sábado, dezembro 02, 2017

PRECISAMOS DE UMA FEMINILIDADE RADICAL...


CONTRA O GROTESCO, CONTRA A IDEOLOGIA DE GÉNERO... 

Fazer o elogio da Mulher e da Beleza do feminino parece-me hoje mais do que nunca uma emergência face ao ataque cerrado de uma feminilidade cada vez mais longe da sua essência e à deturpação da mulher autêntica, a mulher real...seja pelos Mídea, pela moda, pela cosmética, pelo cinema, pela pornografia, e pelo espectáculo em geral; toda uma industria que vive a custa da imagem da mulher, e que apesar de difundirem imagens estereotipas de uma suposta beleza, ela é normativamente uma beleza fictícia que vai do género masculino, mulheres rapazes, travestis...mulheres sem seios e sem ancas, esqueléticas ou magras em extremo, até ao grotesco da mulher fatal, de seios volumosos cheios de silicone, tida como fetiche do imaginário masculino, há muitos anos já, tanto como a equilibrista dos saltos altos agulha ou a de lingerie vermelha e chicote, sado-maso das revistas e filmes porno...etc....quer agora esta violência crescente feita à Mulher essência pelas imagens degradantes da mulher barbuda do festival da Euro-visão e já completamente difundida pelas drag queens (sem pelos) e dos transsexuais...


É que, sem darmos por nada, aos poucos, e ao longo das décadas e cada vez mais, estamos a ser cerceadas e atacadas, desvirtuadas de todas as maneiras ...e agora pela ideologia de género...
A maneiras como as telenovelas trabalham a imagem e o suposto drama de uma jovem mulher  que se sente homem por dentro. Isto  é completamente disparatado e fútil - estar mal na sua pele, sofrer uma crise de identidade pode nada ter a ver com sexo...

Até porque a mulher sofreu ao longos do tempo as maiores deturpações do seu ser e cada vez mais a Imagem da Mulher, o corpo da mulher, e o Ser Mulher está a ser delapidado, grotescamente adulterado...e digo isto não que eu defenda por oposição uma imagem oposta, a da imagem da imaculada concepção ou da excelsa e divinizada mulher dos poetas, a mulher santificada em casa, pelos religiosos que fez com que a sua antítese fosse projectada na prostituta da Rua e do Bordel...mas defendo o que a mulher tem de naturalmente genuíno e autêntico, de essencial como uma beleza própria, na sua diversidade, beleza essa que eu identifico pelo seu interior, seja pelo seu magnetismo, seja pela sua sensualidade inata ou pela força manifesta no seu fogo anímico quando se ela se revela à flor da pele ou na ousadia de ser Mulher inteira ...a mulher que atrai e seduz, a mulher que cativa e acarinha, a mulher que é receptiva e amorosa mas também livre e determinada e sabe o que quer sem ter necessidade de se trair na sua própria pele...
Não. Não há muitas mulheres assim...mas estamos todas a caminho desse despertar interior da mulher natural, que eu chamo a mulher integral, independentemente da sua imagem ou estilo ou beleza conceptual ...Toda a Mulher tem uma beleza intrínseca no expressar da sua natureza mais profunda quando ligada à fonte do seu ser interior, ao seu ventre, ao seu útero e ao ritmo próprio do seu Desejo de Mulher ontológica...o seu desejo de mulher e mãe universal...a Mulher Matriz!
Para mim pois, a beleza e sensibilidade, a naturalidade no expressar essa mulher sensual e grave...consciente, não alienada, não perdida...é muito importante, tanto ou mais do que a consciência psicológica e histórica do seu ser Mulher...ou das reivindicações feministas que trouxeram tantos desses estereótipos como pretensa igualdade e que afastou as mulheres da sua sensibilidade profunda e de uma mística tão própria do seu ser ...criando a imagem da mulher homem que de facto só lhe falta a barba...e que agora este travesti irrisório de nome "conchita salsicha" vem protagonizar em nome da "aceitação" e da tolerância...e agora temos a imagem do homem mulher com barba???


No meu entender esta profanação e deformação e uso abusivo da imagem da mulher que foi degradada através do cinema de há um século a esta parte e a dos espectáculos hoje, nesta proliferação de travestis e transformistas tem tudo a ver com a perda da essência e da identidade Feminina...

Dizer pois que "o que determina a identidade de gênero é a maneira como a pessoa se sente e se percebe, assim como a forma que esta deseja ser reconhecida pelas outras pessoas" face a esta realidade que é a alienação da mulher de si como ente, e a sua falta de ligação a uma essência feminina - útero, ovários e sangue -  é um erro crasso e um pressuposto estupido.

Como é obvio não nego que hajam homossexuais, nem nego que hajam excepções e seres humanos  que sejam diferentes e que nasçam com os dois sexos ou com algumas deformações genéticas ou uma indefinição de genital, como não nego poder haver um homem que se sinta mais feminino ou uma mulher mais masculina, no decorrer da sua vida, mas isso é NATURAL e não pode por si só  determinar uma mudança de sexo o que é totalmente subjectivo e cultural, ideológico -  isso sim é cultural e portanto falseado por ideias complexos e conflitos pessoais modernos, pos-verdade diria....
Dizer portanto que "a identidade de gênero pode ser medida em diferentes graus de masculinidade ou feminilidade, sendo que estes podem mudar ao decorrer da vida, de acordo com alguns psicólogos" é outra atrocidade dado que são os conceitos e os preconceitos e as deformações sociais que reprimem e modelam o individuo para melhor os manietar e escravizar, os afasta da sua verdadeira natureza e com certeza  que cria as maiores confusões e desvios...Como cinema arte e cultura são fruto de mentes em conflito por todo este drama existencial, de um mundo em decadência cada vez mais sem valores nem consciência e sobretudo derivado ao facto  de a Mulher e a Mãe se terem perdido da sua essência e natureza primordial.

Toda esta  aberração que é a chamada "ideologia de gênero" e que representa o conceito que sustenta a identidade de gênero, baseia-se  na ideia de que os seres humanos nascem "iguais", sem diferenças, sendo a definição do "masculino" e do "feminino" um produto histórico-cultural desenvolvido tacitamente pela sociedade, sim uma sociedade alienada e estupidificada que cria monstros e os alimenta com essas filosofias...quando na verdade o que acontece é que a mulher e a Mãe foi e é efectivamente desviada da sua essência e por consequência o homem (filho) também e portanto de forma superficial e estupidificante apresentam-se agora esses filósofos e ideólogos do género, marxistas e positivistas sem alma que não percebem que é a partir  desta alienação da verdadeira mulher  que não conhecem e portanto vem com uma teoria que visa apenas a destruição da identidade verdadeira do SER MULHER.

rosaleonorpedro 

JOUMANA HADDAD


UMA INTERPRETE PERFEITA DE LILITH:

(...)
"Sou realmente contra religião, e contra a doutrinação, a ideologia e o inevitável integralismo que ela carrega. Meu Deus é a minha liberdade. Meu Deus sou eu mesma e as pessoas que amo. Eu sou muito espiritual, mas muito anti-religiosa, especialmente desde que eu me convenci que as três grandes religiões monoteístas não têm feito nada além de dividir as pessoas, e também são muito patriarcais e condescendentes com as m...ulheres(...)
Acredite em você, celebre sua força como mulher. Nunca diga: "Esse mundo é meu também, entregue-me". Em vez disso, "Esse mundo é meu, eu vou tomá-lo"(...)


JOUMANA HADDAD

O MISTÉRIO DA MULHER



A VERDADEIRA MULHER

"Quem diz religião da Mulher diz também sacerdotisa e maga, ou seja, intermediária cósmica. O mistério da mulher não se limita ao seu sexo: ele impregna todo o seu ser, inclusive (e talvez principalmente) o seu psiquismo. A mulher é intuitiva, porque sensitiva e unida aos ritmos cósmicos que capta. Ela conhece os segredos da vida e da saúde, das plantas e das flores. (...)
Ela compreende as profundezas da alma humana: em seu inconsciente e por meio dele, ...relaciona-se directamente com as grandes correntes psíquicas que que nos levam e trazem. Ela seduz e aterroriza ao mesmo tempo. Todo o homem traz em si um "retrato falado" da mulher absoluta e, se viesse a conhecê-la na realidade, não mais poderia dela se separar: seria fulminado. Aliás o homem busca-a durante toda a sua vida. São raríssimos aqueles que a encontram, e quase poderíamos dizer: felizmente! É esse sonho, esse ideal inacessível que ele projecta, por exemplo nas estrelas "(...)


In Tantra - O culto da femininlidade de André Van Lysebeth

O MEDO DAS BRUXAS


PORQUE FAÇO A APOLOGIA DA BRUXA, e a defesa da palavra...

AS Bruxas...ou o termo Bruxa, parece um termo démodé, a evocar Idade Media...
Sim, talvez fora de contextos e desta realidade ideal e virtual, new age, de novos santos e santinhas e iluminados, e a sua Sombra ainda irrita e incomoda muita gente dita culta ou inteligente, homens e mulheres, e os faz reagir por medo ou superstição...

Eu utilizo e defendo a palavra Bruxa, MEIGA (em espanhol - galego) para megera ou velha sábia, para a mulher que vulgarmente não corresponde aos padrões da mulher que se integra na sociedade e que fica de lado a contestar as normas e as leis e velha a rezingar. Para mim a Bruxa é uma "figura de estilo" da Mulher que a sociedade rejeita e não cabe nos seus padrões, que não é submissa ou cordata e que incomoda pela sua postura critica ou livre e que não segue as regras do deus Pai - embora nos dias de hoje, para tratar mal as mulheres os homens fazem-no com um termo mais  "assertivo" que é o de  puta, galdéria, cabra ou vaca, porque tudo se pauta pela sexualidade mais primária...
As mulheres foram todas educadas e formatadas para obedecer e servir a sociedade, a deus, ao homem e ao filho...E quando uma mulher se recusa, ela é tudo o que lhe queriam chamar...
Para mim a Bruxa equivale à Megera...à  Medusa, à velha que sabe, que já não se ilude...e é claro os meninos/as têm medo da bruxa... porque a história da bruxa que os desviava dos bons caminhos e os levava ...lá para a casinha eh eh he hiiih...estão a ver o filme???
Ela  enganava os meninos e meninas boazinhas e levava-@s para um sitio parecido com uma gaiola e todos os dias ia lá e dava-lhes chocolates para  quando estivessem gordinhos e anafados os comer...
Eu lembro-me da história da bruxa que a minha avó contava...para que eu e os meus irmãos nos portássemos bem...

Enfim no meu caso, eu uso a minha Sósia para exprimir as coisas que não se dizem...é uma boa capa...mas faço-o na escrita e para me libertar do "politicamente correcto" e  das ideias feitas e dos preconceitos que nos limitam ...A minha bruxa diz coisas que eu não digo...apanha-me até desprevenida, solta-se e quando o faz eu não a calo. Além de que gosto de brincar, tenho sentido lúdico, vejo o dúbio e o imensamente variado das coisas realistas...das cosias sérias... que acabam como as falsas...todas num charco de mentiras...as politicas e os impérios e as guerras...
É bom não ter amarras no mundo da ilusão, no mundo ideal e das ideias e idealizações - não acredito em projectos, em ideologias ou filosofias salvíficas, não devo nada a ninguém nem sequer satisfações; tudo o que se pensa e se diz...e se faz é parte de uma grande Teatro que dizem ser a vida, e  é na verdade uma brincadeira trágica e divina, muito séria. A divina Comédia...
Sim porque a verdadeira vida é feita apenas de momentos, um ser outra coisa que não consta nos livros, uma oferenda, um estado de alma ou um estado de graça. E tudo o mais se dilui no acaso, tudo o tudo parece inventado...contado a maneira das histórias da bruxa...que come meninos...os maus e os bons...os heróis e os grandes e os miseráveis...
Se alguém tem medo da bruxa - e há por ai muitas fadas com medo das sombras - abra o espírito, o coração e a alma e seja flexível consigo mesma. Olhe a sua Sombra e veja o que nela esconde, e verá que ela faz parte de si também; mais tarde ou mais cedo ela APARECE, nem que seja bem mais tarde quando for velha como eu...

Depois temos mais deusas em furia para além das Górgonas e das Fúrias...
E há Kali na India e tem imensos braços e facas e espadas para cortar cabeças… e há Shekmit no Egipto para dizimar a terra e os usurpadores...

"Gosto de alternar entre velha bruxa e anciã sábia "*
Enfim, eu gosto da minha bruxa e assumo-a com grande prazer e orgulho... ela representa-me sempre que o que eu penso e sinto é muito mais vasto, contraditório e paradoxal do que se possa imaginar o mundo e a vida.
Quanto aos santos e iluminados e fadas de serviço digo que no meu caso  não preciso do seu  deus para nada…eu sou antiquíssima e deusa e sacerdotisa e velha  eu sou Lilith e não há nem deus nem diabo acima de mim…
...

rlp
in mulheres e deusas 2008

* Margaret Atwood

UM NOVO NARCISISMO


UM COMENTÁRIO PRECIOSO - UM TESTEMUNHO LUCIDO...

Se observarmos a cultura e sociedade actuais, e à semelhança de todas as outras áreas da vida, faz sentido que também esta tenha sido apropriada por narcisistas sem escrúpulos. É a "deusa" narcisista que tem estado a ser promovida e vendida... E são assim as "deusas" em carne que se apresentam nos grupos: a "deusa-rainha", adorada e venerada pelas restantes mulheres, superior a elas e a quem DEVEM vassalagem, e hai de quem não a prestar! (É, aliás, interessante observar as imagens que promovem os cursos e encontros, onde é frequente termos a "deusa" no centro do grupo rodeada de mulheres embevecidas que bebem cada palavra, tipo Jesus e os apóstolos...).

Enquanto houver Tempo e existirem mulheres, haverá MUITO trabalho a fazer certamente. Na "nova era" fake, "novas" versões estranhas que já se conhecia surgirão, e sem vigilância e sentido crítico, (sem quem desmistifique!), essas versões vão-se tornando nas "soluções espirituais" dominantes e predominantes, precisamente porque a "new age" não se questiona, não olha a meios para atingir fins, e não se contém (daí a palavra tentáculos ser tão adequada), o que, curiosamente, nos leva de novo também ao narcisismo...


Beijinho grande e força para continuar sempre!

Sónia

quarta-feira, novembro 29, 2017

AS DIFERENÇAS ENTRE HOMEM E MULHER



A MULHER E O HOMEM SÃO DIFERENTES

"Num mundo desnaturado que confunde genitalidade e sexualidade, depois sexualidade e e erotismo, o (verdadeiro) erotismo ou melhor a Erótica permanece reservada, hoje como ontem, hoje mais do que ontem, a uma elite. A Erótica não é este desespero que os humanos confundem com Amor quando eles lançam cegamente uma ponte sobre o seu próprio vazio, para não enfrentar a sua ausênica, em relação a uma imagem que eles próprios criaram sem disso terem consciência” *


Que mito é esse que as mulheres ocidentais alimentam e com o qual sofrem horrores que é pensar que os homens são de natureza estável e fiel? Tantos casamentos desfeitos por causa da infidelidade do homem - aliás são mais os filmes sobre a fidelidade conjugal do que na realidade...porque essa nunca aconteceu da parte do homem em omento algum da sua história.

Não, o homem não é fiel a uma só mulher, o homem é polígono por natureza e por mais que o tentem educar para o casamento e fazer do casamento um contracto monogâmico com votos iguais para os dois lados é uma mentira pegada, uma invenção da Igreja e do Estado que quer garantir a paternidade vinculada à família e a mulher como propriedade privada e sendo a fidelidade sempre exigida às mulheres e nunca aos homens que  sempre foram  desculpabilizado social e moralmente. Trair no homem é sinal de "virilidade", mas a mulher  trair é um atentado a "honra" do homem e a mulher condenada e duramente penalizada quando não expulsa do seio da família burguesa ou  morta pelo homem.

E aqui vemos como se deturpa a natureza dos sexos que sem teorias e nem especulações se quisermos ser honest@s, percebemos que os homens são efectivamente poligamos ...por imperativo de uma sexualidade e de um poder e liberdade e as mulheres inibidas em parte na sua sensualidade mais predisposta à monogamia, mas também por serem  mais emocionais do que sexuais à partida, embora hoje em dia, com o a ideia criada de uma  igualdade entre os sexos, as mulheres queiram ter tantos amantes como os homens e se tenham tornado falsamente polígamas ou promíscuas...até porque se afastaram da sua identidade feminina verdadeira e servem um ego masculino.

Dai a necessidade de a sociedade patriarcal ter cultivado e cultivar ainda a prostituição como forma de escape do homem ao casamento e sendo uma economia paralela sem precedentes em todo o mundo, isso também nos prova que o homem nõa é monogâmica e a prostituta é apenas uma vaso de encher e de dar prazer sem prazer e sem qualquer dignidade. Isso não acontece com os homens...eles nõa são prostitutos nem são objectos sexuais para as mulheres...por estas não terem o poder económico nem a liberdade (de facto) e a  não ser as "bichas" - os travestiados de mulher, digo de putas, não se prostituem nem são objecto de exploração das Mafias... eles são as mafias...

Enfim, partimos do principio que a mulher é monogâmica, porque ela tem uma anatomia e um erotismo diferente do homem - a mulher é romântica, é emocional e sentimental, enquanto que o homem é prático e directo -, e por isso ele segue o imperativo do falo...um desejo físico e concreto, qualquer mulher serve. Enquanto a mulher ao contrário precisa de escolher um homem especial, ter um romance, precisa de preliminares, de fantasias. A mulher sonha...gosta de efabular um Príncipe...delicado que a vem salvar...e lhe dá o tal beijo que a acorda como à bela adormecida...e só então ela vê o monstro...
Nunca houve paridade entre os sexos nem qualquer semelhança...homem e mulher são opostos complementares mas só se cada um deles for livre e consciente do seu poder intrínseco e não económico.

rlp
* Jaqueline Keller

ENTRE MULHERES


FALANDO DE CONEXÕES


"Entre as mulheres há uma conexão natural. Estudos mostram que quando uma mulher que sofre de stress fala com outra mulher, ambas libertam uma hormona de maternidade que provoca a descida do stress... Quando um homem estressado se encontra com outro segregam testosterona, que provoca fuga ou luta. Mas se este mesmo homem se se encontra com uma mulher que o compreende, uma bruxa sábia, sua adrenalina baixa e sua auto-estima sobe, e é suficiente que ela se sente ao seu lado. "

(Jean Shinoda Bolen)


“A Mulher é sempre um mistério insondável que atrai e mete mede ao mesmo tempo que dá vida e se torna devoradora, e que os moralistas cristãos se apressaram muitas vezes a identificar com o diabo, pelo menos com a ideia pueril que se tinha deste. Este mistério foi sentido pelos homens da pré-história, visto que os escultores e gravadores do paliolítico se abstiveram cuidadosamente de desenhar o seu rosto. Quem é essa Deusa dos tempos Primordiais, que tem sexo, mas não tem rosto? Será o eterno feminino tão caro aos poetas? (...)


Jean Markale “AGRANDE DEUSA"

terça-feira, novembro 28, 2017

AS DUAS MULHERES


"Descrevi a mulher tal como ainda hoje a vejo: dividida" - Simone de Beauvoir

HÁ MUITOS ANOS QUE DIGO O MESMO e não sou psicóloga...

A "Nossa História é pautada num modelo patriarcal, e este se encorpou de forma tão intrínseca que quase não nos sobra criatividade para entender um funcionamento social diferente.
O machismo está por toda parte, escamoteado por de trás de algumas revoluções que duramente o público feminino conseguiu promover. Mas o pior dos machismos não está nas ...leis e nos direitos, pois estes já melhoraram bastante. O machismo sólido reside em nossas psiques, em nosso comportamento, em nossas dúvidas e expectativas. O nosso formato de mulher ainda é este, e nosso próprio julgamento moral nos concerne este papel. É aí que entra o orgasmo feminino. Aparentemente não há uma ligação direta, e pode parecer discurso feminista levantando uma questão social. Mas este passeio pela história do machismo é apenas para nos remontar uma realidade que faz parte do nosso passado, e portanto que preenche nossos conteúdos coletivos."
...
"Há muitos anos a mulher foi divida em dois caminhos: o da esposa e o da promíscua. Desde então o sonho romântico feminino foi casar e ter filhos. Felizmente aberturas novas se deram de uns tempos para cá e as mulheres de hoje em dia mantém suas idealizações pautadas em mais do que isso. Contudo, o conceito de respeito à mulher ainda reside bem próximo a moralidade sexual. O passado patriarcal comprova que por muitos e muitos anos a função social da fêmea era oferecer herdeiros legítimos ao seu marido, e promover assim a manutenção e repasse do patrimônio daquele clã familiar. Se o sexo para a mulher por muito tempo fora por fins reprodutivos, e muitas das vezes, com parceiros não escolhidos, e sim decididos, o prazer em seu fim fora descartado, quando mais se considerarmos que a satisfação sexual estava vinculada às prostitutas da rua, que representam esta sombra do feminino, enquanto à dama se reservava o lugar intocável muito bem representado pela “Virgem Maria”."
(...)
Catherine de Almeida Plata

MULHERES MACHAS NA GUERRA



A MASCULINIZAÇÃO DO MUNDO E DAS MULHERES...

"As armas dão-nos a sensação de igualdade e de poder"

Esta foi a afirmação de uma mulher militar norte-americana, num programa de televisão num dia internacional da mulher...uma mulher que nega a sua natureza intrínseca e se põe ao serviço do Homem e da destruição...em vez de estar do lado da Criação, da Vida põem-se do lado da morte...foi assim que a mulher se tornou - uma “cópia” caricatural do homem...Mulheres machas...


"A sociedade patriarcal valoriza e promove apenas os aspectos masculinos, subestimando e até mesmo reprimindo os aspectos femininos. O resultado é que a mulher se esvazia, perde sua identidade feminina essencial e se torna uma “cópia” caricatural do homem; o homem, por sua vez reduzido à masculinidade bruta e unilateral, perde a ligação com os valores femininos do seu mundo interior e passa a ter uma relação opressiva para com a mulher. Como restaurar a feminilidade, despontenciando a unilateralidade do mundo patriarcal, a fim de reequilibrar a identidade psicológica dos sexos e planificar a relação entre o homem e a mulher? in  A GRANDE MÃE Erich Newmann

“Pelo seu poder sexual a mulher torna-se perigosa para a colectividade, cuja estrutura social assenta na angústia que, antigamente era inspirada na mãe, hoje em dia tem como fonte o pai.” E se esta mulher é perigosa, ela é afastada, e remetemo-la às cavernas mais profundas, mascaramo-la, ou a masculinizamos por vezes. A Deusa-Mãe tornou-se Deus-Pai. Mas como os homens têm necessidade ainda das mulheres, para quê aborrecer-se? Deus criou o homem à sua imagem, porque não havia o homem de criar a mulher à sua imagem?”in JEAN MARKALE – LA FEMME CELTE

O ÓDIO AO QUE HÁ DE MAIS FEMININO...

“As mulheres encarnam o desejo sem limites, e os homens temem não poder satisfazê-las. Aos olhos deles, o feminino das mulheres surge como uma reprovação potencial, desencadeia um processo de castração contra o qual os homens se rebelam. Eles não toleram as mulheres senão quando já mataram o que há de feminino nelas e as reduziram a seu status de esposa e mãe.
Nesses dois estados, a sexualidade feminina deixa de ser perigosa: confinadas ...à casa, pertencentes a um macho, reduzidas a assegurar a educação das crianças no lar, com uma jornada dupla de trabalho, elas não têm mais tempo ou oportunidade de ter desejo imperioso. São essas angústias de castração sublimadas que geram a codificação religiosa. E o monoteísmo é insuperável no ódio ao que há de feminino na mulher e na celebração da virgem ou da esposa que gera filhos." Michel Onfray

GRATIDÃO VERSUS INGRATIDÃO

"A DEUSA DO JARDIM DAS HESPÉRIDES
Desvelando a Dimensão Encoberta do Sagrado feminino em Portugal."


Anoto um facto curioso que foi ter escrito este texto a pensar exclusivamente nas mulheres presentes e nem  me lembrei que lá iriam estar homens - e afinal creio que metade das pessoas presentes eram homens - o que por um lado é significativo e importante mas por outro dificultou-me uma leitura inclusiva ...  Claro que acabei  fazendo a correcção oralmente e no momento da leitura, de forma espontânea o que  no fim me deixou um pouco incomodada pois pensei em como eles, quando falam do Homem e para o homem,  não se preocupam nunca com a presença das mulheres, nem com uma linguagem que inclua a Mulher!.

Uma outra nota relevante que quero deixar, é a ausência de mulheres que se dizem no Caminho da Deusa, que beberam nas mesmas fontes não tenham estado presentes e não tenham essa solidariedade de mulheres que partilham um mesmo Corpo da Deusa para celebrar momentos de Encontros Importantes entre mulheres...Sim, esse facto ou essa ausência maciça das mulheres a que me refiro no texto, deixou-me profundamente triste por constatar como as mulheres ainda andam separadas e divididas em grupos e em capelinhas, tal como no velho paradigma patriarcal e não se unem no mesmo propósito, não se designam sequer a mostrar reconhecimento e gratidão pelas mulheres mais velhas que foram pioneiras e que lhes abriram portas... Mulheres que se empenham tanto e foram marcos neste caminhar, merecem a consideração e a reverência das mais novas...mas não há essa cultura de respeito, e lamento dizê-lo, essa qualidade e essa profundidade de alma nem essa gratidão que enobrece os corações nas muitas mulheres que falam e dizem seguir a Deusa...

Esta ingratidão das mulheres ou esta superficialidade humana pesou na minha alma  e como Anciã - a mulher mais velha -  tenho o direito a esta explanação e a esta constatação. Não falo só por mim mas principalmente pelo trabalho e dedicação da Luiza Frazão que me merece o maior respeito e carinho. Assim acho que todas as mulheres deviam sentir.



EIS O TEXTO LIDO NA REEDIÇÃO DO LIVRO DA LUIZA FRAZÃO

Conheci a Luiza Frazão em 2007 através do meu blog Mulheres & Deusas, iniciado em 2001, e até ai praticamente não conhecia ninguém em Portugal que se interessasse pela Deusa e apenas do Brasil me vinham informações de trabalhos de várias autoras brasileiras e estrangeiras. E isto para dizer que de facto em Portugal, nessa altura, não havia grande eco sobre o que eu escrevia e eram raras as mulheres a fazer esta busca da senda do Feminino Sagrado. Tudo o que havia em relação à mulher e a uma nova consciência da mulher eram autoras feministas e marxistas, poucas interessadas na Mística da Mulher e menos ainda na perspectiva de um Sagrado Feminino.
Foi nessa altura que a Luiza apareceu com o seu Blog Saber de si e começamos a trocar impressões e opiniões sobre livros e ai sim tivemos algumas referências credíveis em mulheres (e também homens) de envergadura que a Luiza cita no seu livro tais como a Dalila Pereira da Costa, que destaco, ou a Natália Correia que conheci nas minhas deambulações nocturnas nos anos 70.
Mas, voltando à Luiza e ao seu livro, que é aqui o mais importante, eu queria com isto salientar que até ela aparecer no meu horizonte eu andei bastante sozinha nestas lides e quase ninguém credível para partilhar a minha visão da deusa e do feminino, salvo uma amiga ou outra que me aturava... mas hoje, estão a aparecer mulheres de todos os pontos do país e aqui estamos nós…diante umas das outras, cada uma à sua maneira a fazer o que melhor acha que deve fazer…
No entanto, devo referir muito honestamente, que ainda nos falta muito para chegar ao ponto de vencer as barreiras dos conceitos que prendem as mulheres aos padrões patriarcais e à sua velha rivalidade que as impede de serem mais amorosas consigo mesmas e com as outras mulheres, o que admito não é nada fácil e nos põe muitas vezes à prova…
Enfim, o que vos quero dizer principalmente é que estou muito contente com a aparição deste livro sobre a Deusa, repleto de novas informações sobre o nosso território. E fico mais contente ainda porque a Luiza é uma mulher estudiosa, uma mulher pragmática e inspirada, uma mulher séria que faz o seu trabalho com convicção e consciência. Ela não está a brincar às deusas… o que escreve e o que diz baseia-se no seu estudo e na sua experiência, nas suas pesquizas, o que no meu caso, confesso, não tendo essas qualidades - …eu sou apenas uma visionária que é tomada pelo que faz ressonância com a minha alma, mas preguiçosa demais para olhar aos dados históricos ou aos factos e assim este livro para mim é precioso como referêncial. É lendo estes livros muitas vezes que as nossas células acordam para essa memória atávica e nos fazem reviver a Paixão da Deusa e nos lembramos desse tempo em que éramos mulheres plenas e vivíamos em harmonia e paz como irmãs e sacerdotisas...
Ou estarei ainda a sonhar?
Não, não estou a sonhar - este livro prova-me que não…ele fornece-nos dados e contos e mitos e lugares que nos dão a prova real de que que tudo foi e que tudo é…e basta recordar, despertar para essas memórias celulares, para termos a confirmação da nossa intuição e dos nossos sonhos…
Quantas de nós não mergulhou na leitura das Brumas de Avalon e chorou – sim, eu chorei e rezei do fundo da minha alma para que esse livro fosse traduzido para português e foi…e agora temos nós nas mãos um legado de uma autora e sacerdotisa portuguesa…
Sei agora que não estou só, como sei que há muitas mulheres a despertar, talvez dezenas ou mesmo centenas de mulheres, a mais virão…Todas temos sede de voltar a casa e podermos assim tornar real algo que se anunciava por entre as Brumas desvendadas e percorridas a pé pelas Novas Sacerdotisas nas suas deambulações por Avalon, assim como pelos muitos estudos feitos por muitas mulheres no mundo que foram pioneiras e venceram barreiras intransponíveis por dedicação a esta causa que é de todas nós.
Quero dizer-vos ainda que também sei que nem todas partilhamos exactamente as mesmas ideias e visão da Deusa ou do Feminino Sagrado; Algumas mulheres aqui presentes já se incompatibilizaram comigo, com a minha face de “bruxa má” ou com a anciã algo “rabujenta” que me tornei, mas seja como for estamos todas ligadas a um mesmo passado e o nosso propósito maior e comum é ajudar as mulheres a ter consciência da sua história e de como fomos espoliados do nosso MA-TRIMONIO SAGRADO COM A DEUSA.
Finalmente minhas amigas temos mais um livro que nos pode ajudar a situar-nos na nossa História, em lugares e raízes matrifocais, e do qual podemos usufruir sabendo que contem informação fidedigna e por isso quero aqui deixar o meu sentimento de gratidão à Luiza Frazão pela sua dedicação assim como a todas as mulheres que nos acompanham nesta senda aqui presentes…
Sim, hoje podemos olhar para a nossa história colectiva, como mulheres, em português, graças ao trabalho da Luiza e este livro deve ser de facto uma referência pois nele podemos ler sobre mulheres que viveram antes de nós e não só, mas também, como tantas mulheres hoje escolheram viver e percorrer os mesmos caminhos das nossas irmãs e como todas temos todas uma história comum.
Estou ciente que todas temos o mesmo anseio: o de que um dia todas juntas possamos entendermo-nos e sermos essa Mulher Integral, essa mulher plena, Liberata ou Lilith, integradas as duas mulheres que o patriarcado dividiu para reinar, e viver em harmonia umas com as outras em vez de conflito e separação, porque não se chega ao nosso amago sem ser através dessa Mulher essencial que vibra em nós no mais recôndito do nosso ser…
Deixo-vos assim - para reflexão - uma citação importantíssima do livro da Luiza:

“Nada contribui melhor para a nossa saúde, equilíbrio e expansão de alma do que a sensação de criar, de exprimirmos a nossa forma única de ser através daquilo que fazemos com gosto e talento. Isso implica ocuparmos o nosso próprio espaço, mental e físico, o nosso espaço de liberdade, e sairmos da nossa zona de conforto”.

COMECEM JÁ A LER ESTE LIVRO!
Rosa Leonor pedro