial e de verdade intrínseca, tais como os movimentos minoritários em defesa de "géneros e  transgéneros", quando milhares de crianças morrem a fome  no mundo? - ...e assim, se olharmos bem,  vemos que a nossa evolução foi algo ficticio e pouco consistente ou que não passou do campo das ideias e de ideais e na pratica ou na realidade tudo continua um pouco na mesma e neste momento, em relação às mulheres e a essa suposta liberdade, estamos a viver um flagrante retrocesso social e cultural graças a União Europeia e a sua politica de Migração. Estamos a sofrer  uma invasão, a vier um retrocesso histórico, com a vinda de milhares de islâmicos para a Europa, cuja religião odeia viola e mata as suas mulheres e já esta a fazer o mesmo as mulheres ocidentais, nos países em que são tão bem recebidos, facto branqueado pelos Governos e Estados e os Mídea que os recebem e tudo isto  graças às mulheres no Poder, as Merkels  e as Mays ou  aos partidos políticos de esquerda e até cristãos - esquizofrénicos e doentios que baseiam a sua politica nas ideias de homens insanos, diria mesmo loucos que controlam o mundo.
Olhar para a nossa História e acreditar nas mulheres que sofrem e fazer a diferença...é neste momento o que me reocupa, mais do que propagar ideias e sonhos sobre a Deusa e o Sagrado e toda essa nova onda New Age, desfasada da realidade de cada mulher, e que pouco mais faz pelas mulheres reais do que fizeram afinal as feministas - num caso tinhamos o sonho materialista, social, da igualdade no trabalho? e neste caso temos o sonho espiritual da Deusa Mãe no poder...mas a Mulher Real, a mulher comum, está no meio disto tudo ignorante e perdida e sem lugar...porque a mulher não tem uma Consciência de si como Mulher...e é por ai que temos de começar. Cada uma de nós...

rlp

AS INVASÕES BÁRBARAS...

"A redução violenta das mulheres, bem como dos seus filhos do sexo feminino como do masculino, ao estatuto de meras possessões dos homens encontram-se documentadas igualmente na prática dos kurgans ." (- invasores bárbaros vindos das Estepes que destruíram o mundo antigo, antes da nossa era "cristã" - nota pessoal) ( note-se que ainda hoje os indianos praticam essa regra, mas abortando sistematicamente só as meninas em toda a India...)

In O cálice e a Espada - Riane Eisler

toda a vida



TODA A VIDA TIVE ESTA IMPRESSÃO...

"Tenho muitas vezes a impressão de que a minha vontade é apenas um isco e que a minha decisão não é senão uma aceitação da qual sou apenas uma testemunha impotente."

Her Bak - discipulo
Isha S. de Lubicz

segunda-feira, setembro 25, 2017

O QUE OS HOMENS MAIS TEMEM


Temenos...

É uma palavra grega que significa lugar sagrado e protegido:


“O corpo feminino é um espaço secreto, sagrado. É um recito ritual, um temenos, palavra grega que adoptei nos meus estudos sobre arte. No espaço marcado do corpo feminino, a natureza opera o seu registo mais tenebroso e mecânico. Cada mulher é uma sacerdotisa que guarda o temenos dos mistérios demónicos.
(…)...
O corpo feminino é o protótipo de todos os espaços sagrados, desde a caverna-santuário, ao Templo e à Igreja.
O Útero é o velado santo sanctorum, um grande desafio, como veremos, para polemistas sexuais como William Blake, que procura abolir a culpa e o secretismo do sexo. O tabu que envolve o corpo feminino é idêntico ao que sempre paira sobre os lugares mágicos.
A mulher é literalmente o oculto, o esconso. Estes misteriosos significados não podem ser alterados, podem apenas ser suprimidos temporariamente, até irromperem de novo na consciência cultural. Nada pode fazer contra o arquétipo. Só destruindo a imaginação e a lobotomizando o cérebro, só castrando e operando, é que os sexos se tornariam iguais. Até lá, temos de viver e sonhar na demónica turbulência da natureza.”*




QUANTO A MUDANÇA DE SEXOS A AUTORA DISSE:

"A verdade fria biológica é que as mudanças de sexo são impossíveis. Cada célula do corpo humano permanece codificada com o género de nascimento para a vida. Podem ocorrer ambiguidades intersexuais, mas são anomalias de desenvolvimento que representam uma pequena proporção de todos os nascimentos humanos ".
Paglia acrescentou: "Como Germaine Greer e Sheila Jeffreys, rejeito a coerção patrocinada pelo Estado para chamar alguém de" mulher "ou de" homem "simplesmente com base no seu sentimento subjectivo sobre isso.”**


*In Personas sexuais de Camille Paglia
** entrevista com Camille paglia

QUE MULHER É A MULHER?



"Enquanto que existimos no nosso corpo terreno, estamos sujeitos à lei da Natureza que é dualidade; e esta dualidade cria a afinidade entre os complementos separados.
Esta dualidade, que é a base e o mal inicial da Natureza, é também a base da nossa experiência terrestre cuja finalidade é ultrapassar esta mesma Natureza na procura do retorno à Unidade.
Ela é a base da nossa cultura de consciência, uma vez que lhe damos a possibilidade da escolha entre as qualidades opostas,... entre o que é real ou relativo, bom ou mau para a nossa consciência actual.
A dualidade sendo a causa da sexualidade -- portanto, a afinidade entre os complementos -- é a causa do desejo que o ser humano chama amor.
O erro está em confundir amor, desejo e necessidade."*
 




A CONFUSÃO DOS SEXOS...

Toda essa vaga avassaladora de ideias sobre o Género e os "transgéneros"..

Sem a Mulher das profundidades não pode haver compreensão do verdadeiro feminino, por isso não pode haver definição de sexos baseados numa aparência e numa cultura que fez da mulher uma imagem sem nenhum conteúdo e sem essência, dividida e estereotipada.
A mulher que os homens querem ser e que procuram imitar NÃO É UMA MULHER.
A mulher não se define pela cosmética nem pela moda...a mulher não é a roupa que veste nem a maquilhagem que usa, nem os saltos altos que os trans adoram...

À mulher foi negada a alma durante muito tempo e logo do papel da Anima, …e mais uma vez, não só nas velhas religiões como na psicanálise moderna, os homens do “conhecimento racional” inverteram o sentido da essência do feminino atribuindo o animus à mulher e à anima ao homem…

A NATUREZA DESCONHECIDA DA ANIMA É A NATUREZA OCULTA DA MULHER, é a sua natureza escondida (Lilith) e negada nos séculos de religião e cultura e ideias masculinas, de filosofias e da arte apolíneas, que provocaram um branqueamento da mulher original, da mulher ctónica; séculos de desmembramento e desfragmentação do ser mulher em si, da mulher inteira - a partir do momento em que a mulher foi dividida em duas a do lar e a da rua, e se tornou uma função mais do que um ser individual, esse apagamento e essa aculturação causaram uma ausência total do sentido do que é ser mulher como ente, projectando uma metade mulher, “ideal”, “moral” religiosa, artística, romântica, a mulher fragmentada que sobrou das muitas divisões seculares entre Eva, cada vez mais asséptica e vazia de entranhas …e Lilith, completamente esquecida e relegada para os infernos, pelo único deus reinante dos patriarcas, suprimidas todas as deusas, assim como o poder vivificante e destruidor das forças ctónicas a elas associadas.
É dessa mulher anima varrida do consciente humano, soterrada nas memórias mais arcaicas que os homens da psicanálise e da psicologia das profundidades buscaram sem compreender que a mulher que eles conheciam era uma pálida imagem dessa mulher anterior ao paleolítico, da Mulher sacerdotisa, da Mulher Musa, da Rainha, da Mulher da Origem…
Assim, os melhores autores, e os mais conceituados, abordaram o tema da Anima como o feminino do homem e o Animus como o masculino da mulher sem perceber que a verdadeira Anima, o seu feminino profundo, estava completamente desligado da mulher dos nossos dias…e que tanto homens como mulheres não poderiam sequer equacionar a questão do feminino/masculino sem que a mulher resgatasse o seu eu profundo das profundezas do seu ser, do mais abissal da sua memória…e esse é um trabalho da Mulher e não do homem!

Penso que é por haver um desconhecimento total da mulher autêntica que estamos completamente e culturalmente confusos/as com a identidade do ser humano e a função de cada um dos sexos.
Os homens da psicologia e da psicanálise tentaram resolver o seu problema do feminino em si sem nunca entenderem a própria mulher, essa, dividida e fragmentada pelos imensos estereótipos que lhes eram atribuídos pela cultura secular, ou por persistirem em ver apenas a mulher que a sua cultura e a “ciência” em que foram beber o seu conhecimento, lhes permitia ver; não entenderiam nunca que sem essa percepção da divisão interna e secular da mulher em dois estereótipos fundamentais, os homens não entenderiam nunca uma METADE DA HUMANIDADE, relegada para um plano funcional, dado que a mulher assim abordada não é senão uma metade de uma metade…e por isso incompreensível a nível da psique e do intelecto.
Por outro lado, a mulher cindida não pode compreender a sua própria natureza a verdadeira dimensão do seu ser, sem se fundir à sua natureza instintiva e inicial, associada as deusas primordiais, a grande Deusa e as sacerdotisas de outrora. Ela não pode ser inteira sem se unir à "outra" mulher...que é ela mesma!

Esse desconhecimento da Mulher de si mesma e da sua essência, levava o homem e o psicólogo a encontrar um vazio na mulher (dividida) chamando-o de Animus não realizado, (a sua própria experiência de vazio de anima) quando afinal o que sucede nas nossas sociedades foi ter-se "fabricado" uma mulher com ego masculino e por isso um "animus" pela assumpção das ideias dos homens de ciência, como as mulheres por eles idealizadas, as puras e as perversas, as fatais e as inocentes etc., uma de cada lado, as duas mulheres que conviviam nas suas sociedades, uma esposa e outra a prostituta basicamente, ou a concubina, com um animus que hoje é ainda mais mais acentuado e um yang elevadíssimo. Mas os homens não viram essa divisão nem essa cisão da mulher original...e agora não vemos que o que  nos falta de facto à vida e ao Mundo é a mulher Anima, a mulher essência, uma mulher inteira que inclusive possa reflectir ao homem a sua própria Anima e então sim poder ela realizar o seu animus de forma equilibrada e vice-versa.
(...)

A NEGAÇÃO DA ALMA E DA ANIMA NA MULHER...

O QUE DIZEM OS PSICÓLOGOS...

Como diz “James Hillman, traz uma pedra importante à nossa construção afirmando que a fenomenologia da anima não se restringe ao sexo masculino e que existem “mulheres anima” que encarnam para o outro e para elas mesmas esses valores. Ele diz: “As mulheres também perdem contacto com elas e podem ser levadas a meditar no seu destino, na sua morte, na sua imortalidade. Elas também fazem a experiência da alma e sofrem do seu mistério e da sua confusão.”
O mesmo autor  acrescenta um pouco mais adiante: “Porque é que o mesmo comportamento se chama “anima” num sexo e no outro e natureza feminina” ou “Sombra” no outro.?”

Para Hillman, as mulheres têm “a profundidade da alma ou elas são alma (…) e psique, mas o sentimento íntimo de alma, não é dado à mulher pelo simples facto de ela ser uma mulher.” (…)
Se Jung vê a Anima como um “vazio”, Hillman precisa: “Nós não podemos explicar esse vazio em termos de sombra inconsciente ou de Animus não desenvolvido (…) esse vazio devia ser considerado como uma autêntica manifestação arquetípica da Anima.
(…)
Mas ao mesmo tempo, nós veremos mais longe, ela (Anima) como sendo a única via possível para a hiper-consciência verticalizante.
O desconhecido é também aquilo que torna evidente a natureza enigmática, inalcançável, e inacessível de Lilith. Ela é, seja “à distância”, seja “velada” como Ísis ou se descobrindo pelo abandono dos numeroso véus – como Humbaba ou Salomé, sempre instigante de fantasmas e de projecções múltiplas.
Citemos ainda Hillman: “É a este inconsciente fundamental arquétipo, ausência de luz, de moralidade, de sentido de conflito, de intenção (…) que Jung faz alusão em certas passagens sobre a natureza desconhecida da “Anima”.*

Rosa Leonor pedro

* in "L'OUVERTURE DU CHEMIN"  DE ISHA SCHWALLER DE LUBICZ

** In Le Retour de Lilith de Joellle de Gravellaine

A NOSSA MENTE PRIMÁRIA


E A NOSSA VISÃO SUPERFICIAL, LIMITADA E TOSCA…

“A psicologia moderna é uma ciência infantil, ao mesmo tempo arrogante, tosca e desajeitada. Comum a... todas as ciências em estado de infância, o hábito universal da mente humana – de tomar uma verdade parcial ou localizada, generalizá-la indevidamente e procurar medir por essa insignificante régua a amplitude da Natureza – permanece nela de forma descontrolada. Além disso, o exagero da importância do complexos sexuais reprimidos é uma falsidade perigosa, que pode obter uma influência ruim e tende a tornar a mente e a vitalidade mais fundamentalmente impura do que antes, e não menos.
É verdade que, no Homem, o subliminar é a parte maior da sua natureza e contem em si o segredo da dinâmica invisível que explica as suas actividades superficiais Mas o subconsciente vital inferior, que é tudo o que essa psicanálise de Freud parece conhecer – e mesmo dele só conhece uns poucos cantos iluminados -, não passa de uma porção restrita e muito inferior do ser subliminar como um todo. O ser subliminar permanece por detrás do homem superficial e o sustenta inteiro; é dotado de uma mente maior e mais eficaz do que a mente superficial, de uma vitalidade maior e mais poderosa do que a vitalidade superficial, de uma consciência física mais subtil e mais livre do que a existência corpórea superficial.”

Sri Aurobindo