quarta-feira, julho 05, 2006

A UNIÃO DOS PRINCÍPIOS, FEMININO E MASCULINO

"Inventemos, escreve Pessoa, um Imperialismo Andrógino reunindo as qualidades masculinas e femininas; um imperialismo alimentado de todas as subtilezas femininas e de todas as forças de estruração masculinas. Realizemos Apolo espiritualmente. Não uma fusão do cristianismo e do paganismo, mas uma evasão do cristianismo, uma simples e estrita transcendência do paganismo, uma reconstrução transcendental do espírito pagão."

Fernando Pessoa



"A alma não é um homem, nem uma mulher"...

"A alma não é um homem, nem uma mulher, nem o que não é homem nem mulher. Quando a alma toma a forma de um corpo, fica limitada por esse mesmo corpo.

A alma nasce e floresce num corpo, com sonhos e desejos, de acordo com as suas obras anteriores. E então renasce em novos corpos, conforme as acções da sua vida passada.

A qualidade da alma determina o seu futuro corpo: terreno ou aério, pesado ou leve. Os seus pensamentos e acções podem levá-lo à liberdade, ou conduzí-la à escravidão, vida após vida."


Os Upanishades


A ANDROGINIA DAS ALMAS

É sobretudo na tradição hermética que se encontram referências à androginia das almas: "não há (nas almas) machos nem fêmeas; esta disposição só existe nos corpos", responde Ísis ao seu filho Hórus, que lhe pergunta como nascem as almas, se machos se fêmeas (Ménard, pp.203-204). Também entre os gnósticos encontramos alusões tanto à androginia de Deus, de quem as almas são emanação e reflexo. A androginia é ainda atestada nos Evangelhos apócrifos. O que demonstra que nos primeiros séculos da era cristã se respirava um misticismo sincrético bastante semelhante à tendencia hermética que volta a despertar no século dezasseis e se mantém daí em diante

No Evangelho de Tomé, Jesus diz, dirigindo-se aos discípulos:
"Quando fizerdes os dois (ser) um, e...o interior como o exterior e o exterior como o interior, e o superior como o inferior...(e) o macho e a fêmea já não seja macho nem fêmea, então entrareis no Reino".

Nota-se a influência do célebre Pimandro de Hermes, em qe se proclama que o que está em cima é como o que está em baixo, e o que está em baixo é como o que está em cima; ou seja; que tudo é um.


in LITERATURA E ALQUIMIA
Y.K.Centeno

(republicando...)

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