sexta-feira, maio 28, 2004

“No início, diziam os gregos, existia apenas o caos amorfo: luz e escuridão, mar e terra, tudo se misturava numa massa informe. Depois o caos organizou-se numa forma e essa forma era a imensa Gaia de seio profundo, a terra. Ela existia já antes do início dos tempo, pois o Tempo foi um dos seus filhos. Nas imensidões intemporais anteriores à criação Gaia existia para si própria.” (...)



SEGUNDO ARISTÓTELES...

O problema do mais e do menos já vem de longe...
(as aspas são do seu discurso)

Este corpo de mulher está inacabado como o de uma criança, está desprovido de sémen como o de um homem estéril. Doente por natureza, consegue mais lentamente reconstitui-se na matriz, devido à fraqueza térmica, mas envelhece mais rapidamente porque “tudo o que é pequeno chega mais depressa ao fim, tanto nas produções artificiais como nos organismos naturais”. Tudo isto, “porque as fêmeas são por natureza mais fracas e mais frias, e é necessário considerar a sua natureza como uma deformidade natural.”

Assim, de acordo com Aristóteles...

A natureza feminina é uma deformação natural: chegamos finalmente à razão ùltima dos defeitos que se acumulam no corpo das mulheres. É que a mulher é ela própria um defeito. Não há nada que escape ao registo da privação pelo qual ela se define.

O problema do género

E no entanto, temos de aceitar essa realidade: os grandes homens dizem mal das mulheres, os grandes filósofos e os mais autorizados saberes consagram as ideias mais falsas e mais desdenhosas a propósito do feminino. Assalta-nos, por vezes, a tentação de tudo reduzir à anedota, ao caso pessoal. (...)
Claro que seria fácil responder com o ressentimento e a amargura, com a denúncia furiosa dos erros e dos disparates. Mas seria justamente o mais fácil.
(...)
Diria até que a convicção íntima e adquirida de Ter razão de ser das nossas pesquisas militantes. Sabemos que a nossa causa é defensável. (...) Não apenas porque possuímos os meios para analisar e desconstruir esses discursos, e porque chegou a altura de levar a sério as razões dos vencidos, mas também porque algumas ideias mestras dessa ciência antiga podem chegar a sofrer um deslocamento e uma reorganização na mais recente biologia.


O LIVRO:
A alma é um corpo de mulher

De Giulia Sissa


(...) “O mais famoso oráculo do mundo antigo, Delfos, pertencia a Gaia muito antes de um intruso, o deus Apolo, se Ter apoderado dele.” (...)

in “O CAMINHO DA DEUSA” de Patricia Monaghan

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