quarta-feira, julho 27, 2005

Agir é repousar.

Todos os problemas são insolúveis. A essência de haver um problema é não haver uma solução. Procurar um facto significa não haver um facto. Pensar é não saber existir.

Passo horas, às vezes, no Terreiro do Paço, à beira do rio, meditando em vão. A minha impaciência constantemente me quer arrancar desse sossego, e a minha inércia constantemente me detém nele. Medito, então, em uma modorra de físico, que se parece com a volúpia apenas como o sussurro de vento lembra vozes, na eterna insaciabilidade dos meus desejos vagos, na perene instabilidade das minhas ânsias impossíveis. Sofro, principalmente, do mal de poder sofrer. Falta-me qualquer coisa que não desejo e sofro por isso não ser propriamente sofrer.



Fernando Pessoa,
O Livro do Desassossego

"Não importa qual o povo, que num certo momento da sua existência, se julga eleito. É nessa altura que ele dá o melhor e o pior de si mesmo."

Cioran

(Agora sou eu que vou até ao Terreiro do Paço...)

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