domingo, setembro 28, 2003



Vem cá…

Salta de dentro desse eterno cansaço
aflitivo e baço
- que há-de continuar, bem sei –
mas dá-te agora
por uns quaisquer instantes uma só hora
a imperiosa consolação
do nosso abraço

Vem cá…
Assimilemos as devastadoras forças
que nos estiram para além de nós
impiedosas cruas
os necessários agentes do devir…
será talvez a consciência
só pura consciência a emergir.

Vem cá, vem cá…
Não perguntes, nada expliques
Retem apenas a fundamental
a suprema, inadiável pulsão
de ser
neste intemporal amplexo
em que máscara alguma prolifera

Em ti segura e por ti calma
desço contigo ao vale de trevas
onde tantas vezes choras
acossada
- esse abissal fundo qualquer
donde tu rezas
e eu encontro
as sombras da minha alma.


TESSA ESTATE (1943-2001)

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