quarta-feira, dezembro 06, 2017

Os Mistérios sagrados



A NUDEZ E OS MISTÉRIOS SAGRADOS

"Chegou, talvez, o momento de considerar o sentido que apresenta a nudez da mulher divina no seu aspecto de "Durga" e que está em oposição àquele por nós examinado da nudez do arquétipo demétrio-maternal, princípio de fecundidade. É o nu abissal afrodisíaco. A dança dos sete véus, uma das suas expressões simbólico-rituais mais fortes e sugestivas está ligada na sua origem a uma dança sagrada. Pertencia ao ensinamento dos Mistérios, o simbolismo da travessia das sete esferas planetárias, no decorrer da qual a alma se desprende pouco a pouco das diferentes determinações ou condicionalidades a elas ligadas, e concebidas como outras tantas vestes ou roupagens a retirar, até atingir o estado da "nudez" completa do ser absoluto e simples, que só se encontra a si próprio quando se situa para além dos "sete". Plotino recorda, justamente, neste contexto, aqueles que ascendem degrau por degrau aos Mistérios sagrados, ao mesmo tempo que vão despindo as suas vestes e avançam nus; e, no sofismo, fala-se de tamzig, a laceração da roupa durante o êxtase. (...)

in "A METAFÍSICA DO SEXO " de Julius Evola


A CONSCIÊNCIA DA CONSCIÊNCIA


"AGIR EM SUA ALMA E CONSCIÊNCIA

A consciência não é o pensamento, porque quando estamos a pensar, não estamos na consciência. Ela não é nem a compreensão nem a análise: analisar e compreender não significa que automaticamente se tenha consciência. Não podemos aceder à consciência  nem pela raciocínio nem por comparação nem por dedução.
Um pensamento comunica-se ou transmite-se.
A consciência partilha-se, sendo um estado único para cada um@ de nós ela está para além do pensamento e da compreensão. Numa palavra, é um estado que nada tem de comum com o caminho mental: a consciência é, existe fora do tempo e do espaço.
Entre os reinos sucessivos da evolução na terra, o ser humano é o único a ter a possibilidade de aceder a este grau do ser. É ao mesmo tempo o seu privilégio e o seu fim."*


A Consciência de que falo não é portanto aquela consciência de que toda a gente  fala quando se diz de uma pessoa que ela não tem consciência disto e daquilo ou que tem uma grande consciência política e social, como é vulgar dizer-se...

A consciência em si e de si como ser ciente é algo que  todo o ser humano busca a partir do seu interior, passando pelo seu psiquismo, a partir das suas emoções e para isso precisa de se encontrar  face a face com essa parte de si antes ignorada, as coisas ocultas ou recalcadas na sua psique, as mágoas e as suas feridas, retidas na chamada Sombra e não só. É preciso ter uma grande percepção e introspecção de si como condição sine quo non do desenvolvimento pessoal e passar por todo o  processo interior, para chegar a uma verdadeira Consciência de si como individuo. Isto é válido para todos os seres humanos.  
 No caso das mulheres, que é o objectivo da minha escrita,  muitas confundem ainda a dita consciência do feminino com uma mera "consciência" de factos exteriores da vida, acontecimentos seja a que  nível for seja acerca  da história, da ciência ou da politica ou de um problema pessoal, a partir de um saber intelectual ou então quando julgam que e se sentem "realizadas" por ter uma profissão que gostam ou se entregarem a uma causa social... ou fazendo um voluntariado qualquer  ou até mesmo  ao  adoptar  uma religião, seja  da deusa, seja uma prática xamânica ou outra.  Nada disso tem a ver com a Consciência do feminino. Porque essa consciência passa por uma consciencialização de si em profundidade do Ser Mulher e o ter acesso como dizia a todos os aspectos os mais complexos do sentir essa mulher...
A Consciência de si de que eu falo, e neste caso referindo-me apenas à mulher, passa por uma consciência psicológica, mas que vai além dela, é mais uma metafisica  do ser mulher completamente alienada e esquecida pela mulher moderna e nada tem a ver com a psicologia de pacotilha do bem e do mal, da moral - da tríade: vitima carrasco e salvador (o psicólogo o terapeuta ou o médico) nem com uma ideologia ou crença ou fé em qualquer religião patriarcal.
Só a mulher que entra em contacto com o seu ser abissal e das profundidades, e passa por um feminino verdadeiro ou integral - aquilo que eu chamo a mulher-total, a mulher que integra as suas partes divididas e deixa de sofrer a sua cisão... ao contrário desta mulher moderna, que vive dividida embora seja culta e dita emancipada, é apenas uma mulher de superfície, racional,  pode atingir o seu centro, ao contrário dessa mulher fragmentada em estereótipos e mental,  que  vive de ideias e conceitos e filosofias porventura muito nobres, sejam as patriarcais sejam ainda as faces multifacetadas de uma deusa Héstia (ou aquela) ou uma Afrodite, dominadas por Zeus lá no seu Olimpo, tal como qualquer outro deus macho que governa o mundo...
 A mulher moderna e feminista não é mais do que o fruto desse esquecimento de si e dessa mulher atávica que sofreu a alienação do seu eu profundo e por mais culta que seja, por mais intelectual que possa ser, ela está alienada da sua essência e vive a pensar que ela é o que os homens disseram ou pintaram dela...
O feminismo marxista e redutor da mulher ontológica nada tem a ver com a mulher em si ou o sagrado feminino que é o contacto com essa parte sagrada da Deusa em cada mulher e é uma revelação interior que por sua vez não depende de ser culta ou ignorante nem dos "direitos e igualdades" adquiridos à partida, mas que estão cada dia mais a ser destruídos... Essa consciência de si como mulher é algo  que qualquer mulher pode  alcançar seja qual for a sua circunstância de vida, porque se  trata de uma ligação natural com a parte mais atávica da mulher ancestral em si, com o seu universo mais intimo e profundo, o seu eterno feminino, que é acessível a todas as mulheres.

A mulher só se encontra através do contacto com essa parte de si, essa parte que foi esquecida e apagada pela igreja e pelo Poder do Pater para que ela precisamente não tivesse acesso a essa consciência do sagrado em si  e despertar para essa consciência de si que é inata, que lhe é inerente e que lhe dá um poder imenso sobre o homem logo a partida seja como mãe seja como amante ...

Há para além dessa consciência comum que não é pensamento nem ideia uma consciência inerente ao ser feminino e que é inato. E só acedendo a essa Consciência do Feminino integral, unindo as duas mulheres divididas,  a mulher pode aceder a essa outra consciência que é intemporal..
Se vocês pensam que é discutindo dramas e temas e ideias e problemas actuais da mulher, problemas sociais e políticos e medidas e leis,  que vão dar liberdade à mulher ..., tem toda a liberdade de escolher esse caminho, mas esqueçam a Mulher integral, a Mulher intemporal e essa Consciência primordial.
rlp
* L'  Emprente de Naissance - Jean Philippe Brebion

EU BEM SENTI...


A PALAVRA

"Eu bem senti, desde há muito tempo, que as palavras que os seres humanos trocam não passam de um longínquo reflexo de uma emoção às vezes impossível de formular. Por melhor que sejam ditas ou pronunciados, as palavras são apenas confusos balbuciamentos de adolescentes vaidosos, gagos do coração como eu ou deficientes. A verdadeira e intensa, a palavra intocável, é o mistério daqueles que tocam o absoluto. "

- Alain Cadeo, "cada segundo é um sussurro"

REVELEM-SE



MULHERES

Reajam!
Revelem-se !
Revertam e mudem verdadeiramente o mundo real!
Para os vossos fundamentos mais profundos!
Arranquem as teias de aranha que o sistema em teceu nas nossas mentes e sonhem uma nova realidade, uma nova humanidade.
Não se conformem simplesmente a ser iguais aos homens e a tomar as suas posições.
Sejam melhores, liderem a mudança que a humanidade necessita .
Pois vocês são a última esperança ...
E fazê-lo é o vosso dever .


IN GAZZETTA DEL APOCALIPSIS"

sábado, dezembro 02, 2017

AS MÃES


A FERIDA DA MÃE 


"Uma das experiências mais duras que uma filha pode ter numa relação mãe/filha é perceber que a sua mãe investiu, de forma inconsciente, na sua pequenez. Para as mulheres nesta situação, é de partir o coração aperceberem-se que a pessoa que as deu á luz, de forma inconsciente, encara o seu empoderamento como uma perda para si própria. Em ultima análise, não é pessoal mas uma tragédia muito real da nossa cultura patriarcal que diz às mulheres que elas são “menos do que”. Todas desejamos ser reais, ser vistas de forma precisa, ser reconhecidas, e ser amadas pelo que realmente somos, na nossa completa e inteira autenticidade. Isto é uma necessidade humana. A verdade é que o processo de nos acedermos ao nossa nosso verdadeiro Ser envolve sermos desarrumadas, grandes, intensas, assertivas e complexas; tudo aquilo que o patriarcado retrata como sendo pouco atrativo na mulher.Historicamente, pois a nossa cultura tem sido hostil para com a ideia das mulheres como indivíduos de verdade. O patriarcado retrata a mulher atraente como a mulher que gosta de agradar, que procura aprovação, que cuida emocionalmente, que evita conflitos e é tolerante aos maus tratos. Até determinado ponto as mães passam esta mensagem às suas de filhas, de forma inconsciente, levando as filhas a criarem um falso Ser, geralmente sob a máscara da rebelde, da solitária ou, da boa rapariga. A mensagem principal é “tens de te manter pequena, de forma a seres amada”. Contudo, cada nova geração de mulheres vem com a fome de ser real. Poderemos dizer que a cada nova geração, o patriarcado está a enfraquecer e que a fome de ser Real está a fortalecer-se nas mulheres, e está de facto a começar a assumir uma certa urgência.

O anseio por ser Real e a ânsia de mãe. Isto representa um dilema para filhas criadas no patriarcado. O anseio para viver a sua verdadeira essência e o anseio de ser nutrida pela mãe tornam-se necessidades em competição; há um sentir que tem de se escolher entre elas. Isto acontece porque o teu empoderamento fica limitado ao nível que as crenças patriarcais foram interiorizadas pela tua própria mãe e ela espera que lhes correspondas. A pressão por parte da tua mãe para que te mantenhas pequena vem de duas fontes principais: 1) o grau a que ela interiorizou as crenças limitativas patriarcais da sua própria mãe, e 2) o nível da sua própria perda que resulta dela estar dissociada do seu verdadeiro Ser. Estas duas coisas estropiam a capacidade de uma mãe em iniciar a sua filha na sua própria vida. O preço de te tornares no teu verdadeiro Ser envolve, com frequência, algum nível de “ruptura” com a linha maternal. Quando isto acontece, estás a quebrar com as teias patriarcais internas da tua linha materna, o que é essencial para uma vida adulta saudável e empoderada. Isto normalmente manifesta-se em alguma forma de dor, ou conflito com a tua mãe. Rupturas com linha materna tomar várias formas: desde conflito e desentendimento até ao distanciamento e afastamento. É uma viagem pessoal e é diferente para cada mulher. Em última análise a ruptura está ao serviço da transformação e da cura. Faz parte do impulso evolucionário do acordar feminino estar mais conscientemente empoderada. É o nascimento da “mãe não patriarcal” e o início da verdadeira liberdade e individualização. Num dos extremos, para relacionamentos mãe/filha mais saudáveis, a ruptura pode causar conflito mas, serve de facto para fortalecer o laço e torná-lo mais autêntico.No outro extremo, para relações mãe/filha abusivas ou menos saudáveis, a ruptura pode despoletar feridas não sanadas na mãe, levando-a a atacar ou renegar completamente a sua filha. E em alguns casos, infelizmente, uma filha não verá outra hipótese a não ser manter a distância indefinidamente, para preservar o seu bem estar emocional. Aqui a mãe pode encarar a separação/ruptura como uma ameaça, não o resultado do teu desejo de crescimento, mas como uma afronta, um ataque pessoal e rejeição daquilo que ela É. Nesta situação, pode ser doloroso ver como o teu desejo de empoderamento, ou crescimento pessoal, pode levar a tua mãe encare-te como uma inimiga mortal.Nestes casos podemos ver de forma exacta o custo brutal que o patriarcado exerce no relacionamento mãe/filha.“Eu não posso ser feliz se a minha mãe for infeliz.” Já alguma vez te sentiste assim? Geralmente esta crença vem dor de ver a tua mãe sofrer das suas próprias privações interiores e da compaixão pela sua luta, sob o peso das demandas patriarcais. Contudo, quando sacrificamos a nossa própria felicidade pela da nossa mãe, estamos de facto a impedir a cura necessária que vem fazer o luto à ferida na nossa linha materna. Isso só irá manter a ambas, mãe e filha, aprisionadas. Não podemos curar as nossas mães e não podemos fazer com que nos vejam com exactidão, não importa o quão arduamente tentemos. O que traz a cura é o fazer o luto. Temos de chorar por nós próprias e pela nossa linha materna. Este pranto traz uma incrível liberdade. Com cada vaga de tristeza nós reconectamos-nos com as nossas partes que tivemos de renegar, por forma a sermos aceites pelas nossas famílias. Sistemas pouco saudáveis têm de ser rompidos por forma a encontrar um novo equilíbrio, mais saudável e de mais alto nível. É um paradoxo que curemos, de facto, a nossa linha materna quando cortamos com os padrões patriarcais na linha materna, não quando permanecemos cúmplices como forma de manter uma paz superficial. É necessário garra e coragem para nos recusarmos a compactuar com os padrões patriarcais que se mantêm há gerações nas nossas famílias.Permitirmos que as nossas mães sejam indivíduos liberta-nos a nós (como filhas) para sermos indivíduos. As crenças patriarcais alimentam uma diluição inconsciente, entre as mães e as filhas na qual só uma delas pode ser poderosa; é uma dinâmica de ou/ou baseada na escassez que as deixa a ambas desempoderadas. Para as mães que tenham sido particularmente privadas do seu próprio poder as filhas podem tornar-se “alimento” para a sua identidade atrofiada e um “saco” de despejo dos seus próprios problemas. Temos de deixar as nossas mães fazerem as suas próprias viagens e de deixarmos de nos sacrificar por elas. Estamos a ser chamadas a ser verdadeiros indivíduos, mulheres que se individuam das crenças do patriarcado e assumimos o nosso valor, sem vergonha. Paradoxalmente é a nossa individualidade plenamente assumida que vai contribuir para uma sociedade unificada, saudável e integra. Tradicionalmente as mulheres são ensinadas que é nobre carregar com o sofrimento dos outros; que o cuidar emocionalmente é um dever nosso e que devemos sentir-nos culpadas se nos desviamos desta função.

Neste contexto, a culpa não está relacionada com consciência mas com controle. Esta culpa mantém-nos diluídas nas nossas mães, esvaídas e ignorantes do nosso poder. Temos de perceber que não há uma causa real para a culpa. Este papel de cuidadoras emocionais nunca foi o nosso verdadeiro papel. É somente uma parte do nosso legado de opressão. Visto desta forma podemos parar de permitir que a culpa nos controle. Abster-se de cuidar emocionalmente e deixar que as pessoas vivenciem as suas próprias lições é uma forma de respeito pelo Eu e pelo Outro. O nosso excesso de funcionamento contribui para o desequilibro na nossa sociedade e desempodera activamente os outros, mantendo-os afastados da sua própria transformação. Temos de parar de carregar o peso dos outros. Fazemo-lo assumindo que é a mais pura futilidade. E temos de recusar-nos a ser guardiãs emocionais e depósitos de lixo daqueles que se recusam a fazer o trabalho necessário para a sua própria transformação. Contrariamente ao que nos foi ensinado, não temos de curar a nossa família inteira. Nós só temos de nos curar a nós próprios. Ao invés de te sentires culpada por não seres capaz de curar a tua mãe e os membros da tua família, dá a ti própria permissão para seres inocente. Fazendo isto estás a retomar a tua pessoalidade e a deixar de dar poder á ferida da mãe. Em consequência estás a devolver aos membros da tua família o próprio poder de vivenciarem a sua própria jornada. Esta é uma grande mudança energética que advém de conhecermos o nosso próprio valor, demonstrando-o na forma como nos mantemos no nosso poder, apesar dos apelos para o entregarmos a outros. O preço de nos tornarmos verdadeiras nunca é tão elevado como o preço de nos mantermos no falso Ser É possível que tenhamos reações da nossa mãe (e da nossa família) quando nos tornamos mais verdadeiras. Poderemos enfrentar mau humor, hostilidade, afastamento, ou difamação. As ondas de choque podem espalhar-se a todo o sistema familiar. E pode abanar-nos ver o quão rápido podemos ser rejeitadas, ou abandonadas quando deixamos de ser o motor de tudo e todos e incorporamos o nosso verdadeiro Ser. Contudo, esta verdade tem de ser vista e a dor suportada se queremos tornar-nos realmente verdadeiras. Por este motivo é essencial ter ajuda.No artigo “Mindfulness and the Mother Wound” (Consciência e a Ferida da Mãe) Philipp Moffitt descreve as quarto funções de uma mãe. Nutridora, Protectora, Empoderadora e Iniciadora. Moffitt afirma que o papel de Iniciadora “é o mais altruísta de todos os aspectos, porque está a encorajar uma separação que a vai deixar desprovida (de filha).”Esta função é profunda, mesmo para uma mãe que tenha sido completamente honrada e apoiada na sua própria vida, mas quase impossível para mães que tenham passado por grandes tormentos e não tenham curado suficientemente as suas próprias feridas. O patriarcado limita severamente a mãe na sua capacidade de iniciar a filha na sua própria pessoalidade, porque no patriarcado, a mãe foi privada de si própria. Configura a sua filha para a auto-sabotagem , o seu filho para a misoginia e o desrespeito pelo solo sagrado do qual viemos, a própria terra. É precisamente esta função como mãe que “proporciona a iniciação” que lança a filha para a sua própria e incomparável vida, mas este papel só é possível na medida em que a mãe tenha experienciado, ou encontrado a sua própria iniciação. Mas o processo de separação saudável entre mãe e filha é grandemente frustrado numa cultura patriarcal.

O problema reside no facto de maior parte das mulheres viverem uma vida inteira á espera que as suas mães as iniciem na sua própria vida, quando as suas mães são incapazes de lhes providenciar isto. É muito comum assistirmos ao adiamento do luto da ferida materna, com as mulheres a voltarem constantemente à “fonte seca” das suas mães, em busca da permissão e do amor que as suas mães absolutamente não têm a capacidade de lhes dar. Ao invés de fazer o luto completo, as mulheres tendem a culpar-se, o que as mantém aprisionadas. Temos de carpir a incapacidade das nossas mães de nos iniciarem e embarcar de forma consciente na nossa própria iniciação.
A ruptura é de facto sinal de um impulso evolucionário para nos distanciarmos dos enredos patriarcais da nossa linha materna, quebrar com a nossa inconsciente diluição nas nossas mães, fomentada pelo patriarcado e tornarmo-nos iniciadas na nossa própria vida.
Em última instância este luto cede lugar à compaixão e gratidão genuínas para com a nossa mãe e as mães que as antecederam.
É importante percebermos que não estamos a rejeitar as nossas mães quando rejeitamos as suas crenças patriarcais que dizem nos devemos manter pequenas para sermos aceites.
O que estamos de facto a fazer é reclamar a nossa força vital aos padrões impessoais e limitativos que mantiveram as mulheres reféns durante séculos.
Cria um espaço seguro para a necessidade de mãe. Apesar de sermos mulheres adultas ainda temos necessidade de mãe. O que pode ser devastador é sentir esta necessidade de mãe e saber que a tua própria mãe não consegue preencher esta necessidade, apesar de ter tentado o seu melhor. É importante encarar este facto e fazer o luto. A tua necessidade é sagrada e deve ser honrada. Permitir abrir espaço para este luto é uma parte importante do processo de seres uma boa mãe para ti própria. Se não carpirmos a nossa necessidade de cuidados maternais directamente, ela vai infiltrar-se inconscientemente nos nossos relacionamentos, causando dor e conflitos.
O processo de cura da ferida materna consiste em encontrar a tua própria iniciação para dentro do poder e propósito da tua própria vida. Isto não é um trabalho de auto empoderamento de pouca importância. Curar a ferida de mãe é essencial e fundamental; é um trabalho de qualidade em profundidade, que te vai transformar ao nível mais profundo e te vai libertar, como mulher, dos grilhões centenários que herdaste da tua própria linha materna. Temos de nos desintoxicar dos fios patriarcais na nossa linha materna, por forma a podermos assumir na nossa própria mestria.
Do papel da “Mãe como iniciadora”, o Moffitt diz “Este poder de iniciar está associado com o Shaman, a Deusa, o Mago e a Mulher Medicina”. Á medida que mais e mais mulheres curam a ferida materna e consequentemente assumem firmemente o seu poder, encontramos finalmente a iniciação que procurávamos. Tornamo-nos capazes de iniciar, não só as nossas filhas, mas também a nossa cultura como um todo que está a passar por uma transformação massiva. Estamos a ser chamadas a procurar nas nossas entranhas aquilo que não recebemos. À medida que reclamamos a nossa própria iniciação por forma a curar a ferida materna, juntas como um todo, encarnamos progressivamente a Deusa que deu à luz um mundo novo."

Bethany Welsster

PRECISAMOS DE UMA FEMINILIDADE RADICAL...


CONTRA O GROTESCO, CONTRA A IDEOLOGIA DE GÉNERO... 

Fazer o elogio da Mulher e da Beleza do feminino parece-me hoje mais do que nunca uma emergência face ao ataque cerrado de uma feminilidade cada vez mais longe da sua essência e à deturpação da mulher autêntica, a mulher real...seja pelos Mídea, pela moda, pela cosmética, pelo cinema, pela pornografia, e pelo espectáculo em geral; toda uma industria que vive a custa da imagem da mulher, e que apesar de difundirem imagens estereotipas de uma suposta beleza, ela é normativamente uma beleza fictícia que vai do género masculino, mulheres rapazes, travestis...mulheres sem seios e sem ancas, esqueléticas ou magras em extremo, até ao grotesco da mulher fatal, de seios volumosos cheios de silicone, tida como fetiche do imaginário masculino, há muitos anos já, tanto como a equilibrista dos saltos altos agulha ou a de lingerie vermelha e chicote, sado-maso das revistas e filmes porno...etc....quer agora esta violência crescente feita à Mulher essência pelas imagens degradantes da mulher barbuda do festival da Euro-visão e já completamente difundida pelas drag queens (sem pelos) e dos transsexuais...


É que, sem darmos por nada, aos poucos, e ao longo das décadas e cada vez mais, estamos a ser cerceadas e atacadas, desvirtuadas de todas as maneiras ...e agora pela ideologia de género...
A maneiras como as telenovelas trabalham a imagem e o suposto drama de uma jovem mulher  que se sente homem por dentro. Isto  é completamente disparatado e fútil - estar mal na sua pele, sofrer uma crise de identidade pode nada ter a ver com sexo...

Até porque a mulher sofreu ao longos do tempo as maiores deturpações do seu ser e cada vez mais a Imagem da Mulher, o corpo da mulher, e o Ser Mulher está a ser delapidado, grotescamente adulterado...e digo isto não que eu defenda por oposição uma imagem oposta, a da imagem da imaculada concepção ou da excelsa e divinizada mulher dos poetas, a mulher santificada em casa, pelos religiosos que fez com que a sua antítese fosse projectada na prostituta da Rua e do Bordel...mas defendo o que a mulher tem de naturalmente genuíno e autêntico, de essencial como uma beleza própria, na sua diversidade, beleza essa que eu identifico pelo seu interior, seja pelo seu magnetismo, seja pela sua sensualidade inata ou pela força manifesta no seu fogo anímico quando se ela se revela à flor da pele ou na ousadia de ser Mulher inteira ...a mulher que atrai e seduz, a mulher que cativa e acarinha, a mulher que é receptiva e amorosa mas também livre e determinada e sabe o que quer sem ter necessidade de se trair na sua própria pele...
Não. Não há muitas mulheres assim...mas estamos todas a caminho desse despertar interior da mulher natural, que eu chamo a mulher integral, independentemente da sua imagem ou estilo ou beleza conceptual ...Toda a Mulher tem uma beleza intrínseca no expressar da sua natureza mais profunda quando ligada à fonte do seu ser interior, ao seu ventre, ao seu útero e ao ritmo próprio do seu Desejo de Mulher ontológica...o seu desejo de mulher e mãe universal...a Mulher Matriz!
Para mim pois, a beleza e sensibilidade, a naturalidade no expressar essa mulher sensual e grave...consciente, não alienada, não perdida...é muito importante, tanto ou mais do que a consciência psicológica e histórica do seu ser Mulher...ou das reivindicações feministas que trouxeram tantos desses estereótipos como pretensa igualdade e que afastou as mulheres da sua sensibilidade profunda e de uma mística tão própria do seu ser ...criando a imagem da mulher homem que de facto só lhe falta a barba...e que agora este travesti irrisório de nome "conchita salsicha" vem protagonizar em nome da "aceitação" e da tolerância...e agora temos a imagem do homem mulher com barba???


No meu entender esta profanação e deformação e uso abusivo da imagem da mulher que foi degradada através do cinema de há um século a esta parte e a dos espectáculos hoje, nesta proliferação de travestis e transformistas tem tudo a ver com a perda da essência e da identidade Feminina...

Dizer pois que "o que determina a identidade de gênero é a maneira como a pessoa se sente e se percebe, assim como a forma que esta deseja ser reconhecida pelas outras pessoas" face a esta realidade que é a alienação da mulher de si como ente, e a sua falta de ligação a uma essência feminina - útero, ovários e sangue -  é um erro crasso e um pressuposto estupido.

Como é obvio não nego que hajam homossexuais, nem nego que hajam excepções e seres humanos  que sejam diferentes e que nasçam com os dois sexos ou com algumas deformações genéticas ou uma indefinição de genital, como não nego poder haver um homem que se sinta mais feminino ou uma mulher mais masculina, no decorrer da sua vida, mas isso é NATURAL e não pode por si só  determinar uma mudança de sexo o que é totalmente subjectivo e cultural, ideológico -  isso sim é cultural e portanto falseado por ideias complexos e conflitos pessoais modernos, pos-verdade diria....
Dizer portanto que "a identidade de gênero pode ser medida em diferentes graus de masculinidade ou feminilidade, sendo que estes podem mudar ao decorrer da vida, de acordo com alguns psicólogos" é outra atrocidade dado que são os conceitos e os preconceitos e as deformações sociais que reprimem e modelam o individuo para melhor os manietar e escravizar, os afasta da sua verdadeira natureza e com certeza  que cria as maiores confusões e desvios...Como cinema arte e cultura são fruto de mentes em conflito por todo este drama existencial, de um mundo em decadência cada vez mais sem valores nem consciência e sobretudo derivado ao facto  de a Mulher e a Mãe se terem perdido da sua essência e natureza primordial.

Toda esta  aberração que é a chamada "ideologia de gênero" e que representa o conceito que sustenta a identidade de gênero, baseia-se  na ideia de que os seres humanos nascem "iguais", sem diferenças, sendo a definição do "masculino" e do "feminino" um produto histórico-cultural desenvolvido tacitamente pela sociedade, sim uma sociedade alienada e estupidificada que cria monstros e os alimenta com essas filosofias...quando na verdade o que acontece é que a mulher e a Mãe foi e é efectivamente desviada da sua essência e por consequência o homem (filho) também e portanto de forma superficial e estupidificante apresentam-se agora esses filósofos e ideólogos do género, marxistas e positivistas sem alma que não percebem que é a partir  desta alienação da verdadeira mulher  que não conhecem e portanto vem com uma teoria que visa apenas a destruição da identidade verdadeira do SER MULHER.

rosaleonorpedro 

JOUMANA HADDAD


UMA INTERPRETE PERFEITA DE LILITH:

(...)
"Sou realmente contra religião, e contra a doutrinação, a ideologia e o inevitável integralismo que ela carrega. Meu Deus é a minha liberdade. Meu Deus sou eu mesma e as pessoas que amo. Eu sou muito espiritual, mas muito anti-religiosa, especialmente desde que eu me convenci que as três grandes religiões monoteístas não têm feito nada além de dividir as pessoas, e também são muito patriarcais e condescendentes com as m...ulheres(...)
Acredite em você, celebre sua força como mulher. Nunca diga: "Esse mundo é meu também, entregue-me". Em vez disso, "Esse mundo é meu, eu vou tomá-lo"(...)


JOUMANA HADDAD

O MISTÉRIO DA MULHER



A VERDADEIRA MULHER

"Quem diz religião da Mulher diz também sacerdotisa e maga, ou seja, intermediária cósmica. O mistério da mulher não se limita ao seu sexo: ele impregna todo o seu ser, inclusive (e talvez principalmente) o seu psiquismo. A mulher é intuitiva, porque sensitiva e unida aos ritmos cósmicos que capta. Ela conhece os segredos da vida e da saúde, das plantas e das flores. (...)
Ela compreende as profundezas da alma humana: em seu inconsciente e por meio dele, ...relaciona-se directamente com as grandes correntes psíquicas que que nos levam e trazem. Ela seduz e aterroriza ao mesmo tempo. Todo o homem traz em si um "retrato falado" da mulher absoluta e, se viesse a conhecê-la na realidade, não mais poderia dela se separar: seria fulminado. Aliás o homem busca-a durante toda a sua vida. São raríssimos aqueles que a encontram, e quase poderíamos dizer: felizmente! É esse sonho, esse ideal inacessível que ele projecta, por exemplo nas estrelas "(...)


In Tantra - O culto da femininlidade de André Van Lysebeth

O MEDO DAS BRUXAS


PORQUE FAÇO A APOLOGIA DA BRUXA, e a defesa da palavra...

AS Bruxas...ou o termo Bruxa, parece um termo démodé, a evocar Idade Media...
Sim, talvez fora de contextos e desta realidade ideal e virtual, new age, de novos santos e santinhas e iluminados, e a sua Sombra ainda irrita e incomoda muita gente dita culta ou inteligente, homens e mulheres, e os faz reagir por medo ou superstição...

Eu utilizo e defendo a palavra Bruxa, MEIGA (em espanhol - galego) para megera ou velha sábia, para a mulher que vulgarmente não corresponde aos padrões da mulher que se integra na sociedade e que fica de lado a contestar as normas e as leis e velha a rezingar. Para mim a Bruxa é uma "figura de estilo" da Mulher que a sociedade rejeita e não cabe nos seus padrões, que não é submissa ou cordata e que incomoda pela sua postura critica ou livre e que não segue as regras do deus Pai - embora nos dias de hoje, para tratar mal as mulheres os homens fazem-no com um termo mais  "assertivo" que é o de  puta, galdéria, cabra ou vaca, porque tudo se pauta pela sexualidade mais primária...
As mulheres foram todas educadas e formatadas para obedecer e servir a sociedade, a deus, ao homem e ao filho...E quando uma mulher se recusa, ela é tudo o que lhe queriam chamar...
Para mim a Bruxa equivale à Megera...à  Medusa, à velha que sabe, que já não se ilude...e é claro os meninos/as têm medo da bruxa... porque a história da bruxa que os desviava dos bons caminhos e os levava ...lá para a casinha eh eh he hiiih...estão a ver o filme???
Ela  enganava os meninos e meninas boazinhas e levava-@s para um sitio parecido com uma gaiola e todos os dias ia lá e dava-lhes chocolates para  quando estivessem gordinhos e anafados os comer...
Eu lembro-me da história da bruxa que a minha avó contava...para que eu e os meus irmãos nos portássemos bem...

Enfim no meu caso, eu uso a minha Sósia para exprimir as coisas que não se dizem...é uma boa capa...mas faço-o na escrita e para me libertar do "politicamente correcto" e  das ideias feitas e dos preconceitos que nos limitam ...A minha bruxa diz coisas que eu não digo...apanha-me até desprevenida, solta-se e quando o faz eu não a calo. Além de que gosto de brincar, tenho sentido lúdico, vejo o dúbio e o imensamente variado das coisas realistas...das cosias sérias... que acabam como as falsas...todas num charco de mentiras...as politicas e os impérios e as guerras...
É bom não ter amarras no mundo da ilusão, no mundo ideal e das ideias e idealizações - não acredito em projectos, em ideologias ou filosofias salvíficas, não devo nada a ninguém nem sequer satisfações; tudo o que se pensa e se diz...e se faz é parte de uma grande Teatro que dizem ser a vida, e  é na verdade uma brincadeira trágica e divina, muito séria. A divina Comédia...
Sim porque a verdadeira vida é feita apenas de momentos, um ser outra coisa que não consta nos livros, uma oferenda, um estado de alma ou um estado de graça. E tudo o mais se dilui no acaso, tudo o tudo parece inventado...contado a maneira das histórias da bruxa...que come meninos...os maus e os bons...os heróis e os grandes e os miseráveis...
Se alguém tem medo da bruxa - e há por ai muitas fadas com medo das sombras - abra o espírito, o coração e a alma e seja flexível consigo mesma. Olhe a sua Sombra e veja o que nela esconde, e verá que ela faz parte de si também; mais tarde ou mais cedo ela APARECE, nem que seja bem mais tarde quando for velha como eu...

Depois temos mais deusas em furia para além das Górgonas e das Fúrias...
E há Kali na India e tem imensos braços e facas e espadas para cortar cabeças… e há Shekmit no Egipto para dizimar a terra e os usurpadores...

"Gosto de alternar entre velha bruxa e anciã sábia "*
Enfim, eu gosto da minha bruxa e assumo-a com grande prazer e orgulho... ela representa-me sempre que o que eu penso e sinto é muito mais vasto, contraditório e paradoxal do que se possa imaginar o mundo e a vida.
Quanto aos santos e iluminados e fadas de serviço digo que no meu caso  não preciso do seu  deus para nada…eu sou antiquíssima e deusa e sacerdotisa e velha  eu sou Lilith e não há nem deus nem diabo acima de mim…
...

rlp
in mulheres e deusas 2008

* Margaret Atwood

UM NOVO NARCISISMO


UM COMENTÁRIO PRECIOSO - UM TESTEMUNHO LUCIDO...

Se observarmos a cultura e sociedade actuais, e à semelhança de todas as outras áreas da vida, faz sentido que também esta tenha sido apropriada por narcisistas sem escrúpulos. É a "deusa" narcisista que tem estado a ser promovida e vendida... E são assim as "deusas" em carne que se apresentam nos grupos: a "deusa-rainha", adorada e venerada pelas restantes mulheres, superior a elas e a quem DEVEM vassalagem, e hai de quem não a prestar! (É, aliás, interessante observar as imagens que promovem os cursos e encontros, onde é frequente termos a "deusa" no centro do grupo rodeada de mulheres embevecidas que bebem cada palavra, tipo Jesus e os apóstolos...).

Enquanto houver Tempo e existirem mulheres, haverá MUITO trabalho a fazer certamente. Na "nova era" fake, "novas" versões estranhas que já se conhecia surgirão, e sem vigilância e sentido crítico, (sem quem desmistifique!), essas versões vão-se tornando nas "soluções espirituais" dominantes e predominantes, precisamente porque a "new age" não se questiona, não olha a meios para atingir fins, e não se contém (daí a palavra tentáculos ser tão adequada), o que, curiosamente, nos leva de novo também ao narcisismo...


Beijinho grande e força para continuar sempre!

Sónia