quarta-feira, março 07, 2018

Em vésperas do 8 de Março...




Mulher no Mundo da Política

"Há quem pense, e talvez com certa razão, que a mulher deve entrar no mundo da política para, dentro desse universo, desenvolver as suas ideias e a sua acção. Mas eu penso que quando uma mulher entra nesse mundo, ela própria é obrigada a submeter-se a padrões que ameaçam toda a sua natureza, a natureza da sua cultura. Ela é levada a transigir, torna-se numa cópia daquilo que já é mau nos homens. Eu penso que a acção da mulher deve desenvolver--se fora da política do Poder. Uma acção política de contra-poder. Pela recusa.
O que é a poesia se não uma magia branca, para fazer recuar as forças tenebrosas que querem destruir a vida?! "*


"A sabedoria é mesmo feminina. Correndo o risco de me repetir ou citar a mim mesma, direi que a «sophia» é feminina. A sabedoria é feminina e a filosofa é masculina. O homem enamora-se da sabedoria, mas nunca chega lá. E o percurso para... A mulher, ela própria, é ovularmente o segredo do Universo. Ela contém em si a sabedoria. As vezes não tem é consciência disso." *
* Natália Correia, in 'Entrevista (1983)'

“ (...) O patriarcado pode, de facto ser considerado como uma enorme hierarquia de homens, uma estrutura onde as mulheres, as crianças e os homens marginalizados são certamente desfavorizados, mas também uma estrutura na qual os homens disputam entre si as melhores posições, na qual o acesso sexual às mulheres, a posse das mulheres e o controlo e a dominação das mulheres pode funcionar para apoiar, manter, ou melhorar a posição dos homens face a outros homens. Formatadas para serem a classe subordinada no seio do patriarcado, as mulheres desempenham igualmente outra função, porque, onde reside um homem na hierarquia, há sempre alguem por baixo dele, e no final, esse alguém é uma mulher.
Isso nâo quer dizer que os homens nâo sejam também oprimidos e explorados, ao contrário, mas é um facto que nenhum homem é oprimido por causa do seu sexo, como o sâo as mulheres. Ele poderá ser oprimido por outras caracteristicas da sua identidade, por exemplo a sua raça, a sua classe ou a sua sexualidade; mas ser de sexo masculino não é nenhuma causa de opressâo. Esta é uma diferença fundamental entre as vivencias das mulheres e as dos homens na nossa sociedade. (...) “


Finn Mackay, Conférence donnée à l’organisation Welsh Women’s Aid, le 10 décembre 2012




domingo, março 04, 2018

uma mulher sábia...




"O trabalho mais profundo é geralmente o mais sombrio. Uma mulher corajosa, uma mulher que procura ser sábia, irá urbanizar os terrenos psíquicos mais pobres, pois, se ela construir apenas nos melhores terrenos da psique, terá uma visão mínima de quem realmente é. Portanto, não tenha medo de investigar o pior. Isso só lhe garante um aumento no poder da sua alma. É nesse tipo de urbanização psíquica que a Mulher Selvagem brilha. Ela não tem medo da treva mais profunda pois na realidade consegue ver no escuro. Ela não tem medo de vísceras, dejetos, podridão, fedor, sangue, ossos frios, moças moribundas e maridos assassinos. Ela tem condições de ver tudo, de suportar tudo, de ajudar.
(...)
Quando falamos da essência feminina, estamos realmente falando da alma feminina. Quando falamos de corpos espalhados no subterrâneo, estamos afirmando que algo aconteceu à força da alma e no entanto, muito embora sua vitalidade exterior tenha sido roubada, muito embora sua vida tenha essencialmente sido esmagada, ela não foi destruída por completo. Ela pode voltar a viver. "

clarissa pinkola estes
IN MULHERES QUE CORREM COM OS LOBOS

sábado, março 03, 2018

A psiquiatria uma forma de controle do corpo e da “alma” das mulheres.







O CASAMENTO: "A propriedade, cuja primeira forma, o germe, reside na família [...]. A escravatura, embora ainda muito rudimentar e latente na família, é a primeira propriedade [...]" do Homem, a Mulher. 
Karl Marx e Engels

Resultado de imagem para Elaine Showalter, The Female Malady

Nesta obra (1985), Elaine Showalter, com suporte em múltiplas fontes como representações da loucura na literatura e na arte (pintura, fotografia e cinema), memórias privadas e literárias de doentes ou ex-doentes, registos médicos e hospitalares, aborda de um modo exaustivo e cativante a feminização da loucura, ou seja, o modo como a classe médica, durante o século XIX, medicalizou a loucura, tornando-a uma questão feminina ( os homens só se tornaram doentes mentais durante e após a I Guerra Mundial e mesmo aí não eram loucos, eram ‘traumatizados de guerra’) e a psiquiatria uma forma de controle do corpo e da “alma” das mulheres.
Deixo aqui um parágrafo que nos dá conta de como isso se podia fazer:
“A regulação dos ciclos menstruais das mulheres parece, frequentemente, ser um esforço da psiquiatria Vitoriana para adiar ou extirpar a sexualidade feminina.
O médico Dr Edward Tilt advogava que a menstruação era tão perniciosa para o cérebro feminino que não devia ser estimulado, antes adiada tanto quanto possível e aconselhava as mães a prevenir a menarca assegurando-se de que as filhas adolescentes permaneciam nos quartos de infância, tomavam banhos  frios evitavam camas com colchões de penas, liam romances, eliminavam a carne da dieta alimentar e vestiam ceroulas.” 
[The Female Malady p. 75]


CURAR  O DESEJO E A PAIXÃO DA MULHER
É QUERER CURAR O IMPOSSIVEL... 


"CATARSE foi um termo empregado no tratamento inicial de Histeria por Freud e Breuer, referia-se a descarga (ab-reacção) da paixão não resolvida que teria raízes nas "reminiscências" de que sofreria a histérica. No drama inicial da "cura pela fala", houve uma espécie de " purgação" de algo que permanece em suspenso, en souffrence, na paixão da histérica, inscrevendo-se nos enigmáticos sintomas corporais de que ela se queixava e para os quais pedia cura."

Estava a reler o livro do qual tirei este excerto, Eros e Verdade, sobre a psicanálise e Freud e outros, no principio do seculo XX, que tentaram diagnosticar as doenças das mulheres consideradas histéricas e que na época sofriam todo o tipo de condicionamento e repressão social familiar e psicológica, tendo sido marcadas por abusos e sofrimentos imensos - mulheres inteligentes e sensíveis - que estavam totalmente presas a uma sociedade atrasada beata e retrógada, e que sempre foram vitimas de pais e maridos déspotas...Histéricas... condenadas ao descrédito, sem voz e sem voto na matéria...sem liberdade nem possibilidade de escolha...e vistas como Antígonas, a mulher que sofreu a maior perseguição e condenação na historia da mitologia grego romana...a grande histérica...além de Cassandra condenada por Apolo - mulheres que o patriarcado desfigurou ...e assim, "Dora, Irma, Anna e as outras iriam transformar-se nas Antígonas desse teatro vianense (...) dentro da relativa privacidade do consultório de Freud...que focalizou o "desejo" que essas histéricas desafiavam os seus médicos a localizarem em no seu corpo e com isso curá-las: um desejo que ele seria levado a reconhecer tão inflexível , tão destemido e tão implacável quando ao de Antígona."
São essas mulheres intensas e capazes de desafiar a ordem patriarcal que os homens de hoje não suportam e que desde há muito tudo fazem para controlar manter submissas ou destruir pela vulgarização e até mesmo matar...

Pensar que havia mulheres "sérias", senhoras da corte, mães de família, que iam aos médicos que as masturbavam para as curar da depressão e angustia...impedidas pela virtude, mesmo como mulheres casadas, a manterem-se frigida e castas... porque lhes era proibido pela religião e os costumes poderem sequer sonhar com o prazer da mulher ou com o orgasmo...que era pecado que confessavam aos padres...
Havia certamente muita devassidão entre as classes mais baixas mas era das mulheres pobres e desgraçadas as prostitutas de rua e bordeis...
Mas, pergunto, como poderiam estes homens como Freud compreender e entender as mulheres ou mais tarde Lacan, este cretino, que disse que a mulher não tinha a palavra porque não tinha falo...para eles todas as mulheres que não obedeçam e cumpram as suas leis são histéricas...

E quantas dessas mulheres não foram internadas em Manicómios só porque não serviam de modelo e infringiam as leis e confrontavam os maridos e pais?

Na época vitoriana, "W. Tyler Smith, por exemplo, recomendava injeções de água gelada no reto, a introdução de cubos de gelo na vagina e a aplicação de sanguessugas nos grandes e pequenos lábios e no colo do útero” e pormenorizava: “A rapidez com que as sanguessugas aplicadas nestas áreas se enchem de sangue, aumenta significativamente os efeitos benéficos desta prática e, durante horas, podemos observar como, mesmo depois de removidas as sanguessugas, o sangue ainda escorre das marcas das mordidelas”.

Nessa altura (segunda metade do século XIX), a Sociedade de Obstetrícia de Londres acreditava piamente que a maior causa de loucura entre as mulheres se devia à masturbação pelo que nada mais eficaz do que sujeitá-las à prática de clitoridectomia radical, mesmo quando a queixa da doente tinha a ver com falta de visão ou falta de apetite, ou quando, inadvertidamente, manifestava em voz alta curiosidade quanto à nova Lei do Divórcio de 1857.
Já não se trata pois da época vitoriana...em que os médicos tratavam o corpo e os ciclos da mulher dessa maneira barbara, mas agora e desde o inicio do seculo passado, já mais a nivel psiquico e mental apenas como todas as manifestações emocionais eram tomadas como histeria se a mulher não se conseguisse controlar...

Hoje temos a ciência a controlar o desejo e os ciclos da mulher com químicos...o que é que mudou? Um dia percebemos que de forma tão bárbara como na época vitoriana...as mulheres foram igualmente controladas e manipulas e sofreram as consequências desta ignorância milenar sobre a Mulher autentica e livre das sociedades matriciais.

Hoje podemos olhar para a histeria como manifestação de emoções reprimidas, assim como o seu dom oculto de intuir e pressentir mundos paralelos, sofrer a influência das lunações etc. e vemos como essa histérica  escondia  uma Mulher imensa obrigada a calar-se e que sente muito mais do que o homem e  por isso mesmo não tinha crédito nas sociedades anteriores  e também a actual. Nos nossos dias a mulher já não é considerada histérica do mesmo modo mas é...bipolar ou ninfomaníaca...ou uma puta... se buscar sexo em demasia ou for muito livre e é essa a sua liberdade de hoje, mas essa mulher continua a ser a mulher sem voz do utero, das entranhas que interpretava o Oráculo de Delfos e foi condenada ao descrédito pelo deus Apolo, que a matou a Grande Serpente, e esconde a mulher instintiva, a mulher selvagem, a mulher que quer ser a sua totalidade e impedida de se expressar e manifestar o seu fundo abissal - esse fundo ctónico que o homem jamais poderia entender quanto mais tratar...e que toda a psicanálise condena como primitiva e denigre o matriarcado como sendo um principio de odio aos homens...

A histérica escondia a repressão da mulher que queria poder manifestar essa sua força reprimida, o seu poder intrínseco, a sua fúria de amar em todos os sentido e que a sociedade judaico-cristã fechada e moralista da época quis controlar e mal essas mulheres se expressavam em fúria o homem o pai e o marido encerraram em manicómios dezenas de mulheres perturbadas pelo desejo da mulher de ser ela - face a uma moral e religião hipócrita e redutora...

Mas o que mais me chocou no texto do livro em questão foi o tratamento de histéricas a todas as mulheres que manifestavam o sofrimento dessa repressão, e o trata-las como histéricas, doentes...essas mulheres marcadas por amores e paixões violentas, por sofrimentos e abusos tremendos, essas mulheres contidas e impossibilitadas de serem e dizerem o que sentiam reprimidas familiar e socialmente por costumes rígidos que as obrigavam a ser esposa obedientes ou concubinas rameiras e prostitutas desprezadas. Mulheres que sonhavam com o amor, com a paixão que dá aso à mulher sensual e selvagem e que nenhum homem consegue perceber ou enfrentar...e pensei nessas mulheres todas entregues aos tratamentos e ao pensamento redutor da psicanálise desses senhores prepotentes e patriarcais em avaliar e analisar e a querer curar o DESEJO DA MULHER ...a paixão da mulher...que ridículo é isto tudo ou devia ser aos nossos olhos de hoje...de mulheres conscientes, mas somos nós conscientes do nosso desejo mais puro e violento? Ou não passamos ainda de histéricas e loucas e dementes, obsessivas sexuais, carentes emocionalmente e híper excitáveis, ou apenas inconscientes do verdadeiro desejo do SER MULHER?

Os tempos mudaram...mas não basta à mulher ter liberdade e ordem para fornicar...ser adultera, ou "fazer amor" como eufemisticamente se diz quando se pratica só sexo pelo sexo, sexo genital mecânico...como as mulheres muito jovens fazem em nome da emancipação e essa foi a liberdade que a mulher moderna conseguiu, mas NÃO é a liberdade do seu ser total e absoluto...o seu desejo universal, o seu desejo substancial e oceânico, mais profundo que o mar profundo...
rlp

A falta de inter-acção dos blogues



Tenho pensado ultimamente em como os Blogues, pelo menos no meu caso, perderam completamente os comentários e toda a inter-acção existente antes da implementação do Facebook dos Twiters...

Tenho imensa pena ter perdido leitor@s de sempre assim como o rasto de algumas amigas de Mulheres & Deusas...
Constato com imensa pena como cada dia mais a superficialidade e a facilidade dos likes e dos bonequinhos animados da "comunicação" rápida e fútil tomou posse de tudo... 

quarta-feira, fevereiro 28, 2018

VERDADES DIFICEIS DE ENCARAR...



HÁ  UMA GRANDE  DIFERENÇA ENTRE UM HOMEM E UMA MULHER...

A confusão mental das mulheres, e dos homens, acerca das diferenças entre ambos os sexos, acerca do feminismo e do machismo e toda esta miscelânea de informações e mistura de culturas e tradições e agora minado todo o campo do pensamento-informação pela ideologia de género, pela direita e pela esquerda, defrontamo-nos de um lado com os velhos conceitos de um cristianismo serôdio e do outro de um materialismo exacerbado e o consumo doentio, e todo este culto do rasca e do medíocre, da ignorância disfarçada de novas ideias, sem pés nem cabeça... toda esta propaganda malsã disseminada nas redes sociais dá um Cocktail Molotov letal para qualquer reserva de sanidade humana que ainda reste na humanidade.

Esta confusão geral de homens e mulheres da actualidade, pretensamente cultos, acerca do feminismo e do machismo, de tudo o que está por detrás desta dominação secular da mulher pelo homem e dos mais fracos, a luta de classes, os complexos sociais, as doenças mentais, os quimicos e a teoria do transgeneros, toda a desordem social emocional e psicológica, está a perverter e a destruir toda a capacidade de discernimentos entre os factos reais e da história recente, anulando a luta de mulheres extraordinárias que lutaram contra a hegemonia masculina no campo laboral e dos direitos humanos, não só pretendem confundir todos os movimentos feministas de inicio do século passado que deu consciência a muitas mulheres e a liberdade de votar, por exemplo ou viajar sem ter de ter o consentimento dos maridos ou pai, com estes movimentos agora das Femens e porventura com lhes chamam femini-nazi, são tão absurdos como os que os atacam ou defendem - uma direita retrógada e fascista...uma esquerda liberal esquizoide comunista e materialista, mas todos - a direita e as esquerda das ideologias e partidos cometem o mesmo erro de não ter a noção correcta nem uma Visão salutar das evidências, porque ambos os lados destes extremos são o fruto de um mesmo Sistema que tanta faz que seja Capitalista como Comunista ele é sempre de exploração e escravização da mulher e dos mais pobres...
As mulheres deixaram-se levar pela ideia de igualdade e caíram na armadilha do patriarcado e hoje estão em muitos maus lençóis...e em todos os campos da sua actividade onde é possível assistimos a um campo minado por ideias do Homem que as leva à deturpação de noções básicas essenciais ao seu ser ontológico, levando-as assim a servir o Sistema que tem o grande propósito de alienar as mulheres de um verdadeiro Feminino Sagrado. Desde logo uma Consciência do Ser Mulher em si integral e essencial que nada tem a ver à partida com o homem e a cultura patriarcal...

"A aculturação leva muitas vezes à desintegração de uma ou de várias culturas, sob a influência dos contatos que se estabelecem entre os seus integrantes."

Mas o mais grave nisto tudo é esta aculturação das mulheres e a sua divisão psíquica: sim, a mulher nasce mulher, mas o sistema educa-a, parte-a em duas para negociar o corpo, o utero, os ovários e o sexo da mulher, sempre ao serviço do Estado e do Sistema em prol da procriação e prazer do Homem.
rlp

É A MULHER É UMA VAZO DE ENCHER?



"Vivemos numa sociedade em que os homens acham que os ovários e o útero são da humanidade e o seios e a vagina das mulheres são deles." - Albino Aroso (médico)


VIVEMOS NUM MUNDO EM QUE A MULHER É AINDA POSSE DOS HOMENS - em que se pretende que ela não tenha escolha nem direito ao seu corpo a partir do momento em que está grávida...
Para os homens a mulher é apenas um Vaso de encher...e o seu  direito sobre a mulher e o filho é deles, exclusivamente... É assim que perante as mais diferentes situações eles pensam mesmo homens de envergadura intelectual e modernos, não só os crentes ou cristãos, os mais reaccionários,  pensam que a mulher grávida não tem qualquer direito a sua existência e sim e apenas viver em função da criança que possa ter no ventre...a criança  não é dela...é do Pai e da sociedade...isto é o que o Homem pensa regra geral...
Quando eu vejo ou leio afirmações de homens de moral e de ética defender o feto e a "vida" em detrimento da mulher  em si, da sua liberdade de escolha e da sua dignidade e integridade, mesmo em caso de violações e outras situações de abuso das quais as mulheres ficam grávidas..., a minha vontade era que as mulheres na sua grande maioria deixassem de ser ou estar ao serviço sexual do homem quando se submetem a sua vontade e prazer...
Se as mulheres percebessem o grau da sua escravidão ditada pelo "amor" ou paixão, o instinto de reprodução, elas começariam por ter em conta a sua sexualidade e em vez de pautar a sua vida pelo dito "amor" a dois e pelo romance que as leva invariavelmente a situações destas...pensaria duas vezes antes de viver com um homem...casar ou ter filhos! 



terça-feira, fevereiro 27, 2018



UMA VISÃO LÚCIDA...e desmistificadora!



"Não pretendo negar, em geral, a existência de profetas autênticos, mas, por cautela, começarei duvidando em cada caso individual; o assunto é sério demais para que se aceite, levianamente, alguém como um verdadeiro profeta. Se for este o caso, ele mesmo lutará contra toda pretensão inconsciente a esse papel. Portanto, se num abrir e fechar de olhos aparecer um profeta, seria melhor pensarmos num possível desequilíbrio psíquico.

Mas além da possibilidade de converter-se em profeta, há outra alegria sedutora, mais sutil e aparentemente mais legítima: a alegria de ser o discípulo de um profeta. Esta técnica é ideal para a maioria das pessoas. Suas vantagens são: o odium dignitatis, isto é, o da responsabilidade sobre-humana do profeta, que é substituído pelo otium indignitatis, que é muito mais suave. O discípulo é indigno; senta-se modestamente aos pés do "Mestre" e se protege contra os próprios pensamentos.

A preguiça mental torna-se uma virtude; pelo menos, é possível aquecer-se ao sol de um ser semidivino. Pode desfrutar do arcaísmo e infantilismo de suas fantasias inconscientes sem esforço algum, pois toda a responsabilidade é deixada ao Mestre. Através da divinização do Mestre, o discípulo se exalta, aparentemente sem que o perceba. Além disso, não possui a grande verdade (que, naturalmente, não foi descoberta por ele), recebida diretamente das mãos do Mestre? É óbvio que os discípulos sempre se unem com solidariedade, não por laços afetivos, mas com o propósito de confirmar suas próprias convicções, sem esforço, engendrando uma atmosfera de unanimidade coletiva.
Há, porém, uma forma de identificação com a psique coletiva, que parece muito mais recomendável; alguém tem a honra de ser um profeta, assumindo desse modo uma perigosa responsabilidade. Outro indivíduo, por seu lado, é um simples discípulo, administrador do grande tesouro que o Mestre alcançou.
Sente toda a dignidade e o peso de uma tal posição e considera uma obrigação solene, ou mesmo uma necessidade moral, denegrir todos os que pense diferentemente; sua preocupação é fazer prosélitos e iluminar a humanidade, tal como se ele mesmo fosse o profeta."


Carl Jung - O eu e o inconsciente

A ORDEM PATRIARCAL...



O 4 MANDAMENTO -  Honrar Pai e Mãe...

"El tema de la infancia también se evita cuidadosamente en muchas de las terapias actuales (véase A. Miller 2001). Al principio se anima a los pacientes a dar rienda suelta a sus emociones más intensas, pero con el despertar de las emociones suelen aflorar los recuerdos reprimidos de la infancia, recuerdos del abuso, la explotación, las humillaciones y las heridas sufridas en los primeros años de vida. Y eso a menudo supera al terapeuta. No puede tratar todo esto cuando él no ha recorrido este camino. Y como los terapeutas que lo han recorrido son los menos, la mayoría ofrece a sus pacientes la pedagogía venenosa, es decir, la misma moral que en el pasado les hizo enfermar. El cuerpo no entiende esta moral, el cuarto mandamiento no le sirve de provecho y tampoco se deja engañar por las palabras, como hace nuestra mente. El cuerpo es el guardián de nuestra verdad, porque lleva en su interior la experiencia de toda nuestra vida y vela por que vivamos con la verdad de nuestro organismo. Mediante síntomas, nos fuerza a admitir de manera cognitiva esta verdad para que podamos comunicarnos armoniosamente con el niño menospreciado y humillado que hay en nosotros. Personalmente, ya desde los primeros meses de vida fui educada a base de castigos para obedecer. Claro está, no fui consciente de ello durante décadas. Por lo que mi madre me contó, de pequeña me portaba tan bien que no tuvo ningún problema conmigo. Según ella, fue gracias a que me educó de manera consecuente cuando yo era un bebé indefenso; de ahí que durante tanto tiempo no tuviera ningún recuerdo de mi infancia. Fue durante mi última terapia cuando mis emociones intensas me informaron sobre mis recuerdos. Éstos se exteriorizaron relacionados con otras personas, pero me resultó más fácil averiguar su procedencia integrándolos como sentimientos comprensibles para reconstruir la historia de mi primera infancia. Así fue como perdí los antiguos miedos, hasta entonces incomprensibles para mí, y gracias a una compañía cómplice conseguí que las viejas heridas cicatrizaran. Estos miedos estaban sobre todo vinculados a mi necesidad de comunicación, a la que mi madre no sólo nunca respondió, sino que incluso, dentro de su rígido sistema educativo, castigaba por considerarla una descortesía. La búsqueda de contacto y de interacción se manifestaba en primer lugar con lágrimas y, en segundo, con la formulación de preguntas y la comunicación de mis propios sentimientos e ideas. Pero cuando lloraba recibía un cachete, a mis preguntas se me contestaba con un montón de mentiras, se me prohibía expresar lo que sentía y pensaba. Como castigo, mi madre solía volverme la espalda y se pasaba días enteros sin dirigirme la palabra; yo me sentía constantemente bajo la amenaza de ese silencio. Dado que ella no me quería como yo realmente era, me vi obligada a ocultarle siempre mis verdaderos sentimientos. Mi madre podía tener arrebatos violentos, pero carecía por completo de la capacidad de reflexionar sobre sus emociones y profundizar en ellas. Como desde pequeña vivió frustrada y fue infeliz, siempre me culpaba a mí de algo. Cuando yo me defendía de esta injusticia o, en casos extremos, intentaba demostrarle mi inocencia, ella se lo tomaba como un ataque que solía castigar con dureza. Confundía las emociones con los hechos. Cuando «se sentía» atacada por mis explicaciones, daba por sentado que yo la había atacado. Para poder entender que sus sentimientos tenían otras causas ajenas a mi comportamiento habría necesitado la capacidad de reflexión. Pero yo nunca la vi arrepentirse de nada, siempre consideraba que «tenía razón», lo que convirtió mi infancia en un régimen totalitario."

in EL CUERPO NUNCA MENTE
ALICE MILLER

Celebração do Dia de Hecate




27 DE FEVEREIRO


Dia da Anciã, uma das manifestações da Deusa Tríplice, detentora da sabedoria.

"A Anciã podia ser representada por inúmeras deusas como Morrigan, Baba Yaga, A Mulher que Muda, Befana, Hecate, Cailleach, Edda, Hel ou Sedna. Esse aspecto da Deusa corresponde aos rituais de mudança e transformação, aos períodos de transição e à sabedoria da mulher pós-menopausa que, ao guardar seu sangue, adquire novas habilidades psíquicas, mentais e espirituais.
Celebração da deusa grega da natureza e do tempo Pyrrha, a filha da deusa da terra Pandora.

Originalmente, Pandora – cujo nome significa “A Doadora” – era a própria terra, sua energia alimentando as plantas, os animais e os homens. Sob o nome de Anesidora – “aquela que dá as dádivas” – a deusa era representada como uma mulher gigante, saindo da terra por um túnel aberto com machados de pedra pelos gnomos. Com o advento da sociedade patriarcal, Pandora foi transformada em uma vilã, responsável por ter aberto a caixa com todos os males do mundo, assim como Eva, considerada no Velho Testamento como a causa original do pecado e dos males da humanidade." (?)


Hécate como Feiticeira Temida

"As mulheres temem ser chamadas de bruxas por razões históricas de peso. A Inquisição foi criada em 1252 pelo papa Inocêncio IV e a tortura prosseguiu durante cinco séculos e meio até ser abolida pelo papa Pio VII em 1816. Entre 1560 e 1760 a perseguição de mulheres por bruxaria atingiu o seu auge. É chamado a este tempo o “holocausto das mulheres”. Estima-se entre cem mil e oito milhões o n.º de mulheres condenadas á morte na fogueira.
As mulheres mais temidas ou respeitadas foram as mais perseguidas. Entre as primeiras a serem queimadas, incluíam-se as parteiras e as curandeiras, as velhas que facilitavam o trabalho de parto e ajudavam as mulheres a darem á luz, que conheciam as ervas medicinais e cujos poderes provinham da observação e da experiencia. As mulheres com autoridade e experiencia ou conhecimentos, as mulheres excêntricas ou as mulheres com posses, normalmente viúvas também eram denunciadas, sujeitas a tortura e condenadas. Qualquer mulher idosa corria riscos, para sobreviverem, era preciso que não dessem nas vistas nem se distinguissem. Só as mulheres idosas invisíveis permaneciam vivas.
Um dos motivos pra acusações de bruxaria era a ganância, ficar com os bens das bruxas ou verem-se livres da competição. Os acusadores das parteiras, por exemplo, eram médicos. As viúvas com algumas posses cobiçadas por outras pessoas eram alvo de denúncia. Havia avareza por parte da inquisição. Considerava-se que os bens de uma mulher que tivesse sido denunciada como bruxa e queimada serviam para custear o seu encarceramento, tortura e até a morte na fogueira."(...)


in As Deusas em cada Mulher, a Deusa Interior, de Jean Shinoda Bolen

segunda-feira, fevereiro 26, 2018

La traición a los recuerdos


Virginia Woolf - o erro crasso das mulheres seguirem a  psicanálise Freudiana...


Hace más de veinte años que, en Du sollst nicht merken [Prohibido sentir], escribí sobre la escritora Virginia Woolf, quien, igual que su hermana Vanessa, de pequeña fue víctima de abusos sexuales por parte de sus dos hermanastros. Según Louise DeSalvo (1990), en sus voluminosos diarios Virginia Woolf menciona siempre esta terrible época, en la que no se atrevía a contarles su situación a sus padres, porque no podía esperar de ellos apoyo alguno. La escritora sufrió depresiones durante toda su vida. No obstante, tuvo fuerzas para trabajar en sus obras literarias con la esperanza de poder así expresarse y superar, finalmente, los horribles traumas de su infancia. Pero en 1941 ganó la depresión y Virginia Woolf se lanzó al río. Cuando en Du sollst nicht merken describí su destino, me faltaba un dato importante, que no supe hasta muchos años después. El estudio de Louise DeSalvo explica que, tras la lectura de las obras de Freud, Virginia Woolf empezó a dudar de la autenticidad de sus recuerdos, que justo antes había anotado en sus bosquejos autobiográficos, a pesar de que por medio de Vanessa podía constatar que ésta también había sufrido abusos por parte de sus hermanastros. DeSalvo escribe que desde entonces, siguiendo a Freud, Virginia se esforzó para dejar de contemplar el comportamiento humano como lo había hecho hasta el momento, como la consecuencia lógica de las experiencias infantiles, y verlo como el fruto de los instintos, las fantasías y los deseos. Los escritos de Freud confundieron por completo a Virginia Woolf: por un lado, ella sabía perfectamente lo que había sucedido, y, por otro, deseaba, como casi todas las víctimas de abusos sexuales, que esto no fuese cierto. Al fin, siguió las teorías de Freud y sacrificó su memoria negando lo ocurrido. Empezó a idealizar a sus padres y a ver de manera positiva a toda su familia como nunca antes había hecho. Después de darle la razón a Freud, se sintió insegura, confusa y, en adelante, se creyó que había enloquecido. DeSalvo escribe:
«Estoy convencida de que su decisión de suicidarse pone de relieve lo que defiendo en mi tesis […] Desde mi punto de vista, la relación causa-efecto que Virginia había tratado de trabajar perdió todo su fundamento a causa de Freud, por lo que se vio obligada a desdecirse de sus propias explicaciones sobre su depresión y su estado anímico. Había partido de la base de que podía achacar su situación a la experiencia incestuosa de su infancia, pero al seguir a Freud, tuvo que considerar otras posibilidades: que sus recuerdos estaban distorsionados, si no eran incluso falsos, que no eran una vivencia real, sino una proyección de sus deseos, y que el suceso en sí era producto de su imaginación» (DeSalvo 1990, pág. 155).
Tal vez el suicidio habría podido evitarse si Virginia Woolf hubiese tenido un testigo cómplice con quien poder compartir sus sentimientos sobre la crueldad que tan tempranamente sufrió. Pero no tenía a nadie, y creyó que Freud era el experto. Los escritos de éste la confundieron y desorientaron mucho; aun así, prefirió dudar de sí misma a dudar de Sigmund Freud, la gran figura paterna, que representaba los criterios de la sociedad de aquel tiempo. Por desgracia, éstos no han cambiado mucho desde entonces. En 1987 el periodista Nikolaus Frank vivió la indignación que provocó un comentario que hizo en una entrevista para la revista Stern, en la que dijo que nunca perdonaría la crueldad de su padre. El padre fue jefe del distrito de Cracovia durante la guerra y permitió que muchas personas sufrieran atrocidades. Pero toda la sociedad esperaba que el hijo fuese indulgente con este monstruo. Alguien escribió a Nikolaus Frank que lo peor que su padre había hecho era tener un hijo como él." (...)

in EL CUERPO NUNCA MENTE
ALICE MILLER