quinta-feira, janeiro 11, 2018

ME TOO




MULHERES - 100 CONTRA MIL...

Em geral as mulheres acham que não devem elogiar nem gostar das outras mulheres. Isto está tão entranhado que raramente elas conseguem juntar-se. AS mulheres no mundo ocidental  estão de forma mais ou menos agressiva, sempre umas contra as outras. Vê-se neste momento diante do Movimento do ME TOO - mulheres poderosas do cinema de Hollywood - e as mulheres poderosas do Cinema e da Cultura francesas...de forma contundente elas defendem o assédio como "liberdade sexual" - a sedução  masculina - mas não a violação e claro não possível comparação destas mulheres de alta classe social e milionárias com as milhares de mulheres empregadas e subalternas que andam de Metro em todo o mundo...

Nesse sentido os argumentos destas 100 mulheres, intelectuais e artistas francesas, contra as 1000 americanas, tem algum sentido, mas os argumentos usados foram infelizes da parte de algumas - como uma delas dizer que tinha pena de não ter sido violada etc. para provar que se podia viver com isso.

Mas a minha nota vem no sentido de constatar mais uma vez e de forma actualissima e mediática como é sempre o mesmo e velho antagonismo entre as mulheres, graças a deus...parece, dizem umas, que as feministas se viram contra os homens, que não gostam deles - os agressores -...e as outras, as liberais, ah as francesas ...defendem que a liberdade sexual passa pelo galanteio...mas como dizem as feministas, estas não trabalham nas fabricas...não andam de metro, nem na rua, salvo seja...etc. elas andam nas passadeiras vermelhas em busca de Óscares e ídolos onde os homens  não são galantes ou são carroceiros...mas em França...ele há cavalheiros galantes, homens sedutores e educados e ele há...por todo o lado porcos e carniceiros...reles humanoides, predadores infectos em todo o lado...
Enfim é a mesma luta de sempre das mulheres, a mesma luta umas contra as outras em defesa dos homens - dos seus machos man,  mentores e mestres...

O que estas senhoras francesas reclamam no fundo tem alguma razão de ser para as que gostam de ser seduzidas à moda antiga, a maneira das cortesãs...e vem de uma cultura bastante sado-maso....América e França? Histórias, Culturas e naturezas distintas...?
As francesas gostam do velho assedio-sedução ou do galanteio - a saber quais são os limites... ?
As americanas lutam pela  igualdade sem pensar no charme francês...?
A verdade é que umas dizem-se feministas e defendem as mulheres e as outras acabam por ser machistas e gritam em defesa dos homens e cá estão as mulheres divididas dentro de si e fora a favor ou contra os homens. E depois todas se dividem a defender ou a atacar as 110 ou as mil...

O que gera esta confusão e luta...é a falta de Consciência de si das mulheres em geral no mundo. Isto  prova-nos que o caminho da Mulher Consciente NÃO É POR AI...e como dizia algures é que tanto faz andarem na  passadeira vermelha  como se vestirem de preto ou de vermelho...elas estão sempre em oposição umas às outras e sem duvida sabemos bem que nem umas nem outras tem a razão toda, o facto é que não sabem que elas  estão divididas dentro de si logo a partida ...
A velha história: umas de vermelho e as outras de preto; as brancas senhoras e as pretas servas, as boas e as más, as senhoras ricas e as criadas (ah já não há, só mestiças?) mais as santas e putas as feministas e as putas sérias e as sexys donas de casa?...e é em suma  esta a esquizofrenia completa, uma confusão total, e portanto o melhor foco da Mulher que se preza é em si mesma...ser uma Mulher integrada - mas sabem as mulheres o que é isso?
Não...nem sonham como conciliar as duas faces de si mesmas e por isso se dividem e não vão a nenhum lado...umas de preto e as outras de vermelho...
A mais velha rivalidade do mundo...


rlp


A CARTA DAS 100 MULHERES FRANCESAS


Com o título Defendemos a Liberdade de Importunar, Indispensável à Liberdade Sexual, a carta aberta agora criticada foi assinada por cerca de 100 mulheres, entre escritoras, artistas e académicas. No seguimento do escândalo de assédio sexual de Hollywood – que despoletou a denúncia de inúmeros casos, como o de Kevin Spacey –, estas defendem que "aquilo que começou como algo que dá liberdade às mulheres para falar alto se tornou o oposto" e que agora "intimidamos pessoas a falar correctamente" e "gritamos com aqueles que não se metem na linha". Falavam inclusivamente de uma "caça às bruxas".     



Outras personalidades, como a actriz Asia Argento – que acusou Harvey Weinstein de a ter assediado sexualmente, na década de 1990 – expressaram também a sua opinião relativamente à carta aberta. "Catherine Deneuve e outras mulheres francesas contam ao mundo como a sua misoginia interiorizada as lobotomizou de forma irreversível", escreve no Twitter. A ex-ministra francesa da Igualdade, Laurence Rossignol, usou a mesma plataforma para condenar a carta, falando da "estranha angústia de já não existir sem o olhar e o desejo dos homens que leva as mulheres inteligentes a escrever grandes disparates".

quarta-feira, janeiro 10, 2018

UM MUNDO DE MULHERES...




No séc. XVII, desencadeou-se, como se sabe, uma campanha de extermínio contra estas mulheres, que passaram à história convertidas em bruxas. A natureza sexual dos jogos e círculos femininos foi também estudada a partir das letras das suas canções que chegaram até nós (1). O hábito quotidiano das mulheres se juntarem “para bailar”, e para se banharem, é ancestral e universal, e dá-nos um vislumbre do espaço coletivo de mulheres impregnado de cumplicidade e baseado na intimidade natural entre mulheres, que hoje apenas prevalece em recônditos lugares do mundo. Em África, existem aldeias onde as mulheres ainda se reúnem à noite para dançar (bailes claramente sexuais, como se pode ver numa reportagem do Sudão (2). A imagem das mulheres do quadro “o Jardim das Hespérides”, de FredericK Leighton (séc. XIX) é outro vestígio dessa relação de cumplicidade e de intimidade entre mulheres.

Os hábitos sexuais das mulheres remetem-nos para a sexualidade não falocêntrica das mulheres; para a diversidade da sexualidade feminina, e a sua continuidade entre cada ciclo, entre uma etapa e outra. Uma sexualidade diversa e que se diversifica ao longo da vida, cujo cultivo e cultura perdemos. (…) Vivemos num ambiente em que o sistema libidinal humano, desenhado filogeneticamente para travar relações humanas, está congelado. Hoje as mães vivem longe das suas filhas e as avós vão de visita a casa d@s net@s; a pessoa de família que nos dá a mão quando adoecemos vive no outro extremo da cidade, e mal conhecemos o vizinho ou a vizinha" (…)
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Cacilda Rodrigañez Bustos


FICÇÃO OU UMA AMEAÇA GLOBAL AS MULHERES DO MUNDO?

Duas amigas, June, heterossexual, e Moira, lésbica, discutem na cozinha da primeira a última medida implementada pelo governo: a de congelar as contas bancárias de mulheres e providenciar o acesso às mesmas apenas aos homens mais próximos. June ainda tem a possibilidade de ter o seu dinheiro através do marido que assiste à discussão. É interpelado por Moira que o interroga acerca do reconhecimento da sua posição de poder ao que ele, um aliado, responde: “O que queres que faça, corte a pila no lava-loiça?”. Como se o feminismo fosse unicamente concebido para emascular homens e roubá-los da virilidade que lhes foi imposta mas que, na realidade, provavelmente nunca quiseram ter. Mas uma discussão rotineira. Podia acontecer em qualquer cozinha. Nossa.
Mais tarde June e Moira deslocam-se a uma Marcha em Boston pelos direitos das mulheres, reminiscente do que vimos a acontecer o ano passado nos Estados Unidos da América aquando da eleição do Presidente Donald Trump. Mas o resultado é bem diferente. Uma força policial secreta começa a alvejar mortalmente os protestantes, homens e mulheres. As amigas conseguem fugir mas vêem atrás delas os cadáveres espalhados pelas ruas. A destruição da realidade que viviam antes é agora irrevogável. Meses mais tarde reencontram-se numa sala que parece de um convento tornado quartel. June está vestida normalmente, depois de separada da filha e do marido. Moira, tal como a maioria das mulheres sentadas em círculo na sala, com um hábito vermelho sangue do pescoço aos pés e um barrete branco a esconder o cabelo. Uma mulher de porte e vestes militares e com discurso de fundamentalismo puritano, informa-as que foram escolhidas para se tornar “Servas”, a ser atribuídas a um casal poderoso, cuja Esposa é infértil, de modo a poderem conceber e gerar filhos e filhas para os seus empregadores.
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Estamos em Gilead, uma América distópica em que a infertilidade se tornou norma. Uma fação de direita extremista foi ganhando avanço com a culpa atribuída aos hereges que se foram separando de Deus e dos ensinamentos divinos. As Putas – qualquer mulher contra o sistema – e as Traidoras de Género – lésbicas – foram perseguidas e apenas as férteis dadas uma oportunidade para se tornarem úteis para o sistema enquanto Servas. As restantes foram encaminhadas para as Colónias. Assim nos é apresentada The Handmaid’s Tale, uma série da Hulu adaptada do livro homónimo de Margaret Atwood. Nela, os Homens, anónimos, são os donos de tudo, das decisões políticas, familiares, sociais. O nosso olhar é a de June, nome verdadeiro agora proíbido e renomeada Offred para refletir o nome da Homem da família a quem foi atribuída. E todos os Homens que vemos através dela são sombras, figuras de papel.
Mas vemos as mulheres. Vemo-las bem. Outras Servas. As Martas, de uniforme verde-terra, criadas de casa. As Esposas, de azul como que a anunciar a sua frigidez ao Mundo. As Tias, parte da força militar que mantém a ordem em Gilead. Todas prostradas de forma a encaixar num rótulo em que possam ser controladas. Em que as mulheres são colocadas umas contras às outras em todos os momentos dos seus dias. À primeira vista todo este totalitarismo parece extremista e apenas possível em formato ficcional. Mas olhando atentamente vemos demasiados sinais do nosso Mundo e da América atual nos flashbacks como os que descritos inicialmente. Sentimos a ameaça da discriminação tornada lei. Sentimos os direitos ganhos serem gradualmente apagados sem possibilidade de retorno. Sentimos a apatia depressiva do conformismo das coisas que não vão mudar. Sentimos a luta a ser progressivamente silenciada.
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The Handmaid’s Tale é aterradora. Desde o primeiro episódio ao último. Força-nos a olhar um Mundo ao virar da esquina do nosso. A um passo mínimos de desespero de nos tornarmos naquilo. Peões sem identidade. O olhar oferecido pela exímia e acutilante Ofred de Elizabeth Moss é horrífico e castrante. Da vontade própria. Do Ser. Bruce Miller, criador da série, dá palco ao feminino e muitos dos episódios são realizados por mulheres. E nelas vivemos imiscuídos. Na letargia profunda do quotidiano das Servas cuja única função é o serviço à Casa. Tudo culmina num ritual mensal de violação por parte do Dono assistido pela Esposa. Qualquer sinal de rebelião é punido fortemente, cujo castigo máximo é o do enforcamento público, para que todos possam assistir às consequências dos seus crimes: Herege, Paneleiro, Puta. Ou então de justiça levada a cabo pelas próprias Servas, um rito primitivo de erradicação de qualquer humanidade nelas presente.
Uma das personagens mais aterradoras, em particular para a comunidade LGBT, é a de Ofglen, protagonizada pela extraordinária Alexis Bledel. Uma Traidora de Género como Moira. Tenta não se conformar às vidas fantasmagóricas e desumanas que lhes são impostas e cedo vêmo-la amordaçada como um animal, de gritos abafados. Apenas os olhos deixam transparecer o puro terror que vive. De querer resistir mas não conseguir mais que a subjugação total e incontornável. De querer lutar apenas para ser subsequentemente humilhada e mutilada. De tentar Ser e ver todas as suas fugazes e voláteis aspirações erradicadas à sua frente.
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Muitas vezes somos confrontadas e confrontados pela razão pela qual ainda lutamos. Porque ainda saímos às ruas. Pelos direitos das mulheres. Das pessoas LGBT. Das minorias. Porque gritamos. Porque marchamos. Muitas vezes com orgulho. Muitas vezes com raiva. É porque esta distopia está a um pestanejar de distância. Basta baixarmos os braços. Por um segundo. Com alarmes destes… não podemos fazê-lo. O cansaço não nos pode derrotar. A falta de esperança não nos pode petrificar. Ou estaremos, mais cedo que tarde, também nós numa sala de convento qualquer, a ter o nosso futuro escravizado. The Handmaid’s Tale é mais que ficção. É um ensurdecedor e penetrante alerta vermelho.
The Handmaid’s Tale tem exibição exclusiva em Portugal no NOS Play.

terça-feira, janeiro 09, 2018

10 fatos históricos

que mostram completo desrespeito à vida das mulheres
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Os homens têm governado a humanidade desde as primeiras sociedades, com raras exceções.
Em cada estágio da história humana, as mulheres têm estado à margem, lutando por seus direitos mais fundamentais.
E não estamos falando somente do direito ao voto ou a um salário justo.
Ao longo dos tempos, a vida das mulheres foi um verdadeiro conto de horror.
Ao longo de nossa história, a vida cotidiana foi preenchida com experiências que tornavam o fato de ser uma mulher um verdadeiro pesadelo.
(Não que as coisas estejam às mil maravilhas hoje em dia.
O 10º Anuário Nacional de Segurança Pública mostra, por exemplo, que 45.460 estupros foram registrados no Brasil em 2015,
125 por dia.
E o que é pior: as autoridades estimam que apenas cerca de 10% dos estupros sejam registrados no país, ou seja, o número real de estupros no ano passado passa perto de assustadores 450 mil. E embora homens também sofram estupros, as mulheres são 89% das vítimas deste crime, segundo o Sinam – Sistema Nacional de Atendimento Médico. Apesar das coisas terem melhorado nos últimos séculos, ainda temos muito para avançar).
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10 – Meninas recém-nascidas eram regularmente deixadas para morrer :
Na antiga Atenas, era muito comum um casal levar uma menina recém-nascida para o deserto e deixá-la morrer – um ato que eles chamavam de “expor” o bebê.
. “Todo mundo cria um filho, mesmo que seja pobre”, escreveu um escritor grego
, “mas todo mundo expõe uma filha, mesmo que seja rico”.
Em Roma, isso também era comum, especialmente em famílias pobres.
Existem registros de uma cidadão romano de classe baixa escrevendo para sua esposa sobre sua gravidez.
“Uma filha é um fardo muito pesado, e nós simplesmente não temos dinheiro.
Se você tiver uma menina, teremos que matá-la”, diz ele.
Mesmo no Egito, que deu às mulheres direitos comparativamente iguais, os pobres muitas vezes deixavam as crianças morrerem.
“Se você tiver o bebê antes de eu voltar”, uma carta mostra um egípcio escrevendo para sua esposa, “se for um menino, deixe-o viver; se for uma menina, exponha-a”.
9 – Homens não tocavam mulheres menstruando :
O filósofo romano Plínio, o Ancião, escreveu: “Com a aproximação de uma mulher neste estado, o leite ficará azedo”.
Ele achava que as mulheres menstruadas podiam matar tudo o que olhavam, dizendo: “Um enxame de abelhas, se olhado por ela , morrerá imediatamente”
No Egito, as mulheres passavam seus ciclos menstruais isoladas em um edifício especial em que os homens não podiam entrar –
e eles não eram os únicos a fazerem algo do tipo.
Os israelitas nem sequer tocavam uma mulher durante o seu período – ou até mesmo qualquer coisa que elas tocassem.
“Tudo em que ela se senta”, escreveram, “será imundo”. E no Havaí, os homens que entravam na cabana de mulheres menstruadas arriscaram levar a pena de morte.
Já os nativos da Papua Nova Guiné iam mais longe. Se um homem tocava uma mulher menstruada, eles acreditavam que “mataria seu sangue de modo que ficasse negro, enfraqueceria sua inteligência e levaria a uma morte lenta”.
8 – Perder a virgindade era uma sentença de morte :
Em Atenas, se um homem descobrisse que sua filha solteira tinha dormido com um homem, ele poderia legalmente vendê-la
para a escravidão.
Os samoanos se asseguravam de que suas esposas fossem virgens – e que todos soubessem.
Durante um casamento samoano, o chefe da tribo rompia manualmente o hímen da noiva com os dedos na frente de uma multidão para provar que ela era pura.
Em Roma, se uma sacerdotisa da deusa Vesta perdesse sua virgindade antes dos 30 anos, ela era enterrada viva.
E na antiga Israel, nem sequer importava se você fosse uma sacerdotisa.
Qualquer mulher que perdesse sua virgindade antes do casamento poderia ser apedrejada até a morte.
7 – Sempre se esperou que homens fossem predadores sexuais :
Em Roma, as escravas deviam ser sexualmente ativas, como parte de seus trabalhos.
A única maneira de ter problemas por dormir com um escrava era se ela fosse de propriedade de alguém e você não pedisse primeiro.
Mesmo assim, ninguém consideraria isso uma violação ou um estupro – a atitude era apenas classificada como dano à propriedade.
Prostitutas não podiam registrar casos de violação, não importa o que lhes acontecesse. E não eram só elas que não podiam acusar ninguém de estupro – garçonetes e atrizes também eram tratadas como participantes voluntárias de qualquer ato sexual que um homem lhes impusesse.
Em um caso, uma atriz estuprada por vários homens teve negada a permissão para apresentar acusações.
Os homens que a atacaram, foi sentenciado, tinham simplesmente “agido de acordo com uma tradição bem estabelecida em um evento encenado”.
Na Idade Média, Santo Agostinho foi considerado progressista por sugerir
que as mulheres estupradas não precisavam se matar.
Mesmo ele, porém, sugeriu que algumas mulheres haviam gostado.
6 – Esposas eram frequentemente sequestradas em várias partes do mundo :
Em algumas partes da China, as pessoas estavam raptando esposas até a década de 1940. No Japão, o último caso relatado de sequestro de esposa aconteceu em 1959.
A Irlanda teve um problema generalizado
com o roubo de esposas no século XIX.
E até mesmo a Bíblia relata histórias de homens matando aldeias inteiras e tomando as mulheres virgens como esposas.
Roma nem sequer existiria sem noivas sequestradas.
As lendas da nação começam com homens sequestrando as mulheres sabinas.
Na história, Rômulo diz às mulheres que elas deviam estar felizes de ser sequestradas, porque elas tiveram a sorte de “viver em casamento honrado”.
5 – Mulheres já foram forçadas a matar seus bebês :
Matar bebês frágeis não era apenas algo
que acontecia em Esparta.
Em quase todos os países, quando uma mulher dava à luz uma criança deformada, esperava-se que ela a matasse.
Em Roma, era a lei. “Uma criança terrivelmente deformada”, ordenava o direito romano, “será rapidamente morta”.
Se uma criança romana nascesse com
uma deficiência, a mãe tinha duas escolhas. Ela poderia sufocá-la ou, mais frequentemente, poderia abandoná-la.
Na costa de Israel, arqueólogos encontraram os restos de 100 bebês mortos nos esgotos da cidade.
Acontecia muito. Não sabemos o número exato de bebês que foram deixados para morrer, mas acredita-se que um em cada quatro bebês romanos não conseguia passar do primeiro ano de vida.
4 – Mulheres mal tinham permissão para falar :
Na Grécia antiga e em Roma, as mulheres eram proibidas de deixar a casa sem um acompanhante masculino.
Quando visitas chegavam, não lhes era permitido falar ou sentar-se para o jantar – tinham de se retirar para os seus quartos,
fora da vista, para que a presença de uma mulher não incomodasse os homens.
Na Dinamarca, as mulheres indisciplinadas que brigavam ou que expressavam abertamente sua raiva poderiam acabar presas em um aparelho chamado Violino de Pescoço.
Era uma armadilha de madeira em forma de violino que prendia as mãos e o rosto.
A mulher era levada então para desfilar pelas ruas, publicamente envergonhada por ter mostrado abertamente a raiva.
Os ingleses foram ainda piores.
Os súditos da rainha colocavam mulheres
que brigavam no “freio”, uma máscara de metal com dentes afiados que tinha um sino acoplado – para garantir que todos zombassem da mulher que ousava reclamar.
3 – Adúlteras eram torturadas :
Se uma mulher casada ousava dormir com outro homem, tudo acabava.
Um homem romano, sob certas circunstâncias, teria o direito de matar sua esposa se ele a pegasse na cama com outro. Mesmo os puritanos que colonizaram a América tomaram a abordagem bíblica e legalmente toleravam assassinar adúlteras.
Novamente, porém, foram os homens medievais que fizeram as piores coisas.
Eles não se contentavam em matar suas esposas – queriam que elas sofressem.
Na época medieval, eles tinham um dispositivo chamado “estripador de peito”, que eles usavam em mulheres que tinham casos – e que faz exatamente o que o nome diz.
É uma tortura horrível – e nem sequer se limitava ao adultério.
Uma mulher poderia ser condenada ao estripador apenas por ter um aborto.
2 – Mulheres mortas com seus maridos :
Até o século 19, era esperado que uma
mulher na Índia que perdia seu marido subisse em sua pira funerária e fosse queimada até a morte junto com ele.
Às vezes, durante a guerra, as mulheres deveriam fazer isso mesmo antes de seus maridos morrerem.
Se um cerco estava indo mal, todas as mulheres da aldeia queimavam-se vivas e levavam seus filhos com elas.
Os maridos apenas olhavam enquanto suas famílias queimavam.
Então, pela manhã, eles passariam as cinzas de suas esposas em seus rostos e iriam para a guerra.
As mulheres se matavam apenas para dar aos maridos um pouco mais de motivação.
A princípio, os colonizadores britânicos mantiveram a “tradição”.
Apenas em 1829 a prática foi proibida pelos ingleses. Entretanto, a Sati – nome dada à tradição – era tão comum na cultura indiana que o governo do país decidiu promulgar
uma lei em 1988 proibindo qualquer tipo
de propaganda ou glorificação do ato.
1 – As mulheres passaram por isso desde o começo da humanidade :
Mesmo antes da história registrada, os primeiros casamentos eram extremamente unilaterais.
Os arqueólogos que procuravam restos pré-históricos na África encontraram evidências de que os homens ficavam em um só lugar durante toda a vida – mas todas as mulheres nasceram em lugares diferentes.
Isso significa que mesmo os homens das cavernas tinham relações unilaterais, fazendo com que suas novas esposas mudassem para suas casas quando começassem uma família. Mais importante, torna altamente provável que estas mulheres não iam até lá consensualmente.
Provavelmente, elas eram sequestradas de suas famílias em outras tribos e arrastadas para as camas de seus captores. [Listverse]
Jéssica Maes
01/12/2016

segunda-feira, janeiro 08, 2018

A MULHER NA POLITICA



Mulher no Mundo da Política, "é obrigada a submeter-se a padrões que ameaçam toda a sua natureza, a natureza da sua cultura."

Há quem pense, e talvez com certa razão, que a mulher deve entrar no mundo da política para, dentro desse universo, desenvolver as suas ideias e a sua acção. Mas eu penso que quando uma mulher entra nesse mundo, ela própria é obrigada a submeter-se a padrões que ameaçam toda a sua natureza, a natureza da sua cultura. Ela é levada a transigir, torna-se numa cópia daquilo que já é mau nos homens. Eu penso que a acção da mulher deve desenvolver--se fora da política do Poder. Uma acção política de contra-poder. Pela recusa.
O que é a poesia se não uma magia branca, para fazer recuar as forças tenebrosas que querem destruir a vida?!



Natália Correia, in 'Entrevista (1983)'

domingo, janeiro 07, 2018

A MORTE DA MÃE



Os Ultimos Estertores da Mãe e do Painel


"As filhas haviam oferecido ajuda a sua Mãe, esta recusara sobranceiramente.

As filhas riram do filho, tão penosamente nascido, ameaçaram a Mãe com sua proximidade, seus poderes iguais.

Édipa havia roubado seu irmão. As filhas contemplaram esses machos que nasciam como pólipos indiferenciados do braço escuro da Mãe inicial, e haviam roubado seus irmãos: salvando-os assim das águas, do anonimato.

A Mãe voltara, com suas regras pesadas:

- Esses seres que sentais ao vosso lado morderão vossos seios.

Em cada vai-e-vem das suas volutas, dos seus ciclos, no pulsar de suas inspirações e expirações, vida e morte, a Mãe criava e condenava.

Mães e filhas reconheceram-se iguais: em seus rostos, espelho das aguas inicias, suas condições criadoras.

E perante a dor das filhas a Mãe dissera:

- Não há paraísos perdidos, nem quedas, nem pecados: todas as coisas se resumem nas duas faces do mesmo princípio.

E a Mãe sangrava, sem nunca exaurir seu sangue.
As filhas sentaram os irmãos a seu lado. Cuidadosamente os trataram e preparavam para uma longa viagem.
Contaram as histórias da velha Mãe, e dos seus poderes, e de suas leis. Contaram as histórias da risonha e risível condição humana, em que o prazer da sobrevivência e da produção de vida tão intimamente se liga á necessidade de morte.
Os irmãos agradeceram todos os favores. Calçaram suas sandálias e empunharam seus cajados. Sabiam-se descendentes da mesma Mãe, e irmãos e tios de cada nova geração.
Solidários, preparavam-se para partir; animados de sonhos heróicos, como adolescentes, de sonhos de recriação do mundo.

- Encontraremos uma solução – disseram.

Suas irmãs ficaram inquietas, ao vê-los afastarem-se.
Os irmãos voltaram de longa viagem. Seus cabelos e barbas haviam embranquecido.

- Descobrimos o segredo da Mãe – disseram. E por suas bocas era a voz da Mãe que falava.

Talvez eles sinceramente julgassem ajudar. Mas imediatamente todas as mulheres se souberam traídas.

- Que refém vindes buscar, para afirmar vossa força – perguntaram elas.

- Vimos buscar os seres criados por nosso sémen, antes que o ventre da Mãe deles se aposse no seu difícil e longo parto – responderam.

- Mas quem criou e amamentou vossos filhos? – Insistiram as mulheres.

- Nós também ajudamos a defende-los e a criá-los – disseram os homens.

- E isso o que prova?

Mas a perguntadas mulheres ficou sem resposta. Todos aqueles viajantes anciãos se sentaram e entre si começaram a discutir. Os tios desfaçavam-se de benevolentes mães do sexo masculino, e contavam quanto haviam protegido e acariciado suas irmãs e sobrinhos. Outros homens preferiram afirmar-se enquanto «pais«, palavra nova que inventavam e defendiam a criação de uma nova lei: os direitos de cada um já não seriam definidos pelo tempo em tarefas de produção de vida, mas pela força, com a qual se pretenderia legitimar o prioritário direito dos momentâneos e ejaculatórios investimentos nessa produção de vida.

- A morte será a lei – disseram as mulheres.

Os sinuosos «pais « não desistiam do seu intento:

- Temos que salvar o filho. Teremos que o separar da Mãe e enviá-lo para longa viagem, para que esta não continue a absorve-lo, sempre, no seu enorme e cruel ventre.

A Mãe gritou:

- Apenas criarei uma raça de senhores que se alimentará do sangue de todos os outros.

E foi o seu último suspiro"


In “A Morte da Mãe”, de Maria Isabel Barreno

ÁGUA E PRANTO



Do meu rosto molhado, escorre pranto ou água? Mágoa nascida na fonte ou fonte na minha mágoa? Do meu rosto molhado escorre água e pranto: o desencanto da fonte e a mágoa do desencanto. 


Natália Correia

AMA PORQUE AMA


 A teoria magnética do amor

"A hipótese magnética-destaca Mauclair - é a que melhor explica o estado estranho de hiperestesia do casal presa do amor, e confirma " a experiência diária de que o estado de amor não é nem espiritual nem carnal e escapa a todas as categorias da Moral corrente ".

Mauclair acrescenta: " as razões magnéticas são as verdadeiras, e permanecem secretas e às vezes mesmo ignoradas por aqueles que amarram: porque os seres que amam não podem dar do seu amor motivos precisos... um homem não ama em absoluto a Uma mulher porque é bonita, carinosa, ou inteligente, ou engraçada, nem porque possa sugerir uma forte e excepcional volúpia. Isso são só explicações que satisfazem a lógica corrente... Ama porque ama, e além dessa lógica; e esse mistério é o que revela o magnetismo do amor ".


in  Metafísica do sexo (Julius Evola)
 

sexta-feira, janeiro 05, 2018

TERAPIAS E TERAPEUTAS



PERGUNTO

Como é que um psiquiatra ou um terapeuta, formados em universidades, às vezes são pessoas sem formação humanista nenhuma, digo sem qualquer consciência de si em profundidade e do seu infinito mundo interior complexo e paradoxal e assim pretende ensinar alguém ou tratar pessoas?
rlp


UM BOA RESPOSTA...

"A psicologia e a psiquiatria são ciências que surgiram da percepção de alguns pensadores e que se tornaram como uma moldura para o entendimento dos processos individuais conscientes, subconscientes, sociais e orgânicos- os dois últimos só mais tarde e com a necessidade da interdisciplinaridade entre a sociologia e medicina; sem expor à reflexão se essa essa percepção estaria sujeita ao erro, à generalização e à carência de entendimento dos seres humanos a níveis invisíveis e profundos ou metafisicos. E depois há ainda a contradição entre os diferentes pensadores que elevaram a psicologia ao estatuto que tem hoje, ou seja, não há consenso precisamente porque colocaram em pólos opostos estados psicológicos que tornam impossível a compreensão do ser humano como um todo."

Ananda Krisna Lila



(...) "A palavra grega therapeuein, curar, significava, originalmente, “serviço aos deuses/AS”. Por conseguinte a cura ocorria, de início, num contexto sagrado. Filo faz referência a um grupo de judeus contemplativos, pré-cristãos, que chamavam a si mesmos Therapeuts, “quer porque professavam uma arte medicinal mais eficaz do que aquela que tinha emprego geral nas cidades (já que esta apenas cura os corpos, ao passo que aquela cura almas que se acham submetidas ao jugo de moléstias terríveis e quase incuráveis, infligidas pelos prazeres e apetites, temores e sofrimentos, pela cobiça, pelos desatinos, pela injustiça e por todo o elenco da inumerável multidão de paixões vícios), que por terem sido instruídos pela natureza e palas leis sagradas a servirem o Deus vivo”. Portanto, psicoterapia significa, em termos essências, serviço à psique.


In “ANATOMIA DA PSIQUE” de Edward F. Edinger

terça-feira, janeiro 02, 2018

A "IGUALDADE" ENTRE HOMEM E MULHER...




"Apesar dos discursos que se pretendem feministas, apesar de importantes concessões feitas ao apostolado das mulheres, a regra é sempre masculina: só um homem pode representar Jesus, e, portanto, Deus pai, pois admitir as mulheres à função sacerdotal seria voltar aos cultos julgados escandalosos anteriores ao cristianismo." - Jean Markale

Porque não escrevo para os homens...

Uma amiga tem-me dita algumas vezes porque não escrevo também para os homens..., que eles precisam de saber da cisão da mulher e de como a mulher se sente na sua pele e como essa divisão da mulher se reflecte na sua e vida deles de muitas maneiras...Deste modo, embora o Ser Humano seja uma constante que motiva o meu  interesse em si e ser grande a minha preocupação ao longo da minha vida com tudo o que é humano, e isso inclui o homem e a mulher, quanto ao meu discurso é no entanto como mulher apenas que me expresso e me empenho exclusivamente numa linguagem de identificação profunda com o que é inerente ao ser feminino essencial, não aos conceitos e ideias vigentes e que são veiculas na cultura moderna e portanto o meu Foco está só e apenas na  mulher em si em primeirissimo lugar e também na Mãe...

E passo a explicar as minhas razões: O homem não entra no meu discurso porque ele não só não aceita a minha voz livre e independente como reage com violência ao que digo mesmo sem que eu lhe faça qualquer avaliação de principio como homem ou como ser humano, a não ser pelo que o Homem em geral e como representante do patriarcado reflecte do seu poder e domínio sobre a mulher e dai ele não quer arredar pé (poderes e privilégios) nem aceitar nem compreender a Mulher...porque os homens em geral estão convencidos que tem poderes, tem uma confiança inaudita no falo e nas armas... - foram assim educados -, enquanto que as mulheres foram reprimidas e sufocadas na sua sexualidade...dadas como sujas e culpadas - isso forma o inconsciente colectivo da nossa humanidade...e qualquer ameaça a esse poder e domínio sobre as mulheres (mães irmãs filhas e esposas) e à sua hegemonia eles sentem-se no direito de reprimir a mulher usando argumentos sem sentido, quase sempre ofensivos, misóginos e encobertos de um pretensa razão...

Nesse aspecto tenho alguma aversão ou reacção à sua tentativa de se imiscuírem no discurso feminino, esse inconsciente desejo de querer dominar a mulher sempre, e sobretudo se esta  lhe escapa aos seus desígnios, funções e definições, atacando-a e submetendo-a aos seus critérios, juízes de valor e não raro prepotência egoica, mesmo quando se dizem pela igualdade entre os sexos.

Ora,  é justamente contra essa igualdade que estou, não só por ela não existir como por ela não ter sentido de base. Esta tentativa de igualar a mulher ao homem não é mais do que uma maneira de destruir e anular a mulher na sua essência, sendo também a forma que o homem agora arranjou para interferir e continuar a controlar a mulher, para ter o domínio dela ao conhecê-la como a si mesmo. Sendo a mulher igual ao homem é a ultima possibilidade de sem trabalho de diferenciar as duas naturezas opostas e complementares e de se lhe render e aprender dela algo, ele querer saber o que de facto a mulher é e desvirtuar ou destruir o seu mistério que ele não consegue desvendar nem possuir, mesmo possuindo a força a mulher ou até matando-a.
No fundo trata-se do ser excuido do ventre materno a querer ser de novo incluido e se não é possuindo sexualmente a mulher-mãe, é querendo que ela seja igual a ele e portanto nada lhe resta apreender ou saber da mulher como ente separado e diferente ...ele quer uma mulher macho e não uma mulher fêmea, dai todas estas ideologias de género promovidas por gays e lésbicas que não sabem e estão muito longe da essência Mulher e...este tem sido o escape dos homens modernos e talvez das mulheres da questão do grande mistério que continua a ser o verdadeiro Feminino. O feminino ontológico. Dai essa raiva em denigrir, em atacar, em destruir, em anular, em calar a mulher com Voz própria e que se atreve a Ser Mulher sem o incluir... este é o drama actual que os homens e mulheres modernas vivem a superfície ao pensarem como seres "iguais"!


E ASSIM CONTINUAMOS COM O DEUS PAI E O DEUS HOMEM...

Conclusão, sempre que uma mulher toma a palavra, escreve ou  diz o que sente (sem ser em relação à dependência do amor e do homem) ou sempre que uma mulher tem voz própria  e se afirma na sua identidade, independente, portanto sem ser em função do homem, pai filho marido ou amante, sempre que uma mulher repercute a sua palavra e expressa uma sensibilidade de forma singular e individual é chamada de feminista e sexista e acusada de tudo...e isto mesmo ou sobretudo  da parte de homens que se dizem defensores da "igualdade"...e querem a força que a mulher e essa "igualdade" seja como eles pensam que é...
Sim, a qualquer palavra da mulher livre de toda a canga, eles se sentem excluídos do seu poder secular e atacam e passam para a ofensa...
rlp

rlp